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229 TST COMENTADO PROF. THYAGO BERTOLDI

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229

TST

COMENTADO

PROF. THYAGO BERTOLDI (@LABORATORIO.TRABALHISTA)

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Órgão Especial

Concurso público e deficiência auditiva unilateral total

IMPORTANTE! DIVERGÊNCIA STJ!

Tem direito a tomar posse em concurso público em vaga reservada a deficientes, a candidata que possui anacusia unilateral (deficiência auditiva unilateral).

O conceito de deficiência auditiva prevista no artigo 4º, inciso II, do Decreto nº 3.298, de 1999, estabelece restrição que colide com a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (Decreto nº6.949, de 2009) não sendo recepcionado pela ordem constitucional.

(TST. Tribunal Pleno. RO-1002366-52.2019.5.02.000, rel. Min. Luiz José Dezena da Silva, julgado em 09.11.2020, Informativo TST nº 229).

Concurso público

Sabe-se que, em regra, o acesso a cargos efetivos (regime estatutário) e empregos

perma-nentes (empregos públicos) na Administração Pública demanda a aprovação prévia em concurso público. Essa é uma exigência do artigo 37, inciso II, da Constituição.

Alguns cargos, no entanto, dispensam a prévia aprovação em concurso público: (a) cargos em comissão; (b) mandatos eletivos; (c) quinto constitucional nos Tribunais; (d) autorida-des mencionadas na Constituição (ex.: membros do TCU, do Conselho Nacional de Justiça

e do Conselho Nacional do Ministério Público, etc); (e) agentes comunitarios de saúde e combate a endemias (CRFB, art. 198, §4º), o que não exonera, contudo, a realização de

pro-cesso seletivo; (f) contratados por tempo determinado, igualmente demandado processo

seletivo simplificado; e (g) ex-combatentes da II Guerra Mundial (ADCT, art. 53, I).

O concurso público deve ser de provas ou provas e títulos, jamais somente de títulos. Os

tí-tulos, em realidade, são critérios qualitativos que indicam a maior aptidão de determinado

candidato para o exercício do cargo ou emprego público. Daí porque, para o STF, a prova de

títulos ter caráter unicamente classificatório1. Porém, nada impede que, conjugando-se a

nota da prova e dos títulos, o candidato seja reprovado.

Ações afirmativas (“cotas”) para deficientes

Importante questão relacionada ao concurso público refere-se às ações afirmativas.

Em seu artigo 37, inciso VIII, a Constituição prevê que lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua

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admissão. No âmbito federal, nos termos do artigo 5º, §2º, da Lei nº 8.112, de 1990, a reserva de vagas é de até 20% (vinte por cento).

A caracterização da deficiência é tema polêmico e controverso.

É de competência da junta médica oficial a avaliação se o portador de deficiência possui

condições de exercer o cargo pretendido. Por outro lado, o STF já entendeu que, para con-correr às vagas reservadas a deficientes, não se faz necessária a compatibilidade entre o estado de deficiência e o conteúdo ocupacional ou funcional do cargo disputado, isto é, que a deficiência produza eventuais dificuldades para o exercício do cargo.

Merece destaque duas súmulas do STJ a respeito da questão (e atenção ao entendimento

abaixo!):

Súmula 377 do STJ Súmula 552 do STJ

O portador de visão monocular tem

direi-to de concorrer, em concurso público, às vagas reservadas aos deficientes.

O portador de surdez unilateral NÃO se

qualifica como pessoa com deficiência para o fim de disputar as vagas reservadas

em concursos públicos.

O critério de ordem de nomeação é o de alternância, sendo as primeiras vagas destinadas

aos não deficientes e apenas as eventuais ou últimas vagas aos deficientes até que seja alcançado o percentual limítrofe de vagas oferecidas aos deficientes. Nesse contexto, po-de-se dizer que nem todo concurso público terá vagas reservadas para deficientes. Com efeito, no MS 26.310/DF, o STF entendeu que “por encerrar exceção, a reserva de vagas para

portadores de deficiência faz-se nos limites da lei e na medida da viabilidade consideradas as existentes, afastada a possibilidade de, mediante arrendondamento, majorarem-se as percentagens mínimas e máximas previstas”2.

O que aconteceu no caso analisado pelo TST?

Uma candidata, que possuía anacusia unilateral (deficiência auditiva unilateral) foi impedi-da de tomar posse em concurso público em vaga reservaimpedi-da para portadora de necessiimpedi-dades especiais, por não preencher o critério previsto no artigo 4º, inciso II, do Decreto nº 3.298, de 1999: deficiência auditiva, para efeito de enquadramento nas disposições da Lei nº 7.853, de 1989, seria apenas a perda bilateral, parcial ou total, de 41 decibéis ou mais.

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O TST concordou com o ato administrativo que impediu a posse da candidata?

NÃO! Tem direito a tomar posse em concurso público em vaga reservada a deficientes,

a candidata que possui anacusia unilateral (deficiência auditiva unilateral).

O conceito de deficiência auditiva prevista no artigo 4º, inciso II, do Decreto nº 3.298, de 1999, estabelece restrição que colide com a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (Decreto nº6.949, de 2009) não sendo recepcionado pela ordem constitucional (TST. Tribunal Pleno. RO-1002366-52.2019.5.02.000, rel. Min. Luiz

José Dezena da Silva, julgado em 09.11.2020, Informativo TST nº 229).

Quais os argumentos utilizados pelo TST para reconhecer a inconstitucionalidade do dispositivo?

A Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, incorporada ao

ordenamento jurídico com status de emenda constitucional pelo Decreto nº 6.949, de 2009, define as pessoas portadoras de deficiência como sendo “aquelas que têm impedimentos

de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualda-des de condições com as demais pessoas”.

No caso, a impetrante, portadora de anacusia unilateral (deficiência auditiva unilateral), en-quadra-se no conceito de deficiência trazido pela convenção, pois é inegável que sua dis-função auditiva constitui elemento de obstrução quanto à sua participação plena e efetiva na sociedade em condições de igualdade com os demais.

Nesse diapasão, o artigo 4º, inciso II, do Decreto nº 3.298, de 1999, estabelece restrição que colide com a norma de equivalência constitucional, não sendo recepcionada pela ordem constitucional estabelecida por meio do Decreto nº 6.949, de 2009.

Desse modo, a impetrante possui direito líquido e certo ao empossamento no cargo.

O entendimento é divergente daquele esposado pelo STJ?

SIM! Súmula 552 do STJ: O portador de surdez unilateral não se qualifica como pessoa com

deficiência para o fim de disputar as vagas reservadas em concursos públicos.

O julgamento foi unânime?

NÃO! Foram vencidos, no mérito, Ministros Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, Renato de

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Como foi veiculado no informativo?

Mandado de segurança. Concurso público. Pessoa portadora de deficiência física. Deficiên-cia auditiva unilateral total. Vaga reservada para portadores de necessidades espeDeficiên-ciais. Caracterização. Direito líquido e certo.

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Seção Especializada em Dissídios Coletivos

Honorários advocatícios e dissídio coletivo

São devidos honorários advocatícios nos dissídios coletivos.

A Lei nº 13.467, de 2017, apesar de não mencionar, no artigo 791-A da CLT, os dissídios coletivos, objetivou, por meio desse dispositivo, uniformizar os honorários advocatí-cios sucumbenciais no Processo do Trabalho, sem distinção entre ações individuais e coletivas para fins de incidência da referida verba.

(TST. SDC. RO-314-31.2018.5.13.0000, rel. Min. Dora Maria da Costa, julgado em 16.11.2020, Informativo TST nº 229).

Honorários advocatícios de sucumbência

os honorários de sucumbência são os fixados pelo juiz na decisão e devem ser pagos pelo

vencido, possuindo como fato gerador a derrota da outra parte. Não devem ser confundidos com: (a) honorários contratuais: são aqueles que decorrem da relação de prestação de

ser-viços firmada entre o advogado e seu cliente; ou (b) honorários assistenciais: são aqueles

que derivam da assistência judiciária gratuita e, no processo do trabalho, eram devidos ao sindicato3.

A partir da Lei nº 13.467, de 2017, os honorários advocatícios de sucumbência passam a ser devidos de forma ampla no processo do trabalho, ainda que o advogado atue em causa

própria.

Dessa forma, a Súmula 219 do TST fica, em grande parte, superada em decorrência do novo

artigo 791-A da CLT (incluído pela Lei nº 13.467, de 2017).

Não obstante a mudança legislativa, o conhecimento do enunciado de súmula permanece importante. É que, segundo o artigo 6º da IN TST nº 41, de 2018, a condenação em honorá-rios advocatícios sucumbenciais prevista no artigo 791-A da CLT será aplicável apenas as reclamatórias ajuizada após 11 de novembro de 2017. Nas ações ajuizadas anteriormente,

subsistem as diretrizes do artigo 14 da Lei nº 5.584, de 1970 e das Súmula 219 do TST. O regramento previsto na CLT em relação aos honorários de sucumbência é um pouco diver-so daquele do CPC.

Com efeito, ao advogado, ainda que atue em causa própria, serão devidos honorários de sucumbência, fixados entre o mínimo de 5% (cinco por cento) e o máximo de 15% (quinze

por cento) sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico ob-3 MIESSA, Élisson. Normas Processuais da Reforma Trabalhista: Comentários à Instrução Normativa 41/2018

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7

tido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa (CLT, art. 791-A, incluído pela Lei nº 13.467, de 2017).

A doutrina critica a opção do legislador, já que os percentuais dos honorários da Justiça do Trabalho, sem justificativa lógica e razoável, são inferiores aos previstos pelo Código de Processo Civil4.

Conforme o artigo 791-A, §2º, da CLT (incluído pela Lei nº 13.467, de 2017), os critérios a se-rem observados pelo Juiz do Trabalho na fixação dos honorários são: (a) o grau de zelo do

profissional; (b) o lugar de prestação do serviço; (c) a natureza e a importância da causa; e

(d) o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.

À semelhança do que ocorria no item VI da Súmula 219 do TST, o artigo 791-A, §1º, da CLT,

estabelece que os honorários são também devidos nas causas em que a Fazenda Pública

for parte. Registre-se que, à luz da nova legislação, Élisson Miessa defende que as

limita-ções do artigo 85, §3º, do Código de Processo Civil “(...) devem ser observados no processo do trabalho, aplicando-se supletivamente os dispositivos do NCPC, nesse particular. No

entanto, dever-se-á limitar aos limites mínimos e máximo permitidos pelo caput do art. 791-A da CLT”5.

Com a Reforma Trabalhista (CLT, art. 791, §3º, incluído pela Lei nº 13.467, de 2017), passou--se a admitir, no processo do trabalho, a sucumbência recíproca para fins de condenação em honorários de sucumbência (fenômeno não admitido para condenação em custas

pro-cessuais). Não se admite, porém, a compensação entre os honorários advocatícios devidos, pois pertencem aos advogados, e não às partes.

Por fim, são devidos honorários de sucumbência, também, na reconvenção (CLT, art. 791-A,

§5º).

O artigo 791-A da CLT não fala em dissídios coletivos... Nessas causas, os honorários são devidos mesmo assim?

SIM! São devidos honorários advocatícios nos dissídios coletivos. A Lei nº 13.467, de

2017, apesar de não mencionar, no artigo 791-A da CLT, os dissídios coletivos, objetivou, por meio desse dispositivo, uniformizar os honorários advocatícios sucumbenciais no Processo do Trabalho, sem distinção entre ações individuais e coletivas para fins de incidência da referida verba (TST. SDC. RO-314-31.2018.5.13.0000, rel. Min. Dora Maria da Costa, julgado em 16.11.2020, Informativo TST nº 229).

4 GARCIA, 2018, p. 335.

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O TST ainda acrescentou que o artigo 791-A da CLT, ao prever que o advogado da parte

ven-cedora será destinatário dos honorários sucumbenciais, não estabeleceu distinções entre as diversas categorias de advogado, como o empregado, o público e o da parte assistida

pelo sindicato da sua categoria. Portanto, o dispositivo celetista reconhece o direito à per-cepção dos honorários advocatícios na Justiça do Trabalho, inclusive nos casos dos dissí-dios coletivos

O julgamento foi unânime?

NÃO! Foram Vencidos parcialmente, no mérito, os Ministros Aloysio Corrêa da Veiga, Luiz

Philippe Vieira de Mello Filho, Mauricio Godinho Delgado e Kátia Magalhães Arruda.

Como foi veiculado no informativo?

Dissídio coletivo de natureza econômica. Instauração após a entrada em vigor da Lei nº 13.467/2017. Honorários advocatícios sucumbenciais. Cabimento. Art. 791-A da CLT.

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Nulidade de cláusula coletiva que exclui os aeronautas da base de cálculo das cotas de

contratação de pessoas com deficiência e de aprendizes

São nulas as cláusulas coletivas que excluem os aeronautas da base de cálculo das cotas de contratação de pessoas com deficiência e de aprendizes, pois extrapolam o interesse coletivo das categorias representadas, alcançando e regulando direito difuso em ma-téria de ordem e de políticas públicas que não são passíveis de regulação pela via da negociação coletiva.

(TST. SDC. AACC-1000639-49.2018.5.00.0000, rel. Min. Kátia Magalhães Arruda, julgado em 23.11.2020, Informativo TST nº 229).

Cotas de contratação de empregados (ações afirmativas)

As ações afirmativas são medidas estatais temporárias que objetivam compensar situações

historicamente desiguais. Elas concretizam o ingresso ou acesso ao mercado de trabalho para mulheres, negros, pessoas com deficiência física e índios, por exemplo. Elas decorrem dos princípios da máxima efetividade da Constituição e da igualdade material.

Iremos focar em duas hipóteses: aprendizes e pessoas com deficiência. Aprendizes

A CLT, em seu artigo 429, prevê a obrigatoriedade de contratação destes profissionais, com o intuito de incentivar a inserção de novos trabalhadores no mercado de trabalho. As empre-sas são obrigadas a contratar, no mínimo, 5% (cinco por cento) e, no máximo, 15% (quinze

por cento) de aprendizes. Não há obrigatoriedade para os empregadores sem fins lucrati-vos, as microempresas e as empresas de pequeno porte.

Pessoas com deficiência

A Lei nº 8.213, de 1991 estabeleceu ações afirmativas às pessoas com deficiência e reabili-tados, ou seja, empregados que se encontravam parcial ou totalmente incapazes para a

ati-vidade laborativa. Assim, as empresas com 100 (cem) empregados ou mais deverão manter

entre 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) de seus cargos com pessoas com deficiência

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Número de empregados Proporcional de cargos assegurados às pessoas com deficiência e reabilitados

Até 200 2%

De 201 a 500 3%

De 501 a 1000 4%

Acima de 1000 5%

É interessante acrescentar que, nos termos do artigo 93, §1º, da Lei nº 8.213, de 1991, alte-rado pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146, de 2015), a dispensa imotivada

em contrato por prazo indeterminado desses empregados somente poderá ocorrer após a contratação de outro trabalhador com deficiência ou beneficiário reabilitado da

Previdên-cia SoPrevidên-cial.

REVISÃO: INFORMATIVOS TST

A ausência de contratação de substituto em condição semelhante a do empregado portador de deficiência e/ou reabilitado NÃO induz à invalidade da dispensa, se man-tido o percentual mínimo previsto no artigo 93 da Lei nº 8.213, de 1991. Assim, NÃO há necessidade de que a contratação do substituto de mesma condição seja feita na mes-ma localidade ou na mesmes-ma função anteriormente ocupada (TST. 7ª Turmes-ma.

RR-11017-06.2015.5.01.0244, rel. Min. Cláudio Mascarenhas Brandão, julgado em 20.05.2020, Infor-mativo TST nº 219).

Norma coletiva pode dispor a respeito desses limites, excluindo determinada categoria da base de cálculo dessas ações afirmativas?

NÃO! São nulas as cláusulas coletivas que excluem os aeronautas da base de cálculo das cotas de contratação de pessoas com deficiência e de aprendizes, pois extrapolam o in-teresse coletivo das categorias representadas, alcançando e regulando direito difuso em matéria de ordem e de políticas públicas que não são passíveis de regulação pela via da

negociação coletiva (TST. SDC. AACC-1000639-49.2018.5.00.0000, rel. Min. Kátia Magalhães Arruda, julgado em 23.11.2020, Informativo TST nº 229).

A conduta viola o disposto no artigo 611 da CLT e não atende os requisitos de validade pre-visto no artigo 104 do Código Civil.

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total de empregados da empresa, não estabeleceu nenhuma ressalva ou exceção de cargos ou atividades para o cômputo do cálculo.

Extra! Controle dos instrumentos coletivos pelo Judiciário

As cláusulas das convenções e dos acordos coletivos de trabalho podem, a princípio, ser discutidas no Poder Judiciário, incidentalmente em reclamações trabalhistas individuais ou mediante ação anulatória.

Ocorre que a Lei nº 13.467, de 2017, foi responsável, também, por introduzir no ordenamen-to jurídico brasileiro o princípio da intervenção mínima na autonomia da vontade coletiva.

Com efeito, o artigo 611-A, §1º, da CLT (incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) estabelece que, na apreciação das normas coletivas a Justiça do Trabalho observará o disposto no § 3o do

artigo 8o desta Consolidação. Já o artigo 8º, §3º, da CLT (acrescentado pela Lei nº 13.467,

de 2017) assevera que, no exame de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, a Justiça do Trabalho analisará exclusivamente a conformidade dos elementos essenciais do negócio jurídico, respeitado o disposto no artigo 104 do Código Civil, e balizará sua atuação pelo princípio da intervenção mínima na autonomia da vontade coletiva.

Dessa forma, segundo o princípio da intervenção mínima na autonomia da vontade coleti-va, a análise da validade dos acordos e das convenções coletivas de trabalho restringir-se-á à análise da exigência de agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determiná-vel e forma prescrita ou não defesa em lei. Pela legislação em vigor, a ilicitude do objeto é

aferida, principalmente, com base no artigo 611-B da CLT.

Prevalência do negociado sobre o legislado e limites à negociação coletiva

O mote da Reforma Trabalhista, especialmente na redação do artigo 611-A da CLT, consistiu na valorização dos instrumentos coletivos de trabalho, mediante previsão do princípio da prevalência do negociado sobre o legislado, conferindo uma maior liberdade às partes da

relação jurídica coletiva para transacionarem sobre as condições de trabalho. Em virtude da expressão “entre outros” constante no artigo 611-A da CLT, parece que que a intenção do legislador foi de estabelecer um rol meramente exemplificativo.

Ainda assim, existe uma série de matérias que não comportam negociação pela via coletiva.

Haveria, conforme Maurício Godinho Delgado6, um núcleo de direitos intangível pela

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de dos sindicatos convenentes, que abrange disposições relativas à saúde, à segurança e às garantias previstas na Constituição e em tratados internacionais (princípio da adequação setorial negociada).

Nesse contexto, com a Reforma Trabalhista, a própria CLT passa a prever uma série de ma-térias, em rol igualmente exemplificativo, em que, não somente é permitida a negociação

coletiva, como também ela terá prevalência, inclusive, sobre a lei (CLT, art. 611-A). Por

ou-tro lado, enumerou-se um rol de direitos e matérias que configurariam objeto ilícito para

convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho se fossem suprimidos ou reduzidos (CLT, art. 611-B).

O julgamento foi unânime?

NÃO! Foram vencidos os Ministros Ives Gandra da Silva Martins Filho e Guilherme Augusto

Caputo Bastos.

Como foi veiculado no informativo?

Convenção Coletiva de Trabalho. Cláusula que exclui os aeronautas da base de cálculo da cota de contratação de pessoas com deficiência (art. 93 da Lei nº 8.213/91 e art. 141 do Decreto nº 3.048/99) e de aprendizes (art. 429 da CLT). Regra que transpassa o interesse co-letivo das categorias representadas para alcançar e regular direito difuso e de matéria de ordem e de políticas públicas. Nulidade.

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nômicas desenvolvidas pelas empresas aéreas. Sob esses fundamentos, a SDC, por maioria, julgou procedente a ação anulatória ajuizada pelo MPT a fim de declarar nulas as Cláusulas 3.1.19 e 3.1.20 da Convenção Coletiva de Trabalho da Aviação Regular 2017/2018. Vencidos os Ministros Ives Gandra da Silva Martins Filho e Guilherme Augusto Caputo Bastos, que julgavam improcedente a ação anulatória. AACC-1000639-49.2018.5.00.0000, SDC, rel. Min. Katia Magalhães Arruda, 23/11/2020.

Subseção I Especializada em Dissídios Individuais

Equiparação salarial e conceito de “mesma localidade”

IMPORTANTE! ANTERIOR À REFORMA TRABALHISTA

O conceito do termo “mesma localidade”, para fins de equiparação salarial, inserto na Súmula nº 6, X, do TST, deve receber nova compreensão a partir de estudo realizado em 2017 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE -, que constatou mudan-ças no ambiente socioespacial brasileiro. O referido estudo revisou as antigas regiões metropolitanas e passou a identificar como divisão regional brasileira as regiões geo-gráficas imediatas e intermediárias, definidas no sítio do IBGE.

(TST. SDI-I. E-ED-RR-10792-65.2016.5.15.0145, rel. Min. Augusto César Leite de Carvalho, julgado em 12.11.2020, Informativo TST nº 229).

O que aconteceu no caso analisado pelo TST?

No caso, discutiu-se a possibilidade de equiparação salarial entre empregados que labora-ram nos municípios de Bragança Paulista/SP e Itatiba/SP, municípios limítrofes integrantes da região geográfica intermediária de Campinas/SP.

Equiparação salarial

O artigo 7º, inciso XXX, da Constituição expressamente proíbe diferenças de salários por motivos de sexo, idade, cor ou estado civil. É dizer, trabalhadores que exercem a mesma fun-ção não podem ter tratamento diferenciado no tocante aos salários. Quando violada essa garantia constitucional, há possibilidade de o trabalhador pleitear a equiparação salarial.

A matéria, em âmbito infraconstitucional, é tratada no artigo 461 da CLT, que sofreu signifi-cativas alterações com a Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467, de 2017).

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Requisitos para equiparação salarial

1 Identidade de empregadores;

2 Trabalho no mesmo estabelecimento empresarial; 3 Empregados devem possuir a mesma função; 4 Trabalho de igual valor;

5 Diferença de tempo no serviço não poderá ser superior a 4 (quatro) anos; 6 Diferença de tempo na função não poderá ser superior a 2 (dois) anos; 7 Inexistência de quadro de carreira ou de plano de cargos e salários

Satisfeitos esses requisitos, o equiparando (ou paragonado, aquele que postula a

equipa-ração) tem direito à percepção da mesma remuneração recebida pelo paradigma (ou mo-delo).

O foco deste julgado está no requisito territorial. Vamos aprofundar?

Anteriormente, a equiparação salarial dependia que o trabalho ocorresse na mesma loca-lidade, assim compreendida o mesmo município ou municípios distintos na mesma região metropolitana (Súmula 6, item X, do TST). É sobre esse aspecto que iremos conversar neste

julgado.

Relembre-se que, com a Lei nº 13.467, de 2017 (Reforma Trabalhista), passou-se a ser neces-sário que empregado e paradigma prestem serviços no mesmo estabelecimento do

empre-gador. Mas isto não é relevante para este caso.

Com base nisso, não seria possível reconhecer a equiparação salarial no caso deste julga-do, né?

NÃO! Porque Bragança Paulista/SP e Itatiba/SP não fazem parte da mesma região

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Para o TST, esse critério da Súmula 6, X, continua relevante ou está desatualizado? DESATUALIZADO! O conceito do termo “mesma localidade”, para fins de equiparação salarial, inserto na Súmula nº 6, X, do TST, deve receber nova compreensão a partir de

estudo realizado em 2017 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE -, que constatou mudanças no ambiente socioespacial brasileiro. O referido estudo revisou as antigas regiões metropolitanas e passou a identificar como divisão regional brasileira

as regiões geográficas imediatas e intermediárias, definidas no sítio do IBGE (TST. SDI-I.

E-ED-RR-10792-65.2016.5.15.0145, rel. Min. Augusto César Leite de Carvalho, julgado em 12.11.2020, Informativo TST nº 229).

Relembrando que este critério será aplicável aos casos anteriores à Reforma Trabalhista, porque, com a Lei nº 13.467, de 2017, o critério geográfico para equiparação salarial passou a ser o mesmo estabelecimento.

O julgamento foi unânime?

NÃO! Foram vencidos os Ministros Breno Medeiros, Alexandre Luiz Ramos, Márcio Eurico

Vitral Amaro e Maria Cristina Irigoyen Peduzzi.

Como foi veiculado no informativo?

Equiparação salarial. Súmula nº 6, X, do TST. Conceito de “mesma localidade”.

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Subseção II Especializada em Dissídios Individuais

Competência da Justiça do Trabalho e multa por descumprimento de cláusula de permanência no emprego prevista em contrato civil

A Justiça do Trabalho é competente para apreciar pretensão de pagamento de multa estipulada em cláusula penal decorrente de descumprimento de cláusula de perma-nência no emprego, ambas previstas em contrato de cessão de direitos de natureza ci-vil.

(TST. SDI-II. ARR-1000480-72.2019.5.00.0000, rel. Min. Alexandre de Souza Agra Belmonte, julgado em 10.11.2020, Informativo TST nº 229).

O que aconteceu no caso concreto analisado pelo TST?

As partes firmaram um contrato de cessão de direitos por meio do qual a empresa autora da ação rescisória (reclamada no processo matriz), adquiriu do ora réu (reclamante), de forma onerosa, todas as quotas da sociedade de que este fazia parte como um dos titulares, tendo sido estipulado o dever de não concorrência, sigilo e outras obrigações por dez anos, rela-tivamente à pessoa do réu, cuja violação acarretaria aplicação de penalidades, entre elas a multa penal de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais). Além disso, estipulou-se a perma-nência do autor na equipe de gerentes, consultores e/ou executivos da sociedade adquirida pelo período mínimo de cinco anos. Entretanto, a autora violou o pactuado ao dispensar o réu antes do prazo pactuado.

Competência material da Justiça do Trabalho

A competência material da Justiça do Trabalho está prevista no artigo 114 da Constituição Federal.

O artigo 114, inciso I, da Constituição dispõe que compete à Justiça do Trabalho processar e julgar as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público

ex-terno e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Já o inciso IX do mesmo dispositivo atribui à Especializada a atribuição de julgar outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei.

A Justiça do Trabalho tem competência para análise de contratos de natureza civil?

NÃO! Embora a competência da Justiça do Trabalho tenha sido objeto de expansão por

meio da EC nº 45, de 2004, os contratos civis não foram “levados” à Justiça do Trabalho e

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Ué, então, como o TST firmou a competência da Justiça do Trabalho para julgamento do caso que estamos analisando?

Para o TST, os contratos civil e trabalhista precisam de interpretação conjunta para

estabele-cimento do sentido e alcance de cada um, ainda que as cláusulas de um e de outro possam ter sido apostas em contrato diferente daquele a que diriam respeito. Nesse sentido, con-cluiu-se que, embora o contrato de cessão de direitos tenha natureza civil, tanto a cláusula de permanência como a cláusula penal resultante de seu descumprimento estão atreladas à relação de trabalho que se estabeleceu de forma independente ao contrato de cessão de direitos, o que denota a competência da Justiça do Trabalho.

Em outras palavras, foi considerado que a cláusula de permanência e a cláusula penal resul-tante de seu descumprimento seriam uma espécie de “contrato independente” em relação

ao contrato de cessão. Assim, embora o contrato de cessão seja inegavelmente de natureza civil, a infração às duas cláusulas antes citadas deve ser objeto de apreciação pela Justiça de Trabalho, já que essas disposições formariam esse “contrato independente”, que seria de natureza trabalhista, já que dizem respeito à relação de trabalho desenvolvida entre o autor

e o réu da ação rescisória.

Em resumo...

A Justiça do Trabalho é competente para apreciar pretensão de pagamento de multa

es-tipulada em cláusula penal decorrente de descumprimento de cláusula de permanência no emprego, ambas previstas em contrato de cessão de direitos de natureza civil (TST.

SDI-II. ARR-1000480-72.2019.5.00.0000, rel. Min. Alexandre de Souza Agra Belmonte, julga-do em 10.11.2020, Informativo TST nº 229).

O julgamento foi unânime? SIM!

Como foi veiculado no informativo?

Ação rescisória. Contrato de cessão de direitos com cláusula de permanência e penal. Ga-rantia de emprego. Natureza trabalhista. Dispensa antes do período de permanência esti-pulado no contrato de cessão de direitos. Descumprimento do pactuado. Execução de cláu-sula penal. Competência da Justiça do Trabalho.

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ação rescisória (reclamada no processo matriz), adquiriu do ora Réu (reclamante), de forma onerosa, todas as quotas da sociedade de que este fazia parte como um dos titulares, tendo sido estipulado o dever de não concorrência, sigilo e outras obrigações por 10 anos, relati-vamente à pessoa do Réu, cuja violação acarretaria aplicação de penalidades, entre elas a multa penal de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais). Além disso, estipulou-se a perma-nência do autor na equipe de gerentes, consultores e/ou executivos da sociedade adquirida pelo período mínimo de cinco anos. Entretanto, a Autora violou o pactuado ao dispensar o Réu antes do prazo pactuado. O Exmo. Ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte, Relator, consignou que os contratos civil e trabalhista precisam de interpretação conjunta para es-tabelecimento do sentido e alcance de cada um, ainda que as cláusulas de um e de outro possam ter sido apostas em contrato diferente daquele a que diriam respeito. Nesse senti-do, concluiu-se que, embora o contrato de cessão de direitos tenha natureza civil, tanto a cláusula de permanência como a cláusula penal resultante de seu descumprimento estão atreladas à relação de trabalho que se estabeleceu de forma independente ao contrato de cessão de direitos, o que denota a competência da Justiça do Trabalho. Ante o exposto, a SBDI-II, por unanimidade, admitiu a ação rescisória para, no mérito, julgá-la improcedente, mantendo a competência da Justiça do Trabalho para apreciar o feito, bem como a conde-nação da ora Autora ao pagamento da multa contratual no valor de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais). TST-AR-1000480-72.2019.5.00.0000, SBDI-II, rel. Min. Alexandre de Souza Agra Belmonte, 10/11/2020.

Defensoria Pública e atuação na Justiça do Trabalho

IMPORTANTE: DEFENSORIA PÚBLICA!

A legitimação para atuar na Justiça do Trabalho, como substituto processual, é da De-fensoria Pública da União.

Há a possibilidade, autorizada em lei, de as Defensorias Públicas dos Estados atuarem em nome da Defensoria Pública da União nos órgãos de primeiro e segundo graus de jurisdição, desde que haja convênios específicos para esta finalidade.

No caso, o TST entendeu que a Defensoria Pública do Estado do Amazonas, ora autora, não possui legitimação extraordinária para postular, em nome próprio, direitos per-tencentes a trabalhadores atingidos pelos efeitos da decisão rescindenda, seja porque sua atuação neste feito não se deu no âmbito da jurisdição estadual, seja porque não consta dos autos registro de convênio celebrado entre a autora e a Defensoria Pública da União, de modo a autorizá-la a atuar na Justiça do Trabalho.

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Defensoria Pública: noções gerais

Nos termos do artigo 134 da Constituição, a Defensoria Pública é instituição permanente,

essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados.

A Defensoria Pública é uma instituição que abrange a Defensoria Pública da União, a Defen-soria Pública dos Estados e a DefenDefen-soria Pública do Distrito Federal e Territórios, cada qual com seu rol específico de atribuições.

A Defensoria Pública pode atuar na Justiça do Trabalho?

SIM! Nos termos do artigo 14 da Lei Complementar nº 80, de 1994, a Defensoria Pública da União (DPU) atuará nos Estados, no Distrito Federal e nos Territórios, junto às Justiças

Federal, do Trabalho, Eleitoral, Militar, Tribunais Superiores e instâncias administrativas da

União.

É possível, ainda, que a DPU firme convênios para que as Defensorias Públicas dos Estados

e do Distrito Federal, em seu nome, atuem junto aos órgãos de primeiro e segundo graus da

Justiça do Trabalho.

O que aconteceu no caso analisado pelo TST?

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas propôs ação rescisória para desconstituir o termo de homologação de acordo lavrado em uma ação civil público trabalhista.

Mas a Defensoria Pública do Estado do Amazonas possui legitimidade para propositura dessa ação?

NÃO! A legitimação para atuar na Justiça do Trabalho, como substituto processual, é

da Defensoria Pública da União. Há a possibilidade, autorizada em lei, de as Defensorias Públicas dos Estados atuarem em nome da Defensoria Pública da União nos órgãos de

primeiro e segundo graus de jurisdição, desde que haja convênios específicos para esta

finalidade. No caso, o TST entendeu que a Defensoria Pública do Estado do Amazonas NÃO possui legitimação extraordinária para postular, em nome próprio, direitos

per-tencentes a trabalhadores atingidos pelos efeitos da decisão rescindenda, seja porque

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consta dos autos registro de convênio celebrado entre a autora e a Defensoria Pública

da União, de modo a autorizá-la a atuar na Justiça do Trabalho (TST. SDI-II.

RO-371-84.2010.5.11.0000, rel. Min. Luiz José Dezena da Silva, julgado em 10.11.2020, Informativo TST nº 229).

O julgamento foi unânime? SIM!

Como foi veiculado no informativo?

Recurso ordinário em ação rescisória. Defensoria Pública. Justiça do Trabalho. Substituição processual. Defensoria Pública do Estado do Amazonas. Ilegitimidade ativa ad causam.

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Agravo Interno e custas processuais

IMPORTANTE!

O Agravo Interno tem por escopo submeter ao colegiado o exame de decisão unipes-soal do relator, tratando-se de apelo interposto no âmbito do próprio tribunal, que não gera qualquer custo extra ao Estado de forma a justificar a exigência de recolhimento de custas processuais.

Ademais, o Regimento Interno de Tribunal Regional do Trabalho, ao estabelecer como pressuposto de admissibilidade recursal o recolhimento das custas processuais, acaba por impor exigência que NÃO encontra amparo legal.

(TST. SBDI-II. RO-10204-19.2019.5.18.000, rel. Min. Luiz José Dezena da Silva, julgado em 10.11.2020, Informativo TST nº 229).

Agravo interno

“O agravo interno tem como objetivo principal atacar as decisões monocráticas dos juízes relatores ou dos juízes presidentes dos Tribunais, por meio do envio da matéria para o

reexame do órgão colegiado do qual faz parte o referido magistrado”7.

Tem previsão no artigo 894, §4º e no artigo 896, §12 da CLT, mas é regulado, essencialmente, pelo artigo 1.021 do CPC e pelo regimento interno dos Tribunais.

O que é preparo recursal?

Um dos pressupostos recursais de destaque no processo do trabalho diz respeito ao pre-paro, principalmente, em decorrência da exigência de depósito recursal pelo empregador.

O preparo é um pressuposto recursal objetivo que engloba as custas e o depósito recursal. A

ausência de preparo acarreta a deserção do recurso. O foco da revisão de hoje serão as custas.

Custas processuais

As custas processuais correspondem à taxa para arcar com o custo do exercício da

jurisdi-ção.

No processo do trabalho, conforme artigo 789 da CLT, incidirão a base de 2% (dois por cento) do valor da condenação ou, caso inexistente, sobre o valor da causa, observado o mínimo de R$ 10,64.

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A inovação da Lei nº 13.467, de 2017, foi introduzir às custas também um limite máximo:

quatro vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social.

Segundo o artigo 789, §1°, da CLT, “as custas serão pagas e comprovado o recolhimento

dentro do prazo recursal”.

Sobre custas processuais, recomenda-se a leitura da Súmulas 25, 36, 53, 86 e 170 das OJs 140 e 217 da SDI-I e das OJs 88 e 148 da SDI-II, todas do TST.

Para interpor o agravo interno, precisa haver recolhimento de custas processuais? NÃO! O Agravo Interno tem por escopo submeter ao colegiado o exame de decisão uni-pessoal do relator, tratando-se de apelo interposto no âmbito do próprio tribunal, que não gera qualquer custo extra ao Estado de forma a justificar a exigência de recolhi-mento de custas processuais (TST. SBDI-II. RO-10204-19.2019.5.18.000, rel. Min. Luiz José

Dezena da Silva, julgado em 10.11.2020, Informativo TST nº 229).

Só que o Regimento Interno do TRT-18 prevê o recolhimento de custas para interposição do agravo interno... Essa exigência é legal?

NÃO! O Regimento Interno de Tribunal Regional do Trabalho, ao estabelecer como pressu-posto de admissibilidade recursal o recolhimento das custas processuais, acaba por im-por exigência que NÃO encontra amparo legal (TST. SBDI-II. RO-10204-19.2019.5.18.000,

rel. Min. Luiz José Dezena da Silva, julgado em 10.11.2020, Informativo TST nº 229).

O julgado foi unânime? SIM!

Como foi veiculado no informativo?

Recurso Ordinário. Agravo Interno. Deserção. Regimento Interno de Tribunal Regional que impõe recolhimento de custas processuais. Inexigibilidade.

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Interno interposto pelo impetrante. TST-RO-10204-19.2019.5.18.0000, SBDI-II, rel. Luiz José Dezena da Silva, 10/11/2020.

Turmas

Prisão em flagrante e justa causa

A dispensa por justa causa decorrente de condenação criminal necessita da prova do trânsito em julgado da decisão condenatória, nos termos do artigo 482, alínea “d”, do TST.

É, portanto, considerada discriminatória a dispensa de empregado, preso em flagrante e/ou indiciado no âmbito criminal, sem prova do trânsito em julgado da decisão condenatória, ainda que efetuada de forma imotivada.

Com efeito, a liberdade da dispensa imotivada do empregado não autoriza ao empre-gador levar a efeito a dispensa com viés discriminatório, com abuso de direito.

(TST. 2ª Turma. RR-1498-44.2016.5.10.0010, rel. Min. Delaíde Miranda Arantes, julgado em 18.11.2020, Informativo TST nº 229).

Dispensa por justa causa

A dispensa por justa causa dá-se nas hipóteses em que a falta grave é praticada pelo

em-pregado, fazendo com que se torne insuportável a manutenção do contrato de trabalho, em decorrência da quebra de fidúcia a ele inerente.

Basicamente, são requisitos para dispensa por justa causa do empregado: (a) gravidade da falta (proporcionalidade); (b) imediatidade: deve a penalidade ser aplicada no momento

em que o empregador dela tome conhecimento, sob pena de ser reconhecido o perdão táci-to, evitando que a conduta faltosa torne-se instrumento de ameaça perpétua sobre o obrei-ro; (c) tipicidade: o fato que enseja a sanção deve estar prevista na legislação trabalhista; e

(d) non bis in idem: para cada falta, é possível apenas uma sanção (advertência, suspensão

ou justa causa).

É importante registrar que o non bis in idem não obriga que haja gradação sucessiva na apli-cação das penalidades. Em outros termos, se o empregado pratica, como primeira infração funcional, conduta grave o suficiente que justifique a extinção imediata de seu contrato de trabalho, não há necessidade de o empregador o advertir ou o suspender antes da resolu-ção do vínculo por justa causa.

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gerais (todos os empregados), enquanto insubordinação é o não acolhimento de ordens

es-pecíficas e diretas (a determinado empregado). Fique bastante atento a essa diferenciação! Outras hipóteses de justa causa merecem breves comentários.

Ato de improbidade é aquele que atenta contra o patrimônio do empregador ou de

tercei-ros, relacionada ao contrato de trabalho (ex.: furto de equipamentos).

Já a incontinência de conduta é aquela prática, de conotação sexual, que acaba por causar

perturbação do ambiente de trabalho (ex.: troca de imagens pornográficas usando e-mail corporativo).

Por seu turno, mau procedimento é o mau comportamento, perturbando a convivência no

âmbito do empregador (ex.: utilização de linguagem inapropriada constantemente para se referir aos colegas de trabalho e aos superiores).

A desídia no desempenho das funções é a prestação de serviços com má vontade, preguiça,

desleixo ou até mesmo negligência (ex.: porteiro que é flagrado dormindo em serviço). A embriaguez habitual é aquela que se dá pela utilização de álcool ou drogas fora do local

de prestação de serviços, mas que repercute no contrato de trabalho. Em verdade, atual-mente, a jurisprudência do TST tende a afastar a aplicação de justa causa, com a indicação

de necessidade de tratamento de empregado, considerando a embriaguez habitual como uma doença (vide: RR 1707-91.2013.5.09.0124, Rel. Min. Dora Maria da Costa, 8ª Turma,

Data de Julgamento: 08.06.2016, DJe 10.06.2016). Por outro lado, a embriaguez em serviço

é aquela em que o uso do álcool e das drogas dá-se dentro da empresa e durante a jornada de trabalho, autorizando, sem divergências, a extinção do contrato de trabalho por justa causa.

Por outro lado, a prática constante de jogos de azar, para justificar a justa causa, deve

re-percutir na prestação de serviços. É hipótese em desuso.

O abandono de emprego é a ausência continuada e injustificada ao emprego. Não obstante

o silêncio da legislação acerca do período a configurá-lo, prevalece o entendimento de que a falta injustificada por mais de 30 (trinta) dias autoriza a dispensa por justa causa (Súmula 32 do TST).

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Embora compreensível sua inserção no rol, há crítica doutrinária no sentido de que a hipó-tese não tem qualquer relação com o comportamento disciplinar do empregado no âmbito da relação de emprego, o que, em tese, tornaria inadequado seu enquadramento como um caso autorizador da justa causa. De toda forma, é apenas a conduta dolosa que dá azo à

justa causa.

Existem, ainda, outras condutas, tipificadas fora do artigo 482 da CLT, que autorizam a dis-pensa por justa causa. Dentre elas, destacam-se duas: (a) a recusa do empregado em usar EPI ou a cumprir demais normas de segurança e medicina do trabalho (CLT, art. 158); e (b)

o abuso no direito de greve (artigo 14 da Lei n° 7.783, de 1989).

Por fim, são devidas as seguintes parcelas na dispensa por justa causa: o saldo de salários,

décimo terceiro salário não recebido e as férias vencidas, com adicional constitucional.

Para nosso caso, interessa o disposto no artigo 482, alínea “d”, da CLT...

Que estabelece ser hipótese de justa causa a condenação criminal do empregado, passada em julgado, caso não tenha havido suspensão da execução da pena.

O empregado submetido a prisão cautelar (flagrante, temporária, provisória...) pode ser dispensado por justa causa?

NÃO! A dispensa por justa causa decorrente de condenação criminal necessita da prova do trânsito em julgado da decisão condenatória, nos termos do artigo 482, alínea “d”, do

TST. É, portanto, considerada discriminatória a dispensa de empregado, preso em fla-grante e/ou indiciado no âmbito criminal, sem prova do trânsito em julgado da decisão

condenatória, ainda que efetuada de forma imotivada. Com efeito, a liberdade da dispen-sa imotivada do empregado não autoriza ao empregador levar a efeito a dispendispen-sa com viés discriminatório, com abuso de direito (TST. 2ª Turma. RR-1498-44.2016.5.10.0010,

rel. Min. Delaíde Miranda Arantes, julgado em 18.11.2020, Informativo TST nº 229).

Pode explicar melhor?

SIM! Para Sérgio Pinto Martins, “a cessação do contrato de trabalho é a terminação do

vínculo de emprego com a extinção das obrigações para os contratantes”8.

O empregador possui direito potestativo de cessar a relação de emprego, ou seja, ele não

precisa de uma “razão” para “demitir” o empregado. Ele pode simplesmente fazê-lo.

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Obviamente, existem limites para o exercício desse direito. A dispensa não pode ser arbitrá-ria ou discriminatóarbitrá-ria.

No caso, o TST entendeu que o exercício do direito potestativo de cessação do contrato de

trabalho pelo empregador foi abusivo, porque fundado na prisão em flagrante e indicia-mento do trabalhador em âmbito criminal, sem existência de condenação transitada em julgado.

Como foi veiculado no informativo?

“RECURSO DE REVISTA REGIDO PELA LEI 13.467/2017. DISPENSA DISCRIMINATÓRIA. CONFI-GURAÇÃO. JUSTA CAUSA FUNDADA NA PRISÃO EM FLAGRANTE/INDICIAMENTO NO ÂMBITO CRIMINAL. AUSÊNCIA DO DADO FÁTICO REFERENTE À PROVA DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO CONDENATÓRIA. O Tribunal Regional entendeu que a dispensa da reclamante em virtude de sua prisão em flagrante/indiciamento no âmbito criminal não ficou revestida de caráter discriminatório, uma vez que se tratou do exercício do regular direito potesta-tivo conferido ao empregador. Ocorre que esta Corte entende que a medida extrema da dispensa por justa causa decorrente de condenação criminal necessita da prova do trânsito em julgado da decisão condenatória, no termos do artigo 482, alínea “d”, da CLT. Assim, a dispensa da reclamante deve ser considerada discriminatória, uma vez que foi motivada pelo fato de sua prisão em flagrante/indiciamento no âmbito criminal, sem a prova do trân-sito em julgado da decisão condenatória. Com efeito, a liberdade da dispensa imotivada do empregado não autoriza ao empregador levar a efeito a dispensa com viés discriminatório, com abuso de direito, o que se distingue da mera dispensa sem justa causa, como a ocorrida nos presentes autos, razão pela qual declaro nula a dispensa. Assim, devem os autos retor-nar ao Tribunal Regional para que prossiga na análise do recurso ordinário da reclamante e do recurso ordinário adesivo da primeira reclamada como entender de direito. Recurso de revista conhecido e provido.” (TST-RR-1498-44.2016.5.10.0010, 2ª Turma, rel. Min. Delaíde Miranda Arantes, julgado em 18/11/2020.)

Prescrição e procedimento sumário

É possível o conhecimento de recurso ordinário versando a respeito da prescrição em procedimento com valor de alçada inferior a dois salários mínimos, pois configura-se debate sobre questão constitucional (artigo 7º, inciso XXIX, da Constituição e artigo 2º, §4º, da Lei nº 5.584, de 1970).

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Procedimentos no processo do trabalho

São basicamente três os procedimentos na Justiça do Trabalho: (a) o ordinário, aplicável

às demandas com valor superior a 40 (quarenta salários mínimos); (b) o sumaríssimo (CLT,

art. 852-A a 852-I), que regula as demandas cujo valor da causa é de 2 (dois) a 40 (quarenta) salários mínimos; e, por fim, (c) o sumário, cabível para as causas de até 2 (dois) salários

mínimos (Lei nº 5.584, de 1970).

A alçada (parâmetro de valor da causa para definição do rito aplicável) é fixada pelo valor

dado à causa na data de seu ajuizamento, desde que não impugnado, sendo inalterável no

curso do processo (Súmula 71 do TST). Contudo, é importante destacar que a alçada não se

aplica em ação rescisória e em mandado de segurança (Súmula 365 do TST). Recurso ordinário e procedimento sumário

O recurso ordinário, previsto no artigo 895 da CLT, é o recurso cabível, na fase de conheci-mento, das decisões definitivas ou terminativas das Varas do Trabalho e das decisões

defini-tivas ou terminadefini-tivas dos Tribunais Regionais, em processos de sua competência originária, nos dissídios individuais e coletivos, em que a parte busca a reforma ou a anulação do pro-vimento jurisdicional impugnado.

A jurisprudência do TST é no sentido de que, nas causas em que o valor de alçada é inferior a

dois salários mínimos (procedimento sumário) é cabível recurso ordinário contra a sentença

caso a discussão envolva matéria constitucional. O que aconteceu no caso analisado pelo TST?

O TRT-10 não conheceu do recurso ordinário da reclamada, por entender que, tendo o valor atribuído à causa sido inferior a dois salários-mínimos, não caberia recurso ordinário, ex-ceto se o apelo versasse sobre matéria constitucional, na forma do artigo 2º, § 4º, da Lei nº 5.584, de 1970.

Concluiu que, embora a reclamada tenha apontado ofensa ao artigo 7°, inciso XXIX, da Cons-tituição Federal, a discussão acerca do tipo de prescrição, se total ou parcial, não impulsio-naria o conhecimento do apelo, por se tratar de matéria infraconstitucional.

Ocorre que o TST percebeu que, em verdade, o juiz de primeiro grau afastou a preliminar

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Ademais, não se observa nas razões do recurso ordinário que a União tenha trazido discus-são sobre tipo de prescrição. O que defendeu, em verdade, foi que a pretendiscus-são da autora, de reconhecimento do vínculo de emprego com a União, estaria fulminada pela prescrição bienal, na forma prevista no artigo 7°, inciso XXIX, da Constituição Federal.

E contra o acórdão que não conheceu do seu recurso ordinário, a União opôs embargos de declaração, no qual ressaltou que a matéria debatida era de natureza constitucional, reque-rendo ao Tribunal Regional que fosse analisada a prescrição bienal prevista no artigo 7°, inciso XXIX, da Constituição Federal

Então, o TRT errou ao não admitir o recurso ordinário?

SIM! É possível o conhecimento de recurso ordinário versando a respeito da prescri-ção em procedimento com valor de alçada inferior a dois salários mínimos (procedimen-to sumário), pois configura-se debate sobre questão constitucional (artigo 7º, inciso

XXIX, da Constituição e artigo 2º, §4º, da Lei nº 5.584, de 1970) (TST. 4ª Turma.

RR-1343-83.2017.510.0017, rel. Min. Guilherme Augusto Caputo Bastos, julgado em 10.11.2020, In-formativo TST nº 229).

O TST entendeu que o não conhecimento do recurso implicaria ofensa aos princípios do

acesso à Justiça e da ampla defesa, previstos no artigo 5º, inciso XXXV e LV, da Constituição.

Como foi veiculado no informativo?

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que são sites de busca de dados e de informações na rede mundial de computadores (inter-net), cabendo à Justiça Comum a sua análise, razão pela qual não merece reforma a decisão recorrida em que se reconheceu a incompetência desta Justiça do Trabalho para processar e julgar o feito, não havendo falar, portanto, em violação do artigo 114, incisos I e IV, da Cons-tituição Federal. Agravo de instrumento desprovido.” (TST-AIRR-10209-05.2017.5.03.0105, 2ª Turma, rel. Min. José Roberto Freire Pimenta em 28/10/2020).

Julgados não comentados

Os julgados abaixo, por serem demasiadamente específicos ou terem baixa probabilidade de serem objeto de cobrança em concursos públicos, não foram comentados.

“AGRAVO EM RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO DA DECISÃO MONOCRÁTICA DO RELATOR QUE NÃO RECONHECEU A TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA DA MATÉRIA. REGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014 E DA LEI Nº 13.467/2017. PROCESSO DE EXECUÇÃO. COISA JULGADA. INEXIGI-BILIDADE DA OBRIGAÇÃO RECONHECIDA EM TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL. INCONSTITUCIO-NALIDADE. TEMA 360 DA REPERCUSSÃO GERAL DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. No caso vertente, a decisão agravada não reconheceu a transcendência jurídica da matéria veicula-da no recurso de revista, em face do julgamento prolatado pelo Tribunal Regional harmoni-zar-se com Tema 360 da Repercussão Geral do STF, firmado na ADPF 324 e no RE 611.503, no que se refere à extinção da execução em decorrência da inexigibilidade da obrigação reco-nhecida em título executivo judicial fundado em lei considerada inconstitucional pelo STF em julgamento realizado em data anterior ao trânsito em julgado da sentença exequenda, sem qualquer mácula ao art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal. Agravo a que se nega pro-vimento. (TST-Ag-RR-10769-35.2016.5.03.0184, 1ª Turma, rel. Min. Walmir Oliveira da Costa, julgado em 18/11/2020.)

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da empresa e a conduta omissiva da reclamada ao longo de muitos anos. Recurso de revista conhecido e provido.” (TST-RR-1-30.2016.5.06.0002, 2ª Turma, rel. Min. José Roberto Freire Pimenta, julgado em 11/11/2020.)

“[...] RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI 13.467/2017. ASSÉDIO MO-RAL. DISCRIMINAÇÃO. INDENIZAÇÃO POR DANO MOMO-RAL. No caso, infere-se do acórdão do Tribunal Regional, que a reclamante, no curso do seu contrato de trabalho, foi vítima de assédio moral por parte de seu superior hierárquico, por possuir cabelo “black power” aci-ma dos ombros, razão pela qual faz jus ao pagamento de indenização por danos morais, no importe de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Recurso de revista conhecido e provido.” (TS-T-RR-1000390-03.2018.5.02.0046, 2ª Turma, rel. Min. Delaíde Miranda Arantes, julgado em 11/11/2020.)

“RECURSO DE REVISTA. HORAS EXTRAS. MINUTOS RESIDUAIS. HORAS DENOMINADAS “PAR-TICULARES”. TEMPO À DISPOSIÇÃO DO EMPREGADOR. Em maio de 2015, foi alterada a

reda-ção da Súmula 366 do TST para constar expressamente que o tempo de troca de uniforme, lanche, higiene pessoal, etc., é considerado como tempo à disposição do empregador, sem importar as atividades desenvolvidas pelo empregado ao longo do período residual. Eis o teor da mencionada Súmula: “Não serão descontadas nem computadas como jornada ex-traordinária as variações de horário do registro de ponto não excedentes de cinco minutos, observado o limite máximo de dez minutos diários. Se ultrapassado esse limite, será conside-rada como extra a totalidade do tempo que exceder a jornada normal, pois configurado tempo à disposição do empregador, não importando as atividades desenvolvidas pelo empregado ao longo do tempo residual (troca de uniforme, lanche, higiene pessoal, etc)”. No caso, o TRT entendeu que as horas denominadas “part”, anotadas nos cartões de ponto, não podem ser computadas na jornada de trabalho porque não ficou evidenciado que o empregado estava à disposição da empresa neste período. Conforme se depreende dos autos, há condenação da ré ao pagamento de minutos residuais (Súmula 366 do TST) por outros motivos, tal como troca de uniforme. Dessa forma, ainda que as horas denominadas “part”, anotadas nos car-tões de ponto, possam ser inferiores aos 10 minutos estipulados pela Súmula 366/TST, tais períodos devem ser contabilizados para efeito de apuração do tempo total à disposição do empregador, à luz do que dispõem os artigos 4º e 58, §1º, da CLT. Nesse contexto, as horas denominadas “part”, anotadas nos cartões de ponto, devem ser somadas com os minutos residuais gastos em outras tarefas para a apuração do tempo à disposição do empregador. Na hipótese, verifica-se que a real duração das horas denominadas “part” é controversa, porquanto não foi determinada pelas instâncias ordinárias, razão pela qual a sua verifica-ção deve ser submetida à liquidaverifica-ção da sentença, com a observância dos critérios estabe-lecidos na Súmula 366 do TST. Recurso de revista conhecido por contrariedade à Súmula 366 do TST e provido.” (TST-RR-226300-61.2007.5.02.0463, 3ª Turma, rel. Min. Alexandre de

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“[...] RECURSO DE REVISTA SOB A ÉGIDE DA LEI 13.015/2014. REQUISITOS DO ARTIGO 896, § 1º-A, DA CLT ATENDIDOS. TAXAS DE VISTORIA. CONFISSÃO FICTA. REVELIA. Ao recorrente assiste razão quando invoca o art. 344 do CPC e a Súmula n. 74, I do TST para argumentar que a confissão ficta do reclamado importa a confissão ficta deste quanto aos fatos perti-nentes da causa. Essa confissão ficta é um elemento de prova que exerce, obviamente, forte influência na formação do convencimento do órgão judicial, malgrado não implique, ipso jure, o inevitável reconhecimento de serem verdadeiros, por inteiro, os fatos alegados pela outra parte. O item II da Súmula n. 74 admite o confronto entre a confissão ficta e elementos pré-constituídos de prova (não os há nestes autos), prevendo o art. 345, IV do CPC – aplicá-vel supletivamente ao processo do trabalho – que a confissão ficta não faz presumir verda-deira alegação que ao juízo se apresente inverossímil. A inverossimilhança, sem conteúdo meramente especulativo, basta, assim, para que sejam mitigados os efeitos da confissão ficta. Nesse ponto, o preceito guarda coerência com o art. 375 do mesmo CPC, que permite ao juiz aplicar, no limite de sua discricionariedade, “as regras da experiência comum submi-nistradas pela observação do que ordinariamente acontece”. Ao órgão de jurisdição, como visto, é facultado negar efeito absoluto à confissão ficta tendo como ponto de partida a inverossimilhança do fato confessado, segundo dita a sua experiência. Mas a estimativa, fruto de mera especulação, de fato outro, ou do mesmo fato em dimensão menor, implica o esvaziamento das regras processuais que regulam – como direito mas também como ônus – o contraditório e a ampla defesa. Nesses casos, a solução adequada é a de o juízo remeter à liquidação do julgado, pelo procedimento comum (art. 509, II, do CPC), a decisão acerca do quantum debeatur, oportunidade em que qualquer das partes poderá ter a iniciativa de articular, no caso dos autos, a quantidade de vistorias que sustente verdadeira, cabendo ao juízo da execução atribuir prova e carga probatória com a ampla liberdade que lhe permite o Livro I do CPC, pois assim prevê o art. 511 do CPC. Recurso de revista conhecido e provi-do.” (TST-ARR-10147-58.2015.5.12.0048, 6ª Turma, rel. Min. Augusto César Leite de Carvalho, julgado em 18/11/2020.)

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Exercícios de revisão

(1) É cabível agravo interno contra a decisão monocrática de relator que denega seguimento

ao agravo de instrumento em recurso de revista por ausência de transcendência da causa.

(2) A realização de jornada excessiva habitual não enseja, por si só, o pagamento de

indeni-zação por dano existencial.

(3) É válida, como meio probante de pagamento do salário, a apresentação de fichas

finan-ceiras da empresa.

(4) O recolhimento da multa por interposição de agravo interno manifestamente

inadmissí-vel deve dar-se no prazo estipulado para a interposição do recurso, sob pena de deserção.

(5) Havendo compatibilidade de horários entre os cargos e/ou empregos públicos, resta

atendido o requisito previsto na Constituição para a acumulação de cargos ou empregos públicos, sendo irrelevante para efeito de aplicação da norma constitucional a circunstân-cia de as jornadas desempenhadas serem exaustivas.

(6) Os honorários de sucumbência devem ser calculados sobre o valor dado à causa apenas

quando não for possível mensurar o proveito econômico obtido com a condenação.

(7) A Justiça do Trabalho tem competência para processar e julgar ação de indenização

con-tra sites de busca na internet por terem disponibilizado informações acerca de reclamações trabalhistas ajuizadas pelos trabalhadores-autores, pois há discussão sobre eventual rela-ção de emprego ou de trabalho.

(8) É dos shopping centers a obrigação de disponibilização de local apropriado para

empre-gadas de seus lojistas deixarem seus filhos sob vigilância e assistência, durante o período de amamentação. É possível, porém, que os shopping centers cumpram essa obrigação, por meio de creches mantidas, diretamente ou mediante convênios, com outras entidades pú-blicas ou privadas, pelas próprias empresas, em regime comunitário, ou a cargo do SESI, SESC, da LBA ou de entidades sindicais.

(9) Não incide imposto de renda sobre férias indenizadas.

(10) O valor da gratificação de férias fixado em lei ou por convenção entre as partes se altera

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(11) Ainda que praticado de forma reiterada, o pagamento indevido de parcela trabalhista,

por erro de cálculo, não gera ao empregado direito à adoção continuada do critério errado no cálculo e pagamento de parcelas futuras, sem, contudo, haver obrigação de devolução dos valores já recebidos conforme metodologia anterior.

(12) O termo a quo para a contagem do prazo prescricional na hipótese de pretensão à

in-denização por danos morais pelo risco de se desenvolver doença grave decorrente de expo-sição, durante o pacto laboral, ao amianto, substância nociva à saúde, é a data da rescisão do contrato de trabalho.

Gabarito

Todos os julgados foram abordados no Informativo TST nº 228.

1 – V 2 – V 3 – V 4 – V 5 - V 6 – V

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