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Bioética e Ética em Pesquisa

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Academic year: 2021

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Bioética e

Ética em Pesquisa

(2)

Bioética

“... Estudo sistemático da conduta humana na área das ciências da vida e da saúde,

examinada à luz de valores e de princípios morais...”

Reich WT. Encyclopedia of Bioethics, 1995, p. 2767.

(3)

Bioética

Pode ser definida como ética prática ou aplicada (comportamentos, atitudes) direcionada ao estudo,

avaliação e resolução de conflitos morais relacionados às situações de vida e do viver de seres humanos (e dos animais não humanos).

Adaptada de Singer P. Ética Prática. São Paulo: Martins Fontes

(4)

Principais Dilemas

ƒ Situações recorrentes ou cotidianas

Acompanham a história das práticas de saúde: aborto, eutanásia, alocação de recursos, exclusão, relações entre profissionais e

pacientes, violência, meio ambiente e saúde, entre outras

ƒ Situações contemporâneas ou de fronteira

Relacionadas principalmente aos avanços científicos e tecnológicos da atualidade: tecnologias reprodutivas, clonagem, transplantes de órgãos, engenharia genética, utilização de biomateriais, entre outras

(5)

Bioética: Surgimento Bi-alocado

Van Rensselaer Potter – Universidade de Wisconsin

ƒ Primeiro a utilizar e divulgar o termo no livro Bioética: uma Ponte para o Futuro (1971)

ƒ “Valores éticos não podem estar separados de fatos biológicos”

ƒ Bioética: ponte entre conhecimentos das ciências biológicas e ciências humanas

ƒ Eticidade direcionada ao exercício do delicado respeito aos valores humanos

(6)

André Hellegers – Universidade de Georgetown, D.C.

(Kennedy Institute)

ƒ Primeiro a utilizar institucionalmente a Bioética para designar uma área de atuação

ƒ Bioética: especialidade acadêmica, interdisciplinar e dinâmica relacionada às políticas públicas e às ciências da vida

ƒ Enfoque: prática clínica, alocação de recursos e atividades sociais

Reich WT. The word “bioethics”: its birth and the legacies of those who shaped it. Kenedy Institute of Ethics Journ, 4(4):319-33, 1994.

(7)

Surgimento: conjunção de fatores em diferentes cenários – décadas de 50 e 60

Bioética

Práticas de Saúde

Científico

Social Práticas Sociais Divulgação Científica

Pesquisas com Seres Humanos

(8)

1. Cenário Social

ƒ Ressurgimento dos movimentos sociais de direitos civis e humanos: feminismo, negros, hippies

ƒ Questionamento sobre valores morais tradicionalmente aceitos como verdadeiros

ƒ Novo olhar sobre as instituições sociais: família, escola, Igreja, por ex.

ƒ Liberdade Sexual: surgimento da pílula anticoncepcional

(9)

Woodstock

Festival de Woodstock

Jimmy Hendricks

(10)

Movimento Negro: marcha sobre Washington

Martin Luther King

(11)

2. Cenário Científico

ƒ Produção acelerada do conhecimento

ƒ Rápido desenvolvimento científico e tecnológico

ƒ Apropriação de tecnologias

-

vida cotidiana

- serviços de saúde

- no processo educativo

(12)

Descoberta do DNA

Watson e Crick

(13)

3. Cenário das Práticas de Saúde

ƒ Modificação da atenção em saúde

(médico de família → instituições de saúde)

ƒ Contestação do paradigma da ética médica tradicional (“ética ao pé-da-cama”)

ƒ Abertura contingencial da medicina aos estrangeiros (profissionais de outras áreas do conhecimento)

ƒ Emergência de novos e complexos dilemas

ƒ Formação de Comitês de Ética Hospitalar

Rothman DJ. Strangers at the bedside: a history how law and bioethics transformed medical decision making. United States: Basic Books, 1991.

(14)

4. Cenário das Práticas Sociais

Divulgação Científica

ƒ 1962: Revista Life, 9 de novembro de 1962 – Shana Alexander.

“Eles decidem quem vive e quem morre”. Comitê de Ética em Hospital de Seattle

(15)

1º Transplante Cardíaco no Mundo

ƒ 1967

Christian Barnard

(16)

Décadas de 60/70

Denúncias freqüentes sobre pesquisas anti-éticas realizadas com seres humanos

ƒ Estudo Tuskegee da sífilis não tratada (1932-1972)

- negros agricultores no Alabama

ƒ Hospital de Willowbrook – Estudo de Hepatite (1963-1966)

- crianças – pessoas com deficiência mental

ƒ The Jewish Chronic Disease Hospital Study – Injeção de células cancerígenas (1963)

- pacientes hospitalizados com doenças crônicas

(17)

5. Cenário das Pesquisas com Seres Humanos

ƒ II Guerra Mundial – pesquisas nazistas e japonesas

ƒ 1947 – Código de Nurembergue

ƒ 1964 – Declaração de Helsinque

ƒ 1966 – Henry Beecher e o texto Ethics and Clinical Research New England Journal of Medicine

ƒ 1972 – Divulgação do Estudo Tuskegee

ƒ 1974 – Instituição da Comissão Nacional para a Proteção de Sujeitos Humanos em Pesquisas Biomédicas e

Comportamentais (USA)

ƒ 1978 – Relatório Belmont

(18)

Relatório Belmont (1978)

Princípios para nortear a realização de pesquisas envolvendo seres humanos

ƒ Respeito pelas pessoas

Contrapartida prática: consentimento informado Pessoas: agentes autônomos

ƒ Beneficência

Contrapartida prática: avaliação da balanço entre riscos e benefícios

Assegurar o bem-estar dos participantes

ƒ Justiça

Contrapartida prática: igualdade de acesso à participação Proteção de pessoas e grupos vulneráveis

(19)

Bioética: Campo Disciplinar

Relatório Belmont (1978)

1) Respeito pelas pessoas

2) Beneficência

3) Justiça

Principialismo (1979)

1) (Respeito pela) Autonomia

2) Beneficência

3) Não-Maleficência

4) Justiça

(20)

Primeiras Obras

1972 – Peter Singer Liberação Animal

1976 – Samuel Gorovitz e colaboradores Problemas Morais na Medicina

1979 – Tom Beauchamp; James Childress

Princípios de Ética Biomédica

(21)

Teoria dos Princípios

Prática Biomédica

Princípios de Ética Biomédica (1979)

Tom Beauchamp / James Childress

Princípios = Ferramentas Morais

Resolução de Conflitos

(22)

Teoria dos Princípios

Valores Ocidentais

ƒ Classe média estadunidense

ƒ Branca

ƒ Individualista

ƒ Religiosa (Protestante?)

(23)

Princípios

Autonomia

ƒ Auto-determinação

ƒ Contexto de liberdade

ƒ Agente ativo no processo decisório

ƒ Proteção de pessoas vulneráveis

ƒ Igualdade de condição entre as pessoas

ƒ Conflitos de interesses

de coerção da vontade/ indução

TCLE – Termo de Consentimento Livre e esclarecido

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Beneficência

Tradição deontológica hipocrática

ƒ Dever moral de “fazer o bem”

ƒ Assimetria nas relações profissional-pacientes

ƒ Paternalismo médico (profissional)

ƒ Conflito de interesses

Benefício: sob a ótica de quem?

Profissional ou Paciente?

(25)

Não – Maleficência

ƒ Tradição deontológica hipocrática

ƒ Máxima: “Primum no nocere”

ƒ Vinculado ao princípio da beneficência

“Acima de tudo, não cause danos”

(26)

Justiça

ƒ Contraposição:

interesses particulares X interesses coletivos

ƒ Alocação de recursos

ƒ Desenvolvimento de capacidades

ƒ Diminuição das desigualdades

ƒ Proteção de pessoas vulneráveis

Eqüidade

(27)

Teoria dos Princípios

1. Julgamento / Ação (decisão frente ao conflito moral)

2. Normas / Regras (certas e erradas)

3. Princípios (universais)

4. Teorias Éticas (Morais)

Beauchamp T, Childress JF. Principles of Biomedical Ethics.

New York: Oxford University Press, 1979.

(28)

Críticas ao Principialismo

ƒ Princípios hierarquizados

ƒ O foco de análise concentra-se no indivíduo em detrimento do grupo

ƒ Princípios abstratos, genéricos e universalizantes

ƒ Teoria válida para toda a humanidade

ƒ Desconsidera o contexto de aplicação da teoria

ƒ Checklist instrumental

ƒ Teoria elitista, fala do lugar do poder

ƒ Mantém a invisibilidade de indivíduos e grupos vulneráveis

(29)

Críticas

Críticas provenientes de autores de diferentes países, centrais e periféricos da bioética, favoreceram o

surgimento das correntes teóricas críticas na Bioética

ƒ Clouser KD, Gert B. A critique of principlism. The Journal of Medicine and Philosophy, 15:219-236, 1990.

ƒ Fox RC. The entry of U.S. bioethics into the 1990s. In: DuBose ER.;

Hamel R, O’Connel LJ. (Orgs.). A matter of principles? Ferment in U.S. Bioethics. United States: Trinity Press International, 1994. p.

21-71.

ƒ Sherwin S. No longer patient: feminist ethics and health care.

Philadelphia: Temple University Press, 1992.

ƒ Wolf S. Introduction. In: Wolf S (Org.). Feminism and bioethics:

beyond reproduction . Oxford: Oxford University Press, 1996. p. 3- 44.

(30)

Críticas

ƒ Gracia D. Hard times, hard choices: founding bioethics today.

Bioethics, 9(3/4): 192-206, 1995.

ƒ Castro L. Transporting Values by Technology Transfer. Bioethics, 11(3/4):193-205, 1997.

ƒ Hoshino K. Bioethics in the light of japanese sentiments. In: Hoshino K (Ed.). Japanese and Western bioethics: studies in moral diversity.

Netherlands: Kluver Academic Publishers, 1997.

ƒ Lerpagneur H. A força e a fraqueza dos princípios da bioética.

Bioética, 4(2):131-143, 1996.

ƒ Garrafa V, Diniz D, Guilhem D. Bioethical language and its dialects and idiolects. Cadernos de Saúde Pública, 15(supl. 1): 35-41, 1999.

ƒ Diniz D, Guilhem D, Garrafa V. Bioethics in Brazil. Bioethics, 13(3/4): 244-248, July, 1999.

Referências

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