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Radiol Bras vol.36 número2

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Academic year: 2018

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III

Radiol Bras 2003;36(2):III–IV

E d i t o r i a l

A nova era do TIPS

Fr a n cisco Cé sa r Ca r n e va le *

O procedimento TIPS (“transjugular intrahepatic portosystemic shunt”) representa um método terapêutico não-cirúrgico de redução da pressão portal nos pacientes cirróticos. Trata-se da confecção de um trajeto comunicando o território vascular hipertenso (veia porta) com outro de menor pressão (veia hepática–átrio direito), mediante interposição de uma estrutura tubular. Experimentalmente, o primeiro TIPS foi realizado em 1969 por Rösch e colaboradores. Naquele tempo, entretanto, o TIPS não podia ser empregado na prática clínica, porque não havia instrumentos nem materiais adequados para a aplicação da técnica e, principalmente, pela inexistên-cia de estruturas que mantivessem a permeabilidade prolongada do trajeto realiza-do. O grande avanço desta técnica minimamente invasiva ocorreu há aproximada-mente 20 anos, com a fabricação e aprimoramento de cateteres, balões de dilatação e, principalmente, pelos “stents” metálicos. Foi nessa época que Richter e colabora-dores confeccionaram, com sucesso, o primeiro TIPS em humano.

Desde a sua introdução na prática clínica, o TIPS tem-se tornado cada vez mais co-nhecido e indicado como tratamento percutâneo para as complicações da hiperten-são portal não controlada com medidas clínicas. No entanto, como em todos os domínios da medicina, existem as correntes tradicionais contra essas evoluções tec-nológicas. Esses “oponentes” alegam que ainda há a necessidade de resultados mais convincentes obtidos por meio de estudos randomizados, provando os benefícios do TIPS na manutenção do controle da hipertensão portal e, principalmente, no con-trole da sua permeabilidade tardia. Mas, todos se esquecem que o grande problema deste grupo de pacientes não é a hipertensão portal, mas o fígado deteriorado e in-capaz de exercer suas funções fisiológicas. Resta, assim, o tão esperado e salvador transplante hepático!

Com o objetivo de lutar contra essas correntes, surgiram os tão esperados perpe-tuadores de permeabilidade do TIPS. O “stent” metálico revestido com politetra-fluoretileno expandido (PTFE) tem-se mostrado ser o grande protagonista no avan-ço desse procedimento percutâneo. A sua utilização proporcionou maior tranqüili-dade na punção e confecção do trajeto parenquimatoso intra-hepático, menor risco de complicações hemorrágicas e, principalmente, a “perpetuação da espécie”, isto é, a permeabilidade e funcionamento adequado do TIPS.

Hoje em dia, quando os resultados da medicina baseada em evidências são aplica-dos, o procedimento TIPS ainda é submetido a discussões. Mas, todos aqueles que convivem com a experiência do método reconhecem que, quando corretamente indicado, os resultados são extremamente gratificantes no controle das complica-ções gravíssimas da hipertensão portal. Assim, deve-se salientar a importância da

* Chefe do Serviço de Radiologia Intervencionista Vascular e Não Vas-cular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universi-dade de São Paulo.

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integração multidisciplinar entre gastroenterologistas, hepatologistas, equipe cirúr-gica, intensivistas e radiologistas intervencionistas no diagnóstico, tratamento e controle dos pacientes submetidos a esta técnica. A única garantia de bons resulta-dos em equipe é por intermédio da integração multidisciplinar e esforço individual de cada parceiro.

Após o sucesso do tratamento inicial do TIPS, resta o momento de preparar este paciente para a troca do órgão não funcionante. Define-se, assim, o tão chamado TIPS como uma “ponte” para o transplante hepático.

Referências

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