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ARTUR MENDES PINTO LENDAS DE MURGIDO

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Academic year: 2021

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ARTUR MENDES PINTO

LENDAS DE

MURGIDO

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LENDA DA NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS

A imagem de Nossa Senhora dos Remédios, terá aparecido num monte, que hoje é conhecido por Fonte Santa e junto a Ela terá também apare- cido uma nascente de água. O povo terá transpor- tado a Imagem de Nossa Senhora para a aldeia e a nascente de água secou no local onde a Imagem ti- nha sido encontrada e nasceu na aldeia, julga-se que próximo do local onde a Imagem foi colocada, vindo aí a ser construída a fonte que se passou a chamar Fonte de Nossa Senhora dos Remédios.

Em determinada altura, a Imagem de Nossa Senhora terá sido levada para a Granja, onde esteve alguns anos e a água ter-se-á também mudado, pois deixou de correr na fonte e nasceu na Granja, pro- vavelmente no local que passou a chamar-se Cam- po Santo.

Regressada a Imagem a Murgido onde a fon- te volta a brotar e seca na Granja.

Nas proximidades foi construída a Capela.

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LENDA DO VALENTÃO DA GRANJA

Na Granja existe a chamada Casa da Granja, hoje dividida por várias famílias, mas em outros tempos era casa de uma só família e aí terá vivido um homem a quem chamavam o “Valentão da Granja”, o qual seria o proprietário da casa e de muitas terras à sua volta.

Chamavam-lhe valentão porque era mesmo valente e tal valentia terá chegado ao conhecimen- to do rei o qual a quis testar.

Determinado dia, quando o valentão andava a lavrar nuns terrenos situados na encosta, cuja ca- sa lhe fica sobranceira, apareceram-lhe dois mensa- geiros do rei, perguntando-lhe onde era a casa do valentão da Granja, sem sequer saberem que fala- vam com o próprio. O valentão mandou desapor as vacas do arado e levantando o mesmo com uma só mão e indicou a casa, mas indicou também o cami- nho por onde teriam de ir, caminho que, os fazia dar uma grade volta até lá chegarem, isto porque, en- quanto os mensageiros faziam o caminho mais lon- go, o valentão seguia pelo caminho mais curto, para chegar primeiro e ter tempo para se preparar para os receber.

Os mensageiros do rei ficaram pasmados ao

verem como lhes fora indicada a casa e o caminho

para lá chegarem e comentaram:

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Será que o valentão ainda é mais forte do que este?

Quando chegaram à casa já o valentão es- tava à porta para os receber. Convidou-os a entrar, mandou-os sentar e ofereceu-lhes de comer e de beber. Como não se serviam perguntou-lhes:

Os senhores não se servem?

Como nos podemos servir senhor – comen- taram – o pão, esta broa enorme está por partir e não temos faca, o vinho está nesse barril e não te- mos copo!

Então o valentão com um só murro fez a broa de pão em pedaços, pegou no barril, levou-o à boca e bebeu, dizendo:

Meus senhores. Aqui parte-se o pão e bebe-

se assim:

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Posto isto, pôs-lhes a faca e os copos e ser- viu-os com cordialidade.

Os mensageiros informaram-no então do que os trazia ali. O rei tinha ouvido falar da sua va- lentia e mandara-o chamar para lutar com um preto que tinha como escravo para testar a sua força.

O valentão obedeceu à ordem do rei e lá foi.

Chegado junto do rei, este ter-lhe-á dito:

Se venceres este preto, o que até hoje nin- guém conseguiu, conceder-te-ei o que tu pedires.

O valentão, nada mais pôde fazer do que obedecer às ordens do rei.

Postos frente a frente, o preto que era um grande matulão e tinha vencido todos, logo pensou que para ele aquilo era canja.

Dada a ordem de ataque o preto vai com uma grande cabeçada em direcção ao peito do va- lentão, mas este, faz-lhe uma finta e consegue-lhe apanhar a cabeça com o braço, torcendo-lhe o pes- coço, causando-lhe morte imediata.

O rei ficou admirado e logo lhe mandou pe- dir o que quisesse.

O valentão disse-lhe que só queria uma coisa: todo aquele que entrasse dentro das suas propriedades não podia ser preso ou levado dali sem a sua autorização, mesmo que tivesse acabado de cometer algum crime ou fosse fugido da cadeia.

E assim foi. Tal privilégio foi-lhe concedido e

durou por muitos e muitos anos.

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LENDA DA LAPA DOS LADRÕES

O penedo conhecido por penedo da lapa dos ladrões é um penedo como tantos outros, não fosse o seu nome e a sua lenda, lenda que é tirada, em parte, de casos reais.

É um penedo enorme e encontra-se num vale e sob a sua base forma uma espécie de sala, cujo acesso se fazia por uma pequena abertura junto ao chão, abertura que hoje, se encontra pra- ticamente tapada, dado ao mato que ali se foi acu- mulando com o passar dos anos.

O seu nome deve-se ao facto de em tempos muito remotos, os ladrões fazerem ali o seu couto.

Poder-se-á perguntar, porquê num sítio da- queles?

Para assaltar quem?

As pessoas de Murgido, Povoa, Ansiães, Candemil ou outros lugares vizinhos, quando estes, se deslocavam em direcção a Mesão Frio?

Com certeza que não, porque estes de- pressa os reconheceriam e não lhes seria possível permanecer por ali.

A razão da escolha daquele local foi porque ali, era um ponto estratégico.

Foi uma grande estrada, que ligava Trás-os-

Montes ao Porto e todo trânsito se fazia por ali, isto,

no tempo em que não havia automóveis nem com-

boios.

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Quem vinha de Vila Real e Santa Marta de Penaguião, etc., atravessava a serra, passando no seu ponto mais alto onde se encontra a Capela de Nossa Senhora da Serra, descendo em direcção à Malhada Nova, Fisgas, Fraga da Filho, proximidades da Lapa dos Ladrões, Penedo das Cortes e por aí abaixo em direcção a Amarante, rumo ao Porto, ca- minho que também era feito em sentido contrário.

O nome do Penedo das Cortes terá derivado de naquele local, nesse tempo, existirem umas cor- tes, onde os animais descansavam e haveria, prova- velmente, um abrigo para as pessoas repousarem.

Julga-se que os ladrões ali acoitados não as- saltavam as pessoas das aldeias vizinhas, pois ti- nham todo o interesse em manter com elas um bom relacionamento, até que, um dia alguma coisa correu mal e foi o seu fim.

Um indivíduo de Murgido, conhecido por Sa- pateiro, não se sabe se por alcunha ou porque tinha essa profissão, terá ido a Mesão Frio vender uma burra e no regresso foi assaltado e morto, no local chamado Montados, onde ainda hoje, o local é co- nhecido como Bouça do Sapateiro. A razão da mor- te pode ter sido porque os conhecia, ou porque não trazia o dinheiro da venda.

Este facto fez revoltar as gentes de Murgido

e localidades vizinhas, as quais pensaram em dar

cabo dos ladrões. Se bem o pensaram, melhor o fi-

zeram. Então as pessoas de Murgido, com o auxílio

de alguém de Carneiro, resolveram fazer uma festa

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em honra dos ladrões, levando vários barris com vi- nho que envenenaram, matando-os assim a todos, acabando-se os ladrões naquele local.

Talvez, os ladrões não tenham acabado na-

quele local porque morreram, porque se assim fos-

se morriam uns e outros viriam, mas porque vieram

os comboios e os automóveis e o trânsito deixou de

se fazer por ali.

Referências

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