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SISTEMA COLÉGIO MILITAR DO BRASIL:

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Academic year: 2021

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FRANCISCO CARLOS MACHADO SILVA

SISTEMA COLÉGIO MILITAR DO BRASIL:

uma educação de qualidade

Trabalho de Conclusão de Curso - Monografia apresentada ao Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra como requisito à obtenção do diploma do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia.

Orientador: Alex Vander Lima Costa

Rio de Janeiro 2018

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C2018 ESG

Este trabalho, nos termos de legislação que resguarda os direitos autorais, é considerado propriedade da ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA (ESG). É permitida a transcrição parcial de textos do trabalho, ou mencioná-los, para comentários e citações, desde que sem propósitos comerciais e que seja feita a referência bibliográfica completa. Os conceitos expressos neste trabalho são de responsabilidade do autor e não expressam qualquer orientação institucional da ESG.

Assinatura do autor

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Elaborada por Alessandra Alves dos Santos – CRB-7/6327

S586s Silva, Francisco Carlos Machado.

Sistema Colégio Militar do Brasil: uma educação de qualidade / General de Brigada Francisco Carlos Machado Silva. - Rio de Janeiro: ESG, 2018.

75 f.: il.

Orientador: Coronel Com R1 Alex Vander Lima Costa.

Trabalho de Conclusão de Curso – Monografia apresentada ao Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra como requisito à obtenção do diploma do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia (CAEPE), 2018.

1. Educação de qualidade. 2. Ensino. 3. Colégio Militar. I.Título.

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Aos alunos dos colégios militares do Exército Brasileiro, esperança de uma Pátria com líderes responsáveis, íntegros e capazes.

Em especial dedico à Ecília, presença essencial nesta venturosa vida de Soldado, e aos meus filhos Vinícius, Caio e Maria Fernanda, razões de minha existência.

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AGRADECIMENTOS

Ao Cel Alex Vander Lima Costa pela orientação, estímulo e paciência. Muito me ajudou com seu profundo conhecimento do sistema Colégio Militar do Brasil, motivando-me a atingir os objetivos traçados.

Aos companheiros da Turma Ética e Democracia, pela convivência harmoniosa e edificante de todas as horas.

Aos meus pais, o reconhecimento e a gratidão especiais pelos apoios de toda ordem, carinho e aconselhamentos com vistas ao meu crescimento.

Ao corpo de profissionais da Escola Superior de Guerra, em especial seus mestres, pela oportunidade ímpar de poder pensar o Brasil e discutir em alto nível os problemas nacionais.

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A gente precisa continuar acreditando: que vale a pena ser honesto. Que vale a pena estudar. Que vale a pena trabalhar. Que é preciso construir: a vida, o futuro, o caráter, a família, as amizades e os amores.

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RESUMO

O Brasil se destaca no cenário internacional por seu potencial econômico com reservas naturais importantes e a liderança na produção e exportação de diversas

commodities. No entanto, a corrupção, a desigualdade social persistente e a falta de

segurança explicitada pelos altos índices de violência urbana e rural são temas que ainda afligem o país, em pleno Século XXI. Parte da solução desses problemas passa por dedicar um foco maior ao sistema educacional. Nos últimos anos, recursos têm sido direcionados, mas sem resultados expressivos, particularmente na educação básica das escolas públicas. Em meio a esse quadro há o Sistema Colégio Militar do Brasil (SCMB), rede de treze escolas de ensino fundamental e médio do Exército Brasileiro, estabelecidas de norte a sul do Brasil, com quase 130 anos de existência. Esta monografia detalha a experiência de sucesso desse Sistema e de que forma alcança educação de qualidade, com base no seu Projeto Pedagógico e a partir dos parâmetros estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Com vistas a buscar o referencial teórico, tomou-se como metodologia a pesquisa documental e bibliográfica (consulta à proposta pedagógica, livros e outras publicações). Foi feita uma investigação explicativa e uma pesquisa de campo por meio de questionários semiestruturados, tendo como entrevistados agentes de ensino e antigos alunos. A conclusão aborda as principais razões do sucesso do Sistema: a importância dada aos valores e à ética militar, a qualidade do corpo docente e a existência de um ambiente propício para o estudo, com atividades curriculares e extracurriculares e um sentimento de pertencimento originado no espírito de corpo.

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ABSTRACT

Brazil stands out at the international scenario because of its economic potential with important natural reserves and leadership in production and exportation of several commodities. However, corruption, persistent social inequality and lack of security that is explained by high rates of urban and rural violence are issues that still afflict the country in the middle of 21st century. Part of the solution for these problems is to devote a greater focus to the educational system. In recent years, resources have been directed, but without significant results, particularly in basic education at public schools. In the midst of this picture there is the Brazilian Military School System (SCMB), a network of thirteen middle and high schools managed by Brazilian Army, established from north to south of Brazil, with almost 130 years of existence. This monography details successful experience from this System and how it achieves quality education, based on its Pedagogical Project and parameters established by Guidelines and Bases for Education (LDB) and National Education Plan (PNE). Searching for theoretical reference, documentary and bibliographic research (pedagogical proposal check, books and other publications) were taken as a methodology. An explanatory investigation and a field research were done through semi-structured questionnaires, applied to teaching agents and former students. The conclusion indicate main reasons for the System success: importance given to values and military ethics, quality of teaching staff and favorable environment for study, with curricular and extracurricular activities and belonging feeling originated from a strong cohesion.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

FIGURA 1 Educação inclusiva no SCMB... 37

GRÁFICO 1 Percentual de professores por titulação - 2017... 47

GRÁFICO 2 Percentual de ex-alunos por Colégio Militar………... 50

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AMAN Academia Militar das Agulhas Negras CEAD Centro de Estudos a Distância

CMB Colégio Militar de Brasília CMBel Colégio Militar de Belém

CMBH Colégio Militar de Belo Horizonte CMC Colégio Militar de Curitiba

CMCG Colégio Militar de Campo Grande CMF Colégio Militar de Fortaleza CMJF Colégio Militar de Juiz de Fora CMM Colégio Militar de Manaus CMR Colégio Militar do Recife

CMRJ Colégio Militar do Rio de Janeiro CMS Colégio Militar de Salvador CMs Colégios Militares

CMSM Colégio Militar de Santa Maria CMPA Colégio Militar de Porto Alegre

DECEx Departamento de Educação e Cultura do Exército DEP Departamento de Ensino e Pesquisa

DEPA Diretoria de Educação Preparatória e Assistencial ESG Escola Superior de Guerra

EC Emenda Constitucional

ENEM Exame Nacional do Ensino Médio

EsPCEx Escola Preparatória de Cadetes do Exército Estb Ens Estabelecimento de ensino

IDEB Índice de Desenvolvimento da Educação Básica LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação

NAEB Normas para Avaliação da Educação Básica NPGE Normas de Planejamento e Gestão Escolar OM Organização Militar

OND Objetivos Nacionais de Defesa

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PNE Plano Nacional de Educação PIB Produto Interno Bruto

PP Projeto Pedagógico

PSD Plano de Sequência Didática SAP Seção de Apoio Pedagógico SCMB Sistema Colégio Militar do Brasil

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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO... 11 1.1 PROBLEMA... 11 1.2 OBJETIVO FINAL... 11 1.3 OBJETIVOS INTERMEDIÁRIOS………...………....…… 12 1.4 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO……….….…..…. 12 1.5 RELEVÂNCIA DO ESTUDO………..….….………... 12 1.6 METODOLOGIA………..………..………… 13 1.7 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO……….…….………..….. 13 2 REFERENCIAL TEÓRICO………..………… 15 2.1 CONCEITO DE EDUCAÇÃO………...……… 15 2.2 LEGISLAÇÃO VIGENTE………..……… 15 2.2.1 Constituição Federal………..………. 15

2.2.2 Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)………….………… 16

2.2.3 Plano Nacional de Educação (PNE)……….…….…….. 17

2.3 SISTEMA COLÉGIO MILITAR DO BRASIL (SCMB)……….………. 20

2.3.1 Breve histórico……….….…... 20

2.3.2 Legislação atinente ao SCMB……….…….……… 23

2.3.2.1 Política Nacional de Defesa (PND) e Estratégia Nacional de Defesa (END)………..…..…. 23

2.3.2.2 Lei de Ensino do Exército………... 24

2.3.2.3 Projeto Pedagógico do SCMB (PP/SCMB)..………..…... 24

3 EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE………..…..…………..….. 28

3.1 AMBIENTAÇÃO………..……... 28

3.2 UM PARÂMETRO PARA A EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE………..……. 29

4 RESULTADOS E PROPOSTAS……….……... 36

4.1 AS METAS DO PNE E O SCMB……….……... 36

4.2 A QUALIDADE DA EDUCAÇÃO NO SCMB…..………..……. 38

4.3 RESULTADOS DA PESQUISA DE OPINIÃO……….……. 49

4.4 OPORTUNIDADES DE APERFEIÇOAMENTO……….….……. 52

5 CONCLUSÃO……….……….……….. 58

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ANEXO A - RESULTADOS DO IDEB………..………. 64

ANEXO B - RESULTADOS DO ENEM………..………... 65

ANEXO C - RESULTADOS DAS OLIMPÍADAS DO

CONHECIMENTO... 66 ANEXO D - QUESTIONÁRIO APLICADO A EX-ALUNOS...…..…. 67 ANEXO E - PALAVRAS DE DESPEDIDA DA ALUNA SOFIA

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1 INTRODUÇÃO

O Brasil, esta grande nação emergente que rompeu o Século XXI com sua respeitável e de há muito consolidada base territorial e com um mercado consumidor de mais de 200 milhões de habitantes, tem sérios problemas que dificultam a caminhada definitiva para o desenvolvimento. Submerso em crises políticas e econômicas, o país tem sofrido com a corrupção, com uma desigualdade social persistente e com uma falta de segurança tornada explícita em altos índices de violência urbana e rural.

É senso comum que parte da solução desses problemas passa por dedicar um foco maior ao sistema educacional, que tem como principais atores os jovens, base para qualquer mudança efetiva no futuro. Nos últimos anos, o assunto está na pauta, recursos têm sido direcionados, mas quando se verificam os resultados e se projeta um futuro imediato, seja no campo cognitivo, no afetivo ou sociocultural, não há boas perspectivas. E quando se fala em educação básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio) em escolas públicas, tem-se um diagnóstico ainda pior. Em uma rápida avaliação, há um corpo docente desprestigiado e desestimulado, instituições com estruturas físicas deficientes, consideráveis taxas de evasão escolar e um ambiente em sala de aula de baixa efetividade, com reflexos evidentes na aprendizagem.

Em meio a esse preocupante quadro, há o Sistema Colégio Militar do Brasil (SCMB), um conjunto de escolas de educação básica do Exército Brasileiro, que apresenta resultados bastante satisfatórios.

Assim, como produto do trabalho de pesquisa, serão apresentadas as razões de sucesso desse Sistema.

1.1 PROBLEMA

O problema elencado foi: em que medida o SCMB contribui para se alcançar os objetivos definidos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e no Plano Nacional de Educação (PNE)?

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Investigar como o SCMB contribui para se alcançar os objetivos definidos na LDB e no PNE.

1.3 OBJETIVOS INTERMEDIÁRIOS

a) Analisar os fundamentos e a legislação que regem a educação no Brasil e seus reflexos para a situação atual dos ensinos Fundamental e Médio;

b) Descrever as características do SCMB que o torna diferenciado, tomando como referência o seu Projeto Pedagógico;

c) Identificar em que medida o Projeto Pedagógico do SCMB leva ao atingimento do previsto na LDB e nas metas do PNE; e

d) Descrever o que pode ser modificado no SCMB com vistas ao seu aperfeiçoamento.

1.4 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO

O estudo pretendeu investigar as razões do sucesso alcançado pelo Sistema Colégio Militar do Brasil, ou seja, limitou-se a educação básica, em suas vertentes do ensino fundamental e médio. Para tanto, e a par dos seus 129 anos de existência passando por vários formatos e contextos, o estudo foi balizado por determinada limitação temporal, abordando as particularidades envolvidas a partir do lançamento do Projeto Pedagógico (PP/SCMB), que teve o seu Marco Conceitual discutido pelos colégios militares ao longo dos anos de 2012 e 2013; a versão analítica do Marco Situacional apurada em 2014; e sua finalização no ano de 2015, com a divulgação dos parâmetros para o Marco Operacional.

Da mesma forma, e sob o mesmo contexto de barreira de tempo, no âmbito governamental, houve a aprovação do Plano Nacional de Educação, em 2014.

Esteve fora do escopo deste trabalho realizar comparações entre a sistemática adotada nos colégios militares e a das demais escolas do país.

1.5 RELEVÂNCIA DO ESTUDO

O desenvolvimento de um país passa, obrigatoriamente, pela eficiência do seu sistema educacional, particularmente da sua educação básica.

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No caso do Brasil, instrumentos de avaliação a nível nacional, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) ou internacional, como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) apontam resultados desalentadores.

Uma exceção à regra é o Sistema Colégio Militar do Brasil, do Exército Brasileiro, rede pública de escolas com 12.818 alunos que abrange treze unidades dos ensinos Fundamental (6º ao 9º ano) e Médio, presente nas cidades de Manaus/AM, Belém/PA, Fortaleza/CE, Recife/PE, Salvador/BA, Belo Horizonte/MG, Juiz de Fora/MG, Brasília/DF, Campo Grande/MS, Rio de Janeiro/RJ, Curitiba/PR, Porto Alegre/RS e Santa Maria/RS.

É um modelo centenário, que conseguiu se adequar à evolução dos tempos e que repercute muito favoravelmente nos lugares onde está presente. Mantém fortes vínculos com as sociedades locais, apresentando-se como referência do ensino e da manutenção de valores considerados importantes para a cidadania e para a formação de líderes nas mais distintas áreas.

1.6 METODOLOGIA

Foi conduzida uma investigação explicativa, a fim de esclarecer quais fatores contribuem para que o Sistema Colégio Militar do Brasil tenha o reconhecido êxito. Foi realizada, ainda, uma pesquisa descritiva como base para as explicações. Quanto aos meios de investigação, e a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação e do Plano Nacional de Educação, foi realizada uma pesquisa bibliográfica (consulta ao Projeto Pedagógico, documentos de controle do ensino, livros e publicações que abordam a temática) e uma pesquisa de campo por meio de questionários semiestruturados, tendo como entrevistados diretores, professores, outros agentes de ensino e antigos alunos.

1.7 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

O trabalho está organizado em cinco capítulos. O primeiro, esta Introdução, onde foram exibidos o problema, os objetivos, a delimitação, a relevância do estudo e a metodologia adotada. No Capítulo 2 será apresentado o referencial teórico, com o conceito de educação, a legislação vigente e o Sistema Colégio Militar do Brasil,

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com um breve histórico e as normas a si atinente. No Capítulo 3 será ilustrado um panorama para uma escola pública de qualidade. No Capítulo 4, os resultados e propostas do trabalho e, no Capítulo 5 é exposta a conclusão.

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2 REFERENCIAL TEÓRICO

Para a consecução do presente trabalho, estabeleceu-se como referencial teórico o atual arcabouço de legislação do sistema educacional brasileiro e do Sistema Colégio Militar do Brasil, além de se ter perscrutado um panorama da educação do país, tomando como base o livro “9 passos para uma escola pública de qualidade”, de Celso Antunes. (ANTUNES, 2013).

2.1 CONCEITO DE EDUCAÇÃO

A Nota Complementar da Escola Superior de Guerra (ESG), publicada em 20 de fevereiro de 2018 e que serve de referência para os estudos e trabalhos desenvolvidos nos diversos cursos, entende o Poder Nacional como a capacidade que tem uma nação para alcançar e manter os objetivos nacionais, em conformidade com a vontade nacional, manifestando-se nas expressões política, econômica, psicossocial, militar e científico-tecnológica (ESG, 2018, p. 45). Na expressão psicossocial do poder nacional, a educação aparece como uma das necessidades relativas à sobrevivência e à forma de vida considerada como boa, no contexto de uma sociedade. As outras necessidades são: saúde, habitação, saneamento básico, trabalho, seguridade social, previdência social, assistência social e urbanização.

Educação é o processo de aperfeiçoamento do ser humano no sentido de promover a realização de suas potencialidades, e a transmissão e assimilação de conhecimentos e valores culturais do grupo social. (ESG, 2018, p. 81-82).

2.2 LEGISLAÇÃO VIGENTE

Será feita uma apreciação sobre a legislação e os dispositivos vinculados ao tema naquilo que for mais importante, e tendo como base a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases e o Plano Nacional de Educação, particularmente no que disser respeito às metas relacionadas ao SCMB.

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O tema educação tem prioridade quando se verifica a Constituição Federal de 1988. Ao elencar, em seu Capítulo II, Artigo 6º, os “Direitos Sociais”, nossa carta magna coloca a educação antes mesmo da saúde, da alimentação, do trabalho e da segurança:

Art 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. (BRASIL, 1988).

O Capítulo III da Carta Magna apresenta os dez artigos que abordam o tema educação, qualificando, inicialmente, a quem cabem os direitos e os deveres, especificando, ainda, os principais objetivos:

Art 205º A educação, direito de todos e dever do Estado e da Família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1988).

Dentre os princípios estabelecidos pela Constituição para o modo como o ensino será ministrado, devem ser destacados: a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; a valorização dos profissionais da educação escolar; a gestão democrática e a garantia de padrão de qualidade. (BRASIL, 1988).

A Constituição previu um Plano Nacional de Educação, de duração decenal, com o objetivo de articular um sistema em regime de colaboração e definir diretrizes e estratégias para assegurar o desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades. Tudo buscando conduzir, entre outras, à melhoria da qualidade do ensino e à formação para o trabalho, além da promoção humanística, científica e tecnológica do País.

2.2.2 Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)

A Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelece as diretrizes e bases da educação nacional e é um dos principais documentos do ordenamento jurídico-educacional, explicitando os princípios estabelecidos na Constituição

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Federal de 1988. Sua meta essencial é guardar o dever que o poder público tem para com a educação, muito particularmente, com a educação básica.

A transcrição dos Art. 1º e 2º da LDB nos remete à ideia da educação como um processo de formação maior, na vida familiar e em outras instituições:

Art 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.

§ 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias.

§ 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social.

Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1996).

Entre os princípios previstos em seu artigo 3º, destaco: o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; a valorização do profissional; a gestão democrática do ensino público; a garantia de padrão de qualidade e a valorização da experiência extraescolar. (BRASIL, 1996).

Cumpre destacar, ainda, que estão previstas na LDB os encargos dos estabelecimentos de ensino relacionados à aproximação e ao envolvimento das famílias e responsáveis:

Art 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de:

[...]

VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola;

VII - informar os pais e responsáveis sobre a frequência e o rendimento dos alunos, bem como sobre a execução de sua proposta pedagógica.

VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for o caso, os responsáveis legais, sobre a frequência e rendimento dos alunos, bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola; (Redação dada pela Lei nº 12.013, de 2009)

VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cinquenta por cento do percentual permitido em lei. (Incluído pela Lei nº 10.287, de 2001). (BRASIL, 1996).

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A Lei Nº 13.005, de 25 de junho de 2014 aprovou o Plano Nacional de Educação. O PNE sofreu uma mudança em sua condição a partir da Emenda Constitucional nº 59/2009 (EC nº 59/2009), passando de uma disposição transitória da LDB para uma exigência constitucional com periodicidade decenal, e criado para ser uma política de estado de educação para a década 2014/2024.

O plano é o articulador do Sistema Nacional de Educação, havendo, inclusive, previsão de percentual do Produto Interno Bruto (PIB) para o seu financiamento.

Planejar a educação em um país com dimensões continentais, no contexto de um complexo modelo federativo em que as desigualdades sociais são persistentes é um importante desafio a ser vencido.

O caderno “Planejando a Próxima Década, conhecendo as 20 metas do Plano Nacional de Educação”, define que as metas são orientadas para enfrentar: as barreiras para o acesso e a permanência; as desigualdades educacionais em cada território com foco nas especificidades de sua população; a formação para o trabalho, identificando as potencialidades das dinâmicas locais e o exercício da cidadania, incorporando os princípios do respeito aos direitos humanos, à sustentabilidade socioambiental, à diversidade e inclusão e à valorização dos profissionais que atuam na educação de milhares de pessoas todos os dias. (BRASIL, 2014).

Destaque-se que somente ao se apresentar as vinte metas estruturantes a serem buscadas, é que foi feita uma citação à “garantia do direito à educação

básica com qualidade, com ênfase na universalização da alfabetização e na

ampliação da escolaridade e das oportunidades educacionais”. (BRASIL, 2014, grifo nosso).

Entre as metas elencadas, serão transcritas aquelas que estão no foco do presente trabalho (BRASIL, 2014):

Meta 2: universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) anos para toda a

população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos e garantir que pelo menos 95% (noventa e cinco por cento) dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada, até o último ano de vigência deste PNE.

Meta 3: universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população

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deste PNE, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85% (oitenta e cinco por cento).

Meta 4: universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos

com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados.

Meta 6: oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% (cinquenta

por cento) das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) dos(as) alunos(as) da educação básica.

Meta 7: fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e

modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem, de modo a atingir as seguintes médias nacionais para o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB): 6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental; 5,5 nos anos finais do ensino fundamental; 5,2 no ensino médio.

Meta 15: garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o

Distrito Federal e os Municípios, no prazo de 1 (um) ano de vigência deste PNE, política nacional de formação dos profissionais da educação de que tratam os incisos I, II e III do caput do art. 61 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, assegurado que todos os professores e as professoras da educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.

Meta 16: formar, em nível de pós-graduação, 50% (cinquenta por cento) dos

professores da educação básica, até o último ano de vigência deste PNE, e garantir a todos(as) os(as) profissionais da educação básica formação continuada em sua área de atuação, considerando as necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino.

Meta 17: valorizar os(as) profissionais do magistério das redes públicas de

educação básica, de forma a equiparar seu rendimento médio ao dos(as) demais profissionais com escolaridade equivalente, até o final do sexto ano de vigência deste PNE.

Meta 18: assegurar, no prazo de 2 (dois) anos, a existência de planos de

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sistemas de ensino e, para o plano de carreira dos(as) profissionais da educação básica pública, tomar como referência o piso salarial nacional profissional, definido em lei federal, nos termos do inciso VIII do art. 206 da Constituição Federal.

2.3 SISTEMA COLÉGIO MILITAR DO BRASIL

Neste tópico será apresentado como surgiu o Sistema, mediante uma breve apreciação histórica, além de um sucinto tratamento sobre a legislação que o regulamenta. Pretende-se estabelecer uma base pertinente para que se verifique o escopo de sua atuação e as razões de seu sucesso.

2.3.1 Breve histórico

A partir de meados do Século XIX, o Exército administrava colônias militares nas províncias do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Pará e Amazonas. Segundo McCann (2009), isso envolvia os oficiais em numerosas atividades relacionadas ao desenvolvimento da infraestrutura, inclusive com a educação básica, e dava ao Exército a percepção institucional das condições nas regiões limítrofes, além de fortalecer as reivindicações a territórios disputados e povoar as áreas internas na fronteira:

Boa parte do corpo de oficiais provinha de áreas urbanas litorâneas, oriundos principalmente de famílias sem condições de dar outras opões de carreira a seus filhos. Muitas dessas famílias, talvez a maioria, pertenciam aos setores médios da sociedade. As oportunidades educacionais no Brasil em fins do século XIX eram extremamente limitadas devido à escassez de ensino público em geral e de universidades em particular. (MCCANN, 2009, p.40).

Era uma aspiração dos militares da Marinha e do Exército imperiais, desde os princípios do Brasil independente, que se criasse uma escola capaz de educar seus filhos. Uma primeira tentativa veio pelas mãos do Regente Araújo Lima, em 1840, que, por decreto, buscou estabelecer um educandário para os filhos de oficiais intermediários (capitães) e subalternos. Funcionaria no Arsenal de Guerra da Corte sob a denominação de “Colégio Militar do Imperador”. A iniciativa não avançou.

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A partir das difíceis experiências vividas na Guerra da Tríplice Aliança junto com seus soldados, Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, teve a percepção do quanto interferia positivamente no ânimo da tropa, saber que suas famílias estavam resguardadas. Ao saírem para lutar nos campos de batalha necessitavam que, além da pensão como alento, uma educação digna para os dependentes aplacaria as necessidades diante de uma eventual situação de orfandade.

Depois de tentativas infrutíferas para a criação de um estabelecimento de ensino militar, inclusive da parte do próprio Duque de Caxias (em 1853 e 1862), o Imperador Pedro II assinou, em 9 de março de 1889, o Decreto de nº 10.202, que aprovava o regulamento do Imperial Colégio Militar.

O Império marchava para o seu fim e a atribulada atmosfera política contribuiu para que o Ministro da Guerra, Tomás Coelho de Almeida, pudesse levar a cabo o antigo sonho de Caxias. Na busca de aplacar os ressentimentos dos militares com o Imperador foi que se avançou com essa iniciativa.

Depois de estudos iniciais em que poderia ser instalado na Fortaleza de São João, na Praia Vermelha ou no Jardim Botânico, foi escolhido o palacete adquirido junto ao Barão de Itacurussá, no bairro da Tijuca, onde se encontra até hoje. As aulas tiveram início em 6 de maio de 1889 com 44 alunos, sendo seu primeiro diretor o Major Antônio Vicente Ribeiro Guimarães.

Na segunda década do Século XX, foram criados mais três colégios militares: em Barbacena e Porto Alegre no ano de 1912, e em Fortaleza, em 1919, com a denominação de Colégio Militar do Ceará.

Essas quatro escolas seguiram ativas até que o CM de Barbacena foi fechado no ano de 1925. Em 1938, também deixaram de funcionar os de Porto Alegre e Fortaleza. Estes dois últimos tiveram suas instalações aproveitadas para laborar como escolas preparatórias, a partir de 1942, com base no esforço de guerra para aumentar a quantidade de oficiais formados.

Nova fase começaria a ser vivida dezessete anos mais tarde, quando o governo determinou e o então ministro da Guerra, General Teixeira Lott, criou o Colégio Militar de Belo Horizonte. Nasceu, também, o Colégio Militar de Salvador em 1957, já idealizado pelo Ministro Ciro do Espírito Santo Cardoso. A este seguir-se-iam, em 1958 e 1959, respectivamente, os Colégios de Curitiba e Recife, completando o ciclo de revitalização da gestão Lott.

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A evolução continuaria já na década de 1970: em 1971 é criado o Colégio Militar de Manaus, já previsto em 1959 pelo presidente Juscelino Kubitschek; e, em 1978, o de Brasília. Dispunha agora, o Exército, de uma rede de 9 Colégios Militares: Rio de Janeiro-RJ, Belo Horizonte-MG, Recife-PE, Manaus-AM, Brasília-DF, Salvador-BA, Curitiba-PR, Porto Alegre-RS e Fortaleza-CE, os dois últimos reativados em 1962, com a extinção das escolas preparatórias que ali haviam sido instaladas.

No ano de 1973, foi criada a Diretoria de Ensino Preparatório e Assistencial (DEPA), à qual passaram a estar subordinados todos os CMs. A missão da DEPA era a de coordenar as atividades relacionadas ao ensino nesses estabelecimentos, como órgão de apoio técnico-normativo ao DEP (Departamento de Ensino e Pesquisa). Estava formado o Sistema Colégio Militar do Brasil, integrando o Sistema de Ensino do Exército.

Em 1988, em razão de um projeto de reestruturação da Força Terrestre, foram fechados o Colégio Militar de Belo Horizonte, o Colégio Militar de Salvador, o Colégio Militar de Curitiba e o Colégio Militar do Recife. A ideia do Ministro do Exército de então, o Gen Ex Leônidas Pires Gonçalves, era de que permanecessem em funcionamento apenas os CM do Rio de Janeiro, Manaus e Brasília.

A retomada do processo de ampliação do Sistema aconteceu quando assumiu a pasta do Exército o General Zenildo de Lucena. Foram reativados, em 1993, as unidades de Curitiba, Salvador, Recife e Belo Horizonte e ainda criados, em 1993, os Colégios Militares de Juiz de Fora e Campo Grande e, em 1994, o de Santa Maria.

No ano do centenário de criação do primeiro Colégio Militar (Rio de Janeiro), em 1989, foi admitida a entrada de crianças do sexo feminino. Em igualdade de condições, moças e rapazes passavam a realizar o concurso de admissão para o 1º ano do Ensino Médio e para o 6º ano do Ensino Fundamental, e meninas dependentes de militares também adquiriam o direito de integrar o SCMB.

No ano de 2001, sob a coordenação do Colégio Militar de Manaus, implementou-se a educação à distância. O Curso de Ensino à Distância (CEAD) surgiu com o objetivo de atender aos filhos de militares da Amazônia Brasileira, oferecendo vagas para alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Esta modalidade avançou, sendo que hoje, podem ser matriculados dependentes de profissionais que servem no Comando Militar do Oeste (estados de Mato Grosso e

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Mato Grosso do Sul) e no exterior. Desde 2006, também funciona para os alunos do 1º ao 3º ano do Ensino Médio.

O ensino por competências foi implementado no Exército Brasileiro mediante a Portaria nº 137-Cmdo Ex, de 28 de fevereiro de 2012. Desse instrumento veio a determinação para a elaboração do subprojeto de implantação do ensino por competências para a DEPA. Esta significativa mudança destinou-se a colocar a formação do aluno do Colégio Militar em consonância com a LDB, com ênfase nas ações didático-metodológicas.

Ainda em 2012, a DEPA foi renomeada para Diretoria de Educação (não mais Ensino) Preparatória e Assistencial.

Em 2015, houve nova expansão do SCMB, com a criação de sua 13ª unidade, o Colégio Militar de Belém (CMBel). Ele nasceu com a finalidade de atender aos residentes no Comando Militar do Norte, abrangendo os estados do Pará, Amapá e Maranhão.

2.3.2 Legislação atinente ao SCMB

Serão apresentados alguns aspectos dos documentos que direcionam e controlam a educação no SCMB.

2.3.2.1 Política Nacional de Defesa (PND) e Estratégia Nacional de Defesa (END)

A Política Nacional de Defesa, em avaliação no Congresso Nacional, prevê os Objetivos Nacionais de Defesa que estabelecem as condições a serem alcançadas e mantidas permanentemente pela nação brasileira no âmbito da defesa. Entre eles o de número 4, “contribuir para a preservação da coesão e unidade nacionais”, diz respeito muito particularmente a este trabalho. Trata da contribuição da Defesa Nacional à preservação da identidade, dos valores, tradições e costumes do povo brasileiro, assim como dos objetivos fundamentais e comuns a toda a nação, garantindo aos cidadãos o pleno exercício dos direitos e deveres constitucionais. (BRASIL, 2016a).

Mais precisamente quando detalhado na Estratégia Nacional de Defesa, em sua estratégia de número 9, “adoção de medidas educativas”, é prevista a

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construção de uma cultura que aprecie a cidadania, o patriotismo e o civismo. (BRASIL, 2016b).

2.3.2.2 Lei de Ensino do Exército

A Lei n. 9.786, de 8 de fevereiro de 1999, instituiu o Sistema de Ensino do Exército, de características próprias, com a finalidade de qualificar recursos humanos para a ocupação de cargos e para o desempenho de funções previstas, na paz e na guerra, em sua organização. (BRASIL, 1999).

Os princípios fundamentais ali estabelecidos e para os quais deverão estar naturalmente voltadas as unidades do SCMB, são: integração à educação nacional; seleção pelo mérito; profissionalização continuada e progressiva; avaliação integral, contínua e cumulativa; pluralismo pedagógico; aperfeiçoamento constante dos padrões éticos, morais, culturais e de eficiência; titulações e graus universitários próprios ou equivalentes às de outros sistemas de ensino. E segue indicando o necessário destaque a atitudes e comportamentos que devem ser incutidos nos concludentes de suas modalidades de ensino, entre os quais destaco: integração permanente com a sociedade; preservação das tradições nacionais e militares; educação integral e assimilação e prática dos deveres, dos valores e das virtudes militares. (BRASIL, 1999).

Quanto à modalidade do ensino preparatório e assistencial nos níveis fundamental e médio do SCMB, recomenda, em seu artigo 7º, o regime disciplinar de natureza educativa, compatível com a atividade preparatória para a carreira militar. (BRASIL, 1999). Tal parâmetro emoldura uma das principais referências do SCMB, a adaptação da disciplina militar como uma das características fundamentais das unidades do Sistema.

2.3.2.3 Projeto Pedagógico do SCMB (PP/SCMB)

O PP/SCMB foi dividido em três marcos, a saber: um Marco Conceitual ou Filosófico, um Marco Situacional e um Marco Operacional. O primeiro expressa aquilo que o Exército Brasileiro entende como o ideal de aluno, o conteúdo, os recursos disponíveis, a corrente pedagógica etc. O Marco Situacional identifica os problemas, as necessidades e os avanços nas realidades vividas e suas influências

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nas práticas educativas da escola. Já o Marco Operacional apresenta as linhas de ação da escola para a aproximação do ideal esboçado pelo Marco Conceitual.

Lembre-se que o SCMB é constituído por treze colégios. Deseja-se que essas unidades, mesmo com tantas diferenças, alcancem os mesmos objetivos. Para tal, o PP/SCMB se vale dos mesmos marcos Conceitual e Situacional. Cada Colégio tem o seu próprio Marco Operacional.

Os fundamentos do Projeto Pedagógico estão nos artigos iniciais do Regulamento dos Colégios Militares (R-69), aprovado pela Portaria do Comandante do Exército nº 042, de 6 de fevereiro de 2008, a saber:

Art 2º Os CM são organizações militares (OM) que funcionam como estabelecimentos de ensino (Estb Ens) de educação básica, com a finalidade de atender ao Ensino Preparatório e Assistencial.

Art. 3º A missão dos CM é ministrar a educação básica, nos anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano) e no ensino médio […].

Art 4º A ação educacional desenvolvida nos CM é feita segundo os valores e as tradições do Exército Brasileiro, cuja proposta pedagógica tem as seguintes metas gerais:

I - permitir ao aluno desenvolver atitudes e incorporar valores familiares, sociais e patrióticos que lhe assegurem um futuro como cidadão, cônscio de seus deveres, direitos e responsabilidades, em qualquer campo profissional que venha a atuar;

II - propiciar ao aluno a busca e a pesquisa continuada do conhecimento; III - desenvolver no aluno a visão crítica dos fenômenos políticos, econômicos, históricos, sociais e científico-tecnológicos, preparando-o a refletir e a compreender e não apenas para memorizar, uma vez que o discente deverá aprender para a vida e não mais, apenas, para fazer provas;

IV - capacitar o aluno à absorção de pré-requisitos, articulando o saber do discente ao saber acadêmico, fundamentais ao prosseguimento dos estudos, em detrimento de conhecimentos supérfluos que se encerrem em si mesmos;

V - estimular o aluno ao hábito saudável da atividade física, buscando o desenvolvimento corporal e o preparo físico, incentivando-o à prática constante do esporte; e

VI - despertar a vocação para a carreira militar. (BRASIL, 2008).

Inserido na sociedade do Século XXI, com suas marcas muito específicas, com âncora nas vertentes preparatória e assistencial, e de um forte viés de mudanças, o SCMB tem a si arraigado as tradições do Exército, o que o torna uma rede com identidade própria, sustentado pelos mesmos princípios básicos da Força Terrestre: a hierarquia e a disciplina.

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Destaque-se, ainda, como processos em evidência no Projeto Pedagógico do Sistema Colégio Militar, a interdisciplinaridade, a contextualização, o pluralismo pedagógico e a educação inclusiva e especial.

A missão dos colégios militares é, pois, entregar à sociedade cidadãos com competências, habilidades e valores éticos e morais cultuados pelo Exército Brasileiro e que ao mesmo tempo sejam criativos, com iniciativa e responsáveis.

Para que os colégios do Sistema pudessem elaborar os seus marcos operacionais, a DEPA fixou orientações mediante o estabelecimento de 15 metas a serem cumpridas no prazo de um a cinco anos. Estas metas se referem à caracterização geral (compreendendo os aspectos materiais e suas configurações físicas), ao perfil docente/agente de ensino e ao perfil discente. São elas (DEPA, 2015):

Caracterização geral dos Colégios Militares (CMs)

1. Atingir, no máximo, o efetivo de até 30 alunos por sala, em todas as salas de aula do Colégio.

2. Possuir as dependências/instalações listadas no Marco Situacional. 3. Possuir todas as salas de aula segundo o parâmetro da sala-padrão. 4. Reduzir os índices de reprovação em todos os anos letivos.

5. Planejar e executar estratégia específica para o combate ao fracasso escolar na área de conhecimento “Matemática, Ciências da Natureza e suas Tecnologias”, com destaque para a disciplina Matemática.

6. Acompanhar o ano escolar dos alunos classificados na avaliação diagnóstica, como “inaptos” ou “aptos com restrição” para o ano de ingresso no SCMB.

7. Aumentar os índices de inscrição e de aprovação no concurso para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx).

8. Adequar-se à acessibilidade e à educação especial e inclusiva, conforme calendário específico.

9. Monitorar os indicadores de avaliação de larga escala nacionais como uma ferramenta estatística para aprimorar e aperfeiçoar as ações voltadas para o Projeto Pedagógico do SCMB.

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10. Equilibrar a relação entre as cargas didáticas de todos os docentes – em suas respectivas disciplinas – e a quantidade de alunos atendidos por cada um desses professores.

11. Aumentar a qualificação de todos os agentes de ensino, reduzindo a diferença entre os índices das diversas categorias.

1.2 Completar a implantação do ensino por competências.

Perfil discente

13. Ampliar, com eficácia, a atuação das Seções de Apoio Pedagógico (SAP). 14. Ampliar a oferta do turno integral, segundo as diretrizes vigentes, até a totalidade do Ensino Fundamental.

15. Implementar, incrementar (com atividades científicas, artísticas e esportivas) e avaliar (com dados quanti-qualitativos) o Projeto Valores do Colégio Militar.

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3 EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE

Não há como considerar o atual estágio da educação do país, sem pontuar um rapidíssimo diagnóstico da sociedade moderna. O mundo virtual ditando os momentos e com isso apresentando uma volatilidade sem limites, sem espaço para rigidez e com câmbio nos conceitos de qualidade: escola eficaz é aquela que se resigna a acompanhar as mudanças de seus discentes. Nesta liquidez, permanecem como figuras sólidas o professor e o aluno. Também é preciso estar atento à expressiva quantidade de famílias chefiadas por mulheres inseridas no mercado de trabalho ou ainda núcleos familiares constituídos por filhos assumidos por pais que não os geraram, dentre outras transformações sociais que impactam a “célula máter” da sociedade. Tudo com consequências imediatas às crianças e adolescentes, gerando angústias, ansiedades, tensões ou expectativas frustradas.

3.1 AMBIENTAÇÃO

Vastíssima é a literatura referente ao tema Educação. A crise por que passa o sistema educacional brasileiro tem estimulado profissionais da área (pedagogos, gestores, educadores, professores) a levantar questões, teses e propostas. Por quais razões, mesmo com o aporte de uma significativa quantidade de recursos financeiros, as seguidas administrações governamentais de níveis federal, estadual e municipal não conseguem oferecer uma educação de qualidade? Se há melhora na oferta de acesso e vagas porque não acontecem avanços no estímulo e na qualidade? Como um sistema que se sabia pouco abrangente até duas décadas atrás, mas que educava com realismo, conseguiu regredir em termos de efetividade, levando a resultados sabidamente pífios em qualquer avaliação básica?

A experiência deste autor na área de ensino do Exército estimulou a busca de respostas. Passo aqui a descrever experiências pessoais julgadas pertinentes para os objetivos deste trabalho.

Há vinte anos, quando exerci o cargo de Instrutor-Chefe do Núcleo de Preparação de Oficias da Reserva do 10º Grupo de Artilharia de Campanha de Fortaleza/CE, já me sentia incomodado com o fato de receber para o Serviço Militar Inicial, brasileiros com o nível médio completo, alguns cursando a Universidade, mas

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que demonstravam dificuldades para expressar suas ideias numa simples atividade dissertativa, ou que não conseguiam resolver operações simples de matemática.

Depois, ao comandar o Colégio Militar de Fortaleza, entre 2015 e 2016, pude me aprofundar com mais vigor no tema. Esta experiência que me foi proporcionada pelo Exército tornou-se riquíssima, ao me permitir retornar à escola onde estivera como aluno trinta e três anos antes.

É claro que as expectativas afetivas que redundaram na volta do antigo aluno que lá esteve em todo o ciclo dos ensinos fundamental e médio, e o envolvimento na parte administrativa da escola, como ordenador de despesas, também colocaram-no mais próximo aos temas pedagógicos e curriculares. O exercício da Direção de Ensino me fez confirmar a expectativa de que eu era o Diretor de uma escola que se apresentava como um mar de êxitos no oceano de dificuldades representado pelo sistema educacional público do país.

Ainda assim, pude ser testemunha de algumas estruturas familiares frágeis e de um baixo nível de participação na educação formal e informal de seus dependentes, crianças com déficits educacionais importantes e profissionais de ensino, professores e demais agentes ansiosos na busca de respostas para os diferentes tipos de problema vividos. São exemplos de desafios que tive a oportunidade de conhecer, conviver, tentar contribuir com soluções e que serão objeto deste trabalho.

3.2 UM PARÂMETRO PARA A EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE

Durante o período de estudos, foi selecionada alguma literatura como referencial teórico na busca do diagnóstico dos temas que são identificados como de grave teor na educação brasileira, a fim de que, ao final, fosse possível utilizá-los como parâmetro na resposta à provocação apontada no início deste trabalho, além do previsto no Plano Nacional de Educação (PNE) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).

Antunes (2013) apresenta os nove passos para uma escola pública de excelente qualidade, traçando um esboço das necessidades que permeiam o sistema educacional do país. A obra será utilizada como guia para realizar a abordagem desejada.

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O primeiro dos nove passos apresentados em Antunes, fala do corpo discente da escola: manter alunos entusiasmados. Métodos de repetição e a imposição de memorizações estáticas sem decodificar as próprias implicações, não habilitam o aluno a transferir o que aprendeu para a sua necessária leitura do mundo e compreensão do entorno. (ANTUNES, 2013, p. 65).

O segundo passo é ter professores preparados. Uma aula não pode ser a mera repetição de uma informação vazia, entregue burocraticamente mediante a passagem de conteúdos conceituais a serem memorizados. Deve haver a preocupação de transferir e contextualizar o conhecimento. E é preciso aferir se os professores aplicam o que estudam, e se o reflexo de sua capacidade é aceitável, traduzindo-se em eficiente aprendizagem da parte dos seus alunos. (ANTUNES, 2013).

O passo seguinte é a busca de uma gestão eficiente. O gestor de escola precisa saber se situar dentro de seu estabelecimento de ensino, não se afastando de questões rotineiras, além do óbvio acompanhamento do que ocorre dentro da sala de aula, como o uso das instalações, a distribuição e uso do material didático etc. (ANTUNES, 2013).

Para Lück (2015, p. 35), gestão educacional equivale à gerência da dinâmica do sistema de ensino como um todo e de coordenação das escolas em particular, em acordo com as diretrizes educacionais públicas, para a implementação das políticas educacionais e projetos pedagógicos.

O quarto passo é buscar o envolvimento familiar. A proximidade fraterna e efetiva entre gestores, pais e professores deve ser tentada até o impossível. Antunes (2013, p. 122) sugere as seguintes iniciativas: acompanhamento do desenvolvimento intelectual e social dos filhos; apoio aos professores no estabelecimento de limites e na firmeza e coerência com que filhos e alunos compreendam o ‘não’; empenho e dedicação em assumir um quadro de valores e referências que expressem a mesma linguagem utilizada na escola; adotar, juntamente com a escola, a coerência na aplicação da linguagem dos verbos elogiar, escutar e exemplificar; envolver-se nos projetos pedagógicos planejados pela escola; cooperar para atividades não pedagógicas; a disponibilização de espaço e de atividadesprofissionais para campo de experiências dos alunos; a cooperação na desmontagem de estereótipos e de preconceitos e ajudar os filhos nas tarefas escolares.

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Esta é uma parceria muito importante e que, seja pelas exigências da vida moderna, seja pela falta de sensibilidade, muitas vezes não é estabelecida. De acordo com Schelb (2008, p. 46):

Se você quer saber como seu filho realmente é, pergunte ao professor dele! As orientações e alertas que os professores dão às famílias são muito importantes para você educar seu filho. Adolescentes podem ser influenciados por terceiros e muitos comportamentos indesejáveis, inclusive ao consumo de drogas. É importante identificar as influências o quanto antes. Infelizmente, muitas famílias descobrem tarde demais que seus filhos estão envolvidos com drogas ou com a criminalidade. Você nunca é capaz de identificar situações de risco quando está envolvido emocionalmente! Acredite, o professor é o maior aliado de seu filho.

O passo seguinte é a aprendizagem significativa. O aluno aprende melhor quando não apenas repete de forma autômata. Um dos fatores principais do sucesso de escolas é a avaliação contínua do que se aprendeu em sala em múltiplas oportunidades. (ANTUNES, 2013).

O sexto passo é planejamento pedagógico uniforme em todas as escolas da rede e sintonizado nos objetivos das avaliações oficiais. (ANTUNES, 2013).

O sétimo passo é transformar um espaço instrucional em lugar forjador de alegria e empreendedorismo. Voltemos à atuação do mestre. Cabe a ele mudar uma fala impositiva por uma reflexiva, o excesso de afirmações pela criação de dúvidas, buscar a exploração do pensamento produtivo do aluno e o desenvolvimento de exercícios para que aprenda a resolver problemas, inclusive em matemática. (ANTUNES, 2013).

O oitavo passo é aprender a fazer, compartilhar e ser. O aluno da escola pública necessita aprender a aprender, mas também aprender a se relacionar. Uma excelente estratégia para o alcance dessa meta são atividades, projetos ou aulas em que se trabalhe em grupo. Neste aspecto a competência do professor em avaliar o desempenho dos alunos quando realizam tarefas coletivas é parte importante. (ANTUNES, 2013).

O nono passo é o exercício de uma avaliação coerente e com foco nos objetivos da aprendizagem. Nos dias de hoje, há um consenso universal de que as provas e os outros instrumentos avaliativos devem ser claros, lúcidos e explícitos. Para Antunes (2013, p. 178), um sistema de avaliação apresenta algumas características comuns, entre as quais é importante destacar:

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- possui missão formativa, com informações claras ao professor, ao aluno e aos pais sobre o progresso e os limites, destacando os pontos em que se necessita maior empenho;

- é global, oferece informações não apenas sobre os avanços conquistados nas disciplinas ensinadas, mas também com foco no interesses, motivações, necessidades e habilidades;

- é contínua ao levar em conta, além das provas, lições, trabalhos em grupo, e observação do desempenho cotidiano;

- é integradora, ao considerar a situação do aluno dentro da escola, mas também dentro do universo familiar; e

- é tranquilizadora, ou seja, o aluno deve percebê-la como um instrumento normal do acompanhamento de seu progresso, não causando tensões e ansiedades.

Além das assertivas de Celso Antunes, pode-se acrescentar mais dois passos para a caracterização de uma escola pública de qualidade: isentar o ambiente escolar de ideologias ou doutrinações de conotação político-partidária e a transformação da escola em um lugar propício ao desenvolvimento de valores.

Cabe uma breve inferência acerca do nível de ideologização das nossas escolas. Este é um assunto que tem tomado espaço nos atuais ambientes educacional e político brasileiros, a ponto de estar provocando um movimento na sociedade com reflexos em debates no Congresso Nacional em vista da implementação de uma “escola sem partido”. Não está no escopo deste trabalho encontrar profundidade nos reflexos para a educação de eventual viés ideológico que permeie a formação de professores e pedagogos e que tipo de orientação existe dentro das salas de aula. Teses de mestrado e doutorado já surgem no meio acadêmico e artigos e livros se fazem observar nas livrarias e bibliotecas.

Giulliano (2017) lança foco sobre o assunto, questionando a realidade pedagógica daquele que viria a se tornar o Patrono da Educação Brasileira, de acordo com a Lei nº 12.612, de 13 de abril de 2012, sancionada pela Presidente Dilma Rousseff: Paulo Freire. O autor chega a citar a atmosfera vivida em algumas salas de aula no Brasil, como sendo a representação do mais obscuro subsolo ideológico do país, sempre a partir da inspiração de Freire.

Ronai Rocha em sua obra “Quando ninguém educa: questionando Paulo Freire” (2017), aborda o abandono das prescrições curriculares, com a academia

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chegando mesmo a ocupar o seu tempo desconstruindo a escola, valorando, mais do que o estudo e a redação de objetivos comportamentais, a compreensão dos aspectos sociais e políticos. (ROCHA, 2017, p. 27). E complementa que houve uma troca de identidade que teve como base a prática de um sindicalismo que interfere nas relações entre o professor, a criança, o conhecimento e o currículo:

Minha convicção é de que essa oscilação de identidade afetou profundamente não apenas o simbolismo do lugar do professor, mas também seu próprio desempenho, em um sentido profundo e com consequências trágicas. O estudante deixou de ser estudante para ver-se como cliente comprador do produto educacional oferecido pelo trabalhador; o diretor da escola deixou de ser o pedagogo e passou a ser um gerente de projetos; os pais deixaram de fazer o gesto de entrega do filho à responsabilidade formadora do professor para se verem como sócios na aquisição de um produto. O currículo, a Pedagogia e a avaliação foram rebaixados a dispositivos instrumentais de ocasião. Foi nesse progressivo esvaziamento pedagógico que a escola foi apostilada. Não importa aqui se pensamos em estabelecimentos escolares públicos ou particulares, pois em todas as partes o simbolismo foi tocado pela troca de identidade. (ROCHA, 2017, p. 37).

Para Fernando Schuler (SCHULER, 2016), a depender dos livros didáticos nacionais, os jovens terão uma visão rudimentar, de um mundo dividido entre capitalistas malvados versus heróis da resistência. Depois de realizar uma análise dos livros didáticos escolhidos tanto para escolas públicas quanto privadas, ele concluiu pela parcialidade e pela excessiva politização. Schuler interpreta que nenhuma escola ou professor tem o direito de expressar conceitos próprios ou opiniões ideologizadas. Sua tarefa é, sim, formar cidadãos críticos e que tenham uma visão geral do mundo.

Quanto à escola sendo alçada a um lugar adequado ao desenvolvimento de valores, é possível afirmar que se trata de uma meta vinculada à proposta de um lugar construtor de atitudes e referências, a serem internalizadas para contribuir à formação da cidadania e da boa convivência.

Ao falar de valores, não se limita apenas a uma troca afetiva que o ser humano realiza com o exterior, objetos ou pessoas, como estabelece o “método piagetiano”1. Refere-se a uma construção que ultrapassa a dimensão da afetividade e, no caso do SCMB, usa como base as premissas destacadas na atmosfera vivida nas organizações militares do Exército Brasileiro. Por não serem profissionais das

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armas, não estando, portanto, sujeitos às leis e regulamentos que gerem o estamento militar, os alunos convivem, desde cedo, com os pilares professados pela Instituição. Referências que vêm da História do Brasil, escrita pelo exemplo vivido em atos e fatos oriundos da participação de insignes figuras militares como o Duque de Caxias e o Marechal Rondon. E na observância de usos, costumes e regras estabelecidas no bojo da educação militar e que também estão guiadas em fundamentos como os artigos 27 e 28 do Estatuto dos Militares (BRASIL, 1980):

Art. 27 - São manifestações essenciais do valor militar:

I - o patriotismo, traduzido pela vontade inabalável de cumprir o dever militar e pelo solene juramento de fidelidade à Pátria até com o sacrifício da própria vida;

II - o civismo e o culto das tradições históricas; III - a fé na missão elevada das Forças Armadas;

IV - o espírito de corpo, orgulho do militar pela organização onde serve; V - o amor à profissão das armas e o entusiasmo com que é exercida; e VI - o aprimoramento técnico-profissional.

Art. 28 - O sentimento do dever, o pundonor militar e o decoro da classe impõem, a cada um dos integrantes das Forças Armadas, conduta moral e profissional irrepreensíveis, com a observância dos seguintes preceitos da ética militar:

I - amar a verdade e a responsabilidade como fundamento de dignidade pessoal;

[…]

III - respeitar a dignidade da pessoa humana;

IV - cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos, as instruções e as ordens das autoridades competentes;

[…]

VIII - praticar a camaradagem e desenvolver, permanentemente, o espírito de cooperação;

[…]

XI - acatar as autoridades civis; XII - cumprir seus deveres de cidadão;

XIII - proceder de maneira ilibada na vida pública e na particular; XIV - observar as normas da boa educação. […]

No Projeto Pedagógico do Sistema é utilizada a concepção de educação onde o ser humano deve ser enxergado como crítico e capaz de construir a sua cultura, sua história e participar ativamente da sociedade de que faz parte, por intermédio de uma escola que, “além de formação ampla, desenvolva valores e atitudes próprias ao cidadão”. Ou seja, “a escola definida como espaço de elaboração de atributos, de tolerância e respeito às diferenças, de produção e disseminação de conhecimento e de convivência humana e social, cultural e política,

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levando sempre em consideração a realidade das relações sociais e de trabalho”. (DEPA, 2015).

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4 RESULTADOS E PROPOSTAS

Neste capítulo serão apresentados os resultados da pesquisa bibliográfica (relacionando às metas do PNE e à LDB) e da pesquisa de campo. No caso desta última, tomando como base o questionário enviado aos diferentes públicos alvo e as entrevistas realizadas. Além disso, referenciar-se-á ao visto no capítulo anterior, quanto aos “9 passos para uma escola pública de excelente qualidade”, previstos na obra de Celso Antunes.

4.1 AS METAS DO PNE E O SCMB

Ao se verificar as metas do PNE, os objetivos previstos na Proposta Pedagógica do Sistema e aquilo que já ocorre, na prática, nos colégios do SCMB, comprova-se mui facilmente o alinhamento daquilo que é sugerido em uma ao que é antevisto em outra e ao que é recebido, diariamente, pelo corpo discente.

As metas de números 2 e 3 do PNE, que fixam a necessidade de universalização da educação básica, são cumpridas plenamente, se considerarmos o histórico do Sistema Colégio Militar do Brasil com as peculiaridades das suas duas vertentes: a preparatória e a assistencial. A primeira com vistas a capacitar os alunos à procura ética da felicidade e da realização pessoal, habilitando-os ao seguimento dos estudos, com foco na preparação dos distintos processos seletivos para o nível superior, com ênfase no acordar para as vocações militares, especialmente para o ingresso na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx). Já a educação assistencial representa a essência do Sistema. Tudo a partir das necessidades levantadas ainda pelo próprio Duque de Caxias, de ajudar os dependentes de militares a equacionar as peculiaridades da profissão: viver em lugares distantes, mudanças constantes e falta de convivência do núcleo familiar.

A meta de número 4, que aborda a necessidade de atendimento educacional especializado para jovens com deficiência, diferentes transtornos e altas habilidades também vem sendo objeto de implementação. As unidades de Brasília e Belo Horizonte realizaram seus concursos em 2017 com reserva de vagas para alunos com deficiência e já estavam se adequando para o advento da educação inclusiva. Cursos de especialização com formação peculiar, adequação de instalações, além

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de salas com expedientes multifuncionais para alunos com deficiência em geral ou altas habilidades também estão em andamento.

A previsão é que até 2023, todos os 13 colégios estejam recebendo essas crianças e adolescentes. Destaque-se que o SCMB será formalmente inclusivo a partir de 2018, mas, na verdade, todas as unidades já tinham em seus corpos discentes, há algum tempo, alunos com necessidades específicas, em que eram empreendidas ações adaptativas com vistas a viabilizar o bom andamento do ano escolar. No Colégio Militar de Fortaleza (CMF), entre os anos de 2015 e 2016, havia 11 alunos com necessidades especiais e que recebiam um acompanhamento mais aproximado. Um desses alunos, filho de um militar do Exército, detinha apenas 10% de sua capacidade visual. Ele cruzava todos os dias sozinho os portões da escola e participava de todas as atividades curriculares.

Como exemplo de que a Força Terrestre está efetivamente engajada na inclusão, o Comandante do Exército, Gen Ex Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, que passa por um problema de saúde que o colocou em uma cadeira de rodas, recebeu em seu Gabinete, em 16 de outubro de 2017, a aluna Maria Clara Gouveia, que à época cursava o 7º ano do Colégio Militar de Brasília. Ela é uma estudante que já está inserida no SCMB, conforme demonstrado na figura 1.

Figura 1. Educação inclusiva no SCMB

A meta número 6 do PNE prevê a oferta de educação em tempo integral de forma a atender pelo menos 25% dos alunos da educação básica. As Normas de Planejamento e Gestão Escolar (NPGE/2018) da DEPA, documento que regula o planejamento, a gestão escolar e a execução do ensino no SCMB estabelecem, em

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seu capítulo 8, as diretrizes para o funcionamento do turno integral. As atividades ofertadas harmonizam-se em uma das três grandes áreas: cognitivas, físicas e artísticas. As justificativas apresentadas para a adoção do turno integral são as seguintes: execução da atividade de Apoio Pedagógico; execução da atividade de recuperação; oferecimento de Ensino Religioso (prática facultativa ao aluno e de oferta obrigatória pela escola, como previsto na LDB); oferecimento independente da disciplina de Música e equalização da oferta de histórico escolar. (DEPA, 2018). Tais diretrizes vêm ao encontro dos Art. 1º e 2º da LDB, particularmente no que tange ao desenvolvimento e preparo do educando para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

A meta número 7 do Plano Nacional de Educação (PNE) recomenda promover a qualidade da educação básica, com vistas à melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem. A qualidade da educação do SCMB pode ser atestada por intermédio da excelência dos resultados dos seus alunos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e nas Olimpíadas do Conhecimento, apresentados nos anexos A, B e C.

As metas do PNE de números 15, 16, 17 e 18 sinalizam para a necessidade de garantia de valorização aos profissionais da educação mediante a adoção de planos de carreira, possibilidades de especialização, formação específica continuada, vantagens e rendimentos compatíveis à importância de sua missão. Trata-se de uma realidade muito consistente dentro do SCMB, como será demonstrado ainda neste capítulo.

4.2 A QUALIDADE DA EDUCAÇÃO NO SCMB

Para efeito de análise, serão vistos os aspectos apresentados no capítulo anterior tomando por base a LDB e a obra de Celso Antunes, “9 passos para uma escola pública de excelente qualidade”, e discorrendo sobre a pesquisa feita junto aos agentes de ensino e ex-alunos.

Considere-se, inicialmente, o sexto passo da obra de Celso Antunes: planejamento pedagógico uniforme em todas as escolas da rede. O planejamento pedagógico do SCMB é semelhante em todas as unidades, está balizado pelos ditames da Lei de Ensino do Exército e em acordo com aspectos das avaliações oficiais.

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