4 RESULTADOS E PROPOSTAS
4.2 A QUALIDADE DA EDUCAÇÃO NO SCMB…
4.2 A QUALIDADE DA EDUCAÇÃO NO SCMB
Para efeito de análise, serão vistos os aspectos apresentados no capítulo anterior tomando por base a LDB e a obra de Celso Antunes, “9 passos para uma escola pública de excelente qualidade”, e discorrendo sobre a pesquisa feita junto aos agentes de ensino e ex-alunos.
Considere-se, inicialmente, o sexto passo da obra de Celso Antunes: planejamento pedagógico uniforme em todas as escolas da rede. O planejamento pedagógico do SCMB é semelhante em todas as unidades, está balizado pelos ditames da Lei de Ensino do Exército e em acordo com aspectos das avaliações oficiais.
A par da unidade e da centralização proporcionada pelo Sistema de Educação e Cultura do Exército, por intermédio do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx) e mais particularmente da DEPA, o SCMB também assimila as características locais. Isto ocorre tanto pela distribuição geográfica, com as propriedades regionais de cada colégio e sua ambiência à sociedade do sítio em que vive, quanto pelas origens e contexto histórico de criação e evolução (algumas de suas unidades foram sendo modificadas ao longo do Século XX, apresentando-se em acordo às exigências do Exército e do modelo educacional brasileiro). Cite-apresentando-se, por exemplo, os momentos de concepção das suas três escolas mais antigas, o Colégio Militar do Rio de Janeiro (CMRJ) e o Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) ambos já centenários, e o Colégio Militar de Fortaleza (CMF), que completa cem anos em 2019. Enquanto o Colégio Militar de Santa Maria (CMSM) só veio a ser criado em 1994.
A observância da centralização caracteriza a busca da excelência como traço peculiar a todas as escolas do Sistema, não permitindo difusão de rumos ou heterogeneidade de propósitos. Excelência traduzida tanto pela possibilidade de uma formação com qualidade nos aspectos cognitivo, afetivo e psicomotor, quanto na entrega de homens e mulheres com virtudes enraizadas, cidadãos críticos e conscientes do papel a exercer na sociedade.
Essa marca também aproxima o SCMB do primeiro passo do que prevê Antunes (2013): manter alunos entusiasmados. Lidar com o arrebatamento e a vibração dos alunos de um colégio militar deve ser a mais rica experiência dos profissionais que lá trabalham2. Os estudantes têm no entusiasmo a sua principal característica. Tudo conspira para isso. A existência de ex-alunos trabalhando na escola ajuda muito no exercício e na emulação do corpo discente. A identidade do aluno com sua escola pode ser comprovada e resumida pelo discurso da Aluna Sofia Leite Correia Lima, que concluiu o ensino médio do CMF em 2015 e foi a escolhida para fazer a alocução por ocasião da cerimônia de encerramento em 4 de dezembro daquele ano. A leitura atenta daquelas palavras de despedida, transcritas no Anexo E, permitirá análise e conclusão bem realistas daquilo que se pretende mostrar. Além disso, alguns depoimentos concretizados na pesquisa de campo levada a efeito, também ilustram a identidade desse Sistema e coloca de forma
2Tal afirmação está vinculada à minha experiência pessoal como Diretor de Ensino do CMF e à observação dos testemunhos de outros diretores e agentes de ensino.
bastante clara o vínculo e o sentimento de pertencimento. Um ex-aluno fez as seguintes colocações:
Sinceramente o Colégio Militar mudou minha vida. Aprendi valores, criei gosto pelo esporte, fiz amizades pra vida toda, criei conhecimentos que me possibilitaram passar no curso de medicina e devo tudo isso ao SCMB. Olimpíadas de física, matemática e todas as áreas do conhecimento. Jogos da amizade e todas as competições na área esportiva. Essas e outras coisas me fazem ser ligado ao colégio até hoje.
Ainda neste contexto, o SCMB apresenta-se como celeiro de formação de lideranças para o país. Entre inúmeros ex-alunos que se destacaram nas ciências, nas artes, na política ou na justiça, e só para ficar em exemplos mais recentes, pode-se citar os nomes do Prefeito de Fortaleza, o médico Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra e do atual Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o engenheiro agrônomo Luís Eduardo Pacifici Rangel. Ambos são líderes de expressão em suas respectivas áreas de trabalho.
De igual modo, as palavras de um outro antigo aluno justificam a qualidade do que é entregue pelo Sistema, quando se analisa o quinto e o oitavo passos previstos em Antunes (2013): aprendizagem significativa e o aprender a fazer, a compartilhar e ser. A transformação do clima pedagógico em um lugar onde não somente se repete mecanicamente, mas se busca o aprendizado comparando, analisando, relatando, julgando, contextualizando e experimentando, dá sentido ao fato de ali se estar presente. O estímulo a aulas práticas, as viagens de estudo e a participação em agremiações e clubes (leitura, coral, banda de música, grêmios das armas etc), aclaram muito bem a atmosfera educacional dos colégios militares. Some-se a isso a atenção ao compartilhar com o grupo, desenvolvendo projetos em torno de desafios e experiências em que existem a cooperação e a interação. Assim se referiu o ex-aluno Emanuel Pessoa sobre a sua passagem pelo Colégio Militar de Fortaleza (PESSOA, 2018):
Não nasci rico. Ao contrário, nasci pobre. Contudo, tive cinco grandes fortunas em minha educação. Minha mãe, Conceição Pessoa, o Colégio Militar de Fortaleza, a Universidade Federal do Ceará, Harvard Law School e a Universidade de São Paulo. Mainha, a mais importante das fortunas, foi uma escolha do destino. As demais decorreram do meu mérito individual,
sendo que, dentre estas, nenhuma contribuiu tanto para minha formação quanto o Colégio Militar. Lá, fui educado para aprender o valor de seguir as regras para um convívio social harmônico e as recompensas decorrentes dessa prática, um conhecimento importante até mesmo para poder decidir, com sabedoria, quando as quebrar. Em um local no qual o filho do grande empresário e o da retirante eram premiados ou punidos conforme os mesmos critérios, ensina-se o valor da igualdade de uma forma muito mais verdadeira e intensa que qualquer livro de sociologia. Ao sermos obrigados a marchar no sol porque o grupo não performou a contento, desencoraja-se o free-rider, aquela figura odiosa que nada faz e se beneficia do esforço alheio; afinal, se um não contribui, todos pagam, criando um forte incentivo moral para o espírito de grupo. O uso de uniformes e a padronização de cabelos, pelos faciais e adereços impede aquelas distinções de posses que oprimem os desabonados e incutem nos jovens um senso de hierarquia social, além de desenvolver um dever de cuidado tão importante para a apresentação pessoal. Participar de formaturas militares, prestar continência à bandeira e aos integrantes das Forças Armadas e cantar hinos não fazem de ninguém uma pessoa sem senso crítico, mas alguém que ama seu país, respeita os mais antigos e aprecia o bom funcionamento das instituições. Os Colégios Militares não formam apenas grandes homens públicos, profissionais privados bem-sucedidos ou militares de elite. Eles formam cidadãos de bem.
Ainda neste tema, julgo importante um testemunho pessoal deste autor. Durante o período do meu Comando à frente do CMF, incomodava-me abordagens feitas por profissionais da educação, que normalmente não detinham um pleno conhecimento do Sistema com questionamentos acerca da disciplina militar praticada na escola. Em uma dessas situações, foi feita, por uma rede de TV local, uma série de reportagens com foco no sucesso da escola no IDEB. Um aluno do 3º ano do ensino médio foi indagado, em uma entrevista, se as supostas limitações representadas pela disciplina militar, com regras rígidas, não lhe significavam uma dificuldade a mais, particularmente num momento em que ele estava por definir sua escolha profissional por intermédio da prova do ENEM. Ele disse que de forma alguma. Argumentou que seu objetivo era ser médico. Como tal, teria que manter, dentro de uma sala de cirurgia, por exemplo, a ordem, a atenção e o cuidado com os parâmetros exigidos nessa atividade profissional. E tudo o que viveu nos setes anos de Colégio Militar foram muito importantes para a aquisição de práticas e reflexos comportamentais e atitudinais. Ao final da matéria, houve a colocação, por parte de uma pedagoga, de que não concordava com a disciplina militar por ela inibir inciativas e limitar a criatividade. Não era o que eu observava naquela escola. A disponibilidade de atividades tão diversas comprovava isso.
Ou seja, a disciplina militar, longe de funcionar como um estorvo ou uma barreira, cria uma ótima atmosfera, de ordem, respeito e proatividade para que o aprendizado seja devido e ainda se descubram e se alarguem talentos.
Além disso, há ações incorporadas ao dia a dia, como por exemplo os conselhos de classe, realizados em período trimestral, onde representantes de turmas, mestres e demais agentes de ensino, incluídos aí membros da administração da escola, são colocados frente a frente para expor e debater sobre os acertos e erros, as dificuldades e os progressos. É comum que avanços sejam concretizados nessas práticas. Novamente me remetendo à experiência pessoal, nos conselhos que tive a oportunidade de acompanhar, quando do meu período de Diretor de Ensino, não presenciei constrangimentos. Discussões e colocações sinceras, disciplinadas e leais estavam no foco. Algumas soluções se encaminhavam. Quando isso não era possível, e boa parte daquelas situações estava circunscrita às dificuldades administrativas relacionadas a instalações antigas e em fase de adequação, ficava a ideia da análise dos temas e problemas com amadurecimento e com possibilidade de crescimento de todos os atores ali presentes.
Muitas iniciativas poderiam ainda ser citadas, nos âmbitos esportivo, social, ou cultural para caracterizar o pluralismo de ideias e o estímulo à inventividade. Um outro exemplo são os Jogos da Amizade, competição esportiva que reúne representantes das 13 unidades do SCMB, realizadas de forma alternada, um ano na EsPCEx (Escola Preparatória de Cadetes do Exército), em Campinas-SP, e outro ano na AMAN (Academia Militar das Agulhas Negras), em Resende-RJ. São aproximadamente 1500 crianças e adolescentes que durante uma semana competem por suas escolas em diferentes modalidades: futebol, natação, atletismo, judô, xadrez, hipismo, voleibol, basquete, handebol, corrida de orientação e pentatlo moderno (esgrima, corrida, natação, tiro e hipismo). As atividades são supervisionadas por profissionais e executadas pelos próprios alunos, com o objetivo de incrementar a liderança e a iniciativa, o desenvolvimento de habilidades e talentos individuais e coletivos, procurando associar o esporte à melhoria da qualidade de vida. Além da parte esportiva, coloca-se em funcionamento uma central de mídia formada por alunos de todos os CM, que se apresentam como repórteres, com a finalidade de cobrir o evento e fazer a seleção e a edição de imagens para posterior divulgação. Em uma das noites, acontece um evento
artístico-cultural, com apresentações de música, dança ou teatro, de tema livre. Além disso, reúne-se a Banda de Música do Sistema Colégio Militar do Brasil, integrada por alunos de todas as unidades, que toca nas cerimônias de abertura e de encerramento, e no evento cultural.
Outra atividade realizada e que ilustra muito bem a importância atribuída à uma formação completa do cidadão, foi o 2º Desafio Global do Conhecimento. Organizado entre os dias 4 e 7 de outubro de 2017, em Brasília, com a participação de aproximadamente 400 alunos oriundos dos treze colégios, o Desafio foi dividido em cinco oficinas distintas: Feira de Ciências, Feira de Robótica, Olimpíada de Matemática, Quiz (jogos de perguntas e respostas) e uma simulação de órgãos das Nações Unidas, denominado Mundo CM. A DEPA estabeleceu como objetivos para o 2º Desafio Global: promover o congraçamento entre os colégios militares, desenvolver valores necessários à formação do cidadão, estimular a atividade extraclasse como indutora do melhor rendimento escolar, fortalecer a integração, projetar a imagem do Sistema e do EB junto ao público externo, aprimorar processos de inovação e dinamismo para acelerar o efeito escola e incentivar jovens alunos por meio de atividade científica e cultural. A iniciativa foi inédita e buscou abranger todas as áreas do conhecimento. O tema central foi “INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE” e a ideia foi realizar um grande fórum de apresentações com propostas de soluções dadas pelos alunos aos problemas relacionados ao assunto. (REVISTA VERDE OLIVA, 2017)
Tais concepções seguem, também, os princípios previstos no Art. 3º da LDB: a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; o respeito à liberdade e o apreço à tolerância. (BRASIL, 1996)
Lembre-se, ainda, que o Art. 12 das LDB recomenda o estreito relacionamento e integração escola/família/comunidade, numa articulação com vistas ao acompanhamento dos resultados dos alunos. Este é, também, o quarto passo apresentado por Antunes (2013, p. 122) na sua obra.
De acordo com Gerundo, em pesquisa realizada em uma das unidades do SCMB, dentre os vários fatores que interferem no processo de ensino aprendizagem, prejudicando-o, está uma ineficiente educação familiar:
Os pais, principalmente, de forma deliberada ou inconscientemente, podem permitir ou obstruir o processo de construção da individualidade de seus filhos; o ambiente familiar precisa satisfazer as necessidades básicas de afeto, apego, desapego, segurança, disciplina, aprendizagem e comunicação, pois é nele que se estrutura a mais importante forma de aprendizagem: a de estabelecer vínculos, isto é, a capacidade de aprender a se relacionar; por trás de muitos distúrbios de aprendizagem ou de inadaptação da criança à escola, esconde-se algum tipo de tensão emocional cuja origem encontra-se no universo familiar; não é possível compreender-se a criança separada do seu lar; ela só pode obter maturidade emocional quando os adultos, com os quais convive, são emocionalmente maduros; é preciso que se valorize o trinômio família - aprendizagem - escola de cuja harmonia depende o desenvolvimento satisfatório da criança; a escola, um dos mais importantes agentes de promoção de equilíbrio infantil e juvenil, pode compensar "déficits" oriundos de uma ineficiente educação familiar; a atuação do professor deve divergir conforme a procedência das crianças; a família é influenciada pelos sistemas que condicionam seu funcionamento, por exemplo, sua situação socioeconômica; é muito relativo afirmar-se que crianças oriundas de classes média e alta têm sucesso de aprendizagem garantido, ou que as procedentes de classes sociais inferiores são fadadas ao fracasso escolar; tanto é prejudicial à aprendizagem, a carência de estimulação, como o excesso desta. (GERUNDO, 2013).
Aqui novamente uma digressão pessoal que julgo importante. Uma das dificuldades que encontrei na minha experiência como Diretor foi trazer as famílias à participação dentro da escola. Isso precisa estar sempre na pauta. Mas não são todos os responsáveis que têm o entendimento do quão fundamental é o engajamento na educação dos seus dependentes.
Como Comandante do Colégio Militar de Fortaleza, efetivei algumas tentativas para tornar as reuniões de pais mais atrativas, com a realização à noite ou nos sábados pela manhã, a fim de favorecer a presença daqueles que trabalhavam; atividades culturais foram programadas, com a apresentação de peças de teatro ou números musicais protagonizados pelas crianças; palestras com assuntos voltados para a formação do jovem ou de alcance pedagógico também foram previstas. Nunca se conseguiu uma presença superior a 30% dos responsáveis. E mesmo com os constantes comunicados da Seção Psicopedagógica, apresentados sempre que resultados ruins surgiam, era comum que somente mais ao final do ano letivo, ou às vésperas das últimas provas do período escolar, algumas famílias procurassem a escola.
Neste mister, com o apoio dos comandantes de quarteis da área, foi realizado um esforço a mais. Foram provocadas reuniões com os pais e
responsáveis que eram militares da ativa, durante o horário do expediente, nas próprias organizações militares em que serviam. O Diretor de Ensino esteve presente juntamente com o Comandante do Corpo de Alunos e o Chefe da Seção Psicopedagógica. Pautou-se a importância de uma maior participação no dia a dia da escola e nas eventuais reuniões para as quais eram convocados, com reflexos positivos para a educação e a formação de seus dependentes.
Os agentes de ensino se ressentem de uma maior presença familiar. Uma professora com vinte e quatro anos de vivência dentro do SCMB, ao responder a pesquisa, assim se expressou quando da análise do perfil dos atuais alunos e ao confrontar o tema “família versus escola”:
Voltando meu olhar para o colégio como um todo, observo que os discentes de um modo geral, perderam o sentido de pertencimento. Diferente dos meus primeiros anos no SCMB, não percebo aquele espírito coletivo, o sentido do ‘espírito de corpo’. O individualismo, o egoísmo tem se mostrado crescente entre nossos jovens. A pouca importância ao próximo, a baixa valorização do espaço físico da escola, de suas instalações e mobiliários mostram um jovem que vê as pessoas e os recursos no seu entorno como se tudo estivesse a seu serviço e não há nele a menor intenção da contrapartida ou da retribuição. Acredito que a escola nunca substituirá a família e que muitas dessas distorções são trazidas do seio familiar, mas penso que a escola tem esse papel de confrontar realidades, possibilitando sempre novos olhares e um novo patamar de observação. Podemos influenciar positivamente nossos jovens, mas para isso temos que buscar uma educação mais voltada para o ‘humano’, principalmente no Ensino Fundamental.
O segundo e sétimo passos citados por Antunes (2013) se referem à existência de professores preparados que buscarão transformar o espaço instrucional em um lugar forjador de alegria e empreendedorismo. O corpo docente é um dos principais ativos do SCMB. O Projeto Pedagógico, que destaca o ensino por competências como uma das características importantes do modelo escolar adotado, vincula o sucesso ou o fracasso de cada aluno à eficácia da atuação dos respectivos professores, além da influência de outros fatores externos à escola.
A Diretoria de Educação Preparatória e Assistencial (DEPA) produziu um Caderno de Didática que detalha o ensino por competências e a melhor forma de implementá-lo, com orientações específicas aos professores acerca da afetividade que deve permear as relações professor-aluno:
Por esse motivo, as relações professor-aluno precisam se basear numa relação afetiva da qual depende o desenvolvimento das competências atitudinais, por exemplo. Não se pode ensinar respeito, sem que se viva e conviva num ambiente em que haja respeito. Nesse sentido, num Sistema de Ensino, como o SCMB, guardião dos costumes e valores caros ao Exército Brasileiro e à Comunidade em que se vive, as relações escolares baseadas na afetividade e emoção, principalmente numa afiliação teórico pedagógica que valoriza essa conduta, torna-se imprescindível para a construção da aprendizagem e para a formação do sujeito. (DEPA, 2016a).
Um agente de ensino assim se colocou quanto ao tema afabilidade entre educadores e educandos:
A afetividade e aprendizagem: relação professor/aluno é muito importante para que todos educadores reflitam no fazer como educador dentro de uma sala de aula. É importante que o professor entenda que o lugar que ele ocupa em relação aos seus alunos não é apenas daquele que ensina, mas sim daquele que deixa marcas. Para isso, é de fundamental importância que o professor esteja consciente de sua responsabilidade, tomando decisões de acordo com os valores morais e as relações sociais de sua prática, considerando, ainda, as condições de vida familiar e social de seus alunos. Reiteramos, ainda, a relação de afetividade professor/aluno enfatizando o respeito unilateral da criança pelo adulto sendo este trabalhado em cooperação da convivência em grupo a partir da experiência histórica de cada um e de seu próprio nível de desenvolvimento. Enfim, fica evidente a importância de todos nós educadores na vida do aluno, acreditando que o professor faz a diferença. Não podemos deixar de reconhecer que a escola, portanto, deve voltar-se para a qualidade de suas ações e relações, valorizando o desenvolvimento afetivo, social e não apenas o cognitivo, como elementos fundamentais no desenvolvimento do aluno para como um todo.
A qualificação do corpo docente é uma marca importante do SCMB, é vista como prioridade e pode ser confirmada pelos dados apresentados pela DEPA sobre as titulações dos professores:
Gráfico 1: Percentual de professores por titulação - 2017. Fonte: DEPA
O passo número 3 da obra de Antunes (2013) diz respeito a uma gestão eficiente como mais um dos fatores essenciais para o sucesso de uma escola pública.
No que tange à designação dos diretores (comandantes) dos colégios militares, existem critérios preconizados pelo Comando do Exército, a partir de um processo seletivo rigoroso, considerando coronéis com nunca menos de vinte e cinco anos de efetivo serviço, cinquenta anos de idade e que se destacaram em um