• Nenhum resultado encontrado

SUSEPE DIREITO MAURO STURMER

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "SUSEPE DIREITO MAURO STURMER"

Copied!
144
0
0

Texto

(1)

MAURO STURMER

DIREITO

PROCESSUAL PENAL

(2)

Olá, Pessoal!

Espero que você tenha a melhor preparação para seu concurso. Este material está bem completo e irá lhe auxiliar durante a preparação dos seus estudos.

Agora larga o celular e presta atenção! Bons estudos!

Abraços!

Prof. Mauro Sturmer @prof.maurosturmer

(3)

1. INQUÉRITO POLICIAL ... 5

1.1. PERSECUÇÃO PENAL ... 5

1.2. INQUÉRITO ... 5

1.3. INSTAURAÇÃO DO IP ... 7

1.4. CRIMES DE AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA ... 9

1.5. CRIMES DE AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA (ART. 5º, §4º, CPP) . 10 1.6. CRIMES DE AÇÃO PENAL DE INICIATIVA PRIVADA (ART. 5º, §5º, CPP) ... 10

1.7. CARACTERÍSTICAS DE UM INQUÉRITO ... 11

1.8. PRAZO DO IP ... 17

1.9. VÍCIOS ... 19

1.10. PROCEDIMENTOS ... 19

1.11. INDICIAMENTO ... 24

1.12. ENCERRAMENTO DO IP ... 25

1.13. INVESTIGAÇÃO CRIMINAL DEFENSIVA ... 29

2. AÇÃO PENAL ... 30

2.1. CONDIÇÕES DA AÇÃO PENAL ... 30

2.2. CLASSIFICAÇÃO DA AÇÃO PENAL ... 31

2.3. PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL ... 32

2.4. AÇÃO PENAL PÚBLICA ... 33

2.5. AÇÃO PENAL PRIVADA ... 35

2.6. AÇÃO PENAL – PEÇAS ACUSATÓRIAS ... 37

2.7. INSTITUTOS PREVISTOS APENAS PARA A AÇÃO PENAL PRIVADA ... 37

2.8. PERDÃO – AÇÃO PENAL PRIVADA ... 39

2.9. AÇÃO CIVIL – EX DELICTO ... 42

3. COMPETÊNCIAS E JURISDIÇÃO ... 44

3.1. CONCEITOS ... 44

3.2. JURISDIÇÃO x COMPETÊNCIA ... 44

3.3. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DOS CONFLITOS ... 44

Direito Processual Penal

Prof. Mauro Sturmer

(4)

3.4. CARACTERÍSTICAS DA JURISDIÇÃO ... 45

3.5. ESPÉCIES DA JURISDIÇÃO ... 45

3.6. COMPETÊNCIA ... 46

4. PROVAS ... 70

4.1. CONCEITO DOUTRINÁRIO ... 70

4.2. LIBERDADE DE PROVAS ... 70

4.3. OBJETIVO DA PROVA ... 70

4.4. PRINCÍPIOS GERAIS DA PROVA ... 71

4.5. SISTEMAS DE VALORAÇÃO DA PROVA ... 73

4.6. ELEMENTOS INFORMATIVOS E PROVA ... 74

4.7. PROCEDIMENTO PROBATÓRIO ... 78

4.8. PROVA EMPRESTADA ... 78

4.9. PROVA ILEGAL ... 79

4.10. AVISO DE MIRANDA ... 81

4.11. LIMITAÇÃO A PROIBIÇÃO DA PROVA ILÍCITA ... 81

4.12. DESCONTAMINAÇÃO DO JULGADO ... 83

4.13. PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE ... 84

4.14. PROVAS EM ESPÉCIE ... 85

4.15. PERITO ... 89

4.16. INTERROGATÓRIO ... 91

4.17. TESTEMUNHAS ... 94

5. PRISÕES ... 98

5.1. ESPÉCIES DE PRISÃO ... 98

5.2. PRISÃO EM FLAGRANTE ... 99

5.3. PRISÃO PREVENTIVA ...103

5.4. PRISÃO PREVENTIVA DOMICILIAR ... 109

5.5. DAS OUTRAS MEDIDAS CAUTELARES ... 110

5.6. DA LIBERDADE PROVISÓRIA, COM OU SEM FIANÇA ... 112

6. SUJEITOS PROCESSUAIS ... 118

6.1. CONCEITO ... 118

(5)

6.2. ESPÉCIES ... 118

6.3. JUIZ PENAL ... 119

6.4. MINISTÉRIO PÚBLICO ... 121

6.5. ACUSADO ... 124

6.6. ASSISTENTES ... 126

6.7. FUNCIONÁRIOS DA JUSTIÇA ...130

6.8. PERITOS E INTÉRPRETES ...130

7. COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS ... 132

7.1. CITAÇÕES ... 132

7.2. INTIMAÇÕES ... 141

(6)

1. INQUÉRITO POLICIAL

O processo penal não serve apenas para que o Estado aplique o seu direito de punir, mas também para que o indivíduo possa defender-se deste Estado.

1.1. PERSECUÇÃO PENAL

O caminho a ser percorrido pelo Estado para exercer seu direito de punir:

* Para todos verem: esquema abaixo.

1.2. INQUÉRITO

1.2.1. Conceito

Procedimento administrativo, preparatório e inquisitivo, presidido pela autoridade policial, que tem por finalidade reunir elementos necessários à apuração da prática de uma infração penal e sua autoria, a fim de propiciar a propositura da denúncia ou queixa.

1.2.2. Natureza Jurídica

Pessoal, sempre que lhe for perguntado: “Qual a natureza Jurídica?” de algum instituto, na verdade, o que se deseja saber é: “o que é isso para o direito”.

É um procedimento administrativo – não é processo, pois não se constitui de uma relação trilateral (delegado – parte A, parte B contraria – contraditório e ampla defesa), por isso se fala em investigado, que pode ser o objeto de uma investigação.

Atenção! isso não permite ao delegado desrespeitar direitos e garantias fundamentais compatíveis com o procedimento.

ETAPA1ª Extraprocessual Inquisitiva Inquérito ETAPA2ª Judicial Contraditória Processo

(7)

1.2.3. Espécies de Inquéritos

Art. 4º - CPP - A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria.

§ único: A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função.

* Para todos verem: esquema abaixo.

Policiais

•Inquérito Policial

•Delegados de Polícia de Carreira - PC ou PF

Não Policiais

•Inquéritos Parlamentares - Súmula 397 do STF (Crime Ocorrido na CD ou

•InquéritosSF) Presididos por Autoridades Judiciárias ou do MP

•Inquérito Civil - MP

•Inquéritos Policiais Militares - IPM

(8)

1.2.5. Destinatários

* Para todos verem: esquema abaixo.

1.2.6. Finalidade

Fornecer elementos de convicção para que o titular da ação penal (MP ou Ofendido) ingressem em juízo.

1.3. INSTAURAÇÃO DO IP

Colegas, estamos diante de um dos pontos mais cobrados. Logo, larga o celular e leia com MUITA atenção.

Art. 5o Nos crimes de ação pública (incondicionada) o inquérito policial será iniciado:

I - de ofício;

II – mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.

Destinatários

Imediatos

MP (Ação Penal Pública)

Ofendido ou Rep. Legal (Ação Penal Privada)

Mediato Juiz -para fundamentar decisões cautelares (prisão preventiva,

busca e apreensão, etc...)

(9)

§ 1o O requerimento a que se refere o no II conterá sempre que possível:

a) a narração do fato, com todas as circunstâncias;

b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração, ou nomeação das testemunhas motivos de impossibilidade de o fazer;

c) a, com indicação de sua profissão e residência.

§ 2o Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de Polícia.

§ 3o Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito.

§ 4o O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação (condicionada a representação), não poderá sem ela ser iniciado.

§ 5o Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.

(10)

1.4. CRIMES DE AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA

A) De ofício – a autoridade inicia o IP sem a necessidade de que alguém o informe, toma conhecimento da infração sem a necessidade da ação penal, a peça inaugural é uma portaria e se trata de uma cognição imediata.

B) Requisição do juiz ou do MP – o delegado age provocado pelo juiz ou pelo MP – a peça inaugural pode ser a própria requisição, ou pode ser uma portaria, faz em cima da requisição uma portaria, é uma cognição mediata.

Importante saber para os casos de HC. Autoridade Coatora.

C) Requerimento da vítima ou do seu representante legal – art. 5º, II CPP

A peça inaugural pode ser a petição da vítima, ou o delegado inaugura por portaria, trata- se de uma cognição mediata.

Art. 5º, CPP:

§ 1º O requerimento a que se refere o no II conterá sempre que possível:

a) a narração do fato, com todas as circunstâncias;

b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração, ou nomeação das testemunhas motivos de impossibilidade de o fazer;

c) a, com indicação de sua profissão e residência.

§ 2o Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de Polícia.

(11)

D) Flagrante – pode ser instaurado mediante prisão em flagrante.

A peça inaugural é o auto de prisão em flagrante, trata-se de uma cognição coercitiva.

E) Notícia formulada por qualquer do povo – art. 5º, § 3º CPP.

§ 3o Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito.

A notícia pode ser anônima?

Notícia anônima pode fundamentar a instauração de IP, desde que se apure preliminarmente a viabilidade da notícia, investiga antes, realiza rápida diligência para verificar a veracidade da notícia, se procedente elabora portaria e instaura o IP.

1.5. CRIMES DE AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA (ART. 5º, §4º, CPP)

§ 4o O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação (Ação Penal Pública Condicionada), não poderá sem ela ser iniciado.

1.6. CRIMES DE AÇÃO PENAL DE INICIATIVA PRIVADA (ART. 5º, §5º, CPP)

§ 5o Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.

(12)

1.7. CARACTERÍSTICAS DE UM INQUÉRITO

* Para todos verem: esquema abaixo.

1) Instrumental – o IP tem por finalidade apurar a materialidade da infração penal e indícios da autoria;

2) Obrigatório – havendo justa causa, o delegado não pode deixar de instaurar o procedimento investigatório, a autoridade não pode deixar de instaurar;

Art. 5º, § 2º, CPP

Art. 5o. Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:

§ 2o Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de Polícia.

3) Discricionário – os atos de investigação são da análise exclusiva da autoridade policial, que estudará sua conveniência e oportunidade; a discricionariedade diz respeito às diligências;

Características

Instrumental Obrigatório Discricionário

Dispensável Informativo

Escrito Sigiloso Inquisitivo Indisponível

Temporário

(13)

Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade.

Cuidado! No caso de o crime deixar vestígios (não-transeunte) o Exame de Corpo de Delito (art. 155 do CPP) será obrigatório.

4) Dispensável – se o titular da ação penal tiver provas da materialidade e indícios da autoria por outro meio, o IP é dispensável;

Art. 39.

§ 5o O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a representação forem oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de 15 dias.

5) Informativo – os elementos colhidos no IP servirão apenas para subsidiar a ação penal;

Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.

Em razão disso com base exclusivamente no elementos colhidos IP não cabe condenação, mas junto com outras provas cabe – art. 155 CPP – o IP não pode ser a única fonte para a condenação;

(14)

6) Escrito

Art. 9o Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.

7) Sigiloso

Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.

Porém ele não é sigiloso para:

(i) o juiz;

(ii) o MP – pode acompanhar o inquérito e ser o mesmo promotor na ação penal – Sumula 234 STJ.

Súmula 234 - A participação de membro do ministério público na fase investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia.

(iii) o advogado – art. 7º, XIV do EOAB e Súmula Vinculante 14.

(15)

Pessoal peço especial atenção de vocês para esses dispositivos do Estatuto da OAB. Direito dos Advogados durante sua atuação na fase inquisitiva.

Art. 7 XXI (EAOB) - assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração:

a) apresentar razões e quesitos; (perguntas...)

Art. 7, XIV da Lei 8.906/94 (EOAB) - examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital;

Súmula Vinculante 14

É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

(16)

DIREITO DO ADVOGADO DE EXAMINAR OS AUTOS DE INVESTIGAÇÃO:

Estatuto da OAB (Lei nº 8.906/94)

ANTES AGORA

Art. 7º São direitos do advogado:

(...)

XIV – examinar em qualquer repartição policial, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de inquérito, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade podendo copiar peças e tomar apontamentos;

Art. 7º São direitos do advogado:

(...)

XIV – examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital.

Art. 7º, § 11 do EOAB. No caso previsto no inciso XIV, a autoridade competente poderá delimitar o acesso do advogado aos elementos de prova relacionados a diligências em andamento e ainda não documentados nos autos, quando houver risco de comprometimento da eficiência, da eficácia ou da finalidade das diligências. (Incluído pela Lei nº 13.245, de 2016)

Art. 7º, § 12 do EOAB. A inobservância aos direitos estabelecidos no inciso XIV, o fornecimento incompleto de autos ou o fornecimento de autos em que houve a retirada de peças já incluídas no caderno investigativo implicará responsabilização criminal e funcional por

(17)

abuso de autoridade do responsável que impedir o acesso do advogado com o intuito de prejudicar o exercício da defesa, sem prejuízo do direito subjetivo do advogado de requerer acesso aos autos ao juiz competente.

Uma pergunta interessante?

A nova legislação trouxe a necessidade de o Advogado estar presente no IP?

Não. É pacífico o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o inquérito policial é procedimento inquisitivo e não sujeito ao contraditório, razão pela qual a realização de interrogatório sem a presença de advogado não é causa de nulidade. (...) STJ. 6ª Turma. HC 139.412/SC.

O Delegado não me autorizou a ter acesso ao IP. É possível alegar suspeição do Delegado que preside um IP? Não.

Art. 107 do CPP - Não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito, mas deverão elas declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal.

8) Inquisitivo – não havendo acusado, mas somente suspeito, não se aplica ao IP o contraditório e a ampla defesa.

(18)

9) Indisponível – art. 17 CPP.

Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.

10) Temporário – é uma garantia constitucional, art. 5º, LXXVIII, CF – duração razoável do processo.

Art. 5º.

LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.

O IP pode ser prorrogável, nos casos autorizados pela norma, enquanto for necessário, devendo se comprovar a justa necessidade em cada prorrogação.

1.8. PRAZO DO IP 1.8.1. REGRA GERAL

Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela. § 3o Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá requerer ao juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo marcado pelo juiz.

(19)

Indiciado preso – 10 dias. Improrrogável Indiciado solto – 30 dias. Prorrogável

1.8.2. PRAZOS ESPECIAIS

 Lei 5.010/66 – prazo de conclusão do IP na justiça Federal – art. 66:

o Indiciado preso - 15 dias, prorrogado por mais 15 dias;

 Segundo o art. 66, o preso deverá ser apresentado ao Juiz para a prorrogação.

o Indiciado solto – 30 dias, prorrogáveis a critério do juiz – segue o CPP.

 Lei 11.343/06 – lei de drogas

• Indiciado preso – 30 dias, prorrogável por mais 30 dias;

• Indiciado solto – 90 dias, prorrogável por mais 90 dias.

1.8.3. PRAZO MÁXIMO PARA INSTAURAÇÃO

Art. 13-B. Se necessário à prevenção e à repressão dos crimes relacionados ao tráfico de pessoas, o membro do Ministério Público ou o delegado de polícia poderão requisitar, mediante autorização judicial, às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso

§ 3o Na hipótese prevista neste artigo, o inquérito policial deverá ser instaurado no prazo máximo de 72 (setenta e duas) horas, contado do registro da respectiva ocorrência policial.

(20)

1.9. VÍCIOS

Não sendo o Inquérito Policial um ato do Poder Judiciário, mas sim um procedimento administrativo os vícios que existam nesta fase da persecução penal não acarretam nulidade processual.

Cuidado! A irregularidade poderá, entretanto, acarretar a invalidade de um ato. É o que ocorre com a prisão em flagrante irregular etc.

1.10. PROCEDIMENTOS

O artigo abaixo é conhecido como a “Cartilha do Delegado”, pois é nele que deve a Autoridade Policial basear sua atuação no IP. As diligências que irá/poderá realizar. Saber a literalidade deste dispositivo é fundamental.

Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá:

I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais;

II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais;

III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias;

IV - ouvir o ofendido;

V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que Ihe tenham ouvido a

(21)

VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações;

VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias;

VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes;

IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter.

OBSERVAÇÕES QUANTO AOS PROCEDIMENTOS

1) Local dos Fatos: Exceção – lei 5.970/73 – no seu art. 1º, diz que no caso de acidente de trânsito, que esteja colocando em perigo pessoas ou atrapalhando o trânsito, não precisa manter o estado de conservação.

2) O interrogatório policial, primeiro, se houver defensor, é possível entrevista reservada, mas no interrogatório policial é dispensável a presença do defensor (prerrogativa do advogado); primeiro o delegado pergunta sobre o suspeito, depois pergunta sobre o fato, mas não há contraditório, não existe reperguntas, pois o IP é inquisitivo; tem delegado que autoriza as reperguntas

3) Acusado menor de 21 anos, no interrogatório judicial não precisa de curador, porque a Lei 10.792/03 aboliu a figura do curador no interrogatório judicial (aboliu porque a presença do advogado mostra que é totalmente dispensável, pois faz às vezes de curador); no IP, art.

(22)

15 CPP prevê que precisa de curador, mas este artigo foi implicitamente revogado pelo CC/02, não sendo mais preciso de curador.

Art. 15. Se o indiciado for menor, ser-lhe-á nomeado curador pela autoridade policial. (implicitamente revogado pelo CC/02)

4) Identificação Criminal: Parece que todo o indiciado deve tocar piano, mas não é assim, mudou com a CF/88. Até a CF/88 – o art. 6º, VIII CPP – qualquer indiciado tocava piano;

com a CF/88, no art. 5º, LVIII – diz que: “o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei”.

Previu como regra a identificação civil, sendo a exceção a identificação datiloscópica; casos expressos em lei – Lei 12.037/09. Com a CF a regra é a identificação civil, por documento hábil; a exceção é a identificação datiloscópica.

Novo inciso no art. 6 do CPP

X - colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)

Art. 7º - reprodução simulada dos fatos, (reconstituição)

(23)

Reconstituição (reprodução simulada dos fatos) Previsão Legal:

Art. 7o Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a autoridade policial poderá (discricionariedade) proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública.

• Não pode realizar o expediente se contrariar a moral (ex. reconstituição de estupro) e a ordem pública (ex. reconstituição de um acidente de avião – quer que dois aviões se choquem no ar), é a reconstituição que coloque em perigo a sociedade;

• O suspeito não é obrigado a participar do ato de reconstituição, quer dizer tomar parte no ato, produzindo prova contra si mesmo.

Colega, muita atenção a essa Novidade Legislativa – Art. 13 CPP

Art. 13-A. Nos crimes previstos nos arts. 148, 149 e 149-A, no § 3º do art. 158 e no art. 159 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), e no art. 239 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), o membro do Ministério Público ou o delegado de polícia poderá requisitar, de quaisquer órgãos do poder público ou de empresas da iniciativa privada, dados e informações cadastrais da vítima ou de suspeitos.

Parágrafo único. A requisição, que será atendida no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, conterá:

I - o nome da autoridade requisitante;

II - o número do inquérito policial; e

(24)

III - a identificação da unidade de polícia judiciária responsável pela investigação.

Art. 13-B. Se necessário à prevenção e à repressão dos crimes relacionados ao tráfico de pessoas, o membro do Ministério Público ou o delegado de polícia poderão requisitar, mediante autorização judicial, às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)

§ 1o Para os efeitos deste artigo, sinal significa posicionamento da estação de cobertura, setorização e intensidade de radiofrequência.

§ 2o Na hipótese de que trata o caput, o sinal:

I - não permitirá acesso ao conteúdo da comunicação de qualquer natureza, que dependerá de autorização judicial, conforme disposto em lei;

II - deverá ser fornecido pela prestadora de telefonia móvel celular por período não superior a 30 (trinta) dias, renovável por uma única vez, por igual período;

III - para períodos superiores àquele de que trata o inciso II, será necessária a apresentação de ordem judicial.

§ 3o Na hipótese prevista neste artigo, o inquérito policial deverá ser instaurado no prazo máximo de 72 (setenta e duas) horas, contado

(25)

§ 4o Não havendo manifestação judicial no prazo de 12 (doze) horas, a autoridade competente requisitará às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso, com imediata comunicação ao juiz.

1.11. INDICIAMENTO

É o ato pelo qual o delegado atribui a alguém a prática de uma infração penal, baseado em indícios da autoria e prova da materialidade.

Pergunta: seria possível o indiciamento determinado por um juiz ou promotor? O SFT já respondeu e disse que NÃO.

STF. 2ª Turma. HC 115015/SP, rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 27/8/13 (Info 717).

O indiciamento é ato privativo da autoridade policial, segundo sua análise técnico-jurídica do fato. O juiz não pode determinar que o Delegado de Polícia faça o indiciamento de alguém.

Lei 12.830/13

Art. 2, § 6o- O indiciamento, privativo do delegado de polícia, dar-se-á por ato fundamentado, mediante análise técnico-jurídica do fato, que deverá indicar a autoria, materialidade e suas circunstâncias.

(26)

1.12. ENCERRAMENTO DO IP 1.12.1. Previsão legal

Art. 10. § 1o A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz competente.

§ 2o No relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas, mencionando o lugar onde possam ser encontradas.

 O IP encerra com a apresentação de minuciosos relatórios, faz um resumo do que foi feito.

 Se o relatório não foi feito? Não gera a nulidade, é mera irregularidade.

 O IP é encaminhado para o juiz competente

 O juiz deve verificar se a caso de Ação Penal de Iniciativa Pública ou Ação Penal de Iniciativa Privada – art. 19, CPP – se for ação penal privada fica aguardando o requerente, se for ação penal pública é remetido ao MP. Tudo na forma do artigo abaixo:

Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado.

(27)

1.12.2. Procedimentos no encerramento

Aqui preciso muito, mas muito mesmo da atenção dos senhores(as).

Em 2019 tivemos uma alteração legislativa que atribuiu ao MP o arquivamento do IP (ela consta do art. 28 do CPP). Ocorre que o STF, em decisão liminar, suspendeu sua aplicação. Em face disso, atualmente, usamos o revogado art. 28 do CPP (que exige uma decisão judicial para arquivar os autos.

Aí você deve estar se perguntando: até quando isso vai ser feito dessa forma? Até que a decisão do STF seja revista.

Por essa razão, vamos trabalhar a forma como está ocorrendo hoje, na prática, o arquivamento. Assim que essa decisão for revista você será avisado. Acompanhe nossas redes sociais e a do CEISC.

Prof. Mauro

Novo art. 28 do CPP e a Suspensão pelo STF:

Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementos informativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público comunicará à vítima, ao investigado e à autoridade policial e encaminhará os autos para a instância de revisão ministerial para fins de homologação, na forma da lei. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

§ 1º Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o arquivamento do inquérito policial, poderá, no prazo de 30 (trinta) dias do recebimento da comunicação, submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme dispuser a respectiva lei orgânica. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

(28)

§ 2º Nas ações penais relativas a crimes praticados em detrimento da União, Estados e Municípios, a revisão do arquivamento do inquérito policial poderá ser provocada pela chefia do órgão a quem couber a sua representação judicial. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

Importante! O STF (Min. Luiz Fux) suspendeu o trecho que modificou o Artigo 28 do Código de Processo Penal (CPP) e estabeleceu regras para o arquivamento de inquéritos policiais.

Com a norma, o Ministério Público (MP) deveria comunicar a vítima, o investigado e a polícia no caso de arquivamento do inquérito, além de encaminhar os "autos para a instância de revisão ministerial para fins de homologação, na forma da lei". Para Fux, a medida desconsiderou os impactos financeiros no âmbito do MP em todo o país.

Ao receber os autos o Juiz (Poder Judiciário) deve:

1) no caso de ação penal pública encaminhar os autos ao MP;

2) Ação Penal Privada (art. 19 do CPP) deixar os autos em cartório aguardando manifestação.

Quando os autos estiverem com o MP ele poderá:

1) Requerer Diligências

Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial, senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.

2) Oferecer a Denúncia (peça que inaugura a ação penal pública) 3) Requer o Arquivamento

4) Alegar ausência de atribuição (MP) ou competência (Juízo) –

(29)

Arquivamento indireto

Arquivamento

• Quem pode arquivar? Atualmente somente o Juiz, após promoção neste sentido do Ministério Público.

• Se o MP promover o arquivamento e o Juiz não concordar? Neste caso o magistrado lança mão do artigo 28 do CPP, a saber:

Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender.

(30)

Entenda o art. 28 do CPP:

No caso de o Juiz discordar ele encaminha os autos ao PGJ (na JE) ou a Câmara de Coordenação e Revisão (JF).

• Justiça Estadual

• O PGJ poderá adotar três procedimentos:

1) Concorda com o Juiz e ele mesmo oferece a denúncia;

2) Designa outro Representante do MP para oferecê-la (não pode ser o mesmo que pediu o arquivamento);

3) Discorda do Juiz (concordando ser caso de arquivamento) nesta situação o MM é obrigado a arquivar.

1.13. INVESTIGAÇÃO CRIMINAL DEFENSIVA

A Lei nº 13.432/2017 dispõe sobre o exercício da profissão de detetive particular.

Art. 2º. Considera-se detetive particular "o profissional que, habitualmente, por conta própria ou na forma de sociedade civil ou empresarial, planeje e execute coleta de dados e informações de natureza não criminal, com conhecimento técnico e utilizando recursos e meios tecnológicos permitidos, visando ao esclarecimento de assuntos de interesse privado do contratante."

Detetive pode colaborar no IP? SIM. Essa possibilidade foi expressamente prevista no art.

5º da Lei nº 13.432/2017:

Art. 5º. O detetive particular pode colaborar com investigação policial em curso, desde que expressamente autorizado pelo contratante.

(31)

Parágrafo único. O aceite da colaboração ficará a critério do delegado de polícia, que poderá admiti-la ou rejeitá-la a qualquer tempo.

Pode participar de ação junto com policiais? NÃO.

Art. 10. É vedado ao detetive particular:

(...)

IV - participar diretamente de diligências policiais;

2. AÇÃO PENAL

É o direito subjetivo de pedir ao Estado-Juiz, titular exclusivo do Ius puniendi – direito de punir, a aplicação do direito penal objetivo a um caso concreto.

2.1. CONDIÇÕES DA AÇÃO PENAL

São requisitos que irão subordinar o exercício do direito de ação.

Espécies:

Condições Genéricas

1) Possibilidade jurídica do pedido – pedido na ação de estar previsto no ordenamento – tipicidade;

2) Legitimidade para agir – possibilidade de ocupar o polo passivo e ativo da ação;

3) Interesse em agir (necessidade, utilidade, adequação);

Genéricas

• Necessárias em todos os tipos de ação, para um exercício válido de tal direito.

Específicas

• Presentes apenas em determinadas ações.

(32)

4) Justa causa.

Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando:

I - for manifestamente inepta;

II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou (as condições da ação estão aqui, é a justa causa está no inciso abaixo)

III - faltar justa causa para o exercício da ação penal.

Com o novo art. 395, CPP, justa causa passa a ser considerada uma condição da ação sui generis, porque está separada das demais.

Exemplos de Condições Específicas:

• Representação do ofendido (art. 88 da Lei do JeCrim - Lei 9.099/65)

• Requisição do Ministro da Justiça (art. 145 do CP)

2.2. CLASSIFICAÇÃO DA AÇÃO PENAL

No processo civil a classificação das ações leva em conta o provimento jurisdicional invocado (ação de conhecimento, ação cautelar, ação de execução).

No processo penal a classificação se dá não pelo provimento, mas sim pela titularidade do sujeito ativo.

* Para todos verem: esquema abaixo.

Pública– titular o Ministério Público - MP Privada– Vítima ou seu representante legal

(33)

APPública

1. Incondicionada 2. Condicionada 2.1. Representação 2.2. Requisição

APPrivada

1. Personalíssima 2. Exclusiva

3. Subsidiária da Pública

Regra Geral:

Art. 100, CP – A ação penal será pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido.

2.3. PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL PÚBLICA

• Obrigatoriedade;

• Indisponibilidade;

• Oficialidade – O órgão ministerial é uma instituição Oficial – pertencente ao Estado;

• Divisibilidade.

PRIVADA

• Conveniência e Oportunidade;

• Disponibilidade - (poderá desistir da Ação – perdão ou perempção);

• Indivisibilidade.

(34)

2.4. AÇÃO PENAL PÚBLICA

2.4.1. Ação penal pública – titular é o MP – art. 129, I, CF.

Titularizada pelo MP. Tudo conforme a CF/88.

Art. 129, CF/88. São funções institucionais do Ministério Público:

I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;

Pode ser classificada em:

A) Ação penal pública incondicionada B) Ação penal pública condicionada

2.4.2. Ação penal pública incondicionada

• Regra no Direito Penal

• Titular – MP

• Não está adstrita ao preenchimento de condição alguma, salvo as condições genéricas.

2.4.3. Ação Penal Pública Condicionada: a Representação do Ofendido Representação:

• Manifestação de que tem interesse na persecução penal do agente.

• Natureza Jurídica – Condição objetiva de Procedibilidade

• Não há formalismo.

• Não vincula o Ministério Público.

(35)

• Prazo: decadencial de 6 meses.

Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante legal, decairá no direito de queixa ou de representação, se não o exercer dentro do prazo de seis meses, contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia.

• Legitimidade para a Representação (18 anos)

• Em caso de morte essa legitimidade passa ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (CADI – Art. 31).

É possível que após o agente representar ele “volte atras”, ou seja, venha a se retratar da representação?

• Sim, desde que isso ocorra até o oferecimento da denúncia.

Art. 25. A representação será irretratável, depois de oferecida a denúncia.

E a Retratação da Retratação da Representação. Seria possível?

• Sim, desde que ela seja feita no prazo decadencial de 6 meses.

(36)

2.4.4. Ação Penal Pública Condicionada: Requisição do Ministro da Justiça

• Natureza jurídica – condição específica objetiva de procedibilidade

• É ato político. Não vincula o Ministério Público a oferecer a denúncia.

• Prazo – não tem prazo decadencial, porém, o delito está sujeito ao prazo prescricional.

• Hipóteses:

o Crime cometido por estrangeiro contra Brasileiro, fora do país. (art. 7, § 3º, b, do CP)

o Crimes contra a honra praticados contra o PR (art. 141, c/c art. 145 do § único).

2.5. AÇÃO PENAL PRIVADA 2.5.1. Classificação:

Ação penal privada – em alguns casos, o crime atenta a um interesse particular da pessoa que o Estado não tem interesse. A legitimidade é do ofendido ou do representante legal;

2.5.2. Espécies:

A) Ação penal privada personalíssima – não há sucessão processual, ou seja, morrendo o ofendido, estará extinta a punibilidade;

Ocorre somente no caso do crime do art. 236 do CP.

Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento

(37)

Art. 236 - Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

§ ú - A ação penal depende de queixa do contraente enganado(somente ele pode ingressar com a queixa) e não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento.

Neste caso ocorrendo a morte do cônjuge enganado, único legitimado para ingressar com a ação penal privada, ele também será extinta, pois não é possível a sucessão processual.

B) Ação penal privada exclusivamente privada – Neste ocorre a sucessão processual, se o autor morrer, o direito de ingressar com a queixa é transmitida aos sucessores. Art. 31 do CPP – CADI (cônjuge, ascendente, descendente ou irmão)

C) Ação penal privada subsidiária da pública– só é cabível diante da inércia do MP, ou seja, se o MP não fizer nada pode se entrar com a queixa subsidiária.

Observações sobre a Ação Penal Privada Subsidiária

• É um direito fundamental que temos, pois está prevista também no rol de direitos fundamentais da CF (art. 5)

• É possível quando houver inércia do MP. A inércia ocorre quando o MP, no prazo abaixo, não oferece a denúncia, não requer o arquivamento ou qualquer diligência.

• Prazo para oferecer a Denúncia (CPP)

• Réu Preso: 5 dias

(38)

• Réu Solto: 15 dias

• Por ser uma ação inicialmente pública, o MP continua com poderes para atuação. Tudo na forma do art. 29 do CPP.

o Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal.

2.6. AÇÃO PENAL – PEÇAS ACUSATÓRIAS

• APPública - Denúncia

• APPrivada - Queixa-crime

• Requisitos – Art. 41 do CPP

• Narrativa do Fato Criminoso

• Qualificação do Acusado

o Esclarecimentos para identificá-lo

• Classificação do Crime

• Rol de Testemunhas o Quando necessário

2.7. INSTITUTOS PREVISTOS APENAS PARA A AÇÃO PENAL PRIVADA Renúncia:

• É um ato unilateral (não depende do outro) do ofendido ou do seu representante legal renunciando ao direito de promover a ação penal privada, com a consequente extinção da punibilidade;

• Só é cabível antes do início do processo;

(39)

• Renúncia concedida a um dos coautores, se estende aos demais – em virtude do princípio da indivisibilidade.

Art. 49 do CPP. A renúncia ao exercício do direito de queixa, em relação a um dos autores do crime, a todos se estenderá

Pode ser:

Renúncia expressa – é aquela feita por declaração inequívoca;

Art. 50. A renúncia expressa constará de declaração assinada pelo ofendido, por seu representante legal ou procurador com poderes especiais.

Renúncia tácita – ocorre diante da prática de ato incompatível com a vontade de processar;

• O fato de o ofendido receber indenização pelo dano causado pelo crime não implica em renúncia expressa ou tácita do direito de queixa;

Art. 104 do CP - O direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa ou tacitamente.

§ ú - Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com a vontade de exercê-lo;

(40)

COMPOSIÇÃO CIVIL DOS DANOS – JEC

Art. 74. A composição dos danos civis será reduzida a escrito e, homologada pelo Juiz mediante sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser executado no juízo civil competente.

§ ú. Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação penal pública condicionada à representação, o acordo homologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação.

2.8. PERDÃO – AÇÃO PENAL PRIVADA

Conceito: É o ato pelo qual o ofendido ou seu representante legal desiste de prosseguir com o andamento do processo já em curso, perdoando seu ofensor com a consequente extinção da punibilidade, o querelante deve aceitar, pois é bilateral.

O perdão só é cabível após o início do processo e até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória

Coautores:

- Perdão concedido a um dos coautores, estende-se aos demais, mas uns poderão aceitar e outros não.

Art. 51. O perdão concedido a um dos querelados aproveitará a todos, sem que produza, todavia, efeito em relação ao que o recusar.

- O perdão poderá ser aceito por procurador com poderes especiais.

(41)

Art. 55. O perdão poderá ser aceito por procurador com poderes especiais.

O Perdão poderá ser:

• Processual: Quando concedido dentro do processo. Neste caso a aceitação poderá ser expressa ou tácita. Será tácita quando não houver manifestação após 3 dias da intimação (deve constar do mandado de intimação) art. 58, CPP.

• Extraprocessual: Neste caso a aceitação também poderá ser expressa ou tácita. A expressa, conforme o art. 59, deverá ser feita por declaração assinada pelo querelado ou por seu representante legal, já na aceitação tácita ocorrerá quando praticar ato incompatível com a intenção de prosseguir com o processo.

Não confunda com perdão judicial! O perdão judicial é oferecido pelo juiz; o perdão do ofendido é concedido pelo ofendido; o perdão judicial é previsto na lei;

Art. 121, § 5º do CP. “Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequências de a infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária”.

2.8.1. Perdão e Renúncia – Naturezas jurídicas

A renúncia e o perdão são institutos que geram a extinção da punibilidade.

Previsão Legal:

Art. 107 do Código Penal - Extingue-se a punibilidade:

I - pela morte do agente;

(42)

II - pela anistia, graça ou indulto;

III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso;

IV - pela prescrição, decadência ou perempção;

V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada;

VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite;

VII - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005) VIII - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)

IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.

PEREMPÇÃO

Trata-se de outra forma de extinção da punibilidade (art. 107, IV do CP). Prevista apenas para as ações penais privadas. Ocorre nas situações previstas no artigo abaixo:

Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar- se-á perempta a ação penal:

I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos;

II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36;

III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o

(43)

IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor.

2.9. AÇÃO CIVIL – EX DELICTO DA AÇÃO CIVIL

Trata-se de uma ação civil em que se busca a reparação do dano sofrido. Um dos efeitos da condenação é tornar certo a obrigação de indenizar (art. 91 do CP). Essa indenização será buscada por meio de uma ação que se valerá do título executivo judicial: Sentença Penal Condenatória Transitada em Julgado, tudo na forma dos artigos abaixo.

Art. 63. Transitada em julgado a sentença condenatória, poderão promover-lhe a execução, no juízo cível, para o efeito da reparação do dano, o ofendido, seu representante legal ou seus herdeiros.

Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá ser efetuada pelo valor fixado nos termos do inciso IV do caput do art. 387 deste Código sem prejuízo da liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

Art. 64. Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, a ação para ressarcimento do dano poderá ser proposta no juízo cível, contra o autor do crime e, se for caso, contra o responsável civil.

Parágrafo único. Intentada a ação penal, o juiz da ação civil poderá suspender o curso desta, até o julgamento definitivo daquela.

(44)

Art. 65. Faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.

Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material do fato.

Art. 67. Não impedirão igualmente a propositura da ação civil:

I - o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação;

II - a decisão que julgar extinta a punibilidade;

III - a sentença absolutória que decidir que o fato imputado não constitui crime.

Art. 68. Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art.

32, §§ 1o e 2o), a execução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a seu requerimento, pelo Ministério Público.

(45)

3. COMPETÊNCIAS E JURISDIÇÃO

3.1. CONCEITOS

 Poder atribuído, com exclusividade ao Judiciário, para decidir um determinado litígio segundo as regras legais existentes.

 É o poder das autoridades judiciárias, regularmente investidas no cargo de dizer o direito no caso concreto

3.2. JURISDIÇÃO x COMPETÊNCIA

Não se pode confundir a Jurisdição com a competência, sendo que esta é uma limitação daquela.

Competência seria a parte da jurisdição que cada órgão jurisdicional pode legalmente exercer.

3.3. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DOS CONFLITOS

Pessoal nem sempre usamos a jurisdição para resolvermos conflitos. Existem outros meios (uns não mais aplicáveis, outros ganhando “força) vejam:

 Autotutela: caracteriza-se pelo emprego da força para satisfação de interesses. A autotutela é vedada, salvo em hipóteses excepcionais, como a legítima defesa, estado de necessidade e prisão em flagrante;

 Autocomposição: caracteriza-se pela busca do consenso dos conflitantes.

Doutrinadores antigos não admitem isso no processo penal.

Hoje não há como negar que a autocomposição é o objetivo dos Juizados Especiais, conforme menciona o Art. 98, I da CF que trata da autocomposição por meio da transação penal, nos casos de infrações de menor potencial ofensivo. Recentemente essa

(46)

autocomposição foi reforçada pelo advento do Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) introduzido em nosso ordenamento pelo pacote anticrime (Lei 13.491/19).

3.4. CARACTERÍSTICAS DA JURISDIÇÃO

• Substitutividade: a Jurisdição é a atividade desenvolvida pelo órgão judicial em substituição as partes.

• Inércia: Não há, como regra, prestação jurisdicional de ofício. O Poder Judiciário deve ser provocado.

Exceção: Concessão de HC de ofício.

• Coisa Julgada: impossibilidade de decisão judicial se revista por órgão estranho ao poder judiciário.

3.5. ESPÉCIES DA JURISDIÇÃO

Princípio do Juiz Natural

Quando se busca fixar de maneira correta a competência, temos por objetivo respeitar o princípio do Juiz Natural (princípio de assento constitucional).

• Art. 5º da CF.

• XXXVII – não haverá juízo ou tribunal de exceção;

• LIII – ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente Jurisdição Penal

Jurisdição Civil

(47)

Aplicação IMEDITA de lei que altera competência:

Tenha cuidado com a lei processual penal no tempo, pois, segundo o artigo 2º do CPP, ela é aplicada imediatamente (ainda que o processo esteja tramitando). Neste caso o juiz que deixou de ser competente encaminha os autos ao que passou a ser.

Lei processual que altera as regras de competência

Art. 2o - A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.

3.6. COMPETÊNCIA

Competência é a medida/limite de jurisdição dentro dos quais o órgão jurisdicional poderá dizer o direito.

A jurisdição é una, é única, é uma só, no entanto, não pode se imaginar um único juiz exercendo a jurisdição, então, divide-se em competências para cada juiz.

3.6.1. Espécies

* Para todos verem: esquema abaixo.

Ratione materiae: Em razão da matéria.

Ratione Personae: Em razão da pessoa.

Ratione Loci: Em razão do local.

(48)

3.6.2. Competências

* Para todos verem: esquema abaixo.

* Para todos verem: esquema abaixo.

• Regra de competência criada com base no interesse público.

• A regra de competência absoluta não pode ser modificada, ou seja, cuida-se de competência improrrogável ou imodificável.

• Exemplos: ratione materiae, ratione personae e competência funcional.

Absoluta

• Regra de competência criada com base no interesse preponderantemente das partes.

• A regra de competência relativa pode ser modificada, ou seja, cuida-se de competência prorrogável ou modificável.

• Exemplos: ratione loci, competência por distribuição, competência por prevenção (Súmula 706 do STF), conexão e continência.

Relativa

(49)

Guia de fixação de competência: Aqui temos “perguntas” que devem ser respondidas para fixarmos corretamente a competência.

 Competência originária – o acusado tem foro por prerrogativa de função?

 Competência de jurisdição – qual é a justiça competente?

 Competência territorial – qual a comarca competente?

 Competência de juízo – qual a vara competente?

 Competência interna – qual o juiz competente?

 Competência recursal – para onde vai o recurso?

Atenção. A regra para o foro por prerrogativa de função foi alterada pelo STF. Segue o importantíssimo julgado abaixo.

As normas da Constituição de 1988 que estabelecem as hipóteses de foro por prerrogativa de função devem ser interpretadas restritivamente, aplicando-se apenas aos crimes que tenham sido praticados durante o exercício do cargo e em razão dele. Assim, por exemplo, se o crime foi praticado antes de o indivíduo ser diplomado como Deputado Federal, não se justifica a competência do STF, devendo ele ser julgado pela 1ª instância mesmo ocupando o cargo de parlamentar federal. Além disso, mesmo que o crime tenha sido cometido após a investidura no mandato, se o delito não apresentar relação direta com as funções exercidas, também não haverá foro privilegiado. Foi fixada, portanto, a seguinte tese: O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas. STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018 (Info 900)

(50)

Marco para o fim do foro:

Término da instrução Após o final da instrução processual, com a publicação do despacho de intimação para apresentação de alegações finais, a competência para processar e julgar ações penais não será mais afetada em razão de o agente público vir a ocupar outro cargo ou deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja o motivo. STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018 (Info 900).

Previsão Legal para fixação da Competência:

Art. 69. Determinará a competência jurisdicional:

I - o lugar da infração:

II - o domicílio ou residência do réu;

III - a natureza da infração;

IV - a distribuição;

V - a conexão ou continência;

VI - a prevenção;

VII - a prerrogativa de função.

A) COMPETÊNCIA PELO LUGAR DA INFRAÇÃO. Adoção da Teoria do Resultado.

Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.

(51)

§ 1o Se, iniciada a execução no território nacional, a infração se consumar fora dele, a competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o último ato de execução.

§ 2o Quando o último ato de execução for praticado fora do território nacional, será competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado.

§ 3o Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, a competência firmar- se-á pela prevenção.

Muito cuidado com essa decisão judicial!

Crimes Contra Vida

Em regra, o CPP acolhe a teoria do resultado, considerando como lugar do crime o local onde o delito se consumou (crime consumado) ou onde foi praticado o último ato de execução (no caso de crime tentado), nos termos do art. 70 do CPP. Excepcionalmente, no caso de crimes contra a vida (dolosos ou culposos), se os atos de execução ocorreram em um lugar e a consumação se deu em outro, a competência para julgar o fato será do local onde foi praticada a conduta (local da execução). Adota-se a teoria da atividade.

STF. 1ª Turma. RHC 116200/RJ, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 13/8/2013

(52)

Atenção para crimes permanentes (aquele que a consumação se prolonga no tempo) e crimes continuados (art. 71 do CP). Neste caso aplicamos a regra da prevenção (art. 83 do CPP). Veja o dispositivo abaixo:

Art. 71. Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada em território de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção.

B) COMPETÊNCIA POR PREVENÇÃO

Art. 83. Verificar-se-á a competência por prevenção toda vez que, concorrendo dois ou mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa, um deles tiver antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou de medida a este relativa, ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa (arts. 70, § 3o, 71, 72, § 2o, e 78, II, c).

C) COMPETÊNCIA PELO DOMICÍLIO OU RESIDÊNCIA DO RÉU

Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência do réu.

§ 1o Se o réu tiver mais de uma residência, a competência firmar-se-á pela prevenção.

(53)

§ 2o Se o réu não tiver residência certa ou for ignorado o seu paradeiro, será competente o juiz que primeiro tomar conhecimento do fato.

Existe a possibilidade de foro por eleição no Processo Penal?

Sim. É o que acontece com as ação penais privadas, pois nelas, conforme previsão do art. 73 do CPP, o querelante poderá “escolher” o foro onde pretende ingressar com a ação. Vejam:

Foro de Eleição em Processo Penal

Art. 73. Nos casos de exclusiva ação privada, o querelante poderá preferir o foro de domicílio ou da residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da infração.

D) COMPETÊNCIA PELA NATUREZA DA INFRAÇÃO

Art. 74. A competência pela natureza da infração será regulada pelas leis de organização judiciária, salvo a competência privativa do Tribunal do Júri.

§ 1º Compete ao Tribunal do Júri o julgamento dos crimes previstos nos arts. 121, §§ 1º e 2º, 122, parágrafo único, 123, 124, 125, 126 e 127 do Código Penal, consumados ou tentados. (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

§ 2o Se, iniciado o processo perante um juiz, houver desclassificação para infração da competência de outro, a este será remetido o

(54)

processo, salvo se mais graduada for a jurisdição do primeiro, que, em tal caso, terá sua competência prorrogada.

§ 3o Se o juiz da pronúncia desclassificar a infração para outra atribuída à competência de juiz singular, observar-se-á o disposto no art. 410;

mas, se a desclassificação for feita pelo próprio Tribunal do Júri, a seu presidente caberá proferir a sentença (art. 492, § 2o).

E) COMPETÊNCIA POR DISTRIBUIÇÃO

Art. 75. A precedência da distribuição fixará a competência quando, na mesma circunscrição judiciária, houver mais de um juiz igualmente competente.

Parágrafo único. A distribuição realizada para o efeito da concessão de fiança ou da decretação de prisão preventiva ou de qualquer diligência anterior à denúncia ou queixa prevenirá a da ação penal.

CAUSAS DE MODIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA

Agora que você já leu os dispositivos que determinam a fixação da competência, devemos atentar para situações que ela poderá ser modificada. É o que ocorre com os casos de conexão e continência.

(55)

Art. 76. A competência será determinada pela conexão:

I - se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas (simultaneidade), ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, umas contra as outras (reciprocidade);

II - se, no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas; (lógica, objetiva e material)

III - quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir na prova de outra infração.

(instrumental ou probatória)

CONEXÃO INTERSUBJETIVA POR SIMULTANEIDADE

Diante da primeira parte do art. 76 (CONEXÃO INTERSUBJETIVA POR SIMULTANEIDADE), há conexão se, ocorrendo duas ou mais infrações, “houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas”. – não há liame subjetivo

Exemplo: diversos expectadores de um jogo de futebol, ocasionalmente reunidos, praticarem depredações no estádio.

(56)

CONEXÃO INTERSUBJETIVA POR CONCURSO

Pelo art. 76, I, 2ª parte, há conexão se as infrações forem praticadas “por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e lugar”. É a hipótese de concurso de pessoas em várias infrações.

Exemplo: quadrilha que trafica entorpecentes em vários pontos da cidade.

CONEXÃO INTERSUBJETIVA POR RECIPROCIDADE

Pelo art. 76, I, última parte, há conexão se os crimes forem praticados “por várias pessoas, umas contra as outras”.

Exemplo: agressões entre componentes de dois grupos de pessoas em um baile.

CONEXÃO OBJETIVA, LÓGICA OU MATERIAL: Art. 76, II

Nos termos do artigo 76, II, a competência é determinada pela conexão se, no caso de várias infrações, “houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas”.

CONEXÃO INSTRUMENTAL OU PROBATÓRIA – Art. 76, III

Conforme o art. 76, III - quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir na prova de outra infração.

Art. 77. A competência será determinada pela continência quando:

I - duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração;

(concurso de pessoas cumulação subjetiva)

II - no caso de infração cometida nas condições previstas nos arts. 51,

§ 1o, 53, segunda parte, e 54 do Código Penal.

(57)

CONTINÊNCIA EM RAZÃO DO CONCURSO DE PESSOAS – Art. 77, I (cumulação subjetiva)

Justifica-se a junção de processos contra diferentes réus, desde que eles tenham cometido o crime em conluio, com unidade de propósitos, tornando único o fato a ser apurado. Difere da conexão por concurso, porque nesta há vários agentes praticando vários fatos.

CONTINÊNCIA EM RAZÃO DO CONCURSO FORMAL DE CRIMES – Art. 77, II (cumulação objetiva)

Ps.: A referência feita aos art. 51, 52, 53 e 53 do CP, atualmente corresponde aos art. 70, 73 e 74 do CP.

• O art. 70 refere-se ao concurso formal de crimes, em que, com uma mesma conduta o agente pratica dois ou mais crimes.

• O art. 73, 2ª parte refere-se ao erro de execução (aberratio ictus), em que, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, além de atingir a pessoa que pretendia ofender lesa outra.

• O art. 74, 2ª parte, refere-se ao resultado diverso do pretendido (aberratio criminis), em que fora da hipótese anterior, o agente além do resultado pretendido, causa outro.

Em todos os casos, está-se diante de concurso formal, razão pela qual, na essência, o fato a ser apurado é um só, embora existam dois ou mais resultados.

Agora que você entendeu o que é conexão e continência, devemos saber como resolver as situações apresentadas. Para tanto temos que seguir as regras trazidas pelo art.

78 do CPP.

(58)

Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observadas as seguintes regras:

I - no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum, prevalecerá a competência do júri;

Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria:

a) preponderará a do lugar da infração, à qual for cominada a pena mais grave;

b) prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o maior número de infrações, se as respectivas penas forem de igual gravidade;

c) firmar-se-á a competência pela prevenção, nos outros casos;

III - no concurso de jurisdições de diversas categorias, predominará a de maior graduação;

IV - no concurso entre a jurisdição comum e a especial, prevalecerá esta.

Art. 79. A conexão e a continência importarão unidade de processo e julgamento, salvo:

I - no concurso entre a jurisdição comum e a militar;

II - no concurso entre a jurisdição comum e a do juízo de menores.

§ 1o Cessará, em qualquer caso, a unidade do processo, se, em relação a algum co-réu, sobrevier o caso previsto no art. 152. (doença mental)

§ 2o A unidade do processo não importará a do julgamento, se houver co-réu foragido que não possa ser julgado à revelia, ou ocorrer a

Referências

Documentos relacionados

Princípios Fundamentais do Direito Processual Penal. Eficácia da Lei Processual Penal. Constitucionalização do Processo Penal. Do Inquérito Policial. Da Ação Penal. Das

A PRISÃO PREVENTIVA E O ACORDO DE COLABORAÇÃO PREMIADA Na medida em que houve o amadurecimento do direito penal brasileiro as prisões no código de processo penal sofreram

A partir da entrada em vigor da Lei 13.964/19 (Pacote Anticrime), a decretação da prisão preventiva só pode se dar através do juiz, em qualquer fase da investigação policial ou

Como Prever a curva de Massa Molar a partir Como Prever a curva de Massa Molar a partir do mecanismo de polimerização. do mecanismo

De acordo com o DSM-5 (APA, 2013), os critérios para diagnóstico de TDC são: a) desempenho motor substancialmente abaixo do esperado para a idade cronológica,

O objetivo deste estudo foi avaliar as prescrições aviadas em uma farmácia comunitária do município de São Luiz Gonzaga/RS, quanto a presença das informações necessárias para

PARA TER ACESSO ÀS ATIVIDADES, CLIQUE AQUI: EDUCAÇÃO FÍSICA.. O CACHORRO SE CHAMA FUMAÇA. FUMAÇA GOSTA DE PASSEAR COM ALICE NA RUA. 2- VAMOS FAZER UMA DOBRADURA DE CACHORRO? COM

Por fim, a densidade demográfica apresentou uma relação positiva com a eficiência dos municípios catarinenses ao nível de significância de 10%, portanto, entende-se que