Pétalas soltas de um bloco de notas
Agradeço ao Universo por ter posto no meu caminho pessoas cultas e tão lindas. De modo muito especial, às pessoas que se envolveram de alma e coração neste projeto, que é o meu sonho. «PÉTALAS SOLTAS DE UM BLOCO DE NOTAS» ganhou asas para voar.
Um grande obrigado à Junta de Freguesia de Santo António dos Cavaleiros e Frielas, muito especialmente à Senhora Presidente, Dr.ª Glória Trindade, e à Dr.ª Helga Duarte.
Aos três principais homens da minha vida, Kim, Bruno e Telmo, obrigada pelo vosso carinho e disponibilidade no apoio literário e técnico. À doce Joanne Mari (eu gosto muito de ti avó). À Sarita Rosemery, pela doçura do seu sorriso e abracinhos tão saborosos.
E a si, caro leitor, que este voo pelo tempo traga boa ventura à sua vida.
Pétalas soltas de um bloco de notas
P
REFÁCIOO mundo provoca-nos uma panóplia de sentimentos. O livre arbítrio, em muitos casos, não passou do papel. A justiça dos homens continua a depender do estatuto social, do sexo, da cor da pele e, muitas vezes, da religião. Tristemente. A livre escolha não passa de um mito.
Terapiar... tem sido o meu suporte nesta viagem
preenchida com alegrias e tristezas O bloco de notas e o lápis de carvão têm sido fiéis companheiros de todas as horas. Confidentes incansáveis a qualquer hora do dia ou da noite. A necessidade de terapiar não tem hora marcada, é quando o mundo dos homens nos surpreende e o coração fala...
Viver a vida em harmonia com o próximo. A fé, a contemplação e a valorização de coisas tão simples como um raio de sol, uma flor que desabrocha, uma criança que sorri, um pássaro que canta...
Na natureza encontramos coisas fantásticas! Basta estarmos atentos e encontraremos sempre algo de novo, que
Juvelina Fatela
nos surpreende pela sua perfeição e que nos foi oferecido por alguém que generosamente nos ama incondicionalmente, como só alguém muito especial o sabe fazer. Temporariamente é-nos entregue este precioso jardim, para que cuidemos dele com todo o carinho.
Esta vida é uma curta passagem, disso não tenho qualquer dúvida, aproveitemo-la, porque ela passa tão veloz como o vento e qualquer dorzita de garganta maltratada pode ser o nosso fim.
Nascemos e não trazemos escrito qualquer prazo de validade, nem tão pouco um folheto com o mínimo de instruções para nos precavermos neste planeta habitado por todas as espécies. Onde somos todos iguais, mas, na verdade, todos somos diferentes.
Este livro pretende ser a visualização de um bloco de anotações que, juntamente com um lápis de carvão, me acompanhou e ajudou em várias situações da vida.
Poetizar chega a ser um bálsamo para a dor que nos consome o corpo e a alma. Também nos faz enaltecer e até transpor para outra plenitude, quando nos deixamos tocar pela magia das coisas belas!
Pétalas Soltas de Um Bloco de Notas, és tu, sou eu e muitos
mais nascidos na segunda metade do século XX. Não é um diário, mas o registo de temas que tocaram o meu coração e, por isso, têm uma data.
Pétalas soltas de um bloco de notas
Pétalas soltas de um bloco de notas São pétalas…
Perfume de pétalas, sim! Gritos de alegria e de solidão, De graças e de contestação São pedacinhos de mim A voz do meu coração. Não tenho nada de meu Tudo na vida é uma passagem Vou libertar os versos ao vento Com eles vai meu pensamento: – São do mundo! Boa viagem!
Pétalas soltas de um bloco de notas
Homenagem ao meu Pai:
Luís de Camões perdeu um olho na guerra Ficando a lutar depois
Via ele mais com um olho Que muitos viam com dois
José Marcelino (Zezito)
Pétalas soltas de um bloco de notas
PARABÉNS À MELHOR MÃE DO MUNDO – ADRIANA DA ENCARNAÇÃO (1923 – 2000)
Sou ouvinte do programa «Despertar» quero pedir-lhe um favor
perdão se estou a maçar
por fazê-lo da minha mensagem Portador. Parabéns
Querida Mãe pelo teu aniversário
é o melhor que um filho tem ter viva a querida mãe
mesmo que julgue o contrário. Parabéns
e um beijinho
para as mães do mundo inteiro para todas vai o meu carinho o António Sala
fará do «Despertar» o mensageiro.
Juvelina Fatela
O MEU RASTO
Eu nasci em Trás-os-Montes Junto à serra de Montesinho Minha bisavó era espanhola Daqui à Espanha é um pulinho. O meu primeiro ordenado Foi guardar a seara das pitas Com esse dinheiro comprei Um lindo vestido às riscas. Com as minhas irmãs Aprendi a ser pastora De diversos animais
Não deixei de ser sonhadora Ao guarda galinhas, porcos, vacas Ovelhas... até da cevada
Com o meu irmão
Espantávamos os pardais.
Empregada de mesa, com simpatia
Babysitter, com muita felicidade
O sabor a mel, foi a alegria
De trabalhar com jovens na faculdade. Caminhei por caminhos, colinas e montes No meu peito ficou a certeza
Pétalas soltas de um bloco de notas
RECORDAÇÕES
Ó Primavera
Ventre de onde nasci Ó bela e amada terra
Quantas recordações guardo de ti. Da bela aldeia
De Trás-Os-Montes Com tantos ribeiros
A correr por entre os montes. A minha aldeia
Não é um sonho Foi o meu mundo Recordo-a com saudade Um sentimento profundo. Solo muito agreste
Que eu gosto tanto As fragas, os ribeiros As montanhas São o meu encanto. Belas cabanas Aqui, ali e além... Esculpidas na fraga Quanta beleza A natureza tem. Eram a minha casa O meu tesouro
Não há nada mais belo É o meu sonho de ouro.
Juvelina Fatela
O cantar das águas Os pássaros a chilrear Oh, quanta mágoa E vontade de voltar.
Voltar... eu tenho esperança, Lá no monte, se Deus quiser Hei de construir
Uma casinha branca… Terei «O planeta vivo» Sempre no meu ecrã Pelas rasgadas janelas Entrará o sol pela manhã.
Pétalas soltas de um bloco de notas
ESTRELA DO MEU CAMINHO
Estrela do meu caminho Feliz foi o meu nascer, Criada com muito carinho Sadio foi o meu crescer. Feliz foi o meu crescer!... Tinha o sol de manhãzinha, A lua chegava à tardinha E tu... ao anoitecer.
Lá estavas tu, sempre a acenar... – Anda... para além destes montes, Há outros rios, novos horizontes... Um mundo que nem podes sonhar. – Outros rios!…só conheço o Rabaçal, O Tuela, ribeiros e nada mais.
– Há outros em Portugal!
– Só conheço os rios de Vinhais. Os meus olhos tinham de ir ver... O outro lado dos montes,
Outra gente, novos horizontes, Outros grandes rios a correr.
Juvelina Fatela
Disse adeus à minha aldeia À família e aos vizinhos
Recordações iluminam minha ideia Ao trilhar outros caminhos.
Estrela do meu caminho Preciso de te encontrar
Ver de novo esse brilho tão lindo E ter de guia o teu brilhar.