UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU CURSO DE DIREITO
TAMIRES VIEIRA DE JESUS
SINDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL
São Paulo
TAMIRES VIEIRA DE JESUS
SINDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de graduação em Direito da Universidade São Judas Tadeu, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Direito.
Orientador: Prof.Bruno Cristian Gabriel
São Paulo 2022
TAMIRES VIEIRA DE JESUS
SINDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de Bacharel em Direito e aprovado em sua forma final pelo Curso de Direito da Universidade São Judas Tadeu.
25 de Outubro de 2022
Professor e orientador Dr. Bruno Cristian Gabriel
Universidade São Judas Tadeu
Prof.Dr.
Universidade São Judas Tadeu
Prof. Dr.
Universidade São Judas Tadeu
RESUMO
A Síndrome de Alienação Parental diz respeito aos efeitos emocionais e as condutas comportamentais desencadeadas na criança que é a vítima dessa alienação, também conhecida como sendo as sequelas deixadas pela Alienação Parental. Conhecer os critérios de identificação da Alienação Parental tem grande relevância, sendo ela objeto de diversas ações para reivindicar os direitos do genitor alienado. Portanto, compreender os atos da Alienação Parental é extremamente importante para que não se cometam equívocos, transformando agressores em vítimas. Muitas vezes, a ruptura da vida conjugal gera em um dos genitores o sentimento de abandono, de rejeição, de traição, surgindo uma tendência vingativa muito grande. Quando este não consegue elaborar adequadamente o luto da separação, desencadeia um processo de destruição, de desmoralização, de descrédito do ex- cônjuge. Ao ver o interesse do outro genitor em preservar a convivência com o filho, quer vingar-se, afastando-o da criança. Esses atos são difíceis de serem comprovados, uma vez que não deixam marcas físicas, apenas psicológicas. A prática da Alienação Parental ocorre de forma muito agressiva e de várias maneiras, na maioria das vezes praticada pelos genitores, mas outros parentes também podem ser alienadores. Estudos têm mostrado que, quando adultas, as vítimas da alienação têm inclinação ao álcool e às drogas e apresentam outros sintomas de profundo mal-estar. O sentimento incontrolável de culpa se deve ao fato de que a criança, quando adulta, constata que foi cúmplice inconsciente de uma grande injustiça ao genitor alienado. O trabalho discorreu sobre as consequências que esses atos trazem para todos os envolvidos, como também acerca do perfil do alienador, o motivo pelo qual um genitor comete esse tipo de alienação, buscando entender como tratar essa questão tão delicada e atual no Direito Civil Brasileiro.
Palavras-chave: Alienação Parental. Consequências da alienação. Genitor alienante.
ABSTRACT
The Parental Alienation Syndrome concerns the emotional effects and behavioral behaviors triggered in the child who is the victim of this alienation, also known as the sequelae left by Parental Alienation. Knowing the criteria for identifying Parental Alienation has great relevance, being the object of several actions to claim the rights of the alienated parent. Therefore, understanding the acts of Parental Alienation is extremely important so that mistakes are not made, turning aggressors into victims.
Often, the rupture of marital life generates in one of the parents the feeling of abandonment, rejection, betrayal, resulting in a very strong vindictive tendency.
When he is unable to adequately elaborate the mourning of separation, he unleashes a process of destruction, demoralization, and discrediting of the ex-spouse. When he sees the interest of the other parent in preserving the coexistence with the child, he wants to take revenge, moving him away from the child. These acts are difficult to prove, since they do not leave physical marks, only psychological. The practice of Parental Alienation occurs very aggressively and in various ways, most often practiced by the parents, but other relatives can also be alienating. Studies have shown that, as adults, victims of alienation are prone to alcohol and drugs and have other symptoms of profound distress. The uncontrollable feeling of guilt is due to the fact that the child, as an adult, finds that he was an unconscious accomplice of a great injustice to the alienated parent. The work discussed the consequences that these acts bring to everyone involved, as well as the profile of the alienator, the reason why a parent commits this type of alienation, seeking to understand how to deal with this delicate and current issue in Brazilian Civil Law.
Keywords: Parental Alienation. Consequences of alienation. Alienator Genito
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ... 6
1 A FAMILIA CONTEMPORÂNEA ... 7
1.1 Tipos de família no Brasil ... 8
1.1.1 Família Matrimonial ... 9
1.1.2 União Estável... 9
1.1.3 Família Monoparental ... 10
1.1.4 Família Uniparental ... 10
1.1.5 Família Anaparental ... 10
1.1.6 Família Homoafetiva ... 11
1.1.7 Família Eudemonista ... 11
1.2 O princípio do melhor interesse da criança à luz do Estatuto da Criança e do Adolescente ... 11
2 ALIENAÇÃO PARENTAL ... 15
2.1 O surgimento da nomenclatura Alienação Parental ... 17
2.2 O momento de implantação da Alienação Parental ... 18
2.3 Formas de implantação da Alienação Parental ... 19
2.4 A Diferença entre Síndrome da Alienação Parental e Alienação Parental ... 20
2.5 O Perfil do alienador ... 23
2.6 A vingança do alienador ... 25
2.7 A consequência da alienação para o filho ... 25
3 MEDIDAS CABÍVEIS AO COMBATE DA ALIENAÇÃO PARENTAL NO BRASIL ... 27
3.1 Os Aspectos processuais e a dificuldade de produzir provas ... 31
3.2 Medidas de proteção e efetividade ... 33
3.3 Guarda compartilhada como forma de redução da Alienação Parental... 34
3.4 Responsabilidade civil decorrente da Alienação Parental ... 36
CONCLUSÃO ... 39
REFERÊNCIAS ... 40
INTRODUÇÃO
A Alienação Parental é temática recorrente do cotidiano jurídico, uma vez que com o advento da Lei no 12.318, promulgada em 26 de agosto de 2010, a Alienação Parental tem sido objeto de várias ações para reivindicar os direitos do genitor alienado, aquele que está perdendo ou até já perdeu o contato com o(s) filho(s) (BRASIL, 2010).
A Alienação Parental caracteriza-se pelo uso do alienador, de recursos baixos ou meios para dificultar o contato da criança com o ex-companheiro, além de falar mal e mentir. É um jogo de manipulação, e crianças e pais distantes começam a ter alguns problemas que a comunicação adequada entre o guardião e o ex-cônjuge poderia evitar (SILVA; SANTOS, 2013).
Em um primeiro momento é analisado a origem da família, as suas várias formas, a evolução histórica e os novos conceitos sociais da família contemporânea.
Em seguida será tratada a identificação da Alienação Parental, de que forma um genitor pode alienar uma criança, as diversas complicações e consequências que produz para todos os envolvidos. São compreendidos os critérios de identificação da Alienação Parental, bem como sua relevância no meio jurídico.
Portanto, este trabalho foi elaborado para conscientizar e esclarecer sobre a questão da Alienação Parental, como ela é agressiva e prejudicial às vítimas, o quanto é importante identificar e conhecer os atos de Alienação Parental, uma vez que são difíceis de serem comprovados, não deixam marcas físicas, apenas psicológicas em todos os membros que compõem a família, em especial aos filhos vítimas de seus pais ou parentes.
O trabalho visa abordar essas questões dentre outras, com caráter opinativo, buscando entender como tratar essa questão tão delicada e atual no Direito Civil Brasileiro.
1. A FAMILIA CONTEMPORÂNEA
A família é vista hoje de forma diferente do que no passado, pois o momento é de desenvolvimento social e jurídico sobre o assunto, e o conceito do que é a família está se expandindo. O conceito de família é muito diferente das décadas passadas. No passado, apenas as famílias compostas por pai e mãe (homem e mulher) que eram casados e tinham filhos por meio do casamento eram chamadas de "famílias tradicionais" (TAVARES; AUGUSTO, 2014).
As famílias eram constituídas unicamente pelo casamento, e outras formas de formação familiar, como a união estável, não era reconhecida. Por esses fatos, o divórcio era inimaginável, pois o bem-estar dos membros não era mais importante do que a predominância da família como instituição, e o divórcio representaria uma quebra do poder econômico que o casamento possibilitou (TAVARES; AUGUSTO, 2014; AUGUSTO, 2014).
Hoje, elas podem ser formadas das mais diversas formas, com apenas pai e filho(s), dois pais e filho(s), jovens que se amam e acabam gerando uma nova vida, e assim por diante. Atualmente, há novos cortes na estrutura familiar e as pessoas estão cada vez mais reconhecendo o “diferente” (WAZLAWICK, 2017).
O conceito tradicional de família a ser constituída de pai, mãe e filho não existe mais como único modelo. A organização das famílias contemporâneas é construída e desconstruída em termos sociais, econômicos, políticos e religiosos. A nova união começa com ou sem os filhos da primeira relação, e os filhos do segundo cônjuge. Desses novos relacionamentos, surgiram novos filhos, e eles passaram a viver juntos nessa nova família reestruturada (WIRTH, 2013).
A família tradicional acabou e provavelmente continuará a mudar. Diante das novas mudanças, a resistência é evidente. Toda mudança cria incerteza e resistência. Diante disso, novos conceitos devem ser desenvolvidos para lidar com as novas questões que as famílias contemporâneas demandam (WIRTH, 2013).
É claro que a família tradicional é considerada hoje inconcebível, uma forma antiga que, de certa forma, é repudiada. No entanto, isso somente ocorreu devido à evolução da sociedade e luta pelos valores da igualdade e da dignidade da pessoa humana, conquistas que hoje estão consagradas na Constituição Federal de 1988.
Portanto, é errado não reconhecer a influência da realização social na formulação
do conceito de família, razão pela qual o conceito mudou ao longo do tempo (TAVARES; AUGUSTO, 2014).
Ao longo do tempo e à medida que a sociedade evolui, o modelo de família é influenciado por ideias democráticas, ideais de igualdade e dignidade humana. O modelo patriarcal é abandonado em favor de um modelo igualitário, as necessidades de todos os membros devem ser atendidas e a busca do bem-estar de todos torna-se elemento essencial no ambiente familiar (TAVARES; AUGUSTO, 2014).
Percebe-se que não é preciso falar do casamento como elemento de criação da família, afinal, é o sentimento que une os membros, a vontade de cada um.
Então hoje se entende que a união estável pode formar uma família, como uma família monoparental (mãe ou pai solteiro), e que existe família na união de pessoas do mesmo sexo. Tudo isso porque os elementos que compõem uma família são subjetivos e a vontade de cada indivíduo é respeitada (TAVARES;
AUGUSTO, 2014).
1.1 Tipos de família no Brasil
Antes da promulgação da Constituição Federal de 1988, a composição da família era taxativa, pois essa condição só era alcançada por meio de vínculo formado através do casamento. Além disso, a Lei do Divórcio determinava uma série de sanções à parte culpada pela separação, o que acabava levando o marido e a mulher a manterem o casamento (MATSUI, 2019).
O princípio da dignidade da pessoa humana consagrado no artigo 1º, III, da Constituição Federal - CF/1988 é entendido como cláusula pétrea, de modo que, além do casamento, passa a considerar outras formas de entidades familiares, tendo como objeto principal a proteção humana (BRASIL, 1988). Portanto, é compreensível que toda forma de constituição familiar seja protegida pela constituição, mesmo que não seja explicitamente declarada. De acordo com o artigo 226 da Constituição, as famílias constituídas por casamentos, uniões estáveis ou famílias monoparentais estão previstas na Constituição (MATSUI, 2019).
Além das formas elencadas na Carta Magna, o atual conceito de família se
expandiu. À medida que a sociedade se desenvolveu, o afeto assume o lugar que o patrimônio ou a procriação outrora ocupou: o centro da família e um dos principais fatores na formação do caráter de qualquer pessoa. O princípio da dignidade da pessoa humana, amparado por outros princípios que protegem a vida em sociedade, proíbe a distinção entre as mais diversas formas de família (MATSUI, 2019).
O artigo 226 da CF/1988 não é um rol taxativo, nesse sentido outras formas de família são possíveis (e existem na sociedade brasileira) (BRASIL, 1988).
Atualmente não há um modelo a ser seguido, cabendo à lei proteger e afirmar os tipos ainda não contemplados na legislação (MATSUI, 2019).
1.1.1 Família Matrimonial
O Código Civil de 1916 reconhecia apenas as instituições constituídas pelo casamento. O homem era chefe da família e tinha muitas responsabilidades, inclusive financeiras. E a mulher nem era considerada capaz, então era impossível para ela administrar os bens da família. Assim, os filhos tinham a função de continuar trabalhando e proteger o patrimônio familiar (MATSUI, 2019).
A Constituição Federal de 1988 passou a tratar os cônjuges como iguais e compreender a evolução da sociedade atual. Um exemplo desse tratamento igualitário é a mudança do regime de bens, de comunhão universal para parcial em caso de silêncio dos consortes, além da possibilidade de alteração do nome, que é facultativa no caso de casamento (BRASIL, 1988).
1.1.2 União Estável
Considera-se união estável, ou seja, a convivência de duas pessoas de forma duradoura, independentemente do sexo, com o objetivo de constituir família. Um grande passo em direção ao conceito de família foi à chegada da Constituição de 1988, que declarou em seu artigo 226, § 3º: “para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento” (BRASIL, 1988). O dispositivo
ajudou a remover os efeitos negativos que a cobriam, por ser tratada até então como concubinato.
Em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) garantiu com base no artigo 5º da Carta Magna, a possibilidade de união estável do mesmo sexo (HAIDAR, 2011).
1.1.3 Família Monoparental
O artigo 226, §4º da Constituição Federal reconhece a família composta por um dos pais e seus filhos, denominando-a de família monoparental, ou seja, de um genitor presente, que é responsável por sustentar, educar e criar o(s) filho(s) (BRASIL, 1988).
1.1.4 Família Uniparental
Uma única pessoa pode ser considerada família para fins de proteção da Lei no 8.009/1990, que trata do não confisco de bens familiares. Portanto, para proteger os interesses da família, as pessoas que moram sozinhas, sejam separadas, divorciadas, viúvas ou solteiras, têm o direito de serem consideradas famílias (BRASIL, 1990).
1.1.5 Família Anaparental
Esse tipo de família caracteriza-se pela ausência dos pais, ou seja, pela convivência de parentes colaterais, ou ainda mesmo que não parentes e sem intenções sexuais, imersos na mesma estrutura, com uma identidade proposital e afetiva, ou seja, com o espírito de constituir família (STRUCKER, 2014).
Com isso, vários irmãos abandonados pelos pais formaram tal estrutura que continuaram morando juntos por muitos anos, e o filho mais velho assumiu a responsabilidade de pai junto aos demais irmãos, fornecendo não apenas apoio material, mas também emocional, carinho, afeto, amor e cuidado (KUSANO, 2010).
1.1.6 Família Homoafetiva
A Constituição Federal de 1988 esclareceu a importância de proteger a dignidade humana, e garantir a igualdade de todos os cidadãos (BRASIL, 1988). No entanto, isso não é uma realidade porque existem diferenças legais e sociais entre famílias heterossexuais e homossexuais.
Apoiadas em princípios constitucionais, as uniões entre pessoas do mesmo sexo tornaram-se cada vez mais importantes, a partir do momento em que modelos ultrapassados de famílias patriarcais e hierárquicas dão lugar a novos, baseados no afeto. Aliás, as uniões entre pessoas do mesmo sexo, pautadas pelo amor, respeito e comunhão de vida, atendem às exigências da atual Constituição Federal para o reconhecimento da entidade familiar, desde que incorpore a efetividade como valor jurídico (ALESSI, 2011).
1.1.7 Família Eudemonista
A família eudemonista é um conceito moderno referente a uma família que busca a plena realização de seus membros, caracterizada pela comunhão recíproca, atenciosa e respeitosa entre os membros que a compõem, independentemente do vínculo biológico (REIS; BERNARDES, 2015).
1.2 O princípio do melhor interesse da criança à luz do Estatuto da Criança e do Adolescente
A doutrina e a jurisprudência reconhecem uma série de princípios aplicáveis ao direito de família. O princípio fundamental é o respeito à dignidade humana, que está amparado no artigo 1º, III, da atual Constituição: é o fundamento da família, pois garante o desenvolvimento e realização de todos os membros, principalmente dos filhos e adolescentes (BRASIL, 1988).
Por outro lado, a igualdade, a liberdade, a afetividade, a convivência familiar e o melhor interesse da criança são princípios gerais. Em 1959, a Declaração Universal dos Direitos das Crianças, fez delas sujeitos de direitos, dando início ao princípio do melhor interesse da criança (UNICEF, 1959).
O artigo 3° do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) assegura: “A
criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana [...]” (BRASIL, 1990). O princípio do melhor interesse da criança não está expresso em legislação, mas ao analisar os artigos 227, caput da CF/1988, e 1o do ECA, fica evidente o propósito de defendê-lo (BRASIL, 1988;
BRASIL, 1990).
De acordo com este princípio, aqueles em situação de vulnerabilidade devem ser protegidos o máximo possível. As crianças e os adolescentes se encontram nessa posição, porque estão em processo de formação da personalidade e do caráter e, portanto, têm o direito de atingir a idade adulta sob a proteção da segurança moral e material (STRUCKER, 2014).
O princípio do melhor interesse da criança visa salvaguardar os direitos inerentes aos infantes, garantir que recebam uma educação saudável e evitar abusos por parte da pessoa mais forte em um relacionamento que os envolva.
Crianças e adolescentes são considerados hipossuficientes e, portanto, merecem a máxima proteção legal, pois podem ser facilmente alienados se mantidos em ambiente não propício à sua educação (STRUCKER, 2014).
A proteção integral é projetada para proteger aqueles que não conseguem ou que ainda não podem defender seus direitos. Legalmente, a palavra "integral"
deve ser observada em sua totalidade, deixando às crianças e jovens com o direito de viver bem. Para tanto, o Estado, as famílias e a sociedade devem fazer todo o possível para salvaguardar seus melhores interesses em todos os aspectos que se aplicam a eles (STRUCKER, 2014).
O ECA revela elementos que apontam para essa nova compreensão dos direitos da criança e do jovem, um dos quais é que eles ainda estão em desenvolvimento. Enquanto não são emocionalmente e fisicamente maduros, as crianças não podem escolher o que é mais relevantes para elas ou mesmo o que representa um risco, então a família, a sociedade e a nação devem estar envolvidos para ter voz e proteção, portanto, em qualquer caso, deve ser prioridade prestar assistência e proteção às crianças e jovens (BRASIL, 1990; STRUCKER, 2014).
O princípio do melhor interesse da criança estende-se a todas as relações jurídicas que envolvam os direitos da criança. Dessa forma, o poder familiar é entendido como a possibilidade de os pais intervirem na esfera jurídica de seus filhos, não mais em benefício próprio. Os pais são detentores do poder, mas
focados nos interesses dos filhos (STRUCKER, 2014).
1.3 O Poder familiar
O Código Civil de 1916 denominou direitos de família como direitos patrióticos, por causa da sociedade patriarcal da época, em que o pai recebia o título de senhor absoluto da família e dos bens. A mãe era coadjuvante e só assumia a responsabilidade se o pai tivesse algum obstáculo ou faltasse no lar. E era previsto que se essa mulher se casasse novamente, perderia esse poder (BRASIL, 1916).
Atualmente, o termo é chamado de poder familiar e não inclui a ideia de que a responsabilidade de proteger os filhos pertence apenas ao pai. O parágrafo único do artigo 1.690 do atual Código Civil estabelece: “os pais devem decidir em comum as questões relativas aos filhos e aos seus bens; havendo divergência, poderá qualquer deles recorrer a juiz para a solução necessária” Como resultado, os legisladores tentaram deixar claro que ambas as partes devem proteger seus filhos e reivindicar seus direitos iguais (BRASL, 2002).
O poder familiar é um encargo dado aos pais; é um poder-dever porque eles têm o poder (dado pelo Estado) para exercê-lo e são obrigados a desempenhar essa função. Além disso, é irrenunciável, inalienável, indisponível e imprescritível.
Igualmente, esta é uma relação de autoridade, pois resulta na subordinação da criança aos pais (REIS, 2005).
Os artigos 227 e 229 da CF/1988 estipulam que os pais têm o dever de assistir, educar e criar seus filhos para assegurar que gozem dos direitos à vida, educação, lazer, alimentação, dignidade, respeito, liberdade, livres de discriminação, negligência, exploração e crueldade. Também é responsabilidade dos pais fazer-lhes companhia e guarda, afinal, possuem o direito (e dever) legal de manter a criança em casa se necessário. Os pais podem proibir seus filhos de ir a certos lugares e vetar sua presença com certas pessoas. Os pais têm responsabilidade civil pelos filhos, e seu dever de protegê-los inclui monitorá-los para garantir a devida formação moral dos menores (BRASIL, 1988).
De acordo com o artigo 1.517 do Código Civil Brasileiro, além da nomeação de tutores, é possível representá-los em atos civis até os 16 anos, cabendo aos pais, como detentores do poder familiar, decidir se aceitam ou não o casamento e
assisti-los dos 16 anos até a maioridade. Eles podem até pedir aos filhos que demonstrem obediência, respeito e forneçam serviços adequados à sua idade e condições, para não comprometer a educação. Por fim, no âmbito patrimonial, além do direito de uso dos bens de seu poder, os pais também devem administrar os bens dos filhos menores (BRASIL, 2002).
O artigo 1.635 do Código Civil Brasileiro afirma: “extingue-se o poder familiar:
pela morte dos pais ou do filho, pela emancipação, nos termos do art. 5°, parágrafo único, pela maioridade, pela adoção, por decisão judicial, na forma do art. 1.638” do Código Civil (BRASIL, 2002).
O poder familiar é uma responsabilidade que deve sempre beneficiar as crianças e os adolescentes, e se esse princípio não for respeitado, o Estado tem o direito de intervir em tais relações que afetam as crianças e até as famílias. A suspensão dos poderes familiares pode ser total ou parcial e pode exigir revisão, superada a causa que a desencadeou, utilizada pelos juízes quando outras medidas não surtem o efeito desejado. As suspensões são devidas a abuso de autoridade, incumprimento dos deveres inerentes (proteção, educação e apoio) e destruição dos bens do menor (STRUCKER, 2014).
O artigo 1.637 do Código Civil elenca os motivos de suspensão do poder familiar, incluindo abuso do poder dos pais, descumprimento dos deveres de paternidade, dilapidação de bens do filho, e em casos que o pai ou a mãe tiver sofrido alguma condenação por sentença irrecorrível, com crime, cuja pena exceda dois anos de prisão. Um parente ou o Ministério Público podem solicitar uma suspensão, que, se concedida, resultaria na perda de alguns direitos relacionados à criança pelo pai suspenso, mas não a obrigação de fornecer alimentos (BRASIL, 2002).
Os motivos da destituição estão dispostos no artigo 1.638 do Código Civil.
Uma delas é a punição desproporcional (inciso I), que proíbe comportamentos abusivos, tentativa de homicídio e punição excessiva por parte de um dos pais ou responsável. Deixar um filho abandonado material e moralmente (inciso II) é outra possibilidade, afinal, os pais não podem deixar de cuidar da saúde dos filhos. As violações da moral e dos bons costumes (inciso III) envolvem atos cometidos pelos pais que podem afetar a cidadania, a personalidade e o caráter de seus filhos: a doutrina cita exemplos de uso ou tráfico de drogas. Por fim, a reincidência de casos que levaram à suspensão (inciso IV) leva à eliminação do poder familiar (BRASIL,
2002).
Se um dos pais falecer, o poder familiar não cessa porque permanece com aquele sobrevivente. A idade adulta é uma forma natural de extinção familiar, mas pode ser separada por meio da emancipação. No caso de adoção, o poder da família de origem é eliminado e passa a ser exercido pela família adotante (DREBES, 2010).
É inegável a importância de permitir que os pais convivam com os seus filhos, porém, de acordo com os princípios e a interpretação sistemática da legislação, o âmago é proteger as crianças e os jovens de todo mal, mesmo que seja necessário afastá-los de suas casas. A expectativa é que toda família tenha a capacidade de promover um ambiente saudável para a criação dos filhos, independentemente da situação financeira. No entanto, esta realidade nem sempre se confirma e exige a intervenção do Estado, que deve realizar todos os esforços para proteger e reestruturar essa base para proporcionar um ambiente verdadeiramente positivo, propício e adequado ao desenvolvimento da criança e do adolescente (MATSUI, 2019).
2. ALIENAÇÃO PARENTAL
A Alienação Parental é uma forma de romper o vínculo afetivo entre pais e filhos. Esse fenômeno não é novo, mas só foi regulamentado em 2010 com o advento da Lei nº 12.318, demonstrando que é difícil, tanto legal quanto socialmente, compreender que esse conflito é prejudicial à formação familiar e saúde de crianças e adolescentes (BRASIL, 2010).
Esse assunto é relevante porque aborda um tema muito comum em famílias separadas, muitas vezes em litígio. Richard Gardner (2002), psiquiatra americano da Psiquiatria da Criança e do Adolescente relata:
Um distúrbio da infância que aparece quase exclusivamente no contexto de disputas de custódia de crianças. Sua manifestação preliminar é a campanha denegritória contra um dos genitores, uma campanha feita pela própria criança e que não tenha nenhuma justificativa. Resulta da combinação das instruções de um genitor (o que faz a "lavagem cerebral, programação, doutrinação") e contribuições da própria criança para caluniar o genitor-alvo. Quando o abuso e/ou a negligência parentais verdadeiros estão presentes, a animosidade da criança pode ser justificada, e assim a explicação de Síndrome da Alienação Parental para a
hostilidade da criança, não é aplicável.
Alienação Parental é um termo que descreve um abuso no direito de guarda.
O acesso ao filho é uma espécie de arma de vingança em que o alienador utiliza para ferir o relacionamento afetivo com o outro. As razões parecem óbvias e são por pedido de verba para alimentação ou quando um ex-parceiro está em um novo relacionamento. A rejeição é um dos pontos que desencadeia as características psicopatológicas da Alienação Parental e suas consequências (TABOSA, 2016).
O artigo 2º da Lei nº 12.318/2010 define o conceito jurídico de Alienação Parental:
Art. 2o Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós, ou pelos que tenham a criança ou o adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou a manutenção de vínculos com este.
Após a separação, é normal que marido e mulher tenham interesses divergentes, e a hostilidade pode surgir por diversos motivos, como desejo de vingança, fracasso em superar o fim do relacionamento, ciúmes, desvio de personalidade; por isso, tenta-se atingir o vínculo mais precioso entre marido e mulher: o filho. Nesse caso, um genitor com a guarda do filho, para ferir um ex- companheiro, pode usar o filho e manipulá-lo para que não ame mais aquele que não é seu guardador (STRUCKER; SPENGLER, 2015).
O genitor alienante não mede esforços para convencer o filho de que está sendo abusado pelo genitor alienado, convence de que ele abandonou o lar e a criança, transmitindo a ideia de que o amor entre o genitor alienado e a criança não deve existir porque irá causar danos à criança (STRUCKER, 2014). A alienação é o extremo da perversão. É o desprezo pelo outro, a necessidade de vingança pela falta de amor, destilada através de crianças e adolescentes que se tornam verdadeiras ferramentas para atacar aqueles que decidem viver suas vidas sem a companhia de um alienador (MORADEI; SOUTO, 2013).
Sutil no início, o alienador procura rebaixar o outro genitor diante do filho, tornando aparentes suas fraquezas, degradando suas qualidades de pai e de ser humano. Aos poucos, torna-se mais ostensivo, bloqueando o contato e rompendo o vínculo entre o alienado e a criança (MORADEI; SOUTO, 2013).
As mulheres são as maiores alienadoras, já que a guarda geralmente é da mãe. Alguns comportamentos são comuns e mostram o quão perverso é o alienador: impedimento de visitas; omissão de fatos relevantes sobre a vida da criança; criação de histórias depreciativas sobre o alienado; mensagens contraditórias que fazem a criança sentir medo na presença do genitor afastado;
ameaça de abandono caso a criança goste dele e da sua companhia (MORADEI;
SOUTO, 2013).
Em 1987, o professor Richard Gardner definiu pela primeira vez a Alienação Parental nos Estados Unidos. Após vários estudos, Gardner concluiu que alguns de seus pacientes, cujos pais estavam em processo de separação judicial, estavam vivenciando a mesma doença que estava sendo estudada mais especificamente e que despertava grande interesse na área psicológica e jurídica. Esses dois campos são reunidos para melhor compreender os fenômenos emocionais que envolvem as partes no processo judicial, neste caso aquelas que estão em processo de separação ou divórcio e cujos casais têm filhos. O Dr. Gardner observou que alguns pais deixaram claro que devido aos processos litigiosos, ensinavam seus filhos a romper o vínculo emocional com o outro genitor, criando fortes sentimentos de ansiedade e medo pelo outro genitor (GARDNER, 2002).
Após a separação de um casamento com filho, um dos pais passa a manipular o filho, colocando-o contra o outro cônjuge sem custódia, fazendo com que ele seja odiado e excluído da vida do próprio filho, fruto do casamento, levando a transtornos na parentalidade (SIMÃO, 2008). Falar sobre a importância desse tema expô-lo ao público contribui para trazer alguma explicação para esse comportamento que era pouco discutido até alguns anos atrás, quando pais e filhos eram separados e a participação do genitor guardião nesse processo, muitas vezes, não era percebida (TARDELLI; SILVA, 2013).
2.1 O surgimento da nomenclatura Alienação Parental
A Alienação Parental foi objeto de vários estudos aleatórios na década de 1940. Gardner foi o primeiro estudioso a abordar essa questão especificamente, um professor de psiquiatria infantil na Universidade de Columbia em meados da década de 1980 (GARDNER, 2002).
Outro responsável por divulgar as ideias já consolidadas de Gardner desde 2001 foi o europeu François Podevyn, que acrescentou pesquisas relacionadas à psicologia forense. A Síndrome da Alienação Parental é um termo proposto pelo psicólogo americano Richard Gardner, que encontrou muitas semelhanças nas atitudes das vítimas desse comportamento após vários estudos. Pode-se concluir que a ambição do estudioso foi bem sucedida, e hoje esse comportamento é considerado doentio e renegado pela ciência psicológica (TABOSA, 2016).
2.2 O momento de implantação da Alienação Parental
Na maioria dos casos, o marco inicial da Alienação Parental ocorre quando o casal se separa. Caso não seja compartilhada, a guarda ficará com um dos pais que terá mais tempo com a criança. Se esse genitor for o alienador, ele terá maior liberdade de ação e, segundo pesquisas, o número de casos em que o agressor é quem possui a guarda dos filhos é maior. No Brasil, segundo estimativas do IBGE, a maioria das crianças fica com as mães quando são tomadas as decisões de guarda judicial, razão principal pela qual a maioria dos especialistas se refere às mães como alienadoras (JORGE, 2013).
Depois de uma separação, as mulheres têm mais dificuldade em se adaptar a uma nova vida de solteira do que os homens, pois geralmente é mais fácil para os homens formar novos relacionamentos sérios. Para as mulheres, no entanto, isso não acontece porque, além de criar os filhos, elas precisam de tempo para se recuperar do trauma e da decepção da separação. Quando essas mulheres não conseguem superar essa decepção e revés, a Alienação Parental muitas vezes começa sem pensar no filho para atingir outro genitor (JORGE, 2013).
Na maioria dos casos, o abuso começa quando o casal se separa, mas há algumas exceções quando a Alienação Parental ocorre através dos avós (paternos ou maternos), independentemente de o casal estar separado, ou mesmo, quando os pais nem moram juntos, então é difícil identificar o início desse abuso (JORGE, 2013).
2.3 Formas de implantação da Alienação Parental
A Alienação Parental é iniciada de forma gradual e sutil com o objetivo de fazer com que as crianças odeiem o pai, a mãe ou qualquer parente próximo, com o objetivo de manter uma distância permanente no futuro (GÓIS, 2010).
Não há como delimitar, mas em alguns casos, o abuso começa leve, às vezes é imperceptível e aumenta com o tempo. Por exemplo, ao retornar de uma visita a outro genitor, o alienador começa a questionar a criança dizendo que o pai ou a mãe não cuidou bem dela, que ela chegou pior do que quando saiu, e assim por diante, lançando uma campanha de difamação contra o genitor. Com o passar do tempo, percebendo que o abuso inicial não é suficiente para atingir seu objetivo (separação dos dois), esses abusos tendem a se agravar para piorar o relacionamento entre as vítimas e são realizados de diversas formas. A partir desse momento, nota-se que os comportamentos se tornam mais agressivos, como obstrução parcial das visitas, organização de atividades no dia da visita do outro genitor, não transferência de ligações, tomada de decisões importantes sobre os filhos sem consulta ao outro genitor, atitudes que objetivam atrapalhar o relacionamento e a intimidade entre os dois. Nesse nível de alienação, muita atenção e agilidade são necessárias para interromper e reverter esses abusos, pois é muito provável que em um curto período de tempo uma criança venha a desenvolver uma condição de Síndrome da Alienação Parental (JORGE, 2013).
Mais ainda as piores formas de abuso podem ocorrer. Isso acontece quando o alienador acusa falsamente o outro genitor de ter abusado fisicamente, emocionalmente ou sexualmente da criança, uma forma de romper qualquer relacionamento entre a criança e o outro genitor. Feito isso, o alienador cumpre seu intento, pois a partir da denúncia, falsa ou não, o juiz interrompe a visitação e o contato da criança com o genitor alienado. Nesse caso, muita atenção precisa ser dada, pois a falsa acusação do alienado pode prejudicar o relacionamento das vítimas. Comportamentos nesse sentido são difíceis tanto para a criança quanto para o genitor alienado, e o pior de tudo, o mal dessa alienação ocorre com a aprovação de um judiciário que não tem real compreensão do abuso, e a demora na sua decisão pode causar danos quase irreparáveis (JORGE, 2013).
Além disso, diante dessa situação, o abusador que inventou a acusação diz ter razão, tentando provar ao filho e a todos em sua vida que a interrupção
aconteceu porque até o juiz entendeu a situação, ou seja, a atitude do abusador é reverenciada pelo magistrado, o que não pode acontecer. Quando a investigação termina, anos depois, é difícil a reaproximação, pois mesmo que não tenha ocorrido abuso, o ódio da criança pelo genitor e a implantação de falsas memórias continuarão da mesma forma, como se o abuso sexual realmente tivesse acontecido (JORGE, 2013).
2.4 A Diferença entre Síndrome da Alienação Parental e Alienação Parental
A diferença entre a Alienação Parental e a Síndrome da Alienação Parental é técnica, pois para a medicina é correto usar a síndrome apenas para situações em que ela se configure por causar um transtorno mental em uma criança que começa a sentir ódio por um dos genitores (GUILHERMANO, 2011). Por outro lado, há vários outros autores que discordam do uso de Gardner do termo "Síndrome de Alienação Parental" e simplesmente usam o termo "Alienação Parental".
A síndrome da Alienação Parental é considerada um subtipo de Alienação Parental. Esta é uma doença que surge principalmente em disputas de guarda dos filhos (GARDNER, 2002).
Jorge Trindade (2007) afirma que uma síndrome é um conjunto de sintomas, sejam eles físicos ou mentais, que caracterizam a presença de uma doença. Com base nessa definição, a Síndrome da Alienação Parental pode ser identificada como um processo no domínio psicológico, pois seus sintomas se manifestam no comportamento dos sujeitos, afetando diretamente como eles agem.
Para a maioria dos autores, a Síndrome da Alienação Parental caracteriza-se por um conjunto de sintomas em uma criança, e Gardner (2002) utiliza essas características como critério para identificar uma criança com a síndrome. Esses sintomas incluem: campanhas difamatórias contra o genitor alienado;
racionalizações fracas, absurdas ou frívolas para a depreciação; falta de ambivalência; fenômeno do “pensador independente”; apoio automático ao genitor alienador no conflito parental; crueldade e exploração contra genitor alienado sem culpa; existência de encenações ‘encomendadas’; propagação de hostilidade a amigos e/ou parentes do genitor alienado.
Gardner (2002) conceituou três tipos de sintomas que prejudicam os sujeitos,
que podem ser leves, médios ou graves:
Quanto a Leve: as manifestações do fenômeno são superficiais e facilmente reversíveis, normalmente, as visitas apresentam-se calmas, com um pouco de dificuldades na hora da troca de genitor. Enquanto o filho está com o genitor alienado, as manifestações da campanha de desmoralização desaparecem ou são discretas e raras. A motivação principal do filho é conservar um laço sólido com o genitor alienador. Na aguardo da decisão do tribunal, as crianças apresentam alguns distúrbios do comportamento durante as transições. Mas, globalmente, as visitas ocorrem em boas condições e tudo se ajeita ao chegar à residência do genitor alienado, mesmo que as crianças façam eventualmente alguns comentários desagradáveis. Em geral, as crianças querem se tranquilizar sobre a possibilidade de manter o vínculo psicológico com o outro genitor.
Isto é um sinal de boa saúde psíquica. Os vínculos são geralmente mantidos com a família ampliada ou os amigos. Se a família for bem apoiada e orientada, tudo se passará bem.
Quanto à média: Esses são os casos mais frequentes. Para simplificar, eles se situam entre os casos leves e os severos. A agressividade é mais evidentes e muitos sinais estão presentes. Eles se manifestam notadamente durante as transferências de domicílio. O genitor alienador utiliza uma grande variedade de táticas para excluir o outro genitor. No momento da troca de genitor, os filhos, que sabem o que genitor alienador quer escutar, intensificam sua campanha de desmoralização. Os argumentos utilizados são os mais números, os mais frívolos e os mais absurdos. O genitor alienado é completamente mau, e o outro completamente bom. Apesar disso, aceitam ir com o genitor alienado, e, uma vez afastado do outro genitor, tornam a ser mais cooperativos.
Quanto ao grave: Todos os sinais que definem a SAP estão presentes, em um grau extremamente evoluído. A volta espontânea ao normal é impossível, ou pelo menos somente após longos anos. As crianças superaram a fase da transgressão, não sentem nenhum remorso, além de serem agressivas e provocantes, verbal e fisicamente, para com o genitor alienado, o caluniam e quebram tudo em casa. Compartilham os mesmos fantasmas paranoicos que o genitor alienador tem em relação ao outro genitor. Podem ficar em pânico apenas com a ideia de ter que visitar o outro genitor torna-se impossível. Se, apesar disso, forem com o genitor alienado, podem fugir paralisar-se por um medo mórbido ou manterem-se continuamente tão provocadores e destruidores, que devem necessariamente retornar ao outro genitor. Mesmo afastados do ambiente do genitor alienador durante um período significativo, é impossível reduzir seus medos. Todos esses sintomas ainda reforçam o laço patológico que tem com o genitor alienador. Encontramos sempre a falta de ambivalência.
Gardner (2002) explicou que os casos leves podem evoluir para moderados ou graves, que muitas vezes a maioria desses sintomas coexiste:
“Essa consistência resulta em que as crianças com SAP assemelham-se umas às outras”. É por causa dessas considerações que a SAP é um diagnóstico relativamente claro, que pode facilmente ser feito. Por causa dessa clareza, a SAP presta-se bem aos estudos de pesquisa, porque a população a ser estudada, em geral, pode ser facilmente identificada. Além disso, tenho confiança em que essa clareza será comprovada pela confiabilidade dos estudos futuros inter-relacionados. Em contraste, as crianças submetidas à AP provavelmente não se prestam aos estudos de pesquisa por causa da grande variedade de distúrbios a que pode se
referir.
- por exemplo: os abusos físicos, abusos sexuais, negligência e parentalidade disfuncional. Como é verdadeiro em outras síndromes, há na SAP uma causa subjacente específica: a programação por um genitor alienante, conjuntamente com contribuições adicionais da criança programada. É por essas razões que a SAP é certamente uma síndrome, e é uma síndrome pela melhor definição médica do termo.
Podevyn (2001) entende que a Síndrome da Alienação Parental é como um processo que envolve fazer os filhos odiarem o outro genitor sem uma razão válida, engajando-se em uma campanha que desmoraliza o outro genitor.
Na maioria das vezes, a síndrome costuma se manifestar no ambiente da mãe da criança, principalmente porque demora muito para se instalar, e por possuir a guarda na maioria das vezes. No entanto, pode surgir em ambientes onde os pais são instáveis, ou em culturas onde as mulheres tradicionalmente não têm direitos concretos (PODEVYN, 2001).
Em alguns casos, a alienação é totalmente justificada, ou mesmo a única forma de preservação mental de uma criança. Quando ocorre a desconstituição da figura parental de um dos genitores face à criança, devido à manipulação por parte de um dos genitores, avós, ou de terceiro para apagar a imagem desse genitor da vida do filho ou afastá-la de seu convívio (TABOSA, 2016).
Segundo Moraes (2002), a Síndrome da Alienação Parental consiste nas consequências da alienação da criança como vítima, refletidas em condutas e comportamentos. Quanto antes se confirmar que a criança é vítima de Alienação Parental, maior a chance de reversão; caso contrário, se esse mal já for SAP, a reversão é quase impossível.
Maria Berenice Dias (2006) explica que quando os cônjuges não conseguem fazer o luto adequado da separação, inicia-se um processo de destruição, desmoralização e descrédito contra o ex-cônjuge. Vendo o interesse do outro genitor em manter a convivência com o filho, o genitor alienador quer vingança afastando-o do outro genitor. Para isso, cria uma série de situações para dificultar ao máximo ou impedir o contato. Faz com que o filho rejeite e odeie o pai.
A psicóloga e advogada Alexandra Ullmann (2009) fez uma observação importante sobre esse tema:
Alguns entendem a Alienação como uma Síndrome por apresentar um conjunto de sintomas a indicar uma mesma patologia, enquanto que outra corrente exclui o termo Síndrome da definição por determinar que, como
não há ‘reconhecimento’ da medicina nem código internacional que a defina, não pode ser considerada uma Síndrome.” Fato é que, independentemente de ser ou não uma Síndrome, assim subentendida, o fenômeno existe e cada vez mais é percebido e verificado, independentemente de classe social ou Situação financeira.
No Brasil, em 26 de agosto de 2010, foi criada a lei que dispõe sobre a Alienação Parental (Lei nº 12.318 de 2010), trazendo conceitos sobre o alienador e o alienado, além de medidas judiciais que devem ser tomadas quando constatada a Síndrome da Alienação Parental.
Embora os institutos se complementem não se confundem. No caso da Alienação Parental, por manipulação de um dos genitores, avós ou terceiros, a imagem de um dos pais é desconstruída para remover a imagem desse genitor. A SAP, por outro lado, é constituída pelas consequências da alienação das crianças como vítimas (BATISTA, 2013).
O conceito de Alienação Parental pode ter um problema segundo o próprio idealizador: esse termo pode abranger os diversos motivos pelos quais as crianças são alienadas pelos próprios pais, razões que excluem a ideia de “programação”,
“lavagem cerebral” constante do conceito de SAP. Assim, a alienação dos filhos pode ser decorrente de abuso físico, emocional, sexual, etc. Diante dessa interpretação, fica claro que a SAP seria um subtipo, um tipo de Alienação Parental (ULLMANN, 2009).
2.5 O Perfil do alienador
Segundo Ceccarelli (2005), a psicopatologia é um termo que se popularizou, composto por três palavras gregas que significam: psique - alma ou mente; pathos – paixão, sofrimento ou doença; e logo - lógica ou o conhecimento.
A psicopatologia pode ser definida como o estudo do sofrimento mental, ou seja, o estudo da doença mental. Atualmente, o termo psicopatologia está associado a diversas disciplinas interessadas no sofrimento mental (CECCARELLI, 2005).
São sentimentos comuns de um genitor alienador: a) raiva, ódio, ciúmes, inveja; b) ingratidão, não reconhecendo nada de bom que o outro genitor fez pela criança e, em vez disso, denigre a imagem do genitor alienado, dizendo que não se importa e não te ama; c) superprotege os filhos, sufocando-os; d) exagera sua
importância (VIEIRA, 2015).
Os sentimentos dos pais alienadores podem ser comparados aos de um criminoso passional: ciúme, raiva, egoísmo, vingança. Esses sentimentos são comuns aos humanos que sentiram ou sentirão em suas vidas em variáveis medidas. No entanto, nem todos que sentem ou sentirão necessariamente cometerão violência ou suprimirão a presença de outra pessoa (TABOSA, 2016).
Indignado com a perda, com o abandono de que julga estar sendo vítima, por tudo isso, é capaz de centrar em si. Por isso que seu desejo é de vingança, e o objeto para atingir seu alvo é o próprio filho inocente que acaba arcando com as consequências desta loucura (VIEIRA, 2015).
A Síndrome da Alienação Parental é cercada por comportamentos comuns dos pais alienadores. Portanto, entendê-los é crucial porque a cura do mal não vem antes do entendimento da causa. Para tal, os operadores do direito devem estar atentos ao comportamento das partes (JORGE, 2013).
Gardner (2002) lista alguns comportamentos típicos de pais alienadores:
apresentar um novo cônjuge a uma criança como sua nova mãe ou pai; impedir o outro genitor de exercer o direito de visita; "esquecer" de notificar o outro genitor sobre compromissos importantes do filho; envolver pessoas próximas a você (sua mãe, seu novo cônjuge, etc.) na lavagem cerebral do filho; sair de férias sem o filho e deixá-lo com outras pessoas mesmo que o outro genitor queira cuidar da criança; ameaçar de punir a criança se telefonar, escrever ou se comunicar com o outro genitor; culpar o outro genitor pela má conduta da criança; entre outros atos.
A psicóloga Maria Antonieta Pisano Motta (2008) cita três comportamentos considerados comuns a quem pratica a Alienação Parental:
(1º) Quando existe a superproteção do genitor ao filho alienado, em que a pessoa se mostra com medo de tudo, vê problemas à integridade dos filhos em qualquer ambiente e acha que só na presença deles a criança estará bem. Esses genitores não confiam em ninguém e muitas vezes acham normal a superproteção, nem percebendo o mal que poderão causar ao filho, quando o mesmo necessitar “andar pelas próprias pernas”. (2º) Pelo comportamento psicopático da pessoa alienadora pode-se perceber a tendência à prática da alienação parental. A pessoa que desenvolve esse comportamento tem tendência maior em enganar e manipular as pessoas, sem que isso represente um problema, pois ela não se preocupa com a consequência de seus atos, com isso, cria-se a possibilidade da implantação de falsas memórias e até mesmo da acusação de falso abuso sexual. (3º) O alienador tenta demonstrar à criança ou ao adolescente que ele é o único adulto em quem devem confiar. Neste caso, o genitor alienador exclui todas as pessoas que possam tentar interferir, seja o genitor alienado, os seus familiares. Há casos em que dificulta, até mesmo,
o trabalho de psicólogos e técnicos do judiciário, causando atrasos e transtornos propositadamente no andamento das ações judiciais.
Existem outros comportamentos abusadores que podem levar à Alienação Parental de crianças, porém, os casos abordados são os mais comuns e merecem maior atenção e repúdio.
2.6 A vingança do alienador
O alienador a todo o momento trama uma situação para que seu filho se distancie do genitor alienado, com o objetivo de ter o controle total do filho, não dividi-lo com o ex-cônjuge ou outro genitor. O genitor vingativo age de forma consciente. Ele se aproxima da figura de paranoico ou ainda perverso (TABOSA, 2016).
Muitas vezes, o perverso pode repentinamente se tornar gentil para envolver suas vítimas. No caso de divórcio, o uso de filhos é o "meio" mais sensível para afetar a outra parte. Então, ao programar as crianças para odiar o outro, os pervertidos amplificam esse fenômeno (GOUDARD, 2008).
2.7 A consequência da alienação para o filho
No caso de Alienação Parental, certamente a criança é a mais afetada, muito mais do que o próprio genitor alienado, afinal a criança ou adolescente está em fase formativa e qualquer trauma que venha a sofrer acabará refletindo em seu desenvolvimento. O genitor alienador age o tempo todo para convencer a criança de que o genitor alienado na verdade não é uma boa pessoa, e muitas vezes gostam de confessar que não o ama, atitude cruel e fria. Para dominar e programar crianças contra pais alienados (TABOSA, 2016).
Em situações em que o ex-cônjuge possui uma nova família, exige que a criança comece a reconhecer que o seu novo parceiro (a) é a sua mãe ou o pai, acabará por aumentar ainda mais a confusão na mente da criança. A criança começa a sentir medo, dúvida, raiva, desequilíbrio emocional, entre outros sentimentos. O medo de não ter o amor do genitor que está ao seu lado acaba fazendo com que ele feche os olhos para a realidade, e assim comece a acreditar
fielmente que o alienador está certo e com a razão (TABOSA, 2016).
Assim a criança acaba sendo obrigada a escolher um de seus genitores, como se só pudesse amar um de seus pais, temendo o abandono e também a perda, afinal, o alienador faz toda a programação na criança, durante um longo período de tempo. Como resultado, ele acaba tendo as mesmas ilusões e sentimentos do alienador, o que é estressante para a criança. Tal quadro leva a um desequilíbrio no desenvolvimento emocional da criança ou do adolescente. Então o filho começa a ter que mentir, para convencer a todos e até a si mesmo de que acredita na situação em que vivencia (TABOSA, 2016).
A Síndrome da Alienação Parental pode gerar efeitos em suas vítimas como:
depressão crônica, incapacidade de adaptação social, distúrbios de identidade e imagem, desespero, isolamento, comportamento hostil, desorganização e até mesmo tendência ao uso de álcool e drogas na vida adulta e, às vezes, suicídio.
Sentimentos incontroláveis de culpa também podem se desenvolver quando as crianças crescem e percebem que, sem saber, fizeram uma grande injustiça com seus pais distantes (TRINDADE, 2010).
Com a separação dos pais, a criança é abalada pelo sentimento de vazio e abandono que vem com a ausência de um tutor. Essa ruptura, embora dolorosa para as crianças, pode ser mais bem vivenciada se os pais continuarem sendo pais e mães eficazes. O alienador (guardião) ganha o controle completo ao interromper o relacionamento da criança com o outro genitor. Eles tornam-se um, inseparáveis.
O pai passa a ser um intruso, a ser eliminado a todo custo. Essa estratégia permite que os alienadores sintam prazer com a destruição de seu ex-parceiro (TABOSA, 2016).
Para François Podevyn (2001), uma criança que é levada a odiar e rejeitar um pai que o ama e precisa, destruirá irreparavelmente esse vínculo. Como resultado, muitas dessas crianças desenvolvem doenças mentais graves e tendem a reproduzir a mesma psicopatologia do genitor alienador.
Os doutores Evandro Luiz Silva e Mário Rezende também confirmaram os malefícios da prática da alienação tanto para os pais quanto para os filhos:
O genitor ausente, privado do contato com o filho, tem uma vida marcada por estresse advindo de uma luta infrutífera, apresentando frequentemente comportamentos depressivos. [...] As condições psíquicas do ser humano são construídas desde a infância, com a convivência familiar e os primeiros laços estabelecidos. Assim é que, a ausência de um dos pais que conviveu
com a criança podem gerar nela sintomas. Esses sintomas, como já dito anteriormente, surgem da sensação de abandono que estas crianças fantasiam sofrer e pela falta (da realidade) causada pelo ausente. São crianças que, por exemplo, costumavam ser ótimas alunas e repentinamente, ante a ausência do pai ou da mãe, apresentam uma queda no rendimento escolar, muitas vezes levando a reprovação; outras passam a ter insônia; outras ficam ansiosas, agressivas, deprimidas, enfim marcadas por algum sofrimento (SILVA; RESENDE, 2007. p. 28).
Especialistas alertam que o dano psicológico ao genitor vítima é enorme.
Seus sentimentos podem ser piores do que se ocorresse realmente à morte da criança, pois os sujeitos tendem a aceitar a dor quando a morte ocorre. A morte de um filho em vida não é a mesma coisa, pois os pais sabem que o tempo vai passar nada pode ser feito para estar perto do filho, e neste caso, a dor da perda durará para sempre (JORGE, 2013).
Nesse sentido, manifestou Richard Gardner (2002 apud BORGES, 2010, p.1):
A perda de uma criança nesta situação pode ser mais dolorosa e psicologicamente devastadora para o pai-vítima do que a própria criança, pois a morte é um fim, sem esperança ou possibilidade para reconciliação, mas os “filhos da alienação parental” estão vivos, e, consequentemente, a aceitação e renúncia à perda é infinitamente mais dolorosa e difícil, praticamente impossível, e, para alguns pais, a dor contínua no coração é semelhante à morte viva.
É impossível enumerar todos os efeitos que uma pessoa sente com a implementação da Síndrome da Alienação Parental, porque o comportamento e os sentimentos humanos são bastante subjetivos, pois para alguns, isso pode se traduzir em enormes problemas e para outros, pode passar despercebido. O que se sabe é que quanto mais cedo o abuso parar, menos trauma é criado (JORGE, 2013).
3. MEDIDAS CABÍVEIS AO COMBATE DA ALIENAÇÃO PARENTAL NO BRASIL
Existem diversas formas de combater a Alienação Parental no país. Seja através de normas de proteção à família, e de algumas decisões judiciais importantes dos tribunais, bem como a Lei nº 12.318/2010, que regulamenta o assunto e introduz conceitos raramente discutidos pelo judiciário, bem como a questão da divulgação nos diversos meios de informação (JORGE, 2013).
Pode-se dizer que para todo abuso já existem mecanismos legais para coibi- lo, mas o trabalho de prevenção é tão importante quanto o combate à Alienação Parental, ou seja, o fundamental é intervir previamente para evitar que a alienação
aconteça. Portanto, uma vez identificado o processo de Alienação Parental, é importante que o judiciário interrompa seu desenvolvimento, evitando assim a instalação da síndrome. No entanto, o direito e a psicologia devem trabalhar juntos para que a terapia seja bem-sucedida. As ações para receber e tratar esses casos devem ser organizadas com princípios familiares que ajudem os pais a abandonar modelos educacionais negligentes ou agressivos e substituí-los por modelos educacionais que beneficiem tanto a eles quanto a seus filhos, e assim facilitem seu processo de crescimento e desenvolvimento e construam sua autoestima (JORGE, 2013).
Uma vez diagnosticada a intenção de afastar o genitor, cabe ao magistrado tomar as providências para permitir que a criança se aproxime do genitor alienado, evitando assim que o genitor alienante tenha sucesso no procedimento já tentado (JORGE, 2013).
O ECA também veio garantir direitos e proporcionar medidas que possibilitam sanções aos abusadores:
Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.
Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:
a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude.
Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.
Art. 22º Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais (BRASIL, 1990).
Os juízes também podem tomar decisões protetivas em relação aos filhos nos termos dos artigos 98 e 130 do ECA, bem como determinar sanções para pais alienadores, uma vez detectados abusos ou danos por alienação:
Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados: I - por ação ou omissão da sociedade ou do Estado; II - por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável; III - em razão de sua conduta.
Art. 130. “Verificada a hipótese de maus-tratos, opressão ou abuso sexual impostos pelos pais ou responsável, a autoridade judiciária poderá determinar, como medida cautelar, o afastamento do agressor da moradia comum.” (BRASIL, 1990).
O Código Civil de 2002 também enumera algumas das obrigações que os pais têm para com os filhos menores:
Art. 1.634. Compete aos pais, quanto à pessoa dos filhos menores:
I - dirigir-lhes a criação e educação;
II - tê-los em sua companhia e guarda;
III - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para casarem;
IV – nomea-lhes tutor por testamento ou documento autêntico, se o outro dos pais não lhe sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercer o poder familiar;
V - representá-los, até aos dezesseis anos, nos atos da vida civil, e assisti- los, após essa idade, nos atos em que forem partes, suprindo-lhes o consentimento;
VI - reclamá-los de quem ilegalmente os detenha
VII - exigir “que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição” (BRASIL, 2002).
É importante salientar que todos os abusos cometidos por alienadores devem ser combatidos, pois violam as salvaguardas voltadas ao bem-estar e ao desenvolvimento de crianças e jovens e são obrigatórios por lei, conforme descrito acima (JORGE, 2013).
Com a introdução da Lei no 12.318/2010, genitores alienadores devem responder rigorosamente por seus atos. Não podem mais se esconder atrás de brechas legais.
No mesmo contexto, a autora Maria Berenice destaca:
[...] não se espera da lei, o efeito de remédio que transforme totalmente os costumes ou a eliminação de dificuldades inerentes a complexos processos de alienação parental. Razoável é considerá-la como uma ferramenta para assegurar maior expectativa de efetividade na busca de adequada atuação do Poder Judiciário, em casos envolvendo alienação parental (DIAS, 2010, np).
“Sob o aspecto jurídico, a Síndrome da Alienação Parental é considerada interferência abusiva na formação psíquica da criança ou adolescente para que repudie o genitor ou cause prejuízo ao estabelecimento ou manutenção de vínculos