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(2) ANA MARIA STRAUBE DE ASSIS MOURA. BRASIL DE FATO: TRAJETÓRIA, CONTRADIÇÕES E PERSPECTIVAS DE UM JORNAL POPULAR ALTERNATIVO. Dissertação. apresentada. em. cumprimento. às. exigências do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo, para obtenção do grau de Mestre. Orientadora: Profa: Cicília Maria Krohling Peruzzo. Universidade Metodista de São Paulo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social São Bernardo do Campo – SP, 2009.
(3) FOLHA DE APROVAÇÃO. A dissertação de mestrado sob o título “Brasil de Fato: trajetória, contradições e perspectivas de um jornal popular-alternativo”, elaborada por Ana Maria Straube de Assis Moura, foi defendida e aprovada no dia 31 de março de 2009, perante a banca examinadora composta por Cicília Maria Kröhling Peruzzo, Edgar Rebouças e José Salvador Faro.. Declaro que a autora incorporou as modificações sugeridas pela banca examinadora, sob a minha anuência enquanto orientadora, nos termos do Art. 34 do Regulamento dos Cursos de Pós-Graduação.. Assinatura da orientadora: ______________________________________ Nome da orientadora: Cicília Maria Kröhling Peruzzo. São Bernardo do Campo, 10 de agosto de 2009 Visto do Coordenador do Programa de Pós-Graduação: _______________. Área de concentração: Processos Comunicacionais Linha de pesquisa: Processos Comunicacionais Midiáticos Projeto temático: Comunicação popular e alternativa.
(4) Dedico este trabalho à memória de meu pai, João Paulo Rocha de Assis Moura.
(5) It isn't at all a matter of being optimistic, but rather of continuing to have faith in the ongoing and literally unending process of emancipation and enlightenment that, in my opinion, frames and gives direction to the intellectual vocation.. Edward Said, em Orientalism, edição de 25°aniversário.
(6) AGRADECIMENTOS. Agradeço à minha orientadora, Profa. Cicília Peruzzo, pela paciência e dedicação com a realização deste trabalho quando tudo parecia perdido. Aos entrevistados José Arbex Júnior, Miguel Stedile, Nilton Viana e Ricardo Gebrim, pela disponibilidade em responder minhas perguntas. A João Pedro Stedile, Nilton Viana e José Arbex Júnior, pela confiança em cederem seus documentos pessoais sobre o jorna l Brasil de Fato. À amiga Mariana Pires, pela ajuda com a tradução do resumo. Aos meus pais, Ida e João Paulo, pelo amor e apoio incondicionais. E ao Rodrigo, por tudo..
(7) SUMÁRIO Introdução.................................................................................................................................11. Capítulo I – MOVIMENTOS SOCIAIS NO BRASIL.........................................................17 1. O que são movimentos sociais?..........................................................................................17 2. Organizações populares e movimentos sociais no Brasil...............................................23 2.1 Período 1964-1974.............................................................................................................23 2.2 Movimentos sociais emergentes, período 1975-1989..................................................25 2.2.1 As Comunidades Eclesiais de Base..............................................................................26 2.2.2 Movimento Contra a Carestia......................................................................................29 2.2.3 Outros movimentos do período....................................................................................30 2.2.4 Diretas Já, fim da ditadura, e Constituinte..................................................................32 2.3 Desmobilização dos movimentos sociais após 1989...................................................34 3. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)..........................................39 3.1 Histórico e formação..........................................................................................................39 3.2 Desafios atuais do MST.....................................................................................................44. Capítulo II – COMUNICAÇÃO CONTRA-HEGEMÔNICA.............................................50 1. Imprensa no capitalismo......................................................................................................50 2. O papel do jornal nas organizações de esquerda.............................................................52 3. Comunicação popular e alternativa no Brasil..................................................................55. Capítulo III – O SETOR DE COMUNICAÇÃO DO MST..................................................69 1. Movimentos sociais e meios de comunicação de massa...............................................70 2. O MST e a grande mídia......................................................................................................73 3. Os meios de comunicação do MST...................................................................................78 3.1 Jornal Sem Terra................................................................................................................79 3.2 Revista Sem Terra...............................................................................................................81 3.3 Página do MST na internet...............................................................................................81 3.4 Rádio...................................................................................................................................82 3.5 Audiovisual.........................................................................................................................83.
(8) Capítulo IV - NASCIMENTO E FORMAÇÃO DE UM JORNAL DE ESQUERDA NO BRASIL...................................................................................................................................84 1. Formação do grupo político em torno do projeto do jornal.........................................85 2. Projeto editorial e político do "jornal de esquerda"........................................................95 3. Funcionamento e sustentabilidade..................................................................................103 4. Comitês de apoio................................................................................................................110 5. Lançamento do jornal Brasil de Fato................................................................................114. Capítulo V - O JORNAL BRASIL DE FATO EM SEIS ANOS DE EXISTÊNCIA, TRAJETÓRIA, DIFICULDADES, DESAFIOS...................................................................118 1. Primeiro ano: 2003..............................................................................................................119 2. Anos de crise: 2004, 2005 e 2006.....................................................................................127 3. Consolidação: 2007 e 2008...............................................................................................130 4. Temas das manchetes do Brasil de Fato em seis anos de vida...................................142 5. O jornal Brasil de Fato e governo Lula............................................................................146 Capítulo VI - RELAÇÃO ENTRE ASPECTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS NO JORNAL BRASIL DE FATO................................................................................................................154 1. Brasil de Fato: leninista ou gramsciano?.......................................................................154 2. Popular e alternativo...........................................................................................................159. CONCLUSÃO........................................................................................................................163. REFERÊNCIAS ....................................................................................................................169. ANEXO 1- Temas gerais das manchetes do jornal Brasil de Fato em 304 edições (2003-2008) ANEXO 2 – Síntese do documento "Um Projeto Popular para o Brasil" ANEXO 3 - Capas do Brasil de Fato cujas manchetes fazem referência direta e indireta ao governo Lula.
(9) Resumo Pesquisa sobre o semanário de esquerda Brasil de Fato, construído por um coletivo de dirigentes de movimentos sociais e representantes de organizações da sociedade civil, jornalistas, advogados e artistas, identificados politicamente e reunidos a partir de uma proposta apresentada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Lançado em janeiro de 2003, com a perspectiva de se tornar um meio de comunicação de massas, completou seis anos de existência resistindo às adversidades. O objetivo central é analisar o processo de construção e consolidação deste jornal popular-alternativo desde a formulação de seu projeto. São resgatados os caminhos percorridos para compreender não só as dificuldades inerentes à manutenção de um projeto com este perfil, mas também para analisar as contradições internas e externas que causaram as transformações em sua proposta original. A metodologia utilizada para este fim consistiu em pesquisa bibliográfica, entrevistas semiestruturadas com lideranças e análise de conteúdo. Concluiu-se que, apesar de o jornal ter enfrentado uma série de condições adversas que justificam o não cumprimento de sua proposta original, o caráter de jornal de movimentos sociais já estava presente no Brasil de Fato desde a sua formação, principalmente no que tange as concepções do MST para o jornal. Palavras-chave: Comunicação alternativa, comunicação popular, movimentos sociais, jornalismo alternativo, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra..
(10) Resumen Investigación acerca del semanario de izquierda Brasil de Fato, construido por un colectivo de dirigentes de movimientos sociales y representantes de organizaciones de la sociedad civil, periodistas, abogados y artistas, identificados políticamente y reunidos a partir de una propuesta presentada por el Movimiento de los Trabajadores Rurales Sin Tierra (MST). Lanzado en enero de 2003, con perspectiva de volverse un medio de comunicación de masas, ha cumplido seis años de existencia resistiendo a las adversidades. El objetivo central es analizar el proceso de construcción y consolidación de este periódico popular-alternativo desde su proyecto inicial. Son rescatados los camino s recorridos a fin de comprender no solo las dificultades inherentes a la manutención de un proyecto con este perfil, sino que también para analizar las contradicciones internas y externas que han causado las transformaciones en su propuesta original. La metodología utilizada para este fin ha consistido en investigación bibliográfica, entrevistas semi-estructuradas con líderes y análisis de contenido. Se ha concluido que, a pesar de que el periódico haya afrontado una serie de condiciones adversas que justifican el no cumplimiento de su propuesta original, el carácter de periódico de movimientos sociales ya estaba presente en Brasil de Fato desde su formación, principalmente en lo que toca las concepciones de MST para el periódico. Palabras-clave: Comunicación alternativa, comunicación popular, movimientos sociales, periodismo alternativo, Movimiento de los Trabajadores Rurales Sin Tierra..
(11) Abstract Investigation on the left-wing weekly newspaper Brasil de Fato, built by a group of leaders of social movements and representatives of civil society organizations, journalists, lawyers, artists, politically identified and joint to discuss a proposal submitted by the Landless Rural Workers Movement. Brasil de Fato was launched in January 2003 with the prospect of becoming a mass vehicle and completed six years of existence resisting adversities. The central objective is to analyze the process of construction and consolidation of this popular alternative newspaper since its design. Its trajectory is recovered in order to understanding not only the difficulties of maintaining a project with this profile, but also to analyze the internal and external contradictions that caused the changes in its original proposal. The methodology used for this purpose was bibliography research, semi-structured interviews with leaders and analysis of content. It was concluded that while the newspaper has faced a series of adverse conditions that justify the failure of its original proposal, but the characteristics of a social movement newspaper was already present in Brasil de Fato since its formation, especially regarding Landless Movement's conceptions for the newspaper. Key-words: Alternative media, popular media, social movements, alternative press, Landless Rural Workers Movement..
(12) 11. INTRODUÇÃO Em junho de 2002, um grupo amplo e heterogêneo formado por dirigentes de movimentos sociais e outras organizações da sociedade civil, jornalistas, advogados, artistas, se reúne a partir de uma convocação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, para discutir a proposta de criar um jornal de esquerda, de circulação nacional no Brasil. A idéia nasce da constatação de que naquele momento histórico, a grande mídia comercial, identificada como porta-voz de grupos sociais dominantes e interesses corporativos e econômicos, colocava em prática mais uma ofensiva contra o MST e demais movimentos sociais, em consonância com uma política de repressão detonada pelo Estado, na figura do presidente Fernando Henrique Cardoso. Fortalecia-se dentro do MST e dos demais movimentos envolvidos com a construção de um programa político chamado de “Projeto Popular para o Brasil”, a compreensão de que era necessário construir um meio de comunicação próprio, de massas, que atingisse a sociedade de forma ampla e fosse um canal aberto para os movimentos sociais colocarem suas reivindicações, além de fazer a disputa de hegemonia ao promover a elevação do nível de consciência da população. Assim, a partir desta proposta ambiciosa e de um projeto pré- formulado pela direção nacional do MST, o grupo heterogêneo se divide em comissões que passam a pensar todos os aspectos de funcionamento e composição de um jornal popular-alternativo, ainda sem nome, chamado por eles de "Jornal de Esquerda". Chega-se a conclusão de o jornal deve nascer semanal, com a perspectiva de se tornar diário em um curto espaço de tempo, ter vocação de massas, grandes tiragens, distribuição nacional e reportagens que mostrem um Brasil desconhecido do grande público. Politicamente, sua linha seguiria as bases do documento “Um Projeto Popular para o Brasil” e não seria vinculado a nenhum grupo político, partido, movimento ou tendência. Deve ria orientar-se por valores de esquerda e defender o antiimperialismo e o socialismo, mas não deveria tornar-se um panfleto ou um canal de transmissão de discurso ideológico. Ao contrário, precisaria agregar um grande número de pessoas, ao redor de todo o país, que mandassem sugestões de pauta, apurassem informações e organizassem-se em comitês regionais de discussão e divulgação para que o jornal não ficasse preso ao eixo Rio - São Paulo - Brasília. Após um período de discussões chegou-se a um acordo sobre o nome do jornal de esquerda, Brasil de Fato, e sobre os principais aspectos de seu projeto editorial. O ato de.
(13) 12. lançamento da edição zero do Brasil de Fato aconteceu no dia 25 de janeiro de 2003, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, reunindo personalidades da esquerda brasileira e mundial, e aglutinando oito mil pessoas. A partir da edição número 1, que saiu em 8 de março de 2003, o Brasil de Fato começa a enfrentar dificuldades de toda ordem, que contribuem aos poucos para o abandono de sua proposta inicial e para a sua conversão em um jornal de movimentos, feito para eles, por eles sustentado e direcionado para suas bases. O caminho a ser percorrido por esta pesquisa é reconstituição da trajetória do jornal popular-alternativo Brasil de Fato desde a formulação de sua primeira proposta até a publicação de sua edição de número 304, em dezembro de 2008 (não fazem parte desta análise as edições publicadas em 2009). Nessa perspectiva, o problema de pesquisa que direciona a investigação pode ser sintetizado nas perguntas: “Por que é tão difícil construir um meio de comunicação de massas que siga uma linha contra-hegemônica e faça o contraponto à grande imprensa no Brasil?”, seguida por outra que nos direciona ao objeto: “Por que o Brasil de Fato, apesar de ter sido pensado para este fim, não conseguiu atingir este objetivo?”. A hipótese norteadora da investigação aponta para a incapacidade do Brasil de Fato cumprir seu objetivo principal por estar vinculado desde a formulação de seu projeto, ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que, por mais que propusesse a construção de um meio plural e de interesse das massas, aberto à participação de colaboradores de todas as origens, imprimiu ao jornal sua visão de tomar os meios de comunicação como transmissores de posicionamentos ideológicos e políticos, fazendo com que desde o início sua finalidade fosse a propaganda do “Projeto Popular para o Brasil”, restringindo assim sua possibilidade de crescimento entre as camadas da sociedade não identificadas diretamente com esse projeto. Esta hipótese não descarta as dificuldades conjunturais e materiais enfrentadas pelo jornal, desde a fragmentação das esquerdas a partir de avaliações distintas sobre a natureza do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, até o boicote das grandes empresas de distribuição, mas coloca esses fatores como adjacentes no processo de transformação do projeto do Brasil de Fato em direção a um jornal de movimentos. O objetivo central desta pesquisa é conhecer em profundidade as dificuldades de construção e consolidação do jornal Brasil de Fato enquanto meio de comunicação contrahegemônico. Em relação aos objetivos específicos, esta investigação pretende: 1. Refletir sobre o papel e as características do jornal Brasil de Fato; 2. Identificar as concepções teóricas sobre o papel que um jornal de esquerda deve cumprir dentro da formulação do projeto editorial do.
(14) 13. Brasil de Fato; 3. Analisar a trajetória do Brasil de Fato em seus seis anos de existência, fazendo o resgate da documentação de seu processo de criação e de depoimentos dos participantes da formulação de seu projeto; 4. Entender as transformações pelas quais passou o projeto editorial do jornal Brasil de Fato, analisando as opções feitas em termos administrativos e políticos, principalmente sua postura na cobertura do governo de Luis Inácio Lula da Silva; 5. Verificar o desinteresse dos demais movimentos sociais em relação ao projeto e 6. Entender por que o Brasil de Fato não conseguiu preencher a lacuna existente por um meio de comunicação contra-hegemônico de circulação nacional. A escolha do jornal Brasil de Fato como objeto de pesquisa se justifica pela necessidade de análise e desenvolvimento de projetos de comunicação alternativa aos grandes meios comerciais. Esta demanda existe e tem sido sistematicamente discutida por aqueles que perceberam que o campo da comunicação brasileira precisa passar por um processo de desconcentração, passo importantíssimo para a consolidação de nossa democracia. A partir dessa realidade, pensar em projetos que possam contribuir para o processo de democratização da comunicação no Brasil torna-se um desafio importante. Faz parte dessa perspectiva a construção e consolidação de meios de comunicação alternativos, comunitários e populares. A escolha pela análise da experiência do jornal Brasil de Fato permite a busca por respostas para as dificuldades de consolidação de um meio de comunicação alternativo no Brasil atual, além da tentativa de contribuir para o avanço da comunicação alternativa e contra-hegemônica no país. A metodologia utilizada para o alcance dos objetivos colocados para esta pesquisa parte de uma abordagem qualitativa, ao entender que ela se propõe a desenvolver uma investigação sobre uma realidade peculiar e específica, dentro de um contexto sociopolítico que também deverá ser descrito. A estratégia escolhida é o estudo de caso único, por se tratar de um objeto em desenvolvimento a ser estudado dentro do contexto onde foi criado e está inserido. Segundo Robert Yin (2001, p.32), a estratégia do estudo de caso pode ser definida como: “uma inquirição empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto da vida real, quando a fronteira entre o fenômeno e o contexto não é claramente evidente e onde múltiplas fontes de evidência são utilizadas”. A porção teórica da pesquisa utiliza dados e conceitos obtidos a partir da análise de bibliografia sobre os temas: movimentos sociais, comunicação popular e alternativa, comunicação nos movimentos sociais e papel dos meios de comunicação dentro de organizações políticas de esquerda. Trabalhamos também com dados empíricos por meio de.
(15) 14. análise de documentos e realização de entrevistas com a finalidade de resgatar a trajetória do jornal Brasil de Fato desde o início das discussões sobre sua formação até o seu estágio de desenvolvimento atual. Entre os documentos coletados estão textos de mensagens eletrônicas entre o grupo fundador do jornal, atas de reuniões de pauta (semanais), do conselho editorial (mensais), do conselho político (anuais) e dos comitês estaduais, as diversas versões dos projetos editorial e político, textos teóricos escritos por membros da equipe e conselhos e chamamentos das campanhas de assinatura, ajuda ao jornal, cartas de adesão e comunicados em geral. Estes documentos nos foram cedidos por membros do grupo idealizador do Brasil de Fato, destacando a colaboração de José Arbex Júnior, jornalista e ex-editor chefe do jornal e João Pedro Stedile, dirigente nacional do MST. A partir da pesquisa documental foram realizadas entrevistas em profundidade, semiestruturadas, com quatro atores de diferentes origens que participaram efetivamente do processo de construção do Brasil de Fato e contribuíram ou contribuem para seu desenvolvimento. São eles: 1. José Arbex Júnior, jornalista, editor-especial da revista alternativa Caros Amigos, professor do curso de jornalismo da PUC-SP e ex-editor do jornal Brasil de Fato. Após deixar o cargo no jornal, Arbex passou a viajar pelo país para divulgar seu projeto e contribuir na formação dos comitês regionais. Foi membro do conselho editorial do jornal até setembro de 2006, quando se retirou após discordar da linha de apoio à candidatura de Luis Inácio Lula da Silva à reeleição presidencial. Mesmo após o episódio, segue participando de atividades esporádicas ligadas ao Brasil de Fato; 2. Miguel Stedile, filho de João Pedro Stedile, historiador e membro do setor de comunicação do MST há doze anos, sendo atualmente um de seus dirigentes nacionais. Participou das discussões sobre a formulação do projeto editorial do jornal, aproveitando o acúmulo gerado por sua experiência no setor de comunicação do MST. Foi membro do comitê regional de sustentação do jornal em Porto Alegre; 3. Nilton Viana, jornalista, ex- membro contratado do setor de comunicação do MST, onde contribui na edição do Jornal Sem Terra. Participou das primeiras discussões sobre o Brasil de Fato, ocupando o cargo de editor-chefe após a saída de Arbex, função que desempenha atualmente e 4. Ricardo Gebrim, advogado, dirigente do movimento Consulta Popular e apoiador histórico do MST. É um dos membros mais atuantes do conselho editorial do jornal, participando de suas reuniões desde o início do projeto, quando também integrou as comissões que definiram os aspectos do Brasil de Fato. As entrevistas estão disponíveis em áudio, nos CDs anexados nesta dissertação. É importante ressaltar que a realização das entrevistas foi aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Metodista de São Paulo..
(16) 15. Por fim, será feita análise de conteúdo das manchetes do jornal que, em seis anos de circulação, abordaram questões relacionadas ao governo Lula. A unidade de análise serão as manchetes em que haja referências textuais ao governo de Luis Inácio Lula da Silva, a partir das palavras “Lula” e “governo ” (desde que a palavra governo esteja relacionada ao presidente brasileiro) e também as que trazem referências indiretas como citações de ministros, de programas do governo como “Bolsa Família”, ou termos como “reeleição”, que dizem respeito ao governo. Estas manchetes serão analisadas dentro das categorias: 1. Crítica ao governo; 2. Reivindicações ao governo; 3. Sugestões ao governo e 4. Apoio/ elogios ao governo. Dessa forma é possível verificar quantas manchetes do jornal Brasil de Fato fazem referência ao governo Lula em seis anos, qual o seu teor, e de que forma essas manchetes estão em consonância com os posicionamentos políticos dos movimentos sociais que integraram o Brasil de Fato em diferentes momentos históricos e políticos. A escolha pelas manchetes que fazem referência ao governo Lula se justifica por ser esse um ponto importante, não só para o esclarecimento dos posicionamentos políticos do jornal em relação ao governo, ponto muito abordado durante o trabalho, como também para verificar se elas espelham os mesmos posicionamentos do MST. A dissertação está estruturada em seis capítulos. O primeiro, “Movimentos Sociais no Brasil” traz um apanhado teórico sobre os conceitos de movimentos sociais e resgata uma parte de sua história no Brasil a partir da descrição de seu ressurgimento nas décadas de 1970 e 1980. O último item do capítulo 1 é dedicado ao MST, seu surgimento, formação, áreas de atuação e importância. O segundo capítulo, cujo título é “Comunicação contra-hegemônica”, é voltado ao estudo desta modalidade como um todo. Nele são citadas as teorias de Vladimir Lênin e Antonio Gramsci para o papel dos meios de comunicação nas organizações de esquerda, além de uma tentativa de delinear aspectos teóricos que caracterizem os conceitos de comunicação popular a alternativa no Brasil. O terceiro capítulo, “A comunicação no MST”, aborda a relação do movimento com o campo da comunicação, a partir de uma análise do comportamento do movimento frente à mídia de massas, passando pela descrição de seus meios, como o Jornal Sem Terra, a revista Sem Terra, suas iniciativas dentro do campo da radiodifusão e sua apropriação das novas tecnologias a partir do uso da internet. A quarta parte, cujo título é “Nascimento e formação de um jornal de esquerda no Brasil”, é voltada para a análise do processo de construção do Brasil de Fato antes de seu lançamento, retomando o início das discussões em 2002 e trazendo documentos que jogam.
(17) 16. luz sobre esse período pré-jornal. Aqui são utilizados os dados fornecidos nos depoimentos de nossos entrevistados e documentos como atas de reunião, circulares e textos teóricos. O quinto capítulo, “O jornal Brasil de Fato em seis anos de existência, trajetória, dificuldades, desafios”, pretende dar conta da trajetória do Brasil de Fato em seis anos, período que compreende os anos de 2003 a 2008, dividindo seu percurso em três fases: 1. Primeiro ano de vida, 2003; 2. Período de crise, 2004 a 2006; e 3. Consolidação, entre os anos de 2007 e 2008. Este capítulo traz também uma breve análise de conteúdo das manchetes que fazem referência direta e indireta ao governo Lula, tornando possível a verificação de seu teor e relacionando-as à conjuntura dos períodos. Finalmente, o sexto capítulo, chamado de “Relação entre aspectos teóricos e práticos no jornal Brasil de Fato", traz um esforço de amarração, que relaciona a parte teórica do trabalho com os resultados obtidos na pesquisa de campo, além de fazer uma reflexão sobre esses resultados. O texto conta com três anexos: 1. A síntese do documento “Um Projeto Popular para o Brasil”; 2. Temas das manchetes do jornal Brasil de Fato em 304 edições (2003-2008) e 3. Reproduções das capas do Brasil de Fato cujas manchetes fazem referência direta e indireta ao governo Lula, utilizadas na análise de conteúdo. No final do volume, está disponível um CD com os áudios integrais das entrevistas..
(18) 17. Capítulo I – MOVIMENTOS SOCIAIS NO BRASIL 1. O que são movimentos sociais? Um dos pontos recorrentes levantados por autores que se dedicam ao estudo dos movimentos sociais diz respeito à dificuldade em encontrar uma definição precisa deste fenômeno. Esta dificuldade pode ser explicada pela diversidade de formas de organização social, em constante mudança, e das múltiplas interpretações que elas permitem. Entre os principais equívocos, estão o tratamento semelhante dado a manifestações de naturezas distintas e a difícil separação entre movimentos sociais e ações coletivas. Além disso, muitas teorias foram formuladas a partir de uma realidade específica observada pelo pesquisador, criando confusões entre o que seriam tendências gerais e especificidades locais. Esta pesquisa não pretende encontrar uma definição única sobre o fenômeno dos movimentos sociais. Mas, como tem entre seus pilares a análise da relação entre um movimento social e meios de comunicação, consideramos fundamental elencar algumas características levantadas por autores de cuja concepção de movimentos sociais compartilhamos. Vale ressaltar que a maioria das definições aqui colocadas diz respeito a estudos formulados a partir dos anos 1970, quando a erupção de uma série de organizações sociais, principalmente na América Latina, despertou o interesse das ciências sociais pelo estudo das manifestações que surgiam principalmente nas áreas urbanas. Segundo Maria Célia Paoli (1995, p.27), o termo movimentos sociais passou a ser utilizado para referência aos grupos organizados que não se enquadravam nas estruturas institucionais de poder e não pertenciam às representações políticas clássicas, como sindicatos e partidos políticos, e complementa:. Sua originalidade residia no fato de organizarem-se para expressar o desejo de integrar-se a outra esfera de poder, aquela que pertence à ordem da cidadania e dos direitos e que é regida, portanto, por aquilo que hoje, anos mais tarde, está sendo enunciado como própria da esfera de uma sociedade civil revitalizada.. Christa Berger (2003, p. 86), em Campos em confronto, a terra e o texto, descreve os movimentos sociais como:. Formas de organização e mobilização, inscritos como elos ativos entre os processos de reprodução social e a esfera política. Desta maneira, os movimentos sociais.
(19) 18. articulam-se tanto aos processos de construção da sociabilidade quanto ao campo político em seus conflitos.. Aqui, a autora nos dá uma pista sobre as esferas de atuação dos movimentos sociais, mas necessitamos de algo que precise a origem das mobilizações. Parece claro que os movimentos são formados por grupo de pessoas que possuem determinadas carências por bens materiais ou simbólicos, sendo que tais carências passam a ser traduzidas em demandas que, posteriormente, se tornam reivindicações. Os movimentos sociais são compostos por segmentos sociais em luta, definição mais abrangente do que as tradicionais classes sociais, que a partir de algum momento passam a se organizar para defender seus interesses e buscar a solução de seus problemas. Para isso, os movimentos mobilizam bases e articulam redes de colaboração nas várias esferas da sociedade. Historicamente, os setores subordinados da sociedade produziram uma maior quantidade de mobilizações, mas a composição dos movimentos abarca indivíduos provenientes de várias esferas ao estabelecer articulações com as mais diversas forças sociais. Entre os atores externos pode haver quem se identifique com o movimento em termos da demanda ou compartilhe do desejo de transformação. Para Maria da Glória Gohn (2007, p. 252), em Teorias dos movimentos sociais, paradigmas clássicos e contemporâneos:. Os movimentos aglutinam bases demandatárias, assessores e lideranças, e têm estreitas relações com uma série de entidades sociopolíticas, como partidos e facções políticas – legais ou clandestinas -, Igrejas, sindicatos, ONGs – nacionais e internacionais -, setores da mídia e atores sociais formadores de opinião pública, universidades, parlamentares em âmbito municipal, estadual e federal, setores da administração governamental, pequenos e médios empresários etc., articulados em redes sociais com interesses comuns.. Para Berger (2003, p.85): Os movimentos sociais existem em razão da distribuição desigual dos bens produzidos socialmente, que demanda um tipo de organização cujo objetivo é reivindicar. No seu interior configura-se a expressão cultural da desigualdade social. A cultura dos movimentos sociais é a do conflito e da solidariedade; da carência, da escassez e da falta, e é ela quem subsidia a possibilidade da reunião e a capacidade da rebelião.. Em Comunicação popular e alternativa no Brasil, Regina Festa (FESTA, 1986, p.11) nos dá uma definição semelhante para a razão de existir dos movimentos sociais:.
(20) 19. Os movimentos sociais não ocorrem por acaso. Eles têm origem nas contradições sociais que levam parcelas ou toda uma população a buscar formas de conquistar ou reconquistar espaços democráticos negados pela classe no poder. Tais contradições, segundo ela, geram processos que provocam respostas distintas dos movimentos, como resistências em momentos de repressão, convergência em momentos de acumulação de forças ou mesmo desarticulação em momentos desfavoráveis à organização popular. Movimentos sociais aparecem em sociedades permeadas por conflitos entre classes sociais, "estruturando-se de acordo com a conjuntura, com interesses de grupos específicos, classes ou extrações de classe e em torno de projetos alternativos de sociedade." (p.11) Alguns autores procuraram explicitar diferenças que permitam categorizar os movimentos de acordo com suas demandas e objetivos. Em seu Dicionário de política, Norberto Bobbio descreve os movimentos como tentativas de definição de formas de ação social, com o objetivo de influir na sociedade (BOBBIO, 2004, p.787). Os movimentos se distinguem dos comportamentos coletivos pelo grau de mudança que pretendem imprimir. Segundo o autor (2004, p. 791), existem diferenças entre "movimentos reivindicativos, movimentos políticos e movimentos de classe, baseadas nos objetivos perseguidos", que respectivamente propõem mudanças na distribuição de recursos, acesso aos canais de participação política e finalmente subversão da ordem social a partir da transformação do modo de produção e das relações de classe. Mas, movimentos sociais precisam de mais do que interesses comuns para se caracterizar. Para Gohn, é preciso que haja identidade entre os membros do grupo. A identidade é criada a partir das ações que desenvolvem processos políticos, sociais e culturais (2007, p.245). Em suas palavras (2007, p. 251): Movimentos sociais são ações sociopolíticas construídas por atores sociais coletivos, pertencentes a diferentes classes e camadas sociais, articuladas em certos cenários da conjuntura socieconômica e política de um país, criando um campo político na sociedade civil. As ações se estruturam a partir de repertórios criados sobre temas e problemas em conflitos, litígios e disputas vivenciadas pelo grupo na sociedade. As ações desenvolvem um processo social e político-cultural que cria uma identidade coletiva para o movimento, a partir dos interesses em comum. Esta identidade é amalgamada pela força do princípio da solidariedade e construída a partir da base referencial de valores culturais e políticos compartilhados pelo grupo, em espaços coletivos não institucionalizados.. Mas quais são os passos para a consolidação de um movimento, sua dinâmica de atuação? Para Paul Singer, em São Paulo: o povo em movimento, os movimentos sociais começam a se formar a partir da tomada de consciência das contradições existentes por parte de um pequeno grupo. A partir da reunião de um número suficiente de pessoas, passa-se ao.
(21) 20. estágio da formulação de reivindicações, que emanam das carências e necessidades da categoria social que se formou (SINGER; BRANT, 1983, p.215-216). Segundo o autor: "as reivindicações (...) são formuladas em termos de um discurso ideológico, que é o patrimônio comum do grupo que tomou a iniciativa e, geralmente, retém a liderança do movimento." O crescimento de um movimento social está ligado ao desdobramento das lutas organizadas a partir das reivindicações, fator que aumenta o número de seus participantes. É fundamental para sua continuidade que pequenas ou parciais vitórias sejam conquistadas, sob risco de desmobilização. Singer coloca que, à medida que o movimento torna-se expressivo no cenário político, passa a existir a perspectiva de institucionalização. Este fator tanto pode ser visto como risco à autonomia do movimento, a partir de tentativas de cooptação de lideranças por forças da situação em troca de pequenas concessões, como pode ser encarado como um passo necessário à ampliação de sua esfera de atuação por meio de articulação com forças institucionalizadas da sociedade para a criação de redes. Para Singer, ao mesmo tempo em que o reconhecimento de alguns movimentos pelo Estado a partir de seus êxitos permitiu conquistas concretas, causou o atrelamento de membros às instituições que representam os interesses das classes dominantes. Outro fator importante para a caracterização dos movimentos sociais é a análise de sua composição, de seus agentes. Já concluímos que os movimentos são majoritariamente formados por representantes das classes subalternas que, a partir da percepção das contradições sociais que os cercam, organizam grupos em torno de reivindicações. Mas, movimentos sociais não surgem espontaneamente a partir de contradições, segundo Singer (1983, p. 224): Um movimento social das classes exploradas é sempre resultado de um esforço deliberado, de uma 'iniciativa', que é tomada por pessoas, pertencentes ou não a estas classes, geralmente motivadas não apenas pela contradição específica, mas por ideologias.. Mas como os movimentos se organizam internamente, qual a distinção de papéis entre os agentes organizadores e os mobilizados, conhecidos como base? Para Bobbio (2004, p. 791), os agentes que iniciam movimentos normalmente não são os marginalizados, estes podem vir a constituir bases importantes, mas a liderança é constituída por indivíduos centrais. Segundo Singer (1983, p.224), a principal diferença entre as pessoas que tomam iniciativas em relação à organização de movimentos, diz respeito à concepção de vida, voltada para a rejeição da ordem social que permite o florescimento de desigualdades, sendo que na maior parte dos casos, não há vínculo orgânico. Para o autor (1983, p. 224-225):.
(22) 21. Entre os propósitos específicos de cada movimento social e os que tomam a iniciativa de sua organização. Esta vinculação é, o mais das vezes, circunstancial: o lugar de residência, a relação de emprego ou o exercício profissional pode criá-la. Isso não quer dizer que estas circunstâncias sejam fortuitas.. Tal afirmação significa que não é necessário que o organizador sofra na pele as contradições ou seja motivado unicamente por elas. Alé m de estar ligado de alguma forma às questões, sendo filiado ao sindicato em que organizará a oposição ou morador do bairro em que liderará o movimento, o agente organizador é motivado pela ideologia. Os membros da base de um movimento social em geral não têm concepções muito bem articuladas de vida, diferença entre eles e os agentes organizadores, segundo Singer (1983, p.225). Em alguns casos, representantes da base são atingidos pela transmissão ideológica e ascendem para posições de liderança. Por outro lado, a grande maioria permanecerá ligada ao movimento apenas por conta de suas necessidades imediatas, participando das mobilizações de forma essencialmente passiva (SINGER, 1983, p. 226). Esta realidade pressupõe alguns riscos para o movimento, como a reprodução da divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual existente na sociedade capitalista ou o apelo ao "basismo", crença de que somente a consulta às bases pode definir qualquer tomada de posição do movimento. A barreira entre lideranças e base tende a se intensificar a partir do momento em que o movimento cresce e vê seus objetivos diversificados e quando passa a compreender o conjunto de contradições que o cerca e opta por formular um programa mais abrangente de atuação. Quando isso acontece, os movimentos normalmente passam a contar com uma série de agentes externos, que assumem demandas organizativas e burocráticas, inclusive profissionalmente. A constituição de "aparelhos ideológicos" externos ao movimento, mas ligados à sua estratégia, pode ser positiva em si, mas também costuma aprofundar o abismo entre organizadores e base, podendo causar a deturpação do movimento. (SINGER, 1983, p.229) Há também muita controvérsia sobre o real potencial dos movimentos sociais na transformação da realidade e construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Enquanto alguns estudiosos compreendem os movimentos como forças democratizantes, capazes de articular mobilizações plurais, revelando o caráter também plural das formas de opressão (PAOLI, 1995, p. 49), outros consideram que seu papel de denunciar as desigualdades sociais foi cumprido e se esgota a partir do momento em que a democracia se consolida. Para Paoli, a segunda concepção pressupõe que a democracia deve ser exercida apenas através de representantes eleitos ou no máximo em espaços controlados de participação (1995, p.49)..
(23) 22. Há ainda quem destaque o caráter provisório dos movimentos sociais, que tenderiam a se extinguir a partir do momento em que suas reivindicações fossem atendidas. Outros colocam que as estruturas de mobilização dos movimentos só poderiam funcionar em pequena escala, apontam para o despreparo da maioria dos participantes, para a dificuldade em formular programas amplos que sigam além das reivindicações pontuais e para a submissão dos movimentos às formas de luta de maior potencial transformador, como os sindicatos e partidos. Por outro lado, há quem enxergue o papel dos movimentos em abrir espaços não cobertos por partidos ou sindicatos, contribuindo para a democratização da sociedade civil. (PERUZZO, 2004, p. 33) Singer (1983, p. 220) destaca que, ao estender sua esfera de atuação e compreensão das questões estruturais que cercam suas demandas, muitos movimentos passam a enxergar limites em sua atuação impostos pelo próprio sistema capitalista.. Trata-se em última análise de compreender que, numa economia capitalista, há possibilidades de conquistar direitos formais e melhorias materiais para os pobres e discriminados, mas estes direitos e melhorias se mostram efêmeros face às tendências de concentração do poder e da riqueza inerentes a esse tipo de economia. (...) Conclui-se, pois, que movimentos que lutam por estes objetivos precisam examinar sua própria história e, a partir desta experiência e da experiência histórica geral, procurar verificar se seus fins últimos são alcançáveis nos limites do capitalismo.. Dessa forma, é preciso evitar que, a partir da compreensão de que certos objetivos só serão alcançados com a tomada de poder, haja uma separação profunda entre objetivos próximo e fins últimos. Em alguns casos, esse tipo de compreensão pode desembocar na adoção de políticas em que "os fins justificam os meios". Sendo a "tomada de poder" algo distante da realidade, opta-se por uma prática de barganha por concessões imediatas. Assim, apesar do discurso revolucionário, as práticas do dia a dia reforçam as estruturas que o movimento se organiza para combater. Para Singer (1983, p. 221), os movimentos sociais são espaços nos quais a classe trabalhadora, ao lutar por possibilidades de participação, quebra a lógica de dominação e passividade, que imobiliza ao difundir a crença de que a resolução dos problemas está nas mãos dos "de cima". Mas, para que isso realmente funcione, é preciso que os próprios movimentos se constituam como espaços de participação, sem reproduzir os vícios autoritários das instâncias da sociedade. Segundo o autor (1983, p. 221):. Cada vez que trabalhadores fazem greve, cada vez que mães de famílias operárias ocupam um escritório da prefeitura, cada vez que uma demonstração de massas.
(24) 23. irrompe o trânsito, a hegemonia da classe dominante é posta em questão e membros da classe dominada tentam tomar seu próprio destino nas mãos. É este o sentido mais profundo dos movimentos sociais das chamadas 'classes subordinadas ': a recusa à subordinação. Mas, quando a distância entre cúpula dirigente e bases se alonga, quando as decisões quanto à linha de ação são tomadas pelos dirigentes e depois 'baixadas' às bases, quando estas são educadas a alimentar fé cega nas direções, ao mesmo tempo em que as inevitáveis divergências entre dirigentes são resolvidas 'entre quatro paredes', sem que as bases tomem conhecimento e tenham a palavra final sobre elas, esta mesma subordinação, que é recusada no plano social mais amplo, é reproduzida no próprio movimento de insubordinação.. Singer (1983, p. 230) ressalta também a importância da busca pela construção de formas próprias de representação no plano político ou ligação a correntes políticas policlassistas para que seus objetivos possam ser plenamente alcançados. Além disso, existe a sempre conflituosa relação dos movimentos com o Estado. A partir do momento em que deixam de enxergar a instituição como inimiga, os movimentos passam a ter que lidar com tentativas de cooptação de lideranças e acordos propostos por agentes do Estado, muitas vezes com a finalidade de desmobilizar e dividir as organizações. O dilema está colocado, pois ao mesmo tempo em que a relação é arriscada, os movimentos não podem se furtar a negociar participações em conselhos e a ocupar espaços de participação, pelos quais eles mesmos lutaram.. 2. Organizações populares e movimentos sociais no Brasil 2.1 Período 1964-1974 Entre os anos de 1964 e 1985, o Brasil viveu sob a repressão e o arbítrio de uma ditadura militar. O golpe de 31 de março de 1964 foi articulado entre setores dominantes da sociedade brasileira, militares, governo dos Estados Unidos, e apoiado por grande parte da classe média, assustada com a perspectiva de um "avanço comunista", representado na época pelas reformas de base do presidente João Goulart e pelos sindicatos e movimentos organizados que as deram suporte. Assim, após a implantação do regime militar, os movimentos sociais e populares, organizados no campo e nas cidades, foram reprimidos até que praticamente deixassem de existir. Na área rural, as Ligas Camponesas, organizadas no Nordeste do Brasil para lutar por acesso à terra e melhores condições de vida para os lavradores foram desmanteladas. Nas cidades, as passeatas e protestos organizados pelo movimento estudantil foram realizados até o decreto do Ato Institucional n. 5, em 1968. A repressão aos sindicatos impediu qualquer.
(25) 24. possibilidade de participação crítica dos trabalhadores e mesmo não deixando de existir, foram tomados por "pelegos", trabalhadores ligados ou alinhados com o regime. Algumas organizações de esquerda, principalmente a partir do endurecimento do regime após o decreto do AI-5, optaram pela luta armada, com o objetivo de instalar focos guerrilheiros no campo e nas cidades e assim, derrubar a ditadura militar. Mas, uma série de fatores levou ao desmantelamento violento dessas organizações, com a prisão de boa parte de seus. membros,. tortura,. assassinatos. e. "desaparecimentos".. Entre. eles. estão. a. profissionalização da repressão, que passa atuar de forma coordenada em todo o país após 1969 e a total ausência de apoio popular à guerrilha. O início da década de 1970, durante o governo do general Emilio Garrastazu Médici, foi o período de maior violência imposto aos membros das orga nizações clandestinas e seus apoiadores, em que a ditadura empreendeu uma verdadeira caçada para prender e eliminar seus oponentes mais radicalizados. No campo partidário, a oposição institucional consentida pela ditadura, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), estava neutralizado. (HELLMANN, 1995, p.14). Poucos enxergavam nele algum potencial real de combate ao regime militar. Assim, a sociedade brasileira viveu anos em que a simples perspectiva de organização de reivindicações parecia impossível. Afinal, o chamado "milagre brasileiro", período entre os anos 1968 e 1973, em que taxas de inflação baixas, crescimento do produto interno bruto e forte expansão econômica foram combinados com grande repressão política (HELLMANN, 1995, p. 13), desanimava qualquer iniciativa de mobilização popular. Mas, a partir de 1974 a situação começou a se transformar. Os efeitos do "milagre econômico" mostraram-se pouco duradouros e consistentes. A expansão industrial, um dos pilares do "milagre" causou profundos impactos nas áreas econômicas e sociais, intensificando a urbanização das cidades e a migração de enormes contingentes de pessoas para suas periferias. Ironicamente, o desenvolvimento e os efeitos do "milagre" provocaram a desconstrução da política da ditadura, levando a um processo de rompimento das relações entre o Estado e a sociedade (HELLMANN, 1995, p. 14). A degradação das condições de vida começou a gerar percepções sobre a precariedade e as privações a que estavam submetidas as populações mais pobres. A compreensão da necessidade da ação coletiva para interferir e participar das decisões do poder público fomentou movimentações no interior de bairros e áreas periféricas das cidades. Além disso, alguns fatores começavam a demonstrar que estava em curso uma abertura política relativa, com um início de rearticulação das instituições da sociedade civil que posteriormente dariam apoio aos novos movimentos. (PERUZZO, 2004, p. 31).
(26) 25. O cenário eleitoral também revelava algumas surpresas. Em 1974, a crise mundial causada pela elevação dos preços do petróleo repercutiu no Brasil de forma imediata, evidenciando as limitações da auto-suficiência interna. O fim do crescimento forjado pelo "milagre" e a falta de abertura política fizeram com que o governo militar perdesse legitimidade. O resultado foi uma votação expressiva no MDB nas eleições para as assembléias estaduais e congresso federal. O único partido de oposição consentido pela primeira vez recebeu uma grande quantidade de votos como forma de protesto contra o governo militar (HELLMANN, 1995, p. 15). Tais fatores e outros que veremos adiante permitiram que a população pobre começasse se organizar em movimentos e mobilizações populares. As primeiras iniciativas surgiram nos bairros de periferia, de forma tímida, fragmentada, baseadas em relações de confiança entre vizinhos e parentes, resultado de anos de repressão política imposta pela ditadura militar (BRANT, 1983, p. 13). Surgiram também a partir de operários que lentamente voltaram a formar grupos relativamente independentes em seus sindicatos e organizar mobilizações em seus locais de trabalho (PAOLI, 1995, p.30). Os grupos compostos por atores até então marginalizados e excluídos da vida social e política do país, a população pobre, operários e moradores das periferias, começaram a, nas palavras de Micaela Hellmann (1995, p. 12), "colocar na ordem política do dia 'novos' conflitos sociais ou 'velhos' conteúdos com um novo foco", exigindo diretos que lhes tinham sido negados tanto durante a ditadura como nos governos anteriores, inclusive os democráticos (1995, p. 13). Assim, foram capazes de transformar carências em reivindicações urbanas, lutaram contra a violência, a despolitização e o Estado (SILVA, 1995, p. 57). 2.2 Movimentos sociais emergentes, período 1975-1989 Segundo Vinícius Caldeira Brant (1995, p.13) em São Paulo: o povo em movimento, os movimentos sociais que surgiram durante a década de 1970, ainda sob o julgo da ditadura militar, foram organizados de forma defensiva. Afinal, após a destruição dos movimentos pelo regime, o governo passou a imprimir forte vigilância sobre as tentativas de mobilização popular. A repressão atuava principalmente disseminando o terror entre os opositores da ditadura e dificultando a articulação necessária aos grupos populares. Por conta dessas especificidades, os movimentos se formaram a partir de núcleos de pessoas que, nos bairros e locais de trabalho, passaram a se juntar para encontrar alternativas.
(27) 26. ao aumento do custo de vida, lutar por creches, moradia e outros bens públicos, formar comissões de fábrica, regularizar os loteamentos clandestinos, brigar pelos direitos humanos. Muitos se desenvolveram a partir da reunião de vizinhos, fomentados pela Igreja e por outras instituições civis que deram apoio e criaram o clima necessário para que as organizações de base pudessem se manifestar de forma aberta (BRANT, 1995, p.14). Além da Igreja, podemos listar o movimento estudantil e o próprio MDB, que apesar de não manter vínculos muito próximos aos movimentos emergentes, mantinha suas reivindicações em seu programa (BRANT, 1995, p.16). Os movimentos surgidos neste período partilharam alguns valores em comum, independentemente dos objetos de reivindicação. Um exemplo é o entendimento de que as decisões deveriam ser tomadas pela base, coletivamente. Outro é a desconfiança com que enxergavam a aproximação das pessoas "de fora". Apesar de apoiados pelo movimento estudantil, as lideranças dos novos movimentos viam com cautela e a presença dos estudantes, pois temiam que, a partir de seu discurso politicamente articulado, provocassem a desarticulação das bases, mobilizadas mais pelas questões imediatas (BRANT, 1995, p. 17). Havia também repúdio às formas tradicionais de fazer política e uma profunda desconfiança em relação às instituições e ao Estado. Entre os princípios mais arraigados estavam: a defesa da autonomia, da auto-organização pela base e da democracia direta (SILVA, 1995, p. 57). A busca pela autonomia conferiu legitimidade aos movimentos, ao impedir que práticas condenáveis como troca de favores os desmobilizassem, além disso, contribuiu para o sentimento de confiança na própria atuação. O papel da Igreja foi fundamental para a articulação e formação de núcleos de pessoas que deram origens aos movimentos propriamente ditos. As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) contribuíram para a reunião e conscientização de pessoas. Dada a sua importância para os movimentos emergentes, vamos dedicar alguns parágrafos à história e explicação de sua forma de atuação.. 2.2.1 As Comunidades Eclesiais de Base A partir do Concílio Vaticano II, a Igreja católica, principalmente através de alguns de seus membros e espaços na América Latina, passou a atuar voltada para a população mais pobre. Essa diretiva deu origem ao movimento conhecido como Teologia da Libertação, que defendia a construção de uma Igreja pobre, ao lado dos pobres, que se preocupasse com as.
(28) 27. camadas desprivilegiadas da sociedade e de alguma forma contribuísse para sua emancipação (CAMARGO; SOUZA; PIERUCCI, 1983, p. 59). Para os autores Camargo, Souza e Pierucci, em artigo presente no livro São Paulo: o povo em movimento:. Nesta direção, elaborou-se na América Latina um novo pensamento teológico que procura se fundamentar na análise sociológica da realidade social e na releitura dos Evangelhos. Sobretudo neste pensamento articula-se a reorganização dos intelectuais católicos que buscam um relacionamento orgânico com as classes populares.. A partir do golpe militar de 1964, setores progressistas da Igreja passam a colaborar com a sociedade civil de duas maneiras principais: apoiando organizações não confessionais, principalmente ao oferecer abrigo a indivíduos perseguidos politicamente pelo regime e fomentando a formação de grupos religiosos para a discussão de questões sociais, como as CEBs (p. 60). É difícil precisar o momento exato de surgimento das CEBs, assim como construir uma definição fechada de sua estrutura e forma de atuação. Sabe-se que começaram a aparecer no Brasil durante os anos 1960, mas apenas a partir da segunda metade desta década há documentos que falam especificamente em comunidades (p. 62). Alguns creditam a expansão de outros credos religiosos calcados em maior vivência comunitária como estímulo para que a Igreja católica apostasse na formação de núcleos com essas características, sendo que as iniciativas de descentralização das paróquias e aumento da participação dos leigos podem ser vistas como esboços das CEBs (p. 64-65). Já em 1976, o 1° Plano Bienal de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo elegeu as CEBs como uma das quatro prioridades do período (p. 68). Por intermédio de cursos de evangelização, a Igreja católica preparava os leigos para que cumprissem papéis de liderança dentro das comunidades. Os cursos pretendiam despertar a consciência crítica e estimular a associação para discussão e resolução de problemas coletivos. Essas experiências foram fundamentais para o desenvolvimento das CEBs ( p. 68). As comunidades de base não obedeciam a nenhum modelo pré-estabelecido de organização e nem funciona vam todas da mesma forma. Seu ideal comum era construir grupos ligados por relações de fraternidade e solidariedade, permitindo uma participação maior dos leigos em relação a outros espaços religiosos (p. 69). Ao propor a construção de relações características do mundo rural e a vida em comunidade, constituíram uma forma de organização popular que fez frente às condições precárias de vida encaradas pelos pobres..
(29) 28. Em termos estruturais, eram formadas nos bairros, compostas por grupos de até cinqüenta pessoas (raramente havia grupos maiores), homens e mulheres, de idades diferentes, que se reuniam em suas casas ou na própria Igreja. Todos os membros do grupo deveriam participar das discussões. Os grupos começavam a se reunir em torno de alguns fiéis, a partir do estímulo de agentes de pastoral (padres, freiras) e propunham atividades como a leitura da Bíblia e posterior discussão sobre o conteúdo da mensagem e sua aplicação nos dias atuais (p. 72). A partir dessas reflexões havia a tomada de consciência acerca dos problemas coletivos e partiase para a busca de soluções comuns. A desigualdade social passou a ser percebida de forma mais crítica e condenada a partir da leitura das escrituras e vem daí sua inovação. Segundo Camargo, Souza e Pierucci (1983, p. 62):. Sua importância está no fato de constituírem uma promissora trama de experimentação e exercícios sistemáticos de formas novas de associação popular para a discussão e busca de soluções dos problemas vitais que, no campo e nas periferias das grandes cidades, afligem as classes trabalhadoras.. Muitas CEBs se transformaram em pólos de organização de atividades como, por exemplo, as chamadas compras em comum – aquisição de artigos de primeira necessidade em maior quantidade para diminuir custos – e executar outros trabalhos (p. 73), enquanto outras se limitavam às orações. Em ambos os casos, constituíam redes de solidariedade onde os membros se ajudavam em caso de doença ou desemprego. Outro ponto comum era a tomada das decisões, exercitando a prática do voto e a responsabilidade na divisão de tarefas. Durante a execução das atividades, havia a preocupação em realizar reuniões periódicas para avaliar dificuldades e repercussão das ações (p. 73). Algumas CEBs chegaram a se inserir no quadro de mudanças que estava em curso na sociedade durante aquele período. Outras foram embriões de organizações populares reivindicativas. A partir da ampliação da consciência e capacidade de organização, alguns grupos passaram a agir conjuntamente com outras organizações e sentiram a necessidade de trocar experiências com outras comunidades. Uma série de grupos chegou a esboçar certa organicidade e a fazer reivindicações diretamente às autoridades, em nome dos valores cristãos. Por outro lado, muitos deles sofriam com a falta de consistência de objetivos, espontaneísmo na participação dos membros e leitura restrita das possibilidades de participar efetivamente da transformação do processo histórico. Nas palavras de Camargo, Souza e Pierucci (1983, p. 78):.
(30) 29. [as CEBs] enfrentam dificuldades radicais em relação à própria sociedade que pretendem alterar. Sofrem limitações oriundas da inércia da tradição eclesiástica. E, como tantas associações da sociedade civil, debatem-se entre projetos alternativos sem um modelo claro de postura ética e ação política.. O passo adiante a ser dado pelas CEBs como um todo seria a conquista de um espaço de participação efetivo na sociedade civil, contribuindo para a reestruturação do cenário político e partidário, condição necessária para a transforma ção social (p. 81). Veremos adiante que a desmobilização sofrida ao longo dos anos 1980 e 1990 pelas CEBs atingiu outros movimentos populares, surgidos no mesmo período e sob as mesmas bases. Os motivos para a desarticulação dos movimentos sociais e popula res surgidos no final da ditadura militar serão colocados a seguir, mas é importante dizer que a cultura política das CEBs deu frutos e inspirou movimentos organizados nos períodos posteriores a sua florescência, em específico o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, tema do item 3 deste capítulo.. 2.2.2 Movimento Contra a Carestia Além das CEBs e a partir delas, outros movimentos sociais surgiram no mesmo período, principalmente nas áreas urbanas. Alguns tinham características semelhantes por terem se formado a partir de grupos nos bairros de periferia. Eles se agregavam em torno de uma demanda concreta como a construção de uma creche, a regularização de lotes ocupados, a organização de compras em comum etc. A Igreja esteve presente em muitos desses movimentos, mesmo como instituição apoiadora, principalmente dos movimentos de moradia. Algumas mobilizações cresceram ao ponto de conquistarem abrangência nacional, caso do Movimento do Custo de Vida, posteriormente chamado de Movimento Contra a Carestia, também surgido a partir das CEBs, na cidade de São Paulo. A partir de 1973, mulheres integrantes de clubes de mães da periferia, assustadas com o aumento do preço dos gêneros alimentares, resolveram se manifestar. Escreveram uma carta às autoridades denunciando os aumentos e relatando as dificuldades de suas famílias. Posteriormente, organizaram uma pesquisa para apontar as conseqüências da elevação do custo de vida para as populações mais pobres (SINGER, 1983, p. 98). Em 1976, uma assembléia reuniu cerca de quatro mil pessoas que tinham participado das consultas, mas o movimento não deslanchou. Por falta de objetivos mais concretos e idéias de continuidade, as pessoas se desmobilizaram. Mas, em 1977, uma nova reunião entre.
Outline
Diretas Já, fim da ditadura, e Constituinte
Desmobilização dos movimentos sociais após 1989
Histórico e formação
Desafios atuais do MST
Comunicação popular e alternativa no Brasil
Formação do grupo político em torno do projeto do jornal
Funcionamento e sustentabilidade
Comitês de apoio
Anos de crise: 2004, 2005 e 2006
Consolidação: 2007 e 2008
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