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CORPO,
AÇÕn,s
IMENTARES
E
TRAÇOS
PERSOI{ALTI}AI}E
na
Carina Flora
Benevides
Prof.u
Doutora
Graça
Santos
Prof,
Doutor
Paulo
Cardoso
Mestrado em Psicologia
Área de especiali
zaçáo:
pricologia Clínica e da SaúdeE
SI
UNIVERSTDADE DE
EVORA
I ESCOLA DE CIÊNCIAS SOCIAISDEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA
IMAGEM DO GORPO, PERTURBAÇOES
ALIMENTARES
E
TRAÇOS
DE
PERSONALIDADE
Ana Garina Flora Benevides
)r
I-r6
L
Orientação:
Prof.'
Doutora Graça Santos
Go-orientação: Prof,
Doutor
Paulo Cardoso
coNsTtrurÇÃo
Do
JURÍ
Presidente de Júrl:
Prof.
Doutor RuiAlexandre
Godinho daCosta
Campos (UE)Arguente:
Prof.
Doutor lsrael Contador Castillo (UE)Orientadora:
Prof.' Doutora
Maria daGraça
Duarte Silva Santos (UE)Orientador:
AGRADECIMENTOS
Aos meus pais, pelo seu apoio, ajuda
e
confiança que depositaram em mim para ar ealizaçáo d este tra ba I ho.
Aos meus irmãos, Susana, Dinarte
e
Nuno, pela força, apoioe
alegria fazendo comque tudo se tornasse mais calmo.
Ao
meu irmão Marcelo, pelo seu apoio, carinhoe
dedicação. Sendoum
motivo de inspiração e motivação para a realizaçáo deste trabalho.À
Professora Doutora Graça Santos, por me ter apoiado na fase inicial da tesee
nasua contribuição para o delineamento do meu trabalho.
Ao professor Doutor Paulo Cardoso, por me ter auxiliado na parte estatística
e
pelasvaliosas contribuições que muito ajudaram para a melhoria deste trabalho.
Aos meus amigos pelo seu apoio, atenção, carinho
e
por me acompanharem nestecàminho.
A Dr." Micaela, por me ter acompanhado durante este ano como minha orientadora de estágio, pela compreensão e suporte.
Aos
professoresque
disponibilizaramo
seu tempode
aulae
aos
estudantes queaceitaram participar no estudo, possibilitando a realização deste.
ittotce
LISTA DE ANEXOS. LISTA DE FIGURAS. LISTA DE TABELAS RESUMO.... ABSTRACT TNTRoDUÇÃo ... PARTE TEORICACapítulo 1
-
lmagem do CorPo1.1. Construção da lmagem do Corpo...
1 .2. Abordagem psicodinâmica
1 .3. Abordagem cognitivo-comportamental .
1 .4. Abordagem social/contextual
Capítulo 2
-
lmagem do Corpo e Perturbações Alimentares2.1 . Perturbações alimentares 2.1.1. Anorexia Nervosa ...
2.1.2. Bulimia Nervosa ...
2.1.3. Perturbação do Comportamento Alimentar
sem outra especificação...
2.2.lmagem Corporal e Perturbações Alimentares ...
Capítulo 3
-
lmagem do Corpo e Traços de Personalidade3.1. Personalidade
3.2. Traços de Personalidade...
3.3. Modelo dos Cinco Factores
3.4. lmagem Corporal e Traços de Personalidade....'.'.. 3.5. Traços de Personalidade e Perturbações Alimentares.'.
...
vll
...vilt
...lx
xil
xilt
1 21 21 23 25 28 31 .39 .39 .41 .44 .45 .47 5 10 12 15 16PARTE EMPiRICA
CapÍtulo 4
-
lmagem Do Corpo, Perturbações Alimentares eTraços De Personalidade
4.1. Objectivos do estudo 4.2. Parlicipantes
4.2.1 . Caraclerização da amostra....
4.3. lnstrumentos .
4.3.1. Questionário sobre a lmagem do Corpo (BlO)..
4.3.2. lnventário de Personalidade (NEO-FFl-20)... 4.3.3. Eating Disorders lnventory (EDl-2)
4.4. Procedimentos ..53 ..53 ..54 ,,54 ,,57 ,,57 ..59 ,,62 ..65
Capítulo 5
-
Análise DosResultados...
"'...675.1. Análise Factorial
- 81Q...
...."...'.675.1.1. Caracterização dos factores do
BIQ
...-.'695.1.2. Estudo da consistência
interna
"...705.1.3. Estudo da homogeneidade dos
itens
-....715.2. Análise Factorial do
NEO-FFI-20...
.-..-..'.765.2.1. Caracterização dos factores do NEO-FF|-2O ..'...'.. .-...77
5.2.2. Estudo da consistência
interna
...""""80
5.2.3. Estudo da homogeneidade das escalas....'..'...'...""'81
5.3. Análise do
EDI-2
..'..."865.3.1. Estudo da precisão do EDI-2
5.4.
Resultados...
...895.4.1. Análise correlacional entre os três instrumentos de avaliação..89 5.4.2. Estudo das diferenças entre grupos nos factores do BIQ
.'."""99
5.4.3. Estudo das diferenças entre grupos nas dimensões
do
NEO-FF|-20...
"'102
5.4.4. Estudo das diferenças entre grupos nas escalas do EDI-2...104
DrscussÃo...
coNcLUSOES... REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS... ANEXOS 87 123 129LISTA DE ANEXOS
Anexo l- Body lmage Questionnaire (BlQ)
Anexo ll
-
NEO-FFI-20Anexo lll
-
Eating Disorders lnventory (EDl-2) Anexo lV-
t\Iatriz não rodada dos factores do BIQ Anexo V - tvlatriz rodada dos factores do BIQAnexo
Vl-
Matriz não rodada dos domínios do NEO-FF|-20 AnexoVll-
Matriz rodada dos domínios do NEO-FF|-2OLISTA DE FIGURAS
Figura
í.
Scree Test dos factores do BIQFigura 2. Scree Test dos factores do NEO-FFI-2O..
...68 .,,77
LISTA DE TABELAS
Tabela 7. Resumo das diferentes perturbações alimentares
Tabela 2. Distribuição da amostra por Género e Curso
Tabela 3. Distribuição da amostra pelos Grupos Etários e Género, mediana e média
Tabela 4. Distribuição da amostra por ano de curso e género Tabela 5. Distribuição da amostra por ano de curso e curso... Tabela 6. Distribuição da amostra por Grupo de ldades e Curso Tabela 7. Factores que integram a BIQ
Tabela 8. Dimensões e itens que integram o NEO-FFI-2O...
Tabela 9. Sub-escalas do ÉDl-2, número de itens e itens correspondentes ...
Tabeta10,Factor1-Fechamento/Acessibilidade
Tabela 11 . Factor 2 - lnsatisfação/Satisfação ...
Tabela 12. Factor 3 - Passividade/Actividade ... Tabela 13. Factor 4 - Tenso/Sereno
Tabela 14. CoeÍicientes de precisão do BIQ
Tabela 75. Correlações dos itens com o resultado da factor a que pertence ....
Tabela
í6.
lnter-correlações dos itens do factor Fechamento/Acessibilidade ...Tabela
í7.
lnter-correlações dos itens do factor lnsatisfação/Satisfação Tabela 78. lnter-correlações dos itens do factor Passividade/Actividade... Tabela 79. lnter-correlaçÕes dos itens da escala Tenso/Sereno... Tabela 20. Correlação dos itens do factor Fechamento/Acessibilidade com o total do seu factor e dos restantes factoresTabela 21. Correlação dos itens do factor lnsatisfação/Satisfação com o total do seu factor e dos restantes factores
Tabela 22. Correlação dos itens do factor Passividade/Actividade com o total do seu factor e dos restantes factores
Tabela 23. Correlação dos itens do factor Tenso/Sereno com o
total do seu factor e dos restantes factores.... Tabela 24. Factor 1
-
Extroversão ... Tabela 25. Factor 2-
NeuroticismoTabela 26. Factor 3
-
ConscienciosidadeTabela 27. Faclor 4
-
AmabilidadeTabela 28. Factor 5
-
Abertura à Experiência...29 55 ...55 ...56 ...56 ,,,57 ...58 ...62 ...65 ...69 ...69 ...70 ...70 ,,,71 ,...72 ...73 ....73 ,,',74 ....74 75 .75 75 76 77 78 78 79 79
Tabeta 29. Coeficientes de precisão do NEO-FFl-20... Tabela 30. Correlações dos itens com o resultado do domínio
a que pedence...
Tabela 37. lnter-correlações dos itens do domínio Neuroticismo '..."..."...,
Tabeta 32. lnter-correlações dos itens do domínio Extroversão...'...'..' Tabela 33. lnter-correlações dos itens do domínio Abertura à Experiência".... Tabela 34. lnter-correlações dos itens do domínio Amabilidade...'..."....'... Tabela 35. lnter-correlações dos itens do domínio Conscienciosidade
Tabeta 36. Correlação dos itens do domínio Neuroticismo com o total do seu domínio e dos restantes domínios... Tabela 37. Correlação dos itens do domínio Extroversão
com o total do seu domínio e dos restantes domínios..'
Tabeta 38. correlação dos itens do domínio Abertura à experiência com o total do seu domínio e dos restantes domínios...
Tabela 39. Correlação dos itens do domÍnio Amabilidade
comototaldoseudomínioedosrestantesdomínios...
Tabeta 40. Correlação dos itens do domínio Conscienciosidade com o total do seu domínio e dos restantes domínios.'.
Tabela 41.lViédia e desvio padrão das sub-escalas do EDI-2'....'.. Tabela 42. Coeficientes de precisão do EDI-2
Tabeta 43. Vatores de correlações entre os factores do BIQ e o EDI-2.. Tabela 44. Valores de correlações entre o BIQ e o EDI-2
Tabeta 45. Valores de correlaçôes entre o NEO e o EDI-2 Tabela 46. Vatores de correlações entre o NEO e o BIQ Tabela 47. Valores de correlaçÕes entre o NEO e o BIQ
Tabela 48. Valores de correlações entre o EDI-2 e o
NEO-FF|....'."""""'
Tabeta 49. Valores de correlações entre o BlQ, o EDI-2 e o NEO-FF|-2},
média e desvio padrão...
Tabela 50. Média, desvio padrão e Índice de significância
nos factores do BIQ e Género
Tabela 57. tvlédia, desvio padrão e índice de significância nos factores do BIQ e Grupos de ldade
Tabeta 52. tvlédia, desvio padrão e índice de significância nos factores do BIQ e Cursos
Tabeta 53. Média, desvio padrão e índice de significância
80 ...81 .,,82 .,,82 ...83 ...83 ...84 84 85 85 85 97 99 ...100
x
101 86 87 89 90 92 93 93 94nas dimensões do NEO-FFI e
Género..
""""""102
Tabeta 54. Média, desvio padrão e índice de significâncianas Dimensões do NEO-FF|-2O e Grupos de
ldade...
"""'103
Tabeta 55. Média, desvio padrão e índice de significância
nas dimensões do NEO-FFl e curso frequentado
."....'...
""""""""
104 Tabeta 56. Média, desvio padrão e índice de significâncianas sub-escalas do EDI'2 ê cursos frequentados.."... Tabela 57. Média, desvio padrão e índice de significância
105
nas sub-escalas do EDI-2 e Grupos de
ldade..'
""""""""'
106 Tabeta 58. Média, desvio padrão e índice de significânciaIMAGEM DO GORPO, PERTURBAçÕES ALIMENTARES E TRAçOS DE PERSONALIDADE
Resumo:
Este estudotem
como objectivo investigara
relação entrea
imagem docorpo, perturbaçôes alimentares e traços de personalidade. 254 estudantes do ensino
superior,
191 raparigas (ldade média=
21,53)e 63
rapazes (ldade média=
22,87)responderam
a:
Questionário sobre a lmagem do Corpo (Bruchon-Schweitzer, 1992),Eating
Disorderlnventory
(Garner,Olmstead
&
Polivy,
19S3)e o
NEO-FF|-20 (Bertoquini & Ribeiro, 2OOO). Os resultados obtidos revelaram uma correlação positivaentre
a
imagem corporal
e o
comportamentoalimentar.
As
dimensões
depersonalidade Extroversão
e
Conscienciosidade estão correlacionadas positivamentecom
a
imagem corporal, enquanto
que
a
dimensão Abertura
à
Experiênciacorrelaciona-se
de
modo negativo coma
imagem corporale
como
comportamentoalimentar.
Palavras-chave: lmagem do corpo; Perturbações Alimentares; Personalidade
BODY IMAGE, EATING DISORDERS AND PERSONALITY TRAITS
Abstract:
This study aimsto
investigate the relationship between body image, eatingdisorders and personality traits. 254 higher education students, 191 girls (mean age =
21.53)
and 63
boys (meanage
=
22.87) answered: Questionnaireon Body
lmage(Bruchon-Schweitzer, 1992), Eating Disorder lnventory (Garner
,
Olmstead&
Polivy, 1gg3) and the NEO-FFI-20 (Bertoquini & Ribeiro,2006). The results revealed a positivecorrelation between body image
and
eating behaviors.The
personality dimensionsExtraversion and Conscientiousness was positively correlated with body image, while
the
dimension Opennessto
Experience correlated negativelywith body
image and eating behavior."O homem vive com uma imagem
do
seu proprio corpo que lhe dá acesso,por um lado, a uma'forma'qUe ele reconhece cOmO SUa, bem delimitada no
espaÇo e composta pela unidade viva das suas diferenÍes parfes; por outro lado, a um 'sentido'que lhe permite habitar o seu corpo como um universo familiar e coerente, e não como um caos de sensações estranhas e hosfis"
,
lmagem do Corpo, Pedurbações Alimentares e lraços de Personalidade
Capítulo 1
-
IMAGEM DO CORPOO
conceitoteórico
de
imagem
corporalé
muito utilizado
no
âmbito
dapsicologia, sociologia, psiquiatria
e
medicina.O
termo
é
aplicado para
explicaraspectos importantes
dã
personalidade, comoa
auto-estimaou
auto-conceito, paraexplicar certas
psicopatologiascomo
os
transtornos dismorfobicose
alimentares.Contudo, não existe um consenso científico sobre a definição de imagem corporal.
A imagem corporaltem sido um conceito central poderoso para os psicólogos
da
saúde, sendo
normalmentedescrita
em
termos
de
complexidadee
multi-dimensionalidade,
e
como uma experiência humana conscienteou
inconsciente porfactores históricos, culturais, sociais, individuais e biologicos (Gleeson & Frith, 2006). As primeiras referências à imagem corporal e alterações associadas surgiram
no século XX. Uma das primeiras definições de imagem corporal surgiu com Ambroise
Pare (citado por
Schilder,1981)
ao
observarum
sujeitoque, após lhe
ter
sidoamputado um membro, continuava
a
sentir, ilusoriamente,a
presença desta mesmaparte do corpo, sendo esta, aparentemente, a origem do sofrimento e dor do sujeito.
A
imagem corporalé
"mais do que uma imagem que permanece distinta docorpo,
ela é
o
ser mesmo do sujeito encarnado, enquanto ser imaginário. Pois emqualquer altura,
o
corpo Íem esse poder de metamorfose em que se actualiza comooutro, levado por um espaço e um tempo que são iguatmente outros" (Sami-Ali, citado por Gomes ,2002, p. 84-85).
Para Bruchon-Schweitzer, a imagem corporal
é
um"conjunto de sentimentos,atitudes, lembranças
e
experiências queo
indivíduo acumuloua
propositodo
seucorpo e sâo integradas numa percepção global" (1986/87, p. 893).
Já para Schilder (citado por Fisher, 1990), a imagem do corpo humano pode
ser definida como
a
representação mentaldo
nosso corpo,a
forma como vemos epensamos
o
nosso corpo, também sendo a forma como acreditamos queos
outrosnos vêem. Este autor define a imagem corporal como sendo "a imagem subiectiva do
proprio corpo
formadana
nossa mente,
enquantoobjecto (tnico; não
é
apenasperceptiva, é construída de forma dinâmica a partir das interacçôes sociais e segundo
os padrões de uma cultura" (Maximiano et a1.,2004, p.70). Vários autores consideram
a
imagem corporal um fenómeno
multifacetado,sendo
não
só
uma
construçãocognitiva mas valorizando factores dependentes da personalidade (conscientes e não
conscientes), onde se reflectem os desejos, as atitudes e interacções emocionais com
-lmagem do corpo, Perturbações Alimentares e rraços de personalidade
Freitas, 2008). Schilder também define imagem
do
corpo como "a pinturado
nosso proprio corpo, que nÓs formamos na nossa consciência, o qrJe é dizer a forma como o corpo aparecea
nós próprios" (schilder, 193s, citado por schilder, 1gg1, p. g3).Por
sua
vez,
Hargreavese
Tiggemann salientam
a
importância dospensamentos
e
sentimentosdo
indivíduo acercado
seu próprio corpoe
aparência
física como elementos principais de imagem corporal (2006).
Segundo
Cash
(2004),os
indivíduos possuem experiências subjectivas dasua
própria aparênciaque,
muitas vezes,têm mais
poder psicológicodo
que
a 'realidade'do
seu proprio
corpo.A
imagem corporalé
multifacetada,com
várias
experiências psicolÓgicas, não sendo exclusivamente a aparência física, "body image
is body images" (Cash, 2004, p.1).
Também para Capisano (1992),
a
imagem do corpo é estruturada na nossamente,
no
contactodo
indivíduocom ele
próprioe
com
o
mundoque
o
rodeia,evidenciando a importância de elementos do inconsciente, remetendo, assim, para um conceito de imagem do corpo ligado à figuração do corpo na mente.
MÚltiplas questões teóricas e aproximações estão implícitas no debate sobre
esquema corporal, imagem corporal e representação do próprío corpo. Head e Holmes
(citado por Freitas, 2008), definem esquema corporal como
a
imagem tridimensionalque
os
indivíduostêm
deles próprios, tratando-sede
uma intuição de conjunto, querespondem à situação presente do corpo, e que toda a mudança de atitude faz variar. Cada nova impressão é percebida através deste conjunto e cada impressão elementar
apoia-se neste universo somático, modificando-o. O esquema corporal corresponde à
totalização
e à
unificação constante das sensibilidades orgânicase
das impressõesposturais.
Schilder (citado por Freitas, 2008), refere que
o esqlema
corporal somentese
revelapelo
movimento, assim,o
esguema corporalé
consideradocomo
umacondição elementar do acto que se limita às experiências cinestésicas e às estruturas
posturais, enquanto
a
imagem do corpoé
uma figuração mental, que insereo
modocomo
o
corpose
manifesta para cada um, incluindoa
percepção.E
um esquemaplástico
em
constantes alteraçõesde
posição onde ocorrea
construçãodo
modelopostural, que
se
altera constantemente. Quandose
constróia
percepçãodo
corpo,não se age meramente como um aparelho perceptivo, mas existe uma personalidade
que experimenta a percepção.
Cash
e
Pruzinsky (1990) defendemque
existem várias imagens corporais inter-relacionadas, como sejam:lmagem do Corpo, Pefturbações Alimentares e lraços de Personalidade
.
lmaqem
perceptual-
diz
respeito
à
percepçãodo
proprio corpo,
aoconceito de esquema corporal, onde se inclui a formação sobre o tamanho e a forma
do corpo e das suas partes;
.
lmaqem coqnitiva-
inclui pensamentos, auto-mensagens e crenças sobreo nosso corpo;
.
lmaqem
emocional-
insereos
sentimentos relativamenteao
grau
desatisfação com a figura corporal e com as experiencias que o corpo proporciona.
Os
mesmos autores criaram, também, algumas concepçÕesem torno
doconceito de imagem corporal, considerando que esta:
.
Se
refereàs
percepções, pensamentose
sentimentossobre
o
corpo esuas experiências, sendo a própria experiência subjectiva;
.
E multifacetada, ocorrendo mudanças em muitas dimensÕes;.
As
suas experiências são alternadas por sentimentos sobreo
próprio, aforma como se percebe e vivencia o seu corpo;
,
As
imagens corporaissão também
determinadas socialmente,e
esta influência social ocorre durante toda a vida;.
As
imagens corporaisnão são fixas ou
estáticas,na
medida em
queaspectos da experiência corporal são constantemente modificados;
.
As
imagens corporais
influenciamo
processamentode
informações, influenciando os indivídçtos a vêrem o que esperam ver;.
As
imagens corporais influenciamo
comportamento, principalmente as relaçÕes interpessoais.Desta
forma, Cash
e
Pruzinsky (1990)
investigaramduas
dimensõesprincipais: o investimento na imagem do corpo e a avaliação da imagem do corpo. O
investimento
na
imagem
do
corpo reflecte
o
grau
da
importânciacognitiva
ecomportamental que os indivíduos dão ao seu corpo e à sua aparência; a avaliação da
imagem do corpo refere-se ao grau de satisfação ou de insatisfação do individuo com
o seu corpo e aparência.
Também nesta tentativa de delimitação, Thompson (citado por Saikali, et al.,
2004) refere
que
o
conceitode
imagem corporal compreendetrês
partes:
umaperceptiva, que está relacionada com
a
precisão da percepçãoda
propria aparênciafísica, envolvendo uma estimativa do tamanho corporal
e do
peso; uma subjectiva,-lmagem do corpo, Perturbações Alimentares e rraços de personalidade
ansiedade associada;
e
uma comportamentalque
evidenciaas
situações evitadaspelo indivíduo por experimentar desconforto associado à aparência corporal. Segundo
este autor (citado por Damasceno eÍ at.,20O6), a utilização do termo imagem corporal
seria uma forma de padronizar as diferentes componentes que integram a imagem do
corpo; destas componentes refere a satisfação com o peso, a exactidão da percepção do tamanho, a satisfação e estima corporal, a orientação da aparência, o corpo ideal,
o
padrãode
corpo,
o
esquema corporal,a
percepção corporal,e
as
partes
de
avaliação
da
aparênciae
eventuais distorçõese
perturbações da imagem do corpo.Embora as pessoas não possuam uma imagem do seu corpo apurada, é evidente que
têm uma imagem e utilizam-na como guia nos seus comportamentos.
Segundo Slade (citado por
Saur,
2OO7),o
conceitode
imagem corporal é definidocomo
a
representação mentalda
forma
e
do
tamanhodo
corpo,
sendo influenciadopor
factores históricos, culturais, sociais, individuaise
biológicos. Este autor defende que existem outros factores que influenciam também a manifestação daimagem corporal, nomeadamente;
'
Históriasdos
estímulos sensoriaisque são
recebidasna
formação darepresentação mental do corpo;
.
História da mudança corporal;'
Normas culturais e sociais;'
Atitudes individuais em relação ao peso e à forma corporal;.
Possíveis psicopatologias adquiridas.Também Rudd e Lennon (citado por Gleeson & Frith, 2006) colocam a tónica
na dimensão representativa
e
perceptivada
imagem do corpo, definindo imagem docorpo como uma imagem mental que o indivíduo realizado seu corpo. O componente
perceptivo refere-se
a
como
o
indivíduo
vê
o
seu
tamanho,
forma,
peso,características, movimentos
e
desempenho; enquantoa
componente atitudinal serefere
a
como
o
indivÍduose
sente acerca destes
atributose
como
os
seussentimentos direccionam os seus comportamentos.
segundo Raich (citado
por
casimiro,
zoo7),a
imagemcorporal
é
umconstruto complexo que inclui
a
percepção que o indivíduo tem de todoo
corpo e decada uma das suas partes, do movimento e os seus limites, da experiência subjectiva
de
atitudes, pensamentos, comportamentose
valores queo
indivíduo taze
sente, provenientes das cognições e sentimentos que experimenta.
_lmagem do Corpo, Perturbações Alimentares e lraços de Personalidade
Para Horowitz (citado por Gomes,2002), a imagem corporal opera como um
dado interno,
especializadona
informaçãosobre
o
corpo
e
sobre
o
ambientecircundante.
A
imagem do corpofaz
parte de uma função do Eu, que considera porauto-representação,
é
integrada
por
uma
hierarquiade
sistemas,em
camadasarticuladas com
o
espaço próximo que designa por constelação de imagem corporal.A imagem corporal está em constante relação transaccional com percepções externas
e
internas, memórias, afectos, processos cognitivose
acções.A
imagem corporalsurge como
resultantedos
resÍduosde
sensaçÕes anteriores.Assim,
a
naturezaimediata
e
momentâneada
imagem corporal afectaas
interpretaçõesdos
dadosrecebidos através dos orgãos dos sentidos e pode ainda proporcionar a existência de
distorções não perceptivas das informações recebidas.
No entender
de
Gardner (citadopor
Kakeshila, 2004,p. 6),
o
conceito deimagem do corpo diz respeito à"imagem mental que temos da medida, dos contornos
e forma do nosso corpo;
e
os senúimenÍos concernentesa
estas característicase
àspartes
do
nosso
corpo".
A
imagem individual
da
aparência
física
tem
duascomponentes principais: uma perceptiva (figura mental)
e
outra que está relacionadacom atitudes pessoais (sentimentos).
O modelo de esquema baseado na imagem do corpo na psicologia da saúde
conceptualiza a imagem do corpo como um produto da percepção, construído através
de um processo em que
o
indivíduo percepciona o seu corpo e os corpos das outraspessoas, realizando comparações
e
internalizando estas comparações, alterando asua imagem corporal (Gleeson & Frith,2006).
A
imagem corporal diz respeitoa
uma percepção que é formadaa
partir deexperiências que
o
indivíduo tem com os pais, pessoas modelo, e os pares que lhesfornecem uma ideia de como é amar e o valor de um corpo. A imagem é formada por
feedback positivo ou negativo, dado por pessoas cujas opiniões são importantes para
o
indivíduo. Deste modo,e
segundo defende Strickland (2004),a
imagem corporalpode afectar
a
forma
como
um
indivíduo percebeo
seu corpo,
as
atitudes
esentimentos para com seu corpo, e os comportamentos que afectam o seu corpo.
Por
outro
lado,para
Castilho (2001),a
imagem corporal desempenha umpapel mediador em diversas situações, desde
a
escolha de vestuário, passando porpreferências estéticas, até à capacidade de criar empatia com as emoções dos outros.
A grande preocupação com a imagem do corpo em mulheres e adolescentes
tem a ver com factores biologicos, psicologicos, e factores de risco socioculturais que
-lmagem do corpo, Perturbações Atimentares e rraços de personalidade
1.1. Construção da lmagem do corpo
A construção da imagem corporal em cada indivíduo
é
um processo fusionalde várias partes das imagens dos outros indivíduos que lhes despertam atenção, e da
projecção das suas imagens neles próprios. O factor emocional
é
importante neste
processo,
pois,
quandoo
indivíduo interagecom
indivíduosde
quem gosta,
as experiências vívenciadassão
mais
intensas, adquirindourn
significado emocional (Barros, Bankoff & Schmidt, 20OS).Para Gomes (2002,
p.
Bg), "a imagemdo corpo
estrutura-sena
mente doindivíduo, no contacto consigo mesmo e com o mundo que
o
rodeia, sob o primado doinconsciente.
Entram
na
sua
formação
contributos anatómicos,
fisiológicos,neurologicos, sociológicos e afectivos. A imagem do corpo não é só
uma
sensação ou imaginação, é
a
figura do nosso corpo na mente". Nesta linha de pensamento, MelloFilho (1992) defende que
a
imagem corporalé
um factor importante na formação daidentidade da pessoa, pois a imagem que uma pessoa possui de si mesma é formada
pela
relação entretrês
informações:a
imagem idealizada,a
imagem representada pela impressão de terceiros, e a imagem objectiva.segundo williams
e
Bendelow (citadopor cunha,
zoo4,p.
104),o
mais importanteno
conceitode
imagem corporalé a
sua
organizaçáo:,,representa aimpossibilidade de tratar mente
e
corpocomo
entidades separadas ea
necessidadede
trabalharno
cruzamentodos
factores fisiotogicos, psicologicose
socio logicos davivência corporal".
Para schilder (citado por Barros,
Bankoff& schmidt,200s,
p.1), os sentidostornam-se fundamentais
na
interacção entre corpos. "Primeiro, temosa
impressão sensorla/ do corpo do outro", depois, esta sensaçãoe
incorporada no nosso corpo econstruímos
a
imagem corporal daquele momento.O
mesmo autor afirma que,no processo
de
construçãoe
desenvolvimentoda
imagem corporal,a
1ibido narcisista entra em contacto com as diferentes partes do corpo, sendo que nos váriosestágios o
modelo postural sofrerá mudanças contínuas. Estas mudanças contínuas
sãoinfluenciadas
pelos factores sociais,
libidinaise
fisiologicos.Deste modo,
uma
experiência
do
indivíduoprovoca
repentínamenteuma
mudançana
sua
imagem corporal.Schilder (citado por Saur, 2007) propõe três níveis integrados na aquisição e
-lmagem do corpo, perturbações Alimentares e rraços de personatidade
'
Nível fisiologico-
onde a experiência do corpo do indivíduo seriabaseada em impressões visuais e tácteis;
'
Nível psicanalítico-
estrutura libidinal da imagem corporal, isto é,desejos e impulsos instintivos e emocionais;
'
Nível relacionado à sociologia da imagem corporal-
a
imagem corporal ésempre,
de
alguma forma,a
soma das imagens corporais da sociedade, ou seja, anossa propria imagem corporal não é possível sem as imagens corporais
dos outros.
Outro factor importante para a aquisição da imagem corporal é, segundo Saur (2007),
o
interesse dos outros pelo corpo do indivíduoe
as suas acções relativas aeste' Assim,
o
modelo.posturaldo
corpo está interligado como
modelo postural docorpo dos outros. Vivenciam-se as imagens corporais dos outros, ou seja,
a
imagemcorporal
é
elaboradaa
partir das experiências que se obtêm por meio das acçõese atitudes dos outros.
Slade
(citadopor Saur,
2oo7) propõeduas
componentes principais comopartes de aquisição da imagem corporal:
'
Componente perceptiva-
relacionada coma
precisãoda
percepção daaparência física, a estimativa do tamanho corporal e o peso;
'
Componente atitudinalou
comportamental-
concepçõesdo
corpoe
àssituações evitadas pelo indivíduo que experienciou desconforto associado à aparência
corporal.
Saikali et al. (2004) introduziu uma terceira componente de ordem subjectiva,
que envolve
aspectosde
satisfaçãocom
a
aparência,nível
de
preocupação eansiedade a ela associados.
Para Capisano (1992), do ponto de vista psicanalítico,
a
imagem do corpo éconstruída através da interacção entre o ego e o rd, num jogo contínuo das tendências
egoicas com as tendências libidinais.
O
processode
formaçãoda
imagem corporal podeser
influenciado por diversos factorestais
comoo
género,a
idade,os
meiosde
comunicação,e
pelarelação
do
corpo com
os
processos cognitivos como crenças, valorese
atitudesinseridos numa cultura (Damasceno et. a|,2006). Assim,
a
imagem corporaladquire-se, elabora-se e estrutura-se num contacto permanente com o exterior (Garcia, 1996).
Segundo Castilho (2001)a maioria das crianças, aos dois anos, possui
_lmagem do corpo, Perturbações Alimentares e Iraços de Personalidade
Gradualmente, o corpo vai representando a sua identidade e começam a pensar sobre
como
os
outros vêema
sua aparência. As crianças formam imagensdo
que não éatraente,
e julgam
de
que
formaa
sua
própria aparência corporalse
adequa ao modelo que lhes é transmitido, o que traz consequências na Sua auto-estima.Os
adolescentes encontram-se num estágio do ciclôde
vida caracterizadopor mudanças psicológicas, emocionais, somáticas
e
cognitivase
pelo aumento dapreocupação com
a
aparência física. Durante a adolescência,o
risco de insatisfaçãocorporal
é
maior, perturbando a auto-imagem e a auto-estima, podendo dar origem atranstornos psicológicos (Fernandes, 2007).
A'construção da imagem corporal ocorre pelo contacto com o mundo externo.
Além
do
interessepelo
proprio corpo,tem-se
interessepelo corpo
do
outro.
Ointeresse pelo proprio corpo é importante, demonstrado mediante acções, palavras ou
atitudes, mas também o que os indivíduos que nos rodeiam tazem com seus prÓprios
corpos.
As
imagens corporaissão
dinâmicase
mutáveisem
virtudede
o
corporepresentar um objecto em constante modificação. Se as pessoas se desconectam de
sensações provenientes do proprio corpo, param de reflectir o fluxo de energia interna,
tendem
a
se
afastardo
corporeal
e,
reflectindo predominantementeum ideal
de cultura, apresentando de forma estagnada (Fernandes, 2007).Em suma,
a
imagem corporal queum
indivíduo po§sui estáem
constanterenovação
a
cada
percepção diferente quetem de si
mesmoe
dos outrosque
orodeiam.
O
nosso corpo
modifica-se
e
outras
sensações convergem
numareorganização corporal capaz de gerar uma nova imagem corporal, dependendo dos
estímulos que o mundo oferece (Barros, Bankoff & Schmidt, 2005).
1.2. Abordagem
psicodinâmica
Para a psicanálise, desde Freud, o Eu é uma extensão da superfície corporal
e a
sua
constituição
está
directamenteligada
à
corporalidade.Os
processosfisiologicos
e
os
processos psÍquicossão
interdependentes, fazendocom que
obiológico
e o
simbólico dialoguem desdeo
inícioda
construçãoda
subjectividade (Barros, Bankoff & Schmidt, 2005).Freud (citado por Garcia, 1996, p. 81) considerou arepresentação do corpo
como um elemento fundamental na criação do Eu e na sua diferenciação do /d, pois o
_lmagem do Corpo, Perturbações Alimentares e lraços de Personalidade
nascem
à
superfíciedo
corpo, paralelamenteao
facto de que
ele
representa a superfície do aparelho mental".Segundo
Schilder
(citadopor Silva, Júnior
&
Miller,
2OO4),as
primeirasexperiências infantis
são
importantes paraa
ligaçãodo
indivíduocom
o
mundo econsigo mesmo durante
toda
a
vida. Na primeira
infância,estão
salientadas asexperiências
de
sensaçõese
exploraçãodo
proprio corpo.O
desenvolvimento dasexualidade
genital passa
a
ser
necessáriopara uma
avaliaçãototal das
outraspessoas e das suas integridades somáticas, em que só se experimenta o corpo como
unidade
e
comoum
todo quandoo
nível genitalé
harmoniosamente alcançado. Aimagem corporal liga-se às relações intra e interpessoais, às emoções e sentimentos
do
indivíduo,com
os
outros
e
com
o
seu
ambiente,com
o
uso
de
vestuário eacessorios, além
das
relações como
próprio corpona
parte externae
interna domesmo.
Para
o
mesmo
autor (citado
por
Silva, Júnior
&
Miller,2004,
p.1),
a"configuração emocional determina
a
distânciaenÍre os
objectose
o
corpo".
lstoacontece porque
a
pessoa nãosó
sevê a
si
mesma, mas veráo
seu corpo tanto quantoo
corpo do outro. Portanto, é possÍvel inferir quea
libido da imagem corporalda pessoa que experimenta um desejo se dirige sempre para
a
imagem corporal dooutro,
"mesmona
fase
narcisistahá
uma
direcçãopara algo
presenteque
está vivendo e se encontra no mundo externo". Porém, embora exista uma ligação entre oscorpos, descobrindo-se
um
como
auxíliodo
outro,"a
imagem corporalnão
é
umproduto da apropriação dos corpos alheios, apesar de podermos incorporar partes de
imagens corporais de outras pessoas no nosso modelo posturaf'.
A
imagemdo
corpo remete parao
conceito de 'moi-peau' desenvolvido porAnzieu (citado por Garcia, 1996, p. 82) defendendo que "o Eu adquire
o
sentimento dasua
continuidadetemporal quando
o
Eu-pele
se
constituicomo
um
involucrosuficientemente
flexível
nas
suas
interacções
com
o
meio
e
suficientemente abrangente para conter os conteudos psígulcos".Dolto (citado por Ferreira, 2008,
p. a7$
designaa
imagem do corpo como a"encarnação simbolica
do
inconsciente
do
sujeito
desejante",
isto
é,
umarepresentação inconsciente do corpo, distinta do esquema corporal, que seria
a
suarepresentação consciente ou pré-consciente. Assim, o esquema corporal
faz
parte deuma forma de percepção neurobiologica que é
a
mesma para todos. Já a imagem docorpo é específica para cada indivíduo, pois está ligada ao sujeito, à sua história e à
-lmagem do corpo, Perturbações Alimentares e rraços de personalidade
Ferreira (2008), onde existe um suporte
do
narcisismoe
encarnação simbólica dosujeito desejante. Para este autor, as imagens que
a
pessoa realizado
proprio corposão
a
síntese das suas
experiências emocionais vividas atravésdas
sensações, sendo também memórias inconscientes de todas as vivências relacionais.Sanglade (citado por Gomes, 2002) propõe três interpretações para o termo
imagem corporal, que são estritamente dependentes:
'
Esquema Corporal-
considerao
substrato neurológicoda
imagem do corpo;.
Representação desi-
considera o corpo que nos e dado a ver;.
lmagem do corpo-
representação mental inconsciente do Eu.Dolto
(citadopor
Ferreira,2008)
distingue esquema corporalde
imagemcorporal;
o
primeirodiz
respeitoà
abstracçãode
uma vivênciado corpo
nas trêsdimensões
da
realidade, estruturando-sepela
aprendizageme
pela
experiência, enquanto a imagem do corpo se estrutura pela comunicação entre indivíduos nodia-a-dia. Segundo este autor (citado
por
Pirath, 2OO7),a
imagemdo
corpo estrutura-setambém na história do sujeito sob três aspectos dinâmicos de uma mesma imagem do
corpo:
a
imagemde
base,a
imagem funcionale a
imagem erógena. Essas trêsimagens
do
corpo constituema
imagemdo
corpoe o
narcisismodo
sujeitoa
cadaestágio da sua evolução.
As
imagens corporais são associadas entre si, mantendo-se coesas atravésda dinâmica (pulsões de vida), que são sustentadas pelos desejos do sujeito em se
comunicar com outro sujeito, por meio de um objecto significativo; a imagem funcional
visa
à
realização do desejo, é uma imagem do corpo em movimento e está ligada àspulsões de vida do sujeito; a imagem erógena é o lugar onde ocorre uma relação
de prazer e desprazer com o outro, imagem associada
à
imagem funcional do corpo que reúne a imagem de base e a imagem funcional (pirath, 2OOT).Nos trabalhos de Freud estão presentes os pressupostos de que o corpo é a
fonte básica
de
toda
a
experiênciamental, neles
defendendoque
não
existedescontinuidade
na vida
mental. Nada acontecepor
acaso, existindo sempre umacausa para cada pensamento, sentimento ou acção, ficando.nos desejos e no corpo
sinais
dessa
"memória". Essessinais
fixam-secom
o
tempoe
não
obedecem àracionalidade- Existem conexÕes entre todos
os
eventos mentais, assim, todos oseventos possuem
um
lugar
no
inconscientee
podem
ser
acedidosa
qualquer-lmagem do Corpo, Pefturbações Alimentares e lraços de Personalidade
acessíveis
à
consciência,são
materiais
que
foram
eliminadosda
consciência,censurados e reprimidos, não sendo esquecidos ou perdidos, apenas não é permitido
que sejam recordados. Quando
o
inconsciente liberta memórias parao
consciente,essas
não
perdemforça
emocional, poisos
processos mentais inconscientes sãoatemporais
e a
sua estruturação nãoé
racional.A
energia pulsional necessária paraadministrar as tensões internas obedece às suas proprias leis, então, na relação com
o corpo e a sua imagem concretizam-se desejos
e
processos mentais que obedecemà
sua logica interna. Esta energia pulsional manifesta-se por meio de processos nosquais
a
energia libidinal disponível
na
psique
é
vinculada
ou
investida
narepresentação mental de uma pessoa, ideia ou objecto (Ferreira, 2008).
Para -lavares (2003),
a
formaçãoda
imagem corporalda
criançaestá
na relação com a mãe, o corpo constrói-se baseando-se nas primeiras relações objectaisque
seria
mãe-bebé. Para queo
corpose
apresente com uma imagemna
nossamente,
é
precisoque ele
existapara nós
mesmos comoum
objecto consistente,significativo, que nos cause impacto e se distinga entre tantos outros objectos que se
apresentam ao indivíduo produzindo imagens.
A
qualidadeda
imagem corporalde um
indivíduo encontra-se associada àconsistência
do seu
sistemade
identidade, sendoeste
sistema influenciado pelasrepresentaçÕes das primeiras relações de objecto realizadas durante a infância (Peres & Santos, 2006).
1.3. Abordagem cognitivo-comportamental
O corpo é experienciado através de constructos cognitivos multidimensionais.
Estas imagens mentais
não são
estáticas, desenvolvendo-secomo uma parte
doprocesso dinâmico
em
que,
constantemente,o
indivíduo
tenta
organizar
ecompreender
as
suas
experiências.De certa forma
estável,a
imagemdo
corpodepende de factores contextuais internos ou externos. São, também, filtrados, através
da
realidade social,de
interpretações e julgamentos queo
indivíduo pensaque
osoutros formam deles (Freedman, 1990).
Um
modelo cognitivo-comportamentalpara
a
compreensãoda
imagem docorpo inclui componentes afectivos, perceptivos e atitudinais: a percepção da imagem
do
corpo
refere-sea
uma
interpretação cognitivadas
sensações externase
das*lmagem do corpo, Perturbações Alimentares e rraços de personalidade
respostas emocionais criadas pelos pensamentos conscientes acerca do corpo; e, as
componentes atitudinais referem-se às ideias e regras que organizam o ponto de vista
do
indivíduo acercado
se/f físico. Estas crenças solidificam-seao
longodo
tempo,formando uma parte
permanenteda
personalidade,que
é
resistenteà
mudança(Freedman, 1990).
O
comportamento reflectee
afectaa
imagemdo
corpo pela influência dascognições sendo
as
crenças
desenvolvidase
consolidadasde
forma
a
seremresistentes
à
mudança. Uma interacção circular através
dos
comportamentos,cognições
e
emoçõesé
explicado pelo modelo emocionalde
Albert Ellis,em
que,primeiramente,
A
(um
eventoactivo) leva
a
B
(um
pensamentoe
a
uma
auto-afirmação), levando a C, em que o comportamento gera novas cognições (Freedman,
1990). Também
cash
& Brown (citado por Freedman, 1g90) sugerem quea
imagemcorporal
é
uma
idealização multidimensional definida pelas percepçõese
atitudes(afectivas, cognitivas e comportamentaís) que um indivíduo possui em relação ao seu
corpo.
1.4. Abordagem
Social/
ContextualO
indivíduo,ao
construir-se, constrói tambémos que
o
rodeiam, pois "asexperiências visuais que levam
à
construção da imagem corp.oralpessoa/ levam, aomesmo tempo,
à
construção da imagem corporaldos oufros" (Schilder, 19g4, citadopor Silva, JÚnior & Miller, 2004, p.1). A imagem corporal não está presa aos limites do proprio corpo, mas vai além dele, é um fenómeno social "pois justifica-se
na
existênciadesfe ser no mundo, sendo que o espaÇo interno e externo do modelo postural não é
o mesmo da física".
Segundo Silva, Júnior e Miller (2004), na relação do sujeito com a sociedade,
existem interesses
e
necessidades (conscientese
inconscientes)tanto do
sujeito,como
dos
interessese
estratégiassociais.
Os
codigosde
comportamento, osproibidos
e
os
padrÕesde
comportamentoaceites
e
valorizados
socialmente, influenciamo
comportamentodos
sujeitoscom
relaçãoaos seus
corposem
quesimultaneamente um influencia o outro.
Para
Boltanski (citado
por
Ferreira, 200g),
o
uso
social
do
corpo
édeterminado pelos comportamentos físicos dos indivíduos sociais, regulados por uma
_lmagem do Corpo, Perturbações Alimentares e lraços de Personalidade
indicadores como os hábitos alimentares, a relação com a dor, os sentidos corporais e
os
critériosde
beleza,e
delimitaos
usos sociaisdo
corponas
diferentes classes sociais.Para Ferreira (2008), o espaço em que o indivíduo se relaciona, que pode ser
o
propriocorpo
ou
o
mundode
relaçõesem que vive,
é
rodeadopela
imagemcorporal, espaço este onde existe uma interacção constante com os outros indivíduos.
As imagens corporais ligam-se por meio de uma proximidade espacial que favorece o
contacto entre corpos e suas experiências.
Um bom relacionamento social pode gerar uma formação da imagem corporal
de modo a que
o
indivíduose
sinta satisfeito. Muitas vezes,o
indivíduo quer passaruma imagem daquilo que realmente é, trazendo
a
conotação de que deseja mostrarao
outroo
que existe de melhor nele;a
este facto Freud chamou de exibicionismo,que diz respeito à tendência em mostrar o corpo. Assim, surge uma relação de olhar e
ser olhado, agradar e ser agradado. Consciente ou inconscientemente, a imagem que
se possui de si mesmo altera-se, estando dependente da aceitação e julgamento que
os outros fazem da imagem do indivíduo (Ferreira, 2008).
A
teoria
sociqculturalafirma
que
a
insatisfaçãoda
mulher
com
a
suaaparência
física
é
ocasionadaa
partirdos
conceitos sociais:o
idealde um
corpomagro valorizado nas sociedades ocidentais; a tendência da mulher em eleger o corpo
como objecto e não como um instrumento produtor; e o conceito de que a pessoa que
é
magra
é
boa, que
pessoas fisicamente atraentes, magras, recebem
maiscompensações
e
estão associados custosa
nãose ser
atraentee a
ser-se gordo(Fernandes ,2007).
Para
os
homens, Morrison, Kaline
Morrison (citadopor
Fernandes, 2007)sugeriram que
os
media publicitam um corpo masculino musculoso como ideal,e
adivulgação desse ideal também incentiva
os
homens a elegeremo
corpo mais comoobjecto do que como instrumento produtor, e os homens que se desviam deste ideal
por serem muito magros
ou
muito gordos experimentam uma avaliaçãoda
imagemcorporal negativa e/ou investem de forma agressiva na auto-imagem.
lndependentemente
da
presença
ou
não
de
distúrbios,
devidamentecaracterizados, como representação psicológica,
a
imagem corporal integra os níveisfísico, emocional
e
mentalem
cada ser humano, com respeitoà
percepçãoda
suacorporalidade.
A
pessoa experiencia a realidade do mundo somente por meio do seucorpo,
e
o
termo
saúde mental refere-seà
condiçãoem que
imageme
realidadelmagem do Corpo, Perturbações Alimentares e Iragos de personalidade
experiência
de
si
mesmo
e
do
corpo como unidade,
são
determinantes docomportamento,
na
medidaem que
regemas
atitudese
as
estratégias que serãoadoptadas na procura do equilíbrio entre
a
mente e o corpo e da condição de saúde(Kakeshita ,2004).
Num estudo realizado por Coelho e Fagundes (2007) pretendeu-se comparar
a
imagem corporal actual coma
imagem corporal ideale
como
graude
satisfaçãocom a imagem corporal entre mulheres de diferentes classes económicas praticantes
de
caminhada. Tomou-se como pressuposto que quanto maioro
rendimento familiarmaior
o
acesso das pessoasà
informaçãoe
aos mediae
de que há um padrão debeleza imposto na sociedade, admitindo-se que as variáveis estudadas em relação à
imagem corporal deveriam
variar entre
mulheresde
classe económica diferentes.Quanto
ao
índicede
satisfação, percebe-seque
860/odas
mulheresdeste
estudo estão insatisfeitas com seu corpo. Este estudo sugere que o padrão de beleza impostopela sociedade afecta as mulheres, independentemente da classe económica, sendo
que
as de
maior
poder aquisitivo vêem-sea si
mesmas relativamente magras edesejam emagrecer um pouco mais, enquanto
as de
menor rendimento familiar sepercebem relativamente obesas, portanto mais distantes do modelo actual de corpo.
Um estudo realizado
por
Barros,
Bankoffe
Schmidt (2005) teve
comoobjectivo desvendar as proposições da imagem corporal, analisando como a beleza e
as
relações sociais são essenciais na formação da imagem corporal. De acordo comas
entrevistadas,a
beleza
e a
imagem corporal
apresentam-secomo
partesintegrantes com as suas peculiaridades.
Num estudo levado
a
cabo por Graup et al. (2008) pretenderam investigar apercepção
da
imagem corporale
verificar possíveis associaçõescom
indicadoresantropométricos (índice
de
Massa Corporal-
lMC, Relação Cintura-euadril-
RCe,percentual de gordura corporal - %G) em estudantes. A amostra foi constituída de 467
estudantes,
de
g
a
16 anosde
idade.A
percepçãoda
Imagem Corporal Real emambos
os
génerosfoi
semelhantee
aproximou-se da imagem3
considerando umaescala
de
nove figuras,em
que a figura 1 correspondiaa
um esboçode
um corpomuito magro
e
a
figura9
a
um
esboçocom
um corpo com excessode
peso. Assilhuetas
2
e
3
foram
as
mais
apontadascomo ideais pelo género
feminino emasculino, respectivamente. Aproximadamente 670/o dos alunos estavam insatisfeitos
com
a
sua
imagemcorporal,
principalmenteem
relaçãoao
excessode
gorduracorporal. No género masculino,
a
idadee a
percentagem de gordurae,
no género_lmagem do Corpo, Perturbações Alimentares e lragos de Personalidade
maior relação com a percepção corporal real. Neste contexto, os resultados parecem
demonstrar influências socioculturais
que
afectamde
forma diferente
crianças ejovens de diferentes géneros.
Damasceno
et al.
(2005)
realizaramum
estudo
em que
tiveram
como objectivo quantificar o tipo físico ideal e verificar o nível de insatisfação com a imagemcorporal
de
praticantes de caminhada. Foi pedido aos participantes que indicassemqual a silhueta que correspondia ao seu corpo actualmente e qual a que gostariam de
atingir. Apenas 24% das mulheres estão satisfeitas.
A
silhueta3 foi
apontada comoideal a ser atingido por 55% das mulheres (silhueta 2 = 18o/o; e 4 = 21%). Quanto aos
homens, apenas 18% estão satisfeitos. A silhueta 4 foi apontada como
idealpor
47o/odos homens (silhueta 3 -- 23%; e 5
=
19%). Existe um tipo físico ideal para ambos osgéneros. Não houve diferença entre
o
grau de insatisfação coma
imagem corporalentre os géneros.
No estudo levado a cabo por McCabe e Ricciardelli, os autores investigaram
as
estratégias adoptadaspor
adolescentespara
emagrecere
aumentara
massamuscular. Os autores chegaram à conclusão que as mulheres estão menos satisfeitas
com seus
corpose
adoptam estratégiaspara
perder pêso, enquantoos
homensescolhem estratégias para aumentar a massa muscular e o pêso corporal. O índice de
massa corporal apresentou correlação positiva com a insatisfação corporal e com as
estratégias para perder peso, isto
é, os
indivíduos que apresentam maior IMC sãomais insatisfeitos com seu corpo e escolhem mais estratégias para perder peso. Em
relação
aos
adultos, concluíramque as
pressões culturaise os
valores idealizadossão
os
mesmos, poisos
homens procuramo
sêu corpo ideal aumentandode
peso,desenvolvendo
o
tronco
e
evitando tornarem-se gordosou
sem forma. Para
asmulheres,
os
estudos apontam parao
oposto, como
estereotipodo
magroe
alto(Damasceno et al., 2006).
Jacobi
e
Cash
investigarama
auto-percepçãoe
os
atributos
físicosidealizados, com média
de
idade para ambosos
géneros de21
anos. Os atributosfÍsicos analisados foram o tamanho corporal,
o
peso, a estatura,a
musculosidade, acor de cabelo e dos olhos. Os resultados indicam que os homens querem ter um corpo maior, ser mais pesados e ter mais músculos. Em relação às mulheres, elas desejam
ter um corpo menor, com menos peso, ser mais musculadas e mais altas (Damasceno
_lmagem do Corpo, Perturbações Alimentares e Iraços de Personalidade
capítulo
2-
IMAGEM DO CORPO E PERTURBAçÕES ALTMENTARES2.1 . Perturbações Alimentares
O
conceito
de
perturbações alimentares geralmente
remete
paraperturbações envolvendo anormalidades
na
alimentaÇão. No entanto,a
perturbaçãona
imagem corporalé
um dos
aspectos relevantese
que as
distinguede
outrascondições psicológicas que ocasionalmente envolvem anormalidades na alimentação
e perda de peso (Rosen, 1990).
O
comportamento alimentarenvolve
o
acto
de
ingestãoe
os
aspectos qualitativos relacionados com a selecção e decisão de quais os alimentos a consumir,enquanto
o
padrão
de
ingestão respeitaaos
aspectos quantitativos implícitos na ingestão (Rebelo & Leal, 2007).Nos
últimos anos,
o
aumento
da
prevalência
das
perturbações
docomportamento alimentar tem vindo
a
suscitaro
interesse da comunidade científicapara
o
estudo deste
conjuntode
perturbações, principalmentepelo carácter
degravidade clínica que, geralmente, apresentam.
As
perturbaçõesdo
comportamentoalimentar incluem a anorexia nervosa (com dois subtipos: tipo restritivo e tipo ingestão
compulsiva/purgativo), a bulimia nervosa (tambem com dois subtipos: tipo purgativo e
tipo
não
purgativo)
e'
as
perturbaçõesdo
comportamentoalimentar
sem
outraespecificação (APA, 2OOZ).
A
anorexia nervosae a
bulimia nervosasão
consideradas, actualmente,doenças
das
sociedades desenvolvidasque
afectam sobretudo mulheres jovens,sendo pouco frequentes
no
sexo masculino. Estas ocorrem, sobretudo,nos
paísesindustrializados, sendo raras
nos
países pouco desenvolvidos,e
apresentam umabaixa incidência
em
minorias étnicas.O
diagnósticode
uma perturbação alimentardepende, segundo Fairburn e Harrison (citado por Neves, 2008), da existência de uma
perturbação
clara
nos hábitos alimentaresou
nos comportamentos para controlar opeso, o que
se
reflecte em dificuldades de funcionamento clinicamente significativas,com impacto
ao
nível psicologicoe da
saúde física,e
não sendoesta
perturbaçãocomportamental secundária
a
outra condição médica geral ou psiquiátrica.As
auto-avaliações
das
pacientes com estas perturbações caracterizam-se por serem quaseexclusivamente centradas no seu peso, na forma corporal e na capacidade de controlo