RELATÓRIO FINAL
Estágio Profissionalizante – 6º ano
Sara Mónica Morgado Morais;aluna nº 2009307
Identificação
NOME:Sara Mónica Morgado Morais
NÚMERO DE ALUNO: 2009307
TURMA: 2
PERÍODO DE ESTÁGIO:15 de Setembro de 2014 a 5 de Junho de 2015
ÍNDICE
1. Introdução ... 3
2. Actividades Realizadas ... 4
2.1. Medicina Interna ... 4
2.2. Cirurgia ... 4
2.3. Medicina Geral e Familiar ... 5
2.4. Pediatria ... 5
2.5. Ginecologia e Obstetrícia ... 6
2.6. Saúde Mental ... 6
2.7. Estágio Clínico Opcional ... 7
2.8. Preparação Para a Prática Clínica ... 7
3. Análise Crítica ... 8
1. Introdução
O 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (FCM-UNL), como ano assumidamente profissionalizante e o último da formação académica, visa a preparação do aluno para o exercício da Medicina, contando com a orientação por parte dos médicos assistentes e exigindo-lhe empenho e dedicação, espírito crítico e de iniciativa. Com o intuito de tornar o aluno apto para assumir mais confortavelmente e de forma mais autónoma as situações com que se irá cruzar no início do exercício da profissão, traçam-se como objetivos gerais de aprendizagem o desenvolvimento de competências clínicas, com consolidação de conhecimentos teóricos intensivamente transmitidos nos anos anteriores através da aplicação sensata dos procedimentos práticos, ao mesmo tempo que se favorece a sublimação de atitudes e comportamentos correctos, tão essenciais à profissão de médico.
Através do presente relatório, pretendo apresentar uma descrição sucinta e elucidativa dos componentes do meu processo de aprendizagem, ao longo deste ano letivo. É meu objetivo, sintetizar um ano de trabalho, e globalmente definir a organização individual de cada estágio e o trabalho por mim desenvolvido, destacando os aspetos mais significativos de cada um.
Segue-se, portanto, a esta breve introdução, a listagem dos estágios parcelares pertencentes ao plano curricular do 6ºano do MIM da FCM-UNL e exposição das respetivas atividades. Findo o relatório com uma reflexão crítica, na qual analiso os estágios parcelares, que me permite fazer o balanço do meu percurso no decorrer do meu último ano de formação académica, e, assim, avaliar o meu progresso a nível profissional e pessoal. Em anexo acrescento ainda os certificados das formações a que assisti durante o ano lectivo e que julgo terem sido importantes complementos.
2. Actividades realizadas
Nesta secção, apresento de forma sucinta, as actividades realizadas em cada um dos estágios parcelares, bem como no estágio clínico opcional e nas aulas teóricas práticas da Unidade Curricular de Preparação para a Prática Clínica.
2.1. MEDICINA INTERNA
O estágio de Medicina Interna decorreu entre 15 de Setembro e 7 de Novembro de 2014, na Unidade Funcional de Medicina 4, do Hospital de Santa Marta – Centro Hospitalar de Lisboa Central (HSM), sob a orientação da Dr.ª Rita Barata Moura.
Estas 8 semanas incluíram diversas vertentes. Aquelas com sede no HSM incluíram passagem pela enfermaria, a componente mais interactiva e integrativa. Assisti também a sessões e conferências clínicas realizadas por diferentes elementos da equipa médica, destinadas à apresentação de temas importantes e casos clínicos relevantes.
Por último, fiz uma apresentação de um tema em sessão clínica, em conjunto com os colegas em estágio no mesmo hospital intitulada “Tratamento e Profilaxia da Endocardite Bacteriana”. Ainda parte do estágio incluiu-se a frequência do serviço de urgência, no Hospital de São José – Centro Hospitalar Lisboa Central.
Como componente teórico-prática, realizados no edifício da FCM-UNL, assisti a seminários com abordagem de temas fulcrais a esta especialidade.
2.2. CIRURGIA
O estágio parcelar de Cirurgia Geral, no Hospital Beatriz Ângelo (HBA), decorreu entre os dias 10 de Novembro de 2014 e 16 de Janeiro de 2015, sob tutorização do Dr. Pedro Amado.
Quanto à organização deste estágio, iniciou-se com uma semana dedicada à apresentação de diferentes temas, em aulas teórico-práticas, no auditório do HBA. A passagem por este estágio incluiu ainda a permanência, durante uma semana, no Serviço de Urgência, bem como a passagem, durante duas semanas, por uma especialidade cirúrgica à escolha dentro de uma lista de opções, da qual escolhi Gastroenterologia. As restantes 4 semanas de estágio foram dedicadas à Cirurgia Geral, acompanhando o tutor nas suas diferentes actividades (consulta externa, enfermaria, urgência e bloco operatório), de forma ativa e participativa. Para finalizar o estágio, no último dia realizou-se o Minicongresso de Cirurgia, no qual participei, em conjunto com as minhas colegas
Andreia Fernandes e Diana Rocha com uma apresentação intitulada “Quando o raro acontece”.
2.3. MEDICINA GERAL E FAMILIAR
Este estágio decorreu entre os dias 26 de janeiro e 20 de Fevereiro de 2015, e aproveitando a possibilidade oferecida de realização de estágio fora dos locais previamente protocolados, realizei-o na USF Corgo pertencente ao ACES Marão e Douro Norte, tutorada pela Dr.ª Teresa Moreira.
Durante este período acompanhei o horário e as diferentes actividades da minha tutora, assistindo às diferentes valências de consulta externa e acompanhando as visitas domiciliárias realizadas. Assisti ainda por diversas vezes aos procedimentos incluídos nas consultas não assistenciais com interpretação e registo dos resultados de exames complementares de diagnóstico ou renovação de prescrições medicamentosas.
Como requisitos estabelecidos pela UC, tive ainda a oportunidade de compilar um relato familiar, bem como registar a análise crítica de uma situação clínica observada, registos estes incluídos no diário de exercício orientado (DEO). O estágio culminou na entrega e discussão do DEO, no dia 20 de Fevereiro, com o júri composto pela Prof. Doutora Isabel Santos e pelo Prof. Dr. Luís Pisco.
2.4. PEDIATRIA
O estágio de Pediatria, entre os dias 23 de Fevereiro e 20 de Março de 2015, teve lugar no Serviço de Hematologia do Hospital Dona Estefânia – Centro Hospitalar Lisboa Central. Durante este período estive sob orientação da Dr.ª Raquel Maia, acompanhando-a nacompanhando-as acompanhando-actividacompanhando-ades de enfermacompanhando-ariacompanhando-a, nacompanhando-as consultacompanhando-as externacompanhando-as (de Hemacompanhando-atologiacompanhando-a Pediátricacompanhando-a) e no serviço de urgência. Assisti ainda às sessões formativas realizadas por elementos dos diferentes serviços, assim como às reuniões de serviço diárias onde eram apresentados os casos clínicos referentes aos doentes recém-internados.
No último dia de estágio, no Congresso de Pediatria, apresentei em conjunto com as minhas colegas Andreia Fernandes e Diana Rocha um seminário intitulado “Acidentes em Ambiente Doméstico na Pediatria”.
2.5. GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA
O estágio de Ginecologia e Obstetrícia (G&O) decorreu entre os dias 23 de Março e 24 de Abril de 2015, no Hospital dos Lusíadas, sob tutorização do Dr. Luís Ferreira Vicente. Neste período, acompanhei o meu tutor nas suas actividades, nomeadamente consulta externa, realização de exames complementares de diagnóstico, bloco de partos e bloco operatório, com oportunidade de participação activa neste último. Uma vez que o Dr. Luís Ferreira Vicente era subespecializado no tratamento de infertilidade, tive a oportunidade de acompanhar de forma mais próxima casais em processos de procriação medicamente assistida. Além disso, em dois dias diferentes tive oportunidade de assistir, com outros tutores, a consulta externa de Patologia do Colo, bem como passar um dia no laboratório de embriologia, acompanhando os processos aí realizados.
No último dia de estágio, em sessão clínica, apresentei um seminário sobre “Doença Inflamatória Pélvica”.
2.6. SAÚDE MENTAL
Este estágio, realizado no edifício da FCM-UNL e no Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital Egas Moniz – Centro Hospitalar Lisboa Ocidental (HEM), decorreu entre os dias 27 de Abril e 22 de Maio de 2015.
O primeiro dia de estágio foi dedicado a dois seminários teórico-práticos, no edifício da FCM-UNL, leccionados pelo Prof. Doutor Miguel. O restante estágio, tutorizado pelo Dr. Ricardo Caetano, foi dedicado em exclusivo à enfermaria do Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do HEM, com participação nas entrevistas clínicas, reuniões de serviço/journal club e reuniões multidisciplinares, estas últimas com participação dos elementos da equipa de Psiquiatria e Saúde Mental de todo o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental. Como parte integrante da tutorização, frequentei ainda o serviço de urgência de Psiquiatria, com sede no Hospital São Francisco Xavier – Centro Hospitalar Lisboa Ocidental.
À semelhança do que ocorre nos outros estágios, no journal club da última semana de estágio, em conjunto com a minha colega Andreia Fernandes, apresentei um artigo sobre demência precoce, “The diagnosis of young-onset dementia”, a propósito de um caso observado no internamento. Realizei ainda, também em conjunto com a minha colega Andreia Fernandes, uma história clínica de uma das doentes internadas na enfermaria durante o período de estágio.
2.7. ESTÁGIO CLÍNICO OPCIONAL
Para terminar, aproveitando a oportunidade de realizar estágio opcional à escolha, contactei o Serviço de Neonatologia e Pediatria do Centro Hospitalar de Trás os Montes e Alto Douro e durante as últimas duas semanas do ano lectivo, e após concretização de protocolo com, realizei aí estágio, sob supervisão do Dr. Eurico Gaspar, director de serviço.
À chegada, foi-me oferecida total liberdade de organização do meu horário, pelo que acompanhei os diferentes elementos do serviço no internamento de Neonatologia, na enfermaria de Pediatria, no berçário, em consulta externa de várias subespecialidades (Consulta de Pediatria Geral, Consulta de Imunoalergologia Pediátrica e Consulta de Desenvolvimento) e no serviço de urgência.
2.8. Preparação para a Prática Clínica
A unidade curricular de Preparação para a Prática Clínica (PPC) decorreu ao longo do 1º semestre, com aulas teórico-práticas quinzenais, tendo lugar na FCM-UNL. Pretendia-se, com esta unidade curricular multidisciplinar, integrar os conhecimentos ministrados ao longo do curso de Medicina, com o intuito de tornar o aluno capaz de criar hipóteses diagnósticas adequadas às diversas situações clínicas, orientar os meios de diagnóstico, propor terapêutica e estabelecer prognóstico. Os temas abordados ao longo das 7 aulas pelas diferentes especialidades foram: dor torácica, síncope, cansaço, edemas, perda ponderal, dor abdominal e febre. A avaliação consistiu num exame escrito, de escolha múltipla, englobando os temas leccionados, sendo a assiduidade também valorizada.
3. ANÁLISE CRÍTICA
Contados 6 longos anos de luta e dedicação, concluo, agora, a 1ª etapa formativa de um percurso que ainda se mostra jovem e carece de muito empenho e aprendizagem da minha parte. Cada ano se revelou fulcral na minha formação académica, mas incontestavelmente, foi o 6º ano que me conferiu mais confiança e destreza para a prática médica.
Os vários estágios parcelares contribuíram grandemente para a minha construção enquanto futura médica em diferentes níveis. Em todos os estágios, pude aplicar os conhecimentos que adquiri durante a minha formação académica e adquirir novos, contactei com doentes portadores de diversas patologias médicas e cirúrgicas, em contexto de internamento, consulta e urgência. Além do meu desenvolvimento a nível clínico, deparei-me com situações que, até então, passavam um pouco despercebidas: o elevado número de casos sociais e a consequente necessidade de intervenção multidisciplinar que inclui profissionais de saúde e assistentes sociais. Tive oportunidade de contactar com os familiares dos doentes e, assim, lidar com os seus medos e expectativas. A minha integração nas equipas pelas quais passei foi uma mais-valia porque me permitiu perceber a importância do bom relacionamento e trabalho em equipa em prol do doente, de modo a garantir-lhe a melhor prestação de cuidados. Todos estes fatores associados à autonomia que me foi atribuída permitiram-me alcançar os objetivos que tracei ao ingressar neste último ano.
Analisando especificamente cada um dos estágios parcelares, considero que o estágio de Medicina Interna, por ser, à semelhança do que aconteceu em anos anteriores, aquele em que é permitido ao aluno uma maior autonomia e integração na equipa, foi aquele em que melhor notei os frutos do meu trabalho, desenvolvendo mais o à-vontade necessário na abordagem ao doente, na recolha da sua história clínica, bem como no diagnóstico e nas propostas terapêuticas. Como ponto negativo tenho apenas a apresentar o facto de, no HSM onde estagiei, o número de médicos e alunos ser excessivamente alto para o número médio de doentes internados.
Relativamente ao estágio de Cirurgia Geral, apreciei especialmente a componente prática que incluiu, principalmente a oportunidade de participar como ajudante nas cirurgias, sendo que de forma geral, considero ter sido um estágio completo e enriquecedor. No entanto, a passagem pelo serviço de Gastroenterologia foi, na minha opinião, vergonhoso no que toca à distribuição dos alunos, com clara desorganização tutores/alunos, com planificações permanentemente desactualizadas que no conjunto
fizeram com que o estágio fosse muito menos diversificado do que aquilo que teoricamente era oferecido.
No que toca ao estágio de Medicina Geral e Familiar, apesar de ser uma especialidade que embora essencial, não é aquela em que me sinto mais realizada, foi para mim uma grande surpresa, pois foi muito mais envolvente e dinâmico comparativamente ao estágio equivalente do 5º ano. De salientar a oportunidade de realizar o estágio numa USF diferente das protocolares, que penso ser uma excelente iniciativa por parte da organização da unidade curricular.
Focando então o estágio de Pediatria, trata-se de uma área que me é muito querida, e como tal, apesar de realizar o estágio numa subespecialidade muito limitativa, não considero que tenha sido um elemento desfavorecedor, e mesmo implicando um menor número de doentes observados, com patologias muito específicas, que foge um pouco ao âmbito dos estágios profissionalizantes; no entanto a passagem pelo serviço de urgência em grande parte compensou esta lacuna. Como já referido no relatório parcelar, a realização de relatório, com história clínica, nota de entrada e nota de alta anexadas bem como a participação no Congresso de Pediatria, tornam-se obsoletos, num estágio curto como este.
Avançando para o estágio de G&O, devo admitir que sentia alguma reticência inicialmente, pelo facto de o realizar num local com pouca experiência em receber alunos. No entanto, senti-me extremamente bem recebida, resultado num estágio muito completo nas actividades a que pude assistir, no entanto, e nesse contexto, considero como ponto desfavorável ter sido um estágio maioritariamente passivo/assistencial, com pouca oportunidade de realizar pequenas intervenções práticas, que ficaram limitadas ao bloco operatório, onde participei como ajudante.
O estágio de Saúde Mental, por ter decorrido em contexto de internamento, permitiu o contacto com as situações mais graves, em contexto agudo, e que consequentemente necessitam de mais intervenção. Neste aspecto, o estágio revelou-se uma óptima experiência de aprendizagem. No entanto, para que esta experiência fosse maximizada, e tendo em conta que os internamentos nestas condições são mais prolongados do que o que se observa noutras enfermarias, 4 semanas tornam-se ingratamente curtas, embora reconheça que se trata de um problema de difícil resolução.
Por fim, a oportunidade de realização de um estágio clínico à escolha é uma importante chance de os alunos complementarem o seu percurso académico passando por uma área que não tenham tido oportunidade previamente ou que apenas desejem
aprofundar. Nesse sentido, e por gosto pessoal, optei pela área pediátrica, focalizada especialmente na Neonatologia, que acabou por satisfazer as minhas expectativas e objetivos.
Para terminar, e já fora do âmbito de estágio, penso ser essencial deixar uma opinião relativamente às aulas teórico-práticas de PPC. Apesar de ser uma boa iniciativa em teoria, pois qualquer um dos alunos sente, nesta fase, que falta alguma destreza baseada na falta de experiência, na abordagem sistemática e autónoma de situações clínicas, principalmente em contexto de urgência, a verdade é que a sensação final destas aulas é de algum déjà-vu relativamente aos conteúdos das UC’s de Medicina Interna dos 4º e 5º anos, com o mesmo esquema de apresentação teórica que nem sempre corresponderá ao observado na rotina médica da vida real.
Em suma, parto para um “amanhã” envolto em incertezas e receios, mas com a confiança nas múltiplas experiências e ensinamentos que a Faculdade de Ciências Médicas me proporcionou. Findo este relatório com a frase de Abel Salazar com que iniciei o meu percurso na Medicina: “O médico que só sabe de Medicina, nem de Medicina sabe”. E faço-o, porque graças aos meus mestres de hoje e sempre, que me fizeram crescer nesta casa, me mostraram o verdadeiro significado deste ensinamento, procurando tornar-me uma médica não só competente, mas com a vertente humana e social, essenciais à plena realização profissional.