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N.EVIS'I~,A
Sob a direcção de i nspectores •• 1 .. • ... ' ~ t ~ N S A J ' ~
escolares do Districto Federal •
ASSIGNATURAS :
-Director-Presiden te
ALFREDO C. DE F . AL VJA:1
Gerente : i 1 Para os Estados
1
6 unt 111ezes •... anno · · · .., ·10~000 6$000 YEL VA P. DE SÁ FREIRE
Redacção: RUA 7 DE SETEMBRO, 174
Officinas: RUA DO CARMO, 55-A •
•
,: Para o Districto Federal { un1 ano o··•·
'/ 6 mezes ... . União Postdl . .. ...•.... 9$000 5$000 12$0')0 · ' -SUNINLA.R.10
j\tfaria Reis Carnpus .... . . .. . . Alba C. }lascin1e11t o. . . . . .
Aprigio Gonzaga.... . . . .
Classificação de Adjunctas
A carreira do professor
e o fundo escolar.
A Philosophia na Esrola
Primaria
Finalidade do trabalho
n1a-nual para hon1e11s.
A. Joviano... . .. . . ... . . !t1 este -E se o lo. . . . . . . . . . . Othello Reis .. ... .... . ... . . C Padil ha . . . . .. . . . .. . . Othello Reis ... .. .. . . Oly,npia do Couttv . . . . . Conjugação dos verbos
Tres Pnla vrin has.
Educação do ho1nen1 e do . cidadão . 11 istorin Geographia Arithnictica.
================-====-
--=-======·--=--=--::::::.:--· ... ----·- ~ ==-:..:~-:.:::-=...-:..:-===-===-==--- --- ... ---._.., --- - -"""- · ·---
Classificaçãc,
de
adjuncta5
•Publicadll afinal a classificação das a(l- recto e transferil-o ao acaso de uns numeros.
jt11zctas de 1.u. classe por ordem de merecinzento, ' Ha professores que adoptanz, /Jara cor,
i-nc1o errare111os affir;1zando qt1e 1zu111erosas f ora111 gir provas, u11z criterio numerico que é, para
el-as s11r presas dolorosissimas a que deu c<lL1sa a les, a gara,ztia da i111parcialidade. Unz erro, dois
co11j11gação de uns ta11tos criterios nt1nzericos, erros, tres erros, são tantos porztos a desco,1tar. e111bora creados com as mellzores intenfôes. í E quantas i1ziqt1idades dahi provêm! Cada erro
/\Ião dire111os que na classificução este- é um caso a esl11dar. Tal erro não se poderá ja111 i,rvertidos os valores, nenz que não lzaja11z al · . contar, pois é co11seqi1e1zcia logica cie tal OLJI ro.
ca11çado logares disti11ctos mL1itas fu1zccio11arias Este aqui, não currerá por conta do discip11lo, exem11lares. Ouve,n-se, porénz, de todos os lados, pois a palavra foi mal escripta no qttadro 11e-acerbas queixas contra a applicação cega do gro . .. lembrenz-se aquelles que estão habit11ados criterio numerico, afin1 de medir qualidades, at- '. a conscientemente julgar provas escriptas .. .
tributos, virtudes, que são imponderaveis, que são ' Parece-nos que seria tempo de se experi ·
i11graduaveis por numer()s, que 1zão são facilme1zte : 1nentar o conct1rso para provime,zto dos lagares 111e11suraveis como se se tratasse de t1111a e .. rten- ; de professor cathedratico. Faço-se concttrso, mas
são linear, de izma st1perficie, um volu,ne, u111 não unz concurso de peda,ztismo pedagogico,
peso. 1 de bacharelismo vão : um co1zct1rso benz
orga11i-Será necessario dar ás autoridades supe- j zado, pc1ciente1nente pensado, afir11 de se a.?11ra-riores ,nais anzpla faculdade de classificar o pes- 1 rem as verdadeiras vocações.
suai sem o jogo, estreito e cheio de surpresas, de I Ha ~ptstolões» ? Escolha,11 se
examinado-11t11neros e mais numeros. 1 res acima de qualquer slLSpr:ila, se111 corrilhos,
Pois ficará, por exemplo, o i valor de unia/ se11z be11evole11cia exagerada e sem rigor
exces-adjuncta, reconhecidamente rnodelar, diminuído, sivo.
q11asi annullado, e e/la injustamente relegada par a j' O actual ?rejeito, q11e instit uitt com real
a terceira ou quarta chave só porque enz finz do I ef/iciencia a praxe dos concursos para os cargos
an1zo já, depois de um longo labor proficLco, ·o · da administração, ben1 poderia ligar se11 nome ,1
sarampo lhe reduziu, de ur11 jacto, a classe a J Ll!71 regulan1ento s!vero de ~011c11r-3os, co,11 qtte ~e
50 °1
0 do que era? E todos sabeni que fre- 1 ftzesse a promoçao das adJt111ctas ao posto ma;s
quentemente isso occorre. E' o sara111po, é a I elevado a qt1e podenz ascender. Pelo concurso
coqueluche, são todas essas numerosas entidades te11zos hoje praticantes, ama,zuenses, -111edicos, e11-1norbidas que andam rondando a escola. : genheiros e até juízes) pois a ultima reforma
jtr-. jtr-. ,B_em reconlzecemos a boa i1ztenção q11e pre: 1
, diciaria o i1ztrodl!zlu largarne~zte no provr!!zen_to
s1d1u a invenção do systen1a, rnas a verdade e dos lagares do foro e da ,nagLstratura. Nao 111-qtre não bast:1. Não é fazer justiça_ o tirar de
~i
;
dic°: isto que u processo parece melhor q11e os o j11.lgador a responsabilidade do 1ulga1nento d1- ant 1gos ?•
-Toda a correspondencía deve ser dirigida
á
Redacção, rua 7 de Setembro, 174
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A ESCOLA PRIMARIA
.lf1-IDEAS E
FACT()S
(Traball10 apresentado á Liga de Defesa Nacional)
O trabalho do tJrofessor, fatiga11te fu11cções o desgosto pelo n,enos preço co1no é e requere11do co1no requer as e111 qt1e se veem 111antidos e os que se 1nelhores qualidades intelleci11aes e 1110- ve11ham a constituir 11as escolas normaes
raes, não tem a consideração que n,e- buscare1n 011tras actividades nas carrei-rcce. Não se com1)rehe11de q11e uma ras liberaes, 110 con1!11ercio ou no func-funcção seja nobre e 11tilissima e exija cio11alismo publico, deixanclo o JJrofes-alto pre1Jaro e su1Jerioridade n1oral e se- sarado tJrin1ario para os que se sintan,
jan, os que a dese1n1Jenham desprestigi- inca1Jazes de quaesq11er iniciativas e se
adas pela rem1111eração q11e percebem e conte11ten1 com os l)Ot1cos recursos que
que os colloca em sit11ação cie inferio· ali possarr1 obter.
ridade e co11strangin1ento l)erante as 011- E por isso a situação de professor tras classes sociaes. Ne111 se J)ode pre- · prin,ario tem de ser encarada como 11n1a tender que individuas en1 tal posição das faces do problema do e11.sino, como
collocados desen11)e11hen1 com arnor e n1eio 11ecessario J)ara se obterem eleme11-e11thusiasmo fu11cção que os dignifica tos 11a altura de J)reencher devidan,ente moraln1ente, n1as rebaixa rnaterial,nenie. as elevadas funcções que 110s deven1 ser
Ao contrario, o funccionario be111 co11fiadas.
compensado em seus serviços se11te-se Por isto, 1111m 1neio con10 este em e1111obrecido e satisfeito, considera-se na q11e se alliam os n1elhores desej~s á obrigação de desernrJenhal-os ela 111e- 1nais rob11sta capacidade i11tellectual, ll1or forn1a e não os sacrifica a outros acho de me11 .0ever, pela observação q11e affazeres que a elles procure accu11111lar a pratica e a vida 110 1nagisterio j)rimario
no interesse de ganhos mais proveito- n,e tee,11 dado, apresentar á co11sidera-scs. ção geral esta face do problema do
en-A justa compensação dos esforços sitio, que, a rneu vêr, é necessario e11ca-do professorae11ca-do é medida, i:,ois, q11e de- rar co,no sendo de importancia ca1Ji-ve acompa11har qualquer 011tra at1it1ente tal. ·
ao desenvolvin1ento do e11sino, 11a con- Para termos ensino é mister orga-cepção logica de q11e 11ão é possível co11- nisar escolas e espalhai-as por toda a tar com bôa obra de artifice rnal satis- a nossa terra, m11ltiplicando-as nas cida-feito e sacrificado. des e fazendo-as surgir e florescer nos
Dos IJrofessores, inconteslavelme11te sertões longínquos. Mas para a
effici-é o prin1ario o 111enos considerado, por encia desses templos de trabalho é ne-j11lgarem sua funcção r11dime111ar co1no cessaria, antes de mais nada contar com o ensino que n1inistra. Dahi remu11e1 a- l)essoal habilitado, dispôr de tJrofessora-ção inferior_ai11da á dos outros IJrofes- do ca1)az de ensinar,e em altura de educar sores e obrigação de m11ito maior nu• Evitar que no magisterio se i111miscuam
111ero de horas de trabalho. Até ha ai- mestres improvisados, sem 11oção de pe-gum te1npo talvez satisfizesse semelhan- dagogia, refugo das actividades en, que te estado de cousas. Hoje, porérn, que fracassaram ou vencidos da vida q11e
se comprehe11de a i1111Jortancia da fun- buscan, o ensino sem ne11l1t1m preparo cção do n1estre primario e q11e se sabe 1Jara elle e somente l)Orque a s11a
situa-necessitar elle de pre1Jaro solido, não ção material desequilibro11-se com a tJer-pode a situação permanecer no pé em da da fortuna ou do amparo com que até que se acl1a,sob pena de não se fJoder ter então contavam para viver.
ensino que satisfaça. Porque os elen1e11- E11sino efficiente é só o dado por tos de valor q11e se enco11trarem 11a car- verdadeiros professores. E tão subtil é reira terão contra o desempenho de suas o co11hecimento dos processos de
minis-l
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• • • • •A ESCOLA :PI{IMARIA
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trai-o na escola ·primaria, como o de ha· 1 ou secundaria e auxilio para ver-se em tantas outras actividades in-1 o • est11do em escola
stJJJe-tellectuaes, consideradas erradamente ai rior ·
ella superiores. 1 .3.º - o estabelecimento 11a carreira
· de professor de graduação de 111odo a
A ideia de que é cousa simples O fazei-o passar pelo ensi110 prin1ario e ei,sino primario ven, principalmei,te do de1Jois 1Jelo 1Jrofissio11al e secu11dario. facto de tanta gente sem tJreparo arvo- Justificação
rar-se em jJrofessor. Mas q11e1n observa A creação do f11ndo escolar permitte e conhece a questão não se f)Ode deixar a fundação ·grad11al de escoias, cc1nforme
illudir e IJOr essas falsas apparencias. E as necessidades locaes e de accordo con1 basta attentar no tempo que uin altin1no as possibilidades financeiras do 1110-perde com esses pseudo-pedagogos, niento.
le\'ando seis ou oito annos para apre11- A s11bscripção pL1blica i11dica-se der mal o qt1e co1n verdadeiro mestre como dt11Jlo meio: para· obtenção de ficaria sabendo bem em tres ou quatro, recursos e, (Jrinci1Jalmente. co111 fi11s de para se com1Jrehender a nocividade da 1Jropaga11da, no intuito de abalar
forte-entrega do ensino primario
ª
111 ãos i11·- n1e11te a alma nacio11al econ11Jrel1e11de-habeis, q11e causam ao paiz O prejttizo se e justifica-se f)le11ame11te iJOr · ser a jan,ais compensavel, de diniinuir O g·rau educação pt1blica, 110 tJrese11te 111ome11to
e productividade de seus fil hos e de ;e- a 11ecessidade 1naxi1na, a gra11cie neces-tardar a epoca de eclosão da sua fJOssi- sidade iiacioiial.
bilidade de trabalho.
Precisamos de e11sino. E para isso precisamos de professores que seja,n f)rofessores. E pois, necessitamos crear, a par de e~colas para alum11os, es-colas para os futuros mestres e ain-da estabelecer para estes co11dições mo-raes e 1nateriaes satisfactorias, afim de
q11e a carreira seja desejada e presada,
seja procurada livremente por vocação e que, sabendo-se capazes de exercer, qual-q11er outra, se sintam satisfeitos, ampa-rados e prestigiados os que nella se
te-nham integrado.
. Como meios praticos de attingfr os fins >collimados, isto é, dar · ao ensino a maxima latitude e efficiencia, indico:
1 º. - a creação de um fundo escolar
iniciado por subscripção publica e man-tido: '
por donativos
1 pelo producto de imJJostos espe·
•
c1aes
pelas taxas pagas pelos alumnos
2<t. a instituição, em todos os grat1s
do e11si110 do auxilio ao alum110 pobre:
'
.
•
pelas caixas escolares, com for-necimento de roupa, calça-do, livros e tratamento
me-dico e dentaria a alumnos exter11os. '
O l?agamen.to de taxas pelos alu11111os correspo11de ao estabelecimento da
gra-tuidade do ensino para os q11e 11ão
fJOs-sam pagar e do e11sino 1Jago para os que
te11ham meios de custeai-o.
Não ha motivo para q11e ,l 11ação
r1ão dê ensi110 s111Jerior ne111 secu11dario
gratuito aos alumnos pobres, 4t1e são obrigados a aba11do11ar os estttdos fJOr falta de 111eios para os contin11ar e dê ensí·no primaria g,ratuito a ricos e reme-diados, q11e poderia1n perfeita,nente ct1s-tear a sua edttcação.
O ensino IJrimario para os IJarticu-lares é fonte de renda: 11ão se justifica
seja sómente o nus tJara o 1Jaíz. E desde q11e l)aguern os que 1Jode111 JJag·a1·, isso
represe11tará o cttsteio do ensino das . clas-ses pobres tJelas abastadas, com outras fa-cilidades para o govern o, que 11esse caso poderi remunerar razoavelme11te os seus professores, poderá em melhores condi-ções cuidar de predios e provêr-se de material e, ainda, auxiliar o ensino dos alumnos pobres que se revele1n capa-zes de estudos elevados e 11ão tenham as-sim de ficar reduzidos a tJosições mes-quinhas, apesar de seu tale11to e appli~
cação.
Essa medida traz, po·is, em si, me~ lhoria de situação para o professorado., melhoria das condições materiaes do en-sino e o aJJroveita111ento ern tJosições su-pela manutenção do alumnQ dis- peri0res de intelligencias q11e deixariam tincto em internato profissional de prestar cabalmente o set1 conc11rso á
•
250
A EsêoLA PRiMArtiA
l
patria !)Or não se terem podido desen-volver convenienten1ente.
Estabelecer para o professorado a t)assagem pelo ensino primario, fa-cultando-se-lhe det)ois o accesso ao pro-fissional e ao secundario, é fazer do en~ sino primario o 1 º grau de trabalho, como
é o 1.0 grau de estudo, seguindo-se-lhe o profissional, o secundaria e o nor-mal. O l)rofessor, sahido da Escola
Nor-m ai irá para o ensino l)riNor-mario, deste será promovido ao profissional e ·deste ao secundaria e ao Normal.
Esta medida permitte ao governo remunerar o professorado primaria com dispendio relativan1ente pequeno e sem o sacrificar nem desanimar, visto como o ensino primaria fica sendo !)ara o
pro-fessor o primeiro grau do seu trabalho, pode11do elle aspirar a posições gradu-aln1e11te melhores, de accordo con1 o seu esforço e capacidade. E traz em si
van-tagem ot1tra, além da constituição de t1m
corpo de funccionarios satisfeitos e cón• siderados: a de levar ao ensino secu· nda-rio mestres experimentados, não conhe-cedores simplesmente da materia, con10 é infelizmente tão ·commum, mas sabe-dores da technica de ensinar, dos pro-cessos methodologicos aprendidos no curso normal e ·na verdadeira escola do
mestre, que é a escola primaria.
São medidas simples e exequiveis que aqui estou esboçando o que sub-metto ao estudo da douta sociedade a que tenho a honra de dirigir~me. E penso que não só resolvem . a questão pelo lado particular por que a encarei, como ainda poden1 facilitar-lhe outros aspectos, no-tadamente o das serias difficuldades que o 11roblema do custeio traz ao ensino, quando se pretendem levar as organisa-ções projectadas ao terreno pratico das realizações.
MARIA DOS REIS CAMPOS,
<> 10,____. oc=:=:=:i OI IC:::::::J I IOCC ======::i1a1c::=:;,or::::?
•
A Philosophia na Escola Primaria
•-V-PHILQSOPHIA
e
RELIGIÃO
Discussão em tor110 do l)l1enomeno
I cogitações philo.sophicas e religiosas do
noologico-religião. Sentido philoso pl1ico · povo, ajuizando das suas hypotheses da palavra religião. Sciencia,philoso1)hia
I
explicativas quanto aos grandes pro-e rpro-eligião.Concpro-epção dpro-e Hpro-erbpro-ert S1.lpro-en- blpro-emas-pro-enigmas qupro-e á intpro-elligpro-encia offpro-e-offe-cer, Shope11hauer e Attgusto Com te. A recem a cosmologia e a phenomenalida- . religião como governo moral das soei- de psychica. .
edades. Dever dos educadores. A cada instante os nossos edt1can• A extraordinaria argucia das crian- dos solicitam a attenção dos mestres, as. ças cariocas é já observação feita por saltando-os, inopinadamente, com inda-todos os professores. Seria interessa11te gações de cunho nitidamente philoso-evidenciar a apreciação com exemt)los, phico. Não exaggero. Analyso serena-citações de analyses especiaes, apresen- mente, com segurança. -A in1portante tação pormenorisada de casos de preco- questão que proponho é cuidar do modo cidade e de typos de supra-normaes que por que devemos attender á sagacidade constituem surpreza e deleite dos mes- das crianças no tocante aos assum1)tos tres. Não me refiro, !)Orem, aos casos philoso1)hicos e moraes. Não é
proble-anormaes de perspicacia e agudeza in- ma para se · tratar imponderadamente tellectual. Verifico que ,na generalidade, como em geral, respondedo mães
~
os alun1nos possuem notavel subtileza mestras com evasiva ou gracejo á curi-de percepção, alcançando problemas osidacuri-de dos infantes, mas para meditar complexos em todos os ramos do co- e solucionar utilmente attendendo a que nhecimento, apprehendendo mesmo .as as questões fundam1
entaes abordadas
'
1
• . ·-
.
-A ESCOLA PRIMARIA
251pelos nossos queridos estudantezinhos gencia , adulteração da sciencia como terão sobre elles, na explicação que se pregam o intransigente professor da Es-lhes der, uma actuação congenita defini- cola de Anthropologia de Paris, A.
tiva, con~tituindo-lhes O
substractuni
Lefevre, ou Salomon Reinach, tambemmental, Nao esqueçam?s que erros gra- inflexivel, reaccionario e feroz. Dou-lhe, ves Pº?em gera~ convicções. 1:rofundas de accordo com a philosophia, un1 sen-def;nd1das c~m 1nteres~e e_paix~o • Tratar tido !)rofundo e acceitavel por todas as lev1an:1me~te d~ ma.teria e anti-huma:1°
!
intelligencias, fora tias disside11cias n,a-e ant1-soc~al, n,a-e crimn,a-e ~n,a-e ln,a-esa ra~ao, \ terialistas ott esrJiritualistas, das contro-~onstru~s1dade peda~og1ca que .. so a I versias do atheisn10, do agnotiscisn10 e1gnoranc1a em ~ua 1rre~p.onsab1l1dad~ do theismo. A sciencia das religiões é commette.Ha noç~es adq~1r1das quanto a de creação recente. O numero dos pen-r:sol.ução da~ duv1?~s ph1losoph1c':s que sadores que se occupam com as
investi-tem 1nfluenc1a dec!st~a- na formaçao
d?
gações religiosas cresce em proporção caracter, ,na const1tu1çao da. personalt- extraordinaria em todos os paizes cttltos dade. -S1 os educ.adores, ev1dente~e~- e as obras publicadas a respeito-cons-te,. nã? podem fugir ~o dever de assistir tituem já bibliothecas, facto concomitan-sc1ent1fica e esthet1camente aos seusI
te com os descobrimentos e a evolução ~lumn.os, _com'? desa'!1paral-os na sua j da linguística, da philologia e da ethno-1nvest1gaçao p~1loso~h1ca e_ moral ?e que I togia, o que· facilita o estudo exacto dal~es dependera a or,entaçao pratica na literatura e dos monumentos das antigas vida? _ . . civilizações. Os estudiosos das
antigui-Ha, em geral ab~tençao_ de JUIZ? dades religiosas, para mim, se dividem quanto as an~lyses . ph1losoph1cas real•: em 3 grupos: os que são impulsionados
zadas pelas crianças, (]and~-~e-Jhes quaSI pela fé, procurando pesquizar as velhas sempre caracter a.penas rel1g1oso e afas- crenças dos mais remotos povos no
in-tando-.s~-as,repeltnd~-se-as, prot~xtando- , tuito de colher elementos á apologetica se a la1c1d_ade do. ens1no,como si as ver- christã; os materialistas fanatizados qtte dad~s ph1losop~1cas devessem ser sub- procuram arrazar as religiões vendo trah1d.as .dos ensinamentos escolares po.r nellas apenas pretensas revelações da
di-const1t~1~em o fundamento das doutrt- vindade, crendice estulta e superstição, nas rel1g1osas, e, os que se esforçam por seguir,
desa-Uma _das fre9uentes perguntas de paixonadamente, o caminho da razão, aspec~o ph,1Iosoph1co com que, nos re- aspirando apenas a verdade. Entre os voluc1onar10.s tempos que correm, nos que analysam imparcialmente o impor-têm proporcionado momentos de perple- tante thema procurando a veracidade
xi~ade certos alu'!1nos sabidos, é
~
se- 1 das cousas, ha os que dão ás religiões o gu1nte · que exprimo. tal qual a ouvi da valor de hypotheses previas doconheci-bocca de trefega men1nota de t.3 annos, mento o conhecimento inicial e
caho-cuj? intelli~ente ~lhar me inquiri~ ~udaz tico, ~u, segundo a formula adaptada e 1mperat1vo:- Professora, ~el1g1ão é por Spencer-''uma concepção
a priori
bobagem?'' E toda a classe ficou, por do mundo'' sendo a sciencia o conhe-um i!1stante, suspensa! na espectativa cimento
a posteriori
ou experimental; fda minha resposta. -E1.s os adolescentes os que, a meu vér dão á religião o seu a se occuparem das mais altas questões verdadeiro valor considerando-a forma que ~onstituem ;t parte e~pecia! de philo- de governo mor~l, decorrente de
inter-sophta chamada theolog1a racional· pretação scientifica e philosophica pre-Tratemos philosophicamente ~o cedente.
assumpto, abstendo-nos de quasquer in-terpretações religiosas, mantendo-nos em athmosphera tranquilla de observa-ção, em plano superior ás divergencias
dos systemas. •
· Religião não é sonho e crendice, estupidez e banalidade, producto do medo e da ignorancia, desvio da,
intelli-A attitude dos sabios, que, em nome da razão, condemnam incondici-onalmente mythologias e religião como erradas interpretações da realidade,como visões illusorias da i,naginação rudimen-tar, afigura-se-me intolerancia insusten-tavel, demonstra11do insufficiencia
de
'
252
A ESCOLA PRIMARIA
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observação ou critica tendenciosa. A do das convicções-·é a philosopl1ia em affirmação exacta é que as religiões,cotno st1a funcção lJratica. , Nesse ponto de as philosophias, nem semJJre correspon- vista todo philo~ophicq 1 parece-me que dem á realidade, sendo no em tanto serias não pode haver sociedade . sem reijgião, tentativa~ de explicação geral da pheno- que a religião e a philos_OJJhia se
appro-menalidade e subsequente accommoda· xim2.m cada vez mais e que a religião de-ção da conducta humana ás co11clusões fi11itiva será a que corres.po11der aoi conhe-elucidativas. A religião deriva d'o conhe- cimento ttniversal com1Jleto. A _religião, ci1nento , mas nã~ é 11m systema de co- ao eJ1vez de te11der a desapparecer, como nhecirne11to , não é uma sciencia e sin1 affirrnam os materialistas, ao contrario,
um gover110, governo pela lei moral, é J se affirmará cada vez mais,
desenvolveh-o cdesenvolveh-onjunctdesenvolveh-o de preceitdesenvolveh-os f" regras para o · do-s.e sempre.
governo espiritttal das sociedades. Po- Dizem que a alma é tanto mais do-demos comparar a religião a um syste- minada pela religião. quanto menor é o ma de legislação . Ha religiões inferiores, seu gráo de cultura scientifica. No sen-violentas, ferozes, de caracter grosseiro, tido que dou á religião sustento que -são governos imperfeitos, baseados tanto maior será o seu domi11io quanto em conhecimentos falsos. A religião de n1aior o desenvolvimento espiritual. Pro-t1ma epoca tem por fundamento a scien- clamam que a religião é transitoria e que eia da occasião. E 11esse sentido que ha de desapparecer no
qia em
que aLatino Coelho se refere á ''religião do scie11cia explicar cabalme11te todos os entendin1ento'', co11juncto de IJreceitos pontos enig1naticos do universo; afigu-praticos derivados de t1111 co11hecimento ra-se.me que 11esse dia teremos o que superior. Religião é doutri11a que se cl1a1naremos a religião absoluta ou
defi-if!1põe á co11sciencia das 111ultid~es, pro- nitiva. E11sinam em geral que a philo-v1nda de pensadores que adquiriram uma sophia e a religião são concepções a11-intuição geral da vida, jttlgando-se de tago11icas, ot1 independentes; eu penso posse da verdade, deduzi11do dessa in- qtte 1Jhilosopl1ia - principio da sciencia, tuição uma theoria moral , indicando sciencia - verdade systernatizada, e principios que devem dirigir todos os religião - applicação da verdade ,são indivíduos corr10 regras de co11dt1cta. concepções que se approximam cada Acceitos estes principios está esta- vez mais. Para S1Jencer a religião e a belecido -o gover110 moral da sociedade sciencia são correlativas, '~representam
«As religiões mais antigas, anteriores ao· dois modos antitheticos da consciencia e christia11ismo e ao budl1ismo, viciad?s não podem existir separadamente''. pela influencia corruiJtora da multidão Sc:hope11hauer co11sidera a philosophia e ignara atravez das. gerações successivas, a religião uma só cousa. Estudando o desfiguradas pela le11da, misturadas de que elle chama a ''necessidade n1etaphy-myth_os inexplicaveis e fabttlas monstrt10- sica da hun,anidade'', ensina que esta
sas, JJerderam sett caracter primitivo , necessidade é satisfeita por dois modosi
apresentando-se agora, na tradição que pela philosophia e pela religião. Eis a ficou. da e1Joca longinqua em que dorni- palavra do , famosíssimo representante 11aram, como revelações sobre11att1raes e da pl1ilosophia critica: ''-A philosophia phantasticas, obra de seres exceJJcio- é a n1etaphysica dos sabios; a religião é
naes e sobrehuma11os » (farias Britto, a metaphysica do povo: a primeira, dou.
O Mundo Interior). trina da razão, a segu11da, doutrina de Accei.to a re~igião como applicação fé''. Comprehendc eu, porem, que a de uma ph1losoph1a ao governo dos po- cre11ça do JJovo nã.o deve ser concluida vos, ~ JJhilosoJJhia JJassando da ordem de fontes diversas das convicções ,do phi-theor1ca para a ordem pratica e dando losoJJho. A religião é a convicção mesma
o.rganização e fundamento mora I ás so- do_ philosopho qua11do se tra11sforma em
c1edades ». Entendo, portanto, que a crença 1Jopt1lar, agindo sobre a consci-philosopl1ia, i11terpretando o mundo ex- encia das m1.1ltidões.
terior e o interior, for11ece a capacidade A religião assim considerada é ma-para a dedução das regras da acção, es- 11ifestação pratica da i11tellectualidade. tal;>elec~n~q lei~ çJa con~uç:ta peJo 11c·ç9r-
f
;:irias ·Britt<;> 9iz1. num~ açcep~ãophilQ-,
•
•
A ESCOLA PRIMARIA
253
sophica:''religião é o imperio da razão''. deve ter uma religião publica; Locke,
O philosopho deve fornecer os princi- psychologo do empirismo e do sensu, pios, deduzindo da sua intuição da vida alisn10, tambem não prescinde de uma as leis da conducta humana. O philoso- religião para a sociedade. Haeckel, ma-pho estabelece a relip 10, orga11iza a terialista fanatico, ir1imigo do
catholi-moral. E, para vencer, para triumphar cismo, que chama de . ''Internacional sobre o povo, para exercer sua funcção negra'', faz a apologia da religião em
pratica,
religiosa,
é necessario que a phi. sua ''Pl1ilosophia Social''; Co,nte entoa losophia seja inspirada JJela verdade. Por hymnos a respeito da autoridade espi-isso só as grandes philosophias, só as ritual, dando á sua religião agnostica um grandes concepções inspiradas pelo conceito sacro.amor á verdade e pela comprehensão do Não vejo, apenas, 11as religiões o bem determinam religiões. culto da divindade,unico prisma por que, Au Comte, para mim, não foi,como em geral, é interpretada e sujeita a cri-a mcri-aioricri-a dcri-as pessocri-as imcri-agincri-am, incohe- ticcri-a. As religiões, como cri-as philosophicri-as rente, deduzindo da sua systematização não devem ser encaradas apenas em sua
· geral das sciencias uma doutrina reli- parte especial de teologia, cogitando giosa. Correspondendo ás conclusões da existencia de um ser SUJJremo, regu-negativas do positivismo a illação logica lador da vida e do universo e da eterni-é unia religião agnostica como a ''reli- zação da consciencia individual, com as
gião da humanidade''. Aprecio o positi- imposições n1oraes decorre11tes.
Des-vismo na sua alta concepção que ensina prezar as religiões pelas concepções
me-ser do co11hecin1ento ou da philosophia taphysicas en1 que se baseiam, e que in-que deriva a religião ou o governo moral voca1n, para a derivação dos preceitos da sociedade. Todas as religiões são praticos que estabelecem, é provar in. tentativas de governo moral . .Eis como se com(Jrehensão scientifica e philosophica. corr1prehende que no cháos da anarchia As religiões, como a philosophia, em moderna se tenha a convicção de que «o parte especial, procuram dar un1a res-homem será cada vez mais religioso» posta ás grandes duvidas que atormen-(Comte). Despreze-se a religião e a força tam a intelligencia. E' nesse sentido que será a garantia unica da ordem social. l:.mile f aguet escreveu: ''Les religions,
E' nesse ponto de vista Qtte não admitto toutes les religions sont des philoso- •
~ducação sem religiosidade. pl1ies. Ce sont même lesplus completes Vejo entre sciencia, relig·ião e phi- (lnitiation Philosophique, Cap. I)''. As losophia accordo e harmonia. lmportan- cogitações religiosas da'·causa primeira'', tes e systematicos estudos têm sido feitos do ''primum movens'', sendo religiosas,
nos ultimos tempos, por notave'is pensa- ~ão deixam de ser philosophicas, raci-dores, para provar que, em um criterio onaes, inherentes á intelligencia httmana. exacto, não ha conflicto entre sciencia, Max Muller dá á religião a faculdade de religião e philosophia approximadas pela perceber o infinito, de sentil-o, de verdade. Baseio minhas affirmações na apprehendel-o. Tambem a philosophia palavra a11torizada de sabios eminentes tem a parte especial de ''metaphysica do proclamando,entre outros, a necessidade absoluto'', que pretende resolver o trans-social da religião: Clemens, Klentgen e cendente objectivo. Quanto ás conce-Leibnitz (allemães), Rosmini, Raulica, J)ções religiosas em torno da immortali-Liberatori e Piancini (italianos), Laforet e dade da alma, não são concepções pri-Rutten (belgas), Balmes, Valdegamos e vativas das religiões,dellas se occupando Zeferino Gonzales (hespanI1oes), A os mais famosos systemas philosophicos Charma, Ch. Lahr (francezes)
J.
Alves de em todos os tempos, até ás subtilezas Souza (portuguez),J.
Soriano de Souza ' scientificas modernas do metapsychismo, e Farias Britto (brasileiros) e muitos constituindo a parte metaphysica de outros. E' conhecida a expressão do psychologia transcendente encontradagrande Descartes: em todos os systemas philosophicos, ''Summus philosophias finis re- Nenhum ~ysten:ia philos~phico serio ligio''.
J. J.
Rousseau, em seu ''Con- nega. a · ex1s~enc1a das realidades m~ta-tracto Social,'' preconiza que o estado phys1cas, Nao esquecemos que aph1lo-•
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254 A ESCOLA
PRIMARIA
s?p~ia é a scjencia das realidades entelli- asol_t1ta. ; Schopenhauer faz da •vo11tade»
g1ve1s que so a razão attinge (Platão) ( t ), t1rn centro forrnidavel acceito na
IJhilo-ou, noutros termos, philosophia é a sophia das «idéas-forças. de f oulté
''sciencia de invisivel'' (E. Rabier). como pri11cipio ultimo e mais alta ver~ . A JJarte rnetaphysica das religiões dade, no •volttntarismo psychico », de
-- ets <? . que, principalmente, repugna Wundt., em Bergson, na philosophia do aos esp_1r1tos que se dizem «positivos » . <<SlJJJ~r-homem.; em Nietzehe e no pra-Estes, Jactanciosarnente só acceitam a g111at1smo, theorias todas anti-intellectua-s-ciencia, esquecidos de 'qt1e toda scien- li?tas em que a vontade é força primar-ei~ ten, a sua parte metaphy~ica e se ba- 1 dia!· - Eis princ_ipios que em nada
dif-s~ta . e111 hy1Jotheses rnetaphysicas: a ferêrn do Deus 111cognito das religiões. fJhys1ca apresenta o ether, conce(Jção «Deus », «Natureza», • Razão. ,
«Abso-metaphysica exJJlicativa de factos con- lt1l? », «E11_ergia. - eis syn1bolos que as eretos; a chirnica fala
.
em affini-dades ph1losoph1as.
apresentam como chave do,
com que explica as combinações .a enigma que e o mundo, no esforço gi-biologia Juta fJOr desve11dar as de~sas , gantesco _dos pensadores em busca da son1bras do mysterio que a envolve. 1 verdade. São assurnptos indestructiveis
Philosophos, con10. A. Com te e seus que ultrapassam a categoria do conheci-·
dis_cipulos, não se IJreoccupam com <l rnento meca~ico, eter11as preoccupações
?bJecto da theologia racional (2) por da r~etapl1ys1ca, da religião, da fé, da Julgarem-no inaccessivel á fraca menta- 1Joes1a, de qualquer maneira ve11eraveis e
lid_ade ~u1nan~ e não por lhe negaren, 1 dig11os_ de 111edi_tação e estudo, 4ue têm
ex1stenc1a racional. Os maiores pensa- absor~tdo a vida dos maiores ge11ios, d?res, em . todas as e1Jocas, 11ão abstra- m~rec1do a atte_nçã? e_ a abnega?ª pes-htr~m, em suas es1Jeculações philoso- qt11za de geraçoes 1nte1ras de sab1os.
JJhtcas, da metaphyslca do absoluto, oc- Co11cluindo:
cupa11do-se ~as causas finaes,. da_s ori- A palavra - religião - tetn para os ~ens, da raz_ao fundame~tal e 1~tr1nsec~ pe11~adore~ proft111da significação, alto das cousas, indagando s1 o universo e sentido pl11loso1Jhico a que 11ão ascenden, phet~oi:neno da 11atureza mo11istica ou mt1itas das pessoas que se dizem reli-• dual1st1ca, se obe_dece a um mecanismo giosas; mais lhe desconhecem a relevan-o~ a u!11a t~eolog1a, dand~ apenas deno- eia a maioria dos pretensos livre pensa-11:1n~çoes d1fferentes ao ob1ecto da Theo- dores. Os mestres primarias, quando in-d1sse_a o qu_al Kant :hamou •nurnenon»; terpellados a respeito pelos setis pe-Ham1Jto~ «1ndetern_i1nado»_; Spencer «in- que11os educa11dos, deven, i11for111 al-os cogno~c1v~I » ; o :<111consc1ente» de Har- de que se trata de assu1111Jto serio dlgi,o t1nan e J?h~losoph1a semell1ante á do «ln- de m·edltação e de estudo . '
cognosc1ve!,> ; Hartman attribue ao
«in-consciente» perfeição e sabedoria infi- - - __ _
11itas; - o «inconsciente» diz elle «não
co!1_hece enfer!11idade nem fadiga; não . (t) Li,. con1 relação, interessantes
con-hes1ta n~rn duvida, nem se illude jamais», ceitos na pl11_Josophia R~bier,_pag. 11, 1º Vol.,
não vactll d ff" ern que? tJ}l~losopho ev1denc1a a realidade do
. an O mesmo em a 1Jrnar que o 11111ndo 111v1~1vel_, o qual rege, vivifica e anin1a
«~nconsciente» representa o papel da di . o mundo ob1ect1vo ••
o
mundo visiv, 1 éniani-~1ndade, embora lhe recusando persona- festação do invisiyel», Rabier fala en1 sei1.tido
ltdacte, e, con\raditoriamente ensinando absol~itan1< 11 te scientifico, ref erindo-se às catisas
que, si_ bem que as antigas 'affirmações exper111ic_ntaes dos pl1enon1enos J)erc<ptiveis,
d th a~s sentidos e ao fa_cto de111 onstrado de que
O _ e1smo não possam mais ser susten- no~ não JJercebemos d1rectan1ente as cousas
ex-tada~, tudo que nellas se offerecia de ter1ores mas as sensações que e111 11 ós
pro-acce1tavel se encontra no seu •inconsci- vocar11 ·
ente,, não empregando a palavra - deus .
- para não dará sua philosophià O ca- ,
11 . (2) Referindo'_se á ll1eodicéa, Littré,
racter de es1Jeculação religiosa.
S .
1 IJ il.oso1Jho S)·sten1at1.an1e11te l·ostil a todaes-- d .· , ptnoza
1 ~ec_1e de especulação. mttarhysica, exprinie-se preten e clarear o my1ste110 com a •sub- ,1ss1111, co111 ver(iade11a religiosidade. E'
t .. F. hté 1 , . • ti m
s ancta. ; 1c apresenta O «eu abso- , oce ano _q11e ve111 batl'r 110ssa pi-aio e para 0
uto,, i Platão e Hegel falam na «·d, 1 qiial n.ª<? tei,~o s 11e111 barca nen1 velas, ,,ias ci,ja · . 1 ea ; clar(l v1sao é tao salutar quão formidavel•,
•
-•
1\.
ESCOLA
PRIMARIA
25.)~ escola primaria é o despertar das
voca. oes, creadora de convicções cons- ções da arte_. E' imprescindível não des-t~uctora dos varias typos de hom;ns va- curar da diagnose vocacional. E' indis-ltdos physica, intellectual e moralmente. p_ensavel q~e O mestre possua cornpeten-H~ typos. de ~lt1mnos contemplativos, eia para orientar, ainda que elernentar-ct11a vasta tntell1gencia espontaneamente n1ente o alurnno. em todas as manifesta-pr?cura e alcança assumptos fJhiloso- ções da int_elligen~_ia · O homem é força ph1cos. Tarnbem para estes deve haver creador_a. lmpuls1onemol·o habilmente tt_m lugar na escola primaria. As tenâen- no caminho da energia interna especial C(as J?~ilosophicas de certos alumnos pri- qu~ lhe guia os IJassos desde os pri-v1leg1ados devem merecer acolhime11to metros annos.
em no~sas aulas. O alumno predesti- Não. houve no Brasil, até hoje, ne-nado n~o deve s~r um incomprehendido
I
n~tim pht_losopho que fizesse escola, e, no meto colleg1al. A ;visão esclarecida so de_ Tobias Barreto para cá surgia ai-do mestre ~eve distinguil-o na turbaes-1 gu_m 11,t~re~se p~los estudos de abstração.
colar .. Assim ~~mo ao pr_ofessor s-ão ne- Jtl~O R1be1ro ~1z, possuirmos apenas 0 cessa rios requisitos estheticos para atten- «diletante » das 1deas geraes,, o
·pl,iloso-.?e~ _proveitosamente ás manifestações pho barato», representando o
maxi,nunz
art1st1cas dos discipulos , é indispetisavel do esforço metaphysico,· com excepção que possua competencia para ir ao en- talvez, de Farias Britto, «o unico philo~ contro das suas exigencias intellectuaes sopho profissional», na expressão do da sua intuição peculiar no vasto· camp~ n1estre · Quem sabe? talvez que, a1Jrovei-das ge~eralizações philophicas.o
cere- tad11 por ~er_ebros capazes a suggestão bro phtlosophante é urna modalidade elementar1ss1ma da bumillima educadora .psyc.hologica especifjca, tão respeitavel . qttan~o á necessidade de orientarphi:ló-~cmo a alma sonhadora das crianças ar- ~ophtcamente os nossos. estudantezinh.os t1st~s ..
Ha
instinc!o philosophico como. achassem os_ meios _de i.ncreme!1tar o pen:h~ 1nstlncfo esthet1co, poderoso com ne- sarnento JJh1losoph1co no Brasil. ·
êl!Ssidade de expa11são, prov'i·ndo das , ,r.·,
profundezas da alma ancestral. Abafar a -·
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256 A ESCOL A PRI1VIARIA
•
• •
Finalidade do trabalho manual para homens
•' •
• ( CONTINUAÇÃO ) • •
)
.
•• •
•
O lar - Escola a Elslander como as .portas abertas para toda e qual-quer profissão; e, fundamentalmente~
Porém, como fazer, como transfor- 1 servem para a cultura geral, baseando-se
mar a escola num apparelho de instil-
i
os conhecimentos nas inferencias te.lação de idéas e sentimentos, numa obra \ chnicas. '
de preservação social ? . 1 '
Imaginemos um grartde lar, ou an-1 Provas
tes, uma fazenda. O fazendeiro distribue ·
aos filhos o· serviço e os fiscaliza. Aos Ha tempos, um amigo, homem de
mesmos entrega
a
construcção das pás I seus 40 annos, esteve fortementeneuras-para revolver o café, o concerto das
tu-1
1 thenico. Phosphato, ferro, clima,
ba-lhas uma porta quebrada. Ainda lhes nhos, etc., nada adeantava ao enfermo.
entr~ga o arranjo do motor paralysado : \ Lembrou-se, emfim, de consultar o dr.
limpar, brunir, lixar e concertar - uma Stapler. Este, após te-lo examinado,
bon-chaveta, os vola11tes, as valvulas, etc. dosamente, perguhtou-lhe:
Noutro dia, alguns pintam as pare- - Qual é a sua profissão?
de novo a propriedade commum. - Olhe, o sr. tem um jardim, ou
Mais além, ainda, os rapazes enci- quintal?
lham arreiam e atrelam animaes aos , -Sim, tenho um quintal. .
carros e trolys; ensaccam, transportam e - Pois compre uma enxada, faça
expedem café. buracos, plante arvores, semeie, colha
Pois, meus amigos, tudo isso, que flores, vá e volte a pé ao trabalho: que
é a vida de u1na fazenda, é a vida natu-1 com uma camisa que sue por dia, lá se
ralmente, como deve ser e será futura- irão os males.
te na escola. E. assim foi : trabalhou, suou,
can-os homens hão de chegar ao ponto sou-se e can-os nervcan-os se restabeleceram.
de reconhecer que, empregados ou func- Quanta razão tinha·Ramalho Ortigão,
cionarios publicos, é perder as possibili- quando dizia : Qual cognoscivel~ nein
dades de ser alguem, e abdicar a propria pena cognoscivel, creado e increado !
personalidade. Ponham-lhe um sacco á mão, que, com
Imaginem uma creatura fadada a a segunda camisa que suar, lá se vão
ganhar sempre os mesmos vencimentos os. problemas transcedentes
!
fadada a fazer sempre o mesmo: da casa O trabalho manual da Escola fa-la
á repartição e da repartição á casa; ga- .um grande laboratorio de homens.
nhando e comendo, para tornar e ganhar Entendemos que educar é preparar
o mesmo e gastar homeopathicamente, para o tràbalho pelo trabalho, e, desse
dia a dia. · modo, ao aJ)resentarmos as series
edu-forçosamente alguma cousa precisa cativas, temos ttnican1ente em vista as ser feita para melhorar, quando não en- condições do trabalho no passado, afim
direitar este estado de cousas. A chave de facilita-las no presente, garantindo a
deste p1roblema, como eu a imagino, é a sua perfeit~ execução no futuro, isto é,
escola profissional, que, na preparação educar para construir, e . não construir
do moço, não deve vizar essa ou aquel- para educar. ·
la profissão, deve fazei-o operar como A natureza do alumno, o seu caracter,
operava o pae de familia. Os moços de- a sua alma, a·sua individualidade, emfim,
vem ser educados no trabalho para o tra- tuqo é estt1dado, variando por isso o
balho, de modo que, sem serem. espe~i- nosso programma de i.11dividt10 para
in-atizados, nesta ou. naquella arte, se pos- dividuo, visando, c;omo dissemos, o lar
sam adaptar
a
·
todas. Os exercicios são seguro e· felii. ; , .i · 1 •••
A ESCOL A . PRIMARIA· 257 '
•
A adaptação á autoridade do mestre Quasi todo operaria é casado
(o pae) ; amor aos seus semelhantes; porque o operario não tem medo; sab~
o respeito pelo bem da collectividade, que em toda a parte onde chegar elle tudb o irá levando ao altruísmo, ao de- poderá trocar sua habilidade profissional
sapego, ao desprendimento, para a orga- por dinheiro. Repito a. phrase de Carlyle,
nisação da familia e o bem da sociedade, porque ella empritne uma verdade: ''Si o que só se consegue educindo a ex- sabes usar ferramentas,vales tudo; si não ])ressão propria e a expressão dos in- sabes usar ferramentas, não vales nada''
stinctos. Isto é uma pura verdade. '
O trabalho manual é o centro da vida · Si se mudasse a ordem social das
escolar e todas as demais disciplinas lhe cousas repentinamente,nós de profissões
gravitam em torno. Jiberaes, ficaríamos como ficaram
Aqui, em nossa escola, ainda esta- aquelles nobres rttssos , a ponto de
mos experimentando modificar a vida so- serem varredores de ruas.Os marceneiros,
eia! do alurnno pela vida escolar, o que os carpinteiros , os mechanicos, os pio.
dá ao nosso problema urna vasta im- tores-esses haviam de rir-s.e de nós
portancia philosophica. porque o seu trabalho é a linguagem
Na
educação do espírito e do corpo universal e lhes assegura collocação empelo exercício manual e intellectual, com- qualquer parte onde se encontrem.
binadas, este apo 'ado naquelle, procura- O japonez cose de traz para deante,
mos fazer na escola a evolução do pro- escreve da direita para a ·esquerda , pinta
prio ser, a nova educação, que é o cen- de baixo para cima, não pronuncia
uma
tro da futura democracia. palavra de portuguez, mas ganha 10$000
por dia. Nós-se nos transportassem os para o Japão, morreria mos de fome.
A nossa instrucção não nos
prepa-Hesitação dos moços
Os moços da nossa sociedade, de Ira para a vida como ella é actualrnente,
origem brasileira, ao sahirern dos gru- mas sim como era ha um seculo atraz.
pos escolares, ficam attonitos; não sa- ·Em geral, entre nós, cuida-se apenas de
bem que rumo tomar. abarrotar o cerebro de conhecimentos
Aos bordos, vão, dia aqui, dia alli, que não têm applicação pratica; trata-se
por esta costa d' Africa da vida, corno sómente de empasinar o cerebro como si disse um poeta, sem adaptação, expe- essa fôsse a nossa missão. Longe disso,
rirnentando um caminho hoje, para dei- porém, a nossa missão ·é educar,é formar
xal-o amanhã, até serem surprehendidos o caracter e a instrucção é um meio de
.com a chamada á vida ·das responsa.bili· que nos servimos para attingir esse fim.
dades.
No interior·
. Quanto aos filhos dos estrangeiros ,
o caso muda de figura, devido á
educa-ção .de que os paes são portadores - a Ainda aqui, em São Paulo , ou
educação utilitaria. · mesmo em Santos, a falta de educação
. Synthetisada no adagio ''quem tem profissional, a ausencia da escola
officio tem beneficio '',- os paés, assim tech nica, não se faz sentir tão ·
premen-que os rapazes saem dos grupos, dão- temente c0mo no interior do Estado. ·
lhes logo o mestre de officina, o patrão. E' uma lastima!
E, aos poucos, vagarosamente , mas Quem de nós não conhece uma
ci-sempre subindo de salario, chegam a ser d ade do interior?
officiaes do officio, contra-mestres, pa- · Os moços, ao sahirem dos grupos
trões, industriaes, senhores cavall1eiros, escolares procuram collocação no
com-cornrnendadores, apalacetados e ricos, mercio da aldeia; não acham, porque, ·
emquanto o seu collega de escola, o dizem os negociantes, ''e-u mesmo faço
moço brasileiro, vegeta e soffre as con- os meus embrulho~''.
sequencias da má orientação na vida. As estações de estrada ·de ferro, se
Grande numero de homens tende ha, andam repletas de praticantes de
te-ao celibato porque não têm a coragem legraphista, a 30$000; na camara, ha
de st1ste ntar familia sentem-se incapazes gente effectiva, addida e supplementar, o
de ganhar dinheird.
!
que já levou alguem a dizer que osfi~
~
•
•
•
'
• •
2.5,J A ESCOLA PRil\tIARIA
-.
c-aes são feitos para recolher a renda e esta pára pagar os fiscaes.
Por fim, vivem os moços ao léo, aqui e alli., aprendendo vicios,dormindo âemais, ot1, o que é co,nmunissimo,
em-,
pregando-se em occupações humillissi-rrias, que mal dão para comer.
·. · Se os moços brasileiros vão ser
bachareis1 é porque não têm outro ca-min;_10 para o em1Jrego da sua
activida-de; e, até nisso, dão provas das bôas
qualidades da nossa gente, pois, em vez
de se fazerem vadios ou batoteiros, vão .em busca: de um diploma, positivamente
_bem rnai_s. difficil de conquistar qtte, em
3 ann-os, ou tnenos, ser um bom operaria
mechanico ot.t marcin eiro. - .
.
A
culpa é da 11ossa organisaçãoque os filhos, aos 14 e 15 annos, já não
se importam co.m os livros, procura1n
sensações fortes, fumam, e, aos poucos,
decaem na saudc: e na moral. Ora, can-sando .sufficientemente o corpo, com um trabalho util, o moço fatalmente tem um somno reparador, levanta-se mais ben1 disposto e a sua natureza se torna mais
forte. ·
Quanto á moral, então, o ·carri1Jo e os rest1ltados são vastíssimos. · ·
O moço que começa uma constru-cçã.o, pensa, delibera, - raciocina e
conclue. .
Esta gyrnnastica dá um resultado
moral efevado, porqt1e, como bem tendes
visto, onde mais elévado e diffun'dido é
o trabalho, mais àlta é a moralidade e m~is dign;is as normas de vida. ,
'
(')_
· ·
O
optimismo\ ·,t
social, da falta de tttilitar.ismo do systema
de edLtcação que lhes não dão escolas
profis?io11aes, simples mas· largarnen.te
espalhadas, para a derivação da sua
-~ctividade. p · - ' d
' A
1 , d or que nao nos conven·cemos e
· _ CL! pa e o n_o~so syslema .de ~du- que a escola acrysola as almas?
caçao, , e,v_ad_a .de '!tctos. ~ ,preconceito?, E' ahi que se inol.da o, '.caracter,
_que pensa ctttdar do esp1r1to ,_quando so- . porque, além do exempio do mestre, de
,men!e _so~re~1:trrega a me~or1a de fals_as sua acção e da tendencia do joven em
flOÇ? es e ~ndi gestas lh~orias, pode~do-se imita-lo , tudo exerce acção educativ,1 no
a~u, ,applicar _os preceit.os de hygiene · período de maior plasticidade humana,
,11ao e a quantidade que se absorve que em que se modela o caracter da ,crian·ça
,faz b ~m. e nos fortalece, mas O )JOuco e' se solidificam as impressões recebidas.
·que se digere. N - , 1
· Ed d - · . essa epoca, a esco a e o mestre
,. _ uca_n .~
ª
mao, en-caminha nd0 devem ser fundamentalmente opti·mistas. -0.;esde os pr1me1ros annos o homem )Jara ·o
mestre não póde e não deve, de-.· o trabalho, d D se chega a esta profunda modo algum lançar d · d h , na a ma em1 -, f orma-
-y,er:da e:. eus, con emtian
°
!_) ornem ção . do joven ·a m.á semente da descren'"-a~ trab~llio, para :e&'enerac~o do seu ça, da du.vida da critica mordaz. có:ntra crime, foi Pae a_mantts~tmo, poisª
nat~t- os credos e as tendencias christãs uereza hum!ºª isso ex1_ge para a proprta elle traz do lar. . · q
,conservaçao da especie · , . . Essas crianças são t1m thesouro
Desde O . electron ate O . Universo, formidavel de fé e de esperança, ellas
,-em tudo, as leis do trabalho imperam e ' são a centelha do Bem qu-e brilha n'alma,
.salt1tar':1ente cooperam par~ a eterna que o ha de guiar na vida, na pratica de
evqluçao,para
º.
eterno arJerfe1çoamento, caridade, no respeito de tudo quanto épara o Bem Ultimo. ,nobre.
•
• 1 Mata-las, é lançar o fogo do
exter-. O caracter · minio ás idéas generosas; é tornar aridó,
·-, _ pela destrença e pela duvida, um
cora-• Dois effeitos immediatos acarreta Ção repleto de bondade, um coração
vo--este systema de educação-o desenvol- tado á Esperança.
-vime11to das facttldades, ou aptidões e a · Amordacên1os as nossas
descren-_formação do caracter. ças; afivelemos a mascara da alegria, ,dô
Estas vantagens são de todo indis- valor, da esperança, da fé e do
optimis'-·cµtiveis, pois o moço que ncto tem bôa mo, para que o joven tenha animo,fenha occupação busca e encontra a má. coragt m, tenha esperança e c,onfiança
:·, ,· Queixam-se os paes, muitas vezes, 110 futuro e no seu valor pessoal. '
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• • • ' , '
1
•
A ESCOLA
PRIMAR!
,
\
259
Para que destruir essa enorme ri- bilidade de qualquer um.
queza,, que nós não seremos capazes de A questão é applicarmos firmemen-dar ! E que valor tem o optimismo ! Que
I
te os meios para despertai-as oupoder extraordinario dá a fé! adquiril-as.
Quem se apoia na esperança since- Sem esse exercício, que o
optimis-ra, agrada, conquista e vence. mo cria e anima, o homem é e1npolgado
Abri caminho! E' um livro que-re- pela duvida, e surge, então, o desalento, commendo aos que, como eu , moure- o pessin1ismo, a vacilação,a timidez, a ti-jam nesta seára do ensino; aos paes e a biez, o acanhamento e a descrença, forças todos que perderam o optimismo; aos negativas, que fazem mais victimas que
qt1e não têm fé. J todas as prepotencias, como disse E.
Nelle o seu autor, Or.ice Sweet Root, como causa do fracasso dos Marden, cujas obras servem de livros de homens.
leitura no Japão, que, em tim anno, tirou
I
Um meu amigo, joven muitotalen-28.000 exemplares só desta, nos n1ostra , toso, cujos olhos 1nostram
o
vigor, ao successo dos grandes vencedores na tempera de aço de sua alma,deu á minha
lucta pela vida em sua Patria, que tomei vista, certa vez, uma lição de optimismo: para exemplo por não querer ferir sus- 1 -Seu Cyro, isto é «jettatura » !
ceptibilidades. -Seu fulano,não diga esta palavra!
Todos, sem excepção, partiram dos Só pronuncia-la , é nos indispor, é desa-JJostos mais humildes, das maiores pri- lentar-nos.
vações e attingiram as maximas posições -O sr. tem razão: nem mais hei
e o mais alto conceito social. de pronuncia-la, disse o Fulano. . .
Rockfeller, de operaria diarista a E assim foi: Insistiu, tra'balhou, archi-n:Jillionario, grande bemfeitor da luctou, e, finalmente, vencedor, foi pro-humanidade; Morgan, o opera1io pau-1 curar o bom_ C)•ro de Freitas Valle, para perrimo, o ricaço, o doador de fortunas; dizer-lhe: .
Edison, vendedor de jornaes, sabio, . O sr. tinha razão, o que eu julgava nababo, senhor potente da electricidade, 1 «jettatura> era simplesmente falta de vi-Armour, que atravessou o deserto ame· 1 gor e impropriedade de meios por mim ri cano a pé, com um sacco ás costas, j empregados.
operaria, grande industrial, multimilli- A prop?sito da orientação optimista
onario. dos nossos Jovens, cabe-me relatar,
(JOr-Não tenho menos autor para a
l
que a «humanidade é sempre a mesma»; prova que Abraham Lincoln ,o sociologo, que, em geral, os moços se encontram que se viu pastor de ovelhas, criado,ope- nas mesmas condições em que me en-rario, estudante, advogado, jornalista, contrei aos 20 annos.conselheiro de Estado e presidente da Frei Sylverio foi um espirita
supe-Republica Americana. rior--Elle exerceu na formação do meu
Por aqui se vê que não ha prover
i
caracter preponderancia tal que jamais o·sem provar: todos sub.iram, enriquece-! tempo apagou .
ram,mas foi com o trabalho e pela escola
I
Jãmais apagou, e não apagará,por-,da adversidade. . que, quanto mais os annos distanciam os
· Voltemos a pagina; pensemos aqui . factos, mais elle cresce em meu espirita:
mesmo em nosso meio.
l
«os heróes, ao contrario das esta tuas,· Olhemos para estes palacios, são 1 crescem quanto mais deites nos
affasta-de granaffasta-des industriaes; olhemos estes Imos» ! <:::arlyle.
bellos parques automoveis, casas dei All1, no velho convento dos
Fran-iprai~, tudo, du guasi tudo? é do~ que j cisca nos foi onde o <:_onheci.
·partiram das posições humildes, e dos 11 Orçava elle entao pelos 60 seculos,
-que . com fé e trabalho conseguiram· seculos são os annos dos que · olha,m a
·vencer e se impôr. vida como um degredo; eu contava 20
. A sorte a fortuna, a prosperidade, estroinices, cada anno do joven é uma e
<1 dita, a riqu~za, o talento, a virt.ude, o estroinice continua.
JJoder a fama o exito todas essas forças \ Na Escola Normal de então, talvez JJositi~as do 'home~ não estão, como) hoje ainda em . muitas, era chie, era creem muitos, fóra dos limites _da · possi- «sn1art», ser.se· moderno. Os professores
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2ó0
A ESCOLA PRIMARIA
/• .
-não perdiarn occasião- de, _fazer propa- · delle, o que fiz,uns dois. degraus abaixo.
ganda de seus credos. Nos, jovens, sem , Remendava.
A
linha e a agulhamaturidade de espírito, eramos como não estavam dispostas, naquelle dia, a garrafas vasias, promptas a seren1 cheias segurar os lJedaços de panno:
embaraça-de qualquer liquido, fosse ou não bôa a vam-se. Elle, pachorrentamente, esticava
doutrina: uns, sectarios de A. Com te, o fio, encolhia a manga, e sorria.
como o prof. X. ,de mathematica; outros,\ Alli, calmamente, expoz doutrinas positivistas, como f., ot1 materialistas,· philosophicas: comparou, deduzit1, es-como B., 1nas,emfim,grupos de sectarios, miuçou, com rigor de analysta, mosfran-praticantes e não mosfran-praticantes, doutrinàn- do-me,superiormente, como tudo é falho, do, demolindo tudo na ancia de· nos desde as leis physicas, que o raio con-mostrarmos «chies», todos empenhados traria, até a classificação de illogica, por ení atacar principalmente a Jesus,victima !'Stuart Mil!·, á doutrina positivista,' . pas-escolhida pelas reticencias dos toleran- sa11do pelas mentiras de Heckel, e con-tes positivistas, exclui do sempre das con-testações de Virchow.
éonclusões scientificas dos n1aterialistas. Quiz fallar-lhe; mas, talvez por ti-. Augusto Comte, philosophia pri- midez. talvez, porqt1e o seu exem1Jlo ·e a meira, systeinatização da sciencia; 1 sua austeridade m'o impedissem, eu não
Buchner,força e materia; Heckel,Scie11cia I enunciava o fim que me levava. '
e Religião; tudo foi material que devo· ! Em frente a nós, num canteiro de ramos, tttdo foi lido de um jacto, sofre- malvas, dois til'.oticos rinl1avam:
affasta-gamente, indigestamente. vam-se aos pulinhos, azas cahidas, rabo
· · Que de~ejos tinha eu então de po- em leque.
lemicar. · Era o fructo daquelle ensino, Erguiam-se num pequeno pulo-vôo
~o pseudo ensino leigo; era a canse- e chocavam-se no ar, peito a peito, garra quencia da inobservancia da neutralidade a garra, para cahirem depois, mudos,
dós · cultos, que queria significar: tudo cansadinhos. permittido, menos que nos· falleis de
I O frade levantou-se. foi até um
Deus. \ canteiro e concertou uma roseira ·. · Os
foi nesse periodo que conheci a, seus movimentos espantaram os brigões,
frei Sylverio cast1almente.
i
que fugiram para un1 arbusto. · ·. No Largo da Liberdade, inaugura- Levantei-m·e tambem, para pegar o
va-se a casa do velho Commendador meu chapéo, · que ficára sobre o beiral
Faria e elle foi abençôa-la. 1 do poço. · ·
· · Lá estive, de lá acompanhei-o ao Voltei-me: ia despedir-me,quando,
convento. um dos tico•ticos, descendo da arvore,
Conversámos.
!
pousou sobre a costura do fradee,estou-Elle me ouviu bondosamente. vadamente, empurrou o novello de Jin·ha, Deixou que se me extravasasse que rolou pela escada;preso como estava aquella corrente de factos concretos, á costura, deixou um fio lo11g_o, e foi axiomas, leis, etc., e, por fim,num gesto
I
cahir numa poça d'agua.paternal, perguntou-me: conheces a j frei Sílverio abaixou-se, · pegou o
moral christã? · · novello, e, limpando-o na mang·a, disse:
-Não. 1 Vossos mestres,. joven, são como os
pas-. E' is·so: ain;da nada conheces,. nada saros; desmancham-no·s ·a costura e pou-sabes, e · já tens o espírito repleto de dou- · co se importam com o destino do· no. trinas ril€ntirosas, de cousas inuteis. vello e atalhou: a culpa é de quem deixa
E lá foi cabeça baixa, vagarosa• o novelo e a costura no chão.
mente... ' Esse facto foi concludente. Procurei
Não voltei sinão dahi a muitos dias. estudar e comparar as varias dot1trinas Entrei. O velho J)ortão de páu de que me tinham enfartado e me dei-pintado de azul, com uma enorme tara- xaram sceptico.
mel la de ferro, corroída pelo tempo e Cortejei-as, expurguei o que' me não desengonçada, estava apenas cerrado. convinha ; e, aos poucos, cheguei a
raci-frei Sylverio, sentado no topo da ocinar por mim e a ver o mal qt1e me escada, que dava para o jardim, fez-me tinham felto com a duvida e o scepticismo signal para que eu me sentasse perto , lançado em meu espirito.
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A ESCOLA
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PRIMARIA
·
261,
Era um velho aos 20 annos ! nessas modalidacjes de fórma por que
passa o objecto, em construcção , é a
Que se dev~ fazer do n1oço garantia segura contra a mechanização
das profissões n1anuàes, que, dia a dia, Penso que, se a q_uestão _fosse"' tão
i
mais se impqe no_«lábor saving »,dispen-sómente fazer o opera rio, ou dar-lhe a i s_a~do
!
conperaçao. do homem, oupar-memoria da execução de un~ tantos tr~- . t1c1paçao do, 9perar10. .
·-balhos ou exercicios, 1Jara atira-lo depois
I
Ha pouco. tempo _tive occas1ao?e
á fogueira das fabricas e uzi11as, como , ver uma mach_1na amer1ca~a pa_r~ copiar quem ateia lenha ou outro qualquer ma- e~tatuas. ":'unida de um d1spos1t1vo espe-terial de somenos valor, talyez eu co~- c1al, espec1e de pantographo, onde . co)-co'rdasse ; si ao Estado coubesse esta r1- locado o modelo, se marcam os
pr1nc1-dicula missão de predestinar os moços paes pontos, como se uza em es~ulptura, para este ou aquel le officio, eu diria ser em outro local da mesma mach1na,
co~-inelhor que tal tarefa coubesse ás fabri_- locado um bloco d~ marmore , ou made1-cas e officinas, porque, além de nos ev1- ra, e posto em mov1me~to o apparelho ,
tar a vergonha dessa missão ingloria, na- repr~duz, en:, algu:1s minutos um~ ~sta~ da nos custaria tal serviço: as escolas tua tao P:rfe1ta quao, o modelo, CUJO
va-profissio,naes não teriam razão de ser. lar de ~ao de obra e nullo.
Sou contrario á especialização .. Acho . . Assim, em nosso mer~~do, I?ºr preços que a educação profissional deye da_r ha- 1nf1mos, podemos ?dqu1r1r ob1ectos d~ bitos de trabalho. Exercitar a 1ntell1gen- arte - ate com a f1~ma de esculptores eia por meio de qualquer arte, para a qual de nome.ada sem mais trabalho que
col-o alumncol-o tenha pendcol-or, dandcol-o-lhe, pelcol-os lcol-o~ar ,e tirar ~loco~ de ,pedra ..
melhores processos de economia do tem- Ja me na9 refiro as mach1nas d~
en-po e do bom emprego da sua actividade talhar, t~o em uso nos ;stados !-Jn1dos, uma noção exacta da elaboração geral como Ad1z
_H.
Buyser ; as m_ach1nas depor que passa a materia prin1a dessa c~mpor, l1no!yp~s, que cau~aram entre arte.
1 nos tanta m1ser1a, ~on, a dispensa, ef!l
Isso, que não é o fim, é o meio de pouco ·tempo, de m1 Ih ares de _compos1-que nos devemos servir para a completa tores ; ás pr~ns_as, q~e ban1~am, em educação do moço, educação essa que massas, os fun1le1ros ; ~s mach1nas p~ra não fará automatos, mas que, ao revez
I a preparação da madeira e_ sua~. ª!fins
preparará seres aptos, dignos, fortes, mo- , para o ferro, ond~ o ºI?erar10 se l1m1ta a ralizados e ca'pazes de modificar as con- entregar a mater1a prima e a recebe-la
<lições de vida em que tenham nascido i elaborada. . _ . .
e fundar ou abrir novas éras de prosperi- Essa foi a razao pr1mord1al que n~s dade para si e para a sociedade. levou. a ~doptar o systema ~e educaçao
A especialização, que é o deteri:iii- techn1ca.1ntregal, porque, alem da van-nismo industrial, ou antes, 0 captive1ro tagem _que tem o moço egresso de se
do homem á fabrica, á industria, acarreta aJ)erfe1çoar em qualquer ~amo de sua legiões de desesperados, que, tantalica- arte, e, em caso de necessidade, desl~-mente, aspiram subir, aspiram viver e
I
car-se, sem grande _esfo~çol de um pai~ attingir ás altas posições sociaes e con- outro ra~o deJUª
prof1ssao, onde a sua quistar para si e para a sua familia os go- adaptaçao esta asseg~rada, favore~~ a sos dos bem aquinhoádos,mas que sente°! cultur~ e o desenvolv1_mento do esp1~1to.amarrados pela iinpreparação, pelo «so . P1eparar
?
operaria, para que seJa o servi.mos para isto., como dizem,. desani- i melhor operaria, preparar um nuc)eofor-ados e olhando raivosos para o rame-j te de bons trabalhadores, que se1am os
~ d todos os dias · · detentores das boas normas do trabalhq
ra o e · 1 h · f · t ' I
Disso surgem as blasphemias, as re-1 e da tec nica per e1 a,. e. _pe o menos voltas e os governos _demagogicos, de
I
agora, uma can1panha 1ust1f1cada elou-que as Russias são o triste exemplo. vavel. . .
A orieiitação qtie o alumno deve Quando o Brasil, particularmente o
praticar nas varias oêficinas onde a mate- Estado de S. Paulo, ch~gar ao desenvol-ria rima de sua arte soffre elaborações. vimento dos velhos Apa1zes, e mesmo de