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S. João Baptista de Brito

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Academic year: 2021

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© Sociedade Martins Sarmento | Casa de Sarmento 1

S. João Baptista de Brito

Guimarães — Inquérito paroquial de 1842

Revista de Guimarães, n.º 108, 1998, pp. 145-150

1º Está esta freguesia em uma situação baixa em terreno plano,

ao norte da cidade de Braga em distância de duas léguas, e ao Nascente da vila de Guimarães em distância de uma légua, acha-se cercada dos cabeços dos montes em cujo centro esta freguesia está situada, ao Norte com o monte de Montoito, ao Poente com a Serra de S. Miguel o Anjo, e o Sul com o monte de Penedas, e ao Nascente com o Rio Ave, que principia a demarcação à ponte chamada de S. João de Ponte, e finda nas Bouças de Oleiros freguesia de Santiago de Ronfe, pela parte do Nascente se avistam a Serra de Santa Catarina próxima a Guimarães, e o Monte de Currelos, e a Serra da Senhora do Monte, e por esta razão não se avistam mais terrenos alguns.

2º É o seu clima frio, combatido dos ventos, muito sujeita às

neves, geadas, não só na estação do Inverno, mas ainda mesmo na Primavera, e também às saraivas que causam alguns anos graves prejuízos nos milhos e ao vinho. O Inverno é muito frio, a Primavera, pouco menos, o Estio é demasiadamente quente naqueles dias em que não há viração, o que poucos dias sucede, e o Outono nos mais dos dias digo nos mais dos anos é bem parecido com o Inverno.

3º Está esta freguesia em um terreno circular pela parte do

Norte, Poente e Sul, e pela parte do Nascente em comprimento um quarto de légua, e em circuito um a légua e meia.

4º Confronta esta freguesia ao Norte com o monte do Montoito,

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© Sociedade Martins Sarmento | Casa de Sarmento 2 Figueiredo, ao Poente com a Serra de S. Miguel o Anjo, que a divide da freguesia de S. Vicente de Oleiros e da de S. Mamede de Vermil, ao Sul com o monte de Penedas, que a divide de Santiago de Ronfe, ao Nascente com o Rio Ave, que a divide da freguesia de S. Miguel do Paraíso, Santa Maria de Silvares e S. João de Ponte.

5º Não tem vilas, lugares, nem aldeias notáveis.

6º Tem esta freguesia 643 pessoas de todas as idades,

classificado no mapa junto.

7º Os animais quadrúpedes são cavalos, éguas, machos, mulas,

jumentos, bois, vacas, cães, porcos e gatos.

As aves são galinhas, patos, frangos e perus.

Não há insectos nem vermes que mereçam fazer-se deles especial menção por serem os comuns em toda a parte, os que causam mais dano, pela sua maior abundância, são as toupeiras, e os ratos principalmente estes, que cortam pela raiz o milho na sua novidade.

Os vegetais produzidos nesta freguesia consistem em milho grosso, milho alvo, painço, feijão e centeio, cebolas, alfaces, tomates e pepinos, abóboras e batatas.

As árvores são: carvalhos ordinários, sobreiros, castanheiros, amieiros, e salgueiros; as fruteiras são pereiras, macieiras, e ameixoeiras, cerejeiras e pessegueiros, figueiras e damasqueiros.

Não há flores notáveis, consistem em cravos e algumas rosas vermelhas dobradas. Também não há ervas medicinais além das ordinárias, como malva, cidreira, hortelã e alecrim, bordana, arruda.

O terreno cultivado poderá produzir 7.574 alqueires de milhão grosso; 1.080 de centeio; 80 de milho alvo; 60 de painço; 80 de feijão; 80 pipas de vinho. Os alimentos usuais consistem em pão de milho grosso, feijão, sardinhas, e carne de porco, bacalhau; o vestuário é de linho ou estopa de saragoça, e pano ordinário, o consumo dos géneros é igual à produção.

A caça é livre, pesca não há de qualidade alguma, não há minas metálicas nem indícios delas, há pedra bastante para obras de toda a qualidade, tanto fina como ordinária.

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8º Esta freguesia pertence e pertenceu sempre ao arcebispado de

Braga, ao concelho de Guimarães, e à divisão militar de Braga, e não tem havido nela mudança alguma, não há impostos da coroa nem municipais; os eclesiásticos consistem na côngrua do pároco.

9º Não há edifícios notáveis, nem morgados ou vínculos nem

pessoas nobres, ou distintas de classe alguma, mas há um professor régio primário.

10º Há na confirmação desta freguesia duas pontes no Rio Ave,

uma de cantaria já mencionada que faz a demarcação entre esta freguesia e de S. João de Ponte, e outra de padieiras há poucos anos edificada, e por estas se passa toda a qualidade de condução para a vila de Guimarães. Não há bosques, matas, nem pinhais as serras são as acima ditas em número 1 porém nada consta da sua etimologia. Haverá uma terça parte de terreno inculto, não há vales, nem terra maninha, as lenhas são poucas, os matos poucos e águas de rega.

11º O Rio Ave já mencionado que divide as freguesias já

mencionadas, terá de largura em partes 18 pés, em outras 20 pés, e sua profundidade em partes 6 pés em outras 8 pés, e de comprimento na freguesia um quarto de légua já mencionado, tem 4 levadas chamadas uma Riaçor, outra dos 8 moinhos outra do Pontão Velho e outra do Talho, tem estas levadas seis moinhos e duas azenhas. Há um pequeno ribeiro que atravessa a freguesia pelo meio, e atravessa de Norte a Sul, que tem de comprimento um quarto de légua, e entra no ribeiro, digo entra no rio, já mencionado; de Inverno moem nele seis moinhos, no Verão não tem água, não moem; não há águas minerais, lagos, nem pântanos; também não há fontes dignas de menção, as que pertencem ao público nem merecem este nome.

12º A cultura do milho grosso é a principal adoptada neste

terreno com preferência a todas as outras, para que usam do arado, da sega, da grade, do engaço e da enxada, de bois e vacas; o estrume é geralmente de tojo, o terreno em parte de natureza húmido, e em outra seco de cor preta, não é estéril, mas frutífero, seria a não serem os ares frios de que é combatido, pelo que é a sua principal produção o

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© Sociedade Martins Sarmento | Casa de Sarmento 4 milho grosso. Os jornaleiros trabalham na cultura da terra e é o preço do seu jornal 60 réis diários sustentados por conta dos patrões.

13º Não há feiras, nem mercados de qualidade alguma.

14º Nesta freguesia há um regedor, um juiz eleito e um escrivão

destes, há um serralheiro, um ferreiro, dois carpinteiros, dois estanqueiros, dois merceeiros, tem vinte proprietários de bens de raiz, e vinte e nove caseiros dos mesmos, não há fábricas nem engenhos, e há dois sacerdotes além do pároco.

15º Não há monumentos, nem antiguidades, inscrições ou

letreiros, nem consta que houvesse, nem tão pouco se sabe qual fosse a origem da freguesia.

Os usos e costumes são ordinários de gente rústica, não há romarias na freguesia, mas costumam os seus moradores ir à da Senhora da Abadia, à do Espírito Santo em Braga, e à do Senhor dos Aflitos em S. Tiago da Cruz julgado de Vila Nova de Famalicão.

Os divertimentos consistem em ir às esfolhadas, estopadas, e outros reuniões de gente feminina, onde os Tafuis Pimpões da aldeia vão fazer corte às suas damas. Os vícios dominantes são mancebias, e bebedeiras, todos dão satisfação aos preceitos da igreja.

A população aumenta consideravelmente em razão de se casarem novos. As doenças aqui mais ordinárias e matadoras são as catarrais e pleurizes, as pouco vulgares não aparecem, e são muito pouco conhecidas assim nos animais como nos homens. Os habitantes desta freguesia são de estatura regular, forçosos e saudáveis, não há idades centenárias, e o ordinário das vidas é de 75 a 85 anos; não há fábricas, nem engenhos e os melhoramentos de mais utilidade são as estradas e caminhos.

16º A igreja desta freguesia é de invocação de S. João Baptista

de Brito, não consta que fosse mudada de outro local, nem quando foi a sua fundação, e menos qual a sua etimologia; é da comenda da Ordem de Cristo, provida por concurso e colação ordinária, e tem uma anexa que é São Mamede de Vermil, apresentada pelo pároco desta freguesia; rendia em dízimos seiscentos mil réis para o comendador, fora os mais encargos. Tinha de côngrua, no tempo dos dízimos, 90$000 réis em

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© Sociedade Martins Sarmento | Casa de Sarmento 5 dinheiro, e seus utensílios 2; rasas de trigo 2; almudes de vinho 3 libras de cera; 500 réis de lavar a roupa da igreja, além disto o passal, ofertas e mais benesses, como também tinha um cura pago pelo dízimo anual 6$000 réis em dinheiro, e moio e meio de cevada. E hoje tem 182$000, entrando nesta conta o passal ofertas, primícias e mais benesses, tem um princípio de casa de residência, em razão de estar parada distante da igreja 15 passos à mesma igreja, tem de comprido 89 pés, de largo 40, de alto 40 pés; as pratas de uso furtaram-nas os ladrões, está-se servindo com o cálice emprestado; há uma confraria do Santíssimo Sacramento, que tem de fundo 62$000 réis é uma simples confraria composta de um juiz, secretário, tesoureiro, procurador e dois mordomos, e estes são obrigados a festejar o mesmo Santíssimo Sacramento todos os anos na forma de seu estatuto; não tem Irmãos, só tem obrigação de dar azeite para a lâmpada e cera para o altar. E há uma irmandade da Nossa Senhora do Rosário que tem de fundo 620$000 réis Irmãos 4$000, cada Irmão que falece tem trinta missas, e tem um aniversário anual de dez padres por vivos e defuntos da mesma confraria, e é composta de um juiz, secretário, tesoureiro, procurador, dois mordomos, e seis definidores, estes têm obrigação de acompanhar a cada um dos Irmãos falecidos e fazer a sua festividade em dia de Nossa Senhora da Assunção, e na forma de estatuto tem obrigação de mandar dizer uma missa rezada com a ladainha cantada nos Domingos primeiros do mês e uma missa rezada em cada Sábado de cada mês, e tem Bula Pontifícia por onde foi erecta, e aprovada pelo ordinário; há dois sepulcros na capela-mor por licença do ordinário: um pertence à casa do Assento, e outro à casa de Vila Nova de Manhão de Baixo para seus possuidores; há um painel, tem 5 altares adornados: o Santíssimo Sacramento com castiçais de latão e pavilhão, e com as imagens aos lados do mesmo altar, a imagem do padroeiro S. João Baptista e Santo André, e o altar de Nossa Senhora do Rosário, com a sua imagem e o altar de Menino Deus com a sua imagem, e o altar da Senhora das Dores com a sua imagem, o altar de S. Sebastião com a sua imagem e

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© Sociedade Martins Sarmento | Casa de Sarmento 6 também a de Santo António e nas imagens não há que admirar na perfeição de arte; são de escultura antiga.

S. João de Brito, 21 de Março de 1842 O pároco Manoel Mendes Roiz Cardozo

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© Sociedade Martins Sarmento | Casa de Sarmento 7 1841 99 99 10 22 82 115 102 104 633 7 12 1 4 2 5 162 1840 102 102 12 18 85 115 125 115 674 7 11 3 1 3 160 1839 78 78 11 20 81 118 129 105 620 5 13 2 3 5 160

Freguesia de S. João Baptista

de Brito

1838 100 100

10 23 80 120 100 110 643 6 16 1 4 4 160

Homens Mulheres Homens Mulheres

Homens Mulheres Com menos de 30 anos de idade exclusive Com mais de 30 anos de idade exclusive Sexo Masculino Sexo Feminino Expostos Sexo Masculino Sexo Feminino Expostos

MAPA ESTATÍSTICO

Casados Viúvos Viúvas Solteiros Totalidade Nascidos Mortos Casamentos Fogos

S. João Baptista de Brito, 29 de Maio de 1842

O pároco Manoel

Referências

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