MARCELO SCHWALBERT
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL:
O ESTÁGIO DE DESENVOLVIMENTO E APLICAÇÃO DO ACORDO DE COOPERAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA ENTRE BRASIL E A UNIÃO
EUROPEIA
Florianópolis 2010
MARCELO SCHWALBERT
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL:
O ESTÁGIO DE DESENVOLVIMENTO E APLICAÇÃO DO ACORDO DE COOPERAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA ENTRE BRASIL E A UNIÃO
EUROPEIA
Trabalho de Monografia que será apresentado ao Curso de Graduação em Relações Internacionais da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Relações Internacionais.
Orientador: Prof. Rogério Santos da Costa, MSc.
Florianópolis 2010
FOLHA DE ROSTO VERSO
MARCELO SCHWALBERT
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL:
O ESTÁGIO DE DESENVOLVIMENTO E APLICAÇÃO DO ACORDO DE COOPERAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA ENTRE BRASIL E A UNIÃO
EUROPEIA
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de Bacharel, em Relações Internacionais e aprovado em sua forma final pelo Curso de Relações Internacionais, da Universidade do Sul de Santa Catarina.
Florianópolis, SC, 22 de novembro de 2010.
______________________________________ Prof. Orientador Rogério Santos da Costa, MSc.
Universidade do Sul de Santa Catarina
_____________________________________ Prof. Márcio Roberto Voigt, Dr.
Universidade do Sul de Santa Catarina
_____________________________________ Prof. Luciano Daudt da Rocha
Dedico este trabalho ao meu pai. O homem que eu mais admiro e do qual tenho orgulho de ser filho. Se eu for metade do que tu és serei mais que muitos.
AGRADECIMENTOS
Eu hesitei em vários momentos, eu quase desisti por varias vezes, eu quase vacilei, eu tive dúvidas, grandes e pequenas, eu chorei, eu me senti sozinho e chorei, mas eu me senti feliz e também chorei. Eu quis e não tive, eu tive e não quis, eu perdi, eu ganhei em perder, eu perdi em ganhar, eu usei, ousei e menti, fui sincero, fui ridículo, fui exagerado e fui contido, mas nunca comedido, fui extremo e nunca pouco, fui calma e excitação. Fiz piada, fui piada e fiz rir, eu ri, eu gargalhei, me perdi, encontrei e me encontrei.
Pai e mãe, obrigado por toda a sinceridade e verdade que eu vi em tudo o que vocês me disseram até hoje. Como eu queria ter prestado mais atenção. Obrigado pelas coisas que vocês não me deram e também pelas coisas que eu não ouvi. Assim eu aprendi sobre o significado das palavras esforço e recompensa.
Obrigado pai, pela tua fibra e tua confiança em mim e, principalmente, por me deixar de herança o conhecimento.
Obrigado mãe, por ser essa mulher fantástica, dinâmica e incansável que eu tanto admiro.
Às minhas irmãs, obrigado por amarem tanto o irmão caçula de vocês e demonstrarem isso pela compreensão de tudo.
Obrigado Cissa, minha namorada linda que eu tanto amo, por ter acreditado em mim, por ter confiado em mim e, principalmente, por ter me deixado ser eu. Obrigado, também, pela correção, pelas dicas e por ter me cobrado dedicação à minha monografia.
Obrigado aos meus melhores amigos, os que estão aqui, próximos a mim, e que sabem da sua importância na minha vida e os que estão distantes, mas que nunca deixaram e nunca deixarão de ser meus melhores amigos. Eu não passei um dia sequer sem sentir a falta de vocês.
Obrigado aos meus colegas de faculdade que, de certa forma, se tornaram meus amigos e com os quais compartilhei quatro bons anos da minha vida. Obrigado a todos os professores, especialmente o professo Rogério, ao qual tenho grande admiração e que foi meu orientador.
E me fazendo valer das Palavras de Martha Medeiros, obrigado a cada um, que nesses tempos, em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo.
“No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar: um estribilho antigo, um carinho no momento preciso, o folhear de um livro de poemas, o cheiro que tinha um dia o próprio vento...”. (Mário Quintana).
RESUMO
A presente monografia apresenta o estágio de aplicação e de desenvolvimento da cooperação em ciência e tecnologia, estabelecida pelo Brasil e a União Europeia, através dos resultados obtidos por intermédio de acordo firmado entre os dois. Para tanto, aborda os processos de integração, apresenta alguns dos principais acontecimentos históricos desencadeados durante a integração europeia, a aproximação desses dois atores concomitantemente ao processo e a cooperação existente entre os dois, assumida com a assinatura, tanto do Acordo-Quadro de Cooperação, quanto do Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica aqui apresentados. A cooperação internacional também será abordada, bem como a Agência Brasileira de Cooperação, um mecanismo de apoio à sua efetivação. Serão analisados os resultados do Seventh Framework Project, de responsabilidade do Bureau Brasileiro para Ampliação da Cooperação Internacional com a União Europeia. Apresenta-se, ainda, o Programa de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional e os resultados obtidos. E por fim, as considerações finais, abordando os estágios de aplicação e de desenvolvimento do Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica, que vem sendo atingidos de forma satisfatória.
Palavras chave: Brasil. União Europeia. Cooperação internacional. Acordo. Ciência e Tecnologia.
ABSTRACT
The present monograph presents the implementation and development of the Agreement for scientific and technological cooperation established between Brazil and the European Union. Therefore, this study approaches the integration processes and presents the historical events that took place during the European integration, as well as the approximation of Brazil and the European Union simultaneous to the process and cooperation between the two, which was officialized with the signature of the Framework co-operation Agreement and the Agreement for Scientific and Technological Cooperation (both here presented). The International Cooperation is also approached, as well as the Brazilian Cooperation Agency, being the latter a tool that supports the first. The results of the Seventh Framework Project, which is coordinated by the Brazilian Bureau for the dissemination of the International Cooperation with the European Union, are also analyzed. It presents also the Action Program on Science, Technology and Innovation for national development is presented, followed by the obtained results. And finally, the concluding remarks, addressing the stages of implementation and development of the Agreement on Scientific and Technological Cooperation, which has been achieved satisfactorily.
Key-words: Brazil. European Union. International Cooperation. Agreement. Science and Technology.
LISTA DE SIGLAS
ABC - Agência Brasileira de Cooperação
BBICE - Bureau Brasileiro para Ampliação da Cooperação Internacional com a União Europeia
BB.BICE – Novo projeto do Bureau Brasileiro para Ampliação da Cooperação Internacional com a União Europeia
CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
CDT/UNB - Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília
CEAG/UNB - Centro de Estudos Avançados de Governo e Administração Pública CECA - Comunidade Econômica do Carvão e do Aço
CEE - Comunidade Econômica Europeia
CNPQ - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CT&I - Ciência, Tecnologia e Inovação
EEE - Espaço Econômico Europeu
EFTA - Associação Europeia de Livre Comércio EUA - Estados Unidos da América
EU - União Europeia
EURATOM - Comunidade Europeia de Energia Atômica FMI - Fundo Monetário Internacional
FP7 - Seventh Framework Project
FNDCT - Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico IBICT - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia IDT - Investigação cientifica e desenvolvimento tecnológico
MCT - Ministério da Ciência e Tecnologia
MDIC - Ministério do desenvolvimento, Industria e Comercio Exterior MERCOSUL - Mercado Comum do Sul
MRE - Ministério das Relações Exteriores OMC - Organização Mundial do Comércio
PACTI - Programa de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional
P&D - pesquisa e desenvolvimento
PESC - Política Externa e de Segurança Comuns SGP - Sistema Geral de Preferências
SME - Sistema Monetário Europeu TEC - Tarifa Externa Comum UEO - União Europeia Ocidental UEM - União Monetária Europeia
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 13
2 INTEGRAÇÃO REGIONAL ... 21
2.1 PROCESSO DE INTEGRAÇÃO REGIONAL ... 21
2.2 HISTÓRICO DA UNIÃO EUROPEIA ... 24
3 ACORDO UNIÃO EUROPEIA BRASIL ... 32
3.1 APROXIMAÇÃO BRASIL – UNIÃO EUROPEIA ... 32
3.1.1 União Europeia e Brasil. Dados da imprensa ... 35
3.2ASPECTOS RELEVANTES DO ACORDO-QUADRO DE COOPERAÇÃO BRASIL – UE... 37
4 COOPERAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA ... 40
4.1 COOPERAÇÃO INTERNACIONAL ... 40
4.1.1 A cooperação internacional ... 40
4.1.2 A Agência Brasileira de Cooperação ... 42
4.2 O ACORDO DE COOPERAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA ... 43
4.3 ESTÁGIO DE DESENVOLVIMENTO E APLICAÇÃO DO ACORDO DE COOPERAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA ... 45
4.3.1 Bureau Brasileiro para Ampliação da Cooperação Internacional com a União Europeia ... 46
4.3.2 Seventh Framework Project ... 47
4.3.3 Programa de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional ... 50
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 52
REFERÊNCIAS ... 55
ANEXO ... 59
ANEXO A – ACORDO-QUADRO DE COOPERAÇÃO, ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O CONSELHO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS. ... 60
ANEXO B – ACORDO DE COOPERAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E A COMUNIDADE EUROPEIA ... 72
1 INTRODUÇÃO
Tanto as relações comerciais e políticas, quanto os laços culturais estabelecidos entre o Brasil e os países que compõe, hoje, a União Europeia (UE) remontam ao século XVI, quando da descoberta, exploração e colonização da costa brasileira pelos portugueses. Em 1494, com a assinatura de um acordo entre Portugal e Espanha, o Tratado de Tordesilhas, que dividiu as terras, recém descobertas, entre os dois, Portugal inicia a exploração de sua colônia. Mais tarde, quando da independência da colônia, o Brasil veio a estabelecer relações comerciais fortes com a Inglaterra. Primeiro assumiu a dívida externa portuguesa junto a esse país e em seguida, diante das fortes pressões inglesas, veio a abolir a escravidão. (FIGUEIRA, 2003).
Já nos séculos XIX e XX povos da Alemanha, Itália, Espanha, Polônia, Ucrânia, Rússia e Holanda migraram para o Brasil. Esses povos vieram a ser a mão de obra especializada que o país não tinha até então, por ter utilizado por muito tempo a força escrava. (FIGUEIRA, 2003).
O Brasil, em 2010, possui uma economia estável e diversificada, assegurada em grande parte pelos grandes investimentos estrangeiros e consolidada por uma boa política econômica implementada nos últimos anos. De acordo com Brasil (2010), para tal consolidação, o país busca firmar bons acordos comerciais e políticos com diversos países e blocos. A UE representa um grande expoente dessas negociações, tratativas e acordos que o Brasil tem firmado através dos anos.
A UE é atualmente uma união supranacional econômica e política de 27 Estados-membros, estabelecida após a assinatura do Tratado de Maastricht em 07 de Fevereiro de 1992. Enquanto instituição passou a dispor de personalidade jurídica após o início da vigência do Tratado de Lisboa, assinado em 13 de dezembro de 2007. Possui competências próprias, e estas são partilhadas entre todos os estados membros. É uma organização que conjuga o nível supranacional em um campo geográfico restrito, com o papel político próprio sobre os seus Estados-Membros. (UNIÃO EUROPEIA, 2010).
De acordo com Brasil (2010), a UE é um dos maiores mercados importadores e exportadores e, também, um dos mais importantes investidores
diretos no país. Em 2009, 22,2% das exportações brasileiras tiveram como destino a UE e esta foi responsável por 22,9% das entradas de produtos e serviços aqui. Já de janeiro a junho de 2010 a UE foi destino de 21,6% das exportações e responsável por 21,3% das importações realizadas pelo Brasil.
Essa cooperação econômica e comercial se desenvolveu através dos anos diante da aproximação dos mercados e das necessidades de expansão dos mesmos. Juntamente com que permeia as negociações e as aproximações entre as nações ou blocos, desenvolvem-se e estabelecem-se, dentre outras formas ou modelos, alguns acordos, tratados ou convênios, que propiciam uma maior cooperação em variados níveis entre os atores.
Entre o Brasil e a UE as negociações comerciais e políticas se conjunturam em acordos firmados tanto entre os dois, como também entre a UE e o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) do qual o Brasil é membro.
Brasil e UE intensificaram suas relações diplomáticas em meados de 1960. O primeiro acordo entre o Brasil e o bloco europeu foi assinado com a então Comunidade Europeia e se deu em 1961. Nos anos de 1974, 1982 e 1992 foram assinados acordos comerciais para ampliar os níveis de cooperação, denominados respectivamente, de acordo de primeira, de segunda e de terceira geração. (MENDES, 2000).
Até o início de 2010 podemos citar o Sistema Geral de Preferências (SGP) do qual o Brasil se beneficia para as exportações e as Cúpulas Brasil - UE que acontecem desde 2007. (BRASIL, 2010).
O Brasil e a UE tem celebrado entre eles um acordo denominado, Acordo-Quadro de Cooperação, assinado em 1992 que prevê, como o próprio nome diz, a cooperação entre os mesmos para o fortalecimento, o desenvolvimento, o fomento, a promoção, dentre outros benefícios para áreas como o comércio, a economia, a indústria, a infraestrutura e a ciência e a tecnologia. (BRASIL, 2010).
Considerando o acordo-quadro de cooperação, Brasil e UE assinaram, em 2004, outro acordo denominado de, Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica que tem por objetivo desenvolver, incentivar e facilitar as atividades de cooperação nas áreas de interesse comum em que realizem ou apoiem atividades de investigação e desenvolvimento nestes campos. (BUREAU BRASILEIRO PARA AMPLIAÇÃO DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL COM A UNIÃO EUROPEIA, 2010).
O que se busca entender nessa monografia delimita-se através da compreensão do histórico das relações estabelecidas entre o Brasil e a UE, o processo de formação e integração desta unidade supranacional econômica e política e os acordos firmados entre os mesmos, destacando aqui, principalmente, o Acordo-Quadro de Cooperação e, por conseguinte o Acordo de Cooperação Cientifica e Tecnológica estabelecidos entre os dois.
Desta forma pretende-se responder a seguinte pergunta: Em que estágio de desenvolvimento e aplicação se encontra o acordo de cooperação científica e tecnológica firmado entre o Brasil e a UE?
Assim, o objetivo geral desta pesquisa será o de verificar o estágio de desenvolvimento e aplicação do acordo de cooperação científica e tecnológica entre o Brasil e a UE. Para apoiar no desenvolvimento e se alcançar o objetivo geral desta pesquisa, foram traçados os seguintes objetivos específicos:
a) Descrever os processos de integração regional e apresentar alguns dos principais acontecimentos do histórico de criação da UE desde a sua fundação;
b) Apresentar um histórico de aproximação e o Acordo Quadro de Cooperação entre o Brasil e a UE;
c) Apresentar o acordo de cooperação Científica e Tecnológica entre o Brasil e a UE e seu estágio de desenvolvimento e aplicação principalmente através do Seventh Framework Project (FP7).
Ao se descrever os processos de integração regional, tendo como exemplo a UE e a partir desse processo retratar a aproximação deste ator global com o Brasil, visa-se entender de que maneira e em que circunstâncias se deram estes fatos. A luz destes entendimentos, apresentar o acordo-quadro de cooperação e o acordo de cooperação científica e tecnológica entre o Brasil e a UE.
Esta pesquisa se justifica, dentre outras causas, por abordar um tema sempre atual: ciência e tecnologia, que caminham juntas ao desenvolvimento humano e da sociedade, confundindo-se muitas vezes, no desencadeamento dos fatos. Aqui, como objetos de estudo, a ciência e a tecnologia se tornam reflexo da cooperação entre dois atores globais. O primeiro, um país de grandes proporções territoriais e em desenvolvimento econômico e social e, o segundo, resultado da integração de várias nações, econômica e, principalmente, socialmente desenvolvidas.
Com o desencadeamento da integração no continente europeu, começam a ser estabelecidas relações diretas e multilaterais com a UE, passando desde o relacionamento diplomático, a manutenção e aprofundamento do comércio entre os dois, até a cooperação em variados assuntos de interesse comum.
O Brasil é para a UE um parceiro estratégico e, visto por este, como o maior ator econômico da América Latina. Além disso, o Brasil tem desenvolvido, nos últimos anos, inúmeras políticas de inovação e desenvolvimento, principalmente através do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). (BEZERRA, 2009).
De acordo com dados do Governo Federal, até setembro de 2010, a UE se destacou como o segundo maior investidor estrangeiro no país. Ainda, segundo Bezerra (2009), a UE propõe uma cooperação mais efetiva em várias áreas, como na promoção dos direitos humanos, pobreza, desigualdades, mudanças climáticas, produção de biocombustíveis, integração regional, navegação por satélites e sociedade da informação. Além de sugerir um intercambio de estudantes universitários e a criação de centros de estudos europeus no Brasil e brasileiros na Europa.
A aproximação e, por conseguinte, a cooperação, de forma geral abordada nesta monografia, faz com que o Brasil e a UE estreitem seus envolvimentos, passando, através do comprometimento na assinatura de alguns acordos, a cooperar em diversas áreas, dentre estas áreas destacam-se os acordos firmados no âmbito da ciência e da tecnologia. Assim como aborda o artigo primeiro do acordo de cooperação cientifica e tecnológica, assinado entre os dois, onde as partes concordam em incentivar, desenvolver e facilitar as atividades de cooperação em áreas de comum interesse, que realizem ou apoiem atividades de investigação e desenvolvimento científico e tecnológico.
Por fim, a relevância acadêmica e científica desta pesquisa se da ao agregar conhecimento à formação do Bacharel em Relações Internacionais criando um ambiente de novas discussões diante da gama de informações que o tema possibilita. E, em razão as contribuições que a pesquisa pode trazer no sentido de proporcionar respostas aos problemas aqui apresentados, ampliar o conhecimento e as informações referentes ao mesmo.
Para o bom andamento, desenvolvimento e concretização desta pesquisa, foi necessário estabelecer uma metodologia a ser seguida, contemplando os métodos e técnicas que melhor se encaixam para a concepção da mesma.
Neste sentido, a sequência deste trabalho traz a descrição das metodologias aqui utilizadas.
Segundo Rauen (2002), pesquisar consiste em um esforço guiado à obtenção de um dado conhecimento, onde os problemas teóricos, práticos e operacionais de um determinado contexto são solucionados. Esta pesquisa, por ter como objetivo proporcionar um maior entendimento dos objetivos descritivos, de compreensão e de análise nela contidos toma o caráter exploratório. De acordo com Alves (2003), a pesquisa é exploratória se o objetivo é fazer com que o problema seja mais aprofundado, diante de um levantamento bibliográfico, tornando-a mais explícita.
Quanto aos procedimentos técnicos, esta pesquisa se apresenta como bibliográfica, por utilizar como base material já elaborado, composto principalmente por páginas da web, artigos científicos e livros.
Conforme Köche (2009, p. 122):
A pesquisa bibliográfica é a que se desenvolve tentando explicar um problema, utilizando o conhecimento disponível a partir das teorias publicadas em livros e obras congêneres. Na pesquisa bibliográfica o investigador irá levantar o conhecimento disponível na área, identificando as teorias produzidas, analisando-as e avaliando sua contribuição para auxiliar a compreender ou explicar o problema objeto de investigação. O objetivo da pesquisa bibliográfica, portanto, é o de conhecer e analisar as principais contribuições teóricas existentes sobre um determinado tema ou problema, tornando-se um instrumento indispensável para qualquer tipo de pesquisa.
Já quanto ao método, esta pesquisa, pode ser definida, como o conjugado das atividades desempenhadas no decorrer da investigação que permite, através do conhecer, alcançar os objetivos, guiando e apontando erros e sendo um assessório para a tomada de decisões do cientista. (LAKATOS; MARCONI, 2000).
De acordo Lakatos e Marconi (2000) o método é a forma ou a maneira utilizada para se chegar ao resultado, utilizando-se de estruturas já elaboradas ou desenvolvendo-se concomitantemente a pesquisa.
A abordagem teve como método utilizado, o dedutivo. Por este método, de acordo com Fachin (2003), através de duas ou mais proposições, fundamentalmente chega-se a uma conclusão, partindo do amplo para o restrito para aquisição do conhecimento.
Segundo Rauen (2002, p. 41):
Dedução é um processo mental, por meio do qual, parte-se de um argumento geral ou universal, que funciona como premissa maior, e de um argumento particular, que funciona como premissa menor, para chegar-se a
uma conclusão em nível particular, cujo conteúdo já estava incluso, ao menos implicitamente, nas premissas.
Dentro do método dedutivo de abordagem Lakatos e Marconi (2000) fazem referência à explicação dedutivo-nomológica, que são argumentos dedutivos, cuja conclusão é deduzida de um conjunto de premissas constituídas por leis gerais; e da generalidade e especialidade do método dedutivo.
Conforme Lakatos e Marconi (2000, p.69) “A explicação significa a descoberta do que é semelhante naquilo que, à primeira vista, parece dessemelhante: é o encontro da identidade na diferença”.
A opção pelo método de procedimento monográfico para a produção científica se deu pelo que afirma Rauen (2002, p. 238) “Monografia é um produto textual dissertativo que trata de um assunto particular de forma sistemática e completa”.
Segundo Lakatos e Marconi (LAKATOS; MARCONI, 2000, p. 92):
Criado por Le Play, que o empregou ao estudar famílias operárias na Europa. Partindo do princípio de que qualquer caso que se estude em profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros ou até de todos os casos semelhantes, o método monográfico consiste no estudo de determinados indivíduos, profissões, condições, instituições, grupos ou comunidades, com a finalidade de obter generalizações.
Também é considerado o método mais adequado para a apresentação de produção cientifica em nível de graduação. (RAUEN, 2002).
A forma principal utilizada para a coleta de dados e informações para quase todos os tipos de pesquisa, inclusive esta, é a leitura de livros, revistas, jornais, páginas da rede mundial de computadores e artigos, a isso se da o nome de levantamento bibliográfico. Segundo Fachin (2003, p. 126) “Entende-se por levantamento bibliográfico o material constituído por dados primários ou secundários que possam ser utilizados pelo pesquisador”. Para este trabalho, ou para a forma como se deu esta pesquisa, foi empregada a leitura de dados secundários.
A apresentação dos dados, de acordo com Rauen (1999), é o ponto onde, sob a égide dos objetivos específicos ou das hipóteses, se analisa os resultados obtidos, corroborando as conclusões em síntese aos dados e o conteúdo em si. Segundo Triviños (1996, p.161), “o processo de análise de conteúdo pode ser feito da seguinte forma: pré-análise (organização do material), descrição analítica dos dados (codificação, classificação, categorização), interpretação referencial (tratamento e reflexão)”.
Esta pesquisa seguirá uma abordagem qualitativa para a análise e interpretação do conteúdo obtido através da pesquisa bibliográfica, que foi o procedimento técnico utilizado. Segundo Rauen (2002), através de uma abordagem qualitativa baseada através da disposição de dados, observam-se especificidades e particularidades na interpretação do conteúdo analisado.
Com base na metodologia utilizada aqui e apresentada anteriormente, se dá continuidade ao trabalho, abordando a estrutura desta monografia, que está contida no desenvolvimento de cinco capítulos.
O primeiro capítulo visa apresentar através do tema e do problema de pesquisa qual será o objetivo geral e quais serão os objetivos específicos, assim como justificar a abordagem da mesma. No fim deste capitulo se apresenta a metodologia que guiou todo o processo e desenvolvimento deste trabalho.
O segundo capítulo deste trabalho trata sobre a integração regional, traz a tona os conceitos e os processos de integração, se utilizando do processo de criação e desenvolvimento da UE como exemplo.
No terceiro capítulo se traça um histórico de aproximação entre o Brasil e a UE e se dá ênfase ao Acordo-Quadro de Cooperação Brasil – UE. Em seguida a uma breve conceitualização de acordo, apresentam-se alguns aspectos, julgados, relevantes do acordo-quadro de cooperação em seus artigos e objetivos, que se fazem relevantes ao acordo de cooperação cientifica e tecnológica, apresentado posteriormente.
Este trabalho tem ainda, em seu quarto capítulo, o objetivo de apresentar o Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica entre o governo Brasileiro e a UE. Para tanto se dá ênfase ao acordo em si, abordando seus artigos, o objetivo, suas definições e seus princípios, tratando a aplicação do mesmo e seu andamento. É abordado ainda o conceito de cooperação internacional que servirá para o entendimento deste e dos demais capítulos desta pesquisa.
O último capítulo, por sequencia o quinto a ser apresentado, apresenta as considerações finais desta pesquisa. Através da análise que esta pesquisa se propôs apresentar, demonstrar em que estagio de desenvolvimento e aplicação se encontra o acordo de cooperação científica e tecnológica entre o Brasil e a UE.
Esse capítulo expos o assunto tema desta monografia. Através da problematização, chegou-se a delimitação do tema e ao desencadeamento dos objetivos a serem respondidos ao final da mesma. A justificativa de se desenvolver
tal pesquisa foi apresentada logo, em seguida, aos objetivos, assim como os procedimentos utilizados para a obtenção do conteúdo e das informações que foram necessárias para a concretização desta monografia.
2 INTEGRAÇÃO REGIONAL
O capítulo a seguir apresenta, em si, uma abordagem sobre as etapas que se desenvolvem para a evolução de um processo de integração regional. Toma como exemplo o processo de integração pelo qual passou a UE, para tanto, apresenta um histórico com alguns fatos considerados relevantes, desencadeados desde o início das tratativas à integração.
2.1 PROCESSO DE INTEGRAÇÃO REGIONAL
Há tempos já se discute o processo de globalização pelo qual o mundo passou, vem passando e continuará passando. O estreitamento dos laços, principalmente comerciais, entre os diversos atores globais, é parte do que a economia atual necessita para permanecer estável e, grande parte do que os atores, de forma individual, necessitam para se tornarem mais fortes, estáveis, influentes e competitivos comercial e economicamente.
Nesta contextualização e, concomitantemente a todo esse processo de globalização existente, constata-se outro processo de integração, de cunho político, econômico e social dos países, onde se busca também o fortalecimento da presença regional no cenário multilateral. (TORRES, 2000).
Os países buscam a integração como meio para o fortalecimento, o que revela de certa forma uma tendência aos fins econômicos. Os benefícios de uma integração regional são primeiramente percebidos nesse nível pela quantidade maior de benesses de se ter o apoio de outro ou outros Estados que buscam os mesmos fins.
Os processos de integração se caracterizam pela institucionalização de formas que visam tanto à criação de Zonas de Livre Comércio, de União Aduaneira, Mercado Comum, União Monetária e União Política. O grau ou nível de integração é um dos aspectos importantes a serem determinados. Os reflexos e consequências
são pontualmente difusos em seus variáveis níveis. (BAUMANN; CANUTO; GONÇALVES, 2004).
Para Böhlke (2003, p. 34):
A integração, portanto, representa tanto processo composto pelo conjunto de fases por que passa qualquer bloco em constituição, quanto o estado criado por cada uma dessas fases. No estado final a integração desejada já ocorreu, por meio de processo evolutivo, e constitui fato. O estado final depende, dentre outros fatores, da intensidade visada com a integração.
Inspirado no processo de integração europeu, destacam-se cinco etapas de integração: a Zona de Livre Comércio; a União Aduaneira; o Mercado Comum; a União Monetária ou (união econômica) e a União Política ou (integração econômica total). São etapas que levam a estágios mais aprofundados de integração. Alguns autores incorporam a essas formas, uma anterior à Zona de Livre Comércio, denominada de áreas de preferências tarifárias onde apenas se atingem os tributos que incidem sobre o comércio exterior. (BÖHLKE, 2003).
A primeira etapa ou fase do processo de integração entre os Estados é a Área de Livre Comércio.
Para Baumann; Canuto e Gonçalves (2004, p. 106):
Uma área de Livre Comércio implica em concessões comerciais generalizadas, compreendendo a maior parte (ou a totalidade) da pauta comercial entre os países envolvidos. Cada país preserva sua autonomia em definir a política comercial em relação ao resto do mundo, mas o grau de amplitude das concessões entre os países participantes demanda dois tipos de providencias: A definição de regras de origem [...] Alinhamento das taxas de câmbio dos países participantes [...].
Neste estágio inicial, quando definitivamente constituída, todos os tributos incidentes relativos ao comércio exterior, impostos de importação e exportação, como também quotas e barreiras técnicas não são aplicados. (BÖHLKE, 2003).
Implementados os requisitos da fase inicial, o próximo passo a ser dado no processo se caracteriza pela constituição de uma União Aduaneira. União Aduaneira é a etapa na qual além da livre circulação dos bens, os Estados que a integram negociam a tarifa externa comum para demarcar a fronteira externa da união diante ou frente aos demais parceiros comerciais. (TORRES, 2000).
De acordo com Böhlke (2003, p. 38 e 39):
Conforme visto anteriormente, zonas de livre comércio permitem aos Estados-Membros práticas isoladas de tarifas aduaneiras com relação a terceiros Estados. Isso gera o problema da triangulação e enseja a criação de regras de origem.
Ainda, segundo Baumann; Canuto e Gonçalves (2004, p. 107) “[...] os países se comprometem a definir de forma conjunta a sua política comercial externa, e os países membros se apresentam em negociações internacionais como uma única voz”.
O estágio seguinte aos níveis de integração se caracteriza por um Mercado Comum. Existe já entre os integrantes uma livre circulação de bens, a adoção de barreiras externas comuns e a união para negociar com terceiros países. Agora se estabelece a livre circulação de pessoas, serviços, capitais e a harmonização da política comercial externa.
Esse nível de integração necessita da existência de políticas internas e externas coordenadas. As diferenças existentes entre os países, em múltiplos aspectos, devem-se transformar, gerenciadas de forma homogênea, tornando compatíveis, por exemplo, as legislações correlatas, as normas trabalhistas e previdenciárias, bem como a regulação do capital, a proteção aos investidores e a regulação de concorrência, entre inúmeras outras. (BAUMANN; CANUTO; GONÇALVES, 2004).
O ponto seguinte a ser alcançado pelos estados que desejam a integração é a União Monetária.
Com a União Monetária os estados passam a permitir a livre circulação de moeda emitida por um órgão regional, optando pela manutenção ou não da moeda nacional. A União Monetária constitui um estágio extremamente avançado de integração, se configura pela liberalização completa da circulação de bens, capitais, serviços e pessoas, a aplicação de Tarifa Externa Comum (TEC), a configuração harmoniosa das políticas macroeconômicas e setoriais, a institucionalização de um banco central e de moeda comum para todos os integrantes. (BÖHLKE, 2003).
Para Torres (2000), uma União Monetária demanda a constituição de um trabalho forte e coordenado conjuntamente por todos os estados participantes. Conferindo, para tanto, principalmente, níveis compatíveis de taxas de juros, taxas baixas de inflação e formulando políticas monetárias em acordo aos índices dos déficits públicos estabelecidos.
O próximo estágio a ser alcançado é uma União Política que, para Baumann, Canuto e Gonçalves (2004), representa a união de todos os Estados nacionais integrantes, em um único Estado ou em um novo Estado.
O último estágio de todo esse processo integracional se alcança com a institucionalização de uma União Política. Esta etapa se configura na forma mais profunda de integração, nela se conjuga a existência de uma Zona de Livre Comércio, de uma União Aduaneira, de um Mercado Comum e de uma União Monetária. É importante salientar que este processo e suas etapas são os vividos pela UE, não havendo uma necessidade de avanço das fases por Estados que a iniciam.
A partir dos processos de integração expostos anteriormente, retrata-se a seguir um histórico da UE, que servirá, tanto, para uma maior compreensão das etapas do processo de integração, quanto, mais adiante, como entendimento para o histórico de aproximação dela com o Brasil.
2.2 HISTÓRICO DA UNIÃO EUROPEIA
A seguir, apresenta-se uma descrição rápida do histórico da UE desde sua criação, passando por alguns dos seus principais acontecimentos até meados do ano de 2010. Esta contextualização tem base no Histórico da União Europeia (2010).
(continua)
Ano Acontecimento
1946 A proposta de unificação dos países do continente europeu surgiu após a Segunda Guerra Mundial, com o intuito de reconstruir os países devastados e como forma de gerar estabilidade nas relações entre os Estados, evitando assim novas guerras. No dia 19 de setembro, em um discurso pronunciado na Universidade de Zurique, Winston Churchill apelou à criação de uma forma de Estados Unidos da Europa.
No dia 17 de dezembro foi dada a Criação da União Europeia dos Federalistas em Paris, França. Já no ano seguinte, no dia 14 de maio é criado o movimento Europa Unida, contrário aos órgãos supranacionais e a favor de uma cooperação intergovernamental dos estados.
(continuação) 1947 No primeiro dia de junho, René Courtin cria o Conselho
Francês para uma Europa Unida que, em 1953, foi integrada ao Movimento Europeu. Entre os dias três e cinco de julho foi criado, ainda, o movimento dos Estados Unidos Socialistas da Europa, renomeado em 1961 de Esquerda Europeia. Concomitante a isso os Estados Unidos da América (EUA) anunciam a criação do Plano Marshall para a recuperação econômica da Europa e nos dias 13 e 14 de dezembro as organizações unionistas e federalistas reúnem-se no âmbito de um comitê de coordenação dos movimentos para a unificação da Europa. 1948 No primeiro dia do ano entra em vigor a Convenção aduaneira
entre a Bélgica, Luxemburgo e os Países Baixos. Em 17 de março é assinado o tratado da União Ocidental – Tratado de Bruxelas – pela Bélgica, França, Luxemburgo, Países Baixos e Reino Unido. Já em 16 de abril é dada a criação da Organização de Cooperação Econômica Europeia (OECE) para coordenar o Plano Marshall.
Entre os dias 07 e 11 de maio, sob a égide do comitê de coordenação internacional dos movimentos para a unificação da Europa, reúne-se em Haia, Países Baixos, o Congresso Europeu. Presidido por Winston Churchill e na presença de 800 delegados, os participantes recomendam a criação de uma assembleia deliberativa europeia e de um conselho europeu especial encarregado de preparar a integração econômica e política dos países europeus. Preconizam igualmente a adoção de uma carta dos direitos do homem e a criação de um Tribunal de Justiça com vistas a assegurar a sua aplicação.
1949 Em janeiro a França, o Reino Unido e os países do Benelux (Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo), decidem instituir um Conselho da Europa e solicitam à Dinamarca, Irlanda, Itália, Noruega e Suíça a sua colaboração na elaboração dos estatutos desse Conselho.
1951 Os países do Benelux, a Alemanha Ocidental, a França e a Itália formam a Comunidade Econômica do Carvão e do Aço (CECA) que visava garantir e gerenciar as reservas de carvão e aço. Esse foi o primeiro passo no sentido de unificar os estados europeus.
(continuação) 1954 Em outubro são assinados em Paris os acordos relativos a
uma alteração do Tratado de Bruxelas. Nasce então a União Europeia Ocidental (UEO).
1957 Com o Tratado de Roma, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo, a Alemanha Ocidental, a França e a Itália ratificam a criação de outras duas organizações, a Comunidade Europeia de Energia Atômica (EURATOM) e a Comunidade Econômica Europeia (CEE).
1959 Em 05 de maio o Conselho Europeu aceita a Proposta Dillon, dos EUA, relativa às negociações multilaterais sobre comércio que trata o ajuste do Acordo Geral sobre as Pautas Aduaneiras e do Comércio. 1967 Em julho entra em vigor o Tratado de fusão dos executivos das
três Comunidades (CECA, CEE, EURATOM). As Comunidades passam a dispor de uma Comissão única e de um Conselho único, mas estas duas instituições continuam a atuar de acordo com as regras de cada uma das Comunidades.
1977 Em abril, o Parlamento Europeu, o Conselho e a Comissão assinam uma declaração sobre o respeito pelos direitos fundamentais. 1979 De 07 a 10 de junho, realizam-se as primeiras eleições para o
Parlamento Europeu por sufrágio universal direto. Em setembro, o Presidente do Conselho apresenta a posição tomada pelos Estados membros da Comunidade sobre os principais assuntos da ordem de trabalhos. Refere-se especialmente à atitude da Comunidade e dos seus membros de desejarem a continuidade do diálogo entre países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento, e destaca a importância das eleições diretas para o Parlamento Europeu e a importância do Sistema Monetário Europeu (SME).
1980 Em 18 de setembro é assinado um acordo-quadro de cooperação entre a Comunidade e o Brasil, que entra em vigor em outubro de 1981. Em março o Conselho Europeu reúne-se em Maastricht. As discussões giram, principalmente, em torno das perspectivas sociais e econômicas.
(continuação) 1985 Em 14 de junho a Comissão apresenta ao Conselho um Livro
Branco sobre as realizações do mercado interno. A Bélgica, a Alemanha, a França, Luxemburgo e os Países Baixos assinam, em Schengen, Luxemburgo, os Tratados de Schengen que tratam sobre a abolição das fronteiras internas.
1986 Foi considerado o ano Europeu de segurança rodoviária.
1987 Foi considerado como ano Europeu do Ambiente.
Entra em vigor o Ato Único Europeu, e em setembro, o Conselho adota o programa-quadro de investigação e desenvolvimento tecnológico para o período 1987-1991.
1989 Em novembro, com a Queda do Muro de Berlim, a República Democrática da Alemanha abre as suas fronteiras.
1990 Já em 20 de junho de 1990, a CEE e os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) iniciam negociações
formais com o intuito de criar o Espaço Econômico Europeu (EEE).
1991 Em dezembro o Conselho Europeu, reunido em Maastricht, Países Baixos, chega a acordo sobre o projeto do Tratado da União Europeia.
1992 Em fevereiro foi assinado pelos Ministros dos Negócios Estrangeiros e pelos Ministros das Finanças dos Estados-Membros.
1993 Em novembro de 1993 o Tratado entra em vigor.
De acordo com o Böhlke (2003, p. 60):
O tratado de Maastricht estabeleceu os objetivos da União Europeia a partir de três pilares: um de caráter supranacional, baseado no Direito Comunitário europeu, e dois de caráter intergovernamental. Estes dois últimos pilares se referem à Política Externa e de Segurança Comuns (PESC) e à Cooperação nos Âmbitos da Justiça e Assuntos de Interior. O grande mérito do Tratado de Maastricht foi o direcionamento da integração europeia para uma etapa mais avançada de integração ao prever a constituição de uma união econômica e monetária.
O Tratado de Maastricht consagra oficialmente o nome da UE que a partir daí substituirá o de Comunidade Europeia. O termo União usa-se desde o início do Tratado para representar o avanço num projeto histórico.
(continuação) De acordo com o segundo artigo do Tratado da UE de (1992), “O presente Tratado constitui uma nova etapa no processo criador de uma União cada vez mais estreita entre os povos da Europa…”.
O Tratado vai ter uma estrutura baseada em três pilares onde se divide o processo de integração europeia. O primeiro pilar trata sobre a integração econômico-comercial, que se caracteriza pela livre circulação de bens, serviços, capitais e trabalhadores entre os Estados-Membros; o segundo pilar abrange a política externa e de segurança comum; e o terceiro pilar faz referência às políticas de imigração e de cooperação judiciária e policial.
1994 No início do ano entra em vigor o acordo que cria o EEE e em abril do mesmo ano o Parlamento e o Conselho adotam o Quarto Programa-Quadro de Investigação, de desenvolvimento tecnológico e de demonstração compreendendo os anos de 1994 a1998.
1997 Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos quinze Estados-Membros da UE assinam o Tratado de Amsterdã.
Segundo Pfetsch (2001, p. 170):
O Tratado de Amsterdã, firmado pelos chefes de Estado e de governo em 18 de julho de 1997, mantém a estrutura básica do Tratado de Maastricht. A balança de poder foi preservada, como desejavam os Estados-membros. Os três órgãos centrais – Comissão, Conselho e Parlamento – aumentaram suas atribuições, e a dependência mútua entre Comissão e Parlamento estreitou-se. O regime da UE parlamentarizou-se mais e assemelha-se, em sua estrutura, a um semipresidencialismo, na medida em que o Executivo europeu (a Comissão), proposto pelo Conselho, tem de ser aprovado pelo Legislativo europeu. Ademais, foram introduzidas diversas inovações institucionais, de cunho moderado.
1998 Em maio um Conselho extraordinário decide que onze Estados-Membros preenchem as condições necessárias para a adoção da moeda única em primeiro de janeiro de 1999. Na sequência desta decisão, o Conselho adota dois regulamentos sobre as especificações técnicas das moedas em Euros e sobre a introdução do mesmo, após os ministros e os governadores dos bancos centrais dos Estados-Membros
(continuação) adotarem o Euro como moeda única, enquanto isso a Comissão e o Instituto Monetário Europeu especificam as condições para a fixação das taxas de conversão irrevogáveis da moeda.
1999 A terceira fase da União Monetária Europeia (UEM) foi iniciada em 1º de janeiro, com a introdução da moeda única, o Euro. Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e Portugal adotaram o euro como moeda oficial. Em junho é criado o Organismo Europeu de Luta Antifraude e entre os dias 18 e 20 do mesmo mês os chefes de Estado e de Governo definem as prioridades para enfrentar os desafios do século XXI. Entre os desafios destacam-se a implementação de políticas macroeconômicas adequadas e reformas para promover o crescimento sustentável, a construção de um sistema comercial mundial para todos com base na Organização Mundial do Comércio (OMC) e o lançamento de um novo ciclo de negociações comerciais bilaterais.
Em junho ainda, a UE e os EUA comprometem-se, numa declaração comum, a reforçar a sua parceria no âmbito da nova agenda transatlântica e, em especial, a trabalhar em conjunto tendo em vista a prevenção e a resolução de crises internacionais, sublinhando a importância da adoção progressiva de uma política europeia comum em matéria de segurança e de defesa. Em 22 de setembro o Banco Central Europeu, a Reserva Federal dos EUA e o Banco do Japão decidem intervir para apoiar o Euro.
2001 Em janeiro a Grécia passa a fazer parte da zona do euro. No mês seguinte é assinado o Tratado de Nice, que altera o Tratado da União Europeia e o Tratado que institui a Comunidade Europeia.
2002 Em janeiro foi o primeiro dia de circulação das moedas e notas de Euro na Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal e Espanha. E em fevereiro, após um período de dupla circulação, o Euro passa a ser a única moeda nos doze países participantes.
(conclusão)
2004 Em primeiro de maio de torna-se realidade o maior
alargamento da UE em termos de alcance e diversidade, mais dez países passam a fazer parte da UE, Chipre, Estônia, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia, República Checa, República Eslovaca, Eslovênia e Hungria, representando a totalidade de mais de 100 milhões de cidadãos.
Em 29 de setembro os Chefes de Estado e de Governo e os Ministros dos Negócios Estrangeiros assinam o Tratado que estabelece uma Constituição para a Europa.
2006 Em fevereiro o Parlamento Europeu adotou o relatório sobre a diretiva relativa aos serviços no mercado interno. A Diretiva Serviços, também conhecida por Diretiva Bolkestein, é um dos mais importantes projetos legislativos da UE. Em 07 de abril fica aberto a todos os residentes na UE, cidadãos, associações e clubes, um novo espaço na Internet promovendo uma identidade também na Internet.
2007 Em primeiro de janeiro a adesão da Romênia e da Bulgária, concluiu o quinto alargamento da UE, que teve início em maio de 2004. Elevando o número de Estados-Membros para 27 e sua população para 492,8 milhões de habitantes. Após a introdução do búlgaro, do romeno e do irlandês a UE passou a ter 23 línguas oficiais. Em fevereiro, comemoraram-se os 15 anos do Tratado da União Europeia, também conhecido por Tratado de Maastricht. E em 13 de dezembro é assinado o Tratado de Lisboa.
2008 Em março entra em vigor o novo Acordo de Transportes Aéreos entre a UE e os EUA. Com esse acordo as companhias aéreas europeias podem voar sem restrições a partir de qualquer ponto da UE para qualquer ponto dos EUA e vice-versa. Em setembro uma crise financeira de grandes proporções abala a economia mundial.
Quadro 1 – Alguns dos principais acontecimentos do histórico de criação da UE. Fonte: UNIÃO EUROPEIA (2010).
Desde a década de 90, principalmente, a UE age mais firmemente como um bloco econômico unificado, tendo adquirido direito a voz e até voto em algumas organizações internacionais. Tornou-se também interlocutora de seus membros em acordos com outros grandes países ou blocos. Foi neste processo de participação
em bloco da UE que ocorreu o acordo quadro de 1992 e uma maior aproximação com o Brasil.
Os fatos apresentados no quadro anterior demonstraram a evolução da integração no continente europeu através de etapas que foram desenvolvidas, em conjunto, pelos Estados. Essas etapas são descritas, por muitos autores, como estágios, ou propriamente as etapas, da integração. Neste contexto, o próximo item traz um apanhado histórico sobre a aproximação do Brasil com a UE. Apontando, de forma sucinta, as relações estabelecidas entre os dois através dos anos, concomitante ao desenvolvimento da integração do que, a partir do Tratado de Maastricht, em 1992, passou a se chamar UE.
O capítulo apresentado anteriormente trouxe, a esta monografia, uma abordagem sobre as etapas de um processo de integração regional, que toma como exemplo os caminhos pelos quais passou a UE. Na sequência, apresenta-se um quadro com alguns dos fatos, considerados, mais importantes da história da UE.
As relações estabelecidas e desenvolvidas entre o Brasil e a UE no transcorrer dos anos têm se tornado cada vez mais intensas. É nesse interim que os atores têm tratado sobre diversos temas e assuntos. A cooperação tem sido um deles, dessa forma, como parte dessa monografia, apresenta-se no próximo capítulo um apanhado geral sobre a aproximação constituída através dos anos e um acordo de cooperação estabelecido entre os dois.
3 ACORDO UNIÃO EUROPEIA BRASIL
Este capítulo apresenta um breve histórico sobre as relações de aproximação do Brasil com a UE, tratando, desde os aspectos diplomáticos, passando por uma relação de acordos firmados e chegando a dados sobre as trocas comerciais recentemente estabelecidas entre esses dois atores globais. Ainda, neste capítulo, apresentam-se alguns aspectos, julgados relevantes, do Acordo-Quadro de Cooperação entre o Governo da República Federativa do Brasil e a Comunidade Europeia. Estes aspectos, que serão descritos a seguir, tomam por base o próprio acordo disponível anexo a esta monografia. (Ver anexo A).
Acordo ou acordo internacional pode ter dois significados, a compreensão entre dois ou mais estados ou organizações a respeito de uma dada matéria ou determinado assunto ou o documento onde esse entendimento é registrado. Em resumo, acordo ou acordo internacional é um documento escrito que contempla a consonância das vontades de dois ou mais entes. Comumente é utilizado para indicar entendimentos bilaterais sobre matérias correntes ou técnicas. (MAGALHÃES, 2005).
Dessa forma, busca-se dar um dimensionamento mais preciso do que estes dois atores internacionais principiaram ao celebrar o mesmo, tentando ainda, na sequência, dar maior base para o entendimento e a análise dos objetivos propostos inicialmente.
3.1 APROXIMAÇÃO BRASIL – UNIÃO EUROPEIA
As relações diplomáticas estabelecidas entre o Brasil e a UE intensificaram-se por volta da década de 60 do século passado.
Em 1961 o Brasil e a UE celebram um tratado de utilização pacífica dos recursos nucleares, foi o primeiro acordo entre os dois, este, foi assinado com a então Comunidade Europeia. Em 1974 foi assinado o primeiro acordo comercial, denominado de primeira geração. O mesmo era limitado a aspectos comerciais, com
base nos princípios de vantagens mútuas e de reciprocidade. Em 1982 é assinado um novo acordo, denominado de segunda geração, com maior amplitude que o anterior, por criar um caminho estreito de relação comercial do Brasil com a Europa. Por fim, em 1992, um terceiro, chamado de acordo de terceira geração, veio para ampliar os níveis de cooperação econômica entre Brasil e a atual UE. (MENDES, 2000).
Em 1992 o Brasil e a UE assinam um Acordo-Quadro de Cooperação que aclara sobre a cooperação entre os mesmos para o fortalecimento, o desenvolvimento, o fomento, a promoção, dentre outros benefícios para áreas como o comércio, a economia, a indústria a infraestrutura e a ciência e a tecnologia. (BRASIL, 2010).
No ano de 1995 a UE e o MERCOSUL assinam em Madri, na Espanha, um Acordo-Quadro Inter Regional de Cooperação, com o intuito de aprofundar as relações dos dois blocos. O objetivo deste acordo foi configurar as negociações ao objetivo da liberalização comercial de bens e serviços, de acordo com o que estabelece a OMC, para que se alcance uma área de livre comercio. Até o ano de 1999 aconteceram estudos e trocas de informações entre os membros, através desses, e de negociações, os chefes de Estado dos países membros dos dois blocos concordam em lançar negociações para um futuro Acordo de Associação Inter-Regional. Em 2000, após a primeira reunião, estabelecem-se os princípios e os objetivos do mesmo,priorizando as relações econômicas, comerciais, políticas e de cooperação, desenvolvimento do livre comércio entre os blocos, liberalização comercial bilateral de forma gradual e recíproca, sem excluir nenhum setor e conforme as regras da OMC e o princípio do compromisso único. (BRASIL, 2010).
Em 2004 é firmado o Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica entre o Brasil e a UE que tem por objetivo desenvolver, incentivar e facilitar as atividades de cooperação nas áreas de interesse comum em que realizem ou apoiem atividades de investigação e desenvolvimento científico e tecnológico. (BUREAU BRASILEIRO PARA AMPLIAÇÃO DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL COM A UNIÃO EUROPEIA, 2010).
Brasil e UE têm estabelecido reuniões de cúpula para o diálogo e a discussão de assuntos pertinentes, tratativas, acordos e parcerias em diversos temas, visando aprofundar os vínculos entre os dois. Estas reuniões de cúpula são a
formalizações de uma recomendação da UE para o lançamento de uma parceria estratégica.
No ano de 2007, em Lisboa, Portugal, foi realizada a primeira Cúpula Brasil – UE, onde se estabeleceu uma parceria estratégica com fins de um maior aprofundamento dos laços históricos, culturais e econômicos já existentes. Os assuntos em foco nesta parceria incluem um multilateralismo efetivo, as alterações climáticas, energias sustentáveis, a luta contra a pobreza, o processo de integração do MERCOSUL e a estabilidade e prosperidade da América Latina. A segunda Cúpula Brasil – UE aconteceu no Rio de Janeiro em dezembro de 2008. Os representantes discutiram temas globais, situações regionais e o fortalecimento das relações entre os dois atores. Nesta reunião se estabeleceu, ainda, a conclusão do plano de ação conjunto entre os dois, que delineará as ações concretas dessa parceria estratégica nos próximos três anos. (BEZERRA, 2009).
A parceria estratégica firmada entre o Brasil e a UE na Cúpula do Rio intensifica as relações entre os dois, por meio de um diálogo político de alto nível e uma maior cooperação em diferentes áreas, elevando o estatus do Brasil junto a UE ao mesmo nível que esta concede aos EUA, ao Canadá, a China, a Índia, ao Japão e a Rússia, é o que afirma A. Landabaso, da Comissão Europeia no Brasil, em estudo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) sobre as relações entre o Brasil e a UE. (BRASIL, 2010).
A terceira Cúpula Brasil – UE aconteceu em Estocolmo, na Suécia, em 2009. Os líderes discutiram, novamente, temas globais, situações regionais e internacionais e o fortalecimento das relações entre o Brasil e a UE e, em maior medida, a implementação do plano de ação conjunto adotado pela segunda Cúpula no ano anterior. A IV Cúpula Brasil – UE realizou-se em julho de 2010 em Brasília. Os representantes parabenizaram-se pela intensificação das relações entre os dois e demostraram grande satisfação com a implementação positiva do plano de ação conjunto adotado na II Cúpula. Mantiveram ainda suas discussões sobre temas globais, relações bilaterais e cenários regionais. (BRASIL, 2010).
Até o inicio de 2010 podemos citar, ainda, o Sistema Geral de Preferências (SGP) do qual o Brasil se beneficia para as exportações. O SGP contempla os países em desenvolvimento, uma vez que permite que os mesmos tenham um acesso privilegiado aos mercados dos países desenvolvidos, em bases não recíprocas, para a exportação de suas mercadorias. Por meio do SGP,
mercadorias de países em desenvolvimento recebem tratamento tarifário preferencial, ou seja, a redução da tarifa alfandegária nos mercados dos países outorgantes como o caso da UE. (BRASIL, 2010).
O Brasil e a UE postulam também relações comerciais. De acordo com Kume (2004) entre os anos de 1985 e 1995 o Brasil mantinha um superávit nas exportações em comparação as importações advindas da UE e um constante crescimento das mesmas. Contudo o Brasil exportava principalmente produtos primários e seus derivados e importava predominantemente bens manufaturados e bens de capital. As exportações brasileiras para a UE pós 1995 continuaram crescendo, entretanto as importações provenientes da UE superavam as exportações a este mercado entre os anos de 1996 e 2000.
De acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), Direction
of Trade Statistics de 2010 em tabela formulada pela divisão de informação
comercial do Ministério das Relações Exteriores (MRE), entre os anos de 2005 e 2008 as exportações brasileiras para a UE mantiveram um constante crescimento, assim como as importações, que neste período foram superiores, estabelecendo, desta forma, um déficit na balança comercial para o Brasil em relação ao comércio exterior com a UE. No ano de 2009 constataram-se quedas acentuadas tanto nas exportações quanto nas importações, mantendo-se um déficit comercial na balança comercial brasileira. (BRASIL, 2010).
3.1.1 União Europeia e Brasil. Dados da imprensa
Na sequência, apresentam-se algumas informações relativas às tratativas, negociações e a aproximação para a cooperação entre a UE e o Brasil e entre a UE e o MERCOSUL, do qual o Brasil é signatário. Cabe esclarecer que as informações acerca de tais assuntos foram obtidas a partir de pesquisa realizada na base de dados do Jornal A Folha de São Paulo.
No ano de 1997 foram divulgadas informações sobre o interesse da UE em firmar acordos com o MERCOSUL. Acordos que iam muito além de negócios e comércio. A vontade era de tornar o MERCOSUL um ator no cenário mundial. A
estratégia oferecia uma cooperação política avançada, com mecanismos de consulta, em que se discutisse a agenda internacional e o modelo de sociedade com a participação dos agentes econômicos e sociais.
A segunda reunião de cúpula que teve como objetivo as negociações entre MERCOSUL e UE aconteceu em 2002, com a necessidade de se definir as políticas que seriam aplicadas. O MERCOSUL estava interessado em saber se seria apenas uma zona de livre comércio ou uma união aduaneira. Porém, nada se resolveu. Ficou acertado somente que as partes fortaleceriam e aprofundariam seu dialogo político, o que na prática significa encontros anuais de altos líderes.
No ano de 2004 o fórum Euro-Latino-Americano tinha como objetivo, aprofundar ideias e pontos de vista distintos de variadas experiências. Novamente a cooperação entre UE e MERCOSUL foi foco de discussões entre os presentes, no que dizia respeito a investimento, inovações e mutações sociais. Até esse ano o MERCOSUL havia rejeitado uma proposta da UE devido às baixas cotas de importação para produtos como a carne. Mas o fórum contribuiu para o avanço do acordo-quadro, quando na oportunidade puderam-se reunir diplomatas, políticos, empresários e trabalhadores em igualdade de condições.
Em 2004 houve a assinatura do acordo de cooperação cientifica entre o Brasil e a UE durante uma visita a Brasília do comissário de Relações Exteriores da União Europeia, Christopher Patten. Com o chanceler Celso Amorim assinou esse acordo e ainda outro de cooperação entre os dois.
No ano de 2007 a UE conferiu ao Brasil uma parceria estratégica privilegiada. Os dois deram, também, um passo adiante com a assinatura, durante a presidência portuguesa da UE, do Acordo de Associação Estratégica que se completou com o Plano de Ação Conjunta, no Rio de Janeiro, em 2008. Ainda nesse ano a UE buscava a retomada das negociações para assinatura de um acordo de associação com o MERCOSUL.
A parceria significa, além de outras coisas, a formação de um diálogo político melhor estruturado. Como também, um maior volume de reuniões de cúpula e, principalmente, uma maior cooperação na economia e nas questões culturais e globais.
No ano de 2010, em fevereiro, aconteceu a primeira reunião de diálogo político em nível ministerial. Levantando informações sobre a importância que o Brasil tomou frente aos outros países em desenvolvimento, e o interesse da UE no
diálogo com o país. A relação estreita entre o Brasil e a UE é conveniente para ambos, já que o Brasil tem demonstrado sua importância política no mundo. Participado de debates e sendo o interlocutor de assuntos importantes como, o meio ambiente, eficiência energética, governo econômico mundial, reforma das instituições financeiras, entre outros, que estão contribuindo para a construção e o futuro do mundo. Internamente, através de um bom governo nos últimos anos, o Brasil tem conseguido uma maior estabilidade política e um maior progresso econômico e social.
A UE se estabelece como um dos principais parceiros comerciais, o maior investidor no Brasil, o primeiro parceiro para os projetos de cooperação técnica e o lugar preferido pelos estudantes e cientistas brasileiros para ampliar os seus estudos.
3.2 ASPECTOS RELEVANTES DO ACORDO-QUADRO DE COOPERAÇÃO BRASIL – UE
Apresentam-se, na sequência, alguns aspectos julgados relevantes a esta monografia, sobre o que trata o Acordo-Quadro de Cooperação entre Brasil e UE. O acordo, em seus trinta e cinco artigos, aborda sobre diversos temas e áreas da cooperação entre os dois. Contudo, destacam-se na sequência, os artigos relevantes à cooperação em ciência e tecnologia que servem de base para a celebração, em 2004, do Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica entre os mesmos.
Em 28 de novembro de 1995 o Decreto 1.721 promulga o Acordo-Quadro de Cooperação entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Conselho das Comunidades Europeias, de 29 de junho de 1992.
Com base na União Europeia (2010), no Acordo-Quadro de Cooperação entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Conselho das Comunidades Europeias, destacam-se os seguintes pontos:
a) Artigo I e II: Respectivamente, o fundamento democrático da cooperação que esclarece que as disposições do presente acordo baseiam-se no respeito dos princípios democráticos e dos direitos do homem e em continuidade a cooperação, o segundo artigo aponta para o reforço da cooperação entre os dois atores para atingirem os seus objetivos.
b) Artigo III: Aborda o interesse e os objetivos econômicos das partes, onde as mesmas comprometem-se em desenvolver esta cooperação de forma ampla, objetivando especialmente, dentre outras medidas, fortalecer e diversificar os laços econômicos entre os dois, promover o desenvolvimento das trocas comerciais, fortalecer os fluxos de investimentos e as transferências de tecnologias, fomentar a cooperação entre operadores econômicos e proteger e melhorar o meio ambiente. Neste âmbito e dentre suas capacidades, os setores da indústria, informática, eletrônica, telecomunicações, serviços em geral, utilização dos recursos naturais, propriedade intelectual, dentre outros, serão abrangidos. Para a realização dos objetivos, as partes fortalecerão as seguintes atividades, intercambio permanente de informações, promoção de empresas comuns, visitas, contatos e atividades de promoção da cooperação, realização de seminários, estudos e relatórios sobre novas formas de cooperação, projetos de pesquisa e intercâmbio de cientistas.
c) Artigos VIII e IX: Tratam respectivamente sobre cooperação industrial, onde as partes favorecerão a expansão e a diversificação da base produtiva do Brasil nos setores industriais e dos serviços, orientando as suas ações de cooperação mais especificamente para as pequenas e médias empresas e investimentos, onde, as partes acordam em promover o crescimento de investimentos benéficos a ambos e estudar meios de desenvolver ações e mecanismos para esse tipo de investimento.
d) A Cooperação científica e tecnológica é abordada no décimo artigo, que explicita o comprometimento de ambos em fortalecer os laços científicos e tecnológicos entre os dois, fomentar o intercâmbio de pesquisadores, favorecer a transferência de tecnologia com benefício mútuo, desenvolver as relações entre os centros de pesquisa, incentivar a invenção e definir as relações de cooperação no domínio da ciência aplicada.
e) Artigo XII: Quanto ao desenvolvimento tecnológico e a propriedade intelectual o acordo trata sobre o propósito de promover uma colaboração efetiva entre as empresas das duas partes, para a transferência de tecnologia, concessão