Avaliação da Proposta de Despacho que aprova o Plano Global de Formação em SNC-AP 1
Proposta de Despacho que aprova o
Plano Global de Formação em SNC-AP
(Ofício UniLeo de 06.07.2017)
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A Unidade de Implementação da Lei de Enquadramento Orçamental (UniLEO) solicitou à Associação Nacional de Municípios Portugueses parecer sobre o projeto de despacho que aprova o plano global de formação em SNC-AP previsto no artigo 3.º da Portaria n.º 128/2017, de 5 de Abril.
Relativamente ao mesmo, a ANMP emite os comentários que se seguem:
1. ENQUADRAMENTO
Com a publicação do Decreto -Lei n.º 85/2016, de 21 de dezembro, a adoção do SNC -AP foi prorrogada por um ano, isto é, passou a ser apenas aplicável a partir de 1 de janeiro de 2018. No artigo 4.º do referido diploma legal ficou também definido que o governo apresentaria, através de portaria, um plano de ação para a disseminação e implementação gradual e consistente do SNC -AP durante o ano de 2017 junto das entidades às quais o mesmo é aplicável para que, dessa forma, se consiga garantir uma transição sem sobressaltos entre o atual plano de contas e o SNC-AP.
Assim, no dia 5 de Abril, foi publicado em Diário da República a portaria n.º 128/2017 que veio atribuir a responsabilidade supra referida à Unidade de Implementação da Lei de Enquadramento Orçamental (UniLeo). De acordo com o seu artigo 2.º a UniLeo ficou responsável por:
a) Implementar o Sistema Central de Contabilidade e Contas Públicas, garantindo a integração com os sistemas locais e outros sistemas de natureza central;
b) Implementar a Entidade Contabilística Estado;
c) Definir o novo modelo de prestação de contas das entidades públicas, sem prejuízo das competências próprias do Tribunal de Contas;
d) Definir o novo modelo da Conta Geral do Estado;
e) Definir os requisitos técnicos e funcionais para os sistemas de informação contabilística; f) Definir os requisitos técnicos e funcionais para a integração dos sistemas de informação contabilística utilizados pelas entidades públicas com o Sistema Central de Contabilidade e Contas Públicas;
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g) Certificar o cumprimento dos requisitos das diferentes aplicações informáticas que sirvam de suporte ao processo contabilístico e de prestação de contas das entidades públicas;
h) Participar no desenvolvimento do modelo de contabilidade pública no seio da Comissão de Normalização Contabilística;
i) Participar nos fóruns internacionais relativos à Contabilidade Pública;
j) Preparar instruções e manuais contabilísticos por áreas, ao nível do reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação;
k) Organizar e participar em ações de divulgação da reforma da contabilidade pública; l) Colaborar com o Tribunal de Contas no âmbito das suas atribuições;
m) Elaborar um plano de formação em articulação com as entidades públicas e ordens profissionais relevantes;
n) Coordenar a reforma ao nível das administrações públicas.
De acordo com o artigo 3.º da referida portaria “É aprovado por despacho do membro do Governo responsável pela área das finanças um plano global de formação, tendo em conta diferentes destinatários e respetivas necessidades de formação, em articulação com a entidade responsável pela formação profissional na Administração Pública, ordens profissionais e instituições do ensino superior.”
Convém ainda salientar que a aprovação deste plano global de formação nada tem a ver com o processo de regulamentação da formação inicial e subsequente que o “contabilista público” terá de ter (artigo 8.º do Decreto -Lei n.º 192/2015 - SNC-AP).
Avaliação da Proposta de Despacho que aprova o Plano Global de Formação em SNC-AP 4 2. OBSERVAÇÕES
2.1. Não colocando minimamente em causa a experiência formativa da Universidade Aberta,
no caso das Autarquias Locais, julgamos que seria extremamente importante garantir que os
formadores que venham a tomar parte deste projeto, não só sejam conhecedores, como tenham experiência das realidades e práticas autárquicas, ou seja, para que a formação em
apreço venha a ter os resultados pretendidos será fundamental assegurar a qualidade /
experiência prática dos formadores, isto é, não deverão ser apenas “acadêmicos”.
2.2. Tendo em consideração que a formação será ministrada em “regime de ensino à
distância online na Web (e-learning) com tutoria ativa e permanente…”, que será composta por
45 Módulos de Formação e que se pretende seja frequentada por todos os organismos públicos que irão aplicar o SNC-AP, julgamos que será determinante garantir um número mínimo de
formadores que permitam uma resposta, em tempo útil, às questões / interações que irão estabelecer-se entre formador – formandos. O sucesso de formações “à distância” depende em grande medida da qualidade do “apoio tutorial” que for disponibilizado aos formandos.
2.3. De acordo com o projeto de despacho os módulos serão “…disponibilizados
gradualmente em função da avaliação das necessidades de formação e do grau de complexidade dos temas..”.
Julgamos que deverá existir uma calendarização do início de cada módulo de formação, isto é, deverão existir datas limite para a disponibilização de cada um dos módulos de formação pois só dessa forma será possível responsabilizar todas as partes envolvidas neste processo.
Para além disso, somos de opinião que, dentro dos módulos que irão ser ministrados, há uns
que serão mais prementes que outros, portanto, na referida calendarização também este
aspeto deverá ser levado em consideração.
Por exemplo, todos os módulos que digam respeito ao relato ou à elaboração de relatórios de
gestão, numa primeira fase, não serão tão importantes pois só em 2019 quando estiverem a ser
encerradas as contas relativas a 2018 é que será imprescindível “dominar” estas temáticas. Ao inverso, será importante, no imediato, ter em conta que já está em curso a preparação do
Orçamento e Grandes Opções do Plano para 2018, a ser aprovado pelas Câmaras e
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2.4. De acordo com o atual projeto de despacho cada Entidade pode “…. inscrever em
função das suas necessidades, um máximo de seis formandos.”.
Por forma a garantir capacidade e qualidade de resposta poderá ter de haver, pelo menos numa primeira fase, algum limite ao número de inscrições. No entanto, julgamos que não deverá ser
um valor “igual para todos” pois há realidades bastante díspares. A título de exemplo, não
nos parece que faça muito sentido que a Câmara Municipal de Lisboa possa inscrever o mesmo n.º de formandos que o Município do Corvo.
Uma vez que a aplicação do SNC-AP abrange diversos serviços e sectores municipais, e
não apenas o serviço de contabilidade, o limite máximo de inscritos por município (6 pessoas) será frequentemente insuficiente para abranger todos os colaboradores que irão
necessitar desta formação.
Assim, propomos que o n.º limite de inscrições leve em consideração a “dimensão” da
respetiva Entidade (Ex: Por “Escalões”), eventualmente através do volume do orçamento gerido
em cada município.
2.5. Relativamente ao plano global de formação apresentado, será importante salientar que
apenas conhecemos os títulos dos módulos que se pretendem disponibilizar, não sabendo quais os conteúdos programáticos que se prevê virem a fazer parte dos mesmos, o que dificulta a análise exaustiva do plano apresentado.
A principal conclusão que retiramos da sua análise é que, em grande medida, o plano de formação proposto segue a estrutura do Decreto – Lei n.º 192/2015 (SNC-AP), isto é, a cada
Norma de Contabilidade Pública corresponderá um / vários módulo (s) de formação.
Esta forma de abordagem é em tudo idêntica à que tem vindo a ser seguida pelas diversas instituições que, no último ano e meio, têm dado formações sobre SNC-AP, nomeadamente, Universidades e Politécnicos e às quais, de uma maneira geral, todos os Municípios têm vindo a aderir.
Estando nós a menos de meio ano da entrada em vigor do SNC-AP e numa altura em que uma grande parte dos técnicos dos Municípios já tomaram contacto com o Decreto – Lei n.º 192/2015 e respetivas Normas de Contabilidade Pública, somos de opinião que, face ao pouco tempo disponível, será mais importante dar prioridade à disponibilização de módulos de formação
de cariz eminentemente prático, isto é, concentrar os recursos disponíveis no apoio especializado ao processo de transição entre planos de contas.
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Assim, a título de exemplo, julgamos que seria importante ter um módulo que versasse sobre o tema “Aplicação pela primeira vez do SNC-AP”, nomeadamente, que orientasse os técnicos sobre os trabalhos preparatórios que terão de ser desenvolvidos para que, a 1 de janeiro
de 2018, seja possível “arrancar” o ano com o novo plano de contas.
Em suma, o plano de formação deveria ter como ponto de partida o Manual de
implementação do SNC-AP de autoria da Comissão de Normalização Contabilística (CNC)
e não o próprio Decreto-Lei que instituiu o SNC-AP, ou seja, deverá ser dada prioridade à
disponibilização da informação que seja indispensável para o processo de transição entre planos de contas em detrimento de matérias cuja importância relativa será, neste momento,
bem menor (Ex: Módulo 16 - Efeitos de Alterações em Taxas de Câmbio).
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por último, gostaríamos de deixar uma nota para sublinhar que a ANMP reputa de enorme importância que se avance rapidamente para preparação das “…….. instruções e manuais
contabilísticos por áreas, ao nível do reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação” que, á luz da alínea j), do artigo 2.º, da portaria n.º 128/2017, é também uma das atribuições / responsabilidades da Unileo. Julgamos que estes manuais, por áreas, poderão
ser de extrema importância para garantir que a transição para o SNC-AP se desenrola sem
grandes sobressaltos.