Direitos Fundamentais
Luís Alberto
Em regra, a busca em veículo é equiparada à busca pessoal e não precisa de mandado judicial para a sua realização
A apreensão de documentos no interior de veículo automotor constitui uma espécie de "busca pessoal" e, portanto, não necessita de autorização judicial quando houver fundada suspeita de que em seu interior estão escondidos elementos necessários à elucidação dos fatos investigados. Exceção: será necessária autorização judicial quando o veículo é destinado à habitação do indivíduo, como no caso de trailers, cabines de caminhão, barcos, entre outros, quando, então, se inserem no conceito jurídico de domicílio. STF. 2ª Turma. RHC 117767/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 11/10/2016 (Info 843).
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O crime de invasão de domicilio tutela a incolumidade do lar e não o patrimônio, sendo aquela configurada pela sensação de paz e tranquilidade dos habitantes. Desta feita é essencial a presença humana no local, sujeito o ambiente a perturbações alheias.
Violação de domicílio
Art. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências:
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Assinale se contempla ou não uma hipótese de violação de domicílio.
Acácio, andarilho, entra em um apartamento de propriedade de Nestor, o qual se encontra vazio e destinado à locação. Embora sua intenção inicial fosse apenas pernoitar no imóvel, Acácio decide fazer do local sua nova moradia.
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
A Constituição assegura, entre os direitos e garantias individuais, a inviolabilidade do domicílio, afirmando que “a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem o consentimento do morador” (art. 5º, XI, CRFB).
A esse respeito, assinale a alternativa correta.
a) O conceito de “casa” é abrangente e inclui quarto de hotel.
b) O conceito de casa é abrangente, mas não inclui escritório de advocacia.
c) A prisão em flagrante durante o dia é um limite a essa garantia, mas apenas quando houver mandado judicial.
d) A prisão em quarto de hotel obedecendo a mandado judicial pode se dar no período noturno.
REQUISITOS PARA ENTRAR NA CASA
A QUALQUER HORA DETERMINAÇÃO JUDICIAL
Regra: consentimento dos moradores Somente durante o dia* Exceções:
Flagrante delito* Desastre
Prestação de socorro
* Apesar de não ser pacífico, o flagrante delito como exceção para penetrar no domicílio só será válido se este ocorrer no seu interior.
CLÁUSULA DE RESERVA JURISDICIONAL
Exceção: hipóteses em que a execução da diligência durante o dia mostrar-se, de plano, absolutamente despida de qualquer efetividade.
CPP Art. 245. As buscas domiciliares serão executadas de
dia, salvo se o morador consentir que se realizem à noite, e, antes de penetrarem na casa, os executores mostrarão e lerão o mandado ao morador, ou a quem o represente, intimando-o, em seguida, a abrir a porta.
(Inviolabilidade de domicílio e flagrante
delito)
STJ. 6ª Turma. REsp 1574681-RS, Rel. Min. Rogério
Schietti Cruz, julgado em 20/4/2017 (Info 606).
Mera intuição de que está havendo tráfico de drogas na casa não autoriza o ingresso sem mandado judicial ou consentimento do morador O ingresso regular da polícia no domicílio, sem autorização judicial, em caso de flagrante delito, para que seja válido, necessita que haja fundadas razões (justa causa) que sinalizem a ocorrência de crime no interior da residência. A mera intuição acerca de eventual traficância praticada pelo agente, embora pudesse autorizar abordagem policial, em via pública, para averiguação, não configura, por si só, justa causa a autorizar o ingresso em seu domicílio, sem o seu consentimento e sem determinação judicial.
STF. Plenário. RE 603616/RO, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 4 e 5/11/2015 (repercussão
geral) (Info 806).
A entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas “a posteriori”, que
indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente
(EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO)
46) Sinval, agente de polícia, tomou conhecimento, por meio de um informante, que João, traficante, detinha no interior de sua residência, em depósito, grande quantidade de cocaína para ser comercializada no município. Sem mandado de busca e permissão dos moradores, Sinval adentrou na residência e apreendeu dez quilos de cocaína, acondicionada em pequenos sacos, efetuando a prisão em flagrante de João. Nessa situação, a apreensão da droga e a prisão de João foram lícitas, uma vez que a diligência prescindia de mandado judicial.
(EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO)
47) Considere a seguinte situação: Suzana é Agente de Polícia Federal e comanda uma equipe organizada para investigar e, eventualmente prender, em flagrante, Antonio, um importante servidor público federal, suspeito de exigir propina. Com base em escuta autorizada judicialmente, e com a colaboração de Sandro, empresário vítima das exigências ilegais de Antonio, a equipe acompanha o empresário a uma reunião marcada por Antonio na casa deste, no período da noite. Logo após a chegada de Sandro,
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Antonio anuncia que, se aquele não lhe pagar a quantia de R$ 5.000,00, será impedido de participar de licitações na Administração Pública Federal pelo prazo de dois anos. Nesse momento, em que se consumou o crime de concussão, a equipe invadiu a casa de Antonio e o prendeu em estado de flagrância, embora fosse noite. É correto afirmar que, na situação apresentada, a equipe agiu corretamente.
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
48) Caso um escritório de advocacia seja invadido, durante a noite, por policiais, para nele se instalar escutas ambientais, ordenadas pela justiça, já que o advogado que ali trabalha estaria envolvido em organização criminosa, a prova obtida será ilícita, já que a referida diligência não foi feita durante o dia.
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
É ilegal, por violação ao domicílio, a prova obtida por
meio de escuta ambiental e exploração de local, em
escritório de advocacia, realizada no período noturno,
mesmo com ordem judicial.
Lei nº 13.301/2016
prevê o
ingresso forçado em imóveis
para eliminar criadouros do
mosquito Aedes aegyptie*
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* Mosquito transmissor do Vírus da Dengue, do Vírus Chikungunya e do Zika Vírus.
2 Proteção da saúde pública Liberdade individual dos moradores
2 CF/88, art. 5º , XI + CP, art. 150 Lei nº 13.301/2016
IMPASSE
2 Hipótes es de ingress o força do
"IMÓVEL ABANDONADO"
“RECUSA”
"AUSÊNCIA DO MORADOR"
2
Lei n. 13.301/16
§ 1º Entre as medidas que podem ser determinadas e executadas para a contenção das doenças causadas pelos vírus de que trata o art. 1º, destacam-se:
III - o ingresso forçado em imóveis públicos e particulares, no caso de situação de abandono ou de ausência de pessoa que possa permitir o acesso de agente público, regularmente designado e identificado, quando se mostre essencial para a contenção das doenças.
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IMÓVEL ABANDONADO AUSÊNCIA DO MORADOR
Constatação de ausência prolongada de sua utilização.
1) Características físicas do imóvel (exs: janelas quebradas, telhas faltando);
2) Sinais de inexistência de conservação (ex: mato que cresceu dentro da propriedade);
3) Relato de moradores da área ou por outros indícios que evidenciem a sua não utilização.
O agente público* deve ter visitado
duas vezes o imóvel, em dias e
períodos alternados, dentro do intervalo de dez dias.
*Deverá deixar no local uma notificação a fim de que o morador saiba que uma equipe de combate ao mosquito esteve lá e que irá retornar no outro dia.
O ingresso do agente público,
sem
o
consentimento
do
morador, gera responsabilidade
pelo
crime
de
violação
de
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1ª CORRENTE
(doutrina tradicional)
2ª CORRENTE
(doutrina mais moderna)
Estrito cumprimento de dever legal (art. 23 do CP)
Teoria da imputação objetiva.
* O agente não criou risco proibido.
Autorização
para
ingresso
forçado pode ser utilizada para
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Lei n. 13.301/16
Art. 4º A medida prevista no inciso IV do § 1º do art. 1º aplica-se
sempre que se verificar a existência de outras doenças com potencial de proliferação ou de disseminação ou agravos que representem grave risco ou ameaça à saúde pública, condicionada à declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional - ESPIN.