Tribunal de Justiça de Minas Gerais
1.0145.13.064303-7/001
Número do Númeração
0643037-Des.(a) Armando Freire Relator:
Des.(a) Armando Freire Relator do Acordão:
06/03/2018 Data do Julgamento:
16/03/2018 Data da Publicação:
EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. REMESSA NECESSÁRIA. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA. SERVIDOR PÚBLICO EFETIVO. AGENTE DE SEGURANÇA PENITENCIÁRIO. ADICIONAL NOTURNO. REGIME DE REVEZAMENTO. LEI ESTADUAL Nº. 10.745/92. ART. 7º, IX, C/C ART. 39, §3º, AMBOS DA CR/88. NORMAS DE EFICÁCIA PLENA E APLICABILIDADE IMEDIATA. PARCELA DEVIDA. CORREÇÃO MONETÁRIA DE ACORDO COM A TABELA DA CGJ/MG. ALTERAÇÃO PARCIAL. APLICAÇÃO NOS MOLDES DO ART. 1º-F DA LEI Nº. 9.494/1997, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº. 11.960/2009. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA EM REMESSA NECESSÁRIA. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.
O art. 7º, IX da Constituição da República, aplicável aos servidores públicos estatutários por força do art. 39, §3º, também da CR/88, assegura a remuneração do trabalho noturno superior ao diurno. Assim, restando demonstrado nos autos o labor exercido no período compreendido entre 22:00 horas de um dia e 05:00 horas do dia seguinte, ainda que em regime de revezamento, faz jus o autor ao recebimento de adicional noturno.
Para fins de cálculo dos juros de mora e da correção monetária, deverá ser observada a norma do art. 1º-F da Lei n.º 9.494/97, com a redação conferida pela Lei nº. 11.960/09. Somente em período anterior a 29/06/2009 é que a correção monetária se dará pelos índices da Corregedoria Geral de Justiça de Minas Gerais.
AP CÍVEL/REM NECESSÁRIA Nº 1.0145.13.064303-7/001 - COMARCA DE JUIZ DE FORA - REMETENTE: JUIZ DE DIREITO DA VARA DA FAZENDA PÚBLICA E AUTARQUIAS ESTADUAIS DA COMARCA DE JUIZ
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DE FORA - APELANTE(S): ESTADO DE MINAS GERAIS - APELADO(A)(S): CLEVISON ARAÚJO SILVA
A C Ó R D Ã O
Vistos etc., acorda, em Turma, a 1ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos, em <REFORMAR PARCIALMENTE A SENTENÇA, EM REMESSA NECESSÁRIA, E DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO>. DES. ARMANDO FREIRE
RELATOR.
DES. ARMANDO FREIRE (RELATOR)
V O T O
Trata-se de remessa necessária e recurso de apelação aviado contra a r. sentença de f. 157/160-verso que, nos autos da ação de cobrança para adicional noturno, pelo procedimento ordinário, ajuizada por CLEVISON ARAUJO SILVA em face do ESTADO DE MINAS GERAIS, julgou procedente o pedido inicial, condenando o réu ao pagamento de adicional noturno no importe de 20% (vinte por cento) sobre o valor normal da hora de trabalho em razão do serviço efetivamente prestado pelo autor em horário compreendido entre as 22 (vinte e duas) horas de um dia e as 05 (cinco) horas do dia seguinte, bem como seus devidos reflexos no valor relativo aos 13º salários, férias e 1/3, observada a prescrição quinquenal. Determinou ainda que a correção monetária incidirá desde o momento em que os pagamentos eram devidos, adotando-se a tabela da
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Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais e de juros de mora no importe de 0,5% ao mês, nos termos da Lei nº. 11.960/2009.
Nas razões de f. 162/166, o ESTADO DE MINAS GERAIS alega que não é devido o adicional noturno ao autor, já que o referido acréscimo remuneratório não possui previsão em legislação específica. Em seguida, afirma que a remuneração do cargo de agente penitenciário já abrange as hipóteses de trabalho em condições especiais, como o plantão noturno, pois seu regime especial de trabalho possui regramento próprio em lei. Sustenta que carece de regulamentação específica o artigo 12 da Lei Estadual nº. 10.745/1992, no que concerne aos agentes de segurança penitenciário, o que impossibilita a concessão do adicional noturno por parte da Administração Pública. Assinala que os encargos moratórios devem ser aplicados conforme o disposto no art. 1º-F da Lei nº. 9.494/97, até 25/03/2015, a partir de quando se deve observar o IPCA-E. Defende, com tais argumentos, que deve ser reformada a sentença. Ao final, requer o provimento do apelo.
A parte apelada ofereceu suas contrarrazões às f. 168/176. Este, contendo o essencial, é o relatório.
Conheço da remessa necessária, por se tratar de sentença ilíquida.
Recebo e conheço do recurso interposto, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade.
Passo à decisão.
REMESSA NECESSÁRIA
CLEVISON ARAUJO SILVA, servidor público efetivo, ocupante do cargo de agente de segurança penitenciário (f. 12 e 13), ajuizou a presente ação de cobrança em face do ESTADO DE MINAS GERAIS,
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visando à condenação do réu ao pagamento de adicional noturno, em razão do trabalho exercido entre as 22:00 horas e as 05:00 horas, incluído o pagamento das diferenças, observada a prescrição quinquenal.
Na sentença de f. 157/160-verso, conforme já demonstrado, o d. Magistrado de origem julgou procedente o pleito inaugural.
Analisando detidamente os autos, tenho que a r. sentença merece reparos tão somente quanto à correção monetária.
Inicialmente, saliento que o direito ao recebimento de remuneração do trabalho noturno superior à do diurno, na forma do art. 7º, inciso IX, da CR/88, foi estendido aos servidores públicos estatutários, por força da norma contida no art. 39, §3º, da Carta Constitucional, a saber:
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
[...]
IX - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno; Art. 39. [...]
§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando a natureza do cargo o exigir.
A Constituição do Estado de Minas Gerais também assegurou esse direito, conforme se extrai de seu art. 31, in verbis:
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Art. 31 - O Estado assegurará ao servidor público civil da Administração Pública direta, autárquica e fundacional os direitos previstos no art. 7º, incisos IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, da Constituição da República e os que, nos termos da lei, visem à melhoria de sua condição social e da produtividade e da eficiência no serviço público, em especial o prêmio por produtividade e o adicional de desempenho.
Pelo que se vê, sob o enfoque constitucional, resta indiscutível o direito dos servidores públicos ao recebimento do adicional noturno.
Frisa-se que os dispositivos constitucionais em questão possuem aplicabilidade imediata, o que afasta o argumento utilizado pelo recorrente de que é necessária legislação específica que regulamente o direito ao recebimento do mencionado adicional.
Ainda que a Constituição Federal tenha atribuído competência a cada ente federativo para fixação de regras e critérios próprios para seus servidores, não é dado, ao Estado, desrespeitar as normas constitucionais que regem os servidores públicos em geral.
No âmbito do Estado de Minas Gerais, a Lei nº. 10.745/92, que dispõe sobre o reajustamento dos símbolos, dos níveis de vencimento e dos proventos do pessoal civil e militar do Poder Executivo, oferece previsão com plenas condições de aplicabilidade:
Art. 12 - O serviço noturno, prestado em horário compreendido entre as 22 (vinte e duas) horas de um dia e as 5 (cinco) horas do dia seguinte, será remunerado com o valor-hora normal de trabalho acrescido de 20% (vinte por cento), nos termos de regulamento.
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Nesse contexto, constata-se que os servidores civis do Estado de Minas Gerais que laborarem no período compreendido entre as 22 (vinte e duas) horas de um dia e as 5 (cinco) horas do dia seguinte fazem jus à percepção do adicional noturno, sob a alíquota de 20% (vinte por cento), conforme previsão em nosso ordenamento jurídico.
Não há, portanto, como indeferir o pleito do autor, uma vez que se trata de direito amparado pela legislação ordinária estadual, na Constituição Estadual e na Constituição Federal, sendo norma de eficácia plena e aplicabilidade imediata.
Assim sendo, entendo ser devido o reconhecimento do direito do postulante, na condição de servidor público estadual (agente de segurança penitenciário efetivo - f. 12 e 13), ao recebimento de adicional noturno, conforme previsto no art. 12 da Lei Estadual nº. 10.745/1992, mormente a se considerar que, in casu, restou fartamente comprovado o exercício da função no horário compreendido entre 22:00 horas de um dia e 05:00 horas do dia seguinte (f. 43/151).
Cumpre registrar, por oportuno, que o labor exercido em regime de plantão ou revezamento não afasta o direito do servidor ao recebimento da verba pleiteada. O STF tem entendimento consolidado exatamente nesse sentido, através de sua súmula nº. 213, a qual prevê que "é devido o adicional de serviço noturno, ainda que sujeito o empregado ao regime de revezamento".
Sobre o tema, a jurisprudência deste eg. Tribunal de Justiça tem o mesmo posicionamento:
EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO ORDINÁRIA - SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL AGENTE PENITENCIÁRIO ADICIONAL NOTURNO
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REGIME DE PLANTÃO DIREITO À PERCEPÇÃO RECONHECIMENTO P R O V A P R E S U N Ç Ã O D E V E R A C I D A D E E L E G I T I M I D A D E QUANTIFICAÇÃO DAS HORAS TRABALHADAS FASE DE LIQUIDAÇÃO -P O S S I B I L I D A D E - R E C U R S O -P R O V I D O - -P E D I D O I N I C I A L PARCIALMENTE PROCEDENTE. 1- Comprovado o exercício da função após as 22:00 horas, por escalas de plantão, é devido ao autor, ocupante do cargo efetivo de Agente de Segurança Penitenciário, o adicional noturno, nos termos do art. 12 da Lei Estadual 10.745/92, sendo esse direito garantido pelo artigo 39, parágrafo 3º, c/c o artigo 7º, inciso IX, ambos da Constituição Federal. 2- Havendo prova clara produzida pelo autor e fornecida pela Diretoria Geral do Presídio, de que ocorreu trabalho em horário noturno e em regime de plantão, a quantificação precisa das horas trabalhadas pode ser remetida à liquidação do julgado. 3- Tratando-se o adicional noturno de parcela tipicamente remuneratória, deve incidir sobre o décimo terceiro salário, férias anuais e terço constitucional, uma vez que o adicional compõe a remuneração que é paga habitualmente ao servidor. 4- Recurso provido, pedido inicial parcialmente procedente. (TJMG - Apelação Cível 1.0024.14.050854-0/001, Relator(a): Des.(a) Hilda Teixeira da Costa , 2ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 05/12/0017, publicação da súmula em 13/12/2017)
EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA -AGENTE DE SEGURANÇA PENITENCIÁRIO - SERVIDOR ESTADUAL EFETIVO - ADICIONAL NOTURNO - PROCEDÊNCIA - ART. 39, § 3º, DA CR/88 - SENTENÇA MANTIDA.
-Comprovado o exercício da atividade laboral no período noturno, compreendido entre as 22 (vinte e duas) horas de um dia e as 5 (cinco) horas do dia seguinte, configura-se devido o pagamento do adicional noturno, com seus devidos reflexos remuneratórios. (TJMG - Apelação Cível 1.0384.15.002748-8/001, Relator(a): Des.(a) Luís Carlos Gambogi , 5ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 23/11/0017, publicação da súmula em 05/12/2017)
EMENTA: REEXAME NECESSÁRIO - APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO ORDINÁRIA DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO
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S E R V I D O R P Ú B L I C O E S T A D U A L - A G E N T E D E S E G U R A N Ç A PENITENCIÁRIO - ADICIONAL NOTURNO - VALORES DEVIDOS - PROVA D O E F E T I V O L A B O R N O T U R N O - V E R B A R E C E B I D A C O M HABITUALIDADE - REFLEXO NAS FÉRIAS E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO - CABIMENTO - IRDR Nº 1.0000.16.032832-4/000.
- Comprovado o exercício das atividades funcionais no período entre as 22:00h de um dia e as 5:00h do dia seguinte, o servidor/agente de segurança socioeducativo faz jus ao recebimento de adicional por trabalho noturno, nos termos do art.12 da Lei Estadual 10.745/92, que independe de qualquer regulamentação.
- A vantagem não indenizatória recebida com habitualidade integra o conceito de remuneração para fim de incidir reflexos na base de cálculo do décimo terceiro salário e das férias, conforme assentado pela 1ª Seção Cível deste Tribunal no julgamento do Incidente de Resolução de Demandas Repetitiva nº 1.0000.16.032832-4/000.
- Nas hipóteses em que o servidor laborou com habitualidade em horário noturno, o adicional previsto no art. 12 da Lei Estadual nº 10.745/92 deve ser incluído na base de cálculo do décimo terceiro e das férias. (TJMG - Ap Cível/Rem Necessária 1.0145.13.033805-9/001, Relator(a): Des.(a) Ana Paula Caixeta , 4ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 23/11/0017, publicação da súmula em 28/11/2017)
Dessa forma, conclui-se que não há que se falar em não aplicação das regras gerais da Lei Estadual nº. 10.745/1992, na justificativa de que o regime especial de plantão do recorrido possuía regras próprias definidas na Lei nº. 14.695/2003.
Por tais razões, vejo que agiu com acerto o i. Juízo primevo ao julgar procedente o pedido exordial.
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Juros de Mora e Correção Monetária
No que tange à correção monetária, uma pequena alteração a ser feita. Em relação ao período anterior a 29/06/2009, a correção monetária deverá ser aplicada de acordo com a tabela da CGJ/MG.
A partir de 29/06/2009, em sintonia com o disposto no art. 1º-F da Lei nº. 9.494/97, deverão ser utilizados, para o cálculo da correção monetária, os índices oficiais de remuneração básica, ou seja, aqueles obtidos pela Taxa Referencial - TR, ou outro índice que venha a ser indicado pelo Supremo Tribunal Federal, no bojo do Recurso Extraordinário nº. 870.947/SE, calculada desde o vencimento de cada parcela; cumprindo salientar que tal alteração se limita ao trânsito em julgado deste feito, de modo que, após a consolidação da coisa em julgada, o índice de correção monetária não poderá ser modificado, em manifesto respeito à norma processual de regência.
Quanto aos juros de mora, mantenho a forma que restou definida em sentença, vez que deverão ser aplicados também nos moldes do art. 1º-F da Lei nº. 9.494/97, com a redação dada pela Lei n°. 11.960/09, incidindo a partir da citação.
CONCLUSÃO
Mediante tais fundamentos, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso e REFORMO PARCIALMENTE a sentença, em remessa necessária, apenas para determinar que a correção monetária seja aplicada nos termos acima expostos.
Custas e honorários advocatícios recursais, que fixo em R$ 200,00 (duzentos reais), a cargo do apelante, isento quanto ao pagamento de
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custas.
É como voto.
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DES. ALBERTO VILAS BOAS - De acordo com o(a) Relator(a).
DES. BITENCOURT MARCONDES - De acordo com o(a) Relator(a).
SÚMULA: "REFORMARAM PARCIALMENTE A SENTENÇA, EM R E M E S S A N E C E S S Á R I A . D E R A M P A R C I A L P R O V I M E N T O A O R E C U R S O "