Mutações gênicas e Reparo
do DNA
Prof
aRenata Canalle
Universidade Federal do Piauí
Campus Ministro Reis Velloso – ParnaíbaCurso Biomedicina
Mutações
Conceito
• Alterações permanentes e herdáveis (de célula para célula ou de indivíduo
para indivíduo) no material genético
MUDAN
MUDANÇÇA DA FUNA DA FUNÇÇÃO DO ÃO DO PRODUTO GÊNICO (GANHO)
PRODUTO GÊNICO (GANHO) PERDA DA FUNÇPERDA DA FUNPRODUTO GÊNICOPRODUTO GÊNICOÇÃO DO ÃO DO
Mutações: tipos
Tipos diferentes de mutação
Mutações gênicas ou de ponto – alteração de uma ou poucas bases; alteram a função
de um gene isolado •Adição - inserção •Perda – deleção •Inversão
•Substituição de bases: transição e transversão
Mutações cromossômicas - envolvem alterações de grandes trechos de DNA
Numéricas: Variações do número de cromossomos – aneuploidias
Variações de número de conjuntos de cromossomos – poliploidia Estruturais: alterações na estrutura do cromossomo
aberrações ou anomalias cromossômicas
Mutações
Mutações cromossômicas - envolvem alterações de grandes trechos de DNA
Estruturais: alterações na estrutura do cromossomo
A
B
C
D
A
C
B
D
A
C
D
A
B
C
D
C
A
F
G
H
E
B
C
D
Mutações gênicas ou de ponto
•Transição: purina purina ou pirimidina pirimidina
ATGACTGTAGTCTGTGCCTGTTACGACCCATGGAC seqüência selvagem ATGACTGTAGTCTGTGCCTGTTACGACCCACGGAC seqüência mutada •Transversão: purina pirimidina ou vice-e-versa
ATGACTGTAGTCTGTGCCTGTTACGACCCATGGAC seqüência selvagem
ATGACTGTAGTCGGTGCCTGTTACGACCCTTGGAC seqüência mutada •Inserção
ATGACTGTAGTCTGTGCCTGTTACGACCCATGGAC seqüência selvagem ATGACTGTAGTCTGTTGCCTGTTACGACCCATGGAC seqüência mutada •Deleção
ATGACTGTAGTCTGTGCCTGTTACGACCCATGGAC seqüência selvagem ATGACTGTAGTCTGGCCTGTTACGACCCATGGAC seqüência mutada •Inversão
ATGACTGTAGTCTGTGCCTGTTACGACCCATGGAC seqüência selvagem ATGACTGTAGTCTGGTCCTGTTACGACCCATGGAC seqüência mutada
A G
T C
A
C
G
T
Mutações gênicas ou de ponto: significado
Mutações em um gene quanto ao significado (efeito)
Mutação silenciosa (sinônima)
MEU
TIO
NÃO
TEM
CÃO
MEU
TIO
NÃO
TEMC
ÃO
MEU
TIO
NÃO
TEMK
ÃO
Sinônima
Mudança na terceira posição do códon – altera o códon, mas não o aa
Mutações: significado
Mutações em um gene
Mutação silenciosa (sinônima)
Mutação de sentido trocado (missense): quando a substituição de base ocasiona a troca de um aminoácido
A maioria das mutações de ponto na primeira ou segunda posição alteram o aa.
Anemia falciforme ÁCIDO GLUTÂMICO G A A G A G VALINA G U A G U G proteína defeituosa – hemoglobina S
Mutações diretas Mutações reversas Mutações neutras
Mutações: significado
Mutações em um gene
Mutação silenciosa (sinônima)
Mutação de sentido trocado (missense)
Mutação sem sentido (nonsense): quando a substituição troca um códon especificador de aa por um códon finalizador (de parada); finaliza prematuramente a síntese protéica; sem atividade biológica normal
MEU
TIO
NÃO
TEM
CÃO
MEU
TIO
NÃO
TEM*
ÃO
Mutações: significado
Mutação sem sentido (nonsense): quando a substituição troca um códon especificador de aa por um códon finalizador (de parada); finaliza prematuramente a síntese protéica; sem atividade biológica normal
Mutações: significado
Mudança de matriz de leitura
(frameshift)
M
A
E
UTI
ONÃ
OTE
MCÃ
O
A
MEU
TIN
ÃOT
EMC
ÃO
O
Inserção de base
Deleção de base
Mutações em um gene
Mutação silenciosa (sinônima)
Mutação de sentido trocado (missense) Mutação sem sentido (nonsense)
Mudança de matriz de leitura (frameshift): inserção e deleção alteram toda a leitura do código genético (trincas); proteína perde a função completamente
Mutações: significado
Mutações em um gene
Mudança de matriz de leitura (frameshift): inserção e deleção alteram toda a leitura do código genético (trincas); proteína perde a função completamente
Mutações: somáticas X germinativas ou gaméticas
MUTA
MUTAÇ
ÇÃO
ÃO
EM C
EM CÉÉLULAS REPRODUTIVAS LULAS REPRODUTIVAS (
(ÓÓVULOS OU ESPERMATOZVULOS OU ESPERMATOZÓÓIDE)IDE)
DOEN
DOENÇÇAS CARDAS CARDÍÍACASACAS OUTRAS ENFERMIDADES OUTRAS ENFERMIDADES MORTE CELULAR MORTE CELULAR CÂNCER CÂNCER ENVELHECIMENTO ENVELHECIMENTO DEFEITOS AO NASCIMENTO DEFEITOS AO NASCIMENTO DOEN
DOENÇÇAS GENAS GENÉÉTICAS, ABORTOTICAS, ABORTO
diminui
diminuiçção da fertilidadeão da fertilidade
EM C
EM CÉÉLULAS NÃO REPRODUTIVAS LULAS NÃO REPRODUTIVAS
(C
(CÉÉLULAS SOMLULAS SOMÁÁTICAS TICAS ––PELE OU ORGÃOS )PELE OU ORGÃOS )
Podem ser transmitidas à prole Não são transmitidas à prole ZIGOTO, EMBRIÃO,
Mutações: etiologia
•
Espontâneas
(sem causa conhecida)- lesões espontâneas
- erros de replicação (
fonte de variabilidade
– evolução)
- taxa de mutação humana: 1 a cada 10
5a 10
6cópias/locus/geração
- Acondroplasia
•
Induzidas
(quando ocorrem em freqüência aumentada pela ação de mutagênicos)- exposição a fatores ambientais
agentes físicos: radiações ionizantes, radiações ultravioleta
agentes químico: carcinógenos químicos
Mutações espontâneas
a) Espontânea: por erros na duplicação
Tautômeros (formas diferentes das bases):
isômeros que diferem nas posições de seus átomos e nas ligações entre os átomos
Formas amino e ceto : mais comum
Formas imino e enol : raras; mal pareamento
mudança do ponto de ligação de um átomo de
hidrogênio (H)
isômeros: mesma composição e propriedades diferentes
Mutações espontâneas
Adenina Timina
Guanina Citosina
a) Espontânea: por erros na duplicação
Forma imino rara de citosina Forma rara da Timina (enol) Forma rara da A (imino) Forma rara da G (enol)
Tautômeros (formas diferentes das bases):
isômeros que diferem nas posições de seus átomos e nas ligações entre os átomos
Formas amino e ceto : mais comum
Mutações espontâneas
Mutações espontâneas
a) Espontânea: Lesões espontâneas
Depurinação espontânea do DNA
Interrupção da ligação glicosídica
Perda da guanina
uma célula de mamífero:
perde espontaneamente cerca de 10.000 purinas do DNA (período de geração
Pareia-se
com A
Oxidação de bases
Desaminação espontânea da citosina e 5-metilcitosina
Perda do radical NH
2Espécies reativas de oxigênio (O2-,
H2O2, OH-) podem ser geradas
pelo próprio metabolismo
C-G U(T)-A C-G T-A Substituição do pb
Mutações espontâneas
transição transição G→T transversãocitosina metilada (ilhas CpG) “hot-spot” para mutações
Mutágenos
: agentes físicos ou químicos que podem induzir
mutações no DNA
Mecanismos de indução de mutações :
•Troca de bases
•Alteração de bases (que se pareará erroneamente com outra)
•Danificação de bases (não ocorre pareamento)
•Intercalação entre os nucleotídeos (inserções ou deleções)
Origem das mutações induzidas
Mutágenos químicos podem ser divididos em 2 grupos
Os que causam dano tanto ao DNA replicante quanto ao não-replicante
Os que só danificam o DNA durante a replicação
•Ácido nitroso
• Corantes de acridina (intercalantes)
• Análogos de bases (5-bromouracila e 2-aminopurina)
Mutações induzidas por substâncias químicas
a) Incorporação de análogos de bases
Análogos de bases : suficientemente semelhantes a base normal para
serem incorporados no DNA, mas com propriedades diferentes
5-bromouracil
análogo da timina forma enólica forma cetoA – T
muda para
G – C
(transição)
Replicação seguinte
Derivada da timina: grupamento metila substituído por bromina (-Br)G:C
A:T
ou
b) Modificação das bases
Alguns mutágenos modificam as bases no DNA, de modo que estas irão se
parear erroneamente. Ex. :
agentes alquilantes
(EMS, MMS), ácido nitroso
Etil-metano-sulfonato
Metil-metano-sulfonato
Ácido nitroso (HNO
2)
Pareia com C
Pareia com G
adição de grupo etila Transições A:T G:C G:C A:TMetilação da Guanina na replicação
c) Agentes intercalantes
Moléculas planares que mimetizam pares de bases podem se intercalar na
dupla hélice; Ex.: corante acridina orange; brometo de etídio, proflavina
Durante a replicação do DNA ocorre
distorção da hélice e mudanças na matriz
de leitura – adição ou deleção de bases
d) Agentes físicos : luz ultravioleta (UV) e radiação ionizante
UV
Dímeros de pirimidina Favorecem a inserção de bases erradas, deformam o DNA G C A T C G A T T A G C A T C G G C A T A T T A T A T A T A p+e-Efeito direto
H2O HO-Efeito indireto
p+e-Radiação ionizante
Quebras Oxidação de bases, erro no pareamento•Menos energéticas, comprimento de onda maior •Principal efeito mutagênico: formação de ligações entre duas moléculas adjacentes de timina
•Mutações pontuais (somáticas); câncer de pele •Xeroderma pigmentoso: defeito no mecanismo de reparo por excisão de nucleotídeos (falta de endonuclease)
Fotodímero ciclobutano
•Radiações de alta energia: raios X, gama, raios cósmicos, partículas emitidas por elementos radioativos (rochas)
Liberação de elétrons
•Dose de 300-500 rads corpo inteiro: fatal
•Dose – efeito cumulativo no organismo; gametas; cromossomos mais sensíveis (defeito estrutural); leucemias, câncer tireóide
•Exposição ocupacional: gônadas não exceda 50r até os 30 anos
d) Agentes físicos : luz ultravioleta (UV) e radiação ionizante
UV
Dímeros de pirimidina Favorecem a inserção de bases erradas, deformam o DNA Fotodímero ciclobutanod) Agentes físicos : luz ultravioleta (UV) e radiação ionizante
Xeroderma pigmentoso: defeito no mecanismo de reparo por excisão de
nucleotídeos (falta de endonuclease que remove os dímeros de timina)
Efeitos fenotípicos da doença hereditária xeroderma pigmentoso. Pessoas com esta doença maligna desenvolvem amplos tumores de pele após exposição ao sol: a luz UV promove o aparecimento anormal de mortes celulares e aumento de câncer de pele
Expansão de repetições de trinucleotídeos
Expansão de repetições de trinucleotídeos
Repetições de nucleotídeos podem causar erros na replicação do DNA
(CGG no sítio FRAXA cromossomo X – síndrome do X frágil)
FONTES DE MUTÁGENOS PARA O HOMEM
Endógeno Radicais livres de oxigênio
Ocupacional Compostos petroquímicos, raios X (radiologia médica)
Dieta Cozimento de alimentos - aminas heterocíclicas
Conservantes, Contaminantes – aflatoxina (amendoins/fungo)
Estilo de vida Tabaco, Sol (luz UV)
Medicamento Antineoplásicos
Radiação Raios X, radioterapia, testes nucleares, radioisótopos (iodo 131) para localização de tumores da tireóide
Poluição Efluentes industriais, gases de veículos, agrotóxicos
Biológico Infecção crônica por vírus, bactérias ou parasitas
• Manutenção das informações do DNA (integridade genética)
• Resposta envolve uma variedade de proteínas e complexos enzimáticos –
percorrem o DNA à procura de danos
• Estima-se que menos de 1 em um milhão de lesões ao DNA torne-se uma
mutação
• Cada nova cópia de DNA tem apenas 1 erro por bilhão de nt
• Células – múltiplos sistemas de reparo; redundância
Essencialidade
Diversidade de origem dos danos
Mecanismos de reparo do DNA
Mecanismos de Reparo do DNA
Reparo dependente de luz ou fotorreativação (direto)
DNA-fotoliase e alquiltransferase Ausente em mamíferos
Reparo por excisão (de bases alteradas)
mecanismo de excisão de bases (BER, base excision repair) e mecanismo de excisão de nucleotídeos (NER, nucleotide excision repair); operam no escuro
Reparo de mau pareamento (mismatch repair)
nucleotídeos inseridos erradamente que escapam da revisão 3’→5’
Reparo pós-replicação
processo de reparo dependente de recombinação
Mecanismos de reparo do DNA
Mecanismos de Reparo do DNA
Reparo dependente de luz ou reparo direto
- DNA fotoliase – reconhece dímeros de timina no DNA; ativada pela luz
- DNA fotoliase – dois co-fatores que absorvem luz (crómoforos) → energia para clivagem - não substituem nucleotídeos alterados, apenas mudam de volta a suas estruturas originais
liga-se no escuro
Corta também:
Reparo dependente de luz ou reparo direto
Quando a luz ultravioleta é usada para induzir mutações em
bactérias, as células irradiadas são cultivadas no escuro por
algumas gerações para maximizar a frequência de mutação
Reparo por excisão de bases - BER
endonuclease reconhece a base danificada
- Iniciado por qualquer DNA-glicosilases (uracil glicosilase); remove bases modificadas do açúcar desoxirribose, deixando intacta a estrutura açúcar-fosfato
- lesões causadas por agentes alquilantes (transferência de grupos metil ou etil), bases anormais quimicamente modificadas: desaminação, oxidação
Pelo menos 3 etapas:
1a
2a
3a
Sítios apurínicos ou apirimidínicos (sítios AP)
(I)
Instabilidade natural da citosina
Reparo por excisão de nucleotídeos - NER
- Remove lesões maiores, como dímeros de timina, distorcem a dupla hélice; danos oxidativos - Uma única nuclease (excinuclease), cortes nos dois lados do nt danificado
- produto de três genes: uvrA, uvrB e uvrC (reparo de UV)
humanos: XPA, 24-32 nt, DNA-polimerase δou ε
Reparo global
Reparo acoplado a transcrição
Abertura do DNA
Reconhecimento
do dano
Incisão do dano
Síntese de DNA
Reparo por excisão de nucleotídeos - NER
humanos:
XPA, 24-32 nt,
DNA-polimerase δ
ou ε
Envolve cerca de 4
vezes mais proteínas
Atividade de
excinuclease contém
15 polipeptídeos: XPA,
Reparo por excisão de nucleotídeos - NER
Reparo por mau pareamento (
mismatch repair)
- Suporte a revisão replicativa de exonuclease 3’ → 5’ das DNA-polimerases
- Diferencia fita-molde da nova (base correta/errada) - padrão de metilação do DNA recém-replicado (filamento parental marcado com CH3 ligado a adeninas → 5’-GATC-3’)
- Repara uma região de até 1.000 pb a partir da seqüência 5’-GATC-3’
- produto dos genes: mutS, mutL e mutH (detectam alças de mau pareamento)
3’ 5’
até 1.000 pb
mutH ou
DNA polimerase III
Reparo pós-replicação ou por recombinação
- funciona na ausência dos mecanismos anteriores de reparo
- DNA-polimerase encontra T-T filamento molde → progresso bloqueado - não remove lesões; dependente de recombinação homóloga: gene recA
• T-T removido pelo sistema NER
• Caso contrário: reparo pós-replicação repetido depois de cada rodada de replicação do DNA