ANÁLISE FRACIONAL DO MERCADO INTERNACIONAL DO CAFÉ Miller Rabello de Brito1 Carlos Antônio Moreira Leite2 RESUMO
A participação brasileira na produção mundial de café tem se mostrado decrescente. Na década de 60 o Brasil chegou a ser responsável por 40% da produção mundial. Entretanto, nos anos 90, sua parcela na produção situa-se, em média, ao redor de 20%. Pode-se imputar que esta queda é devida aos acordos internacionais do café (AICs), que fracionavam o mercado internacional em cotas de exportações na busca de sustentação dos preços. Mais recentemente, no período de 1998 a 2002, a participação do Brasil no mercado internacional foi de 31,7 %.
A Análise Fracional do Mercado Internacional do Café que tem como objetivo caracterizar, quantificar e identificar a importância relativa dos efeitos dimensão de mercado competição e distribuição.
Conclui-se que o Brasil perdeu parcela de mercado, passando de uma posição de 22,6% do mercado global em 1991/92 para 17,93% em 1994/95, sendo que, a maior parte desta perda decorre do efeito competição negativo de 3.728.217 sacas de 60 kg, ampliado pelo efeito dimensão também negativo de 1.229.067 sacas. No entanto, no período mais amplo considerando-se a média de 1998/99, a parcela de mercado brasileira é praticamente a mesma, ocorrendo ainda sim um efeito competição negativo de 318.770 sacas, compensado pelos efeitos distribuição e dimensão positivos. Há uma variação positiva nas exportações brasileiras do período de 1998/99 com base no período de 1994/95, ou seja, o percentual brasileiro nas exportações totais aumentou. Neste período de análise todos os efeitos são positivos, sendo o efeito competição o mais significativo com 67 % (3.786.661 sacas) da variação total das exportações do Brasil.
Palavra Chave: Café, Mercado Internacional de Café, Análise Fracional do Mercado de Café.
1. INTRODUÇÃO
É grande importância do café na economia mundial devido, dentre outras contribuições, a sua participação na receita cambial dos países produtores, a transferência de renda aos outros setores econômicos, a contribuição à formação de capital no setor agrícola, além da expressiva capacidade de absorção de mão-de-obra.
O agronegócio brasileiro do café tem sido considerado competitivo por ter resistido a vários eventos adversos: choques de oferta como o das geadas de 1975 e 1994 e da seca de 1985/86; forte regulamentação governamental e a brusca supressão desta em 1990, com a extinção do Instituto Brasileiro do Café (IBC) e desarticulação da
1 Estudante do Curso de Gestão do Agronegócio da Universidade Federal de Viçosa
Departamento de Economia Rural – UFV – 36571-000 Viçosa – MG E-mail: [email protected]
2 Professor Titular da Universidade Federal de Viçosa
Departamento de Economia Rural – UFV – 36571-000 Viçosa – MG E-mail: [email protected]
política cafeeira; suspensão do Acordo Internacional do Café em 1989; suspensão dos registros de exportação em 1991; tabelamento no mercado interno até 1992 e o baixo preço do produto entre os anos de 1999 e 2003 . Segundo PENSA (1992), de maneira geral, todos os problemas são atribuídos à forma e grau de intervenção estatal em toda a cadeia do café.
Vale ressaltar que, apesar da visível perda relativa de participação do país no mercado internacional do café, desde a época em que o Brasil foi responsável por 40 % da produção mundial, o produto brasileiro continua exercer influência significativa nesse mercado, de modo que, forte queda no volume da produção nacional, decorrente de secas, ou geadas, tende, em parte, a ser compensada por preços mais elevados (GOLDIN e REZENDE, 1993).
No período de 1987/98, de uma produção mundial média anual de 100 milhões de sacas de café, cerca de 25% eram provenientes do Brasil. Em 1999 a receita cambial totalizou US$ 2,4 bilhões, tendo declinado sua participação em relação aos anos anteriores, devido ao aviltamento do preço do produto (CONSÓRCIO BRASILEIRO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DO CAFÉ, 2003). Verifica-se no Quadro 1 que a participação brasileira na produção total variou de 24% a 38% no período de 1997 a 2003. A média da produção anual brasileira no período de 1995 a 2002 foi de 31.537 mil de sacas.
QUADRO 1 - Participação dos Principais Países Produtores de Café na Oferta Mundial de 1997 a 2002. Sacas de 60 kg. País/Ano 1997/98 % 1998/99 % 1999/00 % 2000/01 % 2001/02 % 2002/03 % Brasil 23.500 24,07 35.600 32,84 30.800 27,17 34.100 29,13 33.700 30,43 46.850 38,37 Colômbia 12.043 12,33 10.868 10,03 9.512 8,39 10.520 8,99 11.000 9,93 10.900 8,93 Vietnã 7.000 7,17 7.500 6,92 11.010 9,71 15.333 13,10 12.250 11,06 10.500 8,60 Indonésia 7.000 7,17 6.950 6,41 6.660 5,88 6.495 5,55 5.980 5,40 5.780 4,73 México 4.950 5,07 5.010 4,62 6.193 5,46 4.800 4,10 4.700 4,24 5.200 4,26 Índia 3.805 3,90 4.415 4,07 4.870 4,30 5.020 4,29 4.650 4,20 4.500 3,69 Guatemala 4.200 4,30 4.300 3,97 4.364 3,85 4.494 3,84 3.827 3,46 3.802 3,11 Total 97.652 100 108.396 100 113.345 100 117.049 100 110.733 100 122.106 100 Fonte: USDA
A Figura 1 ilustra a variação das exportações brasileiras de café, através da qual verificar-se a tendência de ciclo nas exportações que é determinada, na maior parte das vezes, pela instabilidade da oferta brasileira.
FIGURA 1 – Exportações Brasileiras de Café – 1990 a 2002, em milhões de sacas de 60 Kg.
O café, como qualquer outro produto, tem seus preços determinados pelas forças da oferta e da procura de mercado.
O fato de o café apresentar uma oferta preço-inelástica, no curto prazo, concorre para acentuar as dificuldades de ajuste da oferta à demanda do mercado, pois uma relativa escassez do produto resulta na elevação dos preços que estimulam a formação de novas lavouras, cujas produções atingem o mercado cerca de 4 a 5 anos mais tarde. Com o aumento da produção e, conseqüentemente do excedente comercializado daí resultante, baixam-se os preços do produto e reduzem-se os estímulos ao plantio. Observa-se como conseqüência, grandes oscilações de preços de um mercado instável. (AGUIAR, 1974). A trajetória cíclica de preços e volume ofertado desencadeia a necessidade de capacitação e integração dos agentes envolvidos, através de mecanismos de coordenação que assegure ou resguarde o posicionamento competitivo, trazendo maior dinamismo à cadeia agroindustrial do café.
Do lado da demanda, o café constitui um produto preço-inelástico, ou seja, de modo geral, o consumidor não responde às pequenas variações de preço, porém às variações mais acentuadas reage reduzindo o seu consumo.
A tendência no mercado mundial é a de o consumo permanecer constante. No entanto, de acordo com VEGRO (1997), há expectativa de elevação da demanda de cafés especiais. A demanda interna tende aumentar devido ao conjunto de fatores: maior interesse por bebida de melhor qualidade, crescimento das vendas de equipamentos domésticos para o preparo de café no padrão expresso e novas formas de apresentação do produto, em embalagens mais atraentes ao consumidor.
A expansão do comércio internacional tem sido o principal instrumento utilizado pelos diversos países, na obtenção de divisas que possibilitem adquirir no mercado externo os bens indispensáveis para seu desenvolvimento econômico. Entretanto, a balança comercial dos países em desenvolvimento é muito vulnerável, sobretudo a instabilidade comercial de seus produtos de exportação, o que torna difícil a consecução de tais objetivos.
O Brasil é um dos países que apresentam maior vantagem comparativa na produção de café. No entanto, a regulamentação do Sistema Agroindustrial (SAG) do café, que vigorou por quase um século, contribuiu para o aumento da produção em
Fonte: FAO 0 5 10 15 20 25 30 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Em milhões de sacas de 60 Kg . Fonte: FAO
outros países e perda de participação do Brasil no mercado internacional (SAES et al, 1999). Ou seja, Segundo Bacha (1992), quando sobrevinha a superprodução, ao invés de deixar os preços baixos eliminarem a concorrência nos mercados, o mercado brasileiro, para não perder divisas, optava por fazer uma diferenciação entre os preços internos e os externo, de forma a reduzir os primeiros e não permitir quedas acentuadas nos últimos. Isto foi feito mediante taxações sobre as exportações e erradicação de cafezais. Como resultado, o Brasil diminuiu, gradativamente, sua participação relativa no mercado internacional de café.
A análise que se propõem nesta pesquisa procura subsidiar os órgãos competentes para a compreensão mais detalhada da variação no fluxo do comércio mundial de café, auxiliando-os na resolução do problema de perda de market share do Brasil no mercado internacional.
2. OBJETIVOS
Este trabalho tem como objetivo geral definir as variações no fluxo do comércio internacional do café.
Como objetivos específicos tem-se:
a) Caracterizar e quantificar os efeitos dimensão, competição e distribuição de mercado para o produto brasileiro;
b) Identificar a importância relativa de cada um desses efeitos como fator determinante do comportamento das exportações brasileiras de café;
c) Sugerir medidas que poderão implementar políticas de exportação mais apropriadas as circunstâncias dos diversos mercados importadores.
3. METODOLOGIA
No estudo analítico dos fluxos de comércio internacional, baseado na técnica da parcela de mercado, especial ênfase é dada aos três principais determinantes desses fluxos, a saber:
a) Efeito “dimensão de mercado” - definido como a possibilidade de variação nas exportações de um bem, por determinado país em decorrência da variação no volume global do mercado importador daquele bem;
b) Efeito “competição” - definido como a variação nas exportações de um bem, de determinado país, em conseqüência de mudanças competitivas em parcelas proporcionais dos diversos mercados importadores;
c) Efeito “distribuição”, também chamado de “efeito direção” ou “efeito de um país”, definido como a variação nas exportações de um país em decorrência de variações na importância relativa dos diversos mercados importadores diante do mercado global de um bem.
A combinação teórica desses três efeitos resulta na possibilidade de sete resultados positivos (a) ou favoráveis ao aumento das exportações de um país, bem como pode acarretar a outros tantos resultados negativos (b) ou desfavoráveis ao país exportados (Quadro 2, coluna Resultado).
No Quadro 2, são apresentadas as possíveis combinações dos três efeitos e onde nas respectivas colunas o valor D significa efeito desfavorável ao exportador e F significa efeito favorável. A coluna resultado reflete o somatório daqueles efeitos,
podendo resultar de cada combinação, um diferencial positivo (a) ou negativo (b) ao país em estudo.
QUADRO 2 – Combinações Teóricas e Resultados dos Efeitos Distribuição, Competição e Dimensão de Mercado.
Combina-ção
Distribuição Competição Dimensão de Mercado Resultado n. º (D ou F) (D ou F) (D ou F) (+ ou -) 1 D D D (b) - 2 D F D (a) + 3 F D D (b) - 4 F F D (a) + 5 F D F (b) - 6 D F F (a) + 7 D D F (b) - 8 F F F (a) +
Por outro lado, definindo-se os diversos elementos como: E t-1 = as exportações reais do país, no período base;
E t = as exportações reais do país, no último período;
E p1 = as exportações potenciais do país segundo a parcela global do
mercado, no período base; e
E p2 = as exportações potenciais do país, segundo a parcela de cada
mercado, no período base; o que nos permite estabelecer, de acordo com as definições a seguinte igualdade:
(E t - E t-1) = (E p1 - E t-1) + (E p2 - E p1) + (E t - Ep2)
em que:
(E t - E t-1) = define o efeito total, que é determinante do diferencial nas exportações
reais entre os dois períodos estudados;
(E p1 - E t-1) = define o efeito dimensão de mercado;
(E p2 - E p1) = define o efeito distribuição;
(E t - Ep2) = define o efeito competição.
A igualdade acima permite concluir que, quando:
Ep1 > E t, o país exportador obteve uma perda no mercado global do bem em estudo.
Essa perda pode ser ainda: (a) real, se como Segunda condição tivermos E t < E t-1 e (b)
potencial, se E t ≥ t-1;
Ep1 = Et, o país manteve a sua posição relativa no mercado global daquele bem;
Ep1 < Et, o país exportador obteve um ganho ou aumento relativo como exportador do
bem.
Para efeito de análises, será utilizada a média dos anos de 1994/1995 e 1998/1999, das exportações totais e brasileiras de café, e com referência aos principais países importados para comparação com a média dos anos de 1991/1992.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 ANÁLISE AGREGADA
No Quadro 3 são feitos os cálculos das parcelas de mercado relativas ao período 1994/95, com base no período 1991/92 e no Quadro 4 são feitos os mesmos cálculos com referência ao período 1998/99, também com base em 1991/92.
Os dados referentes às exportações totais e brasileiras de cada um dos períodos estudados, 1991/92, 1994/95 e 1998/99, estão representados pelas quantidades médias exportadas nos dois anos selecionados. Estes valores estão consignados nas colunas 1, 2, 4 e 5 (Quadro 3) e nas de número 9, 10, 12 e 13 (Quadro 4).
As colunas 3, 6, 11 e 14 desses Quadros representam a parcela percentual das exportações do Brasil com relação às exportações totais de cada um dos principais mercados importadores.
As colunas 7 e 15, respectivamente, dos quadros 3 e 4, evidenciam as vendas potenciais de café brasileiro no diversos mercados importadores, nos períodos 1994/95 e 1998/99, pressupondo-se a manutenção por parte do Brasil, das mesmas parcelas, do período 1991/92 desses mercados. Esses cálculos são feitos tão somente para esclarecer, nos dois períodos estudados, o efeito competição distinguindo-o do efeito distribuição, uma vez que a soma das parcelas dessas colunas, respectivamente, 16.997.556 e 19.211.742 sacas, representam os níveis de vendas que o país alcançaria, se mantidos os mesmos níveis de competitividade, o que lhe asseguraria as mesmas parcelas ou proporções dos mercados de cada um desses países.
A diferença entre a soma das parcelas da coluna 7 (Quadro 3), no valor de 16.997.556 sacas e o volume hipotético resultante da manutenção da mesma proporção de 22,61 % do mercado global de 1991/92, calculado sobre o global de 1994/95, no valor de 16.730.182, o que resulta num valor positivo de 267.374 sacas, representa a variação nas exportações neste período, decorrente das alterações na importância relativa de cada mercado, e se constitui no que chamamos de efeito distribuição. Os mesmos cálculos, efetuados para o período 1998/99, com base nas parcelas do período 1991/92 (Quadro 4) resultou num efeito distribuição positivo da ordem de 584.856 sacas.
As colunas 8 e 16, dos quadros 3 e 4, representam as diferenças entre as exportações efetivadas para cada país, e as exportações que se realizam para esses mercados, nos períodos 1994/95 e 1998/99, se mantidas as parcelas de 1991/92. O somatório dessas diferenças, que compõem aquelas colunas, respectivamente -3.728.217 e -318.770, define o efeito competição, nos dois períodos estudados.
QUADRO 3 - Exportações Brasileiras de Café Verde e Parcelas de Mercado, em Quantidades Médias, nos Períodos 1991/92 e 1994/95, em sacas de 60 Kg.
Mercados Média dos Anos 1991/1992 Média dos Anos 1994/1995 Brasil 1994/95, segundo parcelas de 1991/92 Total (1) Brasil (2) % (3) Total (4) Brasil (5) % (6) (7)=(3)x(4) 100 (8) = = (5)-(7) Alemanha 12.996.025 1.882.140 14,48 12.599.317 1.117.385 8,87 1.824.687 -707.303 EUA 20.282.992 4.311.102 21,25 15.379.050 2.332.714 15,17 3.268.781 -936.067 Itália 4.474.017 1.595.935 35,67 5.224.467 1.510.028 28,90 1.863.629 -353.602 Japão 4.953.925 1.164.384 23,50 5.382.025 1.175.365 21,84 1.265.006 -89.641 Bélgica 1.329.392 704.552 53,00 1.529.017 734.883 48,06 810.349 -75.466 França 5.399.150 640.212 11,86 5.107.317 432.233 8,46 605.607 -173.374 Espanha 2.974.458 841.925 28,31 2.946.183 484.202 16,43 833.922 -349.720 Suécia 1.615.425 627.009 38,81 1.504.800 490.970 32,63 584.071 -93.101 Argentina 612.167 461.600 75,40 575.017 486.705 84,64 433.587 53.118 Holanda 2.881.283 850.304 29,51 2.469.558 351.739 14,24 728.799 -377.060 Dinamarca 899.525 378.058 42,03 856.008 263.062 30,73 359.768 -96.707 Canadá 1.820.108 320.389 17,60 1.952.758 200.951 10,29 343.739 -142.789 Finlândia 1.001.008 200.865 20,07 1.026.692 253.960 24,74 206.019 47.941 Reino Unido 1.922.600 298.343 15,52 1.993.967 183.364 9,20 309.417 -126.053 Áustria 1.947.933 261.917 13,45 1.154.125 231.336 20,04 155.182 76.154 Suíça 1.059.508 153.356 14,47 1.005.183 122.438 12,18 145.492 -23.055 Corea, República da 880.167 179.329 20,37 1.097.500 162.835 14,84 223.609 -60.774 Portugal 523.250 73.393 14,03 569.908 95.340 16,73 79.937 15.403 Noruega 692.783 326.956 47,19 683.058 250.847 36,72 322.366 -71.519 Hungria 465.717 114.543 24,59 563.400 121.611 21,59 138.568 -16.957 Outros Países 10.703.242 2.572.941 24,04 10.379.100 2.267.375 21,85 2.495.021 -227.647 Total 79.434.675 17.959.249 22,61 73.998.450 13.269.339 17,93 16.730.182 -3.460.843
QUADRO 4 - Exportações brasileiras de Café Verde e Parcelas de Mercado, em Quantidades Médias, nos Períodos 1991/92 e 1998/99, em sacas de 60 Kg.
Mercados Média dos Anos 1991/1992 Média dos Anos 1998/1999 Brasil 1998/99, segundo parcelas de 1991/92 Total (1) Brasil (2) % (3) Total (4) Brasil (5) % (6) (7)=(3)x(4) 100 (8) = = (5)-(7) Alemanha 12.996.025 1.882.140 14,48 13.098.933 3.308.671 25,26 1.897.044 1.411.627 EUA 20.282.992 4.311.102 21,25 19.779.433 3.773.871 19,08 4.204.072 -430.201 Itália 4.474.017 1.595.935 35,67 5.581.425 1.654.254 29,64 1.990.961 -336.707 Japão 4.953.925 1.164.384 23,50 5.798.367 1.476.257 25,46 1.362.864 113.393 Bélgica 1.329.392 704.552 53,00 2.818.825 912.797 32,38 1.493.922 -581.125 França 5.399.150 640.212 11,86 5.043.458 618.889 12,27 598.035 20.854 Espanha 2.974.458 841.925 28,31 3.467.983 675.337 19,47 981.618 -306.281 Suécia 1.615.425 627.009 38,81 1.426.033 560.522 39,31 553.499 7.023 Argentina 612.167 461.600 75,40 589.850 551.887 93,56 444.772 107.115 Holanda 2.881.283 850.304 29,51 1.675.467 493.468 29,45 494.452 -984 Dinamarca 899.525 378.058 42,03 969.133 381.324 39,35 407.313 -25.989 Canadá 1.820.108 320.389 17,60 2.162.700 389.154 17,99 380.695 8.459 Finlândia 1.001.008 200.865 20,07 1.134.033 312.880 27,59 227.558 85.322 Reino Unido 1.922.600 298.343 15,52 2.128.617 177.460 8,34 330.311 -152.851 Áustria 1.947.933 261.917 13,45 1.134.550 177.605 15,65 152.550 25.055 Suíça 1.059.508 153.356 14,47 1.077.267 114.480 10,63 155.926 -41.446 Corea, República da 880.167 179.329 20,37 1.080.917 98.425 9,11 220.231 -121.806 Portugal 523.250 73.393 14,03 672.067 101.360 15,08 94.266 7.094 Noruega 692.783 326.956 47,19 663.492 237.503 35,80 313.131 -75.628 Hungria 465.717 114.543 24,59 610.417 146.950 24,07 150.132 -3.182 Outros Países 10.703.242 2.572.941 24,04 11.474.700 2.729.881 23,79 2.758.391 -28.511 Total 79.434.675 17.959.249 22,61 82.387.667 18.892.972 22,93 18.626.886 266.086
No Quadro 3, a diferença entre os valores referentes ao mercado global, da coluna 7 e da coluna 2, respectivamente, 16.730.182 e 17.959.249 sacas, ou seja, 1.299.067 sacas, define o efeito dimensão de mercado. No Quadro 4, os mesmos cálculos, resultam num efeito dimensão de mercado de 667.637 sacas para o período 1998/99, com base em 1991/92.
As ações conjugadas dos efeitos competição, distribuição e dimensão de mercado resultam no que podemos denominar o efeito total que é igual a variação nas exportações, nos dois períodos considerados, a saber -4.689.910 e 933.723 sacas, respectivamente, em 1994/95 e 1998/99, ambos com referência a 1991/92.
Os conceitos definidos no capítulo 3 desde trabalho e os dados constantes no Quadro 4 nos permitem estabelecer os seguintes elementos:
Et-1 de 17.959.249 sacas, ou seja, exportações reais do país no período base,
1991/92;
Et de18.892.972 sacas, ou exportações reais do país no período 1994/95;
Ep1 de 18.626.886 sacas, ou as exportações potenciais do país naquele período,
segundo a parcela global do período base.
Ep2 de 19.211.742 sacas, ou as exportações potenciais do país, no mesmo período, se
mantidas no período de estudo (1998/99), em cada mercado importador, as mesmas parcelas do período base.
Por outro lado, o quadro 3 nos possibilita definir, para efeito de estudo do período 1994/95 e tendo por base o mesmo período 1991/92:
Et-1 de 17.959.249 sacas;
Et de 13.269.339 sacas;
Ep1 de 16.730.182 sacas;
Ep2 de 16.997.556 sacas.
Da observação desses dados podemos estabelecer ainda que:
- No período de 1994/95 houve uma perda por parte do país em termos de exportação, pois Ep1 > Et, sendo que 16.730.182 > 13.269.339 sacas e para 1998/99 ocorreu um ganho por parte das exportações pois Ep1 < Et, sendo que 18.626.886 < 18.892.972. - A perda no período de 1994/91 foi real, pois Et < Et-1, ou seja 13.269.339 < 17.959.249.
O Brasil perdeu parcela de mercado, passando de uma posição de 22,6% do mercado global em 1991/92 para 17,93% em 1994/95, sendo que a maior parte desta perda decorre do efeito competição negativo de 3.728.217 sacas, ampliado pelo efeito dimensão também negativo de 1.229.067 sacas (Quadro 5). No entanto, no período mais amplo considerando-se a média do período de 1998/99, a parcela de mercado é praticamente a mesma, ocorrendo ainda sim um efeito competição negativo de 318.770 sacas, compensado pelos efeitos distribuição e dimensão positivos. Portanto houve uma melhoria da competitividade e uma melhoria na importância relativa dos países importadores do café brasileiro no período entre 1994/95 e 1998/99.
A perda potencial brasileira que é a diferença entre as exportações potenciais e as exportações reais do país, com base em 1991/92 é de 3.460.843 sacas, no período de 1994/95, ou seja, a quantidade exportada que o Brasil iria perder se mantivesse a mesma parcela de mercado de 1991/92 em 1994/995, foi menor que a variação real das exportações brasileiras. No período de 1998/99 houve um ganho potencial do Brasil, pois a quantidade exportada se o país tivesse mantido o mesmo percentual de 1991/92 foi menor que a variação real das exportações brasileiras.
QUADRO 5 - Análise dos Determinantes das Exportações Médias Brasileiras de Café, nos Períodos 1994/95 e 1998/99, com Base na Média do Período
1991/92. Especificações 1991/92 1994/95 1998/99 Exportações Reais Mundo 79.434.675 73.998.450 82.387.667 Brasil 17.959.249 (Et-1) 13.269.339 (Et) 18.892.972(Et) Parcela do Brasil (%) 22,60 17,93 22,93
Exportações Potenciais do Brasil
Segundo Parcela Global de 1991/92 16.730.182 (Ep1) 18.626.886 (Ep1)
Segundo Parcelas de Cada Mercado 1991/92 16.997.556 (Ep2) 19.211.742 (Ep2) Composição das Exportações
Efeito Dimensão de Mercado (Ep1 - Et-1) -1.229.067 667.637
Efeito Distribuição (Ep2 - Ep1) 267.374 584.856
Efeito Competição (Et - Ep2) -3.728.217 -318.770
Efeito Total -4.689.910 933.723
Perda Potencial do Brasil
Diferencial nas exportações Potenciais (Ep1 - Et-1) -1.229.067 667.637
Diferencial nas exportações Reais (Et - Et-1) -4.689.910 933.723
Perda Potencial do Brasil 3.460.843 -266.086
Fonte: Dados da Pesquisa
4.2 ANÁLISE DOS EFEITOS PARA MERCADOS IMPORTADORES ISOLADOS
Para possibilitar estudo mais detalhado da magnitude dos diversos efeitos em cada mercado importador individualmente, foram organizados os Quadros 6 e 7, mediante cálculos referentes aos períodos 1994/95 e 1998/99, ambos com base no período de 1991/92. Nesses quadros as colunas efeito total se constituem dos somatórios dos efeitos distribuição, competição e dimensão de cada mercado individualmente e representam o diferencial ocorrido nas exportações de café do Brasil, para cada um desses mercados, no período considerado.
A soma algébrica de cada uma das colunas representa o valor do respectivo efeito, quando se considera o mercado globalmente e deve coincidir com os valores consignados no Quadro 5.
Os elementos contidos no Quadro 6 nos permite observar que no período de 1994/95 o efeito total só foi positivo em seis países, ou seja, Japão, Bélgica, Argentina, Finlândia, Portugal e Hungria. Este fato foi causado, na maioria das vezes, pelo efeito competição negativo, agravado com o efeito distribuição também negativo nos países como Alemanha, EUA, França, Canadá, Reino Unido, Suíça e República da Corea. Conclui-se, pois, a grande perda de competitividade do café brasileira causada, provavelmente, pela quebra da safra em decorrência das geadas em 1994. Quanto ao efeito dimensão de mercado, verifica-se valor negativo na Alemanha, EUA, França, Canadá, Finlândia, Reino Unido, Áustria, Suíça, República da Corea e Portugal.
Nos quatro principais mercados do café brasileiro, Alemanha, EUA, Japão e Itália, ocorreu efeito competição negativo. Dentre estes países o efeito distribuição foi negativo tanto na Alemanha como nos EUA e valores menores que zero foram verificados na Itália e os EUA no que diz respeito ao efeito dimensão.
A análise desses efeitos para o período de 1998/99 revela que um mercado da maior importância como os EUA tiveram um efeito total negativo, da ordem de 537.232
sacas, explicada pelos efeitos competição e distribuição de mercado negativos.
QUADRO 6 - Análise dos Efeitos, em sacas de 60 Kg, Período 1994/95, com base no período 1991/92. Mercados Efeito Total Efeito Dimensão Efeito Distribuição Efeito Competição Alemanha -764.756 966.418 -1.023.871 -707.303 EUA -1.978.388 -834.079 -208.242 -936.067 Itália -85.908 -414.744 682.439 -353.602 Japão 10.981 52.429 48.193 -89.641 Bélgica 30.331 -358.859 464.656 -75.466 França -207.979 514.493 -549.097 -173.374 Espanha -357.723 -175.827 167.824 -349.720 Suécia -136.039 -286.791 243.854 -93.101 Argentina 25.105 -331.595 303.583 53.118 Holanda -498.565 -291.966 170.460 -377.060 Dinamarca -114.996 -184.524 166.235 -96.707 Canadá -119.439 121.107 -97.757 -142.789 Finlândia 53.095 31.258 -26.104 47.941 Reino Unido -114.979 152.470 -141.396 -126.053 Áustria -30.581 -982 -105.752 76.154 Suíça -30.918 73.905 -81.768 -23.055 Corea, República da -16.494 68.803 -24.522 -60.774 Portugal 21.948 55.457 -48.913 15.403 Noruega -76.109 -172.524 167.934 -71.519 Hungria 7.068 12.835 11.190 -16.957 Outros Países -305.567 -226.348 148.428 -227.647 Efeito Total -4.689.910 -1.229.067 267.374 -3.728.217 Fonte: Dados da Pesquisa
Ocorreu neste período estudo uma melhoria da competitividade por parte do Brasil, com a redução do número de países com efeito competitividade negativo. Com exceção da Bélgica e Holanda, apenas países que tinham um pequeno volume de compra do mercado brasileiro apresentaram redução do efeito competição. As variações dos efeitos dimensão e distribuição não foram de grande magnitude. Sendo assim, apenas nos países com menor volume de compras do café brasileiro o efeito total diminuiu.
QUADRO 7 - Análise dos Efeitos, em sacas de 60 Kg, Período 1998/99, com base no período 1991/92. Mercados Efeito Total Efeito Dimensão Efeito Distribuição Efeito Competição Alemanha 1.426.531 1.079.375 -1.064.472 1.411.627 EUA -537.232 160.796 -267.826 -430.201 Itália 58.319 -334.040 729.066 -336.707 Japão 311.873 146.559 51.921 113.393 Bélgica 208.245 -67.248 856.619 -581.125 França -21.323 500.055 -542.232 20.854 Espanha -166.588 -57.855 197.548 -306.281 Suécia -66.487 -304.600 231.089 7.023 Argentina 90.287 -328.242 311.414 107.115 Holanda -356.836 -471.501 115.649 -984 Dinamarca 3.266 -158.948 188.203 -25.989 Canadá 68.765 168.572 -108.267 8.459 Finlândia 112.015 55.527 -28.833 85.322 Reino Unido -120.883 182.913 -150.944 -152.851 Áustria -84.312 -5.408 -103.958 25.055 Suíça -38.876 90.202 -87.631 -41.446 Corea, República da -80.904 65.054 -24.152 -121.806 Portugal 27.968 78.554 -57.680 7.094 Noruega -89.453 -176.948 163.124 -75.628 Hungria 32.407 23.465 12.123 -3.182 Outros Países 156.939 21.354 164.096 -28.511 Efeito Total 933.722 667.637 584.856 -318.770 Fonte: Dados da Pesquisa
5. CONCLUSÕES
Descrevemos neste capítulo as principais constatações decorrentes dos estudos dos elementos obtidos neste trabalho, a saber:
Houve perda real da participação do Brasil na exportação de café, passando de 17.959.249 sacas exportadas no período base de 1991/92 para 13.269.339 sacas no período de 1994/95.
As exportações de café, por parte do Brasil, no período de 1998/99 com base em 1991/92 apresentaram acréscimo, passando de 17.959.249 sacas para 18.892.972 sacas.
A participação relativa das exportações brasileiras no mercado mundial declinou de 22,60% em 1991/92 para 17,93 % em 1994/95 e aumentou para 22,93% do mercado global no período de 1998/99.
A perda no período de 1994/95 se deve ao efeito competição negativo de 3.728.217 sacas acrescido do efeito dimensão também negativo de 1.229.067 sacas.
Apesar do acréscimo das exportações do período de 1998/99 com base em 1991/92, ainda sim, ocorreu neste período um efeito competição negativo de -318.770 sacas. O efeito dimensão de mercado de 1998/99 de 667.637 sacas foi bem superior ao de
-1.229.067. sacas em 1994/95.
Nos principais mercados do café brasileiro (Alemanha, EUA, Itália, Japão), no período de 1994/95, as determinações do efeito totais em decorrência dos outros efeitos variam de país para país; sendo que o único efeito constantemente negativo é o competição. No mercado dos EUA todos os efeitos foram negativos.
Com exceção dos EUA que tiveram efeito total de -537.232 sacas ocasionado pelos valores negativos dos efeitos competição e distribuição, no período de 1998/99, todos os principais países apresentaram efeito total positivo.
Países como Finlândia, Canadá, Reino Unido, Suíça, Áustria e Portugal tanto em 1994/95 como em 1998/99 apresentaram efeito distribuição negativo.
Diante das análises dos efeitos competição, distribuição e dimensão de mercado fica explicita a instabilidade da quantidade total exportada de café, e conseqüentemente, da participação relativa do Brasil no mercado mundial. Cabendo as seguintes sugestões para manter, ou até mesmo aumentar, o “market share” brasileiro no mercado mundial:
Investimentos em marketing do produto, de modo que ocorra posicionamento de mercado. O custo de produção do café brasileiro é um dos mais baixos do mundo e há um grande mercado para cafés de qualidade, ficando a cargo dos tomadores de decisão investirem fortemente na estratégia mais compensadora. Disponibilizarão de recursos para pesquisas ligadas à prevenção de intempéries
ambientais, pois a queda nas exportações no período de 1994/95 provavelmente foi ocasionada pela diminuição da oferta causada pelas geadas ocorridas neste período.
Um estudo que identificasse os países importadores que apresentam maiores potencialidades em termos de mercado, bem como os meios mais adequados de penetração em cada um deles.
Promoção de um amplo estudo que busque identificar as políticas de vendas adotadas pelas firmas exportadoras brasileiras, buscando suplementar os seus esforços, bem como lhes oferecer uma infra-estrutura sólida na realização de seus objetivos.
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