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44~ -"-.4.43.:1#1‘) ESTADO DA PARAÍBA PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA ACÓRDÃO APELAÇÃO CÍVEL N.° 2004.005910-2.RELATOR Juiz Convocado João Benedito da Silva.
APELANTE : Banco do Nordeste do Brasil S/A - Advs. Maricema de Oliveira Ramos e outros.
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APELADA Irmãos Cabral Veículos e Componentes Ltda - Adv.
• Valterluciana Almeida de Moraes.
REVISÃO CONTRATUAL - Apelação - Cédula
de crédito industrial Instituição financeira -Ajuste livre da taxa de juros - Ausência de fixação pelo Conselho Monetário Nacional - Limitação de juros a 12% ao ano - Capitalização mensal de juros - Admissibilidade, ante a existência de convenção entre as partes - Interpretação extraída da Súmula 93 do STJ - Cobrança cumulada de comissão de permanência com correção monetária -Inocorrência - Cláusula válida - Súmula 30 do STJ - TJLP - Pactuação corno índice de incidência de
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juros básicos - Inadequada - Liquidez, certeza eexigibilidade do título Reconhecimento Inteligência do art. 16 do DecretoLei n° 413/69 -Provimento parcial.
- Ao Conselho Monetário Nacional, segundo o art.
50 do Decreto-Lei n. 167/67, compete a fixação das taxas de juros aplicáveis aos títulos de crédito industrial e rural. Omitindo-se o Órgão no desempenho de tal mister, torna-se aplicável a regra geral do art. 1°, caput, da Lei de Usura, que veda a cobrança de juros em percentual superior ao dobro da taxa legal (12% ao ano).
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- Dispõe a Súmula 93 do STJ: "A legislação sobre cédulas de crédito rural, comercial e industrial admite o pacto de capitalização de juros."
- A liquidez, certeza e exigibilidade dos títulos de crédito industriais são reconhecidas por força de lei e não por determinação judicial.
VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos acima
identificados:
ACORDA, a Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça, em DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, não-unânime.
• . Trata-se de apelação cível (fls. 255/272) interposta pelo
BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S/A contra a sentença (fls. 245/254)
através da qual o Juízo da 2' Vara Cível da Comarca de Campina Grande julgou procedente os pedidos constantes na AÇÃO REVISÃO CONTRATUAL E APURAÇÃO DE DÉBITO ajuizada por IRMÃOS CABRAL VEÍCULOS E COMPONENTES LTDA.
Em suas razões, aduz o banco apelante que: 1) as instituições financeiras não estariam sujeitas ao disposto na Lei de Usura, podendo cobrar juros remuneratórios incidentes sobre a dívida superiores a 12% ao ano; 2) a TJLP seria devida, porquanto, além de ter sido livremente pactuada pelas partes, foi utilizada como juros remuneratórios não como fator de correção monetária; 3) seria cabível capitalização mensal dos juros, nos termos do artigo 14, VI, do Decreto-lei n.° 413/69; 4) não teria havido cumulação de cobrança de comissão de • permanência com correção monetária, razão pela qual a incidência daquela seria legal; 5) da liquidez, certeza e exigibilidade das cédulas de crédito industrial fixadas através do Decreto-Lei 413/69, portanto sua eventual revisão não geraria iliquidez. Ao final, pleiteou o provimento do manejo, reformando-se a sentença atacada, no sentido de improcedência dos pedidos.
Ofertadas contra-razões (fls. 282/291), pugnando pela confirmação do decisunz.
Instada a se pronunciar, a douta Procuradoria de Justiça, opinou pelo desprovimento do recurso (fls. 297/301).
É o relatório.
Ad primum, cumpre analisar as verberações do recorrente no tocante ao limite da taxa de juros.
Muito embora os bancos e entidades monetárias e creditícias não estejam sujeitos ao limite imposto na Lei de Usura, é de se ressaltar que só podem pactuar livremente taxa de juros, quando autorizados expressamente pelo Conselho Monetário Nacional.
Neste diapasão, é pacífica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça:
"DIREITO ECONÔMICO. CÉDULA DE CRÉDITO INDUSTRIAL. JUROS. LIMITAÇÃO. 12% AO ANO.
1 - Omitindo-se o Conselho Monetário Nacional em fixar as taxas de juros aplicáveis aos títulos de crédito industrial (Decreto-Lei n° 413169 - nota de crédito industrial), prevalece o art. 1°, caput, da Lei de Usura, que veda a cobrança de juros em percentual superior a 12% ao ano, ficando afastada a súmula 596 do STF, porquanto se dirige à Lei n° 4.595/64, derrogada pelo diploma legal de 1969.
2- Agravo regimental não provido" (grifo nosso). "AGRAVO REGIMENTAL. CÉDULA DE CRÉDITO INDUSTRIAL. JUROS. LIMITAÇÃO. 12% AO ANO. RESOLUÇÃO N° 1.064/85.
• AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.
SÚMULA N° 282/STF.
- À mingua de fixação pelo Conselho Monetário Nacional, incide, com relação à Cédula de Crédito Industrial, a limitação de 12% ao ano prevista na Lei de Usura.
- É inadmissível o recurso especial quando não ventilada na decisão recorrida a questão federal
• suscitada (Súmula n° 282-STF).
- Agravo regimental improvido"2 (grifo nosso).
In casu, o banco recorrente concedeu financiamento à
empresa apelada através da emissão de cédula de crédito industrial, não tendo comprovado, no entanto, a prévia estipulação pelo Conselho Monetário Nacional
1 AgRg no Resp 415200/5P, Rel. Ministro Fernapdo Gonçalves, 4' Turma, DJ 29.09.2003. 2 AgRG no AG 550306/RS, Rel. Min. Barros iv 6nteiro, 4a Turma, DJ 07.06.04.
da taxa de juros acima do limite legal, por essa razão, não pode cobrar juros além de 12% ao ano, devendo respeitar o patamar estabelecido no Decreto n° 22.626/33 (Lei de Usura).
No tocante à capitalização de juros nas cédulas de crédito • industrial, o togado singular concluiu que o Decreto-lei n° 413/69 restringe-se à
admiti-la semestralmente, não podendo, pois, ser cobrada mensalmente.
Todavia, a jurisprudência iterativa da Corte Superior tem se posicionado no sentido de permitir a capitalização mensal de juros em casos excepcionais, como por exemplo, nas cédulas de crédito rural, industrial e comercial, desde que haja clara e expressa previsão contratual pelas partes contratantes, senão vejamos:
"Nos termos do enunciado n.° 93 da Súmula deste Tribunal, admite-se a capitalização mensal de juros em cédula de crédito rural, industrial e comercial, desde que expressamente pactuada"3.
AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. CÉDULA DE CRÉDITO RURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DO TITULO. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DOS JUROS. POSSIBILIDADE. SÚMULA 93/STJ. Nas cédulas de crédito rural, a correção monetária é devida desde o respectivo vencimento do título. Precedentes.
- É admissivel o pacto de capitalização mensal de
juros nas cédulas de crédito rural, industrial ou
• comercial (Súmula 93/STI).
- Agravo a que se nega provimento" 4 (grifo nosso).
Desse modo, acompanhando o entendimento perfilhado pelo STJ, considera-se válida a capitalização mensal de juros, ante a existência de convenção nos autos (fl. 18), afastando-se, por conseguinte a nulidade da qual foi acoimada em sede de 1' grau.
Quanto à comissão de permanência, afigura-se perfeitamente possível a sua incidência sobre o saldo devedor em ocorrendo inadimplência, quando expressamente pactuado entre as partes, e não havendo cumulatividade com correção monetária, juros ou multa de mora, tendo em vista ser instituto de 3 Resp 255406/RJ, Rel. MM. Castro Filho, 3" Turma, DJ 01.07.04.'
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atualização da moeda, corroída pelos efeitos inflacionários ao longo do tempo. Sua inaplicabilidade, da forma singela como ajustado, resultaria em enriquecimento ilícito, rechaçado pelo nosso ordenamento jurídico.
O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a propósito do tema, já pacificou entendimento no sentido de considerar legal a cobrança da comissão de permanência, desde que não cumulada com correção monetária, conforme verbete sumulado sob o n° 30, in verbis:
"A comissão de permanência e a correção monetária são inacumuláveis."
Não há possibilidade de aplicação da TJLP como índice de incidência de juros, por se tratar de parâmetro de correção monetária.
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A esse respeito, é válido trazer à lume, o entendimento
perfilhado pelo Superior Tribunal de Justiça, no AgRg no RECURSO ESPECIAL N° 611.944 - PR (2003'0197173-7):
"Com efeito, é entendimento pacífico de ambas as Turmas que compõem a Segunda Seção desta Corte que, quando convencionada, é possível a aplicação da TJLP como índice de correção monetária, que tem as mesmas características da TR. No mesmo sentido o REsp n. 525.649-MG, relator o em. Ministro Carlos Alberto Menezes
Direito, DJ de 25.02.04, o REsp n. 337.957-RS,
relator o em. Ministro Aldir Passarinho Junior, DJ
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de 10.02.03."Por fim, também assiste razão ao apelante quando afirma que a cédula de crédito industrial é título executivo extrajudicial e, nessa qualidade, líquido, certo e exigível, pois tais lhe são dadas pelo artigo 16 do Decreto-Lei n° 413/69. Desse modo, afasta-se o preceito do decisum monocrático que suspende os aludidos predicados da cédula até o transitar em julgado esta Ação de Revisão Contratual e Apuração de Débito.
Diante do exposto, dou PROVIMENTO PARCIAL ao recurso
apelatório, em desarmonia com o parecer ministerial, para reconhecer como válidas as cláusulas de capitalização mensal de juros e de incidência de comissão de permanência, além de reconhecer a cédula industrial como título certo, líquido e exigível,
sem a necessidade do trânsito em julgado desta demanda, mantendo-se a sentença
Sucumbência recíproca, distribuídas custas e honorários eqüitativamente, compensando-se os honorários.
É como voto.
Presidiu a sessão a Exma . Desa. Maria de Fátima Bezerra Cavalcanti. Participaram do julgamento, além do relator Eminente Dr. João Benedito da Silva, Juiz Convocado para substituir o Exmo. Des. Francisco Seraphico da Nóbrega Neto, o Exmo. Des. Antonio Elias de Queiroga e a Exma. Maria de Fátima Bezerra Cavalcanti.
-Fez-se presente a Exma. Sra. Dra. Neyde Figueiredo Porto, Procuradora de Justiça.
Sala de sessões da Segunda Câmara Cível, do Egrégio • Tribunal de Justiça, em João Pesso .reffi-1 de dezembro de 2005.
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