• Nenhum resultado encontrado

Modulo X

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Modulo X"

Copied!
26
0
0

Texto

(1)

Módulo X - Mediação de Conflitos na Educação:

Aprendendo a Conviver

ITS Brasil1 Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República2 Colaboradores do MEC3

Primeiras palavras...

Em diversos momentos deste módulo, convidamos você a refletir e observar exemplos de como se manifestam os conflitos e de que modo podem ser resolvidos. Refletiremos sobre as habilidades a serem desenvolvidas para aprender a conviver, e sobre as características que devem ter os projetos de mediação de conflitos nos ambientes educacionais para que sejam eficazes. Conheceremos, também, as qualidades que os projetos de prevenção da violência devem trazer.

Há três módulos, já trabalhados neste curso, que particularmente guardam uma estreita sintonia com este módulo X - Mediação de Conflitos na Educação: Aprendendo a

Conviver. Esses módulos são os seguintes:

Módulo V: Direito à Educação, Direito ao Trabalho e Direito à Seguridade Social; Módulo VIII: Mediação Passo a Passo;

Módulo IX: Experiências de Mediação Popular no Brasil.

Os conteúdos trabalhados nesses três módulos serão de muita utilidade.

1 Edison Luís dos Santos, Irma R. Passoni, Jesus Carlos Delgado García, Maria Auxiliadora Elias e Thais

Stella T. Araújo.

(2)

 1. PONTO DE PARTIDA: TRÊS CASOS DE 

CONFLITIVIDADE NO ÂMBITO EDUCACIONAL 

Para iniciar o estudo deste módulo, foram escolhidos casos de violência ou de conflito no âmbito da educação4, a partir dos quais podemos introduzir o processo de ensino-aprendizagem.

Para cada um dos casos, pedimos a você que se imagine no lugar do gestor da instituição de ensino e pense numa proposta de resolução do conflito ou de mediação possível. Mais adiante veremos como cada caso foi trabalhado, e qual foi o desfecho de cada história.

CASO 1

O caso da rejeição de aluno com doença de pele

Houve um aluno em uma das escolas que vinha sofrendo, uma exclusão, uma rejeição dos colegas. Era inclusive considerado um aluno “problema”, menino “estranho”, “bravo”, “arisco”... Toda a escola o olhava de uma maneira apreensiva, inadequada, marcando distância dele.

Na verdade, o que estava acontecendo? Ele tinha um problema de pele seríssimo. Quando a roupa grudava em sua pele, devido ao sangramento, provocava um cheiro desagradável, fator esse que dificultava um convívio normal. Os que não entediam riam, outros fugiam dele. O menino ficava isolado, deprimido e às vezes irritado, bravo... Ele já estava na escola havia algum tempo e não acontecia nenhum atendimento. Convivia-se com a situação, sabendo, por informações da família, que ele tinha um problema de pele e ponto.

Fonte: Reconstituição a partir de documentação e entrevistas

4 Trata-se de casos reais, extraídos da tese de doutorado de Maria Auxiliadora Elias, intitulada Violência

escolar e implicações para o currículo: o projeto pela vida, não à violência – tramas e traumas. PUC, São Paulo, 2009.

(3)

CASO 2

O caso dos pais que querem a expulsão da menina que morde e bate nos colegas ou, então, seus filhos mudariam de escola.

Uma escola chamou a equipe central da Secretaria de Educação após um grupo de pais de crianças, entre oito e nove anos, de uma mesma sala de aula, ameaçarem de transferir seus filhos para outra escola caso a diretora não tomasse providências em dar

um jeito em uma das alunas que apresentava uma conduta violenta (batia e mordia os colegas sem motivos, chutava a porta, agredira a professora porque esta parou de bater corda para que a aluna pulasse, entrava em surto e não parava na sala, somente se comunicava mediante atitudes violentas...)

Fonte: Reconstituição a partir de documentação e entrevistas

CASO 3

O caso do roubo de R$ 200,00 da bolsa da professora

Outro fato que mobilizou a equipe central da Secretaria de Educação foi a ocorrência de suspeita de um aluno ter roubado da bolsa da professora uma quantia de dinheiro (na época R$ 200,00). Era um caso típico de encaminhamento imediato para a polícia ou a guarda municipal...

Fonte: Reconstituição a partir de documentação e entrevistas

 

Para você refletir, anotar e dialogar:

O que pode ser feito para solucionar esses conflitos?

Quais iniciativas e ações podem ser tomadas para que se realize o direito a educação dessa menina e desses meninos e ao mesmo tempo solucionar os conflitos mencionados?

LEMBRE QUE NO FINAL DO MÓDULO (ATIVIDADES), VOCÊ PODERÁ ENRIQUECER SUA REFLEXÃO ANALISANDO O QUE REALMENTE FOI FEITO NESSE CASO.

(4)

 

2. CONFLITO E EDUCAÇÃO DA CONVIVÊNCIA NO  ÂMBITO EDUCACIONAL 

Muitas pessoas fazem parte dos espaços educativos. Por exemplo, dentro do espaço escolar temos professores e professoras, alunos e alunas e seus familiares, conselheiros e conselheiras de escola, funcionários e funcionárias (direção, pessoal administrativo, limpeza, cozinha, manutenção...) e comunidade local. É uma grande rede de relações, na qual se vivenciam todo tipo de encontros e desencontros.

É preciso que essas relações tenham a qualidade necessária para que todos os envolvidos nos ambientes educacionais possam se desenvolver, crescerem como pessoas, aprenderem a conviver. Conviver na educação significa viver juntos de forma dialogada e construtiva, estabelecendo relações de ensino e aprendizagem. Isso é tão importante que o tema “Aprender a viver juntos” ou “Aprender a conviver” compõe um dos quatro pilares da educação para o século XXI recomendados pela UNESCO.5

OS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO:

• APRENDER A CONHECER • APRENDER A FAZER

• APRENDER A VIVER COM OS OUTROS • APRENDER A SER

Vejamos agora algumas ideias sobre esse aprendizado da convivência, tomadas do texto Educação um tesouro a descobrir. O que você acha? Será possível às ideias seguintes saírem do papel e serem levadas para a prática?

5 DELORS, Jacques. (Org.) Educação um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão

Internacional sobre Educação para o século XXI. São Paulo; Brasília: Cortez Editora/Unesco/MEC, 1998. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ue000009.pdf.

(5)

Aprender a viver juntos, aprender a viver com os outros “Sem dúvida, aprender a viver juntos representa, hoje em dia, um dos maiores desafios da educação. O mundo atual é, muitas vezes, um mundo de violência que se opõe à esperança posta por alguns no progresso da humanidade”. (p. 96)

“É de louvar a ideia de ensinar a não-violência na escola, mesmo que apenas constitua um instrumento, entre outros, para lutar contra os preconceitos geradores de conflitos”. (p. 97)

“A educação formal deve, pois, reservar tempo e ocasiões suficientes em seus programas para iniciar os jovens em projetos de cooperação, logo desde a infância, no campo das atividades desportivas e culturais, evidentemente, mas também estimulando a sua participação em atividades sociais: melhorias nos bairros, ajuda aos mais desfavorecidos, ações humanitárias, serviços de solidariedade”... (p. 99)

Então, vamos anotar desde já:

Na escola, junto com aprendizados tão importantes como, por exemplo, matemática, geografia e química, devemos também construir um processo de ensino-aprendizagem da convivência!!!

A seguir refletiremos sobre formas de incorporar o tema da convivência na pauta educativa, sem deixar de fora questões tão raras de serem tratadas como os conflitos e a prevenção da violência.

(6)

 

3. INTEGRAR O CONFLITO NO PROCESSO DE ENSINO‐ APRENDIZAGEM 

Para que se desenvolva um projeto de prevenção da violência e de mediação de conflitos é muito importante que ao mesmo tempo os centros educativos adotem o que poderíamos chamar de “pedagogia do conflito”.

Chamaremos aqui de pedagogia do conflito aquela que em sua filosofia educativa cuida da convivência inserindo o conflito como um elemento chave para o aperfeiçoamento das relações entre as diferentes pessoas que integram o ambiente educacional. Aprender a conviver a partir do conflito é o objetivo desse enfoque.

Como você já viu neste curso, os conflitos costumam ter um aspecto dinamizador no qual nos baseamos para que possa haver a mediação. Então, a educação pode fazer uma coisa parecida. A educação pode se apoiar nesse lado criativo do conflito para gerar aprendizados de convivência, na perspectiva de se consolidar uma cultura de respeito aos direitos humanos. Mas, atenção, quando na educação se aproveitam os conflitos para gerar aprendizados todos os integrantes da comunidade educativa têm que participar. Não é tarefa apenas dos educadores!

E no caso da violência? Seu tratamento e prevenção podem estar incorporados no processo pedagógico?

A violência costuma ser o resultado de conflitos mal resolvidos. A violência não é algo que venha da natureza como um terremoto ou um tsunami. Ela é socialmente construída. Nós, seres humanos, não nascemos violentos, nos tornamos violentos porque “aprendemos” a responder com violência aos conflitos. Sendo assim, podemos “desaprender” esses comportamentos violentos e aprender a conviver. As violências podem ser então, desconstruídas e prevenidas, afirmando-se assim, a possibilidade de educar na convivência para uma cultura de paz, de defesa e promoção dos direitos humanos, diálogo, negociação e formas não violentas de resolução de conflitos. Eis a distinção que necessita ser bem feita:

O conflito é: A violência é:

Natural e inevitável. Construída, aprendida e evitável.

Nessa direção, a educação da convivência deve ser levada em consideração o tempo todo, em todos os lugares, na sala de aula e no recreio, nas festas e nas reuniões, no Conselho de Escola, no pátio e nas atividades culturais... Contudo, isso não poderá

(7)

ser feito de forma espontânea ou individual. Tem que ser bem preparada e planejada com a participação de todos. Por isso, uma pedagogia do conflito, da convivência e de promoção dos direitos humanos deve estar incorporada no planejamento e nas atividades dos diversos ambientes educacionais, nas escolas, nos movimentos sociais, nas ONGs, nos partidos políticos, nos sindicatos, nas igrejas...

Para concretizar na prática algumas formas dessa pedagogia do conflito e de promoção dos direitos humanos, recomendamos: a educação em valores, as habilidades sociais, os grupos cooperativos de aprendizagem, os jogos cooperativos, a formação dos educandos e educandas para uma cidadania ativa. E, por fim, a mediação de conflitos e a prevenção da violência, tópicos que terão maior destaque neste módulo X.

Educação em valores

Os valores são realidades muito diferentes dos conteúdos ou conhecimentos intelectuais aprendidos em sala de aula. Uma coisa é aprender que Brasília é a capital de Brasil e outra muito mais profunda é aprender a ser um cidadão brasileiro ativo, que se preocupa pelos problemas que temos e dedica parte de sua vida, tempo e esforço para voluntariamente contribuir com a transformação da realidade. Mas afinal como estamos entendendo o valor?

Concebemos o valor como uma crença básica através da qual interpretamos o mundo, damos significado aos acontecimentos e à nossa própria existência. Obviamente, falamos dos valores mais radicais, aqueles que estão mais diretamente vinculados com o homem e contemplados na Declaração Universal dos Direitos Humanos (ORTEGA, MÍNGUEZ, GIL,

1996: 12).

A prevenção da violência, o aprendizado da convivência, a educação em direitos humanos e a pedagogia do conflito exigem trabalho com formas pedagógicas adequadas. Dentre elas, a educação em valores é fundamental. Consideramos valores principais:

ƒ A dignidade ƒ O respeito ƒ A justiça ƒ A democracia ƒ A paz ƒ A tolerância ƒ O diálogo ƒ A solidariedade ƒ Os direitos humanos...

(8)

Como se aprendem os valores?

Pelo que já falamos, fica claro que o ensino e a aprendizagem dos valores não irão ocorrer com a simples transmissão de ideias, conceitos ou saberes. Ou seja, a solidariedade, o diálogo, a justiça, ou seja, os valores intrínsecos aos direitos humanos, não se aprendem, nem se ensinam unicamente porque se estudem ou se escute falar sobre a ideia ou o conceito de solidariedade, diálogo, justiça, mas porque se conhecem exemplos de pessoas solidárias, que sabem dialogar, que são justas, que lutam pelos direitos humanos... Porque esses valores se experimentam no próprio ambiente, realidade e contextos em que vivem os educandos.

É necessário, então, experimentar o valor para aprendê-lo?

Sim, para aprender valores é necessário ver exemplos positivos de valores no nosso entorno, sintonizar com eles ou sentir indignação quando presenciamos injustiças. Mas, isso é ainda insuficiente para uma aprendizagem mais completa dos valores. Eles não só vem da experiência como voltam para ela. Quer dizer, aprendem-se para praticarem-se. E só se aprendem, só existe apropriação verdadeira dos valores quando os mesmos são praticados. Aprendemos a ser justos praticando a justiça, aprendemos a dialogar dialogando etc.

Então, vamos lembrar desde já:

A melhor forma de aprender os valores é vivenciando-os no entorno e praticando-os na própria vida!!!

Para refletir:

É muito comum nos emocionarmos quando assistimos em um filme cenas em que há solidariedade, justiça, tolerância etc. Agora, vamos pensar nos ambientes educacionais em que participamos, ou seja, na vida real. Será que estamos também atentos a estes atos humanos de solidariedade? Damos o merecido valor e destaque quando vemos esses valores sendo praticados? Ou será que repetimos o que a mídia faz? Ressaltamos, de forma sensacionalista, muito mais os atos negativos que ocorrem ao nosso redor?

(9)

- Habilidades Sociais

As habilidades sociais referem-se à capacidade para interagir positivamente com as pessoas, como saber se comunicar, lidar com as diferenças, entrar em acordos, e até saber fugir das situações de risco. Elas favorecem a obtenção de resultados positivos no convívio social, como a maneira pacífica e respeitosa de tratar os direitos e opções das outras pessoas.

As habilidades sociais manifestam-se quando: - Demonstro um trato fácil com as demais pessoas - Sei fazer amigos

- Enfrento sem dificuldade as relações de conflitos que surgem – conversando com fluidez e sem tropeços – expressando meus pontos de vista e desacordos sem que os demais se sintam atacados

- Sei dizer “não” e recuso qualquer coisa que me ofereçam, às vezes por parte de amigos, e que me pareça arriscada, sem que estes se sintam feridos, magoados ou menosprezados.

- Sei chegar a acordos.

- Aceito, tolero os desacordos e consigo manter minhas opções/escolhas diferentes frente à de meus amigos.

- Me valorizo positivamente

- Respeito às opções diferentes das minhas.

A aquisição dessas habilidades leva a pessoa ao alcance de um bem estar que traz reflexos positivos consideráveis à própria saúde.

Neste sentido, por que se fala de habilidades?

Porque se deseja enfatizar que não é algo inato ou que vai com a pessoa como se fosse um presente dos deuses ou da natureza. Muito pelo contrário, é algo aprendido

socialmente, como quem aprende um idioma ou outra destreza que chega a se executar com graça e desenvoltura.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, as habilidades “ajudam as pessoas a enfrentarem adequadamente as exigências e desafios da vida diária”. (OMS, 1993)

Tais habilidades podem ser aplicadas no âmbito das ações pessoais, na interação com as demais pessoas ou às ações necessárias para transformar o entorno, de tal maneira que este seja favorável à saúde e ao bem estar (OMS, 2003).

(10)

Por isso, fica um alerta e uma tarefa: que a educação em suas várias dimensões deve cuidar do desenvolvimento dessas habilidades em cada um dos integrantes do processo educativo, qualquer que seja o âmbito.

- Grupos cooperativos de aprendizagem

Outra estratégia muito interessante para se desenvolver o convívio e o processo de aprendizagem proposto refere-se ao trabalho cooperativo de aprendizagem (DÍAZ-AGUADO, 2005; LOPES & SILVA, 2009), envolvendo grupos heterogêneos. Ou seja, grupos formados por pessoas diferentes, cuidadosamente organizados para se garantir a possibilidade de que se estabeleçam processos de troca e de relações educativas que culminem com um melhor aprendizado muito mais rico e o sucesso educativo para todos seus integrantes.

Nesses grupos de aprendizagem colaborativa todos cooperam e se ajudam no aprendizado e todos devem ter oportunidade de aprender e ensinar em algum momento. O resultado do trabalho será mérito de todo o grupo, no qual todos aprendem, todos saem fortalecidos, todos ganham.

Quando se trabalha com grupos cooperativos os participantes aprendem ao mesmo tempo duas coisas: os conteúdos e a conviver

- Jogos cooperativos

De acordo com Jares (2002), além de sua vertente lúdica e prazerosa, e que deve fazer parte de todo projeto educativo, os jogos cooperativos indicam uma interessante estratégia para se trabalhar o grupo. Uma estratégia que facilita a estruturação cooperativa do grupo pelo próprio efeito da distensão, porque a dinâmica dos jogos direciona a cooperação e não à competição, gerando um clima de segurança, confiança e apoio mútuo, tornando o trabalho didático mais agradável para todos e fazendo produzir melhores resultados.

 

Para saber mais:

(11)

- Formação de cidadãos e cidadãs ativo(a)s

A formação de cidadãos e cidadãs ativo(a)s sugere que as pessoas, como resultado do processo educativo na perspectiva de uma pedagogia que contemple a cidadania e os direitos humanos, passem a ser construtoras de um mundo melhor e multiplicadoras de um novo jeito de ser no mundo.

Cidadãos e cidadãs ativos, voluntários, militantes de tantas causas e movimentos sociais... Essas pessoas desvendam criticamente a realidade, situando-se diante dela, e se sentem encorajadas e empoderadas para intervirem, atuarem e transformarem a realidade na conquista da justiça e da paz. Este curso de direitos humanos e mediação de conflitos foi pensado para pessoas assim..., como você.

Pessoas conscientes, críticas, esperançosas, ativas e com anseios de mudanças e dispostas a lutar para a conquista de um mundo melhor. Esse perfil necessita ser multiplicado. Dessa forma, outras pessoas podem ser preparadas e estimuladas a assumir esta tarefa. Por isso, para uma Pedagogia do Conflito devem-se reservar espaços que propiciem a formação de, cada vez mais, cidadãos e cidadãs ativos.

Nosso grande mestre Paulo Freire, em 1986, quando recebeu o Prêmio Unesco da Educação para a Paz, disse que a educação da paz realiza-se através da justiça:

De anônimas gentes, sofridas gentes, exploradas gentes aprendi sobretudo que a Paz é fundamental, indispensável, mas que a Paz implica lutar por ela. A Paz se cria, se constrói na e pela superação de realidades sociais perversas. A Paz se cria, se constrói na construção incessante da justiça social. Por isso, não creio em nenhum esforço chamado de educação para a Paz que, em lugar de desvelar o mundo das injustiças o torna opaco e tenta miopizar as suas vítimas. (FREIRE, A. M. A. [Nita], 2006: 388)

Pense um momento:

Foi na escola que você aprendeu os valores da militância, da luta, do

compromisso? Já pensou como seria uma escola na qual se aprendesse muito bem todas as matérias e também a ser um cidadão ativo, um militante, um lutador por um mundo melhor? Você tem alguma sugestão sobre como educar militantes para

(12)

 

4. MEDIAÇÃO DE CONFLITOS EM AMBIENTES  EDUCACIONAIS 

Quando uma escola implanta um Projeto de Mediação de Conflitos deve fazê-lo buscando responder de uma forma educativa aos problemas de convivência, de disciplina e de violência. Isto é, um Projeto de Mediação de Conflitos deve fazer parte de um processo mais amplo que temos chamado de Pedagogia do Conflito e da Convivência.

A partir de agora iremos dar um destaque especial sobre a mediação de conflitos em ambientes educacionais. Para ver como pode funcionar concretamente um Projeto de Mediação de Conflitos na Escola, observe no seguinte caso as diferenças entre utilizar ou não a mediação de conflitos.

O CASO DE JOÃO E TEREZA6

Na aula de matemática, um aluno, o João, voltou a bater em Tereza, sua colega sentada na carteira vizinha. O Professor Luis, que nesse

instante estava escrevendo no quadro de giz, percebeu o que aconteceu.

A) ABORDAGEM PUNITIVA: Veja uma forma de atuar quando não há na escola um

Projeto de Mediação de Conflitos e se adota um procedimento punitivo, passando para frente ou empurrando o problema para outros.

O Professor Luis parou a aula e dirigiu sua atenção para João, o aluno agressor. Disse a ele estar cansado de seu mau comportamento e de que interrompesse a aula constantemente.

Encaminha-o à Direção da Escola com um comunicado de expulsão da sala de aula. Depois que João sai da sala, Luís pode continuar com sua aula.

Quando João chega à diretoria, tem que esperar uns minutos para que Ignácio, o Diretor, termine de atender outros alunos. Depois que João entrega o comunicado de expulsão da sala, passa a responder a algumas perguntas em relação ao acontecido. O Diretor comunica a João que já ultrapassou os limites da paciência e que por reiteração das ocorrências sofrerá uma suspensão de três dias. João deverá levar um comunicado da escola para seus pais.

6 Adaptado das aulas da matéria Mediação, ministradas pelo professor Juan Carlos Torrego Seijo, curso

de Máster Programas de Intervenção Psicológica em Contextos Educativos da Universidade Complutense de Madri.

(13)

B) ABORDAGEM DA MEDIAÇÃO: Veja outra forma de atuação quando há um Projeto de Mediação, integrado a uma pedagogia do conflito.

O Professor Luis parou a aula e dirigiu sua atenção a Tereza, para comprovar como ela se encontrava. Lembra a todos e todas a importância do respeito mútuo e do cumprimento das normas da sala de aula, que foram construídas coletivamente.

Repreende a João e encaminha-o para a Diretoria, com um comunicado justificando a conveniência da sua retirada da sala de aula.

Ignácio, o Diretor, fala com João e lhe comunica que o encaminhamento convencional é aplicar a sanção prevista de suspensão por três dias. Mas convida-o para que participe de uma sessão de mediação de conflitos com Tereza e mais dois membros da Equipe de Mediação de Conflitos com a finalidade de ajudar a resolver o conflito, restaurando o processo de comunicação. Em caso de que João aceite esta possibilidade de contar com a Equipe de Mediação de Conflitos, a sanção ficaria suspensa e seria posteriormente avaliada, depois de finalizar a mediação.

Entretanto, Felipe, o representante dos alunos, comentará com Matilde, a Coordenadora Pedagógica, o acontecido para que seja tratado na reunião de revisão do cumprimento das normas da sala de aula.

Luiza, uma aluna ajudante da Equipe de Mediação de Conflitos se aproximará de Tereza e a acompanhará durante os dias seguintes.

Quando termina a aula, o Professor Luis se dirige novamente a Tereza para perguntar como está, e procura a Coordenadora Pedagógica para comentar o acontecido.

A partir deste momento o professor Luis levará em consideração o problema ocorrido no planejamento das suas aulas.

João aceitou a mediação e o Diretor, Ignácio, comunicou ao Coordenador da Equipe de Mediação de Conflitos da Escola, que já iniciou o processo de pré-mediação, marcando separadamente uma reunião com João e outra com Tereza. A Equipe de Mediação de Conflitos, sabendo que se trata de um caso repetido de agressão física está preparada tanto para averiguar a raiz do problema ouvindo ambos como para avaliar a possibilidade de se passar para a fase de mediação. Em princípio, espera-se que o João possa se situar no lugar de Tereza e compreendendo o dano que fez, esteja disposto a pedir sinceramente desculpas e mudar seu comportamento. A Equipe espera, também, que Tereza esteja mais fortalecida e disposta a participar do processo de mediação.

Depois disso, João e Tereza se reunirão com dois membros da Equipe de Mediação de Conflitos para dar início ao processo de mediação...

 

Para você refletir, anotar e dialogar:

Pelo exemplo acima, pensando nas duas formas de tratamento dado ao problema de convivência, quais são as fortalezas e debilidades da abordagem

(14)

Antes de debruçarmos sobre o funcionamento de um projeto de mediação de conflito no âmbito educacional é necessário saber que existem pré-condições para que eles funcionem adequadamente. Por exemplo, a escola deve ser democrática e aberta à participação de todos: aluno(a)s, professore(a)s, pais/mães/responsáveis, funcionário(a)s, comunidade etc. Se uma escola for autoritária, não tem conselho de escola funcionando bem, nem organização de estudantes ou conselhos mirins, como é que pretende que dê certo um programa de mediação dos conflitos entre alunos? Ademais, a escola democrática não é só uma exigência para a mediação de conflitos. Ela expressa também uma exigência legal. Estamos nos referindo à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que trata da gestão democrática, no artigo 14:

Art. 14 - Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:

I. Participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola;

II. Participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.

(LDB, 1996).

Para desenvolver neste item o tema dos programas de mediação de conflitos em ambientes educacionais, seguiremos de perto o texto das professoras especialistas Rosário Ortega e Rosário Del Rey (2006), que coordenam em Espanha um dos mais reconhecidos projetos de prevenção da violência escolar: Projeto Andaluzia Anti-Violência

Escolar (ANDAVE).

Desenvolver um programa de mediação

A proposta que aqui será apresentada deve ser compreendida como uma das possibilidades de se colocar em prática a mediação de conflitos em ambientes educacionais. Concretamente, propõem-se as seguintes fases:

Fases da implantação de um programa de mediação de conflitos em ambientes educacionais

• Sensibilização e informação • Seleção dos mediadores • Formação dos mediadores

• Desenvolvimento de um processo de mediação • Avaliação do programa

(15)

Sensibilização e informação

Como já mencionado, o programa de mediação deve ser conhecido pelos possíveis usuários, reconhecido como instrumento útil e aceitas suas condições pelos protagonistas. Portanto, é necessária uma fase de ampla divulgação do serviço em que devem ser especificadas a qual público se destina e suas vantagens. Esta fase pode ser feita através de cartazes informativos, folhetos ou mensagens claras coordenados por educadores com a colaboração de educandos e educandas, voluntários para o desenvolvimento do programa. Toda pessoa que mostre interesse em participar deve ser integrada de uma ou outra maneira nas atividades.

Seleção dos mediadores

Durante a fase de sensibilização, as pessoas voluntárias ou candidato(a)s a mediadores devem se inscrever, pois serão selecionados aqueles que se converterão em mediadores e os que servirão de apoio ao programa, participando em tarefas complementares, tendo em vista que nem toda pessoa é suscetível de ser mediador(a). Quando se dispõe da lista de candidatos, estes devem ser entrevistados com o objetivo de valorizar sua motivação, disponibilidade de tempo, suas atitudes frente à tarefa e muito especialmente suas habilidades sociais, capacidade de diálogo e de estabilidade emocional, para estarem seguros de que não foram incluídos educando(a)s que tenham fortes dificuldades consigo mesmos e/ou com os demais, o que os converteria, ao menos provisoriamente, em candidato(a)s pouco habilitado(a)s.

A seleção dos/as mediadores/as deve seguir os seguintes critérios:

ƒ Voluntariedade e motivação;

ƒ Solidariedade e capacidade de diálogo;

ƒ Disponibilidade de tempo para o treinamento e o desenvolvimento de mediações futuras;

ƒ Ser aceito socialmente; ƒ Bom nível de auto-estima;

ƒ Aceitação das características e normas básicas do programa.

Formação do(a)s mediadore(a)s

Uma vez selecionada a equipe de mediadore(a)s, esta deve ser formada, preparada. Esta formação deve incluir lições claras e bem organizadas referidas, entre outros, aos processos de desenvolvimento e apresentação da vida afetiva, a empatia, a

(16)

capacidade de diálogo, a natureza do conflito e a escuta ativa. A formação deve abranger aspectos teóricos e práticos, ainda que a chave fundamental da formação deva ser prática.

É importante que a formação seja ministrada por pessoas especializadas, mas se não for possível, um pequeno grupo de educadores/as deveria ser previamente formado para fazê-lo.

Neste processo de formação devem participar os/as educandos/as selecionados/as como futuros mediadores. Os itens a seguir devem acompanhar o processo de formação do(a mediador/a e são positivos para qualquer pessoa, inclusive todas as pessoas que direta ou indiretamente farão parte do programa.

ƒ Atitudes de escuta responsável e objetiva ƒ Empatia com os sentimentos dos demais ƒ Imparcialidade ante o conflito

ƒ Liberdade de expressão

ƒ Respeito para com os sentimentos e emoções.

Desenvolvimento de um processo mediação

Um processo de mediação começa quando duas partes em conflito demandam ser mediadas e solicitam um(a) mediador(a).

Para isso, é necessário que o programa disponha de um mecanismo de acesso aos mediadore(a)s, assim como de um sistema de escolha que, por um lado, deixe a salvo a liberdade do(a)s usuário(a)s e que, por outro, permita, se for necessário, que o próprio programa faça a escolha, em primeira instância, do mediador ou mediadora.

Assim, a mediação não se deve realizar nunca sem o consentimento e a aceitação plena das pessoas em conflito que serão as protagonistas do processo.

Uma vez escolhido o mediador ou mediadora, realiza-se a primeira sessão de mediação que é de extraordinária importância.

Esta primeira sessão de mediação começa com a apresentação das normas gerais da mediação, mas esclarecendo que haverá um espaço de tempo para serem combinadas as normas específicas da mediação em questão. Neste sentido, é imprescindível estabelecer, por meio do diálogo com as partes, um acordo, ao menos provisório, sobre os seguintes aspectos:

(17)

ƒ O número aproximado de sessões necessárias;

ƒ O avanço que significa a decisão e aceitação de serem mediados.

ƒ Que a principal tarefa é buscar solução ao problema apresentado, e assim sendo, deve ser ativada a disponibilidade para o diálogo.

ƒ Que o mediador não imporá nunca seu próprio critério aos protagonistas, somente quando seja necessário relembrar as normas ou recorrer a elas para interromper agressões ou falta de diálogo, a exclusão de qualquer tipo de ataque direto ou indireto, entre outras que considerem necessárias os protagonistas.

Na primeira sessão de contato e acordos iniciais, se desenvolvem as chamadas sessões intermediárias que supõem o verdadeiro desenvolvimento da mediação.

Estas sessões intermediárias devem ter uma estrutura de trabalho na qual se possa apreciar como, pouco a pouco, os interlocutores vão aprendendo a expressar seus sentimentos, em princípio, carregados de ansiedade, medo, frustração ou ressentimento, de forma mais clara e objetiva.

Desta forma, espera-se que cada um aprenda a falar da sua própria visão das coisas, assumindo que esta é uma visão parcial e admitindo outras opiniões sobre o assunto. Durante este processo deve-se ir observando que a conversa vai mudando e os protagonistas vão assumindo suas próprias emoções e percebendo as emoções do outro.

Passadas as sessões de trabalho previstas, deve-se buscar o encerramento e o/a mediador/a deve avisar aos protagonistas de que o processo deve ser finalizado e os mesmos devem assumir dita finalização. Vale lembrar que o processo da mediação poderá ou não apresentar êxito, mas deve estar claro que este não deve durar mais do que já foi combinado na primeira sessão.

A mediação poderá ser concluída com uma ou duas sessões de encerramento em que se valorizam as conclusões e se assumem os compromissos parciais e seu cumprimento, assim como um novo pacto de convivência entre protagonistas. Ou, pelo contrário, se assume que não se alcançou as metas propostas e que haverá que buscar um novo caminho para abordar o conflito.

Paralelamente, para o acompanhamento deste processo, o ambiente educativo deve contar e oferecer um respaldo que legitime o processo, oferecendo elementos de controle e segurança, ou seja, acompanhamento e avaliação. O que deve levar aos mediadores sentirem-se protegidos pela instituição e ao mesmo tempo esta possa expressar confiança nos mediadores como especialistas.

(18)

Avaliação do programa

Desenvolver um programa é essencial, mas é preciso saber se, por trás desse desenvolvimento, foram alcançados os objetivos propostos, além de outros efeitos possíveis que resultaram do programa.

Avaliar o programa também implica valorizar as dificuldades encontradas durante o processo para poder elaborar propostas de melhora para futuras ocasiões. Esta fase de avaliação pode ser realizada de maneira mais ou menos sistemática mas sempre deve incluir a análise das percepções de todos os envolvidos: toda a comunidade educativa, o(a)s mediadore(a)s e o(a)s usuário(a)s do programa.

 

5. PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA DESDE CONTEXTOS  EDUCACIONAIS 

Entre os principais problemas e conflitos apresentados por estudantes na escola, inclusive através de dados resultantes de pesquisas sobre a temática, encontramos: violências de todo tipo, das mais graves como chacinas, homicídios e suicídios a outras, como falar mal de outro/a nas suas costas; ignorar a presença de um ou não deixar participar em alguma atividade; insultos ou colocação de apelidos ofensivos; esconder, roubar ou quebrar coisas do colega; bater; ameaçar somente para causar medo; obrigar a fazer coisas com ameaças; preconceitos e racismo; machismo, violência de gênero e homofobia; comércio e tráfico de drogas; depredações; falta de disciplina e interrupções das aulas; Bullying (acosso e perseguições sobre as quais falaremos em seguida) e novas formas de violência como ciberbullying (perseguição por e-mail ou internet) e happy

slapping (gravar com celular ataques ou humilhações de um colega para depois

difundi-los por internet)...

Entretanto, não devemos esquecer a violência que a escola causa às crianças; não apenas por comportamentos autoritários dos professores ou direção do centro, mas também, toda vez que a escola não consegue desenvolver o potencial de aprendizagem que seria esperado, seja no desenvolvimento pessoal e cultural dos alunos ou na preparação deles para o mercado de trabalho.

Isto é muito importante, porque a melhor forma de prevenir a morte de jovens, hoje no Brasil, é conseguir que permaneçam na escola, já que a principal causa da mortalidade infanto-juvenil é constituída pelos homicídios (45%), conforme se observa

(19)

no gráfico seguinte, que afetam sobretudo aos jovens pobres e marginalizados que abandonaram a escola.

Como diz Alba Zaluar, “Ter o Ensino Médio no Brasil faz diferença”:

No Brasil, não se trata, como na África, Ásia e Europa do Leste, onde exércitos mobilizam crianças e adolescentes, de trazer a criança de volta à escola. Trata-se de melhorá-la de modo que não se tornem defasados no estudo e acabem se tornando evadidos. Trata-se de diminuir o contingente de jovens pobres que não trabalham, nem estudam, que vagam pelas ruas, que reforçam as hostes dos que procuram as quadrilhas para se sentirem protegidos e encontrarem fontes de poder, dinheiro e aceitação de seus pares. (ZALUAR,

2006: 14-15)

Então, vamos anotar desde já:

Expulsar um aluno(a) da escola é, sempre, a pior forma de resolver o conflito e pode iniciar um percurso que o leve a uma

condenação à morte!!!

Hoje em dia, dentre as violências que acontecem em ambientes educacionais, uma das mais comentadas e freqüentes é o bullying. Em inglês, bullying significa algo parecido com “valentão”, e foi o termo escolhido pelo pesquisador e professor sueco Dan Olweus para caracterizar um tipo de violência, provavelmente o fenômeno hoje mais

(20)

típico e estudado quando se fala de violência escolar. Olweus entende por bullying uma situação na qual “um aluno é agredido ou se converte em vítima quando está exposto, de

forma repetida e durante um tempo, a ações negativas que leva a cabo outro aluno ou vários de eles” (OLWEUS, 1998: 25). Para que o bullying chegue a constituir-se é

necessário que apareçam as seguintes características:

a) intencionalidade de causar dano;

b) repetição ou reiteração do comportamento;

c) desequilíbrio ou relação de domínio-submissão entre o(s) agressor(e)s e a vítima; d) presunção de impunidade por parte do agressor e impotência da vítima para se defender

ou comunicar a outros sua situação.

Dessa forma, os alunos ou alunas envolvidas nessas situações de bullying mantêm uma relação ou um vínculo de domínio-submissão. O agressor aprende a dominar à vítima e freqüentemente comete várias violências sobre ela. A vítima sofre calada essas violências e se submete, não tendo forças ou habilidades para conseguir respeito, nem para escapar, nem para pedir ajuda a outros colegas ou pessoas adultas. Os demais alunos, chamados de espectadores, adotam uma espécie de lei do silêncio, segundo a qual tudo isso que se passa entre o mundo dos alunos não pode ir para fora deles. Mediante esse comportamento, os alunos espectadores contribuem para consolidação dessas práticas violentas e torna mais difícil que os adultos ou professores detectem o problema. A prevenção do bullying pede que sejam desenvolvidas ações específicas para agressores, vítimas e espectadores.

O quê fazer diante de situações de violência? Como você já estudou neste módulo, não é possível mediar a violência. Ela deve ser combatida e prevenida. E há que praticar e educar na convivência, na cultura de paz, nos valores da tolerância, respeito, diálogo etc.

Como regra geral de prevenção da violência é válida a ideia do sociólogo francês, Wieviorka (2006), quando ele fala de transformar a violência em

conflito. Segundo o autor, é possível evitar a explosão da violência, se forem

adotadas formas institucionalizadas de diálogo, negociação e outras formas de resolução de conflitos, como por exemplo, a mediação.

Para que os projetos de prevenção da violência em ambientes escolares sejam bem sucedidos, devem ser inspirados nos seguintes princípios de atuação:

(21)

PRINCÍPIOS DE ATUAÇÃO PARA PROJETOS E PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA EM AMBIENTES EDUCATIVOS

1. Antes de serem considerados como seres perigosos, violentos, delinqüentes ou criminosos, (como as mídias costumam retratar, sobretudo tratando-se de escolas de periferia) os jovens, adolescentes e crianças, envolvidos em situações de violência, devem ser tratados como aquilo que previamente são: Vítimas.

2. Uma das melhores formas de prevenir a violência no Brasil é seguir tudo aquilo que está disposto no Estatuto da Criança e o Adolescente– ECA. De forma muito correta, essa lei vê as crianças e adolescentes desde a perspectiva da pessoa como sujeito e dos direitos humanos, isto é, como sujeitos de direitos.

3. Por favor, não tente combater a violência com mais violência! Já é uma evidência científica, porque comprovado em numerosos estudos, que não funcionam os projetos que tentam prevenir a violência principalmente a base de autoritarismo, repressão e castigos.

4. É muito bom que as primeiras ações educativas de prevenção da violência comecem por curar ou cuidar das feridas e marcas que a violência estrutural e institucional da sociedade deixou no corpo e na alma das crianças e adolescentes.

Além desses princípios de atuação mencionados, a prevenção educativa da violência desde os ambientes escolares, como tarefa complexa que é, requer um conjunto articulado de medidas ou ações. A seguir, apresentamos quadro com descrição das ações que devem compor os projetos de prevenção da violência nas escolas:

(22)

O que deve contemplar um Projeto Preventivo à Violência em âmbito educacional

1. Elaboração de um conceito de violência que oriente as ações de prevenção.

Um projeto de prevenção deve ter um conceito de violência que sirva de referência. Devem ser feitas pesquisas-diagnóstico sobre as diferentes violências existentes, incluindo pesquisa sobre as apreciações subjetivas da violência por parte da comunidade escolar. Provavelmente haverá de ser necessário muito diálogo sobre possíveis conceitos de violência conflitantes.

2. Adoção de um modelo de gestão escolar baseado nos princípios da democracia participativa.

A democracia consiste numa forma pacífica de resolver conflitos. Daí que seja necessário adotar no centro escolar variadas formas de participação. Conselhos de Escola. Elaboração do Projeto Político Pedagógico. Normas de convivência. Formas não-violentas de resolução de conflitos. Formas de participação dos alunos na escola e criação de formas de representação de alunos: grêmios, Conselhos mirins, comissões de aula... Avançar do ponto de vista de aprovação de leis ou discussões sobre diretrizes ou políticas educacionais para a incorporação de atitudes, comportamentos e práticas democráticas no cotidiano da educação.

3. Criação de uma estrutura para o Projeto Preventivo e elaboração das orientações gerais de prevenção e intervenção

Manutenção de uma equipe de Coordenação do Projeto que sirva de apoio para a rede escolar. Plantões de serviços de atendimento à ocorrências de violência. Fluxo dos encaminhamentos diversos em relação aos diferentes fenômenos de violência. Sinais e pistas de reconhecimento de crianças vítimas de violência. Procedimentos de cuidados para as vítimas de violência. Disponibilidade de meios e recursos permanentes para atuação dos educadores (as) e da equipe do Projeto.

4. Formação na perspectiva da prevenção da violência escolar

Ações de sensibilização e divulgação do Projeto. Elaboração de campanhas, eventos e divulgação na mídia. Programa de formação para a comunidade escolar (professores/as, funcionários/as, alunos/as, famílias, conselheiros/as) nos temas inerentes à situações de violência escolar (violência, drogas, bullying, agressividade, currículo oculto etc.,) e da educação da convivência e da paz ( direitos humanos, ECA, educação em valores etc.). Formas cooperativas de aprendizagem.

5. Atividades culturais e de lazer

Trabalhar a prevenção implica a possibilidade da realização de atividades culturais e de lazer com vistas a propiciar a aproximação e interação das pessoas consigo mesmas e com os demais de forma lúdica, descontraída, em que o direito à diversão apareça. Oportunidades que possam contribuir para o fortalecimento da identidade cultural local e para o processo educativo.

6. Adequações do Espaço Físico e medidas de segurança

A arquitetura das escolas (o espaço físico, a forma com que são projetados e construídos os prédios, a distribuição dos espaços) é reveladora de formas de convivência e deve estar em sintonia com o propósito do trabalho de prevenção à violência escola.

7. Articulação com agentes externos à escola

A possibilidade de constituição de parcerias deve fazer parte da raiz de qualquer projeto de prevenção, na perspectiva de um trabalho em Rede envolvendo: famílias; representantes/promotores de políticas públicas (nas três esferas de governo); representantes da Vara da Infância e Conselho Tutelar; representantes das polícias (Guarda Municipal, Polícia Militar, Bombeiros); representante da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), representantes da Comunidade Local/Bairro/ONGs (Organização Não Governamental)...

8. Adoção de formas de avaliação do Projeto

Avaliar para possibilitar a aferição de resultados na prevenção da violência no âmbito educacional e que ao mesmo tempo deve contribuir para a orientação/reorientação das ações de prevenção.

Fonte: Adaptado de ELIAS, Maria Auxiliadora. Violência escolar e implicações para o currículo: o

(23)

Referências bibliográficas

BRASLAVSKY, C. (Org.) Aprender a viver juntos: educação para a integração da diversidade. Brasília, DF: Unesco/IBE/SESI/UnB, 2002.

CHRISPINO, A. Gestão do conflito escolar: da classificação dos conflitos aos modelos de mediação. Ensaio:

avaliação e políticas públicas em educação, Rio de Janeiro, v. 15, n. 54, p. 11-28, jan./mar. 2007.

_____. Mediação de conflitos: cabe à escola tornar-se competente para promover transformações. Revista do

Professor, Porto Alegre, ano 20, n. 79, p. 45-48, jul./set. 2004.

CHRISPINO, A.; CHRISPINO, R. S. P. Políticas educacionais de redução da violência: mediação do conflito

escolar. São Paulo: Biruta, 2002.

COLLARES, C.; MOYSES, M. Preconceitos do cotidiano escolar: ensino e medicalização. São Paulo: Cortez; Campinas, SP: Unicamp, 1996.

DELORS, J. (Org.) Educação um tesouro a descobrir. Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre

Educação para o século XXI. São Paulo; Brasília: Cortez Editora/Unesco/MEC, 1998. In: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ue000009.pdf.

DÍAZ-AGUADO, M. J. Aprendizaje cooperativo. Hacia una nueva síntesis entre la eficacia docente y la educación

en valores. Madrid: Santillana, 2005.

ELIAS, M. A. Violência escolar e implicações para o currículo: o projeto pela vida, não à violência – tramas e

traumas. Tese de doutoramento. São Paulo: PUC-SP, 2009.

FREIRE, A. M. A. (Nita) Educação para a paz segundo Paulo Freire. In: Educação, Porto Alegre, ano XXIX, n. 2

(59), p. 387-393, Maio/Ago. 2006. Disponível em:

http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/viewFile/449/345. JARES, X. R. Educação para a paz: sua teoria e sua prática. Porto Alegre: Artmed, 2002.

LOPES, J.; SILVA, H. S. A aprendizagem cooperativa na sala de aula. Um guia prático para o professor. Lisboa: Lidel, 2009.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Relatório mundial sobre violência e saúde. Genebra: Krug E. G. et

al. (Eds.), 2002. In: http://www.opas.org.br/cedoc/hpp/ml03/0329.pdf. ORTEGA, P.; MÍNGUEZ, R.; GIL, R. Valores y educación. Barcelona: Ariel, 1996.

ORTEGA, R.; DEL REY, R. La mediación escolar en el marco de la construcción de la convivencia y la prevención de la violencia. Avances en supervisión educativa. In: Revista da Associação de Inspetores de Educação da

Espanha, n. 2, 2006. Disponível em:

http://www.adide.org/revista/index.php?option=com_content&task=view&id=75&Itemid=30.

NASCIMENTO, N. M. do.; SOUZA, W. A. S. de.; RODRIGUES, R. B. Mediação escolar: desafios metodológicos e práticos da mediação como forma de enfrentamento da violência. In: OLIVEIRA, K. B.; OLIVEIRA, G. G. de. (Org.) Olhares sobre a prevenção à criminalidade. Belo Horizonte: Instituto Elo, 2009, p. 257-266.

OLWEUS, Dan. Conductas de acoso y amenaza entre escolares. Madrid: Ediciones Morata, 1998.

RUOTTI, Caren.; ALVES, Renato.; CUBAS, Viviane. Violência nas escolas: um guia para pais e professores. São Paulo: Andhep e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007. Disponível em:

http://www.nevusp.org/downloads/down235.pdf.

WIEVIORKA, Michel. Em que mundo viveremos? São Paulo: Perspectiva, 2006.

ZALUAR, Alba. Juventude, saúde e segurança pública no país. In: XVIII Fórum Nacional Por que o Brasil não é

um país de alto crescimento?. Rio de Janeiro: INAE - Instituto Nacional de Altos Estudos, 2006. Disponível

em: http://www.forumnacional.org.br/trf_arq.php?cod=EP01480.

 Para saber mais, acesse:

ƒ Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos - http://www.pr5.ufrj.br/pedh/documentos/pnedh.pdf. ƒ Caderno 11 Conselho Escolar e Direitos Humanos

- http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12619%3Apublicacoes-dos-conselhos-escolares&catid=195%3Aseb-educacao-basica&Itemid=859

ƒ SASTRE, Edilberto. Panorama dos Estudos Sobre Violência nas Escolas no Brasil: 1980-2009. SECAD/MEC

(24)

FILMOGRAFIA

Os filmes indicados referem-se a questões muito presentes no âmbito da educação, relações sociais e direitos humanos. Vale a pena conferir.

A língua das mariposas

O filme mostra os efeitos do fascismo na Espanha através dos olhos de um menino que começa a estudar e descobrir alguns segredos da vida adulta.

O poder de um jovem

Um órfão aterrorizado pela crença política de sua família, o pequeno PK, procura ajuda em seu único amigo: um gentil e experiente prisioneiro que o ensina a lutar boxe. "O pequeno quando é esperto vence o grande", diz o prisioneiro. "Primeiro com a cabeça, depois com o coração." Vivendo por essas palavras, PK amadurece lutando com os seus punhos e com o coração. Ele abala o sistema e as injustiças a sua volta e descobre que uma pessoa realmente pode fazer diferença.

As melhores coisas do mundo

O filme de Laís Bodanzky é um drama que conta a rotina de um grupo de adolescentes que vivem dilemas como o relacionamento com os pais, as disputas na escola e os preconceitos e descobertas do amor.

Mary e Max: uma amizade diferente

Uma história de amizade entre duas pessoas diferentes: Mary Dinkle, uma menina gordinha e solitária, que vive nos subúrbios de Melbourne, e Max Horovitz, um judeu que vive no caos de Nova York.

A onda

Neste drama, professor propõe um experimento que explique na prática os mecanismos do fascismo. Em pouco tempo, seus alunos começam a propagar o poder da unidade e ameaçar os outros. Quando o jogo fica sério, o professor decide interrompê-lo, mas descobre ser tarde demais.

Quando tudo começa

A trama focaliza a história do professor Daniel Lefebvre, que ensina crianças em Hernaing, uma pequena cidade que sofre com o fechamento das minas de carvão e enfrenta uma taxa alarmante de 34% de desemprego. Daniel e os outros professores são aconselhados a não se envolver com os problemas crônicos da comunidade, mas é impossível para Daniel permanecer imune à miséria, à falta de assistentes sociais, à indiferença do governo e aos sérios problemas domésticos que suas crianças enfrentam. Depois de um trágico incidente na escola, Lefebvre decide comandar uma campanha contra o governo local, reivindicando condições mínimas de vida e dignidade para a população. Além de dificuldades pessoais, como a doença do pai, um ex-mineiro que sofre de enfisema, ele irá enfrentar enormes dificuldades burocráticas e a maquinação das autoridades educacionais, que farão de tudo para colocar o professor na linha.

Nenhum a menos

Quando o professor da escola primária de Shuiquan tem de se ausentar durante um mês, o presidente da pequena aldeia, Tian, apenas consegue encontrar uma adolescente de 13 anos, Wei Minzhi, para substituí-lo. O professor Gao adverte-a para que não permita que mais alunos abandonem a escola, garantindo-lhe o pagamento de 50 yuan e mais um pequeno extra se for bem sucedida. Minzhi, pouco mais velha que alguns dos seus alunos (do 1º ao 4º ano, na mesma classe), pouco mais pode fazer do que escrever texto no quadro e ensinar uma ou outra canção. Mal a jovem professora estreia, uma pequena aluna é convidada a ingressar numa escola de desporto e, quase de imediato, Huike, um dos miúdos mais difíceis de controlar nas aulas, é obrigado a ir trabalhar para a cidade, pois vive só com a mãe, que está doente e imersa em dívidas. Minzhi recusa-se a perder outro aluno. Adaptado por Shi Shiangsheng do seu livro.

Escritores da liberdade

Hilary Swank, duas vezes premiada com o Oscar, atua nessa instigante história, envolvendo adolescentes criados no meio de tiroteios e agressividade, e a professora que oferece o que eles mais precisam: uma voz própria. Quando vai parar numa escola corrompida pela violência e tensão racial, a professora Erin Gruwell combate um sistema deficiente, lutando para que a sala de aula faça a diferença na vida dos estudantes. Agora, contando suas próprias histórias, e ouvindo as dos outros, uma turma de adolescentes supostamente indomáveis vai descobrir o poder da tolerância, recuperar suas vidas desfeitas e mudar seu mundo. Com eletrizantes performances de um elenco de astros, Escritores da liberdade foi produzido com base no aclamado best-seller

O diário dos escritores da liberdade.

A voz do coração

Ao receber a notícia do falecimento da mãe, o reconhecido maestro Pierre Morhange volta para casa. Lá, ele recorda sua infância por meio da leitura das páginas de um diário mantido por seu antigo professor de música, Clément Mathieu. Na década de 1940, o pequeno Pierre é um menino rebelde, filho da mãe solteira Violette. Ele freqüenta um internato dirigido pelo inflexível Rachin, que enfrenta dificuldades para manter a disciplina dos alunos difíceis. Mas a chegada do professor Mathieu traz nova vida ao lugar: ele organiza um coro que promove a descoberta do talento musical de Pierre.

Filhos do paraíso

É a história de um estudante de família pobre da parte Sul de Teerã que perde os sapatos recém consertados de sua irmã mais nova no caminho para a escola. Consciente de que a família não terá dinheiro para comprar outro par, ele pede à irmã Zahra que esconda o incidente dos pais. A situação os força a bolar o seguinte plano: Zahra usa os sapatos para ir à escola de manhã e Ali, à tarde. A partir do acontecimento, todas as ações das vidas dos pequenos vão se voltar para o importante objetivo de adquirir um novo par de sapatos: desde encontrar quem surrupiou o velho par remendado até participar de uma maratona para chegar em terceiro lugar. Por que terceiro? O prêmio para quem estiver no lugar mais baixo do pódio é o tão cobiçado sonho do casal de irmãos: um par de calçados novos.

Vermelho como o céu

Saga de um garoto cego durante os anos 1970. Ele luta contra tudo e todos para alcançar seus sonhos e sua liberdade. Mirco é um jovem toscano de dez anos apaixonado por cinema, que perde a visão após um acidente. Uma vez que a escola pública não o aceitou como uma criança normal, é enviado para um instituto de deficientes visuais em Gênova. Lá, descobre um velho

(25)

gravador e passa a criar histórias sonoras. Baseado na história real de Mirco Mencacci, um renomado editor de som da indústria cinematográfica italiana.

Entre os muros da escola

François se prepara para encarar mais um ano na escola em que trabalha; nada demais se a escola não ficasse em um bairro “perigoso”, mais François fará de tudo para que os seus alunos se comportem e o respeitem neste ano

A sociedade dos poetas mortos

Em 1959, na Welton Academy, tradicional escola preparatória, um ex-aluno se torna o novo professor de literatura, mas logo seus métodos de incentivar os alunos a pensarem por si mesmos cria um choque com a ortodoxa direção do colégio; principalmente em razão de o professor comentar com os seus alunos sobre a Sociedade dos Poetas Mortos.

O contador de histórias

O filme mostra a vida de Roberto Carlos Ramos (Cleiton Santos, na idade adulta), pedagogo mineiro e um dos melhores contadores de história da atualidade. Criado na Febem desde os seis anos de idade, aos 13 anos ele conhece a pedagoga francesa Margherit Duvas, que mudou sua vida radicalmente.

O jarro

O filme acompanha a história de duas meninas gêmeas, que foram trancafiadas em casa pela família, até os 11 anos de idade. Nesse período, nunca tiveram contato com outras pessoas a não ser com os pais. Criadas num bairro pobre do Teerã, as meninas foram descobertas a partir da denúncia dos vizinhos a uma Assistência Social.

Machuca

Chile, 1973. Gonzalo Infante e Pedro Machuca são dois garotos de 11 anos que vivem em Santiago. O primeiro, numa bela casa situada num bairro de classe média. O segundo, num humilde povoado ilegal instalado a poucos metros de distância da escola. Dois mundos separados por uma muralha invisível que alguns sonham em derrubar na intenção de construir uma sociedade mais justa, como o padre McEnroe, diretor de um colégio particular de elite onde Gonzalo estuda. Em meio à política comunista instalada por Salvador Allende no país, o diretor decide fazer uma integração entre estes dois universos, abrindo as portas do colégio para os filhos das famílias do povoado. É assim que Pedro Machuca vai parar na mesma sala de Gonzalo, ponto de partida para uma amizade cheia de descobertas e surpresas, que acontece paralelamente ao clima de enfrentamento que vive a sociedade chilena na violenta transição de Allende para Pinochet.

Bullying

Jordi é um garoto de 15 anos que recentemente perdeu o pai e, juntamente com sua mãe, decide mudar sua cidade para começar uma nova vida. E no princípio tudo parecia ir bem. Mas o destino vai reservar um choque, porque quando Jordi ultrapassar o limiar do novo instituto, que retoma, sem saber o transfronteiras escuro do inferno em si. E ele te convida para entrar, com um sorriso de refrigeração, é Nacho, um colega de classe, que apesar de sua idade agora pertence ao grupo dos que são alimentados só pelo medo e a dor dos outros.

Bang-bang: você morreu

“Jovens podem ser mais cruéis que todos. Naturalmente cruéis.” As palavras de Trevor Adams, que já foi estudante exemplar, refletem suas experiências no colégio. Ele era vítima de tão traumatizante perseguição que ameaçou destruir o time de futebol da escola. Mas a salvação veio através do Sr. Duncan, o professor de teatro, que ofereceu a Trevor o papel principal de sua peça, ao lado da bela Jenny Dahlquist. O professor e a garota tentam ajudá-lo a manter-se na linha. Mas há um risco: o sombrio enredo sobre assassinos em um playground, combinado com o passado problemático de Trevor, faz com que os pais tentem vetar a peça. Se eles conseguirem é possível que a voz de Trevor jamais seja ouvida e isso pode detonar uma bomba-relógio humana.

Uma lição de amor

Comovente história de Sam Dawson, um pai com deficiência mental que cria sua filha Lucy, ajudado por um grupo de amigos bem especial. Ao completar sete anos de idade, Lucy começa a ultrapassar seu pai intelectualmente, e a forte ligação existente entre os dois é ameaçada quando uma assistente social decide que a menina deve ir viver com uma família adotiva. Diante de situação em que aparentemente é impossível sair vitorioso, Sam decide enfrentar o sistema legal e estabelece uma incomum aliança com Rita Harrison, uma poderosa e egocêntrica advogada que inicialmente aceita o caso apenas por ter sido desafiada a fazê-lo por seus colegas. Numa análise superficial, os dois não poderiam ser mais diferentes, porém, na realidade, possuem sutis semelhanças. A natureza compulsiva de Sam espelha a obsessão de Rita em ser aceita socialmente, que é vista com mais naturalidade pela sociedade. Sua busca de perfeição e sucesso a distancia de seu filho e destrói lentamente sua autoestima. Juntos, eles se empenharão em convencer o sistema de que Sam merece ter sua filha de volta e, ao longo desse processo, criam um vínculo que resulta num testemunho singular do poder do amor incondicional.

Elefante

Um dia aparentemente comum na vida de um grupo de adolescentes, estudantes de uma escola secundária de Portland, em Oregon, interior dos Estados Unidos. Enquanto a maior parte está engajada em atividades cotidianas, dois alunos esperam, em casa, a chegada de uma metralhadora semi-automática, com altíssima precisão e poder de fogo. Munidos de um arsenal de outras armas que vinham colecionando, os dois partem para a escola, onde serão protagonistas de uma grande tragédia.

Tiros em Columbine

Neste filme Michael Moore aborda os massacres com armas de fogo realizados por jovens nos EUA em diversas universidades e instituições de ensino médio; a facilidade com que as pessoas compram armas e como a sociedade norte-americana integra-as em seu dia a dia. Oscar de melhor documentário, ganho com um discurso que abalou muita gente.

Pro dia nascer feliz

O documentário dirigido por João Jardim é um diário de observação da vida do adolescente brasileiro em escolas públicas e particulares de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.

O filho

Um carpinteiro tem como aprendiz o jovem que assassinou seu próprio filho. O moço não sabe que aquele é o pai de sua vítima no passado. Ambos se relacionam no mesmo ambiente de trabalho até que o pai decide expor o que sabe sobre o jovem. Prêmio de Melhor Interpretação Masculina para Olivier Gourmet no Festival de Cannes 2002.

(26)

Documentário acompanha estudantes de uma escola rural da França, do jardim da infância até o último ano do primário, dos quatro aos 11 anos. Mostra crianças em pleno processo de formação do conhecimento e da identidade pessoal, acompanhando-as em sua transição do universo familiar para um ambiente no qual é levado em conta sua individualidade sem pressupostos.

A cela

Dentro dos confins de uma fazenda abandonada, Carl Stargher um assassino cruel e psicologicamente instável, construiu A

cela, uma câmara para onde leva suas jovens e inocentes vítimas, antes de iniciar um sádico ritual pós-morte com seus corpos.

Quando o FBI finalmente consegue capturar Stargher, ele sofre violento ataque apoplético e entra em coma, sem dar nenhuma pista sobre a localização da Cela. Com uma jovem presa na câmara e tendo apenas mais 40 horas de vida, o FBI decide procurar a Dra. Catherine Deane, uma terapeuta infantil que utiliza um avançado estudo neurológico que, misturado com habilidades empáticas e tecnologia de ponta, permite que alguém entre na mente de pessoas catatônicas, no intuito de ajudá-las a voltar à realidade. Com a vida de uma jovem em perigo, Catherine concorda em usar o avançado método no próprio Carl Stargher, para descobrir qual é a localização da Cela, com a própria terapeuta entrando na mente do assassino.

Vida Maria (curta de 9 min.)

Acompanhamos Maria durante o seu trabalho no sítio onde vive. Vai dos 5 aos 45 anos e passa todo seu estilo de viver para sua filha Lurdes. O filme mostra ciclos de vida que muitas vezes ficamos.

O príncipe das marés

Tom Wingo é treinador de futebol americano desempregado da Carolina do Sul, que vai a Nova Iorque apoiar a irmã, poetisa que tentou o suicídio. Lá ele se envolve com Susan Lowenstein, a psiquiatra que cuida dela. O sofrimento dos dois irmãos é posto em xeque devido a um terrível acontecimento de violência sexual que a família sempre manteve em segredo.

Referências

Documentos relacionados

O TBC surge como uma das muitas alternativas pensadas para as populações locais, se constituindo como uma atividade econômica solidária que concatena a comunidade com os

Local de realização da avaliação: Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação - EAPE , endereço : SGAS 907 - Brasília/DF. Estamos à disposição

A estabilidade do corpo docente permanente permite atribuir o conceito muito bom, segundo os parâmetros da área, para o item 2.2 (pelo menos 75% dos docentes permanentes foram

- Se o estagiário, ou alguém com contacto direto, tiver sintomas sugestivos de infeção respiratória (febre, tosse, expetoração e/ou falta de ar) NÃO DEVE frequentar

Para analisar as Componentes de Gestão foram utilizadas questões referentes à forma como o visitante considera as condições da ilha no momento da realização do

A pesquisa pode ser caracterizada como exploratória e experimental em uma primeira etapa (estudo piloto), na qual foram geradas hipóteses e um conjunto de observáveis, variáveis

Segundo Cheng (2007) a casa da qualidade (planejamento do produto) é utilizada para traduzir a qualidade demandada pelos clientes em requisitos técnicos do produto

Diante dos discursos levantados por tais instituições, sejam elas, os Museus, os Institutos, ou as Faculdades, a obra de Schwarz 1993, fornece amplo conhecimento sobre a formação