UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
FACULDADE DE COMUNICAÇÃO HABILITAÇÃO EM JORNALISMO
ANAÍRA LÔBO E PINHEIRO
OUTRAS VOZES:
Agitação e Propaganda Feminista
Salvador 2014
ANAÍRA LÔBO E PINHEIRO
OUTRAS VOZES:
Agitação e Propaganda Feminista
Memória descritiva do documentário Outras Vozes, apresentada como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal da Bahia.
Orientação: Profº. José Roberto Severino
Salvador 2014
RESUMO
Outras Vozes é um documentário que trata do tema da Agitação e Propaganda, instrumento de mobilização, comunicação e formação política, a partir de depoimentos de mulheres militantes do movimento feminista e dos registros de ações da Marcha Mundial das Mulheres. O trabalho traz à tona algumas formas de comunicação produzidas por movimentos e organizações sociais, a fim de serem ouvidos, questionando o monopólio dos meios de comunicação e o direito à comunicação. Além disso, contribui com a memória da Marcha, assim como pode vir a estimular outros sujeitos a levantar a voz. A memória descritiva contribui para as discussões, estabelecendo um diálogo direto com os discursos presentes no documentário e refaz os passos da construção deste trabalho, elucidando a função social da minha formação acadêmica.
Palavras-chave: documentário; Agitação e Propaganda; Marcha Mundial das Mulheres; movimento feminista; movimentos sociais;
SUMÁRIO INTRODUÇÃO …...5 1 OBJETIVOS ...…...8 2 FUNDAMENTAÇÃOTEÓRICA... ...9 2.1 O gênero documental... ...9 2.2 Agitação e Propaganda...12
2.3 A Marcha Mundial das Mulheres...15
2.4 A comunicação como direito humano...16
3 ASPECTOS METODOLÓGICOS …...21
3.1 Pré-produção …...21
3.2Produção...22
3.2.1 Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres...22
3.2.2 Julgamento dos integrantes da banda New Hit... ...26
3.2.3 Explicação do conceito de Agitação e Propaganda...28
3.3 Entrevistadas... ...28 3.4 Equipamento... ...29 3.5 Pós-produção...29 4 ROTEIRO...31 4.1 Roteiro Inicial …...31 4.2 Roteiro Final...33 CONSIDERAÇÕES FINAIS...37 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...38 ANEXOS ...40
5 INTRODUÇÃO
Dentro do universo de abordagens e linhas de estudos que a formação em Comunicação Social proporciona, o que sempre me atraiu foi o debate sobre a função social desta. Para que e para quem serve a produção jornalística, os programas culturais, as revistas e as novelas dos grandes meios de comunicação? Além das constatações, essas questões também me fizeram buscar quais são as formas e os conteúdos produzidos alternativamente. A Agitação e Propaganda surge então como a resposta encontrada dentro dos movimentos sociais e das organizações populares1 para enfrentar o monopólio das informações e por necessidade de produzir sua própria comunicação.
A comunicação é fenômeno natural e fundamental aos seres humanos na sua convivência em sociedade, mas ao longo da história foi e está sendo necessário lutar para que esta seja reconhecida enquanto direito humano básico, a fim de que os meios e modos de produzir a comunicação sejam socializados. Quando a comunicação se torna um negócio industrial e um instrumento para perpetuação de ideias globais, torna-se também um campo de batalha na luta política e ideológica.
No momento em que a informação e a comunicação, dimensões ancestrais de qualquer experiência humana e social, passam a construir indústrias e mercados, é preciso desenvolver urgentemente conhecimentos e teorias para relativizar o tecnicismo e o economismo, e preservar as dimensões de emancipações que, desde o século XVI, na Europa, estiveram na origem das batalhas pela liberdade de informação e comunicação. (WOLTON, 2004, p.18)
A concentração dos meios de comunicação obedece à lógica da concentração dos meios de produção na sociedade capitalista por parte e a serviço de poucos. Pequenos grupos ou famílias se apropriam dos meios de produzir a comunicação e se sustentam sob a égide do lucro e do consumo. O poder que a comunicação exerce na sociedade moderna, principalmente através dos meios de comunicação de massas, como a televisão e o rádio, é de formar e convencer a partir de um discurso e de valores
1 Os principais movimentos sociais aos quais faço referência são: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Movimento de Pequenos Agricultores, Marcha Mundial das Mulheres, Movimento dos Atingidos por Barragens e Levante Popular da Juventude. Referente às organizações, cito como exemplo a Via Campesina, composta por conjunto de movimentos camponeses na América Latina e a Consulta Popular.
6 hegemônicos, ou seja, do capitalismo e das opressões da qual ele se utiliza (racismo, machismo, homofobia, desigualdades sociais em geral) para manter as desigualdades e a dominação.
A autora Gayatri Spivak (1988) faz uma análise, a partir do chamado Estudos Subalternos, de como o ‘terceiro mundo’ é representando pelo discurso ocidental do ‘primeiro mundo’. Tal discurso é atravessado pelos interesses econômicos internacionais do projeto imperialista, que impõe leis e não dá permissão para os marginais narrarem.
Por isso, a democratização dos meios de comunicação é hoje uma das bandeiras assumidas por diversos setores. Enquanto os principais canais e emissoras de televisão falam para todo o Brasil, os movimentos sociais, organizações, comunidades e afins só conseguem alcançar sua base social, a partir de ações diretas e locais. Nesse sentido, a discussão não é se as organizações como a Globo, que segundo apontam diversas pesquisas está entre os quatro maiores conglomerados de mídia da América Latina, contempla os seus telespectadores ou se os grandes grupos têm direito de veicular o que quiserem. O debate central para as organizações e movimentos populares é sobre a possibilidade de qualquer pessoa ou grupo acessar os meios de comunicação, produzir e veicular suas próprias informações.
Este documentário é uma demonstração das formas que esta batalha ideológica toma, e que aponta, inclusive, para quão injusta é ainda esta disputa. Quando decidi produzir um documentário como Trabalho de Conclusão de Curso, busquei um tema que me despertasse o interesse pela pesquisa e que envolvesse as minhas práticas e vivências, podendo assim construir o conhecimento praxiologicamente, inspirada pelos pensamentos do educador popular Paulo Freire:
Práxis, que sendo reflexão e ação verdadeiramente transformadora da realidade, é fonte de conhecimento reflexivo e criação (...) E é como seres transformadores e criadores que os homens, em suas permanentes relações com a realidade, produzem, não somente os bens materiais, as coisas sensíveis, os objetos, mas também as instituições sociais, suas ideias, suas concepções. (FREIRE,1987, p.52)
E foi na militância política e social no movimento feminista e contribuindo com a luta pela Reforma Agrária junto ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
7 (MST) que encontrei o que buscava: trabalhar com comunicação popular dentro dos movimentos sociais, em um momento que a comunicação é percebida como estratégica, no sentindo de agregar a sociedade em torno de questões e pautas. Além disso, a constante criminalização dos movimentos sociais, a exemplo do MST que é veiculado como grupo de baderneiros e ladrões por atacarem o cerne do capitalismo que é a propriedade privada, exige que os movimentos criem suas próprias formas de comunicação com sua base social e com a sociedade como um todo, em vez de tentar ser retratado de outra forma pela mídia hegemônica.
Compreende-se que apenas a apropriação – por partes dos sujeitos, coletivos e organizações sociais – dos meios de comunicação e das diversas linguagens e formatos comunicativos pode ser capaz de alterar ou interferir amplamente na sociedade, em um contexto de globalização das informações. Por tudo isso, falar de Agitação e Propaganda é explorar justamente os métodos que a classe trabalhadora organizada construiu historicamente para se comunicar.
A linguagem audiovisual foi escolhida porque traz mais possibilidades de apreensão ao agregar vários formatos: som, escrita e imagem em movimento. E, portanto, pode garantir eficácia na compreensão do que é a agitação e propaganda, com as imagens das ações e as ideias em torno dessas, a partir das entrevistas.
É importante salientar que o tema da Agitação e Propaganda é pouco estudado e difundido, assim como o direito à comunicação. Por isso, decidi fazer uma abordagem, ainda que insuficiente, sobre tais assuntos. Outra questão fruto da reflexão é a possibilidade do produto contribuir com a luta feminista e popular, já que foi desta fonte que bebi e me inspirei.
Há, portanto, uma síntese entre as escolhas acadêmicas e meus interesses enquanto militante e agitadora política: o documentário deve cumprir a função de agitar e propagandear o feminismo popular. O trabalho funciona metalinguisticamente ao falar de Agitação e Propaganda como instrumento político e de comunicação na Marcha Mundial das Mulheres, ao mesmo tempo em que o audiovisual tem papel de formador, agitador e propagandista da luta feminista.
8 1 OBJETIVOS
O documentário Outras Vozes: Agitação e Propaganda Feminista tem os seguintes objetivos principais:
1. Ser um registro de momentos históricos da Marcha Mundial das Mulheres, contribuindo para a organização da memória do movimento.
2. Registrar alguns métodos de comunicação política, as que fazem parte das mobilizações de rua, utilizados pela Marcha Mundial das Mulheres no Brasil para comunicar sobre suas pautas concretas e o projeto de sociedade defendido;
3. Explicar o conceito de Agitação e Propaganda, na perspectiva histórica do surgimento do termo e seu uso nas lutas sociais;
9 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 O gênero documental
A história do documentário cinematográfico, desde seu surgimento até hoje, perpassa sobre a questão do limite da verdade, posto que o enquadramento seja considerado como a visão do cineasta colocada sobre o tema. A linguagem documental tinha a finalidade, no plano ideal, de registro da realidade como algo puro, não abrindo possibilidades de variações de interpretação e de contribuições críticas por parte dos produtores e receptores.
No Brasil, durante as décadas de 30 e 40, o gênero é desenvolvido como registro de cerimônias, do cotidiano de grandes cidades e inclusive como documentos oficiais sob encomenda (MACHADO, 2007). Já entre as décadas de 50 e 60, o Estado era o principal incentivador da produção cinematográfica para que esta se desenvolvesse como parte da indústria cultural. Concomitantemente, surge no país o movimento do Cinema Novo, que coloca sobre o gênero documental novas perspectivas,
A proposta do documentário que surgiu como Cinema Novo era assumir uma postura crítica diante da realidade brasileira, mas, acima de tudo estava a questão ética. A postura do cineasta diante de seu público se transformava. Antes o documentário era produzido com a finalidade de registrar uma "ilusão" de realidade e difundir aquele material filmado como uma ideia fechada, sem possibilidade de interpretações, onde a própria narrativa generalizante direciona o espectador para uma recepção passiva, simplificando a complexidade do real. (ALTAFINI, 1999, p.12)
O cineasta Glauber Rocha foi um dos expoentes do Cinema Novo, que trazia a concepção do cinema político, social e cultural como forma de impulsionar o debate sobre a realidade brasileira. Ele apresentou o cinema militante comprometido com a crítica da sociedade e do modelo vigente. Embora suas obras sejam ficcionais, elas lançam muitas referências para a linguagem documental engajada no Brasil.
Durante os anos 70 e 80, os documentários no país se direcionam para as questões políticas, apontando para o processo de redemocratização, ao relatar o renascimento dos movimentos populares de esquerda, que sofreram forte criminalização e repressão no período da ditadura militar (1964-1985). Muitos filmes abrangiam a
10 reestruturação de sindicatos, das organizações estudantis e o surgimento de movimentos sociais. Um exemplo é o documentário ‘“Greve!”, que cobriu os eventos principais da greve realizada pelos trabalhadores metalúrgicos do ABC paulista, liderados por Lula em março de 1979.
O documentário Outras Vozes se aproxima deste tipo de cinema engajado, que produza críticas, visibilizando e desnaturalizando situações cotidianas, e cumpra um papel formativo. Escolhi registrar as atividades comunicativas da Marcha Mundial das Mulheres, movimento auto-organizado de mulheres, sobre o qual pouco se ouve falar na mídia, sendo este um trabalho que contribui para a preservação da memória e para propagandear o movimento.
Os dois contextos em que as imagens foram capturadas – o 9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres em São Paulo e as atividades em torno do caso de estupro contra duas adolescentes na cidade de Ruy Barbosa, ambos eventos ocorridos em 2013 – podem, por si só, incitar discussões e críticas. Mas, é principalmente as entrevistas com as mulheres do movimento que consegue trazer elementos formativos sobre o tema da Agitação e Propaganda, podendo ir além ao introduzir também falas a respeito da comunicação e da necessidade de democratizá-la.
No desenvolvimento deste trabalho, constatei que o debate sobre a objetividade versus subjetividade, que circunda o gênero documentário, é semelhante às questões acerca da imparcialidade jornalística. Desde a seleção da pauta ou assunto até a edição final da matéria existe a motivação e as escolhas de quem produz a notícia, mas não impede que esta seja um relato ou exposição da realidade, cabendo ao profissional apurar os fatos a fim de se afastar de suposições ou opiniões pessoais.
Pesquisei documentários e vídeos que servissem como inspiração para minha produção. Relativos ao tema, encontrei o vídeo I Etapa Escola de Formação do MPA, produzido pelo Coletivo Nacional de Comunicação do Movimento de Pequenos Agricultores e o vídeo Oficina de Estêncil do Levante Popular da Juventude produzido pelo LPJ de Recife. Relativos ao modelo que poderia servir como inspiração, encontrei Lutar Sempre – 5º Congresso Nacional do MST, Ilha das Flores de Jorge Furtado, Levante sua voz produzido pelo coletivo Intervozes, entre outros.
11 a principal referência para o tipo de documentário que busquei desenvolver. Esse modelo está mais ligado ao conteúdo, na defesa dos argumentos, do que com a estética. Por isso, apesar da pouca experiência em produção cinematográfica, ocorrendo algumas falhas e gravações com muito amadorismo, ousei fazer todas as filmagens.
Os documentários com essa característica predominante têm como marca diferencial a objetividade e procuram narrar um fato de maneira a manter a continuidade da argumentação. Para isso, um dos recursos utilizados é o casamento perfeito entre o dito e o mostrado. (NICHOLS, p.142, 2005)
A participação na realização de parte das atividades que eu estava filmando e o conhecimento prévio sobre o conteúdo, principalmente referentes às entrevistas, me deu mais garantias de que a montagem dos registros responderia ao objetivo proposto para o documentário. Ainda assim, transferi às entrevistadas a responsabilidade de organização das ideias e da exposição do tema. Sobre isso, Bernardet (2003, p. 70) explica que tal transferência aproxima o documentário do jornalismo, cabendo ao documentarista “a tarefa aparentemente técnica de montar entrevistas, de combinar entre si fragmentos de depoimentos”.
Durante minha formação, me aproximei dos posicionamentos que colocam em dúvida a radicalidade da verdade no jornalismo, não pelo ideal ético em si, mas pela prática profissional que revela a parcialidade e interesses na produção das notícias. Já para a linguagem documental no cinema hoje é muito mais aceitável que a subjetividade do produtor esteja presente, principalmente pelo exercício da criatividade em todas as etapas de produção: ângulo e enquadramento das filmagens, roteirização, montagem, edição e etc. Ramos (2008) define o documentário como “tratamento criativo da realidade”.
Isso tudo não impede que o gênero esteja posicionado como oposto ao ficcional. A linguagem documental é uma forma de registro no tempo e espaço “que tem como objectivo fundamental o testemunho e a reflexão sobre a realidade, partindo desta” em oposição à ficção, “que tem como objectivo essencial o entretenimento e que assenta formalmente na narrativa” (NOGUEIRA, 2010, p. 6).
Outra noção que referencia este projeto é trazida por Luis Eduardo Jorge (2010) quando argumenta que o documentário se origina de uma realidade, mas tem seu sentido ampliado na dialética entre o telespectador e o produto, e ganha dinamismo na
12 complexidade da realidade cotidiana para qual retorna. Ou seja, para este trabalho compreendo a realidade como ponto de partida, mediada pelas minhas escolhas na produção e interpretada segundo os estímulos e o contexto dos receptores, que injetam ao documentário mais sentidos e interpretações.
Compreendo, portanto, que como documentarista deposito no projeto (com a escolha das fontes, seleção e edição das imagens) os ideais e o esforço de transmitir um posicionamento político sintetizado no registro dessas imagens reais. Jorge afirma que
Sabe-se que toda obra contém, desde o seu audiovisual de caráter documental enunciado, a intenção de mostrar alguma realidade e que, obviamente, conjuga a ideologia do autor e alguma proposta formal para representar essa realidade. (JORGE, 2010, p.6)
2.2 Agitação e Propaganda
Agitação e Propaganda, expressão sintetizada no termo Agitprop, é um conjunto de métodos e práticas comunicativas utilizadas por movimentos sociais e organizações políticas, como forma de denunciar situações sociais, de estimular a indignação e a mobilização das pessoas, de comunicar sobre pautas e projetos de sociedade. É também utilizada como instrumento para a formação da consciência política revolucionária no corpo da sociedade. As atividades de agitação e propaganda são fundamentalmente de cunho político que apontam para uma estratégia de transformação social, portanto o sentindo dessas ações não se esgotam nelas mesmas.
O termo Agitação e Propaganda surge no contexto da Revolução Russa em 1917, quando foi necessário divulgar o projeto político comunista para agregar a população em torno do processo revolucionário. Para organizar e formar politicamente os trabalhadores urbanos, camponeses e soldados, o Partido Bolchevique dispunha de brigadas de agitadores e propagandistas. Grupos de militantes, soldados do exército vermelho, estudantes e artistas desenvolveram técnicas de agitprop, utilizando-se de diversas linguagens (cinema, teatro, música, jornalismo, artes plásticas) e diferentes meios, como o trem que levava em cada vagão formas distintas (banda de música, grupo de teatro, equipamento de cinema, discursos políticos, biblioteca, etc.).
13 O marxista russo Gueorgui Plekhanov foi quem desenvolveu e formulou sobre Agitação e Propaganda como ferramenta de mobilização. Ele definiu a propaganda como o ato de inculcar muitas ideias em uma única pessoa ou pequeno número de pessoas, e a agitação como uma única ideia ou poucas ideias disseminadas para uma grande quantidade de pessoas e grupos. Esta distinção, para Vladimir Lenin, deveria ser mais prática do que teórica: os agitadores podem se restringir a inflamar e provocar a indignação do povo diante de injustiças gritantes, enquanto cabe ao propagandista a competência de dar explicações mais profundas, explicitando as contradições e desmontando o sistema capitalista.
Lenin, um dos principais líderes da Revolução, foi responsável por ampliar estas formulações sobre agitação e propaganda, colocando-a como instrumento de mobilização, organização e elevação do nível da consciência da classe trabalhadora. Ele tornou-se um grande agitador e propagandista e conseguiu tornar a teoria marxista compreensível para uma gama de trabalhadores, composta em sua maioria por homens e mulheres analfabetos na Rússia pré-revolucionária. E ainda, transformar o marxismo em um guia para a ação social e política. A teoria marxista não poderia estar dissociada da agitação, da propaganda e da organização política. (DOMENACH, 1963)
A criação das chamadas palavras de ordem foi uma tática de agitação importante para o sucesso da revolução bolchevique, pois sintetizavam pautas fundamentais. Um exemplo disso foi o que Lenin conseguiu ao “exprimir duas reivindicações fundamentais dos milhões de camponeses-soldados do exército russo: Terra e Paz”. Ele chamava a atenção para a necessidade das palavras de ordem ajustarem-se à situação política e ao nível de consciência das massas.
Um propagandista, quando trata, por exemplo, do problema do desemprego, deve explicar a natureza capitalista das crises, apontar as causas de sua inevitabilidade na sociedade moderna, mostrar a necessidade de transformar a sociedade capitalista em socialista, etc. Numa palavra, deve fornecer “muitas idéias”, tantas, que todas elas, juntas, só poderão ser assimiladas de imediato por um número (relativamente) limitado de pessoas. Já o agitador, ao tratar dessa mesma questão, escolherá um exemplo, o mais destacado e conhecido por seus ouvintes, e, aproveitando o conhecimento geral desse fato, irá se empenhar ao máximo para dar à massa uma única idéia: a da absurda contradição entre o incremento da riqueza e o aumento da miséria; tratará de despertar na massa o descontentamento e a indignação contra essa flagrante injustiça, deixando ao propagandista a explicação completa da contradição (LENIN, 2006, p.37)
Há diversas formas de realizar a agitação e a propaganda: panfletagem, jornais, marchas, manifestações, vídeos, músicas, poemas, livros, seminários, intervenções
14 urbanas como grafitti, cartazes, pichação e teatro. As práticas se adequam de acordo com as condições concretas dos grupos e também do poder de reverberar com mais ou menos força na sociedade devido à conjuntura. Portanto os elementos que definem os métodos e formas são o contexto, a estratégia definida pela organização, as condições de atuação e a criatividade.
Apesar da amplitude de opções, produzir uma agitação e propaganda revolucionária, que proponha tanto a organização quanto a formação da população em torno de outro projeto de sociedade, é um desafio e uma grande tarefa dos movimentos sociais. Principalmente se considerarmos o processo de consolidação dos ideais capitalistas, sobretudo após a derrota do projeto socialista da União Soviética, representada pela queda do muro de Berlim em 1989. O pensamento único da sociedade burguesa é produzido cotidianamente através de todo um aparato, que engloba os meios de comunicação de massa, a educação formal, a produção cultural e científica e o mercado global.
A imbricação deste instrumento político com a comunicação é explícita, já que agitação e propaganda é uma maneira dos grupos políticos organizados se comunicarem. Por isso, também se torna necessário que as organizações se debrucem sobre os estudos da Comunicação Social com a finalidade de encontrar as melhores formas de produzir, veicular e alcançar o maior número de setores da sociedade.
Os movimentos e organizações políticas, como os partidos considerados de esquerda2, praticam e estudam agitação e propaganda, compreendendo a sua importância como algo mais além do que o fato político ou do que publicidade de ideias. E não se trata apenas de ações do movimento para a sociedade, mas também de um processo constante na própria base que compõe o movimento.
Para além de instrumentos de divulgação das ideias marxistas, de denúncia do capitalismo e de mobilização das massas, a Agitação e a Propaganda são também elementos centrais de formação da consciência da classe trabalhadora e de organização, expansão e unificação da luta revolucionária. Estão ligados ao todo do processo revolucionário, sendo o elo entre a teoria e a prática, a “correia de transmissão, o liame essencial de expressão, ao mesmo tempo rígido e flexível, que continuamente liga as massas ao partido [ao movimento,
2 Os termos esquerda e direita surgiram na Revolução Francesa de 1789, quando os membros da Assembleia Nacional posicionados à direita eram a favor do rei e os à esquerda eram aliados da revolução. Hoje em dia, ainda se utiliza esses termos para diferenciações políticas e ideológicas, das quais os grupos de esquerda geralmente se posicionam a favor das transformações estruturais da sociedade em busca da igualdade social.
15
à luta], levando-as pouco a pouco a se unir à vanguarda na compreensão e na ação”. (BECHARA, 2011, p.4)
2.3 A Marcha Mundial das Mulheres
A Marcha Mundial das Mulheres é um movimento feminista surgido em 2000, a partir de uma mobilização contra a pobreza e a violência – conjunto de ações chamado “2000 razões para marchar contra a pobreza e a violência sexista” - que organizou mulheres de todo mundo entre 8 e 17 de outubro daquele ano.
Porém, a inspiração para criar o movimento foi a manifestação “Pão e Rosas”, ocorrida em 1995 em Quebec no Canadá, quando 850 mulheres marcharam 200 quilômetros. Com esta marcha as mulheres tiveram conquistas como o aumento do salário mínimo e mais direitos para as mulheres imigrantes.
O movimento se coloca na luta pela superação do patriarcado, capitalismo, racismo e da homofobia. Orientada pelos mesmos princípios, mas se organizando de diferentes formas internacionalmente, a MMM sintetiza quatro principais campos de atuação: autonomia econômica, luta pelo fim violência, bens comuns e serviços públicos, paz e desmilitarização. Algumas pautas são incorporadas como específicas ou dentro desses campos, como é o caso da luta pela legalização do aborto e pela democratização dos meios de comunicação.
Em 2008, a MMM no Brasil cria o blog Ofensiva contra a mercantilização como forma de comunicação e articulação. Após isso, a presença do movimento cresceu muito na internet: com blogs das regiões e estados, a presença no site da Sempre Viva Organização Feminista (SOF), página e grupo no Facebook, perfil no Twitter, contas no Flickr e no Tumblr. No blog atual que representa a MMM nacionalmente está expressa a importância da internet na articulação do movimento – no template a frase “Feminismo 2.0 até que todas sejamos livres!” - na divulgação das ideias e no compartilhamento de textos, notícias e denúncias das mulheres.
16 2.4 A comunicação como direito humano
Uma breve explanação sobre o reconhecimento da comunicação como um direito humano é fundamental para a compreensão do que significa a agitação e propaganda enquanto instrumento de expressão e do exercício da democracia em nossa sociedade atual.
O direito à comunicação é um tema ainda pouco explorado no Brasil e referir-se a este traz uma perspectiva de ampliação de direitos já conquistados, que é o da liberdade de expressão e o da informação. O direito de poder se comunicar é a busca pela garantia de acessar meios de comunicação, para produção e veiculação de conteúdos por parte de grupos sociais diversos, dialogando com a livre expressão e o direito. O francês Jean D’Arcy (1969) foi um dos pioneiros nesse debate, afirmando que chegaria o tempo em que a humanidade reconheceria a comunicação como um direito humano universal.
Os meios de comunicação são instrumentos de manutenção do poder hegemônico em nossa sociedade. Para que uma elite mantenha o controle, é necessário dominar ideologicamente. A produção de informações e conteúdos que garantem a formação e o convencimento da população acerca das questões fundamentais para o desenvolvimento das relações sociais, políticas, econômicas e culturais, assim como manter a concentração dos meios de produção e distribuição é essencial para garantir o discurso único.
A evolução de um simples meio de distribuição para um meio de comunicação não é um mero problema técnico. Ela é evitada conscientemente, por boas ou más razões políticas. A diferenciação técnica entre emissor e receptor reflete-se na divisão de trabalho entre produtores e consumidores da sociedade; esse mecanismo adquire intenso contorno político na indústria da consciência. Em última análise, essa evolução reside na contradição básica entre classes dominantes e dominadas (de um lado, o capital monopolista ou a burocracia monopolista e, de outro, as massas dependentes). (ENZENSBERGER apud GOMES, 2003).
Um estudo intitulado Os donos da Mídia, realizado em 2002 pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom) mostra que a Globo, SBT e Bandeirantes, além de Record, Rede TV! e CNT aglutinam 668 veículos no Brasil. São
17 309 canais de televisão, 308 canais de rádio e 50 jornais diários. Segundo os pesquisadores3, reduziu para seis grupos, antes eram cerca de dez, que controlam as maiores redes de comunicação no Brasil, como emissoras de televisão, rádios, jornais impressos, revistas e portais na internet. São estes: Abravanel (SBT), Civita (Editora Abril), Marinho (Organizações Globo), Frias (Folha de São Paulo), Saad (Rede Bandeirantes) e Sirotsky, à frente da Rede Brasil Sul (RBS). Essas organizações midiáticas rejeitam qualquer projeto de mudança que venha a transformar a estrutura de poder.
Individualmente, os sujeitos expressam e reproduzem também outros valores. Mas cotidianamente, o que chega a milhões de pessoas sobre o mundo é a partir da grande mídia. Nesse contexto, a defesa pela liberdade de expressão individual não resolve e nem aponta soluções para enfrentar as consequências do monopólio da produção de informações por parte de empresas. Para estes grupos, a defesa da liberdade de expressão e a acusação de censura servem como argumentos contra as leis e marcos de regulamentação da mídia, pensados para limitar a concentração dos meios de comunicação e em alguns casos, estabelecer normas para os conteúdos e programações.
A situação é particularmente difícil quando as grandes corporações midiáticas se prevalecem da velha ideologia de liberdade de informação dos idos do capitalismo liberal dos séculos XVIII e XIX para defender-se dos controles democráticos mais elementares sobre o monopólio da fala, ao mesmo tempo que exercem forte censura privada sobre os conteúdos que pautarão o debate político, influenciarão os processos eleitorais, determinarão os estilos de vida, moldarão as estruturas de pensamento. (BOLAÑO, 2008, p. 17)
Mas muitos setores da sociedade civil no Brasil já estão em articulação e debates sobre a democratização dos meios de comunicação, a qual já começa a acontecer nos países vizinhos da América Latina, a exemplo de Argentina e Venezuela. O projeto de Lei da Mídia Democrática, coordenado pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), foi lançado por centenas de entidades do movimento social e da sociedade civil em maio de 2012. Esta é uma proposta de regulamentação do setor de radiodifusão que busca garantir os direitos da liberdade de expressão e do direito à comunicação expressos na Constituição Federal Brasileira. Propõe a regulamentação,
3 Informações retiradas do artigo Oligopólio na comunicação: um Brasil de poucos de Vilson Vieira Jr.
18
por exemplo, dos artigos da carta magna que proíbem o monopólio dos meios de comunicação e daqueles que impedem que políticos sejam donos de rádios e canais de televisão.
Um exemplo objetivo de como o debate da comunicação perpassa por toda sociedade, é como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra incorporou o debate da comunicação enquanto questão estratégica para manter a luta pela Reforma Agrária. Desde sua origem, o MST destaca pessoas responsáveis por pensar a Comunicação. O Jornal Sem-Terra, consolidado em 1984, passou a ser o principal veículo de comunicação do MST nacionalmente. Em março de 1995, formulam o documento Por uma política de comunicação do MST. Ao mesmo tempo, o movimento sempre foi atacado pela mídia brasileira e por setores conservadores presentes no Estado, como a União Democrática Ruralista (UDR), favorável à preservação do direito à propriedade privada da terra. A criminalização do movimento era expressa nos noticiários, desde os termos utilizados para enquadrar a militância – baderneira, invasores, criminosos – até a distorção do real significado das ocupações e dos atos nacionais realizados pelos Sem-Terra.
Ao longo dos anos, o movimento amadureceu o significado da reforma agrária, muito mais ampla do que a redistribuição de terras, abarcando um projeto de sociedade. E por isso inclui novas bandeiras e reivindicações necessárias para a transformação social. Entre elas, o combate ao monopólio dos meios de comunicação por empresas, que segue a mesma lógica dos latifúndios e dos meios de produção concentrados nas mãos de poucos em detrimento de uma maioria da população, reproduzindo também as desigualdades sociais. Em seu site oficial, o MST pontua a democratização como bandeira de luta e aponta que “o Estado deve estimular, com políticas e recursos para que se amplie o maior número possível de meios de comunicação, sob controle social, nas mais diferentes formas de organização popular”.
Não se pode deixar de destacar a importância da internet para o avanço da descentralização da produção de informações em nossa sociedade. A constante ruptura que a rede promove entre quem produz e quem consome as informações, ainda que com limites de acesso devido aos custos e a capacitação técnica, definiu um espaço participativo ocupado por muitas pessoas, organizações, instituições e movimentos sociais na busca por uma comunicação e cultura alternativas à dos grandes veículos. Manuel Castells afirma que a tecnologia é necessária para emergir novas formas de
19 organização social, mas não é suficiente. Convivem hoje paralelamente os oligopólios do mass media e as redes horizontais de comunicação.
Com a difusão da sociedade em rede, e com a expansão das redes de novas tecnologias de comunicação, dá-se uma explosão de redes horizontais de comunicação, bastante independente do negócio dos medias e dos governos, o que permite a emergência daquilo a que chamei de comunicação de massa autocomandada (…) porque geralmente é iniciada por indivíduos ou grupos, por eles próprios, sem a mediação do sistema de media. A explosão de blogues, vlogues (vídeo-blogues), podding, streaming e outras formas de interatividade. (CASTELLS; CARDOSO, 2005, p.24)
A Marcha Mundial das Mulheres se utiliza da internet para veicular seus conteúdos, em sites, blogs e redes sociais. Sem essas plataformas, dificilmente o movimento conseguiria ser visibilizado e se quer manter uma articulação internacional. Desde ações realizadas pelos núcleos em diferentes cidades até as resoluções das coordenações nacionais e internacionais são compartilhadas pela internet, consolidando o processo de descentralização das informações via canais televisivos assim como possibilitando a produção dos conteúdos por diversos sujeitos e da interatividade entre usuários da rede.
Raimunda Lucena Gomes (2007) discute como essa descentralização, devido ao avanço da tecnologia de informação e comunicação traz reflexões e perguntas quanto ao modelo desigual da comunicação. Não mais caindo na constatação da concentração dos produtores ou na medida da qualidade dos conteúdos produzidos, mas avaliando em que medida a negação do direito de se comunicar, em plena sociedade da informação, afeta os sujeitos e o desenvolvimento social.
Os países chamados periféricos (…) começaram a indagar sobre os possíveis implicativos resultantes da relação entre a desigual distribuição dos bens materiais e a desigualdade no fluxo dos bens simbólicos – informação, conhecimento, artes, valores, crenças, modos de vida. O que o empobrecimento de alguns povos tinha a ver com a sua impossibilidade de se comunicar? E o que essa dificuldade acarretava ao seu desenvolvimento social, à sedimentação da sua identidade e ao reconhecimento de sua alteridade? Que relações poderiam existir entre a cultura e a comunicação e estas que diálogo poderiam manter com os quadros econômicos, políticos e ideológicos? (GOMES, 2007, p. 45)
Os movimentos sociais garantem suas conquistas e a reafirmação das suas propostas a partir da força social que agregam para pressionar e impulsionar as transformações sociais. E, como afirma Castells (2005), a política é dependente do espaço
20
público da comunicação em sociedade e as opiniões e comportamentos políticos são
formados nesse espaço. A partir dessa concepção, surge o questionamento: como então é
possível popularizar e massificar a luta política por direitos se não com instrumentos de comunicação que levem as pautas e ideias ao maior número de pessoas possíveis?
A agitação e propaganda é uma forma de pensar a comunicação estrategicamente, podendo ser realizada a partir de diversos meios. O desafio é a conquista desses, cada vez mais desenvolvidos tecnologicamente e com maior alcance. Por isso a democratização dos meios de comunicação é uma luta progressiva e, fundamental para estas organizações – seja qual for a reivindicação principal de cada movimento e organização, todas terão que ser transmitidas, ouvidas e reproduzidas em larga escala.
21 3 ASPECTOS METODOLÓGICOS
3.1 Pré-produção
Quando escolhi o tema do documentário tinha como opção alguns movimentos sociais que desenvolvem agitprop. Aos poucos fui orientada a ir cada vez mais especificando o tema e fazendo algumas escolhas de abordagem. Por fim, defini o desenvolvimento do documentário a partir das práticas comunicativas da Marcha Mundial das Mulheres, porque acompanharia a elaboração dessas práticas já que faço parte do movimento. Considerei também a deficiência nos registros da MMM, principalmente no que concerne o tema da comunicação e mais especificamente, da agitação e propaganda.
Durante a elaboração do projeto que me levou ao Trabalho de Conclusão de Curso também me dedicava, enquanto integrante do Núcleo Negra Zeferina (NNZ) da MMM, à construção da mobilização para a segunda audiência de instrução do julgamento dos nove homens da Banda New Hit, acusados de estuprar duas adolescentes em agosto de 2012 após show da banda na cidade de Rui Barbosa na Bahia. Decidi que faria o roteiro para o documentário baseado nas ações de agitação e propaganda que seriam desenvolvidas durante o julgamento.
A audiência, marcada para acontecer de 03 a 05 de setembro, foi adiada para 17 a 19 de setembro de 2013 por conta de recursos judiciais ativado pelos advogados dos réus. As mulheres do NNZ mobilizaram a população de Rui Barbosa, com batucada e paródias de músicas, teatro, manifestações e debate em praça pública. A mobilização possibilitou a discussão sobre a violência contra as mulheres, a impunidade dos agressores e violentadores de mulheres no Brasil e a necessidade da organização das mulheres para lutar contra a opressão machista.
No mesmo período de organização para o julgamento, o movimento se organizava nacionalmente para realizar o 9º Encontro Internacional da MMM, que aconteceu em São Paulo de 25 a 31 de agosto de 2013. Assim, decidi também registrar imagens do Encontro para acrescentar no documentário.
22 Poucos dias antes da viagem, a programação foi divulgada e constava que no dia 30 de agosto aconteceria painéis simultâneos com oficinas de comunicação feminista. Assim, resolvi me dedicar mais no Encontro para realizar os registros, já que essas oficinas trariam os elementos que eu buscava: as práticas comunicativas sendo explicadas e compartilhadas entre as mulheres.
3.2 Produção
3.2.1 Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres
Iniciei as gravações no dia 25 de agosto de 2013 no 9º Encontro Internacional da MMM que aconteceu no Memorial da América Latina em São Paulo. Comecei registrando a Batucada Feminista, que acontecia nos intervalos das plenárias e atividades. Foram muitas imagens capturadas das batucadas, porém restringi a algumas demonstrações durante a edição do documentário.
No dia 26 de agosto, registrei o ato contra a Vale do Rio Doce, uma empresa brasileira de exploração de minérios, presente não só no Brasil. A ação foi uma resposta das mulheres à pressão que os organizadores de um evento – que aconteceria a noite no mesmo auditório utilizado para as plenárias do Encontro – fizeram para que as mulheres se retirassem do local. A organização do Encontro da MMM soube que nesse evento que se seguiria, estariam presentes representações da empresa Vale. O fato coincidiu com a conjuntura política, pois as mulheres de Moçambique estão lutando contra um consórcio entre algumas empresas, incluindo esta, devido aos impactos que a exploração de minérios e a monocultura de soja causam, como por exemplo, expulsão de comunidades e degradação ambiental.
O ato contra a Vale foi iniciado no auditório do Memorial e finalizado com a fala de Graça Samo, integrante do Comitê Internacional da MMM em Moçambique, posicionando-se sobre a presença da empresa no seu país. Essas gravações foram realizadas a noite, no final do ato, reduzindo a qualidade da imagem. Mesmo assim,
23 achei um momento importante e decidi utilizar partes das imagens para exemplificar a agitação e propaganda durante o Encontro.
A noite do dia 29 de agosto, dia da visibilidade lésbica, a MMM realizou um ato na praça Roosevelt em São Paulo. Registrei as imagens, mas por conta da luminosidade e do barulho da rua, não ficaram com a qualidade desejável. Durante a decupagem decidi não utilizá-las.
A tarde de 30 de agosto, no penúltimo dia do Encontro, foi dedicado às Oficinas de Comunicação Feminista, que aconteceram simultaneamente. Registrei as mulheres construindo os materiais comunicativos e os depoimentos das militantes da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) que mediaram as oficinas de lambe-lambe, zine feminista, muralismo, faixas e batucada, todas ligadas às práticas políticas e comunicacionais do movimento.
Passei por todas as tendas onde aconteciam as oficinas de comunicação, ficando em cada uma o tempo necessário para obter as imagens das práticas e recolher os depoimentos das chamadas oficineiras, que ministraram as atividades. Para cada uma dessas mulheres, expliquei o trabalho que estava realizando e pedi que elas resumissem o tema da oficina e justificassem a importância daquela prática para o movimento. Optei por abordar as oficineiras na tenda onde acontecia a atividade, principalmente pela dinâmica que adotei de passar em todas as tendas. Algumas entrevistas não ficaram com a qualidade desejável, devido à captura do som ambiente, sem posse de microfone direcional para a voz.
Oficina de batucada: Instrumento importante de Agitação e Propaganda na Marcha. É utilizada nas ações de rua, assim como para os momentos de mística e integração das mulheres. Os instrumentos percussivos são geralmente feitos com latas, baldes e outros materiais reutilizados. Para o movimento, esta é uma forma de divulgar as pautas chamando atenção na rua, de passar mensagens e se comunicar com a população. E ocupar o espaço dos tambores e da música é também um momento de empoderamento. Não foi possível recolher depoimento de nenhuma militante no momento da oficina por conta do som da batucada no ambiente. Mas, registrei no mesmo dia (30 de agosto) o depoimento de Larissa Marques da Bahia, presente na oficina.
24 Oficina lambe-lambe: Esta é uma técnica de colação de cartazes, feito com uma cola caseira. As mulheres da MMM costumam utilizar muito este instrumento de comunicação visual para passar mensagens rápidas, frases curtas que sintetizem pautas e ideais. Durante a oficina faltou material para fazer a cola, por isso não tenho imagens disso. A oficineira Elen Catarina da Bahia, que explica como a formação política e as ações diretas são interligadas e dá o exemplo das agitações com debates que a MMM realizou na cidade de Rui Barbosa em fevereiro de 2013, durante o julgamento dos integrantes da banda New Hit.
Além disso, Júlia Louzada de Minas Gerais explicou durante a oficina como o lambe-lambe, stencil e a pichação crítica podem ser criminalizadas. Dispensei esta última fala durante a decupagem, pelo limite de tempo que estabeleci para o documentário, priorizando outros depoimentos.
Oficina de Zine Feminista: Os fanzines são publicações, impressas como revistas ou livretos, geralmente utilizadas por grupos auto-organizados que desejam divulgar suas ideias sobre diversos temas, com pouco custo e independência editorial. As feministas também se apropriam desta forma de linguagem, por isso a oficina foi realizada no intuito de aprender fazendo os zines sobre o Encontro e as pautas do movimento de mulheres. As imagens registradas são das mulheres construindo os zines coletivamente durante a oficina. Além disso, realizei entrevista com a oficineira responsável pelo espaço, Lidiane Samara do Rio Grande do Norte.
Durante a decupagem dos vídeos decidi refazer o depoimento sobre Zine feminista, por não ter ficado satisfeita com a qualidade da entrevista. Busquei uma militante de Salvador que tivesse participado da oficina. Gravei o depoimento de Gabriela Silva, no dia 10 de dezembro de 2013, no Diretório Central dos Estudantes da UFBA.
Oficina de Muralismo: É uma intervenção artística com pinturas feitas diretamente em paredes. Registrei imagens da oficina de Muralismo, na qual as mulheres desenharam e pintaram sobre um tapume de madeira uma arte muralista, que remete ao conceito de Diego Rivera – que acreditava que só a arte feita nos muros, nas ruas, em contraponto ao cavalete e a tela poderia reconstruir a história do povo pré-colombiano. Rivera pintou murais enormes que contavam a história política e social do México, mostrando a vida e
25 o trabalho do povo mexicano e sua luta contra as injustiças.
Entrevistei a militante Raisa Guimarães, que faz parte de um grupo de muralismo feminista em São Paulo e elas foram convidadas para fazer parte do 9º Encontro da MMM. Ela explica que o muralismo é uma forma de expressão política de rua e que é importante resgatar historicamente o que ele significa.
Oficina de Faixas: As faixas são utilizadas pelos movimentos sociais para passar mensagens diretas, com pautas e palavras de ordem. Durante o encontro, teve oficina de construção de faixas, que foram utilizadas na marcha que fechou o Encontro da MMM na Avenida Paulista em São Paulo. Registrei imagens do processo de construção das faixas, que também foram registradas já prontas sendo utilizadas durante o ato final do Encontro. Também realizei entrevista, na tenda onde acontecia a oficina, com a oficineira Simone Schaffer de Brasília explicando o objetivo das faixas.
Registrei imagens de três das chamadas Operação Lambe-lambe. Uma, no dia 27 de agosto a noite, na qual as mulheres colaram a mensagem “Você conhece alguém que já fez aborto? Você acha que essa pessoa deveria ser presa?”. A segunda foi um convite nas ruas de São Paulo – aconteceu em mais de um ponto por isso registrei apenas a operação ao redor do Memorial da América Latina – para a marcha que encerrou o Encontro com os dizeres “#31 feminista!4h, no MASP” – também utilizados nas redes sociais - e por último, na marcha do dia 31 de agosto filmei a operação com cartazes “As mulheres exigem: fora Alckmin”, “Violência! A mulher sofre e o Estado se omite”, “Estado de SP: 645 municípios, somente 29 centros de referência”.
No dia 31 de agosto, último dia do Encontro, aconteceu a manifestação Feminismo em Marcha para Mudar o Mundo, na qual cerca de duas mil mulheres marcharam, saindo do Museu de Arte de São Paulo até a Praça da República no centro da capital. Esta marcha foi uma grande ação de agitação e propaganda para reafirmar as pautas e o projeto feminista defendido pelo movimento para toda a sociedade. Dentro desta ação, coube as diversas outras formas de agitprop, como por exemplo as faixas e cartazes produzidos nas oficinas do 9º Encontro Internacional. A captura do som ambiente, principalmente na marcha, foi importante para registrar as palavras de ordem e músicas da batucada feminista.
26 3.2.2 Julgamento dos integrantes da banda New Hit
Cheguei em Salvador na madrugada do dia 02 de setembro e já estava tudo preparado para a viagem até Rui Barbosa no dia 03 pela manhã. Viajei junto com as mulheres para a cidade, onde aconteceria a segunda audiência de instrução dos dias 03 a 05 de setembro, como parte do julgamento de nove homens da banda New Hit.
Os homens estão sendo acusados pelo estupro realizado no ônibus da banda após um show deles em Rui Barbosa. As meninas ao saírem do ônibus foram prestar queixa na delegacia e eles foram presos na mesma noite. O caso ganhou grande repercussão midiática, porém 30 dias após, eles foram liberados da prisão e voltaram a fazer shows. As jovens entraram no Programa de Proteção à Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte, tiveram que mudar de cidade e foram muitas vezes culpabilizadas, inclusive em discurso reproduzido pelos meios de comunicação, pela violência que sofreram.
Dessa forma, a Marcha Mundial das Mulheres na Bahia decidiu assumir o caso para impedir que caísse no esquecimento da população e da mídia, o que mais uma vez banalizaria a violência contra as mulheres. Para o movimento, só a partir de ações nas ruas e muita pressão social e política, o julgamento ganharia celeridade. Além disso, com as mobilizações seria possível estabelecer debates acerca da impunidade dos agressores e da naturalização da cultura do estupro em nossa sociedade.
A primeira fase do julgamento aconteceu em fevereiro de 2013, seis meses após a ocorrência do crime. Na primeira audiência as provas eram contundentes contra os réus, por conta do exame de corpo de delito, que as jovens fizeram logo após sofrerem violência, e os exames de DNA a partir dos sêmens encontrados no corpo das vítimas. A MMM esteve presente desde a primeira audiência, mobilizando, manifestando e criando espaços de agitprop para estimular o debate com a população.
A criação de músicas, paródias tocadas pela batucada, as faixas, palavras de ordem e o teatro do oprimido foram os principais instrumentos de agitprop durante o julgamento. Formações políticas também foram promovidas pelo grupo sobre machismo, patriarcado e violência. Além disso, fotografias, vídeos e textos com explicações das ações e com debate político sobre o caso eram divulgados através das
27 redes sociais na internet, durante os dias do julgamento por uma equipe de comunicação. As manifestações chamaram a atenção da imprensa, inclusive dos principais veículos da Bahia, mas as mulheres perceberam a necessidade de produzir suas próprias matérias e conteúdo que chegassem ao maior número de pessoas possível através das redes.
A partir da experiência da primeira audiência, que percebi a importância de incluir no documentário o registro da segunda fase, já que novamente acompanharia de perto e as mulheres tinham pensado várias formas de agitação e propaganda. No dia 03 de setembro, os réus se envolveram em confusões com algumas mulheres nas ruas da cidade, e alegaram que estavam com a integridade física ameaçada. Por isso, o julgamento foi adiado para os dias 17 a 19 de setembro.
Mas, a Marcha ainda se manteve na cidade realizando atividades a fim de estimular as discussões e o processo educativo da população. No dia 04, registrei as imagens das mulheres em marcha pelas ruas, com faixas, megafone e batucada a caminho da praça. Nesta praça, registrei uma intervenção pela manhã, na qual a militante Maíra Guedes do Núcleo Negra Zeferina da MMM fala ao microfone sobre a impunidade dos agressores de mulheres, sobre a violência sexual e a criminalização do movimento de mulheres.
A noite, voltamos às ruas para exibição de filme e cenas de teatro. Foram criadas quatro cenas curtas de teatro, representando formas de violência contra as mulheres, além da sexual. Registrei os momentos, porém as cenas perderam a qualidade da imagem por conta da pouca iluminação. Ainda assim, pela importância do exemplo, inseri no documentário um momento do teatro. A cena utilizada é a representação da violência doméstica e da reprodução da divisão sexual do trabalho, na qual uma das mulheres entrega o prato de comida para o marido - representado por outra mulher - que só reclama e agride a esposa.
No mesmo dia a noite, retornamos a Salvador. Todas as imagens utilizadas no documentário sobre o julgamento são referentes ao dia 04 de setembro de 2013.
28 3.2.3 Explicação do conceito de Agitação e Propaganda
Para explicar sobre Agitação e Propaganda fazendo as referências históricas e conceituais, foi necessário realizar entrevista com Maíra Guedes da MMM de Salvador. Ela é graduada em Teatro e faz mestrado sobre o uso do teatro na Agitação e Propaganda, retomando as experiências da Revolução Russa.
Fui encontrar a entrevistada no dia 12 de dezembro de 2013 na Faculdade de Arquitetura da UFBA. Na sua fala ela retomou as origens do termo e o desenvolvimento da Agitação e Propaganda como instrumento de comunicação, mobilização e formação da classe trabalhadora da URSS. Em seguida, diferenciou o que é agitação e o que é propaganda.
Todas as entrevistas foram feitas em ângulo plano, com closes no rosto das mulheres. Porém, para as atividades de agitação e propaganda utilizei ângulos distintos, devido às disposições das cenas.
3.3 Entrevistadas
Elen Catarina Lopes, atriz, 27 anos;
Gabriela Silva, estudante de Psicologia, 24 anos;
Larissa Marques, estudante de Serviço Social, 23 anos;
Lidiane Samara, estudante de Ciências Sociais;
Maíra Guedes, atriz e mestranda em Teatro, 27 anos;
Raisa Guimarães, estudante de Pedagogia;
29 3.4 Equipamento
Para a realização deste produto adquiri uma filmadora Sony DCR-SX21, com cartão de memória da Sony 8GB e outro cartão Sandisk de 4GB, utilizados em todos os registros. Em alguns momentos usei o tripé SL-2111 como suporte, adquirido junto com a câmera. Não utilizei nenhum microfone nem gravador de voz como apoio. Para armazenamento das imagens foi necessário um HD externo de 500 GB.
3.5 Pós-produção
Quando comecei a decupagem das gravações em novembro, fui percebendo as limitações por conta de minha pouca experiência em produção audiovisual. Com muito material para separar, percebi que necessitava de um roteiro nesse momento, a partir do que eu tinha conseguido registrar.
Meu objetivo era produzir um documentário de cerca de 8 minutos, o que faria com que eu escolhesse criteriosamente as imagens, já que eram muitas. Os critérios foram técnicos, mas me referenciei muito no conteúdo também.
A falta de conhecimento técnico para edição de vídeo e a expectativa de produzir um bom material me fez pensar em pagar algum profissional para realizar a tarefa, mas não teria recursos para isso. Mas, Silvana Pimenta, que trabalha com edição de vídeos, me ofereceu ajuda ao saber do meu projeto. No final do mês de novembro, mostrei as imagens decupadas para ela.
Na primeira semana de dezembro, com as imagens e o roteiro em mãos, começamos a montar o documentário no Adobe Premiere. Apesar de Silvana não ter tanta experiência em finalização de edições, ela afirmou ser um ótimo programa de edição e que daria para fazer o trabalho com tranquilidade. Por conta da limitação do tempo da editora e o choque com meus horários, conseguimos nos reunir pouco, atrasando o início da parte mais trabalhosa da edição.
30 De início, já tinha decidido que não utilizaria o recurso off para narração em nenhum momento do documentário. Montamos as imagens mesclando os depoimentos com as imagens das ações. Durante a edição, o roteiro foi se modificando, mudando ordens das falas, adicionando imagens de apoio e inserindo legendas em algumas cenas para indicar local e contextualizar sobre as situações mostradas. Para incluir essas informações, pensei na forma mais direta de modo que não contrastasse com o modelo de documentário expositivo.
A dinâmica tanto visual quanto das falas é muito rápida, e por isso decidimos utilizar espécie de claquetes para dividir o documentário em 3 blocos, dando um sentido mais pedagógico para a compreensão do próprio tema. O título Outras Vozes: agitação e propaganda feminista só foi decidido quando estava finalizando a edição.
Por último, colocamos trechos da música Resistiendo de Las Krudas Cubiense nas passagens de um bloco para o outro. E na última cena das mulheres na manifestação em São Paulo até finalizar com os créditos introduzimos uma música da Marcha Mundial das Mulheres, a qual não tem título. A duração total do curta-metragem é de 12 minutos e 26 segundos.
31 4. ROTEIRO
4.1 Roteiro Inicial
Agitação e Propaganda feminista: a experiência de comunicação da Marcha Mundial das Mulheres
Claquete de abertura
Título do documentário/ Música da batucada da Marcha Mundial das Mulheres durante manifestação em São Paulo
Cena 1: Externa/ MASP - São Paulo/ Manifestação/dia
Imagem da batucada da Marcha Mundial das Mulheres durante manifestação cantando a música do movimento
Claquete : o que é Agitação e Propaganda?
Cena 2: Entrevista/ Interna/pátio/ dia/ Maíra Guedes
Tarjeta identificano a militante. Entrevista com Maíra Guedes, militante da MMM, explicando o que é Agitação e Propaganda e cita exemplos.
Cena 3: Externa/ rua/ Ruy Barbosa/ ato da MMM-Ba/dia
Transição do final da fala de Maíra para imagem da batucada e faixas durante as ações em Ruy Barbosa
Cena 4: interna/ pátio/ São Paulo/ noite
Sonora de Maíra Guedes explicando o que é Propaganda com a imagem da militante Graça Samo falando com megafone no pátio do Memorial da América Latina.
Claquete Oficinas Simultâneas durante o 9º Encontro Internacional Cena 5: Entrevista/interna/sala/ Elen Catarina
32 Tarjeta de identificação da oficina e da militante. Elen Catarina explica a relação da formação política com os métodos de Agitprop e cita vários exemplos utilizados em Ruy Barbosa (lambe-lambe, muralismo, teatro).
Cena 6: interna/ operação lambe-lambe/ rua de SP/noite
Imagem de militantes da MMM realizando a operação lambe-lambe com cartazes sobre a questão do aborto sendo colado nas paredes e postes nas ruas de São Paulo.
Cena 7: Interna/ tenda/ Encontro Internacional /São Paulo/ dia/Simone Schaffer Tarjeta de identificação da oficina e de Simone Shaffer. Ela explica em que consiste a oficina e a importância das faixas para a MMM.
Cena 8: Interna/ tenda/ dia/ oficina de faixas
Tarjeta de identificação da oficina e da militante. Confecção das faixas durante a oficina com o áudio da fala de Simone Schaffer.
Cena 9 : Interna/tenda/ dia/ Raisa Guimarãres Sonora sobre o que é muralismo.
Cena 10: interna/tenda/dia/oficina de Muralismo
Tarjeta de identificação da oficina e da militante. Sonora de Raisa Guimarães com imagem das mulheres pintando um mural durante o Encontro da MMM.
Cena11: externa/Memorial da América Latina/noite/ Mural Mural finalizado
Cena 12: externa/sala/Memorial da América Latina/ oficina de zine feminista Mulheres produzindo fanzines.
Cena 13: externa/ tenda/ oficina de stencil Cena 14: externa/rua/ Ruy Barbosa/dia
Maíra Guedes fala ao microfone para a população de Ruy Barbosa sobre a violência contra as mulheres.
33 Cena15: interna/pátio/ dia/ Larissa Marques
A militante fala da importância da batucada dentro da MMM
Cena16: interna/ tenda/oficina de batucada
Sonora do final da fala de Larissa Marques com a imagem da oficina de batucada
Cena 17: Externa/ rua/ São Paulo/ manifestação
Marcha realizada no último dia do 9º Encontro Internacional da MMM
4.2 Roteiro Final
Outras Vozes: Agitação e Propaganda Feminista
Claquete de abertura
Título do documentário/ Música da batucada da Marcha Mundial das Mulheres durante manifestação em São Paulo
Cena 1: Externa/ MASP - São Paulo/ Manifestação/dia
Imagem da batucada da Marcha Mundial das Mulheres durante manifestação cantando a música do movimento
Claquete 2: Você sabe que é Agitação e Propaganda? Cena 2: Entrevista/ externa/ dia/ Maíra Guedes
Tarjeta identificando a entrevistada, militante da MMM, explicando a origem e o conceito de Agitação e Propaganda.
Claquete 3: Agitação e Propanda pelo fim da violência contra as mulheres! Ao fundo, trecho da música Resistiendo - Las Krudas Cubiense
34 Transição do final da fala de Maíra para imagem da batucada e faixas durante as ações em Ruy Barbosa no julgamento dos integrantes da banda New Hit. Legendas inseridas para explicar o contexto do ato.
Cena 4: Entrevista/interna/sala/ Elen Catarina
Tarjeta de identificação da oficina e da militante. Elen Catarina explica a relação da formação política com os métodos de Agitprop e cita vários exemplos utilizados em Ruy Barbosa (lambe-lambe, muralismo, teatro). Tarjeta de identificação
Cena 5: externa/ rua/Ruy Barbosa/noite
Cena de teatro realizada na praça da cidade por duas mulheres. Continuação da sonora da cena anterior de Elen Catarina.
Cena 6: externa/rua/Ruy Barbosa/ dia/ Maíra Guedes
Fala de Maíra com microfone na rua falando sobre a impunidade dos agressores de mulheres e sobre a violência sexual.
Cena 7: externa/dia/Maíra Guedes/ entrevista Explicação sobre o que é a agitação, exemplificando
Cena 8: externa/ pátio Memorial da América Latina/ batucada
Agitação com palavras de ordem e músicas da batucada feminista no Encontro Internacional exemplificando a fala da cena anterior. Legenda com informação (local, situação).
Cena 9: externa/ dia/ Maíra Guedes/entrevista Explicação sobre o que é a Propaganda
Cena 10: interna/ Memorial da América Latina/ noite/ato
Imagens do ato contra a Vale do Rio Doce no Encontro Internacional. Continuação da sonora de Maíra da cena anterior.
35 Fala de Graça Samo explicando com o megafone, diante de muitas mulheres, a razão do ato contra a Vale, exemplificando um momento de propaganda. Tarjeta com a identificação.
Cena 12: interna/ Memorial da América Latina/ mulheres em ato/noite Imagem do ato contra a Vale com muitas mulheres protestando.
Claquete: Oficinas de Comunicação Feminista - 9º Encontro Internacional Trecho da música Resistiendo de Las Krudas Cubiense
Cena13: externa/ rua/ mulheres com instrumentos/dia
Sonora de Larissa Marques falando sobre a batucada e as mensagens políticas
Cena 14: externa/dia/ operação lambe-lambe
Sonora de Larissa Marques falando sobre a batucada e as mensagens políticas
Cena 15: oficina de batucada/ Encontro internacional da MMM/ dia
Final da Sonora de Larissa Marques falando sobre a batucada e as mensagens políticas. Tarjeta de identificação
Cena 16: Interna/ tenda/ Encontro Internacional /São Paulo/ dia
Imagem das mulheres construindo as faixas de agitação para a manifestação.
Cena 17: interna/tenda/ Simone Schaffer
Tarjeta de identificação de Simone Schaffer. Ela explica em que consiste a oficina e a importância das faixas para a MMM.
Cena 18: interna/tenda/dia/oficina de Muralismo Produção do mural durante a oficina
Cena 19: interna/tenda/ dia/ Raisa Guimarães
Tarjeta de identificação. Sonora de Raisa Guimarães falando sobre o que é o muralismo.
36 Imagem do mural produzido na oficina finalizado
Cena 21: interna/ sala/ entrevista/ Gabriela Silva
Fala de Gabriela sobre Zine Feminista, explicando o que é e porque fazer.
Cena 22: interna/oficina zine feminista/ sala
Mulheres produzindo fanzines. Trecho da música Resistiendo
Cena 23: Externa/ rua/ São Paulo/ manifestação
Marcha realizada no último dia como encerramento do 9º Encontro Internacional da MMM. Legenda explicativa.