CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:
SUBÁREA: Fisioterapia SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO(ÕES): FACULDADES INTEGRADAS DE FERNANDÓPOLIS - FIFE INSTITUIÇÃO(ÕES):
AUTOR(ES): DANIELA CRISTINA MARTINS GRACIA, STEFANY DE ASSIS LEITE, LARISSA OLIVEIRA CALIXTO, ANA PAULA ARRUDA DE OLIVEIRA, INGRID MORAIS NUNES NASCIMENTO
AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): LUCIANA MARQUES BARROS ORIENTADOR(ES):
1.RESUMO
A importância do sono e suas consequências no cotidiano do indivíduo está bem estabelecida. A privação do sono interfere e altera o metabolismo, diante disso o desempenho acadêmico pode ser alterado, fazendo com que os graduandos deixem de dormir para concluir suas responsabilidades, no qual caracteriza a abstinência do sono, visto que ele é o meio mais eficaz de restaurar o cérebro e o corpo. O objetivo do presente trabalho foi, portanto, realizar uma revisão da literatura a respeito da privação do sono e suas consequências relacionadas ao desempenho de estudantes.
PALAVRAS CHAVES: Sono; privação de sono; desempenho acadêmico.
2.INTRODUÇÃO
O sono é um estado primordial para o organismo, abrangendo um terço do período de vida. É no período de sono que ocorre a regulação dos diversos sistemas do corpo humano (KIM; TUFIK; ANDERSEN, 2017).
Este período pode ser alterado por múltiplos fatores, dentre eles a privação do sono, presença de distúrbios mentais, hábitos irregulares, idade, patologias físicas e cognitivas, alteração no fuso horário e ritmo circadiano (COELHO et al., 2010).
Os acadêmicos ao ingressar na universidade, pertencem ao um grupo com altas probabilidades aos transtornos do sono, devido a pressão e estresse acarretados pela exigência de alto rendimento nos estudos, gerando desgaste físico e mental (CARDOSO et al., 2009, GONÇALVES et al., 2015).
Em um trabalho realizado com estudantes da área da saúde dos UBS de Paracatu-MG relatou que a maioria dos estudantes graduando dormem em média 7 horas, e que a privação do sono altera o desempenho acadêmico de 88,54%, o que pode acarretar uma má qualidade do sono provocando um baixo rendimento (CASTILHO et al., 2015).
Segundo Marquioli (2011, p. 4)
Recentemente a comunidade científica tem demonstrado bastante interesse em relação ao sono e os aspectos relacionados ao mesmo. Tal interesse tem sido fomentado pelo desenvolvimento de novas técnicas de pesquisa que permitem novas abordagens no estudo do sono. Soma-se a isso a constatação do provável fato de que alguns dos processos neurobiológicos que ocorrem no sono são necessários para a manutenção da saúde física e cognitiva do ser humano.
3.OBJETIVO
O objetivo é o de identificar os diferentes aspectos e consequências da relação entre a privação de sono e desempenho em graduandos, evidenciando seus efeitos e reflexos.
4. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão da literatura, procedeu-se coleta de dados utilizando o acervo da biblioteca da Fundação Educacional de Fernandópolis, nas bases de dados da LILACS e SCIELO, sites de organizações voltados à pesquisa ou ao estudo do sono disponíveis online, estabelecendo-se os seguintes critérios de inclusão: artigos que abordassem a temática sono; artigos publicados entre os anos de 2001 e 2017.Utilizando as palavras-chave “sono; privação de sono; desempenho acadêmico”. Os dados foram coletados de agosto 2017 a abril de 2018. Após a leitura dos títulos e resumos, os estudos selecionados vieram ser analisados através de uma revisão sistemática de estudos descritivos e qualitativos.
A análise das publicações selecionadas permitiu a identificação de diversas abordagens no que diz respeito privação de sono e baixo desempenho em graduandos.
5. DESENVOLVIMENTO 5.1 SONO
O sono é divido em quatro períodos, sendo que cada um dura de uma hora e meia à duas horas. Subdivido em dois ciclos: sono sem movimentos rápidos dos olhos (NREM) e sono com movimentos rápidos dos olhos (REM). Durante estes ciclos, ocorre reações diferentes no organismo (SOARES, 2011).
O sono NREM, também nomeado lento, profundo ou conservador, é onde se dá o início do sono, formado por quatro fases, crescentes de profundidade. Embora exista um bloqueio motor durante o sono NREM o homem se movimenta diversas vezes (GANHITO, 2003; TUFIK, 2008).
Este é considerado vital para as funções orgânicas, por estar associado á restauração da estrutura proteica neuronal e ao aumento da secreção do hormônio do crescimento (também chamado somatotrofina ou somatotropina) (GEIB et al., 2003).
Já o sono REM é caracterizado por movimentos rápidos dos olhos. É um estado em que a função do sistema nervoso central e do sistema nervoso autônomo diferem tanto da vigília como do sono NREM, ele é gerado pelos neurônios localizados no
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hipotálamo que é controlado por meio de projeções descendentes. Há um aumento do metabolismo das células nervosas e da atividade simpática, ou seja, uma intensa atividade cerebral (JANSEN et al., 2007; KRYGER; AVIDAN; BERRY, 2015).
Porém o indivíduo se encontra com a mobilidade corporal reduzida, os músculos se tornam imóveis, sua respiração torna-se rápida, irregular e superficial. É neste ciclo que acontece os sonhos. É possível durante os sonhos, movimentar todo o corpo mesmo em um estado profundo de sono (TUFIK, 2008).
A alternância entre os períodos em que estamos acordados e os períodos em que dormimos é chamada de ciclo vigília-sono. Este é regulado pelo claro e escuro (dia e noite). Os horários de trabalho, estudos e atividades diárias, são fatores exógenos que sincronizam o ciclo sono-vigília (ALMONDES; ARAÚJO, 2003).
Logo pela manhã o hormônio cortisol começa a ser secretado pelas glândulas suprarrenais, obedecendo a um ritmo diário, que prepara o corpo para o estado de vigília (atividade). Ao anoitecer o mesmo diminui sua produção, logo é liberado o hormônio melatonina conhecido como “hormônio do sono”, que atinge seu pico entre 22h a 24h (ALMONDES; ARAÚJO, 2003; SALUSTIANO, 2014; BOTAS, 2014).
A maioria dos seres vivos apresenta algum padrão rítmico de atividade. Por exemplo, regularmente precisamos comer, beber, excretar e dormir. É um ciclo metabólico que envolve o ciclo de sono e vigília, atividade digestiva, produção de hormônios e regulação térmica. (GEIB et al., 2003).
Estes ritmos biológicos podem ser classificados em circadianos, ultradianos e infradianos. Os ritmos circadianos são ciclos de aproximadamente 24 horas, que é controlado pelo núcleo supraquiasmático que atua no controle e regulação de sistemas homeostáticos, bem como no sono, apetite, hormônios e enzimas, sobre o qual se baseia o ciclo biológico de quase todos os seres vivos, sendo influenciado principalmente pela variação de temperatura, luz, marés e o dia e noite. (MINATI, SANTANA, MELO ,2006; MOTA, 2010; CRUZ, 2011).
Alterações ou interrupções no ritmo circadiano influenciam no crescimento e na modificação das células, aumentando o risco de doenças, como o câncer (BARBOSA; BARBOSA, 2016; LAMIA, 2017).
Temos visto frequentemente que, distúrbios do sono e ansiedade gerados por uma alta exigência acadêmica influência diretamente no ciclo sono-vigília. O que constitui complicações a saúde, convivência social e aprendizagem. Portanto, a
qualidade do sono relacionada a privação, intervém contrariamente ao longo do dia, colaborando para o baixo desempenho acadêmico. Com tudo, independentemente á idade, o sono vital é importante para o funcionamento eficaz do corpo e da mente. (FEITOSA et al., 2009; QUINHOMES; GOMES, 2011).
5.2 PRIVAÇÃO DO SONO
De acordo com Antunes et al. (2008, p. 51) a privação do sono é a abstinência ou escassez incompleta do sono, que pode resultar em várias modificações sistêmicas, sejam elas intrínseca, corpórea, psíquica e ou nervosa, e também pode alterar a organização do sono. Isso tudo implica na vitalidade e bem-estar do indivíduo.
Para que o organismo realize funções necessárias para melhorar o funcionamento físico e mental do ser humano, é de extrema importância ter uma boa noite de sono. Uma noite em claro assemelha-se ao estado de embriaguez leve, ou seja, sem o merecido descanso o organismo deixa de cumprir tarefas importantíssimas como a função motora e capacidade de discernimento (OLIVEIRA et al., 2016).
A ausência de sono pode desencadear diversos distúrbios, sejam eles imediatos ou tardios. Imediatamente o indivíduo pode apresentar apatia diurna a fadiga, mudanças de ânimo, esquecimento e cognição alterada. Já tardiamente, pode causar perda permanente de memória, doenças imunológicas e, falta de energia (CONCEIÇÃO et al., 2010).
Desde modo relacionado à vida moderna, a abstinência de sono será capaz de ampliar ainda mais as chances para o desenvolvimento da obesidade e diabetes por meio de vários fatores. Dentre eles está à resistência á insulina, desajuste no sistema endócrino afetando a fome, acarretando em um consumo maior de alimentos não saudáveis e redução no gasto de energia (MARTINS, 2009).
A ausência de conhecimento ou da não importância a respeito dos ritmos circadianos, dentre os quais se destaca o ritmo sono-vigília, se retrata na existente “supervalorização da vigília”. Desta forma as horas de sono tão essenciais se tornam “horas inúteis” e o organismo humano, biologicamente planejado a permanecer ativo durante o dia, sendo o período claro e inativo durante a noite, no período escuro, este por sua vez vem sendo substituído pela luz artificial e pelas atividades laborais do dia (ANDRAUS, 2012).
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Em compensação existem alguns hábitos que podem melhorar a qualidade do sono, como por exemplo, buscar o conforto térmico, postural e de iluminação no ambiente (KLAYM; NUNES, 2013).
5.3 RELAÇÃO DO BAIXO DESEMPENHO E PRIVAÇÃO DO SONO
De acordo com Magalhães e Andrade (2006) o termo desempenho é definido como a atuação do discente na realização de tarefas acadêmicas analisadas em termos de competência e produtividade e que representam o grau de habilidade obtido.
O desempenho do acadêmico é uma das bases que sustenta a construção para uma boa qualificação profissional. Porém há vários fatores que podem afetar assim o desempenho do universitário, podendo ser fatores externos, aqueles que não dependem do aluno, e fatores internos, que resulta unicamente do mesmo (MEDEIROS et al., 2002; SOUTO-MAIOR et al., 2011).
Dentre eles há modificações ambientais e sociais, como as responsabilidades acadêmicas, fazendo com que os graduandos optem por corresponder a várias horas estudando, deixando de lado a necessidade de uma boa noite de sono, resultando a uma sonolência demasiada durante o dia (MEDEIROS et al., 2002; MARTINI et al., 2012).
A falta de um sono reparador tem importantes efeitos na relação ensino-aprendizagem, pois durante a fase profunda do sono acontecem significativas atividades cerebrais e fixação de tudo que foi vivenciado durante o dia, além de diminuir o foco e consequentemente a execução de ocupações acadêmicas (MIRANDA; MOLINARI; SANT’ANA, 2002; FERREIRA; DE MARTINO, 2012).
Segundo a pesquisa que investigou o perfil de hábitos de leitura e qualidade de vida, dos alunos ingressantes em 2004 dos cursos de odontologia e fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia da USP de Bauru, São Paulo, concluiu se que dentre os obstáculos que mais afetaram o desempenho acadêmico estavam: ansiedade e insônia ou mudança relevante no sono e em menor estágio depressão (LAWI, 2015). Além destes situam-se o cansaço, irritabilidade e queda no desempenho mental, levando a prejuízos de cognição e falta de atenção, que são imprescindíveis na execução de afazeres acadêmicos. Além de influenciar em relação ao bem-estar, compromissos e relações interpessoais (CAMPOS; MARTINO, 2004; BITTENCOURT et al., 2007; SADEH; DAN BAR-HAIM, 2011).
Desejando melhorar o desempenho, muitos estudantes fazem uso de substâncias estimulantes como cafeína, tabaco, álcool e medicamentos como a ritalina (BICHO, 2013; CASTILHO et al., 2015).
Em uma pesquisa realizada com o tema do uso de substâncias psicoestimulantes por estudantes de graduação em Medicina da Universidade Federal do Rio Grande – Furg (RS), onde seu uso tem como objetivo manter-se desperto, contém ainda elementos antidepressivos, de melhora no humor e na execução cognitiva. Sendo então pesquisado o consumo das substancias cafeína, metilfenidato (Ritalina), modafinil, piracetam, bebidas energéticas, anfetaminas e MDMA (Ecstasy). Teve como resultado a prevalência do uso de 52,3%. Maior consumo foi às bebidas energéticas 38,0% e cafeína 27,0%. As justificativas do uso foram 47,4% suprir e compensar a privação do sono, 31,6% melhorar o entendimento, atenção e a memória (MORGAN et al., 2017).
Recomenda-se que haja uma boa higiene do sono para que evite o surgimento de distúrbios, através da adoção de horários regulares dedicados ao sono e melhor manipulação dos horários de estudo (SEGUNDO et al., 2017).
Para Furlani e Ceolim (2005) seu tempo de sono a noite e a obrigação de acordar mais cedo colaboram em alto nível para um mau desempenho acadêmico e para a privação do sono, respectivamente.
O equilíbrio entre os afazeres e o sono é fundamental para vitalidade cognitiva, requerendo uma atenção maior quando o servidor representa importância no ensino-aprendizagem (VALLE, 2011).
6. RESULTADOS
Este estudo sobre o sono indica que as consequências em relação ao desempenho escolar são bastante evidentes entre graduandos. São ainda necessários estudos detalhados sobre esses desdobramentos e o impacto deles na vida das pessoas de modo especifico de graduandos a oferecer uma real estimativa dos prejuízos pessoais e sociais consequentes aos distúrbios de sono.
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os graduandos possuem uma alta exigência acadêmica e para burlar deixam de realizar alguns processos fisiológicos, dentre eles o ato de dormir. Além disso, fazem uso de meios artificiais, como por exemplo: cafeína, bebidas energéticas e metilfenidato (ritalina).
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Vários fatores que contribuem para o baixo desempenho, como por exemplo: hábitos irregulares de sono, ansiedade, depressão, turno de aula, carga horária de trabalho, aparelhos eletrônicos que interfere diretamente no metabolismo e suas funções, alterando assim a qualidade do sono.
Por meio desses dados poderão ser planejados e elaborados programas específicos para prevenção e reabilitação da pessoa acometida, contemplando as diferentes realidades.
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