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E mais!

Agenda de festivais em todo o Brasil

Entrevista exclusiva com o porto-riquenho David Sanchez

CLARINETE,

FLAUTA, OBOÉ...

Tudo sobre o I Encontro

de Madeiras em Tatuí

SUPERGUIA

com

16

exercícios para aprimorar sua técnica

ABC DO BLUES

LEO GANDELMAN

Ele acumula mais de 20 anos de

carreira, prêmios e reconhecimento

no Brasil e no exterior

TESTADOS

(E APROVADOS!)

• Sax alto Condor

• Palhetas Vandoren

Java e V16

GOSPEL:

Nenê Santos

e sua mistura

harmoniosa

de ritmos

TOQUE MELHOR

com as aulas de David Ga

nc

(fl auta), Henrique Band (s

ax),

Rafael Velloso (sax) e Mic

hel

Moraes (clarinete)

TESTADOS

(E APROVADOS!)

• Sax alto Condor

• Palhetas Vandoren

Java e V16

SA X &M ET AI S• 20 07 •N º 1 0• R$ 8 ,9 0

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4 SAX & METAIS JULHO / 2007

EDITORIAL

VIVA A DIVERSIDADE!

cada edição de Sax & Metais, toda a equipe se reúne para defi nir as pautas que levaremos até você. Discutimos a relevância dos assuntos, listamos nomes im-portantes para ilustrar nossas páginas e defi nimos o que entra ou não na sua revista. É um trabalho de garimpo, avaliação e edição bastante complexo, porque nosso intuito é publicar o que há de melhor no meio musical e, especifi camente, no de sopro.

Nesta edição não foi diferente. Posso afi rmar, em nome de toda a equipe da revista, que fi quei muito satisfeita do começo ao fi m dessas 52 páginas que você começa a ler aqui. Primeiro, pela matéria de capa, realizada de forma magistral pela nossa editora Dé-bora de Aquino com Leo Gandelman, um saxofonista capaz de tocar, produzir, compor e arranjar com a mesma maestria, e em diversas vertentes da música, do pop ao jazz.

Na parte técnica, trazemos 16 exercícios para você entender e tocar melhor o blues, estilo musical tão difundido e cheio de macetes. Saiba sobre sua história, escalas e dicas para se aperfeiçoar.

Trazemos também grandes nomes da música, como Rodrigo Bento, que após dez anos tocando com o ótimo Jota Quest, agora avança em carreira-solo, com muito sucesso; o estilo de Paulo Oliveira, e uma entrevista exclusiva com o porto-riquenho David Sanchez, um dos representantes da geração de young lions que, literalmente, abalou Nova York.

Temos ainda workshops, informações sobre festivais e análises de instrumentos e aces-sórios. Está imperdível. Aproveite cada pauta, ou melhor, cada página!

Um abraço,

Regina Valente

Esta revista apóia Editor / Diretor

Daniel A. Neves S. Lima

Diretora de Redação Regina Valente MTB: 36.640 Editora Técnica Débora de Aquino Reportagem Verena Ferreira Revisão

Hebe Ester Lucas

Gerente Comercial Eduarda Lopes Administrativo / Financeiro Carla Anne Direção de Arte Alexandre Braga Impressão e Acabamento Gráfica PROL Fotos

Divulgação, Kazuo Watanabe, Luis Garrido, Tiago Gracindo

Colaboradores

Deise Juliana, Marcelo Coelho, Marcio Mazzi Morales (texto); César Albino

(teste saxofone); David Ganc, Henrique Band, Michel Moraes

e Rafael Velloso (workshops)

Distribuição Nacional para todo o Brasil

Fernando Chinaglia Distribuidora S/A Rua Teodoro da Silva, 907 • Grajaú CEP 20563-900 • Rio de Janeiro • RJ

Tel.: (21) 2195-3200

Assessoria

Edicase Soluções para Editores

Sax & Metais (ISSN 1809-5410)

é uma publicação da Música & Mercado Editorial. Administração, Redação e Publicidade:

Rua Alvorada, 700 • Vila Olímpia CEP 04550-003 • São Paulo • SP • Brasil

Todos os direitos reservados.

Publicidade

Anuncie na Sax & Metais [email protected] Tel./Fax: (11) 3567-1940 • 3846-4446 www.saxemetais.com.br e-mail: [email protected] Editor / Diretor

A

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6 SAX & METAIS JULHO / 2007

ÍNDICE

20

Leo

Gandelman

SEÇÕES

4 Editorial 8 Cartas 10 Live!

Shows, projetos e novidades do universo do sopro

14 Vida de músico

Edu Amaral

36 Análises

Sax alto Condor

Palhetas Vandoren Java e V16

40 Vitrine

41 Reviews

Lançamentos de CDs

WORKSHOPS

Henrique Band

(SAXOFONE)

Fusões rítmicas

Rafael Velloso

(SAXOFONE)

Saxofone no choro

David Ganc

(FLAUTA)

A construção da sonoridade

Michel Moraes

(CLARINETE)

Efeitos sonoros no clarinete 16 18 42 44 46 48

MATÉRIAS

PERFIL

Paulo Oliveira

Com o wind-synth, o instrumentista utiliza a tecnologia para uma intensa produção (e evolução) musical

CAPA

Leo Gandelman

, um dos mais versáteis saxofonistas da atualidade, que ainda produz, compõe e faz arranjos com maestria. Confira entrevista exclusiva.

Madeiras nas orquestras:

saiba tudo o que aconteceu no Encontro de Madeiras, realizado pelo Conservatório de Tatuí, que recebeu músicos de renome nacional e internacional

Técnica:

conheça 16 exercícios para entender e aprimorar a forma de tocar o blues, com sugestões de estudos para você treinar em casa

GOSPEL

Nenê Santos:

o músico investe na carreira-solo e vem despontando no cenário evangélico mesclando jazz com suingue e pop

David Sanchez:

em entrevista à

Sax & Metais, o porto-riquenho fala

sobre sua carreira em Nova York e como passou de promessa a ícone da nova geração de músicos

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6 SAX & METAIS JULHO / 2007

ÍNDICE

20

Leo

Gandelman

SEÇÕES

4 Editorial 8 Cartas 10 Live!

Shows, projetos e novidades do universo do sopro

14 Vida de músico

Edu Amaral

36 Análises

Sax alto Condor

Palhetas Vandoren Java e V16

40 Reviews

Lançamentos de CDs

WORKSHOPS

Henrique Band

(SAXOFONE)

Fusões rítmicas

Rafael Velloso

(SAXOFONE)

Saxofone no choro

David Ganc

(FLAUTA)

A construção da sonoridade

Michel Moraes

(CLARINETE)

Efeitos sonoros no clarinete 16 18 42 44 46 48

MATÉRIAS

PERFIL

Paulo Oliveira

Com o wind-synth, o instrumentista utiliza a tecnologia para uma intensa produção (e evolução) musical

CAPA

Leo Gandelman

, um dos mais versáteis saxofonistas da atualidade, que ainda produz, compõe e faz arranjos com maestria. Confira entrevista exclusiva.

Madeiras nas orquestras:

saiba tudo o que aconteceu no Encontro de Madeiras, realizado pelo Conservatório de Tatuí, que recebeu músicos de renome nacional e internacional

Técnica:

conheça 16 exercícios para entender e aprimorar a forma de tocar o blues, com sugestões de estudos para você treinar em casa

GOSPEL

Nenê Santos:

o músico investe na carreira-solo e vem despontando no cenário evangélico mesclando jazz com suingue e pop

David Sanchez:

em entrevista à

Sax & Metais, o porto-riquenho fala

sobre sua carreira em Nova York e como passou de promessa a ícone da nova geração de músicos

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CARTAS

Surpreendente

O que dizer de uma revista que a cada mês vem surpreendendo com matérias inte-ressantes e relevantes para nós, músicos e instrumentistas de sopro. Só tenho a dizer: meus parabéns!

Tom Silva

São Paulo, SP

Fora do eixo

Fiquei muito feliz com a matéria sobre meu trabalho e espero conhecer outros artistas que, como eu, não são do eixo RJ-SP e têm uma produção fonográfi ca autoral. Tudo por meio da revista. Vida longa e muito som!

Márcio Menezes

Teresina, PI

Lea Freire

Muito boa a entrevista com essa ótima musicis-ta. Aprendi muito com tudo que ela relatou, e toda experiência que ela passou por meio dessa reportagem. Obrigada à revista por nos presen-tear com matérias assim!

André Souza

Salvador, BA

Fale com a Sax & Metais: envie suas dúvidas e sugestões para: [email protected] ou escreva para: Rua Alvorada, 700 Vila Olímpia • CEP 04550-003 • São Paulo • SP • Brasil

SAX & METAIS NO ORKUT

Revista nas bancas

Gosto muito da revista, que sempre traz matérias úteis para o nosso dia-a-dia musi-cal. Continuem assim! Mas por que às vezes ela demora para chegar às bancas?

Paulo Antunes

São Paulo, SP Olá, Paulo

Obrigada pelos elogios. Quanto às bancas, de fato tivemos alguns atrasos, mas nossa equipe já resolveu esse problema e pode ter certeza de que você encontrará sua revista nas bancas to-dos os meses. Um abraço!

A redação

Série Harmônica

Gostaria de sugerir uma que a Sax & Metais nos premiasse com uma série sobre progres-são harmônica e técnicas como vibrato, etc.

Gilvane Rosa

Angra dos Reis, RJ Olá,Gilvane

Obrigada pela sua sugestão, sem dúvida é um assunto que interessa a todos os músicos de sopro.

Anotamos aqui seu pedido e continue acompa-nhando a revista, que em breve teremos novidades a respeito. Abraços!

A redação

Para saber informações da revista e trocar idéias com outros músicos de sopro, parti-cipe da comunidade da Sax & Metais no

Orkut - http://www.orkut.com/Community. aspx?cmm=12315174. Já são mais de 1.300 integrantes que enviam comentários sobre instrumentos, músicas, críticas e sugestões para fazer a revista cada vez melhor. l

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SAX & METAIS JULHO / 2007

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CARTAS

Lea Freire

Muito boa a entrevista com essa ótima musicis-ta. Aprendi muito com tudo que ela relatou, e toda experiência que ela passou por meio dessa reportagem. Obrigada à revista por nos presen-tear com matérias assim!

André Souza

Salvador, BA

Surpreendente

O que dizer de uma revista que a cada mês vem surpreendendo com matérias inte-ressantes e relevantes para nós, músicos e instrumentistas de sopro. Só tenho a dizer: meus parabéns!

Tom Silva

São Paulo, SP

Série Harmônica

Gostaria de sugerir uma que a Sax & Metais nos premiasse com uma série sobre progres-são harmônica e técnicas como vibrato, etc.

Gilvane Rosa

Angra dos Reis, RJ Olá,Gilvane

Obrigada pela sua sugestão, sem dúvida é um assunto que interessa a todos os músicos de sopro. Anotamos aqui seu pedido e continue acompa-nhando a revista, que em breve teremos novidades a respeito. Abraços!

A redação

Fora do eixo

Fiquei muito feliz com a matéria sobre meu

Fale com a Sax & Metais: envie suas dúvidas e sugestões para: [email protected] ou escreva para: Rua Alvorada, 700 Vila Olímpia • CEP 04550-003 • São Paulo • SP • Brasil

SAX & METAIS NO ORKUT

trabalho e espero conhecer outros artistas que, como eu, não são do eixo RJ-SP e têm uma produção fonográfi ca autoral. Tudo por meio da revista. Vida longa e muito som!

Márcio Menezes

Teresina, PI

Revista nas bancas

Gosto muito da revista, que sempre traz matérias úteis para o nosso dia-a-dia musi-cal. Continuem assim! Mas por que às vezes

ela demora para chegar às bancas?

Paulo Antunes

São Paulo, SP Olá, Paulo

Obrigada pelos elogios. Quanto às bancas, de fato tivemos alguns atrasos, mas nossa equipe já resolveu esse problema e pode ter certeza de que você encontrará sua revista nas bancas to-dos os meses. Um abraço!

A redação

Para saber informações da revista e trocar idéias com outros músicos de sopro, parti-cipe da comunidade da Sax & Metais no

Orkut - http://www.orkut.com/Community. aspx?cmm=12315174. Já são mais de 1.300 integrantes que enviam comentários sobre instrumentos, músicas, críticas e sugestões para fazer a revista cada vez melhor. l

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SAX & METAIS JULHO / 2007

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PO R V ER EN A FE RR EIR A TES TE N O VID ADE ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE!

LIVE!

8 SAX & METAIS

JULHO / 2007

Aqui você confere a agenda de

shows e encontros de músicos

em todo o Brasil e fi ca

antenado com as novidades

do mundo do sopro

A

s diversas manifestações do jazz contemporâneo se reúnem em Manaus de 25 a 29 de julho, durante o 2º Festival Amazonas Jazz, uma promo-ção do Governo do Estado. Segundo o secretário de Cul-tura, Robério Braga, o objetivo do evento é promover o Ama-zonas como destino cultural e turístico, além de incluir a capital no roteiro dos grandes festivais internacionais do gê-nero. A direção do festival está sob a responsabilidade do ma-estro português Rui Carvalho. Graças ao sucesso da primeira edição, este ano o evento

ga-nhou um dia a mais na programação, que inclui shows de artistas nacionais e internacionais, como Mauro Senise Quarteto, Guinga Grupo, Jeremy Pelt, Egberto Gismonti, Robin Eubanks, Spokfrevo Orquestra, entre outros. O festival traz ainda alguns eventos paralelos,

AMAZONAS NO CIRCUITO DE JAZZ

O

Festival de Inverno de Pedro II rea-lizou sua quarta edição entre os dias 7 e 10 de junho em Pedro II, que fi ca a 195 quilômetros de Teresina, capital do Piauí. Nomes como Derico, JJ Jackson, Yamandu Costa, Hamilton Holanda e Osvaldinho do Acordeon marcaram pre-sença no evento com shows gratuitos. Do Piauí, os artistas Sérgio Mattos & Bumba Trio, Ockteto, Italo e Renno e Trombone & Cia também deram um show no festi-val. Além da programação com os nomes do jazz e do blues, o clima agradável e o potencial turístico da cidade serrana ga-rantiram o sucesso do evento. Segundo a assessoria de imprensa do festival, estima-se que cerca de 10 mil turistas passaram pelo local em decorrência do evento, que trouxe também atrações do artesanato, da gastronomia e da cultura, além dos sho-ws musicais. O IV Festival de Inverno de Pedro II é uma realização do Sebrae com apoio do Governo do Estado. l

PEDRO II EM FESTA

O

I Fórum PlanetaBandas foi realizado de 1º a 3 de junho e teve apoio de vários maestros e

re-gentes de bandas e fanfarras. Cerca de 750 pessoas participaram do evento, que é inédito para o segmento e que trouxe diversos debates culturais. Entre os principais estava uma palestra com Rose Melsburguer sobre como formatar projetos para captação de recursos. O palestrante Nivaldo Percival também falou sobre os aspectos básicos da legislação de apoio à cultura. E na parte mais prática do fórum, Márcia Helena Duque e os coreógrafos Alemão e Polini discorreram sobre os elementos coreográfi cos de linhas de frente e balizas. Para complementar a parte prática, Silvio Luiz de Oliveira falou sobre as noções de arranjos, a escolha de repertório, a instrumentação e a formação do grupo em fanfarras. E para falar sobre a Internet como meio de informação e marketing, o editor do site do PlanetaBandas, Marcio Mazzi Morales, também esteve presente. Para completar o I

Fó-rum PlanetaBandas, o público pôde conferir shows musicais com o Coral Itaquaquecetu-ba e com o Grupo de Metais da Banda Marcial Sênior do Colégio Santa Isabel. Com o sucesso da primeira edição do evento, a organização já mar-cou a próxima para setembro de 2008 e promete novidades. Para mais informações, fi que atento ao site www.planeta-bandas.com.br. l

como workshops e ofi cinas sobre o universo do jazz, com o objetivo de dar capacitação técnico-pedagógica a profi ssionais da música. Para mais informações, ligue para (92) 3232-1768 ou contate o e-mail [email protected]. l

FÓRUM INÉDITO DE BANDAS E FANFARRAS

Festival em Manaus reunirá grandes nomes da música instrumental brasileira

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A

Delira Música acaba de lançar o novo CD do gaitista Maurício Einhorn. Com o nome de Travessuras, o álbum foi produzido e dirigido por Ricardo Leão, com arranjos de César Camargo Mariano, Ricardo Leão, Jessé Sadoc e Vittor Santos. O disco foi lançado no dia 12 de julho na Sala Cecília Meirelles, no Rio de Janeiro (RJ) e é uma realiza-ção da Delira Música, com apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Einhorn é fi lho de gaitistas e tem mais de 60 anos de experiência no instrumento. Seu primeiro disco foi gravado em 1949 com o conjunto de harmônicas Brazilian Rascals. Em 1957, participava ativamente do movimento bossa nova, com várias músicas gravadas por intérpretes de renome, como Tom Jobim, Hubert Laws, Herbie Mann, Cannonball Adderley e outros. Einhorn recebeu vários convites e viajou para os EUA para representar seu ‘jazz samba’ com parceiros ilustres como Joe Carter, Jim Hall, Ron Carter, Herbie Mann, Richard Kimball, David Sanborn, Monty Alexander, Nina Simoni, Nilson Matta, Romero Lubambo. O início de algumas das 12 composições do disco pode ser ouvido no site da Delira Música – www.deliramusica.com.br. Lá você pode obter ainda mais informações sobre o disco e sobre o artista. l

AS NOVAS TRAVESSURAS

DE EINHORN

O

Quarteto Caixa Acústica vem se destacando no cenário mu-sical do Rio de Janeiro. Em junho, o grupo abriu o Festival Visa de Jazz, em Itaipava (RJ), com grande aclamação do público e da organização. O Quarteto também foi convidado pelo segundo ano consecutivo para integrar as atrações do Festival Sesc de Inverno do Rio de Janeiro. No dia 12 de julho o quarteto abriu o festival no mesmo espaço em que Mauro Senise e seu quarteto fazem a festa da música instrumental. Formado por Antonio Ribeiro (sax e fl auta), Rodrigo Veiga (bateria), Henrique Branco (teclado) e Leonardo Mi-randa (baixo), o Caixa Acústica planeja vôos mais altos. “Recebemos convites para tocar na França, Alemanha, EUA e Portugal. Estamos vendo o que de melhor será possível fazer para conciliar todos os eventos”, afi rma Antonio Ribeiro, integrante do quarteto.

Ribeiro trabalha ainda como produtor de eventos do Casarão Produções, outro destaque da região serrana do Rio de Janeiro e que apóia o Caixa Acústica. Além de Ribeiro, Leandro Leite e Viviane Al-bacete trabalham como produtores e são proprietários do local. Lo-calizado em Teresópolis, o Casarão funciona como uma produtora de serviços em áudio e vídeo, sendo um excelente local de ensaio para músicos. A produtora promove ainda eventos musicais que fazem parte do Projeto Workshows, que reúne artistas para se apresentar. Pela ampla oferta de eventos e serviços, o local acabou se tornando um ponto de encontro de músicos de destaque, como Arthur Maia (acompanhado de Josué Lopez no sax), Paulo Calasans, Carlos Balla, João Bani e Zeppa, entre outros. “Agora, com a construção da Lona Cultural, poderemos abrigar, em vez de apenas 50 seletos lugares,

MÚSICA INSTRUMENTAL NA SERRA FLUMINENSE

Uma das salas de gravação O quarteto: Antonio Ribeiro (sax e fl auta), Leonardo Miranda (baixo), Henrique Branco (teclado) e Rodrigo Veiga (bateria)

TES TE N O VID ADE ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE!

LIVE!

10 SAX & METAIS

JULHO / 2007

em média 400 pessoas”, conta Ribeiro. A produtora também faz gravações digitais de áudio e vídeo, além de autoração de DVDs. Há três anos em atividade, o estúdio conta com uma sala de ensaio de 48 m2 e

prepara-ção acústica, com possibilidade de gravar ensaios de músicos em tempo real. Os músicos podem, ainda, contar com toda a aparelhagem necessária disponível, bastando apenas trazer o instrumento. Contato do Casarão Produções: (21) 2642-3366 e www.casaraoproducoes.com.br. Contato do Quarteto Caixa Acústica: (21) 2642-4217. l

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11

SAX & METAIS julho / 2007

O

saxofonista, líder do grupo MC4+, esteve no festival italiano e participou do 17° Encontro Internacional de Escolas de Jazz (IASJ). “Fui convidado pelo David Liebman, curador do festival, para lançar o meu CD, colagens, e dar uma masterclass sobre o uso da polirritmia no meu processo composicional”, conta o músico. O encontro aconteceu na cidade de Siena, de 7 a 13 de julho, e contou com a presença de escolas e universidades de jazz de mais de 30 paí-ses, incluindo representantes brasileiros, como o Souza Lima Conser-vatório de Música. O Brasil será a sede desse encontro em 2011. l

MArcelo coelho no SienA JAzz

A

mania de publicar vídeos de todos os tipos na web torna tudo mais fácil. Imagens que antes pertenciam apenas a colecionado-res ou curiosos agora estão expostas em sites como o Youtube (www. youtube.com) e estão ao alcance de qualquer usuário da Internet. Instrumentistas de sopro e saxofonistas de renome também marcam presença em vídeos na web. Ao buscar por Miles Davis, por exemplo, você pode encontrar mais de 6 mil aparições do astro do trompete. No caso de John Coltrane,

ao fazer a busca, é pos-sível optar entre mais de 1.400 opções de ví-deos em que o saxofo-nista se apresenta solo ou com convidados. Como Coltrane e Da-vis, que inclusive estão juntos em vários

víde-os, instrumentistas como Freddie Hubbard e Charlie Parker e tantos outros podem continuar presentes graças à Internet e suas faces multi-mídias. Para visualizar um dos vídeos mais requisitados da dupla Davis e Coltrane, clique em: www.youtube.com/watch?v=U4FAKRpUCYY. Para conhecer um dos solos de Coltrane, clique em www.youtube. com/watch?v=2pXWKwUYGKg. Ou busque em www.youtube.com/ watch?v=EnSYHzyjZcM um dos vídeos mais vistos de uma das belas performances de Freddie Hubbard. Vale a pena conferir. l

iMortAlizAdoS tAMbéM

nA internet

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SAX & METAIS julho / 2007

O

saxofonista, líder do grupo MC4+, esteve no festival italiano e participou do 17° Encontro Internacional de Escolas de Jazz (IASJ). “Fui convidado pelo David Liebman, curador do festival, para lançar o meu CD, colagens, e dar uma masterclass sobre o uso da polirritmia no meu processo composicional”, conta o músico. O encontro aconteceu na cidade de Siena, de 7 a 13 de julho, e contou com a presença de escolas e universidades de jazz de mais de 30 paí-ses, incluindo representantes brasileiros, como o Souza Lima Conser-vatório de Música. O Brasil será a sede desse encontro em 2011. l

MArcelo coelho no SienA JAzz

A

mania de publicar vídeos de todos os tipos na web torna tudo mais fácil. Imagens que antes pertenciam apenas a colecionado-res ou curiosos agora estão expostas em sites como o Youtube (www. youtube.com) e estão ao alcance de qualquer usuário da Internet. Instrumentistas de sopro e saxofonistas de renome também marcam presença em vídeos na web. Ao buscar por Miles Davis, por exemplo, você pode encontrar mais de 6 mil aparições do astro do trompete. No caso de John Coltrane,

ao fazer a busca, é pos-sível optar entre mais de 1.400 opções de ví-deos em que o saxofo-nista se apresenta solo ou com convidados. Como Coltrane e Da-vis, que inclusive estão juntos em vários

víde-os, instrumentistas como Freddie Hubbard e Charlie Parker e tantos outros podem continuar presentes graças à Internet e suas faces multi-mídias. Para visualizar um dos vídeos mais requisitados da dupla Davis e Coltrane, clique em: www.youtube.com/watch?v=U4FAKRpUCYY. Para conhecer um dos solos de Coltrane, clique em www.youtube. com/watch?v=2pXWKwUYGKg. Ou busque em www.youtube.com/ watch?v=EnSYHzyjZcM um dos vídeos mais vistos de uma das belas performances de Freddie Hubbard. Vale a pena conferir. l

iMortAlizAdoS tAMbéM

nA internet

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FESTIVAL COMEMORA DEZ ANOS

TES TE N O VID ADE ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE!

LIVE!

12 SAX & METAIS

JULHO / 2007

D

e 25 a 28 de julho, em Búzios, balneário fl uminense, aconteceu a décima edição do Búzios Jazz & Blues Festival. O evento comemo-rou dez anos com uma edição que apresentou Leo Gandelman (confi ra matéria especial com o músico na página 20), Blues Etílicos, João Dona-to, Charlie Hunter, Celso Blues Boy, Phil Guy, Cindy Blackman, Idriss Boudrioua e a big band Big Time Orchestra. Os músicos passaram pelos palcos do Chez Michou e do Pátio Havana. O evento foi criado e or-ganizado pelo grupo Chez Michou e acontece desde 1997. Ao longo de suas edições, o festival trouxe músicos importantes do cenário nacional e internacional, como Stanley Jordan, Fito Paez, Vernon Reid, Eric Gales, Kurt Brunus, Ray Moore, Bernard Purdie, Marcos Valle, Yamandu Costa e Ed Motta. Para Márcio Rangel, integrante da Big Time Orchestra, a participação no evento foi muito importante não só do ponto de vista musical, mas também de divulgação do trabalho. “Já participamos de festivais e de eventos grandes, mas no de Búzios foi a primeira vez, não só pela importância e magnitude, mas principalmente porque sempre aprendemos muito com grandes feras do cenário musical. Essa troca de experiências é maravilhosa”, completa Rangel. Nesta edição, vale des-tacar que a preocupação com o meio ambiente também foi atração. O grupo Chez Michou, por exemplo, aderiu ao movimento Amazônia para Sempre e durante o evento foram coletadas assinaturas para o manifesto contra o desmatamento da Floresta Amazônica. l

UM GUIA PARA CLARINETISTAS

F

az exatos 40 anos que aterrissei em Estocolmo, na Suécia, e liguei para o pianista Lars Wener, cujo número me havia sido passado pelo bai-xista Cameron Brown. Depois dos cumprimentos tradicionais, Lars me perguntou: “Você soube que John Coltrane morreu hoje?”. Imediatamen-te comecei a chorar, enquanto Lars me apressava para pegar o trem de volta à terra do mestre.

Eu estava na hora e no lugar certos nos anos 1960, e pude ver Trane tocar muitas vezes em Nova York. Foi algo totalmente espontâneo, mas mudou minha vida desde então. Eu não seria a mesma pessoa sem a mú-sica de John Coltrane. Qualquer palavra que eu escreva não vai expressar meu apreço e privilégio de ter testemunhado sua grandeza. Sua música é quase uma crença em um poder superior, me fazia acreditar nisso.

Qualquer pessoa que me conheça, pessoalmente ou por meio da minha música, sabe o quanto Coltrane foi importante em minha vida. Sua música

HOMENAGEM – 40 ANOS DA MORTE DE COLTRANE

(17/07/1967)

me fez perceber que havia algo a mais na existência do que somos materialmente ou do que vemos em nossa frente. Vale ressaltar que, durante quatro dé-cadas, a força da música de Trane só cresceu mais e mais. Muito em função dos freqüentes lançamentos de ‘novos’ materiais, mas é mais do que isso. Por iro-nia do destino, fui me tornando um músico melhor

nesse período, e minha admiração pelo talento e profundidade que Coltra-ne dedicava ao seu trabalho e ao mundo só poderia aumentar.

Essa realidade reforçou minhas convicções sobre o poder da arte na elevação da vida humana. Se você tem um modelo como esse na mente e nos ouvidos diariamente, tudo fi ca muito claro em proporção, no mundo real e musicalmente. Sou um cara de sorte!

Obrigada, John, e que você continue a descansar em paz. l

Por David Liebman

M

ax Ferreira, clarinetista e professor do Conserva-tório de Tatuí, Tatuí (SP) lançou o Guia Técnico

do Clarinetista, durante o Encontro Internacional de

Madeiras. O material foi pensado a partir das experiên-cias do professor nas ofi cinas do Pró Bandas, programa mantido pelo Governo de São Paulo e coordenado pelo Conservatório. O guia aborda o tema da qualidade do som, o que Ferreira considera uma das principais carên-cias dos músicos instrumentistas, particularmente clari-netistas. A publicação trata do processo de respiração, que é parte essencial na produção de uma boa qualidade sonora, sem deixar de lado aspectos básicos como a em-bocadura. O Guia custa R$ 6 e pode ser encomendado pelo telefone: (19) 3554-1746 ou pelo e-mail [email protected]. l

Max Ferreira em demonstração para alunos, no dia do lançamento do Guia Leo Gandelman

Blas Rivera

(17)
(18)

V i d a d e M ú s i c o

EDU AMARAL

a Ébano Music, em São Paulo. Todos os meus saxofones são revisados e regulados lá. As palhetas que uso são específi cas e não existem em outra loja no Brasil”.

Sideman: “Placa Luminosa é uma

banda diferenciada das outras justamente pelo alto nível instrumental. Tenho muitas possibilidades de solos, praticamente em todas as músicas, então revezo com o pia-no do Eric Escobar ou a guitarra do Ribah Nascimento. Existe muita liberdade de criação dentro dos arranjos. Muitas vezes transformamos músicas simples, como

Es-paço na Van, do Ed Motta, em um samba

ou jazz totalmente instrumental, fazendo com que sempre exista a interação entre o solista e o sideman”.

CD-solo: “Meu CD foi gravado nos

estúdios Sapo, em Valinhos. O repertório foi todo autoral. Contei com a participa-ção de diversos compositores, com exce-ção da última faixa, uma regravaexce-ção com um arranjo mais atual. O álbum possui dez faixas, entre elas, samba rock, shuffl e, smooth e balada. Contei com a participa-ção dos músicos Eric Escobar, Ary Nas-cimento, Ribah Nascimento e Luizão, todos do Placa Luminosa, além de Victor Marcellus, Edu Longuin e Bruno Brito. O disco está em fase de masterização, realizada pelo Valter Lima nos estúdios Mosh, com previsão de lançamento para o próximo semestre”. l

mais novo integrante da

banda Placa Luminosa se

prepara para o lançamento

do seu primeiro CD-solo

Sua trajetória musical começou em Vali-nhos, interior de São Paulo, e não exatamente com o saxofone. Edu Amaral deu seus pri-meiros passos nos instrumentos de harmonia, violão e piano, até que aos 14 anos conheceu o sax e, por indicação de Léo Gandelman, foi estudar com Wilson Teixeira em São Paulo. Seis anos mais tarde, entrou no Conservatório de Tatuí. Hoje é saxofonista da banda Placa Luminosa, com quem gravou recentemente um DVD ao lado de Milton Guedes e Filó Machado. Já se apresentou em diversas casas de shows em São Paulo e atuou em bandas de vários estilos e formações.

Formação: “Depois de algum

tem-po tendo aulas com Wilson Teixeira, aos 20 anos fui estudar no Conservatório Dr. Carlos de Campos, de Tatuí, com Vinícius Dorin. Mais tarde, em São Paulo, convivi com o Manito, com quem adquiri muita presença de palco, graças às oportunidades que ele me deu”.

Infl uências: “Wilson Teixeira foi meu

espelho durante anos. Léo Gandelman foi o caminho por onde tudo começou. Gosto da forma rica e consciente com que ele de-senvolve seus improvisos, encaixando frases de bom gosto nas harmonias. Manito foi a grande referência em meu lado sideman”.

Estilo: “Gosto do som um pouco mais

escuro no sax, com mais graves. Tenho uma infl uência direta do som do Grover Washington Jr., do peso no timbre do sax. Ouço muito soul, smooth – esse estilo me fascina – e procuro focar meus objetivos sem pensar em rótulos. Meus CDs de ca-beceira têm Grover Washington Jr., Gary Bias, do EW&F, Gerald Albright, Maceo Parker. Tive uma fase Eric Marienthal tam-bém. Gosto muito de um músico brasilei-ro que é o Lincoln Olivetti. Um dos seus melhores CDs é o Robson Jorge e Lincoln

Olivetti, de 1982. É um som muito atual,

os arranjos dos naipes muito bem escritos, harmonias complexas e muito bom gosto. Se os americanos têm Quincy Jones, nós temos Lincoln Olivetti”.

Música e Internet: Acredito que hoje a

formação do músico brasileiro é muito mais

a Ébano Music, em São Paulo. Todos os

Pop, smooth e jazz

com swing brasileiro

SETUP DE EDU AMARAL

Instrumentos

• Sax Alto Conn Lady Face 1935, boqui-lha Beechler custom #7 e Barkley S10S, palheta Légère 2¼”.

• Sax Tenor Conn Director 1960, boquilha Otto Link NY STM 8, palheta Alexander Superial 2¼”.

• Sax Soprano Winstom customizado pela Ébano, boquilha N modelo David Lib-man 8, palheta Alexander Superial 2.

Acessórios

• Microfone AKG WMS 40 UHF, plugado num rack com um processador de efeitos Behringer DSP2024 Pro e um processa-dor de vozes Vocalist 2, controlados por um foot controller Roland GF50 e um pedal de volume FC100 Behringer.

JO VE N S T A LE N TO S: PO P, S M O O TH E JA ZZ C O M S W IN G B RA SIL EIR O TES TE N O VID ADE ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE!

JO

VE

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TO

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14 SAX & METAIS

JULHO / 2007

POR DÉBORA DE AQUINO FOTO: HENRIQUE SOUSA

O

rica graças à quantidade de informação fa-cilmente encontrada, mas alguns cuidados devem ser tomados nesse sentido. Percebo muitos iniciantes tentando estudar sozi-nhos com o material que baixam em diver-sos sites, adquirindo, assim, muitos vícios e estudos avançados demais para o nível em que se encontram. O músico que possui um objetivo e procura orientação de bons profi ssionais tem a possibilidade de uma formação mais sólida”.

Endorser: “Sou amigo do João Cuca

(19)
(20)

1 2 3

PA

U

LO

O

LIV

EIR

A

Tecnologia e div ersidade musical

Tecnologia e

diversidade

musical

procurasse perceber a estética e as demandas de cada estilo, e me fez desenvolver uma grande versatilidade”, comenta.

Na música popular, atuou e gravou com diversos artistas, de Ronnie Von e Wanderléa a Leandro e Leonardo e Zezé di Camargo e Luciano, com quem participou das gravações do DVD Acústico MTV.

Mas, com um espírito inquieto, sempre buscando no-vidades, Oliveira não pára. Também arranja tempo para dar aulas e gerenciar seu próprio home studio, onde trabalha com pequenas produções. Além do saxofone alto, do soprano e da fl auta, ele incorporou o wind-synth (controlador midi de so-pro) e alguns instrumentos étnicos.

Gaúcho de Porto Alegre, Oliveira nasceu em 1958 e in-gressou na faculdade de Composição e Regência da Univer-sidade Federal do Rio Grande do Sul, aos 18 anos, em sua cidade natal. Mas o impulso e a vontade de morar e trabalhar em São Paulo falaram mais alto e o saxofonista decidiu tentar a sorte na capital paulista em 1981. “Apesar de não ter com-pletado a graduação, o contato com o mundo acadêmico me levou a uma convicção muito forte da necessidade do estudo”, afi rma. Essa visão da música ele aprendeu com seus professo-res, músicos do naipe de Eduardo ‘Lambari’ Pecci, Amilson Godoy, Roberto Sion e Armando Albuquerque. Todos eles deixaram marcas importantes em sua formação.

D

urante seus 30 anos de carreira, Paulo Oliveira já teve a oportunidade de atuar em ambientes musicais muito distintos. O saxofonista e fl autista, que integra o grupo ins-trumental Zarabatana desde 2001 e gravou o CD Mistérios, já passou por bandas de baile, orquestras sinfônicas, grupos de música judaica, pop, sertanejo, jazz, gospel, new age e instru-mental brasileiro. Tantas experiências diferentes lhe renderam um ótimo jogo de cintura. “Não sou um grande expoente em nenhum desses gêneros, mas essa diversidade fez com que

PERFIL POR DÉB ORA DE A QUIN O F O TOS: TIA GO GRA CINDO

O saxofonista desenvolve

projetos em seu home studio e

incorporou o

wind-synth em

(21)

17

SAX & METAIS JULHO / 2007

PERFIL PAULO OLIVEIRA FIM

Com a mudança para São Paulo, veio também a chance de atuar na música eru-dita. O músico integrou o quadro da Or-questra Sinfônica do Teatro Municipal de São Paulo, de Ribeirão Preto e da Sinfonia Cultura. Foi também sideman de diversos artistas da música popular.

CARREIRA

INTERNACIONAL

Não é novidade que a qualidade da música brasileira é muito respeitada no exterior e que a recepção na Europa e nos Estados Unidos está cada vez melhor. “Tom Jobim falava que a saída para o músico brasileiro era o Galeão”, lembra Paulo. Hoje, o aeroporto ganhou o nome do mestre da música brasileira, uma forma de re-conhecer os talentos que fi zeram e fazem suces-so aqui e lá fora. Mas Oliveira faz uma ressalva: “Muitos grandes músicos brasileiros são mais reconhecidos no exterior do que no Brasil”.

Há 19 anos, Oliveira decidiu sair pelo hoje Aeroporto Tom Jobim em busca de reconheci-mento fora do País. Sua primeira atuação em terras estrangeiras foi em 1988, em Montreal, no Canadá. Engana-se quem imaginou que o saxofonista começou em bares ou tocando em casas noturnas de pequeno porte. Ele deu início à carreira internacional em grande estilo, participando do tradicional e respeitado Festi-val Internacional de Jazz da cidade canadense. Nessa época, era integrante do quarteto do gui-tarrista Olmir ‘Alemão’ Stocker, que contava

ESTRÉIA-SOLO

Oliveira agora se prepara para lançar seu primeiro CD-solo. Trópico de Capricórnio é o nome mais cotado para o álbum, em referência à localização geográfi ca da cidade de São Paulo. O disco trará oito composições próprias de diferentes épo-cas de sua vida. São músiépo-cas compostas de dez anos para cá e que documentam o processo de implementação do home-studio e da forma de compor utilizando meios eletrônicos. Mas, ao contrário do que possa parecer, houve a preocupação de manter bem presente a linguagem e os ritmos brasileiros. Neste trabalho, ele toca

wind-synth, fl auta, sax soprano, sax alto,

fl autim, pife e algumas percussões. Estão com ele nesse álbum músicos como Guelo no pandeiro e na moringa, Edu Contreras nas congas e na percussão, Zezinho Pito-co na zabumba e no triângulo, o grupo Zarabatana e o pianista Beba Zanettini.

ainda com João da Paraíba na percussão e Zezo Ribeiro no violão. No repertório havia sambas, chorinhos, baiões, ritmos do sul – todos parte do trabalho autoral de Alemão.

Com o mesmo grupo foi para Nova York, Los Angeles e voltou a Montreal, onde a recep-tividade do público foi semelhante à primeira passagem. “Isso me surpreendeu, porque não queria tocar igual a ninguém, mas sim pen-sando em suingar de um jeito bem brasileiro. E foi ali que percebi o valor da nossa música”, relembra. Mais tarde, com o acordeonista To-ninho Ferragutti e com a Orquestra Popular de Câmara, com quem esteve na Europa, os resultados positivos se repetiram.

Outra boa parada para a música brasilei-ra tem sido o Japão, uma nação de cultubrasilei-ra tão rica e diferente, com um público capaz de re-verenciar diversos estilos de músicos do Brasil. Oliveira vivenciou isso de forma muito con-tundente em 2002, quando esteve no país com a cantora Ana Caram. Tocaram um repertório composto basicamente de bossa nova, gênero que os japoneses adoram. Inclusive na maioria

• Saxofone Alto Selmer Mark VII, boquilha Eugéne Rosseau Studio Jazz, palheta Bari Star Medium

• Saxofone Soprano Yamaha 62, boquilha Bari 64, palheta Bari Star Soft • Flauta Yamaha

• Flautim Büescher

• Wind-Synth Yamaha WX11 e WX5

Na internet: www.myspace.com/paulolliveira

das grandes lojas de música locais há um espaço especial para a música brasileira, com revistas especializadas editadas por lá. O saxofonista até se arrisca a dizer que o público japonês conso-me conso-melhor música que os brasileiros, em ter-mos qualitativos. “Tocater-mos no Festival de Jazz de Kutchan e, em Yokohama, fi zemos uma pequena temporada na casa de shows Motion Blue. Em poucas ocasiões tive a oportunidade de observar tanto carinho e respeito pela músi-ca brasileira”, destamúsi-ca.

HOME STUDIO

E WIND-SYNTH

A idéia de ter um home studio que possi-bilitasse a gravação de trabalhos musicais com boa qualidade era um sonho antigo de Paulo. Foi pensando nisso que estruturou seu estúdio em casa. O objetivo inicial era produzir traba-lhos com suas composições, mas já fez alguns demos, inclusive de seu grupo, o Zarabatana. Também produziu material didático e utiliza as gravações para documentar o avanço de seus alunos. “O estúdio é um campo constante de estudo, não só dos aspectos tecnológicos envol-vidos, mas também da interação desta lingua-gem com o ‘criar’ artístico”.

Mas o saxofonista vai além do estúdio no que diz respeito às questões tecnológicas. Des-de 1989, vem fazendo experiências e utilizando com freqüência o controlador midi por sopro, o wind-synth. É um instrumento eletrônico de sopro que possui um sistema de chaves seme-lhante ao dos saxofones e que quando é ligado a módulos de som, possibilita o acesso a uma enorme paleta de sons sintetizados ou sample-ados, além de uma extensão impensável para os saxofonistas (sete oitavas) e até a execução de intervalos harmônicos. Ao longo de 11 anos trabalhando com esse instrumento, Oliveira já o utilizou em apresentações ao vivo, no estú-dio, e até mesmo como ferramenta para edição de partituras por computador. “Posso assumir funções diferentes numa banda e no estúdio acesso com facilidade o sequencer e o editor de partituras, tocando em tempo real o que quero ver escrito. O wind-synth é uma ferramenta de criação muito importante para mim.” l

(22)

E

le se consolidou como saxofonista versátil acompanhando por dez anos o grupo de pop mineiro Jota Quest. Sua vida musical co-meçou na adolescência, aos 14 anos, quando ainda morava em Salvador, sua cidade natal. Apaixonado por música, Bento decidiu se tornar músico profi ssional e partiu em busca de uma formação acadêmica consistente, for-mando-se bacharel em saxofone pela Universi-dade Federal de Minas Gerais. “Mas antes, em Salvador, fi z muita coisa com música baiana, com o Araketu, no disco Bom Demais, que me marcou bastante, porque o álbum vendeu muito. Não gravamos com metais, e sim com um quarteto de saxofones: Augusto Gomes no soprano, eu no tenor, Teco Sartorelo no barí-tono, e o Raimundo Bents, o saxofonista do Araketu, no sax alto”, explica.

O trabalho de inserir o sopro na axé mu-sic rendeu muitos trabalhos para o múmu-sico. “A música baiana tem grandes arranjadores de sopro hoje. Tanto com a Ivete Sangalo quanto com a Daniela Mercury, principais expoentes, é fácil perceber que há excelentes arranjos”, comenta. Já em Belo Horizonte, conheceu os

integrantes do Jota Quest e viu sua carreira deslanchar. “Aprendi muito e, com isso, você se disciplina. Instru-mento de sopro não tem como deixar de pegar, estudar”, relembra. A parceria com o grupo mineiro terminou em 2005, após uma mudança da própria banda – que deixou de lado o naipe de metais no mais recente disco. Hoje ele se dedica a trabalhos com bandas de black music e pop, além do seu próprio naipe de metais, o Magic Horns (veja box na próxima página).

1 2 3 4 5 C IN CO M IN U TO S C O M : R O D RIG O B EN TO P O R R EG IN A V A LE N TE F O TO S: D IV U LG A Ç Ã O

RODRIGO BENT

O

B

alanço pop no sax

> Sax & Metais – Você se considera um músico autodidata?

Em termos, sim. Meu irmão mais novo, Daniel Bento, que também é saxofonista e toca na banda Cheiro de Amor, com-prou métodos que eu acabei usando também. O primeiro foi o do Amadeu Russo. Essa forma de aprender dá muito trabalho, porque é tudo na base da observação, onde coloca o dedo, que chave aperta. Pensei que mesmo sem professor eu queria aprender de uma forma correta, não achava que tocar 100% de ouvido fosse uma coisa ideal, mas sim 50% de técnica e teoria e 50% de musicalidade. Na verdade, eu queria tocar piano, mas vendo o sax em casa comecei a pegar e tirar um som, de maneira empírica, sem técnica nenhuma, só olhando o método. Eu e meu irmão começamos a tocar na mesma época. Ele fez muita coisa em Salvador mais vol-tada para o lado do axé, e eu na música erudita. Um ano depois, entrei para a Banda Sinfônica da Universidade. Era um grupo semiprofi ssional, porque a maioria dos músicos fazia parte da Orquestra Sinfônica. Nesse grupo eram raros os músicos que não viviam de música. Cheguei achando que sabia ler tudo de primeira, mas não sabia. Estudava os méto-dos de divisão e cheguei a fazer uns bem difíceis, porém não havia tido contato, por exemplo, com compasso composto, 5/8, 7/8, essas coisas menos comuns. Foi na Banda Sinfôni-ca que eu aprendi mesmo, lá foi a minha escola.

5

5

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CINCO MINUTOS COM

CINCO MINUTOS COM

Rodrigo

Bento

INFLUÊNCIAS

• Raul Mascarenhas – “Conheci-o rapidamente aqui em Salvador, um mestre do saxofone”.

• Leo Gandelman – “Admiro o seu trabalho e escuto-o sempre”.

• Marcelo Martins – “Tem um timbre fantástico e im-provisa muito bem”.

• Vitor Assis Brasil – “Um marco, infl uenciou muita gente. Tem um disco dele ao vivo no Rio de Janeiro,

Pro Zeca, que toquei com o Lula Nascimento,

bateris-ta de Salvador”.

• Oberdan Magalhães, da banda Black Rio – “Um grande músico, que respeito muito”.

Por dez anos, ele

acompanhou a

banda Jota Quest.

Hoje, trilha seu

caminho de forma

independente, com

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19

SAX & METAIS JULHO / 2007

> Quantos anos você tinha?

Comecei por volta dos 14, e com 15 para 16 eu já tocava.

> Por que você foi para Belo Horizonte?

Assim que saí de Salvador, prestei vestibular para bacharelado em saxofone na Universidade Federal de Minas Gerais. Na época, só havia esse curso e outro em Brasília. O da UFMG era conduzido por um professor de técnica que até hoje está lá, o Dílson Florêncio, para mim, um músico no mesmo nível dos grandes no-mes da música clássica mundial.

> Como conheceu o pessoal do Jota Quest?

Assim que cheguei a Minas, comecei a tocar muito na noite. Aliás, noite em BH é impres-sionante. Era a época em que o Skank estava começando, tinha realmente muito trabalho. Eu tocava com muitos artistas locais, fazia co-vers. Fiz também algumas peças eruditas como

O Americano em Paris¸ Rhapsody In Blues, do

G. Gershwin, com a Orquestra do Estado e também gravava muito. Aos poucos comecei a dar aulas. Fui para uma famosa escola america-na chamada Pró Music e neste ano em que fui para lá, eles queriam fazer um festival. Queriam mostrar para o público o trabalho que era feito lá dentro. Escolheram um lugar emblemático de Belo Horizonte chamado Bar Nacional, muito famoso na época. O Rogério Flausino, do Jota Quest, foi tocar uma música com a gente, chamada Fé Cega, Faca Amolada. Passa-dos alguns dias, o guitarrista Marco Túlio me ligou, falou que tinha me visto tocar no festival e me perguntou se eu tinha interesse em tocar com eles. Eles nem eram conhecidos ainda, fui ao show, gostei. Na semana seguinte comecei a tocar na banda. Seis meses depois eles assinaram com a Sony Music, foi muito rápido.

> Como era a sua participação?

Nos primeiros discos, nós do naipe não

gravá-CINCO MINUTOS COM RODRIGO BENTO FIM

SETUP DE RODRIGO BENTO

Instrumentos

• Saxofone soprano Weril Spectra II, boquilha Jaf (do sr. Andrade, luthier de Belo Horizonte) e palheta Vandoren 2

• Saxofone alto Weril Spectra II, boquilha B&N de massa e palhetas Vandoren Java 2½

• Saxofone tenor Weril Supremo, boquilhas Dave Guardala-Brecker e Gary Sugal e palhetas Fibracell Medium Sof

• Saxofone barítono Weril Spectra II, boquilha B&N 7 e palhetas Fibracell Medium Soft

Microfones

• Shure SM58

• Sennheiser 421 para performances ao vivo

SOPRO MÁGICO

Rodrigo Bento montou um naipe de sopros, junto do ex-companheiro de Jota Quest, o trompetista cubano Jorge Seruto. “Temos gravado muita coisa na área da música gospel, apesar de não sermos evangéli-cos”, conta. O nome surgiu inspirado no que acontece nos Estados Unidos, em que os músicos batizam o conjunto de sopros, a exemplo do naipe de Phil Collins, o Phe-nix Horns. “É uma maneira de identifi car um naipe que faz sempre trabalhos jun-tos”, explica o saxofonista, que colocou o nome Magic Horns no seu naipe por cau-sa da tecnologia. “Somos em dois músicos, mas na hora em que utilizamos recursos de computador, tudo dobra e parecemos muitos, como uma mágica”, diz.

vamos. Isso por causa das execuções ao vivo, de covers. Quando precisava de algum arran-jo, eu chegava com alguma coisa, o trompe-tista era o Paulinho (Paulo Márcio, hoje do Skank), que também escrevia. Ele acabou saindo e eu comecei a escrever mais por ne-cessidade mesmo. Com isso, ganhamos espa-ço. Com o tempo, a porcentagem do naipe de fora que participava foi diminuindo. O disco

Oxigênio (o penúltimo da banda) foi o

divi-sor de águas: gravamos metade com o naipe do Ed Motta, que era o Jessé Sadoc, o Lelê, o Audivas e o Vitor Santos, e a outra metade era o Serginho do Trombone, o Bidinho e o Zé Carlos. A partir daí, era só o naipe do Jota Quest que gravava e escrevia os arranjos.

> Que trabalhos tem feito atualmente?

Toquei com a banda Black Rio durante uma temporada no Bleecker St., e com outros grupos também e comecei a explorar mais o meu lado de arranjador. Na Black Rio eu não fi z nada, os arranjos já estavam prontos, eram do Willian Magalhães. Mas, por infl uência disso, comecei

a escrever mais. Utilizando a facilidade da tecno-logia, aprendi que não é necessário ter um naipe grande para fazer um ‘som grande’, basta ter um bom arranjo e uma boa execução. A partir disso dá para fazer dobras sucessivas e em cima

des-sas dobras montar um naipe como se fosse bem grande. Quem escuta e não sabe que foi gravado por duas pessoas, imagina que tinha um monte de gente. Está aí a tecnologia a serviço da boa música, não é simplesmente utilizá-la para mas-carar um defeito. Outra coisa interessante é que esses programas não têm limitações de canais, então, se precisarmos usar 15 canais para sopro, o programa vai abrindo e inserindo esses canais, vai duplicando. É algo fantástico. l

NA INTERNET

Contato: [email protected]

O saxofonista vem desenvolvendo um trabalho que mescla tecnologia com metais em seu naipe Magic Horns

(24)

O

que dizer de um músico que, até

2007, já vendeu mais de 90 mil

cópias de seu terceiro disco-solo? Estamos

falando de Solar, de 1990, que rendeu a

Leo Gandelman cinco indicações para

o Prêmio Sharp, marca histórica em se tratando

de música instrumental. Mas, para chegar aonde

chegou, o saxofonista trilhou um longo caminho.

Saxofonista, compositor, arranjador e produtor, iniciou

os estudos como a maioria dos músicos, ainda criança,

e tudo começou dentro de casa.

21

SAX & METAIS

JULHO / 2007

A

mãe, Saloméa Gandelman, pianista, di-retora e fundadora da Pró Arte, escola de música no Rio de Janeiro, foi a primeira professora. Aos 5 anos de idade, Leo começou a tocar piano e fl auta doce. Seu pai, maestro e produtor, também exerceu forte infl uência, quando mais tarde o saxofonista enveredou para o mundo da produção musical.

Mas acredite: este músico que hoje soma 30 anos de estrada – 20 de carreira-solo – não tinha em mente seguir profi

ssionalmen-te na música. Apesar de ssionalmen-ter começado bem cedo e de ter freqüentado as aulas na Pró Arte,

Gandel-man não via um futuro na música erudita. Por volta dos 12 anos, montou um conjunto instrumental na escola, batizado de Pró Arte Antiqua, que se apresentava semanalmente. Tocava fl auta doce, viola da gamba e kru-mhorn (instrumentos antigos, de época). “Desenvolvi-me muito bem na fl auta doce, chegando a ser solista da Orquestra Sinfô-nica Brasileira, na ocasião dos Concertos para a Juventude, quando fui convidado pelo maestro Isaac Karabtchevsky para to-car o Concerto de Brandenburgo, de J. S. Bach”, ele relembra.

Passado o entusiasmo de adolescente com a música, decidiu seguir profi ssionalmente como fotógrafo, e até fez alguns trabalhos im-portantes nessa área. Mas, quando foi ‘apre-sentado’ ao saxofone por um amigo, o lado

(25)

22 SAX & METAIS JULHO / 2007

A r t i s t a d a c r i a ç ã o

musical falou mais alto. Conheceu o jazz e suas artimanhas, foi estudar na Berklee College of Music e, quando voltou, defi nitivamente ini-ciou sua carreira.

Sua primeira idéia era trabalhar como músico de estúdio, e foi assim que permane-ceu por dez anos, período em que participou de mais de 800 gravações com a maioria dos grandes músicos e cantores brasileiros – Mil-ton Nascimento, Toninho Horta, Ricardo Silveira, Djavan, Rita Lee, Lulu Santos, Gui-lherme Arantes. Em 1987, gravou seu primei-ro disco-solo, Leo Gandelman, e fez grande sucesso com a música A Ilha. Mostrando a que veio como solista, o sucesso foi se fazendo à medida que novos trabalhos eram lançados. Hoje já são dez discos-solo. A carreira de produtor também seguiu de vento em popa, e o saxofonista ganhou diversos prêmios nes-sa área: disco de ouro com o CD Virgem, de Marina Lima, Prêmio APCA de melhor produtor do ano de 1991, além de assinar as produções de Plural, de Gal Costa, e de

Berimbau, de Paula Morelembaum.

> Sax & Metais – Você começou como fl au-tista no Grupo Pró Antiqua e da Orquestra Sinfônica Brasileira. Como foi essa época?

Era bem bacana, eu fazia música barroca com minhas irmãs e colegas da Pró Arte e nos apre-sentávamos semanalmente no Rio. Também faziam parte do conjunto Jacques Morelem-baum, Helder Parente e Marcelo Madeira, entre outros. A música barroca me ensinou a prática de tocar em grupo e sempre variando de instrumentos, já que eu tocava fl auta doce, violas da gamba e krumhorn (tipo de instru-mento de sopro da era medieval). Desenvolvi-me muito bem na fl auta doce, chegando a ser solista da OSB. Já a fl auta transversal veio bem mais tarde. Hoje ainda toco fl auta, tenho todas elas, mas não me considero um fl autista. Toco mais em estúdios para gravações, às vezes faço um solo, até desenvolvo algumas coisas nesse instrumento, mas não é o trabalho principal.

> Mas você quase não seguiu na carreira de música e foi ser fotógrafo.

A idéia não era ser músico profi ssional, eu não via um futuro para mim na música clássica. Por volta dos 15, 16 anos, parei com a músi-ca justamente por isso. Passei a gostar muito de fotografi a e comecei a trabalhar. Fui still do

“A idéia de criar o meu estilo me cativou. Fico muito recompensado quando viajo pelo Brasil e vejo uma nova geração que se espelha no meu trabalho, que estudou minhas músicas.” LEO G ANDELMAN – AR TIS TA D A CRIA ÇÃ O TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE!

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C AP A

fi lme Dona Flor e seus Dois Maridos, atuei na revista Manchete, fi z vários trabalhos profi ssio-nais. A fotografi a foi muito importante por ter sido meu primeiro contato com o mundo pro-fi ssional. Também aprendi sobre a questão da criação, do ‘papel em branco’. Como estudei muito esse aspecto, do desenvolver idéias pró-prias por meio da fotografi a, quando conheci o saxofone, a arte da criação no jazz foi o que me encantou.

> Como se interessou pelo sax?

Certo dia um amigo apareceu com um sax, e só de experimentar o instrumento foi o sufi -ciente para perceber as possibilidades que teria

pela frente. Foi amor à primeira vista! Como infl uências poderia citar Paulo Moura, Nivaldo Ornelas, Oberdan Magalhães, David Sanborn e mais tarde John Coltrane.

> Foi aí que você conheceu o jazz?

Quando comecei a tocar sax e descobri o jazz, o improviso, isso me fez retornar à música. A idéia de criar o meu estilo e o meu som foi o que mais me cativou no saxofone. Hoje posso observar que consegui isso. Fico mui-to recompensado quando viajo pelo Brasil e encontro toda uma nova geração que se es-pelha no meu trabalho, que estudou minhas músicas, transcreveu meus solos. Acho que eu

(26)

CAPA LEO GANDELMAN

23

SAX & METAIS JULHO / 2007 estava no lugar certo na hora certa. Já

encon-trei muita gente que se considera infl uenciada pelo meu trabalho e isso é uma grande recom-pensa para mim.

> Como foi sua trajetória até a grava-ção do primeiro disco-solo em 1987, Leo Gandelman?

Em 1977 fui estudar sax, arranjo e composição na Berklee College of Music, em Boston. Re-tornei ao Brasil em 1979, quando iniciei mi-nha carreira profi ssional. Como a maioria dos músicos, comecei em bailes na noite e depois acompanhando diversos artistas em gravações e ao vivo. Tive a chance de trabalhar com estilos musicais variados e observar o funcionamento do meio. Trabalhei em naipe de sopros com Serginho Trombone, Márcio Montarroyos, Zé Carlos Bigorna, Bidinho e Oberdan. Mais tarde trabalhei também como solista, depois arranjador e produtor. Como produtor, fi z o disco Plural, da Gal Costa, Virgem, de Marina Lima, Jogo de ilusões, de Nico Rezende, além de todos os meus discos.

> Solar foi o seu terceiro disco e obteve

mui-to sucesso, rendeu prêmios e o projemui-tou nos Estados Unidos, onde fez várias temporadas. Como foi essa repercussão?

Esse disco foi, sem dúvida, o meu trabalho de maior sucesso comercial e me ajudou a abrir portas. Foi muito executado pelas rá-dios americanas e mais tarde, em 1995, as-sinei contrato com a gravadora americana Verve e fui morar por um período nos Es-tados Unidos. Fiquei por lá quase sete anos, mas sempre vindo ao Brasil para cumprir a minha agenda. Toquei em vários clubes e festivais de jazz, de costa a costa, com direi-to a seis temporadas no Blue Note, de Nova York, onde tive a chance de dividir o palco por dois anos consecutivos com o grande violonista Baden Powell!

> Depois de todo o sucesso com música po-pular, a partir de 2001 você fez trabalhos na música erudita com a Orquestra Sinfônica Brasileira no Lincoln Center e no Central Park, depois com a Orquestra Sinfônica de Brasília e da Bahia. Como foi esse retorno à música erudita?

Têm sido belos momentos de encontro com a grande música, em que tenho o privilégio de entrar em contato e interpretar obras maravi-lhosas de grandes mestres. Um verdadeiro enri-quecimento e crescimento musical no sentido técnico e interpretativo, em que cada vez me sinto mais seguro.

> Qual é a sua visão do saxofone na músi-ca erudita?

O sax é um instrumento moderno dentro da música erudita, e o repertório que existe não é muito extenso, principalmente o re-pertório com orquestra. É um instrumento solista por excelência e os concertos que exis-tem para ele são lindíssimos. Eu não tenho condições de manter embaixo do dedo todo o repertório que existe. Aos poucos vou de-senvolvendo concertos e incorporando-os ao meu repertório. Hoje tenho a Fantasia para

Saxofone e Orquestra, do Villa-Lobos, a Rap-sódia para Orquestra e Sax Alto, de Claude

Debussy, o Concertino para Sax Alto e

Or-questra, do Radamés Gnattali – que, aliás, foi

gravado com a Orquestra da Petrobras, sob regência de Isaac Karabtchevsky e lançado

esse ano pelo selo Rádio MEC. Saiu em CD comercialmente em homenagem ao centená-rio do Radamés e fi zeram um DVD também. Esse disco é composto por quatro concertos realizados no Teatro Municipal do Rio de Ja-neiro: tem a Sinfonia Popular, o Concertino

para Sax Alto e Orquestra de Câmara, que eu

gravei como solista, o Concerto para Violino e

Orquestra, gravado pela Antonella Pareschi, e

o Concerto para Orquestra de Cordas.

> A partir desses trabalhos surgiu a idéia de gravar Radamés e o Sax, seu mais

re-cente CD?

O projeto surgiu por ocasião da comemoração do centenário do nosso grande maestro Rada-més Gnattali. O Henrique Cazes, diretor mu-sical do projeto, me apresentou uma série de

Instrumentos

• Saxofones Selmer Mark VI (todos)

Acessórios

• Sax alto: boquilha B&N, palheta Vandoren Jumbo Java #3

• Sax tenor: boquilha Otto Link Metal #6, palheta Vandoren Jumbo Java #3 • Sax soprano: boquilha Bar i#68, palheta La Voz Medium

Shows

• Microfone Shure Beta 58 • Efeito TC Electronics • M_One

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LEO G ANDELMAN – AR TIS TA D A CRIA ÇÃ O TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE! TES TE C AP A ES TÚDIO TE CN O LO G IA REVIEW LIVE!

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24 SAX & METAIS

JULHO / 2007

A r t i s t a d a c r i a ç ã o

idéias e a partir daí fomos chegando às conclu-sões. Os arranjos são todos praticamente origi-nais, com pequenas adaptações — o Radamés já dizia tudo! Foi um trabalho muito feliz. Ga-nhamos o Prêmio Tim 2007 de Melhor Disco Instrumental e foi gravado no meu estúdio. É um disco dividido em três momentos: sax alto, sax tenor e naipes. Fizemos um levantamento das obras mais marcantes do Radamés escritas para sax. No disco gravamos pela primeira vez a

Brasiliana #7 com quinteto, porque até hoje só

existiam duas gravações feitas em duo de sax e piano. Essa peça é muito importante para qual-quer saxofonista, é muito bem escrita, além de ser um estudo espetacular para sax tenor.

> Além de todos os seus trabalhos, você ainda tem um estúdio?

Tenho um estúdio muito legal no Rio, o Zaga Music. É um estúdio comercial, com cinco salas. No site www.zagamusic.com.br dá para fazer um tour virtual bem completo, com a descrição dos equipamentos. Tem um piano Yamaha C2, de cauda, três baterias, vários ins-trumentos. É mais voltado para a música acús-tica. As salas são interligadas e a idéia é fazer gravações ao vivo. Há poucos estúdios assim. As pessoas estão cada vez mais limitadas a essa coisa de computador, eu vou no sentido con-trário. Acredito que o ‘ao vivo’ é o presente e o futuro da música, o trabalho fi ca pronto mais rápido, e isso ajuda muito, já que os orçamen-tos não são elevados. Então, quanto mais rápi-do um disco for gravarápi-do, melhor.

> O que o levou a trabalhar com produ-ção musical?

Isso foi algo natural. Comecei tocando em nai-pes de sopro, depois fui me destacando como solista, depois como arranjador para sopros e fi nalmente entrei para a produção. Meu pai era produtor de discos, tinha uma orquestra, a Se-renata Tropical, gravou também um disco cha-mado Saxambistas Brasileiros, era um conjunto de sax. Desde pequeno convivo muito com essa questão da produção. Quando comecei a tocar, em 1987, o que eu queria era ser músico de estúdio. Meus primeiros dez anos de carreira foram voltados a isso. Fazia shows ao vivo tam-bém, mas não era a principal atividade, o foco era o estúdio. Tenho participações em mais de 800 CDs, parei até de fazer contas.

> Você ainda tem uma rotina de estudo?

Infelizmente não, porque viajo muito e não te-nho muita regra em minha vida. Vou estudando de acordo com a necessidade, com os

compro-missos, concertos, projetos, shows. Então, ora estou estudando um concerto, ora jazz. Procuro me desenvolver o máximo possível. Também estou estudando harmonia, tendo aulas parti-culares com o Vittor Santos para melhorar esse aspecto, que é fundamental para quem quer conhecer a música por inteiro. Não tenho uma agenda muito metódica, não sou muito discipli-nado, mas procuro estar sempre estudando e me desenvolvendo. No momento estou me fi xando mais na questão harmônica para poder ampliar meu espectro de possibilidades.

> Em se tratando de estilo, como é o seu pro-cesso de trabalho como compositor e como arranjador?

Não existe uma regra. Em composição, pode-se começar por meio de uma levada rítmica, uma idéia harmônica ou uma melodia. A com-posição é trabalho, exercício. Como disse Stra-vinsky, 90% transpiração e 10% inspiração!

> Você também trabalha com aulas e workshops?

Faço workshops sempre que possível, é uma coisa de que gosto muito. Poder entrar em contato com os alunos, falar das minhas expe-riências e da carreira. Também penso em dar aulas, estou me organizando para isso. Quero desenvolver meu próprio método, mas isso é uma coisa que ainda estou internalizando.

> No momento está trabalhando em algum novo projeto?

Tenho feito concertos clássicos divulgando

Radamés e o Sax. Com o meu trio, shows do

repertório do CD Lounjazz, meu primeiro independente. Estou fazendo também a trilha incidental da novela Vidas Opostas, trilhas para o programa Globo Ciência e produzindo algu-mas faixas para o disco Berimbaum, da cantora Paula Morelembaum.

> Apesar do caos cultural que vivemos no País, como você avalia o espaço para a músi-ca instrumental brasileira?

Acho que o público não agüenta mais a mes-mice e precisa de variedade. O Brasil é um país continental de cultura pluralista. Existe lugar para tudo e a prova disso são os festivais que es-tão acontecendo até durante o Carnaval, como o Goyaz Jazz Festival, em Goiânia, do qual par-ticipei este ano, e o Guaramiranga Jazz&Blues, em Fortaleza. Nem todos querem a mesma coisa. Sou a favor da democratização e da seg-mentação do espaço cultural, bem como da valorização da produção local.

DISCOGRAFIA

Leo Gandelman (Polygram, 1987) Ocidente-Western World (Polygram, 1989) Solar (Polygram, 1990)

Visões (Polygram, 1991) Made in Rio (Polygram, 1993) Pérolas Negras (1997)

Brazilian Soul (Dubas/Universal, 1999) Leo Gandelman Ao Vivo – CD e DVD

(EMI, 2002/2003) Lounjazz (Saxsamba, 2005) Radamés e o Sax (2006) Além do domínio técnico do saxofone e da fl auta, Gandelman é reconhecido pelo trabalho como produtor e compositor

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Referências

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