Governança Corporativa
Aspectos Teóricos em Governança
Corporativa
Aula 2
Aula 2
Adam Smith, The Wealth of Nations, 1776
“The directors of such (joint-stock) companies,
however, being the managers rather of other
people’s money than of their own, it cannot well be
expected that they should watch over with the same
anxious vigilance with wich the partners in a private
copartney frequently watch over their own...
copartney frequently watch over their own...
... negligence and profusion, therefore, must always
prevail, more or less, in the management of the
As disciplinas envolvidas no estudo da GC
• Finanças
• Economia
• Contabilidade
• Direito
• Gestão
• Gestão
• Comportamento organizacional
Fonte: Mallin, 2010Desenvolvimento da GC
• É um fenômeno global, mas, complexo devido às
diferenças legais, culturais e estruturais como a
propriedade nos diferentes países
• Algumas teorias são mais adequadas a alguns
países do que outros
• Um aspecto fundamental é se as companhias
operam sob um framework voltado para o
acionistas ou para um grupo mais amplo de
partes interessadas (stakeholders) – Ex: EUA x
Alemanha
Dois Mundos
Propriedade Propriedade Permanente Permanente Perspectiva Perspectiva Relacional Relacional Donos Donos têm têm Grande Grande Força Força Propriedade Propriedade Temporária Temporária Perspectiva Perspectiva Transacional Transacional Donos Donos têm têm Pequen Pequen a Força a Força Continental Continental Relacional Relacional Capital Capital Concentrado Concentrado Informações Informações Internalizadas Internalizadas Negociação Negociação baseada em baseada em Preços de Preços de Ativos Ativos Transacional Transacional Capital Capital Fragmentado Fragmentado Informações Informações Simétricas Simétricas Negociação Negociação baseada em baseada em Preços de Preços de Mercado Mercado AngloAnglo -- SaxãoSaxão
Common Law x Civil Law
• Common Law
– Baseada nas leis medievais inglesas
– Inclui Reino Unido, EUA e outras antigas colônias britânicas
– Decisões baseadas no julgamento de juízes e juris, e princípios legais construídos a partir de “jurisprudências”
– Maior flexibilidade • Civil Law
• Civil Law
– Baseado na lei romana
– Juízes são servidores que aplicam códigos legais com determinações específicas
– Limitam a habilidade para lidar com mudanças
– Maior codificação e menor proteção legal de direitos – Menor incentivo ao investimento
Resumo das Principais Teorias
Nome da Teoria Resumo
Agência Relação de agência onde uma parte, o principal, delega
poder para outra parte, o agente. No contexto da corporação o principal é o proprietário e o agente os gestores.
Economia dos custos de transação
Vê a firma como uma estrutura de governança. A escolha de uma estrutura de governança adequada pode alinhar os interesses de acionistas e gestores.
Stakeholder A estrutura de governança deveria prover representação a um grupo maior de partes interessadas do que somente os acionistas
Stewardship Conselheiros são “capitães” dos ativos da companhia e estarão predispostos a agir no melhor interesse dos acionistas.
Class hegemony O conselho se vê como uma elite no topo da companhia e irá recrutar/promover tarefas e conselheiros de forma
adequada a essa elite
Managerial hegemony Os executivos, com seu conhecimento do dia a dia da empresa, podem neutralizar ou influenciar o conselho.
Teoria da Agência
A FIRMA
Empresa
Uma região de troca
Acionistas
Financiadores
Fornecedores
Proprietários
Uma região de troca
Empregados
Proprietários
Clientes
Governo
Etc...
Contratos
Relações contratuais São a essência da firmaTeoria da Agência
Desenvolvimento Econômico Acionista Criação de valor Empregados Bem-Estar Governo ComunidadeNexo Contratual entre Agentes
FIRMA
Executivo Maximizar sua Utilidade Financiador de capital Investidores Emprestam capitalProteção dos Recursos Naturais
Consumidores Satisfação das
Necessidades
Teoria da Agência
RELAÇÃO DE AGÊNCIA “Existirá relação de agente sempre que houver uma relação de
emprego na qual o bem estar de alguém dependa daquilo que é feito por outra pessoa.” (Pindyck e Rubinfeld)
Principal:
Ambiente Empresarial
Agente:
Indivudio atuante
Principal:
Individuo afetado pela ação do agente
Agente: Possuidor da técnicas Principal: Detentor do capital
Teoria da Agência
Teoria da Agência:
Relação na qual se estabelece um contrato no qual uma ou mais pessoas (principal) engajam outra pessoa (agente) para desempenhar alguma tarefa em seu favor, envolvendo a
delegação de autoridade para a tomada de decisão pelo delegação de autoridade para a tomada de decisão pelo agente.
Teoria da Agência
Os executivos (agentes) podem ter interesses divergentes em relação aos acionistas (principais);
Maximizar sua riqueza Maximizar utilidade pessoal
Acionista [Principal] Executivo [Agente]
Foco no longo prazo Foco no curto prazo
Teoria da Agência
Principal Detentor da Propriedade; Detentor do Capital; Agente Executar as tarefas; Poder de decisãox
Detentor do Capital; Fornece autoridade. Poder de decisãox
Os acionistas incorrem em custos para alinhar os interesses dos executivos aos seus ”custos de agência”
Teoria da Agência – Custos de Agência
• Custos de criação e estruturação de contratos
entre o principal e o agente;
• Gastos de monitoramento das atividades do
agente pelo principal;
• Gastos promovidos pelo próprio agente para
• Gastos promovidos pelo próprio agente para
mostrar ao principal que seus atos não serão
prejudiciais a ele;
• Perdas residuais, decorrentes da diminuição da
riqueza do principal por divergências entre as
decisões do agente e as decisões que
Teoria da Agência – Custos de Agência
• Fatores que podem determinar um maior/menor
nível de custos de agência:
– Executivo com maior senso ético levam as companhias a incorrer em menores custos de agência
– Quanto maior o custo de monitoramento das decisões e despesas dos gestores, maiores os custos de
agência
– Quanto mais difícil mensurar o desempenho específico dos executivos, maiores tendem a ser os custos de
agência
– Quanto mais importante um determinado executivo
para a empresa, mais difícil sua substituição e maiores tendem a ser os custos de agência
Teoria da Agência – Custos de Agência
• Além dos fatores anteriores Jensen (1986) lista:
– Empresas com excesso de fluxo de caixa livre epoucas oportunidades de investimento tendem a incorrer em maiores custos de agência.
– Solução 1: maior endividamento como fator gerador de pressão por resultados
– Solução 2: distribuir o máximo de dividendos
– Solução 3: sistema de remuneração com incentivos de longo prazo alinhados aos interesses dos investidores – Solução 4: leveraged buyouts (investidores ou fundos específicos adquirem o controle por meio de takeover hostis, com recursos captados junto a credores. Para pagar a dívida os novos donos são forçados a aprimorar
substancialmente o desempenho das empresas investidas)
Fonte: Silveira, 2010
JENSEN, Michael. “Agency costs of free cash flow, Corporate Finance and Takeovers”. American Economic Review, v. 76, pp. 323-329, mai. 1986
Teoria da Agência – Custos de Agência e
Estrutura de Propriedade
• Estrutura de propriedade pulverizada => conflito
de agência entre acionistas e executivos
• Controle concentrado
– Efeitos positivos: efeito-incentivo – grandes acionistas têm maior incentico para coletar informações e
monitorar os executivos monitorar os executivos – Efeitos negativos:
• efeito-entrincheiramento – acionistas passam a perseguir benefícios privados de controle à custa dos demais
investidores (expropriação)
• Acionistas “não diversificados” – minimizam risco pela
diversificação excessiva das atividades da empresa, ou pelo excesso de conservadorismo nos projetos empreendidos (ineficiência)
A concentração de propriedade influencia o tipo de fraude que pode vir a ocorrer nas companhias?
• O foco dos órgãos reguladores
– Propriedade dispersa: detecção de resultados inflacionados
– Propriedade concentrada: transações com partes relacionadas
• Reformas como a Lei Sarbannes-Oxley não são o
remédio mais apropriado para países com
remédio mais apropriado para países com
propriedade concentrada
• Auditoria externa
– Propriedade dispersa: deveriam se reportar a comitê de auditoria composto por membros independentes
– Propriedade concentrada: deveriam se reportar aos acionistas minoritários
COFFEE, John C. “A Theory of Corporate Scandals: Why the U.S. and Europe Differ”. Columbia Law and Economics Working Paper, n. 274
Conflito de Agência entre Acionistas e Credores
• Acionistas podem expropriar os credores
– Escolhendo projetos mais arriscados do que gostariam os credores.
• Em caso de sucesso a maior parte dos ganhos vai para os acionistas pois os credores têm direito a parcela fixa (juros)
• Em caso de fracasso a maior perda recai sobre os credores, já que a empresa não conseguirá arcar com seus compromissos que a empresa não conseguirá arcar com seus compromissos – Tendência ao sub-investimento
• Acionistas se recusam a aportar recursos para financiar novos projetos
– “Esvaziamento da propriedade”
• Acionistas fazem retiradas maciças de capital próprio via pagamento de dividendos extraordinários ou outros meios
Resumo das Principais Teorias
Nome da Teoria Resumo
Agência Relação de agência onde uma parte, o principal, delega
poder para outra parte, o agente. No contexto da corporação o principal é o proprietário e o agente os gestores.
Economia dos custos de transação
Vê a firma como uma estrutura de governança. A escolha de uma estrutura de governança adequada pode alinhar os interesses de acionistas e gestores.
Stakeholder A estrutura de governança deveria prover representação a um grupo maior de partes interessadas do que somente os acionistas
Stewardship Conselheiros são “capitães” dos ativos da companhia e estarão predispostos a agir no melhor interesse dos acionistas.
Class hegemony O conselho se vê como uma elite no topo da companhia e irá recrutar/promover tarefas e conselheiros de forma
adequada a essa elite
Managerial hegemony Os executivos, com seu conhecimento do dia a dia da empresa, podem neutralizar ou influenciar o conselho.
Teoria da Economia dos Custos de Transação
• A unidade de análise e a transação e não os
contratos
• Firmas existem e crescem à medida que
conseguem internalizar operações (conseguem
fatores de produção a um custo menor do que a
alternativa de transacionar no mercado)
alternativa de transacionar no mercado)
• Todas as técnicas que melhoram a capacidade
gerencial favorecem o crescimento da firma
(inclusive GC)
• GC permite decisões em situações não previstas
nos “contratos” com partes interessadas
Stakeholder Theory
• Leva em consideração um grupo maior de partes
interessadas na empresa (funcionários, fornecedores, comunidade etc...)
• O racional de privilegiar os acionistas reside no fato destes terem direito residual sobre a geração de caixa, o que os levaria a usar os recursos de forma eficiente beneficiando levaria a usar os recursos de forma eficiente beneficiando à sociedade como um todo
• Diferentes mecanismos de monitoramento:
– Shareholder – modelo anglo-americano: conselho é eleito pelos acionistas e composto de membros executivos e não-executivos – Stakeholder – modelo germânico: alguns grupos, p. ex.,
empregados têm direito assegurado por lei de ter cadeira no conselho de administração.
Stakeholder Theory – Jensen (2001)
• Os defensores da teoria dos stakeholders não explicamcomo resolver o trade-off entre os interesses das diferentes partes interessadas
• Isso dificulta o estabelecimento de objetivos e a responsabilização dos gestores por seus atos
• Jensen defende a Maximização do Valor “Esclarecida” • Jensen defende a Maximização do Valor “Esclarecida”
– Utiliza a estrutura da Teoria dos Stakeholders mas aceita a
maximização do valor de longo prazo da firma como o critério para resolver problemas de trade-off entre os stakeholders
– Dessa forma se resolve o problema dos múltiplos objetivos inerentes a Teoria dos Stakeholders tradicional
JENSEN, M. (2001), “Value Maximization, Stakeholder Theory, and
Stewardship Theory
• Argumenta contra a Teoria de Agência que enfatiza o controle do “oportunismo” dos executivos através de
conselhos de administração independentes e incentivos para alinhar os interesses do CEO com os dos acionistas • A Stewardship Theory enfatiza os benefícios aos
acionistas de estruturas que favoreçam a autoridade dos acionistas de estruturas que favoreçam a autoridade dos tomadores de decisão.
• Defendem a unificação dos papéis do CEO e presidente do conselho.
• O retorno dos acionistas é garantido não por um maior monitoramento e controle dos gestores, mas sim dando a eles autonomia.
Exemplos de Problemas de Agência dos
Gestores
1. O caso Jack Welch – GE (2002)
2. O caso Occidental Petroleum (1990)
3. Caso Walt Disney distingue boas práticas do que prevê a Lei
4. Estudo mostra utilização frequente de jatos corporativos para fins pessoais pelos CEOs norte-americanos
para fins pessoais pelos CEOs norte-americanos
5. Ex-CEO da NYSE deverá devolver US$100 milhões do seu pacote de remuneração
Exemplos de Problemas de Agência dos
Controladores
DA SILVEIRA, A. M.; DIAS, A. L. What are the Costs of Conflicts between Controlling and Minority Shareholders in a Concentrated Ownership Environment?, working paper, 2008, Disponível em:
<http://ssrn.com/abstract=1019241>