Variação temporal e origem do Tambaqui (Colossoma macropomum)
desembarcado na feira da panair
Temporal variation and origin of Tambaqui (Colossoma macropomum)
disembarked at the panair fair
DOI:10.34117/bjdv6n2-283
Recebimento dos originais: 30/12/2019 Aceitação para publicação: 27/02/2020
Tiago Cabral Nóbrega Bacharel em Engenharia de Pesca
Instituição: Universidade Federal do Amazonas-UFAM
Endereço: Av. Gen. Rodrigo Octávio, 6200, Coroado I, Prédio de Reitoria, 1 andar, Setor Norte, Campus Universitário, 69080-900, Manaus-AM
E-mail: [email protected] Lucirene Aguiar de Souza
Doutora em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, Instituição: Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, INPA
Endereço: Av. Gen. Rodrigo Octávio, 6200, Coroado I, Prédio de Reitoria, 1 andar, Setor Norte, Campus Universitário, 69080-900, Manaus-AM
E-mail: [email protected] Sãmea Coelho Bezerra Mestrado em Engenharia de Produção
Instituição: Centro Universitário do Norte - UNINORTE
Endereço: Av. Leonardo Malcher, 715 - Centro, Manaus - AM, 69020-010 E-mail: [email protected]
Bismarck Pereira Lobo Graduando em Engenharia de Pesca
Instituição: Universidade Federal do Amazonas-UFAM
Endereço: Av. Gen. Rodrigo Octávio, 6200, Coroado I, Prédio de Reitoria, 1 andar, Setor Norte, Campus Universitário, 69080-900, Manaus-Am
E-mail: [email protected] RESUMO
O Amazonas é o maior produtor de peixes de água doce do Brasil, sendo este a principal fonte de alimento da região amazônica devido a sua grande disponibilidade, tendo destaque na preferência do consumidor o tambaqui. O presente trabalho teve como objetivo avaliar a variação e a origem do desembarque do tambaqui (Colossoma macropomum), proveniente da piscicultura e do extrativismo, na Feira da Panair, localizado na cidade de Manaus, centro oficial de comercialização de pescado. Os dados são referentes à produção, esforço e os rios onde ocorreram as capturas nos anos 2012 e 2013. Estas informações foram disponibilizadas pela Colônia dos Pescadores Z12, que coletou os dados diariamente, no horário de comercialização do pescado, abordando todos os barcos que atracaram no Porto da Panair. Os dados de ciclo hidrológico foram coletados no porto de Manaus e por meio da Agência Nacional de Águas (ANA). Após a análise dos dados coletados, pode-se constatar que durante o período de 2012 mostrou uma CPUE menor que a do ano de 2013, respectivamente 1933,58 (Kg/barco dia) e 2570,92 (Kg/barco dia). Em relação ao desembarque da espécie em estudo, houve variação com o ciclo hidrológico, sendo que seu maior desembarque foi nos meses de setembro e
outubro dos respectivos anos. A produtividade mostrou ser menor em 2012 (6.155.800 Kg) quando comparado ao de 2013 (10.260.900 Kg). O desembarque de peixes advindo de piscicultura mostrou que a produtividade cresceu de 2012 para 2013, sendo as médias respectivas para cada ano de 512.983 kg e de 855.075 Kg. De acordo com a análise feita em teste de t de Student há diferença de produção por rio (p= 0,0000003), sendo a média de produção dos rios de águas brancas em um valor de 2.710,215Kg e águas pretas em um valor de 1000kg. A Análise de Variância efetuada apresentou diferença significativa no desembarque do tambaqui em função do rio de origem (P>0,05),
observando-se o rio Madeira, proveniente de Rondônia, sendo diferente de todos os outros rios, obtendo a maior média de produção.
Palavras-chave: Pesca na Amazônia, CPUE, Produção pesqueira. ABCTRACT
Amazonas is the largest producer of freshwater fish in Brazil, which is the main source of food in the Amazon region due to its great availability, with tambaqui being the highlight of the consumer preference. The present work aimed to evaluate the variation and the origin of the landing of tambaqui (Colossoma macropomum), from fish farming and extractivism, at Feira da Panair, located in the city of Manaus, official fish marketing center. The data refer to production, effort and the rivers where the catches occurred in the years 2012 and 2013. This information was made available by the Colony of Fishermen Z12, which collected the data daily, during the commercialization of the fish, addressing all the boats that docked at the Port of Panair. Hydrological cycle data were collected at the port of Manaus and through the National Water Agency (ANA). After analyzing the data collected, it can be seen that during the period of 2012 it showed a CPUE lower than that of 2013, respectively 1933.58 (Kg / day boat) and 2570.92 (Kg / day boat). Regarding the landing of the species under study, there was variation with the hydrological cycle, with its largest landing being in the months of September and October of the respective years. Productivity was lower in 2012 (6,155,800 Kg) when compared to 2013 (10,260,900 Kg). The landing of fish from fish farming showed that productivity increased from 2012 to 2013, with the respective averages for each year being 512,983 kg and 855,075 kg. According to the analysis made in Student's t test, there is a difference in production per river (p = 0.0000003), with the average production of white-water rivers at a value of 2,710.215Kg and black waters at a value of 1000kg. The Analysis of Variance performed showed a significant difference in the disembarkation of tambaqui due to the river of origin (P> 0.05), observing the Madeira River, coming from Rondônia, being different from all other rivers, obtaining the highest average of production.
Keywords: Fishing in the Amazon, CPUE, Fishery production.
1 INTRODUÇÃO
O peixe é a principal fonte de alimento da região amazônica devido a sua grande disponibilidade, sendo a pesca a atividade de maior expressão social e econômica da região (CERDEIRA et al 1997; BATISTA e PETRERE 2003; BARTHEM e GOULDING, 2007). De acordo com Batista et al. (2007), a maior parte deste pescado é negociada no centro oficial de comercialização, na feira da Panair, que possui características e dinâmica social, econômica e trabalhista próprias.
Na Amazônia o ciclo hidrológico é de grande importância para vários setores da economia entre eles para pesca, sendo que ocorre uma grande variação no nível das águas de ano para ano, e
essas variações são classificadas em enchente, cheia, vazante e a seca. Essas variações ocorrem devido as chuvas nas cabeçeiras que ocorrem mais intensamente entre Novembro a Março que compreendem a alta frequência das chuvas e entre os meses de Maio e Setembro que compreendem o período de pouca chuva, podendo essas variações serem influenciadas pelos fenômenos do El Niño e La Niña, que podem gerar, respectivamente, a período de extrema seca e a período extrema cheia e consequentemente influenciando na produção pesqueira (SANTOS & SANTOS, 2005; BITTENCOURT & AMADIO, 2007; BITTENCOURT & FARIAS, 2009).
Segundo Ferreira (2009) é estimado que na Bacia Amazônica exista cerca 3.000 espécies de peixes, sendo que cerca de 100 espécies são exploradas como alimento e destas apenas uma dezena é responsável por mais de 90% da produção (FERREIRA, 2009), destacando espécies como o curimatã (Prochilodus nigricans), jaraqui (Semaprochilodus spp.), matrinxã (Brycon amazonicus), pacu (Mylossoma duriventre), tucunaré (Cichla monoculus) e o tambaqui (Colossoma
macropomum) (SANTOS et al., 2006).
Dentre as espécies mais comercializadas da região, está o tambaqui (Colossoma
macropomum) que pertence a ordem Characiformes e família Serrasalmidae; alcança 90cm de
comprimento total e 30 kg de peso, sendo considera de grande porte (FERREIRA et al., 1998; ISAAC & RUFFINO, 2000); é pelágico, abundante nos lagos de rios de águas brancas, claras e pretas (CLARO-JR., 2003; YAMAMOTO, 2004). Possuindo hábito diurno, sua desova é total e fecundação externa. Durante o mês de setembro (vazante), forma cardumes para desovar em áreas de pausadas ou vegetação marginal (nos rios de águas brancas) sendo considerado uma espécie migradora (ARAÚJO-LIMA & GOULDING, 1998; VILLACORTA-CORREA & SAINT-PAUL, 1999). A população regional aprecia muito o tambaqui, que é amplamente comercializado nos mercados, feiras e nos principais portos do Estado do Amazonas. Por sua excessiva procura está é uma espécie em sobrepesca, para qual em 2003, foi apontado na região uma produção pesqueira total de tambaqui capturado de somente 1,96% (RUFFINO et al., 2006) para uma espécie que foi um dia principal desembarcada na região. Os sinais de declínio na captura, e consequentemente para atender a demanda os peixes estão sendo criados em maior quantidade em cativeiros (RUFFFINO & ISAAC, 2000).
Pela importância do Tambaqui (Colossoma macropomum) para a região e, sabendo que o ciclo hidrológico, pesca e o tipo de água, estão relacionados diretamente com a produção nos estoques pesqueiros, essa pesquisa tem como objetivo avaliar a variação temporal e a origem do desembarque dessa espécie na Feira da Panair, em Manaus.
2 MATERIAS E MÉTODOS Local de coleta e área de estudo
O estudo foi desenvolvido tendo como base informações correspondentes ao porto para desembarque, comercialização e distribuição de pescado do Município de Manaus. O Porto de desembarque (Porto da Panair), está localizado na orla fluvial, no bairro da Educandos (Coordenadas: 3°8'45"S 60°0'38"W), estando próximo da Colônia de Pescadores Z12, que escolhido por ser o principal ponto de desembarque desse pescado da calha dos rios Solimões-Amazonas e Negro, que corresponde a nossa área de estudo.
Figura 1- Porto da Panair, bairro Educandos, Zona Sul da cidade de Manaus.
Coleta de dados
Os dados foram coletados nos anos de 2012 e 2013, na qual a produção (kg) e esforço (número de barcos) foram disponibilizados pela Colônia dos Pescadores Z12, os quais foram coletados diariamente, no horário de comercialização do pescado, abordando todos os barcos que atracaram no Porto da Panair, onde foram coletados os seguintes dados: desembarque em peso por barco, desembarque em peso por rio, número de barcos (esforço), rios onde ocorreram as capturas, origem do pescado (extrativista ou de piscicultura). Os dados de ciclo hidrológico foram coletados no porto de Manaus e por meio da Agência Nacional de Águas (ANA). A obtenção de informações sobre o tipo de água foi feita a partir da denominação do rio de origem do desembarque presente no banco de dados da Colônia dos pescadores de Manaus Z-12, comparada ao descrito na literatura.
3 ANÁLISE DE DADOS Cálculo da CPUE
A CPUE estimou a abundância do recurso pesqueiro e por meio dele foi definida o quão eficiente é a pesca no que se refere a capacidade de capturar peixes. Geralmente em ambientes
explorados, nos níveis sustentáveis há uma relação direta entre esforço e quantidade capturada (SPARRE & VANEMA, 1997). O cálculo da CPUE foi feito conforme descrito abaixo.
Na qual, “P” é a produção pesqueira mensal desembarcada e “E” é o esforço representado pelo número de barcos por época do ciclo hidrológico (enchente, cheia, seca e vazante).
Análise estatística
A análise da oscilação do desembarque do tambaqui ao longo do ciclo hidrológico foi realizada por análise descritiva, este procedimento foi feito tendo como objetivo, simplificar valores de uma mesma natureza, por meio do qual permite obter uma visão global da variação dos valores e verificar a existência de padrões na distribuição dos dados (BARBETA et al., 2004) a qual gerou tabelas e gráficos.
O teste de Análise de Variância de uma entrada, foi executado em nível de significância 0,05%. Esse teste foi usado para avaliar se há mudanças no desembarque do tambaqui em função do rio de origem. Para comparar os ambientes de pesca um a um foi executado teste a posteriore para N desiguais LSD. Para verificar se existiu diferença por tipo de água dos sistemas fluviais na área de captura, nos quais as repetições foram a resposta obtida de cada pescador, foi feito teste de t de Student, pois só houve dois tipos de águas citadas (branca e preta). As Análises de Variâncias foram executadas no software Statistic 7.0 (ZAR,1999).
4 RESULTADO E DISCUSSÃO
Segundo Nascimento (2017), durante o ano de 2012 foi observado que o desembarque foi composto por 159 embarcações e o ano de 2013 por 132 embarcações, distribuídas entres os 12 meses, sendo a média da CPUE de 2012 de 1933,58 (Kg/barco dia) e de 2013 de 2570,92 (Kg/barco dia).
O primeiro ano testado correspondeu a um evento de cheia extrema verificado em toda a bacia Amazônica. Apesar disso podemos observar que nos anos de 2012 e 2013 os meses de setembro e outubro mostraram um maior esforço de pesca, pois são os meses em que os rios estão na época da seca e os peixes procuram a calha do rio, ficando susceptíveis à frota (gráfico 1 e 2),.
Verifica-se que no ano de 2013, no mês de abril, houve uma alta produtividade advinda, principalmente, do desembarque do Rio Madeira – RO, sendo esta uma região de grande produção oriunda da piscicultura, coincidindo com a época de cheia do rio (gráfico 2). Segundo Cerdeira et al., (2000) na região do Baixo rio Amazonas, onde deságua o rio Madeira, a frota comercial explora principalmente a calha do rio, na seca, e os lagos durante a cheia que ocorre nos meses de setembro e outubro, diferente do mês de abril. Na cheia, ocorre o recrutamento biológico e a reposição dos
estoques pesqueiros, por isso a pesca tem que ser menos intensa no período da cheia devido ao período do defeso (Cerdeira et al., 2000).
De acordo com Magalhães (2008) no período de seca, há um recuo das águas e ocorre uma redução de habitats, consequentemente, reduzindo os valores de CPUE, mas isso não foi encontrado no presente estudo, onde os valores mais altos para esse índice foram encontrados no período da seca, e no mês de abril de 2013. Provavelmente por o local de maior contribuição, o trecho do Rio Madeira dentro de Rondônia seja proveniente da Piscicultura. Junk (1983), por sua vez, considera que os picos de CPUE ocorrem na seca, pois esse é um período em que o ambiente se encontra mais restrito e os peixes mais concentrados. A diminuição da CPUE na cheia para a pesca extrativa provavelmente ocorre, devido a dispersão dos peixes no ambienta aquático, dificultando a captura. Barthem e Cardoso (1999), observaram este padrão no rio Solimões e por Cardoso & Freitas (2007) no rio Madeira. Esse período também é o mesmo do defeso, desta forma o mesmo não pode ou não deveria executar esta atividade. Porém, há outros fatores que podem variar a CPUE: a) a dinâmica temporal e espacial das frotas de pescas; b) as alterações tecnológicas no aparelho de pesca que direcionam a pesca para determinadas espécies alvo; c) diferenças na experiência da tripulação embarcada; e d) a dinâmica comportamental dos recursos pesqueiros em relação às condições e mudanças no ambiente (BRILL & LUTCAVAGE, 2001).
Gráfico 1 - Variação da CPUE (Kg/barco dia) de acordo com ciclo hidrológico do ano. 2012.
0 5 10 15 20 25 30 35 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 C otas do ri o ( m ) CP UE ( K g/b arc o di a) Meses do ano
Gráfico 2- Variação da CPUE (Kg/barco dia) de acordo com ciclo hidrológico do ano 2013.
Pode ser observado que nos anos de 2012 e 2013, o desembarque do pescado tem uma baixa nos meses de novembro até março, e um aumento gradativo até atingir seu pico no mês de outubro; e pode ser visto uma pequena distorção nesse regime, pois no mês de abril de 2013, houve uma alta produtividade distorcendo o aumento gradativo do respectivo ano (gráfico 3). Segundo Gandra (2010) a atividade pesqueira é realizada de forma contínua e praticamente ininterrupta, mas a atividade aumenta ou diminui conforme o regime dos rios, ou seja, a subida e a descida do nível das águas. Onde pode ser identificada a época da safra (junho até novembro): em média de 200 a 220 toneladas/dias, o defeso (novembro até março) em média 20 a 25 toneladas/dias e a entressafra (março até junho) em média 35 a 40 toneladas/dias corroborando com o descrito na análise.
Gráfico 3- Oscilação do desembarque do tambaqui pescado ao longo de 2012 e 2013.
Em relação a produção nos anos de 2012 e 2013, no qual o ano de 2012 apesar de ser um ano atípico onde ocorreu a extrema cheia, os desembarque também foram influenciado pelo ciclo hidrológico, conforme o nível do rio desce, a quantidade de pescado foi maior, destacando-se os
0 5 10 15 20 25 30 35 0,00 2000,00 4000,00 6000,00 8000,00 10000,00 12000,00 Cota s ( m ) CP UE ( K g/b arc o/d ia) Meses do ano
CPUE (Kg/barco dia ) ciclo hidrologico
0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 140000 Kg Meses do ano 2012 2013
meses de setembro e outubro com maior produtividade, respectivamente 71550 Kg e 120300 Kg (gráfico 4). No ano de 2013, no qual houve um ciclo hidrológico dentro dos níveis considerados normais, houve uma grande produtividade no mês de abril (132600 Kg), e essa produtividade, só é maior nos meses de setembro e outubro, valores respectivos de 63000 Kg e 133100 Kg (gráfico 5). Para ambos os anos, podemos ver uma baixa produtividade com início novembro que vai até março. Segundo Falabella (1994) a época da vazante é conhecida como “bafafá” ou “bamburá”, ou seja, época na qual ocorre o ápice da safra, que corresponde os meses de agosto a novembro, o qual foi observado o intervalo de maior produção pesqueira estando de acordo com respectivo trabalho. De acordo com o mesmo autor o mês de menor produtividade é abril, não estando de acordo com essa pesquisa pois os meses de pior produtividade estendem-se de novembro até março. Porém em abril de 2013 um dos mais produtivos, coincide, com o período da Semana Santa, época em que muitas pessoas aumentam o consumo de pescado
Segundo Alcântara et al. (2015) que analisou o rio Juruá ao longo de um ano (2009), uma maior produção no mês de setembro, assim, estando parcialmente de acordo com nosso resultado que mostrou maior produtividade nos meses de abril, setembro e outubro.
Gráfico 4 - Oscilação do desembarque do tambaqui pescado de acordo com o ciclo hidrológico de 2012.
0 5 10 15 20 25 30 35 0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 140000 Cota ( m ) Kg Meses do ano
Gráfico 5- Oscilação do desembarque do tambaqui pescado de acordo com o ciclo hidrológico de 2013.
É observado por Corrêa et al (2012) que a média mensal de pescado desembarcado em Coari foi 84.506 kg, sendo a máxima de 129.681 kg, no mês de maio de 2008 e a mínima de 55.884 kg, no mês de janeiro de 2008, estando parcialmente de acordo com nossos resultados que apresentaram valores máximo para 2012 no mês de outubro de 120.300 Kg e não havendo produção para o mês de janeiro, e comparando com 2013 é observado que esses valores não estão de acordo, pois os meses de máxima foram abril e outubro (132.600 Kg e 133.100 Kg) e a mínima no mês de novembro (4.500 Kg). Sendo que mesmo autor cita que o tambaqui predomina no desembarque no período da enchente (dezembro a março) o que não é visto do respectivo trabalho sendo sua predominância em abril, setembro e outubro.
Em relação ao desembarque de peixes advindo de piscicultura, podemos ver que a produtividade cresceu de 2012 para 2013, sendo as médias respectivas para cada ano de 512.983 kg e de 855.075 Kg. Sendo que o mês de maior pico para 2012, foi março (754.000 Kg) e para 2013, o mês de julho (1.357.500 Kg). Podemos observar que esse crescimento vem acontecendo durantes o passar dos anos e que segundo IBAMA (2008), no período correspondente de 1998-2007, a participação relativa da aquicultura tem apresentado crescimento.
0 5 10 15 20 25 30 35 0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000 120.000 140.000 Cota ( m ) Kg Meses do ano
Gráfico 6 - Oscilação do desembarque do tambaqui de viveiro ao longo de 2012 e 2013.
De acordo com a análise feita em teste de t de Student há diferença de produção por rio (p= 0,0000003), rejeitando Ho (Gráfico 7), onde a média de produção dos rios de águas brancas mostraram um valor maior do que o de águas pretas, sendo estes de 2.710,215Kg e águas pretas um valor de 1000kg. Segundo Barthem e Goulding (2007) os rios de água branca tem suas origens em sistemas fluviais que transportam grande quantidade de sais dissolvidos e sedimentos, enriquecendo a várzea com nutrientes e, consequentemente, havendo uma elevada produção pesqueira. Já os rios de águas pretas têm sua origem na planície de solo arenoso, onde a erosão e o sedimento é mínimo, e sua cor escura é proveniente de compostos orgânicos que vem de florestas de terra firme e inundada, sem conseguir enriquecer seus ambientes, esse tipo de água é pobre em nutrientes e em produção primaria e consequentemente, existe uma baixa produção pesqueira (Barthem e Goulding, 2007).
Gráfico 7- Box Plot que demonstra a média de produção pesqueira do tambaqui entre água branca e preta. 0 200.000 400.000 600.000 800.000 1.000.000 1.200.000 1.400.000 1.600.000 Kg Meses do ano 2012 (V) 2013 (V)
De acordo com a Anova executada existe diferença entre os rios testados (p=0,0000001), o que era esperado uma vez que cada rio tem particularidades diferentes, tanto quanto em nível de exploração, quanto no tipo de água e outras características ambientais. De acordo com o teste, a
posteriore de LSD, há muitos rios que são diferentes, entre si estão listados na tabela abaixo (Tabela
1). Observa-se que o trecho do rio Madeira correspondente ao estado de Rondônia, é diferente de todos os outros rios, obtendo a maior média de produção. Provavelmente esses valores altos para produção de tambaqui para essa área, se deve segundo a informação da SEPA (comunicação pessoal), a se tratarem de peixes oriundos da piscicultura desenvolvida fortemente na região. Gandra (2010), já havia descrito que Rondônia fazia uma grande contribuição no que diz respeito a atender a demanda manauara de tambaqui. Além disso, este autor afirma que no período no defeso, o desembarque da Panair de tambaqui, pode ser explicada pela vinda dos mesmos, das pisciculturas de Rondônia, Roraima e Acre, e que apesar do longo transporte fluvial, ainda conseguem ofertar um produto de qualidade a preço competitivo. Dessa forma Manaus depende desses estados para atender sua demanda por esse pescado (Gandra, 2010). Além disso, a descrição da espécie como sobrepescado (PETRERE Jr., 1983; ISAAC & RUFFINO, 2000), inviabiliza desembarques dessa magnitude na região.
O rio Japurá se diferencia do Purus e do Solimões, obtendo a segunda maior média de produção. O que não era esperado uma vez que o rio Purus que é em geral apontado como o rio mais produtivo para o total de espécies (PETRERE Jr., 1985). A importância do rio Purus para a produção pesqueira foi observada de 1976 a 1998, onde sua contribuição nos desembarques passou de 15,7% para 49,3% (FREITAS; RIVAS, 2006). Esta grande contribuição não é observada nesse trabalho, onde até o Juruá e o Jutaí, apresentam maior destaque no que diz respeito a espécie analisada.
O rio Juruá se diferencia também do Purus e do Solimões. O sistema fluvial Jutaí é diferente do rio Madeira-RO e do Purus (Figura 3 e Gráfico 8). A partir desses resultados vemos que rios anteriormente apontados como os mais piscosos vêm caindo de produtividade para o tambaqui, particularmente aqueles mais próximos a Manaus sendo substituídos por outros mais distantes ou menos explorados. A pesca do tambaqui também vem sendo substituída progressivamente pela piscicultura. De acordo com Nascimento (2017), o ciclo hidrológico, a pesca e a piscicultura estão intimamente ligadas, pois a piscicultura faz a despesca na cheia (época do defeso), quando a oferta de peixes de origem extrativa é menor.
Tabela 1. Resultado da comparação dos rios uma a um, por meio do Teste de LSD para N desiguais.
Gráfico 8 - Variação da produção por rio durante o período analisado.
Fonte: Gerado no software Statistic 7.0.
5 CONCLUSÃO
• O ano de 2012 mostrou sua CPUE menor que a do ano de 2013, provavelmente devido a cheia extrema que ocorreu durante o ano 2012, prejudicando assim o esforço de pesca nesse ano.
• A produção da espécie em estudo, variou com o ciclo hidrológico, sendo que seu maior desembarque foi nos meses de setembro e outubro, sendo o mês de abril de 2013 atípico, podendo essa alta produtividade ser advinda da piscicultura e não da pesca .
• O ano de 2012, foi menos produtivo quando comparado ao de 2013, provavelmente, resultante da cheia extrema do ano de 2012 e da seca atípica do ano de 2013.
• O peixe de piscicultura tem alta produtividade em ambos os anos, visto um aumento de 2012 para 2013, mostrando a sua importância para o mercado local, pois a produtividade local não supre a demanda, sendo necessário o desembarque de peixes de outros estados.
• Foi visto que a produtividade varia de rio para rio, mostrando que a maior quantidade no desembarque local tem origem de rios de águas brancas, mostrando sua importância para o comércio local e a sua alta produtividade.
REFERÊNCIA
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