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Argamassas com agregados alternativos: Potencialidade do emprego de areia de descarte de fundição e isoladores elétricos de porcelana/Mortar with alternative aggregates: potential use of waste foundry sand and porcelain electrical insulator

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 8, p.54384- 54404 aug. 2020. ISSN 2525-8761

Argamassas com agregados alternativos: Potencialidade do emprego de areia

de descarte de fundição e isoladores elétricos de porcelana

Mortar with alternative aggregates: potential use of waste foundry sand

and porcelain electrical insulator

DOI:10.34117/bjdv6n8-016

Recebimento dos originais:08/07/2020 Aceitação para publicação:05/ 08/2020

Marco Antonio Campos

Doutor em Engenharia Civil, Engenheiro Civil

Pesquisador Colaborador Laboratório de Engenharia de Empreendimentos - Labore-FEC-UNICAMP

Endereço: Rua Saturnino de Brito, n° 224 - Cidade Universitária Zeferino Vaz. Campinas-SP – Brasil. CEP: 13083-889. Caixa Postal: 6143

E-mail:[email protected]

Luciano Passos

Doutor em Engenharia Civil, Engenheiro Civil Pesquisador Laboratório de Estruturas - FEC-UNICAMP

Endereço: Rua Saturnino de Brito, n° 224 - Cidade Universitária Zeferino Vaz. Campinas-SP – Brasil. CEP: 13083-889. Caixa Postal: 6143

E-mail:[email protected]

André Munhoz de Argollo Ferrão

Doutor em Arquitetura e Urbanismo, Engenheiro Civil

Professor Livre Docente - FEC-UNICAMP, Coordenador Labore-FEC-UNICAMP Endereço: Rua Saturnino de Brito, n° 224 - Cidade Universitária Zeferino Vaz. Campinas-SP –

Brasil. CEP: 13083-889. Caixa Postal: 6143 E-mail:[email protected]

Armando Lopes Moreno Júnior

Doutor em Engenharia de Estruturas e Fundação, Engenheiro Civil Professor Livre Docente - FEC-UNICAMP

Endereço: Rua Saturnino de Brito, n° 224 - Cidade Universitária Zeferino Vaz. Campinas-SP – Brasil. CEP: 13083-889. Caixa Postal: 6143

E-mail:[email protected]

RESUMO

As argamassas, importante componente da construção civil, possui dentre suas principais características a possibilidade de substituição do aglomerante ou agregado por materiais alternativos. Os resíduos da indústria de fundição de materiais metálicos, denominado areia de descarte de fundição – ADF, alinhada aos rejeitos cerâmicos de isoladores elétricos de porcelana – IEP, possuem características, físicas e químicas, que permitem sua utilização em argamassas como substituto do agregado comum, areia. Nestas condições combinações destes dois tipos de agregados

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alternativos, ADF e IEP, resultaram em argamassas com trabalhabilidade, no estado fresco, e resistência à compressão simples, nas idades de 7, 28, 91, 180 e 365 dias, similares a argamassa convencional e em atendimento as normas vigentes. Assim, o uso de materiais alternativos e reciclados de outras indústrias nas argamassas resulta em benefícios não apenas à construção civil, mas para toda a sociedade, pois estes materiais não serão descartados na natureza, gerando renda para seus produtores e recicladores.

Palavra-Chave: Argamassa, Areia de fundição, Isolador de porcelana, Reciclagem,

Sustentabilidade.

ABSTRACT

Mortar, an important component of civil construction, has among its main characteristics the possibility of replacing the binder or aggregate with alternative materials. The residues of the foundry industry of metallic materials, called waste foundry sand - ADF, aligned with the ceramic wastes of porcelain electrical insulator - IEP, have characteristics, physical and chemical, that allow their use in mortars as a substitute for common aggregate, sand. In these conditions, combinations of these two types of alternative aggregates, ADF and IEP, resulted in mortars with workability, in a fresh state, and resistance to simple compression, at the ages of 7, 28, 91, 180 and 365 days, similar to a conventional mortar and in compliance with current regulations. Thus, the use of alternative and recycled materials from other industries in mortars results in benefits not only for civil construction, but for the whole society, as these materials will not be discarded in nature, generating income for their producers and recyclers.

Keywords: Mortar, Waste foundry sand, Porcelain insulator, Recycling, Sustainability.

1 INTRODUÇÃO

Na construção civil a busca por novos e alternativos materiais é nítida, visto a gama de pesquisas envolvendo agregados alternativos em concretos e argamassas. Devido ao grande volume de resíduo, resultados de pesquisas anteriores e dificuldade de descarte, a utilização de areia de descarte de fundição, ADF, e isoladores elétricos de porcelana, IEP, são opções de início válidas para substituição da areia em argamassas.

A opção pela areia de descarte de fundição deve-se ao fato desta conter areia, argila, carvão e material fino, que foram queimados a altas temperaturas e possuem inicialmente um índice de atividade pozolânica que permite sua utilização na construção civil.

Compreendendo um descarte médio de aproximadamente 85% da geração de materiais fundidos, apenas no primeiro quadrimestre de 2018 o passivo brasileiro foi de aproximadamente 633.000 toneladas, os valores são representativos de problema ambiental para seu correto descarte, devido aos elevados custos dos aterros sanitários e seus diferentes tipos e composição de ADF (ABIFA, 2018; CHEGATTI, 2016).

A reutilização de ADF em concretos e argamassas já foi comprovada em inúmeras pesquisas em relação a viabilidade técnica e ambiental, entretanto alguns fatores indicam a sua não utilização.

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Como benefícios pró-utilização tem-se a indicação de substituição de até 20% do agregado comum, areia, pela ADF conferindo benefícios na trabalhabilidade e nas propriedades mecânicas dos concretos conforme Silva; Pelisser, 2011 e Pinto, 2013.

Algumas pesquisas constataram que elevados teores de utilização da ADF em concretos acarreta diminuição de algumas propriedades mecânicas e de durabilidade em concretos, mas que são compensados pelos ganhos ambientais de seu uso (Andrade; Carnin; Pinto, 2018).

Outra forma de utilização da ADF é como mistura asfáltica do tipo Concreto Asfáltico Usinado a Quente (CAUQ) e tem como benefícios a potencialidade de aplicação como camada de revestimento asfáltico (Carnin, 2008).

Entretanto, alguns trabalhos destacam malefícios aos concretos e argamassas quando da incorporação da ADF ocorrendo nestes casos aumento do teor de ar incorporado e de fissuras devido as reações expansivas das partículas de ADF, diminuindo com isso a resistência mecânica e comprometendo sua durabilidade (Silva et al, 2011).

Nestas condições a reutilização da ADF deve ser precedida da caracterização inicial deste agregado alternativo e acompanhada de inúmeros ensaios, nos estados frescos e endurecidos, para verificar sua potencialidade, pois além de sua característica expansiva os diferentes tipos de areia de fundição podem comprometer toda a estrutura onde for aplicada.

Os isoladores elétricos de porcelana, IEP, peças cerâmicas com elevada vida útil, não possuem até o momento uma metodologia difundida de reaproveitamento devido a fatores como dificuldade de moagem e pequeno volume, da ordem de 30.000 ton/ano, se comparado aos resíduos de ADF (CAMPOS, 2011).

Pesquisas anteriores comprovaram a utilização dos isoladores de porcelana em substituição aos agregados em concretos e argamassas, obtendo valores de resistência à compressão simples, dependendo do traço, superiores a um traço de referência, conforme Campos, 2011 e Portela et al, 2006.

Outras pesquisas indicam a utilização dos IEP como material aglomerante a matriz cimentícia do cimento Portland. As imagens de MEV nestes trabalhos indicam que os compostos de hidratação do cimento Portland estão em consonância a bibliografia e com as observações nos traços de concreto e argamassa de referência, assim não há interferia dos IEP na hidratação da matriz cimentícia (CAMPOS, 2011 e SHIROMA, 2016).

A confecção de blocos de concreto combinado ADF e IEP foi comprovada, visto que os blocos apresentaram resultados em atendimento as normas brasileiras vigentes (CAMPOS, 2018).

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Portanto, é valida de início a combinação de agregados de ADF e IEP em substituição aos agregados em argamassas.

A partir do resultados preliminares publicados em Campos et al (2018), em relação a resistência à compressão simples de argamassas com resíduos de ADF e IEP em idades iniciais, foram moldados novos traços de argamassa para verificar a potencialidade de expansão, nas primeiras horas após a moldagem quando da utilização dos agregados de areia de fundição. Expansão esta que também foi observada neste trabalho.

Com isso, os traços de argamassas foram ensaiados em relação à resistência à compressão simples nas idades de 7, 28, 91, 180 e 365 dias, ampliando o período analisado, em relação a pesquisa de Campos et al (2018) e principalmente verificando o comportamento das argamassas, ao longo deste período, com agregados de areia de fundição e isoladores de porcelana.

Em relação às cargas de ruptura obtidas verifica-se que além do traço de referência as argamassas com maiores teores de isoladores de porcelana apresentaram resistência superior às medidas nos traços com areia de descarte de fundição, sendo de início uma opção viável de utilização.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

Os materiais utilizados neste trabalho, foram os mesmos utilizados em Campos et al (2018): cimento Portland CPV-ARI – Alta Resistência Inicial; Agregado miúdo comum, areia média; Agregado miúdo de isolador elétrico de porcelana - IEP; Agregado miúdo de areia de descarte de fundição - ADF.

Todos estes agregados, comum e alternativos, devido a suas matérias-primas possuem grande quantidade do composto silício (Si) que combina com o oxigênio e resultando no dióxido de silício, sílica (SiO2) que é de extrema importância para hidratação do cimento e consequente

aumento de resistência, quando em conjunto com o CaO, presente no cimento, na formação do composto C-S-H (Campos et al, 2018).

O isolador elétrico de porcelana utilizado nesta pesquisa é proveniente do controle de qualidade fabril da cerâmica, portanto, é uma peça que não recebeu a haste metálica e não foi aplicado a material fixador desta haste no corpo cerâmico. Nestas condições foram utilizados apenas o corpo de porcelana.

Quando os isoladores de porcelana forem provenientes de peças de reposição, isto é, isoladores substituídos recomenda-se a retirada do material metálico e de sua fixação para posterior moagem e utilização.

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Os agregados miúdos, areia média comum, agregado de areia de fundição e agregado de isolador de porcelana têm suas propriedades e características apresentadas na Tabela 1.

Tabela 1. Propriedades agregado miúdo comum.

Ensaios Agregado miúdo

Areia média

Agregado miúdo Areia de fundição ADF

Agregado miúdo Isolador de Porcelana IEP

Composição Mineralógica

Inócuos: quartzo,

minerais máficos Areia de quartzo fina, moldagem de peças de

ferro

Isoladores elétricos de porcelana: argila, feldspato e

quartzo Friáveis: fragmentos

de rocha alterada

Grau de Esfericidade Alta Alta Alta

Grau de Arredondamento Subarredondado Arredondada Subanguloso

Superfície do Grão Fosco Fosco Fosco

Módulo de Finura 2,7 1,34 1,16 Dimensão Máxima (mm) – NBR 7211 (2009) 1,2 1,2 0,6 Massa Específica (g/cm³) – NBR NM 52 (2009) 2,6 2,33 2,43 Massa Unitária (g/cm³) - NBR NM 45 (2006) 1,48 1,52 1,41 Absorção de Água (%) - NBR NM 30 (2001) 0,19 0,50 0,05 Torrões de Argila e Materiais Friáveis (%) - NBR 7218 (2010) 0 0 0

Teor de Material Passante na Peneira 75 µm (%) - NBR NM 46 (2003)

2,85 4,08 4,75

Fonte: Campos et al, 2018.

A partir destes dados e de acordo com o traço de argamassa apresentado na NBR 7215 (1996), denominado traço referência, foi possível determinar os teores de substituição do agregado miúdo por resíduos de isoladores elétricos de porcelana (IEP) e de areia de descarte de fundição (ADF).

Na Tabela 2 tem-se a porcentagem combinada dos agregados e na Tabela 3 apresentam-se as quantidades de materiais necessárias para moldar quatro corpos-de-prova cilíndricos de 5,0 x 10,0 cm (diâmetro x altura).

Tabela 2. Teor de composição dos agregados e relação água cimento.

Traço Areia comum Areia ADF Areia IEP Relação Água/Cimento Referência 100 % - - 0,55 100% ADF - 100 % - 0,55 100% IEP - - 100 % 0,55 1/3 IEP e 2/3 ADF - 67 % 33 % 0,55 2/3 IEP e 1/3 ADF - 33 % 67 % 0,55

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Todo o processo de moldagem foi realizado em atendimento a NBR 7215 (1996). Já o processo de cura foi do tipo submersa, isto é, os corpos-de-prova, após a desmoldagem, foram mantidos submersos em água até 24 horas antes de sua ruptura.

Tabela 3. Quantidade de materiais, em gramas, para cada idade e traço de argamassa.

Traço Cimento Portland Areia comum Areia ADF Areia IEP Água Referência 624,00 1.872,00 - - 343,20 100% ADF 624,00 - 1.872,00 - 343,20 100% IEP 624,00 - - 1.872,00 343,20 1/3 IEP e 2/3 ADF 624,00 - 1.248,00 624,00 343,20 2/3 IEP e 1/3 ADF 624,00 - 624,00 1.248,00 343,20

Fonte: Campos et al, 2018.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os traços de argamassa foram ensaiados à resistência à compressão simples nas idades de 7, 28, 91, 180 e 365 dias, conforme a NBR 7215 (1996). Na Tabela 3 tem-se as resistências obtidas acompanhada da evolução destas resistências considerando a idade de 7 dias, apresentado em Campos et al (2018), como o valor inicial. Na Figura 1 tem-se a representação em gráfico dos valores médios destas resistências e a Figura 2 apresenta a evolução das cargas de rupturas ao longo do período analisado.

Tabela 3. Resistência e evolução compressão simples – Argamassas. Evolução Resistência à Compressão Simples (MPa)

Traços 7 dias 28 dias Evolução

(%) 91 dias Evolução (%) 180 dias Evolução (%) 365 dias Evolução (%) Referência 29,1 33,6 15,5 38,2 31,3 44,6 53,3 44,9 54,3 100% ADF 5,6 8,0 42,9 9,0 60,7 9,1 62,5 9,5 69,6 100% IEP 9,4 21,7 130,9 23,1 145,7 25,8 174,5 30,1 220,2 1/3 IEP e 2/3 ADF 10,0 11,2 12,0 11,7 17,0 12,6 26,0 14,7 47,0 2/3 IEP e 1/3 ADF 24,3 25,5 4,9 30,5 25,5 33,4 37,4 34,8 43,2

Fonte: Elaboração dos Autores, 2020.

Observa-se para todas as idades que o traço de argamassa referência, isto é, com 100% do agregado miúdo comum, areia, apresentou, em todas as idades, carga de ruptura superior aos traços com agregados alternativos, devido entre outros fatores o melhor empacotamento dos grãos de areia devido a sua melhor distribuição granulométrica.

Aos 7 dias de idade o traço Referência apresentou resistência à compressão simples de 29,1 MPa e ao final de 1 ano de idade a resistência obtida foi de 44,9 MPa, resultando em uma evolução de 54,3%.

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O traço com 100% do agregado miúdo com areia de descarte de fundição, 100% ADF, apresentou nas primeiras horas uma expansão no seu volume que foi atribuída a hidratação desta areia pela água, Figura 3. Devido a esta hidratação do grão de ADF pode ter faltado água para a hidratação do cimento, além do aumento de fissuras internas, motivos pelos quais foi o traço com resistência mais baixa em todas as idades.

Figura 1. Resultados ensaios de resistência à compressão simples.

Fonte: Elaboração dos Autores, 2020.

Figura 2. Evolução cargas de ruptura resistência à compressão simples.

Fonte: Elaboração dos Autores, 2020.

Mesmo com todos estes fatores, o traço 100% ADF apresentou uma evolução na carag de ruptura de 69,2%, pois a resistência à compressão aos 7 dias foi de 5,6 MPa atingindo 9,5 MPa aos

0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0

7 dias 28 dias 91 dias 180 dias 365 dias

2 9 ,1 33 ,6 38 ,2 4 4 ,6 4 4 ,9 5 ,6 9,4 8,0 9,0 9,1 9,5 2 1 ,7 2 3 ,1 25,8 3 0 ,1 1 0 ,0 1 1 ,2 1 1 ,7 1 2 ,6 1 4 ,7 2 4 ,3 2 5 ,5 30 ,5 33,4 34 ,8 R esis tên cia (MP a)

Resistência à Compressão Simples

Referência 100% ADF 100% IEP 1/3 IEP e 2/3 ADF 2/3 IEP e 1/3 ADF

0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0

Referência 100% ADF 100% IEP 1/3 IEP e 2/3

ADF 2/3 IEP e 1/3 ADF R esis tên cia (MP a)

Evolução Resistência à Compressão Simples

7 dias 28 dias 91 dias 180 dias 365 dias

54,3 % 69,5 % 220,2% 47,0 % 43,2 %

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365 dias. Em comparação ao traço referência os valores foram muito inferiores, mas este fator de expansão dimensional da argamassa pode ser um diferencial onde necessita-se de uma argamassa com características expansivas mas sem a necessidade de alta resistência.

Quando combinado um teor de 1/3 de isolador de porcelana e 2/3 de areia de descarte de fundição, traço 1/3 IEP e 2/3 ADF, a questão da expansão também foi observada, mas com volume inferior ao traço 100% ADF, conforme a Figura 3, Campos et al (2018).

A presença do agregado de porcelana contribuiu para um aumento de resistência da argamassa 1/3 IEP e 2/3 ADF em relação ao traço com 100% de ADF, porém, os resultados foram muito inferiores ao traço referência, obtendo carga de ruptura à compressão simples de 10,0 MPa para idade de 7 dias e de 14,7 MPa aos 365 dias. O aumento da resistência entre 7 e 365 dias foi de 47,0%, evolução similar ao observado no traço de referência, porém com valores de cargas nominais inferiores.

Esta baixa carga de resistência é atribuída ao teor de 2/3 de ADF, que também, nas horas iniciais de mistura absorveu a água de amassamento e consequente houve diminuição desta água para formação dos produtos de hidratação do cimento que contribuem para o aumento da resistência, com isso houve aumento do teor de ar incorporado e consequente aumento de microfissuras e diminuição da resistência.

Figura 3. Expansão das argamassas nas primeiras horas de moldagem.

Fonte: Campos et al, 2018.

A combinação de 2/3 de isoladores de porcelana e 1/3 de areia de descarte de fundição, traço 2/3 IEP e 1/3 ADF, foi o que apresentou as maiores resistências entre todos os traços com agregados alternativos. Ao longo das idades de ensaio o aumento da resistência foi de 43,2%, pois na idade inicial, 7 dias, a resistência foi de 24,3 MPa atingindo 34,8 MPa aos 365 dias, mostrando ser uma

1/3 IEP 100% ADF 100% IEP 2/3 IEP

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combinação possível de emprego na construção civil. Este traço apresentou uma pequena expansão do seu volume nas primeiras horas, expansão inferior aos traços 100% ADF e 1/3 IEP e 2/3ADF, conforme ilustrado na Figura 3.

O traço com 100% dos agregados miúdo de isoladores de porcelana, 100% IEP, apresentou uma considerável evolução de resistência atribuída a formação dos compostos de hidratação do cimento em conjunto com as partículas miúdas de porcelana, como a etringita tardia. Entre 7 e 365 dias sua evolução foi de 220,2 %.

Aos 7 dias de idade a resistência foi de 9,4 MPa e de 30,1 MPa aos 365 dias, argamassa 100% IEP. Este elevado aumento de resistência à compressão simples é atribuído a uma hidratação mais lenta das partículas pequenas de porcelana que em conjunto com o cimento Portland, confere elevação da resistência e está em acordo com as pesquisas anteriores, como em Campos, 2018.

Na figura 4 (a) é possível observar, a olho nu, uma maior incidência de poros e vazios de “grandes dimensões” e microfissuras no traço 100% ADF, atribuído a potencial absorção da agua de amassamento pela partículas de areia de fundição, o que condiz com a bibliografia, Silva et al, 2011, e pode ser um dos fatores para baixa carga de ruptura em todas as argamassas com elevados teores de ADF.

Na figura 4 (b) tem-se o traço 100% IEP e não observa-se este elevado número de poros e vazios de “grande dimensões”, porém os vazios existentes são de menores dimensões. Esta diminuição no tamanho dos vazios é potencialmente atribuída a melhor distribuição granulométrica da porcelana favorecendo o empacotamento dos grãos e consequentemente uma argamassa mais compacta, fato pelo qual apresentou maior resistência á compressão simples nas idades ensaiadas em comparação ao traço 100% ADF.

Figura 4. Corpo-de-prova após ruptura, traço 100% ADF (a), com maiores quantidade de poros e microfissuras, e 100% IEP (b) .

(a) (b)

Fonte: Elaboração dos Autores, 2020.

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3 CONCLUSÕES

A escolha de materiais alternativos ao agregado comum, areia, em argamassas envolve inicialmente a busca por materiais com matérias-primas similares a areia. Inicialmente, os isoladores elétricos de porcelana (IEP) e a areia de descarte de fundição (ADF) são materiais potencialmente passíveis de substituição da areia, pois são compostos principalmente por sílica, que combinada aos produtos de hidratação do cimento Portland, resulta na composição do composto C-S-H que confere maior resistência à argamassa.

A queima em altas temperaturas é outro fator aliado para a utilização destes resíduos, pois elimina toda e qualquer matéria orgânica que poderia ter o material, além de conferir potencialidade de atividade pozolânica. Soma-se a estes fatores o grande volume destes resíduos, isoladores de porcelana com cerca de 30.000 ton/ano e a areia de descarte de fundição com 633.000 toneladas apenas do primeiro quadrimestre de 2018.

Com isso, é necessário que este passivo diminua a cada ano e não seja descartado em aterros sanitários, devido ao elevado custo de descarte, e principalmente na natureza, pois há uma finalidade nobre de suas reutilizações, que conferem além do ganho ambiental deste melhor destino a diminuição da extração dos agregados naturais que estão cada vez mais escassos.

Mesmo com o aumento da quantidade de vazios e microfissuras que resultaram em diminuição da resistência à compressão simples e potencial comprometimento da utilização das argamassas com teores de 100% de ADF ou 1/3 de IP 2/3 de ADF, a expansão verificada nas primeiras horas de hidratação das partículas de ADF pode ser um diferencial para a utilização em argamassas que não necessitem de uma elevada resistência e que necessitem de uma propriedade expansiva.

O resíduo de isolador de porcelana apresentou um elevado aumento de resistência quando comparadas as idades de 7 e 365 dias, aumento este de 220,2 %, atribuído principalmente a uma atividade pozolânica tardia da porcelana, que também já foi comprovada em trabalhos anteriores.

Quando combinada a areia de descarte de fundição com os isoladores elétricos de porcelana há dois ganhos principais a diminuição da expansão e o aumento da resistência. O teor de 2/3 de IEP e 1/3 de ADF resultou em todas as idades, para as argamassas alternativas, nas maiores resistências à compressão simples e pequena expansão de volume. Com estes fatores este teor é o mais indicado para a utilização na construção civil, pois além de combinar a utilização destes dois resíduos as cargas de rupturas foram elevadas, atingindo 34,8 MPa aos 365 dias.

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Portanto, a metodologia apresentada neste trabalho será um legado para próximas pesquisas visando a utilização de resíduos de isoladores elétricos de porcelana e de areia de descarte de fundição como agregados alternativos em argamassas.

Estes dois tipos de resíduos devem se somar a outros materiais alternativos com o intuito de reduzir a extração dos agregados naturais, beneficiando não apenas o setor da construção civil, mas toda a cadeira produtiva econômica, pois têm-se a utilização de resíduos antes descartados e principalmente a diminuição da poluição ambiental com o descarte irregular destes resíduos e da extração de materiais da natureza e seu beneficiamento industrial.

REFERÊNCIAS

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de Mercado. Abril de 2018.

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miúdo - Determinação da absorção de água. Rio de Janeiro, 2001.

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR NM 46 - Agregados -

Determinação do material fino que passa através da peneira 75 um, por lavagem. Rio de

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR NM 52 - Agregado

miúdo - Determinação da massa específica e massa específica aparente. Rio de Janeiro, 2009.

CAMPOS, M. A. Análise microestrutural e das propriedades mecânicas e de durabilidade de

argamassas e concretos com isoladores elétricos de porcelana. Tese (Doutorado em Engenharia

Civil), Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo. Universidade Estadual de Campinas. Campinas-SP, 2011.

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Tabela 1. Propriedades agregado miúdo comum.
Tabela 3. Quantidade de materiais, em gramas, para cada idade e traço de argamassa.
Figura 1. Resultados ensaios de resistência à compressão simples.
Figura 3. Expansão das argamassas nas primeiras horas de moldagem.
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Referências

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