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VANTAGENS COMPETITIVAS, TURISMO E DINÂMICAS TERRITORIAIS

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VANTAGENS COMPETITIVAS, TURISMO E DINÂMICAS

TERRITORIAIS

Alissandra Nazareth de Carvalho1 Isabela de Fátima Fogaça2

Resumo

Este estudo visa discutir o conceito de vantagem competitiva e como esta pode caracterizar-se mais sustentável por meio dos tipos de recursos disponíveis de interação/ cooperação e parceria. Busca-se também identificar as especificidades das dinâmicas territoriais estabelecidas e como o espaço é produzido para que tal dinâmica ocorra. Como metodologia para elaboração optou-se pela análise qualitativa, na qual utilizou-se o levantamento bibliográfico e análise crítica de referencial pertinente ao assunto, confrontando contextos comuns da área de geografia, economia e turismo. Como considerações apresenta-se que os empreendimentos turísticos podem, por meio de parcerias, desenvolver ações tanto de responsabilidade ambiental quanto social e estas além de constituírem uma vantagem competitiva sustentada podem configurar-se em uma estratégia ao desenvolvimento local/territorial.

Palavras- Chave: Vantagem Competitiva; Dinâmicas Territoriais; Interação; Desenvolvimento Local; Empreendimentos Turísticos

INTRODUÇÃO

Na contemporaneidade as empresas têm dado maior enfoque às questões relacionadas à informação, ao conhecimento e, principalmente, à mudança de atitudes em termos de gestão. Segundo Trigo (2002, p. 51), “a informação torna-se uma mercadoria extremamente valiosa”, contribuindo para a construção e desenvolvimento do conhecimento, que possibilitará atuações pautadas em uma nova ideologia. Esta, por sua vez, pode ser o diferencial de uma empresa, e assim atribuir a ela vantagens competitivas.

1 Docente do curso de Turismo da UFSCar Campus Sorocaba e Doutoranda em Geografia na UNESP Rio

Claro

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&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& Aliada a essa discussão, há a questão ambiental que, cada vez mais, tem sido foco de debates na academia e na sociedade, trazendo à tona necessidades que devem ser levadas em conta no momento da tomada de decisão pelos gestores e empreendedores. Necessidades estas relacionadas ao bem estar do meio ao qual a empresa se insere, ao bem estar dos seus colaboradores e, ainda, às necessidades de inserção em um mercado cada vez mais competitivo, que vem adotando regras e imposições e restringindo empresas que não se enquadram nas regras, como é o caso dos sistemas de certificação em alguns setores.

Para a abertura e criação de novas oportunidades e a conexão das mesmas a valiosos segmentos de mercado dentro de uma rede global, o capital necessita de grande mobilidade, conseqüentemente as empresas precisam de uma capacidade de informação e adequação a novas tendências (CASTELLS, 2001).

Conhecimento, informação e práticas inovadoras de negócio são altamente relevantes e podem estar presentes, por exemplo, na cooperação e parceria com determinados fins. Classificamos esses fatores então como sendo recursos estratégicos, que garantem a eficácia da existência de tais associações.

Nesse sentido, este estudo visa discutir o conceito de vantagem competitiva e como esta pode caracterizar-se mais sustentável por meio dos tipos de recursos disponíveis de interação/ cooperação e parceria, seja em relacionamentos formais como em associações, seja em relacionamentos informais estabelecidos com diversos atores envolvidos no negócio. Busca-se também identificar as especificidades das dinâmicas territoriais estabelecidas e como o espaço é produzido para que tal dinâmica ocorra.

Como metodologia para elaboração optou-se pela análise qualitativa, na qual utilizou-se o levantamento bibliográfico e análise crítica de referencial pertinente ao assunto, confrontando contextos comuns da área de geografia, economia e turismo.

Para tanto, realizou-se uma discussão acerca do conceito de vantagem competitiva sustentável e de como empresas desenvolvem possibilidades de vantagem, perante seus concorrentes, ao adorarem estratégias ou metodologias que lançam mão de subsídios ou recursos sustentáveis, e como estes podem contribuir para o desenvolvimento local.

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&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& de um território e, por outro, da lógica de criação de conexões e interações que se formam entre diferentes agentes sócio-econômicos envolvidos no processo, gerando novos mecanismos e modelos de gestão e provocando o aparecimento de novos atores, que passam a atuar no espaço coletivo e de interface entre diferentes organizações, incentivando e explorando as sinergias daí decorrentes.

Buscou-se também ilustrar a discussão apresentando exemplos relacionados à Associação Roteiros de Charme; seus procedimentos sob o prisma das interações entre processos e comunidades, no contexto do turismo. Também utilizou-se exemplos desenvolvidos no estado de Santa Catarina, mais especificamente em Santa Rosa de Lima.

Território e Turismo

A abordagem territorial traz, em si, em um primeiro momento, a necessidade de se buscar uma identificação, descrição e interpretação do próprio território. Os vários atores locais (políticos, econômicos, culturais, sociais) precisam se enxergar como agentes interessados, integrantes de um mesmo espaço.

A noção de território abarca um conjunto de características físicas e humanas que lhe imprimem individualidade e personalidade, refletindo certo estado de evolução e a interação entre condições naturais, tecnológicas, sistemas econômicos, estruturas sociais e demográficas (PECQUEUR e ZIMMERMANN, 2005). Sua peculiaridade estaria representada, por exemplo, em manifestações de uniformidade ou homogeneidade presentes naquele local ou, ainda, associadas à natureza das funções ou fluxos internos existentes (ALBAGLI, 2002).

O conhecimento das diferentes combinações espaciais e atributos que ajudam a forjar um conceito de território são indispensáveis para a avaliação do potencial do próprio território, enquanto espaço adequado para a promoção de uma estratégia de desenvolvimento integrado e sustentável.

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&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& A identidade local manifesta-se através de inúmeras formas de expressão, no âmbito cultural, étnico, lingüístico, social, produtivo, político. Alguns dos atributos territoriais que podem garantir a criação de um senso de identidade são aqueles mais amplamente compartilhados por todos. Outros, embora existentes, podem não ser reconhecidos como tal ou não estar devidamente explicitados; podendo constituir objeto de descoberta e/ou reinvenção.

O próprio conceito de território é, no entanto, por natureza, dinâmico, e pode, também, ser reinterpretado ou reinventado à luz de outros condicionantes ambientais e de propósitos específicos associados a uma nova agenda de desenvolvimento.

Dessa maneira, novos territórios podem ser “criados”, pela “incorporação” de um novo atributo, naquele momento julgado estratégico, mesmo que, originalmente, não reconhecido ou valorizado pelos próprios agentes locais. Nesse caso deve ser realizado um esforço de construção, através de estratégias claras, de um senso de identidade comum, a partir desse novo elemento. Esse atributo pode estar, por exemplo, associado a uma trajetória histórica comum ou, eventualmente, a um potencial produtivo, até então inexplorado ou não valorizado.

Segundo Pecqueur e Zimmermann (2005), o espaço tende a intervir de maneira ativa na formação e na transformação das atividades econômicas em oposição à idéia de que a globalização conduzirá à criação de um espaço homogêneo.

Para Lipietz (apud PECQUEUR e ZIMMERMANN, 2005), todo espaço não é nada mais do que a dimensão material das relações econômicas e sociais, ou seja, cabe aqui a discussão sobre a necessidade das interações empresa/comunidade, levando-se em conta que o negócio está inserido em um espaço/contexto dinâmico e que sofre influências do meio e de grupos de pressão, em que a sociedade e, principalmente, a comunidade localizada no entorno dessas empresas não devem ser desprezadas, sendo ainda essa interação fundamental para o êxito do negócio.

O estudo do desenvolvimento local, relacionado ao turismo ou não, vem dando grande atenção aos benefícios da interação da cadeia produtiva, principalmente, na forma de associações de empresas, do mesmo ramo ou de ramo similar, em que mão-de-obra especializada, insumos e prestação de serviços estão facilmente disponíveis, e que inovações rapidamente se tornam conhecidas.

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Dentre as novas tendências que caracterizam o turismo contemporâneo observa-se a descentralização da gestão; a adoção de um leque de estratégias de cooperação alianças e parcerias nas destinações para suprir bens e serviços que estariam a cargo de pequenas e médias empresas; a desvinculação em relação aos fatores naturais condicionantes [...]; o maior comprometimento com a conservação ambiental e as comunidades locais; adoção de códigos de certificação, de ética e da criação de incentivos à fidelização, com acompanhamentos pós-viagem, só para citar alguns.

Esta mesma autora entende que:

A evolução do turismo para formas alternativas ao modelo de turismo maciço, ancorado basicamente no segmento ‘sol e mar’, [...], requer repensar as escalas de análise em que o local assume importância crescente, não somente enquanto cenário para novas práticas, mas reconhecidamente como o único recorte territorial que pode conjugar os interesses de vários segmentos envolvidos no turismo, a fim de se contrapor à lógica do mercado hegemônico globalizado, sem que isso signifique completo isolamento, não só considerado quase impossível como contraproducente na atual conjuntura econômica (RODRIGUES, 2006, p. 298).

Em termos de alternativas inovadoras de gestão, empresas que já perceberam que a gestão socialmente responsável é fator de fundamental importância para a sobrevivência no mercado competitivo estão obtendo vantagens em seus negócios, podendo-se citar dentre elas a proteção e o fortalecimento da marca e sua reputação, diferenciação de seus concorrentes, geração espontânea de mídia e atração de novos e maiores investidores (JESUS et al., 2004).

De acordo com Peter Drucker (CERTO e PETER apud REBECHI e SIGNORI, 2004), não se deve administrar considerando apenas um objetivo organizacional, indicando assim oito áreas-chave que devem ser consideradas em termos de objetivos organizacionais, dentre elas, posição no mercado, inovação, produtividade, níveis de recursos, lucratividade, desempenho e desenvolvimento do administrador, desempenho e atitude do empregado e responsabilidade social.

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&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& Mihalic (apud DWYER e KIM, 2003) argumenta que a competitividade pode ser alcançada por meio de iniciativas como códigos de conduta que objetivam a qualidade do ambiente; o que de acordo com Ford e Richardson (apud DWYER e KIM, 2003) é influenciado pelo comportamento ético nos negócios, ressaltando que a saúde empresarial precisa cultivar o respeito por todos os indivíduos, internos e externos, enfatizar a honestidade, o espírito de equipe, lealdade, dedicação, comunicação clara e sem barreiras, aprendizado contínuo e bom relacionamento com fornecedores, ou seja, atuar de uma forma socialmente responsável.

Ernie Heath (apud DWYER e KIM, 2003) desenvolveu um modelo de competitividade de destinações que é representado em formato de uma casa, onde os blocos utilizados para sua construção são essenciais para fazer com que o turismo aconteça em um determinado local, incluindo-se assim uma política de desenvolvimento sustentável, levando-se em conta o clima e o ambiente entre outros fatores. Nesse caso, o comportamento e a atuação dos equipamentos turísticos, nos quais os meios de hospedagem se inserem, são fundamentais para a garantia de um desenvolvimento sadio da atividade turística.

Portanto, as políticas de desenvolvimento turístico devem suportar harmoniosas relações entre viajantes, comunidade local, setor privado e governo, visando o desenvolvimento econômico através do bem estar natural, cultural e ambiental (WORLD TRAVEL AND TOURISM apud DWYER e KIM, 2003).

Em se tratando de ambiente, normas elaboradas de forma eficiente são capazes de desencadear o aumento de produtividade e a redução de custos, aumentando assim o seu valor. Também, as inovações levam à utilização dos insumos de forma mais produtiva, compensando, assim, os custos relacionados aos impactos ambientais, ou seja, o aumento da produtividade dos recursos favorece, em vez de comprometer, a competitividade das empresas (PORTER e LINDE 1999).

Neste sentido, defende-se neste trabalho que as ações concertadas podem colaborar para que os destinos turísticos sejam mais competitivos, uma vez que maximiza os benefícios dos recursos disponíveis e possibilita que, unidos os agentes do turismo que compõe sua cadeia produtiva possam dispor de novos recursos que não estejam disponíveis para agentes isolados.

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&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& As Associações no Contexto do Desenvolvimento Local

Em sentido mais amplo, Associação é qualquer iniciativa formal ou informal que reúna pessoas físicas ou outras sociedades jurídicas com objetivos comuns, visando superar dificuldades e gerar benefícios para os seus associados (SEBRAE, 2009). Formalmente, independente do tipo de associação ou seu objetivo pode-se dizer que a associação é uma forma jurídica de legalizar a união de pessoas ou empresas em torno de seus interesses e que sua constituição permite a construção de condições maiores e melhores do que as que os indivíduos teriam isoladamente para a realização dos seus objetivos.

A associação, então, é a forma mais básica para se organizar juridicamente um grupo de pessoas para a realização de objetivos comuns. Assim, acredita-se haver a necessidade de uma nova conceituação sobre Associações, não apenas como instrumento de representação de uma classe, mas como agente promotor de desenvolvimento econômico e social de uma localidade, pois a busca por promoção econômica e social torna-se um desafio cada vez maior.

Desta forma, e dentro desta premissa, as Associações seriam condizentes ao modelo de desenvolvimento territorial defendidos por estudiosos como Rodrigues (2006, p.309) que o denomina de proposta humanista em que “[...] concebida, implantada e gestionada pelos vários elementos que compõe a população local, mobilizando recursos endógenos, expressando o que Milton Santos chama de exercícios das horizontalidades, ou seja, o fortalecimento de uma integração solidária local”.

Assim, segundo a autora, inspirada em Boisier (apud RODRIGUES, 2006) esta proposta humanista seria constituído de quatro marcos. O marco territorial constituiria de um território zonal, portanto contíguo, perseguindo a sustentabilidade em todas suas dimensões; o marco valórico estaria fundamentado na democracia, na justiça, na ética e na solidariedade;

O marco material ou instrumental reúne os recursos materiais, as condições de pleno emprego com dignidade, a distribuição equitativa dos benefícios e o uso de tecnologias de baixo impacto, incentivando o resgate de saberes tradicionais, elementos fundamentais para o empreendimento de turismo rural, só para citar um segmento (RODRIGUES, 2006, p.310-311)

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&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& Outro fator, facilitado pelas Associações que contribuem para o desenvolvimento territorial (local) seria a questão do acesso à informação e ao conhecimento por todos os atores, inclusive por aqueles que de forma isolada não teriam acesso a esse recurso.

Segundo Hoffmann e Morales (2003), a transferência de conhecimento dentro de uma associação pode ocorrer de diversas maneiras, por meio das relações formais, ou seja, através de relações entre empresas internas que a compõe e a mobilidade de mão-de-obra, pela qual os funcionários se deslocam para outras empresas para buscarem conhecimento e agregarem vantagem às suas empresas. E, por meio das relações informais, que são características positivas para firmas e empresas externas às associadas e também podem contribuir com informações, sendo estas, coletivas e de valor para todas as empresas associadas, pois o fato de cooperarem mais se traduz em maior disponibilidade de informação.

As relações sociais que podem ser estabelecidas acabam, portanto, gerando uma teia de relações pessoais estimuladoras de uma maior credibilidade entre os agentes. Há uma maior interação social entre potenciais parceiros comerciais, o que reduz a demanda por segurança nas transações e o maior fluxo de informações relevantes para as atividades econômicas dos agentes, a partir das suas interações sociais, o que reduz os custos de busca na definição de relações comerciais.

Como exemplo de associações pode-se citar as experiências organizadas em roteiros de agroturismo. Essas associações são formadas por agricultores familiares com objetivo de alargar os usos dados ao meio rural, extrapolando suas funções a possibilidades tais como o turismo rural, atividade que possibilita a articulação de empresários, poder público e comunidade, podendo se configurar em situações bem sucedidas, desde que interesses sejam gerenciados de forma equilibrada.

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&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& Alguns pontos devem ser levados em consideração e merecem uma atenção maior quando tratamos de relacionamento, associação. A escolha errada de insumos/recursos que não se aplicam à organização; a falta de entendimento para concatenar os recursos disponíveis e a destruição de uma estratégia por abandono de oportunidades ou falta de visão; podem ocasionar sérios problemas na vantagem competitiva sustentada.

Adentrando nas especificidades da outro tipo de associação, tal como a Associação Roteiros de Charme (ARC), apesar de não estar localizada em um território contíguo, esta se configura como uma associação de hotéis, uma entidade privada brasileira e sem fins lucrativos, que congrega 40 estabelecimentos entre hotéis, pousadas e refúgios ecológicos que adotam um Código Voluntário de Conduta Ambiental.

A Associação Roteiros de Charme tem seus serviços baseados no encantamento do hóspede no que tange aspectos de aconchego, requinte, luxo, beleza e fantasia, objetivando conectar o hóspede a um ambiente que extrapola a realidade.

A Organização Não-Governamental Roteiros de Charme foi fundada em 1992 pensando em atender aos viajantes que valorizam os pequenos detalhes encontrados em nosso variado ecossistema e que se preocupam com a responsabilidade social e ambiental. Inspirados pelas metas da Conferência Mundial das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a ECO 92 que aconteceu no Rio de Janeiro, cinco pequenos hotéis brasileiros se reuniram para pensar formas de executar o turismo sustentável ao mesmo tempo em que houvesse um equilíbrio entre a viabilidade econômica com compromissos ambientais.

Para isso, seria necessário criar e encontrar opções de hospedagens que incentivassem a atividade turística de qualidade, evitando ao máximo os impactos ambientais e, ao mesmo tempo, que conseguissem trazer algum tipo de benefício para as comunidades existentes nos destinos onde se encontravam.

Atualmente, a Associação de Hotéis Roteiros de Charme em seus 40 empreendimentos hospedam mais de 100 mil pessoas por ano, gerando emprego e renda. Anualmente é feita uma seleção com cerca de 180 meios de hospedagens que apresentam interesse em participar da Organização Não Governamental, mas, em geral, apenas quatro conseguem entrar para esse seleto clube.

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&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& mesma direção. Além disso, é preciso que os estabelecimentos sigam um Código de Ética e Conduta Ambiental que envolve preocupações com conservação de energia, água, tratamento de esgoto, preservação de áreas de importância ambiental, reutilização e reciclagem, redução da poluição sonora e atmosférica, controle no uso de substâncias tóxicas e adversas, eliminação de desmatamento e, finalmente, envolvimento dos fornecedores e prestadores de serviço com as políticas do código. Por isso, em cada hotel com o selo Roteiros de Charme há um representante responsável pelo controle da execução dessas diretrizes (ROTEIROS DE CHARME, 2009).

Ao tornar-se associado à ARC o empreendimento assume o compromisso com a proteção do meio ambiente; e muitos membros participam, também, em projetos específicos de conservação da fauna, flora e herança cultural.

A integração empresa-comunidade desenvolvida pelos associados à ARC também acontecem por meio de ações de solidariedade e de responsabilidade social como o encaminhamento às instituições de caridade das roupas de cama, mesa e banho, que não puderem ser mais utilizadas pelo meio de hospedagem, e incentivo ao aprimoramento profissional de seus funcionários e familiares por meio de condições adequadas e fomento para o estudo, como horário de trabalho compatível com o horário escolar e a absorção pela empresa, de todo ou parte, dos custos dos estudos e transporte até o estabelecimento educacional.

De acordo com Álvares et al (2004), atitudes socialmente responsáveis levariam a uma vantagem competitiva segundo os benefícios que seriam gerados às organizações, definidos como:

- Maior poder de atração e retenção de talentos profissionais;

- Maior comprometimento de sua clientela interna objetivando o sucesso; - Maior lealdade de seus stakeholders.

A título de exemplo, o simples fato dos estabelecimentos associados à ARC deixarem à decisão do hóspede quando as roupas de banho devem ser trocadas, tem representado em média uma redução de 38% no volume de rouparia a ser lavada (ROTEIROS DE CHARME, 2009). Quando devidamente informados, os hóspedes não apenas participam como até mesmo elogiam o procedimento do hotel, não se registrando qualquer manifestação de descontentamento ou reclamação.

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&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& clientes. Essa constatação, portanto, nos leva a crer que a preocupação com o meio ambiente e discussões voltadas a práticas socialmente responsáveis podem vir a se transformar em vantagem competitiva ou recurso gerador de vantagem competitiva além de favorecer o desenvolvimento local.

Vantagem Competitiva: As Cooperações

Vale (2004) destaca que essa experiência, de trabalhar em sintonia diante da cooperação/parceria, constitui como parte de uma criação e consolidação de um novo território produtivo, aqui entendido como espaço sócio-econômico dotado de características específicas, sejam herdadas ou criadas, susceptíveis de assegurar sucesso coletivo, a partir da agregação significativa de valor à atividade produtiva, através da adoção de objetivos organizacionais voltados às práticas ambientais de caráter sócio-ambiental, garantindo assim crescimento da renda e do emprego em condições de razoável sustentabilidade.

Há, segundo a autora, indicadores do aparecimento de novos mecanismos, modelos de gestão territorial compartilhada e formas de relacionamento empresarial, em que novos atores, empreendedores vêm desempenhando um papel chave, qual seja, de articulação e negociação inter-organizacional, promovendo a cooperação entre instituições e entre empresas locais, em particular de micro e pequeno porte, explorando e incentivando as sinergias daí decorrentes.

A competitividade organizacional se expressa de várias formas e na visão de diversos autores como Porter (1999, p. 395), “a essência da formulação de uma estratégia competitiva é relacionar uma empresa ao seu meio ambiente”, no qual atitudes ambientais responsáveis se encaixariam como um importante fator para que as empresas mantenham a sua sustentabilidade, num contexto de competitividade.

Segundo Go e Govers (apud DWYER e KIM, 2003), o clima organizacional e o meio ambiente são atributos para medir a competitividade entre destinos turísticos, e autores como Ritchie e Crouch (apud DWYER e KIM, 2003) defendem que um destino para ser competitivo precisa ser sustentável, não somente econômica ou politicamente, mas também ecológica, social e culturalmente.

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&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& tema fundamental também para outras disciplinas, com destaque para a administração, geografia e, de forma aplicada, para o turismo.

Aplicando essa definição no setor empresarial, uma vantagem pode adquirir status de sustentável, quando o que define essa sustentabilidade são os recursos utilizados estrategicamente pela empresa, ou seja, o que vai definir uma vantagem competitiva frente ao competidor são as diversas interações desses recursos dentro do grupo em que atua, podendo ser uma associação, somando-se ao seu entorno e espaços onde estão inseridas estas empresas e, caso o recurso apresente certos atributos, a vantagem poderá ser considerada sustentada.

O valor do recurso adotado pela empresa é fator determinante para classificar a vantagem competitiva sustentada ou não, pois a empresa sempre visa explorar oportunidades e neutralizar ameaças do ambiente, sendo assim, quanto mais valioso e necessário for o recurso, mais difícil de ser adquirido por outras empresas, classificando assim a vantagem competitiva como sustentável (BARNEY, 1991), ou seja, um empreendimento pode se utilizar de uma metodologia de produção mais limpa que reduzem o consumo, atrelando-a a uma atitude mais cuidadosa com o ambiente, contribuindo para seu incremento financeiro e de imagem, traduzindo-se em uma vantagem, que pode vir a ser sustentável quando outras empresas não conseguem copiar.

Como um exemplo da perspectiva citada acima, pode se citar o caso de uma estratégia ou mecanismo de desenvolvimento limpo aplicado a estabelecimentos de hospedagem, ou seja, um sistema de produção mais limpa. Essa atuação poderia minimizar a emissão de resíduos provenientes da operação desses estabelecimentos, o que contribuiria ainda mais para o bem estar do ambiente como também poderia vir a se transformar em algo rentável e criativo.

Já com relação à raridade, quanto mais raro o recurso adquirido, maior será a vantagem competitiva, uma vez que as outras empresas não terão acesso a este recurso. Esse também é o ponto chave para classificar se a vantagem é sustentada ou não. Tanto o valor como a raridade dos recursos citados não devem ser imitáveis, pois isso assegura a sustentabilidade do recurso e, conseqüentemente, da vantagem competitiva (BARNEY, 1991).

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&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& - o histórico da empresa (fatores que fazem parte do processo de desenvolvimento

histórico sendo portanto exclusivos da mesma);

- o link entre os recursos possuídos por uma empresa e uma vantagem competitiva sustentada empresarial, sendo esses recursos protegidos de imitações ou seja, um recurso pode ser vantajoso para uma empresa e não necessariamente o ser para outra;

- a complexidade social do recurso gerador de vantagem, ou seja, na troca de informações entre empresas, deve ser preservado ao máximo os recursos geradores de vantagens competitivas sustentadas, pois relacionamentos informais e troca de informação são características específicas de cada empresa.

Por último, a substituição dos recursos deve ser cuidadosamente analisada dentro da empresa. Assim, gerentes carismáticos que possuem facilidade nas relações e visões claras do futuro devem encabeçar as atividades de planejamento estratégico para que essa equipe não corra o risco de desenvolver recursos que possam ser adquiridos pelas empresas concorrentes. Portanto, o equilíbrio ou o descompasso em cada um desses recursos se apresenta definitivo para facilitar ou dificultar a concorrência entre produtos e empresas (BENI, 2003), devendo assim o planejamento estratégico estar atento a esse fator.

Assim, autores como Hoffmann e Morales (2003) afirmam que uma vantagem competitiva é sustentada somente se continuar a existir mesmo depois que esforços para duplicação das vantagens cessarem.

De acordo com Vale (2004), o novo paradigma do desenvolvimento, diferentemente das abordagens tradicionais, que privilegiavam as intervenções exógenas, imputa importância crescente aos fatores e às condições internas da região-alvo, para viabilizar um processo de desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, é a comunidade local e seus atores que, atuando de forma integrada, define e persegue uma estratégia coerente de desenvolvimento, na busca compartilhada de soluções para seus problemas, na identificação, valorização e aproveitamento de suas potencialidades e riquezas e na construção de estratégias competitivas, capazes de permitir a sua inserção em um mercado volátil e integrado.

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&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& Esse conceito, contudo, não depende exclusivamente das organizações turísticas; faz-se necessária a participação de diversos públicos, dentre eles clientes, governo, empregados e profissionais do mercado, ou seja, os stakeholders, bem como é preciso monitorar as ações de outras instituições concorrentes assim como intermediários e fornecedores.

Em um mundo globalizado a busca da competitividade transformou-se na força motriz das economias nacionais e das empresas (PORTER, 1986; KOGUT, 1993; PFEFFER, 1994). Altera-se, inclusive, o próprio sentido de competitividade, antes focado, sobretudo, na dimensão empresarial e estática, para abarcar toda uma lógica de organização produtiva e de construção, em um determinado espaço. Isso nos remete para um conceito hoje fundamental: o território produtivo, apresentado no início deste trabalho, como espaço possível para o exercício de políticas com vistas ao incremento da competitividade sistêmica.

Reflexões Finais

Em uma tentativa de conceituar desenvolvimento local, entendeu-se que o mesmo constitui-se um processo de desenvolvimento centrado num território concreto em que os protagonistas são uma pluralidade de atores que ocupam determinadas posições no espaço social e que estabelecem relações em função de metas e projetos comuns (CRAGNOLINO, 2000).

Estes atores se vinculam de acordo com o sistema de ação local; agrupam-se, segundo provenham do Estado ou do setor não governamental, em atores públicos e atores da sociedade civil; também podem ser distinguidos, segundo o âmbito de ação, em atores econômicos, atores sociais, atores políticos e governamentais e podem ser também atores institucionais ou interinstitucionais.

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&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& As diversas formas de interação desses recursos vão conferir vantagem competitiva a uma organização, traduzindo-se dessa maneira numa força que as empresas fazem uso para conservar e implementar sua estratégia, que irá se definir sustentável de acordo com os tipos de recursos disponíveis em cada empresa, levando em conta a característica singular de cada um e a forma como se interagem dentro e fora da empresa, definindo-se assim as diversas redes e relações.

Desta forma, acredita-se que por meio da organização dos recursos disponíveis em um território turístico de forma cooperada pode-se alcançar o que Silva (2006) denomina de planejamento com base territorial, ou seja, que priorize o interesse do território e de seus recursos locais ou regionais, nos quais seus interesses funcionais não sejam os principais norteadores do turismo, mas façam parte da dimensão territorial a ser analisada.

Portanto, deve-se objetivar um planejamento que tome como referencia o desenvolvimento mobilizado pelos recursos locais (endógenos ao território), ascendente, em que os agentes locais seja os principais envolvidos, em que o centro das necessidades seja a comunidade local (autocentrado) e sustentável, aquele que tem como princípio a utilização responsável para “a conservação do meio físico e das formas de organização das comunidades receptoras, seus usos, costumes e tradições, assim como sua participação nas fases do planejamento” (MAGALHÃES, 2002, p. 89).

Assim defende-se a tese de que somente pela ação concertada isso é possível, indicando as associações como uma possibilidade a isso. Desta forma, acredita-se ser pertinente o aprofundamento das investigações sobre o assunto não só no âmbito acadêmico, mas em todos os âmbitos que envolvem a sociedade.

Referências

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Referências

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