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E s c. S e c / 3. S a n t a M a r i a d o O l i v a l 2013 /

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ESCOLA SECUNDÁRIA/3 SANTA MARIA DO OLIVAL / TOMAR

Disciplina: Português Ano/Turma: 11º F

Unidade letiva: 4/5 – Os Maias / Cesário Verde Teste

Data: 26 / maio / 2014 Duração 90 min.

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Voltou ao Ramalhete. Craft, coberto de pó, estava-se justamente apeando de uma caleche de praça. Um momento ficaram ali à porta, enquanto Craft, procurando troco para o cocheiro, contava o final das corridas. No Prémio de Consolação, um dos cavaleiros tinha caído, quase ao pé da meta, sem se magoar: e, por último, já à partida, o Vargas, que ia na sua terceira garrafa de champanhe, esmurrara um criado de bufete, com ferocidade.

— Assim — disse Craft completando o seu troco — estas corridas foram boas pelo velho princípio shakespeariano de que tudo é bom quando acaba bem.

— Um murro — disse Carlos rindo — é com efeito um belo ponto final.

No peristilo, o velho guarda-portão esperava, descoberto, com uma carta na mão para Carlos. Um criado tinha-a trazido, instantes antes de Sua Excelência chegar.

Era uma letra inglesa de mulher, num envelope largo, lacrado com um sinete de armas. Carlos ali mesmo abriu-a, e, logo à primeira linha, teve um movimento tão vivo, de tão bela surpresa, iluminando- se-lhe tanto o rosto, que Craft do lado perguntou sorrindo:

— Aventura? Herança?

Carlos, vermelho, meteu a carta no bolso, e murmurou:

— Um bilhete apenas, um doente...

Era apenas um doente, era apenas um bilhete, mas começava assim: «Madame Castro Gomes apresenta os seus respeitos ao Sr. Carlos da Maia, e roga-lhe o obséquio...». Depois, em duas breves palavras, pedia-lhe para ir ver na manhã seguinte, o mais cedo possível, uma pessoa de família, que se achava incomodada. […]

Na manhã seguinte, Carlos, que se erguera cedo, veio a pé do Ramalhete até à Rua de S. Francisco, a casa de Madame Gomes.

Carlos esperou, passeando lentamente no patamar. Do segundo andar vinha um barulho alegre de crianças brincando; por cima, o moço do Cruges esfregava a escada com estrondo, assobiando desesperadamente o fado. Um longo minuto arrastou-se, depois outro, infindável. […] e então Carlos, impaciente, puxou o cordão da campainha.

Um criado de suíças ruivas, corretamente abotoado num jaquetão de flanela, apareceu correndo, com uma travessa na mão, abafada num guardanapo; […]

— Tenha Vossa Excelência a paciência de esperar um instantinho que eu vou dar parte à Sr.ª D.

Maria Eduarda...

Maria Eduarda! Era a primeira vez que Carlos ouvia o nome dela; e pareceu-lhe perfeito, condizendo bem com a sua beleza serena. Maria Eduarda, Carlos Eduardo... Havia uma similitude nos seus nomes.

Quem sabe se não pressagiava a concordância dos seus destinos!

QUEIRÓS, Eça,Os Maias,

Biblioteca Digital, edição on-line (adaptado à nova ortografia)

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~ Grupo I ~

Leitura e escrita

1. Localiza este excerto no desenrolar da ação do romance.

Este excerto narrativo segue-se ao episódio da “Corrida de Cavalos” e antecede o

“crescendo da proximidade de Carlos e Maria Eduarda”.

Antes deste excerto, Ega “foge” para Celorico (na sequência do “Baile de máscaras” em casa dos Cohen), o Castro Gomes parte para o Brasil e dá-se o episódio da “Corrida de Cavalos”.

Logo depois deste excerto, Dâmaso Salcede vai para Penafiel e o Conde decide acompanhar a Gouvarinho ao Porto. Os encontros e a aproximação entre Carlos e Maria Eduarda podem, pois, tornar-se rotineiros. Nada há (nem há ninguém) que os impeça.

2. Evidencia a expressividade da ironia presente na exclamação de Carlos: “– Um murro – disse Carlos rindo – é com efeito um belo ponto final.” (l. 7).

A ironia prende-se com o facto de aquilo que deveria ter sido um acontecimento social, de elevada distinção e elegância, acaba afinal no meio de uma bebedeira e rematado por um episódio de pancadaria.

Carlos ironiza claramente, afirmando que afinal um “murro” é um “belo final” para uma atividade que supostamente se deveria ter distinguido pelo “glamour” e requinte. Ora…

um murro nada tem de distinção, elegância ou requinte.

3. Caracteriza brevemente, de acordo com o conhecimento que tens da obra, a personagem Cruges e a importância que desta personagem para a crónica de costumes.

Cruges é um amigo próximo de Carlos, das mesmas idades, músico, que se distingue pela sua qualidade artística acima da média. É, sobretudo, um companheiro e um amigo para Carlos.

Esta personagem vai ganhar especial relevância na “crónica de costumes” já que representa todos os artistas de qualidade, de genialidade, que serão invariavelmente ignorados e incompreendidos por um país inculto, incapaz de reconhecer um talento ou um espírito de excelência.

No final da obra, sabemos que Cruges triunfou na vida, à custa de se “vender” ao gosto vulgar e medíocre da sociedade lisboeta. Como parece ser sina dos verdadeiros artistas…

4. Relaciona a perceção psicológica que Carlos tem do tempo (“Um longo minuto arrastou-se, depois outro, infindável.” – l.25) com o seu estado de espírito.

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A frase “Um longo minuto arrastou-se, depois outro, infindável” traduz-nos a perceção subjetiva que a personagem tem do tempo. E aquele momento pareceu-lhe demasiado longo, quase “infindável” já que Carlos estava claramente ansioso, “impaciente”, pelo encontro com

“aquela deusa”, aquela mulher que não lhe saía do pensamento.

5. Explicita em que medida é que a última frase do excerto “Quem sabe se não pressagiava a concordância dos seus destinos!” (l. 33) se relaciona com a dimensão trágica da intriga principal da obra.

Nesta frase há referência clara e direta a dois elementos típicos da tragédia: os presságios e a força do destino.

O próprio Carlos parece desde muito cedo perceber que aquela semelhança de nomes pode funcionar como um (bom) presságio do que sucederá a seguir. A similitude dos nomes é, para a personagem, o bom augúrio de uma relação amorosa que ele deseja. Ainda que para o leitor, essa semelhança, possa ser o (mau) presságio de uma coincidência demasiado estranha.

Além dessa dimensão de presságio, Carlos parece reconhecer também a presença de uma força fatal, de um destino incontornável, que parece estar a atirar estas duas personagens uma de encontro à outra. Na perspetiva da personagem esse “destino” é ainda um fator que favorece o inevitável encontro amoroso. Já na perspetiva da dimensão trágica, este destino é um fado, um força superior à qual as personagens não conseguirão fugir e que as levará até à catástrofe.

Diria que a personagem Carlos identifica, nesta frase, dois dos elementos mais reveladores de que estamos perante uma tragédia que se anuncia; mas a personagem não reconhece esses “sinais” como trágicos, antes como incentivadores.

~ Grupo II ~

Reflexão sobre a língua

6. Como classificas o sujeito da frase “e pareceu-lhe perfeito” (l. 31).

Sujeito subentendido. (“o nome dela” pareceu-lhe perfeito).

7. Identifica a função sintática do grupo nominal sublinhado na frase:

«[…] o velho guarda-portão esperava, descoberto, com uma carta na mão para Carlos:» (l. 9) Modificador apositivo.

Para responder a cada um dos itens de 8 a 11, seleciona a única opção correta.

Escreve, na folha de respostas, o número de cada item e a letra que identifica a opção escolhida.

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8. Identifica o ato ilocutório realizado na frase:

«– Um murro – disse Carlos rindo – é com efeito um belo ponto final.» (l. 8) a) Assertivo.

b) Declarativo.

c) Expressivo.

d) Compromissivo.

9. Identifica o valor aspetual da frase:

«No peristilo, o velho guarda-portão esperava...» (l. 9) a) Valor perfetivo.

b) Valor imperfetivo.

c) Valor genérico.

d) Valor iterativo.

10. Classifica a oração sublinhada:

«Um criado tinha-a trazido, instantes antes de Sua Excelência chegar.» (l. 9-10) a) Oração subordinante.

b) Oração subordinada adverbial causal.

c) Oração subordinada adverbial temporal.

d) Oração subordinada adverbial consecutiva.

11. Classifica a palavra “guarda-portão” (l. 9) quanto ao processo de formação lexical?

a) Derivação por parassíntese.

b) Derivação regressiva.

c) Composição morfológica.

d) Composição morfossintática.

~ Grupo III ~

Produção escrita

Relê as seguintes estrofes do poema “Deslumbramentos”.

[…]

Sem que nisso a desgoste ou desenfade, Quantas vezes, seguindo-lhe as passadas,

Eu vejo-a, com real solenidade, Ir impondo toilettes complicadas!...

[…]

Eu ontem encontrei-a, quando vinha,

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Britânica, e fazendo-me assombrar;

Grande dama fatal, sempre sozinha, E com firmeza e música no andar!

[…]

E um dia, ó flor do Luxo, nas estradas, Sob o cetim do Azul e as andorinhas,

Eu hei-de ver errar, alucinadas, E arrastando farrapos - as rainhas!

12. Num texto bem estruturado, com um mínimo de cento e cinquenta e um máximo de duzentas e cinquenta palavras, comenta a seguinte frase:

«Cesário Verde é, então, em primeira instância, um poeta realista.»

Fundamenta o teu comentário no estudo que fizeste deste poeta e comprova as tuas afirmações com exemplos retirados das estrofes atrás transcritas.

Pergunta Cotação

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4 20

5 20

6 9

7 9

8 8

9 8

10 8

11 8

12 50

Total: 200

Bom trabalho.

José Paulo Vasconcelos

Referências

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