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Erros médios obtidos nos testes unitários

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Academic year: 2021

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Localização Geográfica Assistida Aplicada a Pessoas com Necessidades Especiais

Diogo Manuel Carvalho Ferreira Professor Doutor Davide Carneiro

Professor Doutor Luís Ferreira

Projeto apresentado ao Instituto Politécnico do Cávado e do Ave para obtenção do Grau de Mestre em Engenharia Informática

Dezembro, 2015

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Localização Geográfica Assistida Aplicada a Pessoas com Necessidades Especiais

Diogo Manuel Carvalho Ferreira Professor Doutor Davide Carneiro

Professor Doutor Luís Ferreira

Projeto apresentado ao Instituto Politécnico do Cávado e do Ave para obtenção do Grau de Mestre em Engenharia Informática

Dezembro, 2015

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Localização Geográfica Assistida Aplicada a Pessoas com Necessidades Especiais

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Aos meus pais, irmã e namorada

“ O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”

Albert Einstein

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AGRADECIMENTOS

A realização deste projeto só foi possível graças, não só a uma grande dedicação e esforço da minha parte, mas também a um grande apoio que obtive por parte do meu orientador e coorientador, o professor Davide Carneiro, da Universidade do Minho, e o professor Luís Ferreira, coordenador do Mestrado em Engenharia Informática do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave.

Penso que, no computo geral, o desenvolvimento do trabalho foi bastante positivo e organizado, muito devido à ajuda dos orientadores deste projeto, que sempre se mostraram interessados em ajudar a resolver problemas que, naturalmente, foram aparecendo, à medida que este foi sendo desenvolvido.

Pode, desde já referir-se que foi um projeto extremamente gratificante para mim, não só para a minha evolução, em termos tecnológicos (já que foram abordadas ferramentas e tecnologias que até então não tive a oportunidade de conhecer), mas também porque ajudou a conhecer, de forma mais aprofundada, uma realidade que, até então, apesar de, obviamente, conhecermos os problemas das pessoas com necessidades especiais, não se tinha, claramente, a noção de que fosse um problema tão grande da nossa sociedade, não só em termos nacionais mas também internacionais.

Por estes aspetos referidos anteriormente, saliento, mais uma vez, que estou extremamente satisfeito com o trabalho que se teve a oportunidade de desenvolver e também com os resultados que obteve.

Devo referir também que, para a obtenção de bons resultados no desenvolvimento deste trabalho, devo agradecer ao Eduardo Peixoto, uma vez que o projeto de tese dele teve integração com o meu, de forma a que, apesar de serem projetos distintos, se pudessem obter os melhores resultados possíveis, graças à interligação da componente web com a componente mobile, mais propriamente relacionada com o sistema operativo móvel “Android”.

Gostaria de agradecer também àqueles que me apoiam, incondicionalmente, em todas as fases da minha vida, nomeadamente, a minha mãe, o meu pai, a minha irmã e a minha namorada que, como não podia deixar de ser, foram determinantes para a conclusão deste projeto com o sucesso esperado.

Gostaria ainda de deixar uma palavra de agradecimento a todos os meus amigos que me foram acompanhando, em todas as etapas da minha vida.

A todas estas pessoas o meu muito obrigado por todo o apoio!

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RESUMO

Segundo o documento do Programa Nacional para a Saúde Mental, Portugal tem a prevalência mais elevada de pessoas com perturbações mentais (22,9%), entre oito países europeus, e é o segundo, a nível mundial, em nove países analisados. Perante o exposto anteriormente, existe uma elevada necessidade de cuidados com essas pessoas, já que um dos principais problemas deste tipo de doenças é a desorientação e a consequente falta de orientação espacial. Uma das possíveis soluções para este controlo, que deve ser efetuado a estes doentes, pode ser o uso constante de GPS, para as monitorizar. Porém, através dessa mesma monitorização com recurso ao sistema GPS, deparamo-nos com algumas limitações, em termos de eficácia, já que o GPS pode funcionar mal em determinadas situações, tais como o mau tempo, em ambientes fechados, ou mesmo em ambientes abertos mas rodeados por prédios elevados.

Para o uso da solução supracitada e para contornar os problemas referidos anteriormente, pretende- se desenvolver uma aplicação móvel para o seguimento de seres humanos, em tempo real, direcionada para pessoas com necessidades de cuidados especiais, tais como portadores de Alzheimer ou algum grau de deficiência. Esta aplicação baseia-se na informação obtida do GPS integrado no dispositivo. Quando este não estiver disponível ou a sua precisão for limitada, a aplicação deverá estimar a localização, através das antenas do operador. Para suportar esta funcionalidade, a aplicação integrará um módulo de Raciocínio Baseado em Casos que, gradualmente, irá aprendendo a classificar a posição do utilizador, a partir da distribuição das antenas em seu redor, bem como pela intensidade dos sinais recebidos.

A aplicação será complementada por uma aplicação web que permitirá a visualização dos dados e a visualização de notificações, nos casos em que um utilizador saia de limites pré-determinados.

Palavras-chave: Saúde mental, envelhecimento, GPS, raciocínio baseado em casos.

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ABSTRACT

According a report of the National Programme for Mental Health, Portugal has the highest prevalence of people with mental disorders (22.9%) from eight European countries and is the second worldwide, from nine countries analyzed. By these reasons, there is a high need for care to these people, since one of the main problems of this type of disease is disorientation, and lack of spatial orientation. A type of control that can be applied to monitoring people with these problems, could be the constant use of GPS.

But through this monitoring using the GPS system, we are faced with some limitations in terms of effectiveness, since the GPS may not work properly in some situations, such as bad weather, indoors or even environments obstructed by tall buildings.

To use this solution and to overcome the problems mentioned above, we intend to develop a mobile application for tracking people in real time, targeted for people with special care needs such as people with Alzheimer's or some degree of disability. This application is based on information obtained from the GPS integrated in the device. When this is unavailable or its accuracy is limited, the application should estimate the location using the antennas of the mobile operator.

To support this functionality, the Android application use module of case-based reasoning that gradually learns to get the user's position from the distribution of antennas around the device, as well as the intensity of the received signals. The application will be complemented by a web application that allows the visualization of data and display notifications in cases where the user is in areas that were not supposed.

Keywords: Mental health, aging, GPS, case based reasoning.

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xii LISTA DE ACRÓNIMOS

API - Application Programming Interface ART - Android Runtime

GPS - Global Positioning System

GSM - Global System for Mobile Communications HTML – HyperText Markup Language

IA - Inteligência Artificial

IDE - Integrated Develoment Environment KML – Keyhole Markup Language M2M – Machine to Machine

OMS - Organização Mundial de Saúde RBC - Raciocínio Baseado em Casos SMS – Short Message Service XML – Extensible Markup Language

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ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO ...1

1.1 OBJETIVOS ... 3

1.2 ENQUADRAMENTO TEÓRICO ... 4

1.3 PROJETOS RELACIONADOS ... 4

1.4 METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO ... 6

1.5 ESTRUTURA DO DOCUMENTO ... 7

2. GLOBAL POSITIONING SYSTEM ...9

2.1 O QUE É O GLOBAL POSITIONING SYSTEM? ... 9

2.2 COMO FUNCIONA O GPS? ... 10

2.2.1 O SISTEMA DE TRIÂNGULAÇÃO DE ANTENAS ... 10

2.3 O GPS COMO SISTEMA DE “TRACKING” DE PESSOAS ... 12

3. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ... 15

3.1 O QUE É A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL? ... 15

3.2 RACIOCÍNIO BASEADO EM CASOS ... 15

3.3 RACIOCÍNIO BASEADO EM CASOS APLICADO À SAÚDE ... 17

3.4 DESENVOLVIMENTO DE UM SISTEMA DE RBC ... 18

3.4.1 AQUISIÇÃO E REPRESENTAÇÃO DOS CASOS ... 18

3.4.2 INDEXAÇÃO DOS CASOS ... 19

3.4.3 RECUPERAÇÃO ... 19

3.4.4 ADAPTAÇÃO ... 21

3.5 CONCLUSÃO ... 22

4. DESCRIÇÃO DO SISTEMA ... 23

4.1 ARQUITETURA DO SISTEMA ... 23

4.2 FUNCIONAMENTO ... 25

4.2.1 VANTAGENS ... 25

4.2.2 OUTROS CENÁRIOS DE APLICAÇÃO DESTE SISTEMA ... 26

4.3 SERVIÇO DE ENVIO DE MENSAGENS ... 26

4.3.1 CÓDIGO EXEMPLO DO SERVIÇO DE ENVIO DE MENSAGENS ... 26

4.4 TECNOLOGIAS E PLATAFORMAS UTILIZADAS ... 28

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4.4.1 EXEMPLO DE CÓDIGO JAVA UTILIZADO NO DESENVOLVIMENTO DESTE

PROJETO ... 28

4.4.2 EXEMPLO DE UM LAYOUT EM XML ... 29

4.5 CALENDARIZAÇÃO ... 31

5. RESULTADOS ... 33

5.1 RESULTADOS RELATIVOS À APLICAÇÃO DO MÓDULO DE RACIOCÍNIO BASEADO EM CASOS NO SISTEMA ... 34

5.2 TESTES EFETUADOS E RESPETIVAS MARGENS DE ERRO ... 36

5.2.1 REPRESENTAÇÃO NO MAPA DO USO DO RBC ... ...37

5.3 O RECONHECIMENTO DA POTENCIALIDADE DO PRODUTO ...39

6. CONCLUSÕES E TRABALHO FUTURO... 40

BIBLIOGRAFIA ... 42

ANEXO I ... 46

ANEXO II ... 51

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ÍNDICE DE FIGURAS

Fig. 1: O crescimento do número de pessoas com demência (em milhões) em países de elevado

rendimento e de baixo e médio rendimento [6]. ... 2

Fig. 2: Global Positioning System [13]. ... 9

Fig. 3: Sistema de localização com uma antena [18]. ... 11

Fig. 4: Sistema de localização baseado em duas antenas [18]. ... 11

Fig. 5: Sistema de localização baseado em três antenas [18]. ... 12

Fig. 6: Funcionamento do GPS [19]. ... 13

Fig. 7: Ciclo de vida do raciocínio baseado em casos [25]. ... 16

Fig. 8: Adaptação por substituição [32]. ... 21

Fig. 9: Interacção entre os diferentes módulos que compoem o sistema. ... 23

Fig. 10: Funcionamento do sistema. ... 25

Fig. 11: Tecnologias utilizadas para o desenvolvimento do sistema. ... 28

Fig. 12: Calendarização de todas as tarefas que foram realizadas. ... 31

Fig. 13: Screenshot da componente mobile em funcionamento. ... 33

Fig. 14: Screenshot da componente web em funcionamento. ... 34

Fig. 15: Área onde ocorreu a recolha de pontos de informação. ... 35

Fig. 16: Erros médios obtidos nos testes unitários. ... 36

Fig. 17: Localização real do utilizador (antena) e localização estimada pelo mecanismo RBC (cérebro) – exemplo 1. ... 37

Fig. 18: Localização real do utilizador (antena) e localização estimada pelo mecanismo RBC (cérebro) – exemplo 2. ... 38

Fig. 19: Localização real do utilizador (antena) e localização estimada pelo mecanismo RBC (cérebro) – exemplo 3. ... 38

Fig. 20: Localização real do utilizador (antena) e localização estimada pelo mecanismo RBC (cérebro) – exemplo 4. ... 38

Fig. 21: Logotipo da organização Acredita Portugal [41]. ... 39

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1. INTRODUÇÃO

Cada vez mais a população portuguesa e mundial vive um flagelo relativo à perda de qualidade de vida, à medida que a sua idade vai avançando.

As pessoas não têm um envelhecimento ativo, o que faz com se fechem no seu próprio mundo, e venham a ter, cada vez mais, doenças do foro degenerativo, como por exemplo o Alzheimer, que é a doença responsável por praticamente 70% dos casos de demência [1].

Segundo dados da OMS (organização mundial de saúde), a doença de alzheimer afeta, duas vezes mais, as mulheres que os homens. Para as pessoas que se encontram na faixa etária dos 65 anos, o risco futuro de surgir alzheimer é de 12% a 19%, nas pessoas do sexo feminino, e de 6% a 10%, nas do sexo masculino.

A doença de Alzheimer é uma doença que atinge, inicialmente, a parte do cérebro responsável pela linguagem, memória e raciocínio, fazendo com que as pessoas tenham dificuldade em lembrarem-se de factos recentes. As primeiras alterações sofridas pelos portadores de alzheimer, estão relacionadas com o esquecimento de acontecimentos recentes, podendo, no entanto, lembrarem-se daqueles que já aconteceram há algum tempo [2].

Na origem deste tipo de doenças podem estar várias razões, como doenças cardiovasculares e cerebrais, as quais podem aumentar o risco de várias tipologias de demência, nomeadamente, o alzheimer.

Outro dos fatores que faz aumentar o risco de aparecimento deste tipo de doença é a hereditariedade, pois se houver casos de alzheimer na família, o risco aumenta consideravelmente.

Apesar de ainda não não ser possível provar que se podem evitar estas doenças, elas podem, em muitos dos casos, ser pelo menos prevenidas, através de atividades cognitivas que ajudem a estimular o cérebro. Além disso, uma boa alimentação e a prática de exercício físico são também alguns dos fatores que podem ajudar bastante na prevenção deste tipo de doenças.

Para se ter uma ideia, o número de pessoas portadoras de demência, a nível global, subiu cerca de 22% nos últimos anos, o que, segundo um estudo da Alzheimer Disease International, fará com que, em

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2050, esse número possa triplicar, atingindo, nesse ano, um valor absolutamente alarmante de 135 milhões de pessoas portadoras de demência. Estima-se que, atualmente, a cada 4 segundos, é diagnosticado um novo caso de demência a nível global, sendo que, em 2050, será diagnosticado um novo caso em cada segundo [3].

Uma pessoa portadora de Alzheimer vai-se tornando, aos poucos, muito dependente de outras pessoas, pois, em casos avançados, estes doentes necessitam de serem monitorizados, uma vez que perdem a noção do espaço onde se encontram.

Este problema deve ser combatido o mais rapidamente possível, nomeadamente através do uso combinado de soluções tecnológicas com iniciativas de envelhecimento ativo [4].

Para a realização deste projeto de dissertação, e como objetivo e motivação para a realização do mesmo, pode referir-se o facto da área da saúde, mais propriamente a saúde mental, ser um ponto extremamente importante a ser estudado nos dias de hoje. Neste domínio, a área das tecnologias da informação pode ter um papel preponderante, estando ao serviço da humanidade. Nos dias de hoje, muitos são os idosos com problemas mentais, devido a diversos fatores, e que estão, em grande parte, praticamente dependentes das ajudas das suas famílias ou de alguma instituição, para que possam ter uma vida o mais normal possível [5].

Como podemos observar na Figura 1, este número preocupante de pessoas que já sofrem deste tipo de problemas tende a aumentar, ao longo dos anos, o que faz com que tenhamos que olhar, ainda com mais atenção para estes números, para que percebamos que alguma coisa tem de ser feita, a fim de fazer frente a este problema.

Fig. 1: O crescimento do número de pessoas com demência (em milhões) em países de elevado rendimento e de baixo e médio rendimento [6].

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Em função do referido anteriormente, podemos verificar que toda a ajuda que possamos dar pode tornar-se fulcral, tendo em vista a resolução, ainda que parcial, dos problemas dos portadores deste tipo de doenças. Neste sentido, talvez essas pessoas possam ter uma vida mais facilitada, juntamente com as suas famílias ou instituições que tenham pessoas com doenças mentais a seu cargo.

Assim, decidiu-se abordar este tema e explorar uma forma de ajudar as pessoas que se encontram nesta situação, contribuíndo, com este trabalho, para uma melhor localização e monitorização dos portadores deste género de doenças.

1.1 OBJETIVOS

O foco deste projecto é, tal como foi referido anteriormente, a criação de uma aplicação que possa vir a ser útil para o uso em pessoas com problemas mentais e degenerativos, através dos seus responsáveis, sejam eles familiares ou algum tipo de instituição onde o doente esteja internado, possibilitando desta forma um melhoramento do nível de vida, tanto da pessoa em questão como dos seus responsáveis. De referir então que o principal objetivo para a realização deste projeto foi o de obtermos uma aplicação que facilmente localize os idosos, enquanto estes se deslocam pela cidade, mesmo em situações em que o GPS não esteja disponível, de forma a que outras fontes, como é o caso do website criado para o efeito, ou outros dispositivos que enviem mensagem para o dispositivo, saibam qual a localização do seu familiar.

Importa ainda salientar que o dispositivo com a aplicação vai ser transportada pelos idosos, através da instalação da mesma nos seus dispositivos móveis, mas não serão necessáriamente estes que a irão usar, uma vez que um dos objetivos principais, aquando do desenvolvimento da mesma, foi a redução da necessidade de interação entre o utilizador final (idoso) e a aplicação, já que a mesma funcionará em background, sem que haja necessidade de interação com a mesma.

Tem-se então como principais objetivos para a realização deste projeto os seguinte pontos:

Estudar e analisar o problema de forma a percebê-lo, bem como à sua envolvente, delineando possíveis estratégias para a sua minimização;

Protótipo para utilização do GPS / Antenas GSM, obtendo informação do GPS do sistema e das antenas GSM a que os dispositivos estão ligados;

Desenvolver de um protótipo para envio de mensagens, protótipo este que servirá para detetar certas palavras que são previamente definidas, de modo a que consigamos dar respostas, consoante as mensagens de código enviadas;

Desenvolver uma base de dados que permita guardar a informação, em que, recorrendo ao uso do SQLite, se guarde toda a informação necessária;

Integração do RBC, em que, através deste, se pode estimar a localização aproximada de uma pessoa, mesmo que o dispositivo móvel que esta possui tenha perdido a ligação GPS.

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4 1.2 ENQUADRAMENTO TEÓRICO

Neste ponto importa salientar as pesquisas que foram efetuadas sobre o tema, antes do início do do estudo do mesmo. Quando se estava a iniciar este projeto, investigou-se bastante àcerca de aplicações que pudessem fazer algo com funcionalidades semelhantes ao projeto que se está a desenvolver. Pôde-se constatar que, apesar de existirem tais aplicações, como é o caso do life 360 [7] ou mesmo do familonet [8], estas abrangem outro tipo de público alvo que não as pessoas com problemas mentais ou degenerativos, sendo aplicações em que os utilizadores podem ser controlados através de perímetros definidos pela pessoa responvável, de forma a que, por exemplo, as crianças não possam sair de determinadas áreas.

Contudo, na pesquisa efetuada, não se encontrou nada que se dedicasse exclusivamente às pessoas com doenças mentais ou degenerativas, que em tanto poderia ajudar num melhor nível de vida, tanto das pessoas em questão, como dos responváveis por elas que, muitas vezes, têm verdadeiras preocupações, tendo a seu cargo doentes com este tipo de problemas [9]. Importa também salientar que na pesquisa prévia que foi efetuada, logo no ínicio do desenvolvimento deste projeto, não foi encontrada nenhuma solução existente que não dependesse, vitalmente, do GPS para o seu bom funcionamento.

Desta forma, resolveu-se então dedicar atenções, exclusivamente, a uma aplicação que ajudasse estas pessoas, para que se pudesse, de alguma forma, ajudar a combater este flagelo que, cada vez mais, afeta a nossa sociedade, através da aplicação dos conhecimentos obtidos em informática.

1.3 PROJETOS RELACIONADOS

Numa primeira fase da realização deste trabalho, pesquisaram-se alguns projetos que pudessem ser interessantes neste contexto.

Através da referida investigação, houve a oportunidade de constatar que existem projetos no mesmo contexto, mas com abordagens tecnológicas e público alvo diferentes.

Familonet – The Family Network

O Familonet foi um projeto criado em 2012 por três alemães, administradores da empresa com o mesmo nome, localizada em Hamburgo, no norte da Alemanha.

Este projeto visa ajudar a saber onde os membros da família se encontram. Esta é uma aplicação que usa o GPS, para saber onde a pessoa que está a usar a aplicação se encontra, usando também, caso o GPS falhe, a triangulação das antenas para obter a informação de posicionamento do utilizador.

Apesar de este ser um sistema bastante bem desenvolvido, e que, inclusive, já ganhou prémios em concursos, continua a ser, vitalmente, dependente da informação do GPS e da triangulação das antenas, o que, naturalmente, implica a obtenção de informações de três antenas distintas [8].

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5 Life360 – The New Family Circle

A Life360 é uma aplicação de localização baseada em serviços que, tal como o Familonet, ajuda os membros da família a partilharem a sua localização com outros membros da família, fazendo assim com que estes se sintam mais traquilos e seguros.

Apesar de, tal como o Familonet, ser uma aplicação bastante conceituada, e já com avultados lucros devido ao crescente uso da aplicação, é também uma aplicação que depende, vitalmente, do GPS e da triangulação das antenas para que o sistema funcione normalmente e possa ser útil para os utilizadores [7].

Find My Friends

A aplicação Find My Friends foi desenvolvida em 2011 pela empresa norte americana Apple Inc.

para o sistema operativo móvel IOS.

Bastante semelhante às aplicações mencionadas nos pontos anteriores, esta aplicação serve para podermos localizar pessoas que estejam na nossa rede de amigos, usando para o efeito o GPS sempre que os dispositivos dos utilizadores tenham os serviços de localização ligados [10].

Glympse

Quanto à Glympse, trata-se de uma aplicação para smartphones onde os utilizadores podem seguir outras pessoas e ver a sua localização no mapa, em tempo real.

Também muito parecida com as anteriores, esta aplicação tem como principal função o tracking de pessoas, em tempo real [11].

1.3.1 CONCLUSÕES

Podemos então concluir que, apesar de serem várias as aplicações que têm como principal funcionalidade o tracking de pessoas em tempo real, nenhuma delas fornece um serviço híbrido, que combine o uso do GPS com qualquer outra técnica que permita a obtenção de informação em caso de falha do GPS, o que nos revela que este pode ser um aspeto a explorar neste tipo de aplicações, para que, se possa aumentar a eficácia das mesmas.

Apesar de algumas destas aplicações não dependerem vitalmente do uso do GPS, pois usam a triangulação das antenas das operadoras móveis, nenhuma delas usa um sistema tão eficaz e inovador, pois estas, em caso de falha de conexão com o GPS, precisam sempre de informações recolhidas em três antenas que rodeiem o dispositivo, ao contrário da implementação do raciocínio baseado em casos que é proposta para este caso específico, que pode recolher informações, independentemente do número de antenas a que tem acesso, sejam uma, duas, três ou “n” antenas.

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6 1.4 METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO

Para conseguir alcançar todos os objetivos propostos anteriormente, foram tidos em conta alguns pontos que se consideram fulcrais para o seu bom desenvolvimento.

Em primeiro lugar, começou-se pela identificação do problema, e de que modo é que o podemos resolver, utilizando para o efeito as tecnologias da informação.

Depois de analisado o problema, passou-se então para o seu desenvolvimento, e, uma vez em funcionamento os módulos de GSM e de GPS, recolheu-se o máximo de informações possíveis, através da recolha de dados por parte de utilizadores aos quais se pediu para instalarem no seu dispositivo móvel a aplicação em questão, para que se pudesse recolher dados dos mais diversos pontos geográficos possíveis, a fim de poderem servir como base. Posteriormente, passou-se então para o desenvolvimento do módulo de raciocínio baseado em casos.

O raciocínio baseado em casos é a extração do conhecimento baseado em experiências obtidas pelo sistema, através das várias utilizações. Identifica os pontos mais importantes dos casos de uso apresentados e memoriza-os, de forma a tornar-se, casa vez mais “inteligente,” ao ponto de nos conseguir devolver respostas baseadas em experiências anteriores.

Investigou-se então acerca do raciocínio baseado em casos, para que o pudesse aplicar a este projeto, de modo a que o dispositivo conseguisse “aprender” através das várias coordenadas que recebe quando está em utilização. Desta forma, mesmo que o utilizador não disponha de GPS, o sistema poderá responder, através do conhecimento adquirido com as várias utilizações.

Depois de aplicado o raciocínio baseado em casos, partiu-se então para a investigação sobre como conseguir filtrar o conteúdo de uma mensagem recebida num dispositivo móvel, de forma a que possamos identificar códigos dentro de uma mensagem, e através dessa mesma identificação possamos automaticamente responder. Esta resposta será prédefinida, e, neste caso, será a localização, incluíndo a rua e as coordenadas em que o utilizador se encontra, no preciso momento em que recebe a mensagem.

Através do referido anteriormente, podem então resumir-se quatro etapas definidas para a investigação:

Especificação do problema e análise das suas caracteristicas;

Idealização e desenvolvimento do modelo de projeto proposto;

Experimentação intensiva do protótipo desenvolvido para o uso do RBC;

Análise dos resultados e desenvolvimento das respetivas conclusões para o melhoramento do funcionamento da aplicação.

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7 1.5 ESTRUTURA DO DOCUMENTO

Este documento está organizado da seguinte forma: numa primeira fase, pode encontrar-se uma descrição sucinta do que é o Global Positioning System, mundialmente conhecido por GPS, para que se possa perceber melhor o que é, e como pode ser utilizado atualmente, como sistema de tracking de pessoas.

De seguida, passou-se então para outro ponto muito importante no desenvolvimento deste projeto, sendo mesmo o ponto fulcral do seu desenvolvimento, uma vez que se trata do aspeto que vai realmente trazer algo de inovador ao trabalho, comparativamente com projetos já existentes, mais propriamente, a Inteligência Artificial, em que, numa primeira fase, pode ser encontrada uma breve descrição, para que se possa perceber um pouco mais sobre esta matéria. Numa segunda fase, abordamos então um subcapítulo da Inteligência Artifical, em que se trata do Raciocínio Baseado em Casos.

Nesta fase de estudo do RBC, pode ser encontrada uma explicação sobre a temática desenvolvida e ainda como podemos aplicar o Raciocínio Baseado em Casos na saúde, o que nos remete para o ponto chave deste projeto, uma vez que o mesmo foi aplicado a este trabalho.

Numa fase posterior, passamos então para a descrição da arquitetura do sistema, para que o leitor possa perceber de que forma é que este está estruturado para que possa funcionar corretamente, e como os diferentes módulos se vão interligar, para que possamos obter o resultado final esperado.

De seguida, passamos a explicar como funciona o sistema propriamente dito, em que situações pode ser aplicado, e quais as vantagens e desvantagens deste sistema relativamente a outros que não usam o Raciocínio Baseado em Casos.

Posteriormente, é explicado como funciona um dos serviços extra que está implementado na aplicação até ao momento, que se trata do serviço de envio de mensagens. Neste ponto, pode-se perceber melhor como funciona, existindo também pequenos excertos de código, para que se possa perceber, em termos técnicos, como é que este serviço foi desenvolvido.

No capítulo seguinte, é explicado quais as tecnologias e plataformas utilizadas no decorrer do desenvolvimento deste projeto, existindo também neste capítulo pequenos excertos de código associados às linguagens de programação utilizadas, para que se possa perceber um pouco como são implementadas e estruturadas.

Já numa fase final deste documento, é apresentada a calendarização do projeto, ou seja, quais as etapas que foram precisas definir para que todos os objetivos fossem atingidos de forma organizada, e se obtivéssem os resultados esperados.

Os resultados, são então o ponto de que falamos de seguida, antes de serem apresentadas as conclusões e o trabalho que se pretende implementar num futuro próximo, sendo este o último ponto que o leitor pode encontrar no desenvolvimento deste projeto.

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2. Global Positioning System

2.1 O QUE É O GLOBAL POSITIONING SYSTEM?

Popularmente conhecido como Global Positioning System, este é um sistema de navegação por satélite desenvolvido pelo Ministério da Defesa dos Estados Unidos da América. É um sistema de navegação por satélite com um aparelho móvel que envia informações sobre uma determinada posição.

O GPS é muito utilizado na aviação e na navegação marítima, mas é também muito utilizado por milhões de pessoas, que querem saber a sua posição actual, principalmente para viajar. O GPS tem como principais funcionalidades encontrar o caminho para um determinado local, saber a velocidade e a direção em que se desloca. Atualmente, o sistema está a ser muito utilizado em automóveis, com um sistema integrado de mapas, mas a grande ascensão na sua utilização está nos dispositivos móveis que já incluem na sua grande maioria esta funcionalidade [12].

Fig. 2: Global Positioning System [13].

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10 2.2 COMO FUNCIONA O GPS?

O sistema GPS funciona a partir de uma rede de 24 satélites que estão distribuídos em seis planos, próximos da órbita do planeta terra. Estes referidos satélites enviam informações, que são posteriormente interpretadas pelos aparelhos GPS, indicando então o seu posicionamento atual.Tanto os satélites como os receptores de sinal GPS, possuem um relógio interno que marca as horas com alta precisão em nano segundos, e quando o satélite emite o sinal para o receptor, o horário em que este é emitido também vai junto com as informações enviadas [14].

O envio destas informações ocorre de forma frequente, enviando-as através de sinal de rádio, que viaja a uma velocidade de 300 mil quilómetros por segundo, ou seja, à velocidade da luz. De seguida, o receptor GPS calcula quantos nano segundos o sinal demorou a chegar até ele, conseguindo assim descobrir a posição exata onde se encontra o receptor de GPS [15]. Como o sinal é enviado constantemente pelo satélite, a posição exata do receptor de GPS está a ser calculada constantemente, conseguindo assim saber a todo o momento onde este se encontra, obtendo esse resultado com uma margem de erro, que pode variar tendo em conta diversos fatores, que podem influenciar a exatidão com que este resultado é apresentado[16].

2.2.1 O SISTEMA DE TRIÂNGULAÇÃO DE ANTENAS

Quando queremos localizar alguém através do sinal que determinado dispositivo emite, a ligação do mesmo apenas com uma antena é manifestamente insuficiente, abrangendo apenas uma área relativa a 120 graus.

As antenas para captação de sinal são sempre colocadas estrategicamente em forma de triângulo, fazendo com que cada um dos três conjuntos de antenas cubra uma área equivalente a 120 graus, sendo os três sectores designados como α, β, γ, como podemos observar na Figura 3.

Em cada sector, a torre pode calcular a distância entre si e o dispositivo, utilizando para o efeito a força e o tempo de transmissão do sinal.

Tendo então em conta a emissão de sinal por parte do mesmo, efetuando os cálculos, estes dizem- nos que o dispositivo se encontra dentro da zona preenchida a amarelo.

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Fig. 3: Sistema de localização com uma antena [18].

No entanto, se forem usadas duas antenas para obtenção desse sinal o funcionamento do sistema de localização melhora bastante, e a exatidão de localização do dispositivo é consideravelmente maior do que se estivermos apenas a ter em conta uma torre. Como podemos ver na Figura 4, existem duas torres representadas a laranja e a azul, estas indicam que o sinal provém de aproximadamente 4 milhas da torre laranja, dentro do sector γ, e de apróximadamente 5 milhas da torre azul, dentro do sector α. Isto significa que o ponto onde se encontrará o dispositivo que emite o sinal se situará no centro entre a interseção [18].

Fig. 4: Sistema de localização baseado em duas antenas [18].

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No caso da existência de uma terceira antena, conseguimos então usar o sistema mais preciso, que consiste na aplicação da chamada triângulação de antenas, sendo que para que este sistema possa ser aplicado, precisamos ter em conta que o dispositivo necessita de estar ligado às três antenas em simultâneo, como pode ser exemplificado na Figura 5.

Apesar das antenas serem sempre colocadas em forma de triângulo para que este método possa ser aplicado, este sistema será sempre mais eficaz em meios urbanos, onde as antenas são colocadas a uma menor distância entre si, ao contrário do que acontece em meios rurais, em que as antenas estão a uma maior distância entre si, fazendo com que a precisão baixe, em relação a áreas urbanas [18].

Para concluir, importa referir que a inexistência de uma terceira antena implica a impossibilidade de utilização de sistemas baseados em triângulação de antenas.

Fig. 5: Sistema de localização baseado em três antenas [18].

2.3 – O GPS COMO SISTEMA DE “TRACKING” DE PESSOAS

O GPS (Global Positioning System) está cada vez mais presente nas nossas vidas, pois, diariamente lidamos com equipamento electrónico que inclui esta tecnologia, seja nos nosso automóveis, seja no nosso smartphone.

O GPS tem uma enorme potencialidade, como já foi referido anteriormente, e uma das grande potencialidades desta tecnologia é o facto de podermos fazer tracking de pessoas, ou seja, monitorizarmos pessoas através do seu uso. Já diversos sistemas o fazem, na sua grande maioria sistemas de apoio familiar, servindo como um meio para que os cuidadores se sintam mais seguros com os seus familiares mais próximos, em especial as crianças.

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Fig. 6: Funcionamento do GPS [19].

Tendo o utilizador um dispositivo com GPS integrado, este pode ser monitorizado através de outro dispositivo, seja um dispositivo móvel ou até mesmo um simples computador, onde possamos visualizar a informação recebida, através de um site. Apesar de ser uma forma bastante interessante de usar o GPS, ou seja, este não servirá apenas para ajudar na localização própria, mas também para ajudar na localização de outras pessoas, através da interação entre dispositivos, este método tem algumas desvantagens, como por exemplo a duração limitada das baterias dos telemóveis, que, com o GPS ligado tendem a ser ainda mais reduzidas, pois este é um sistema que consome alguns recursos ao dispositivos, fazendo com que a sua bateria se esgote mais rapidamente.

Outro dos factores pelo qual este método poderia ser limitado, tem a ver com a utilização do mesmo em meios densamente povoados, e onde os altos edifícios são uma constante, e que, normalmente, atrapalham bastante o bom funcionamente deste sistema, pois o seu sinal pode falhar, com alguma frequência, em sistuações destas. Outro dos fatores que podemos também referir é o das condições atmosféricas, pois em caso de condições atmosféricas adversas, estes sistemas tendem a falhar, fazendo com que se perca o sinal GPS e, consequentemente, a localização do dispositivo, o que, em caso de monitorização de pessoas, poderia ser bastante preocupante.

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3. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

3.1 O QUE É A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?

A Inteligência Artificial (IA) é um ramo das tecnologias da informação que se propõe elaborar dispositivos e funcionalidades que simulem a capacidade humana de raciocinar, perceber, decidir e resolver problemas, tendo, resumidamente, a capacidade de ser inteligentes [20].

Existente há décadas, esta área da ciência é muito impulsionada pelo rápido desenvolvimento da informática e da computação, permitindo que novos elementos sejam rapidamente agregados à Inteligência Artificial [21].

Aplicando esta ciência às tecnologias que desenvolvemos nos dias de hoje, podemos fazer com que pensem e ajam exactamente como nós, aprendendo da mesma forma que o ser humano aprende a realizar certas tarefas [22].

3.2 RACIOCÍNIO BASEADO EM CASOS

O Raciocínio Baseado em Casos (RBC) é uma técnica que procura resolver novos problemas usando soluções utilizadas para resolver problemas anteriores, sendo que foi em 1983 que Janet Kolodner desenvolveu o primeiro sistema RBC (Cyrus), sistema este baseado num modelo de memória dinâmica, que serviu de exemplo para, posteriormente, se criarem novos modelos de RBC.

A ideia de um sistema de RBC é que, os problemas que precisamos resolver tendem a ser recorrentes e repetem-se, com pequenas alterações.

Podemos então referir que o raciocínio baseado em casos é uma metodologia que serve tanto para raciocínio, como para aprendizagem. Serve para raciocínio porque utiliza casos para ajudar a interpretar

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novos problemas, e serve para aprendizagem pela necessidade constante que existe de armazenar novos casos realizados [23].

Em suma, o raciocínio baseado em casos pode significar adaptar soluções antigas para explicar soluções atuais, usar casos antigos para criticar soluções atuais ou utilizar raciocínios anteriores para interpretar situações do presente [24].

Fig. 7: Ciclo de vida do raciocínio baseado em casos [25].

O funcionamento de um sistema baseado em casos pode ser dividido em quatro fases distintas:

recuperação, reutilização, revisão e retenção.

Relativamente à primeira fase, ou seja, a recuperação, esta refere-se ao momento em que o sistema se depara com um novo problema, e que tem que existir uma recuperação de casos antigos que possam ser usados, para ajudar na resolução deste novo problema.

Nesta fase, o problema é analisado e os casos que são considerados relevantes são retirados, se possível de acordo com a taxa de similaridade com o problema em questão. O tipo de similaridade depende do tipo de problema que está a ser analisado, mas, regra geral, consiste na diferença das somas dos atributos que caracterizam cada caso.

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Quanto à fase seguinte, a reutilização, esta refere-se à adaptação de problemas antigos para resolução dos problemas atuais, ou seja, a tarefa de procurar e encontrar um caso semelhante ao atual, para que possa ser usado como solução [33].

Relativamente à terceira fase, a revisão, tem a ver com a identificação de uma solução antiga que não pode ser aplicada na íntegra ao novo problema, tendo que se efectuar uma triagem entre as informações semelhantes que podem ser aproveitadas para o novo problema e as informações que são descartáveis.

A quarta e última fase, que diz respeito à retenção, tem a ver com o armazenamento de informações importantes a serem utilizadas, em casos posteriores.

3.3 RACIOCÍNIO BASEADO EM CASOS APLICADO À SAÚDE

Falamos agora sobre o raciocínio baseado em casos aplicado à saúde, que é um dos pontos mais importantes deste trabalho. De acordo com o que referimos anteriormente, o RBC, pode ser aplicado quando queremos usar casos passados, para resolver situações atuais. Desde que foi criado pela primeira vez este modelo, em 1983, já diversos projetos utilizaram este tipo de técnica como base, na tentativa de obter uma solução para os problemas encontrados. Por exemplo o Persuader [26], criado em 1987, propunha soluções para resolução de conflitos entre patrão e empregado, utilizando para o efeito contratos elaborados por outras empresas. Estando então a ser abordado um tema relacionado com a saúde, podemos referir, para o efeito, a criação do sistema de RBC chamado Casey [27] ainda no ano de 1989, sistema este que diagnostica problemas cardíacos em pacientes, tendo em conta outros pacientes com sintomas semelhantes. Já mais recentemente, e já com outros recursos tecnológicos que não existiam no ano de 1989, outros projetos ligados à saúde aplicaram esta técnica, mostrando com isso que é uma técnica ainda em constante evolução e que é realmente importante, cada vez mais, ter em conta. Exemplo disso é a utilização do RBC nos seguintes projetos relacionados com a saúde:

FM-Ultranet – projeto que consiste na deteção de mal formações e anomalias no feto, através de exames feitos ao útero das mães;

Care-Partner – este projeto está relacionado com doentes com cancro, mais especificamente no transplante de células;

ExpressionCBR – projeto relacionado com o diagnóstico e classificação do tipo de cancro;

geneCBR – tal como o anterior, o tema deste projeto incide sobre o diagnóstico e classificação dos tipos de cancro;

Type-1diabetes – este projeto está relacionado com o planeamento do tratamento de pessoas com diabetes;

Radiotherapy Planning – projeto relacionado com o planeamento do tratamento do cancro da próstata, através da utilização da radioterapia;

Multiple Sclerosis Disease – projeto ligado ao diagnóstico de casos de esclorose lateral múltipla;

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Hepatitis – o Hepatitis está relacionado com o diagnóstico de doentes com hepatite;

Stress Management – este sistema diz respeito ao diagnóstico, classificação e planeamento de doenças relacionadas com o stress.

O RBC é então, como se constata, muito utilizado em aplicações de saúde e bem estar nas quais há situações que se repetem do passado com alguma frequência. O mesmo acontece no problema da localização visto que as pessoas, com frequência, se deslocam pelos mesmos sítios, sítios esses que terão características similares em termos de cobertura de rede das diferentes antenas que as rodeiam. Foram estas as razões que conduziram à utilização de um mecanismo de RBC na implementação deste trabalho.

3.4 DESENVOLVIMENTO DE UM SISTEMA DE RBC 3.4.1 AQUISIÇÃO E REPRESENTAÇÃO DOS CASOS

A aquisição e representação de casos representa todo um conjunto de informações recebidas que têm impacto direto na solução de determinada situação. Os casos podem representar informações muito distintas, porém, todos os casos registados referem-se a experiências reais registadas no passado, que podem, ou não, ser úteis para resolver situações presentes [28]. Porém, esta é uma tarefa que pode tornar-se complexa, como podemos ver de seguida, nos pontos apresentados.

Os casos não estão disponíveis numa fonte externa:

o Isto significa que, apesar de serem casos que realmente aconteceram, as suas descrições e os seus detalhes podem não estar disponíveis em nenhum tipo de registo.

Os casos estão semi-disponíveis numa fonte externa:

o Existem registos dos casos, mas esse mesmo registo pode ser incompleto, o que pode levar a que a sua aplicação, no caso em questão, não seja imediata. É no fundo, uma situação em que existem dados sobre o caso que podem ser muito importantes para a utilização do RBC e obtenção de um resultado final que não foram inseridos, aquando da obtenção do registo.

Os casos estão disponíveis mas contêm erros:

o Os casos estão registado de forma completa, ou seja, com todos os dados necessários inseridos, mas o valor que estes têm não é o correto, fazendo com que não seja possível usar este caso, quando aplicado o RBC.

Os casos estão disponíveis e corretos:

o Esta é uma situação menos comum e que ocorre, regra geral, quando estamos a abordar domínios com dimensão reduzida, ou seja, uma solução que contém poucos casos para análise.

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Uma vez recolhidos os dados, é necessário tratar a forma como esses dados vão ser apresentados.

Um caso pode ser dividido em três partes distintas, o problema, a solução e a avaliação da solução.

Relativamente ao problema, este é referido com toda a sua envolvência, a solução representa uma sequência de passos, procedimentos ou um diagnóstico que deve ser feito, tendo em conta o tipo de problema com que nos deparamos. Já a terceira e última parte tem a ver com a descrição do problema, depois de aplicada a solução, de forma a que se possa utilizar este caso para resolução de casos futuros.

3.4.2 INDEXAÇÃO DOS CASOS

Quanto à indexação dos casos, esta tem a ver com a atribuição de índices, de forma a que a pesquisa futura por casos semelhantes se torne mais simples e rápida. É uma situação que pode ser comparada com um simples índíce de um livro, que serve para que o leitor tenha uma maior facilidade na procura de certos temas dentro dele. No caso do raciocínio baseado em casos, a situação é semelhante, porque na existência de um número elevado de casos, essa procura podia-se tornar muito complicada, se não existissem índices de procura [29].

Existem algumas qualidades a ter em conta para criarmos uma boa indexação de casos:

Prever a futura utilização da informação para solução de diferentes problemas;

Relacionar as parecenças entre os casos;

Ser abstrato, o suficiente, para que seja útil num leque maior de casos;

Ser concreto, para que possa ser mais facilmente reconhecido e utilizado em situações futuras.

3.4.3 RECUPERAÇÃO

Esta é a fase que diz respeito à aplicação do caso que mais se adequar à situação em questão. O sistema procura, na base de dados existentes, qual a situação que mais ligações pode ter com o caso atual, e aplica-o, de forma a encontrar uma solução para o problema atual [30].

Exemplo de algoritmo para recuperação de casos:

Nearest Neighbour

Este algorítmo encontra na base de dados os casos que mais se pareçam com o novo caso, tendo em conta as caracteristicas de cada caso estudado.

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20 Método de Cálculo:

Exemplo para tipo numérico:

a1 = 40 a2 = 80

sim(a1,a2) = 1 - |a2 – a1| / (max – min)

Supondo que min = 0 e max = 100:

Sim(40,80) = 1 - |80 – 40| / (100 – 0) = 0,6 Exemplos para strings:

Cores = {Branco, Amarelo, Vermelho, Marrom, Preto}

a1 = Branco a2 = Amarelo Opção 1:

Opção 2: enumerar distância uniformemente

a1 = Branco a2 = Amarelo

sim(a1,a2) = 1 - |0,25 – 0| / 1 = 0,75

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21 Opção 3: criar matriz de similaridades

a1 = Branco

a2 = Amarelo sim(a1,a2) = 0,8

3.4.4 ADAPTAÇÃO

Pode-se então dizer que o objetivo final do uso do raciocínio baseado em casos é adaptar a solução associada a um caso que foi previamente recuperado, a fim de resolver as necessidades do problema atual.

Quando um problema é reportado, ou seja, quando existe necessidade de encontrar solução para um problema novo, o algorítmo de recuperação procura encontrar o caso anterior que mais se possa associar ao novo problema, o que não quer dizer que o caso encontrado não tenha algumas diferenças relativamente ao novo.

Nesta situação, o que o algoritmo do processo de adaptação faz é tentar aplicar regras, de forma a tentar compensar essas diferenças entre as duas situações [31].

Os tipos de métodos e estratégias de adaptação podem ser classificadas como:

Adaptação por substituição

Adaptação por transformação

Outros métodos (usados para realizar alterações estruturais não abrangidas por outros métodos) Adaptação por Substituição:

Este primeiro método consiste na instanciação de soluções antigas com valores que possam ser substituíveis, como o exemplificado no seguinte esquema [32]:

Fig. 8: Adaptação por substituição [32].

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22

Este tipo de método de adaptação só pode ser aplicado se houver uma hierarquia ou qualquer outra forma de descrever o problema que nos possibilite a troca de elementos.

Adaptação por Transformação:

Relativamente a este método, podemos dizer que funciona a partir da transformação de uma antiga solução em outra, adequada à nova situação.

3.5 CONCLUSÃO

Através do que foi mencionado anteriormente, podemos então concluir que o RBC nos traz várias vantagens, como por exemplo a avaliação de soluções, quando outras se encontram limitadas, como é o caso do GPS, relembrar experiências que nos podem alertar para algo que tenha corrido mal no passado, ou mesmo apontar-nos partes importantes do problema.

Outras das vantagens da aplicação do Raciocínio Baseado em Casos é a construção de um protótipo, antes de obter a completa estruturação do domínio, a diminuição da necessidade de aquisição de conhecimento e a aprendizagem automática de novos casos.

Como tudo, esta técnica também tem as suas desvantagens associadas, nomeadamente a dificuldade em obter casos disponíveis e confiáveis, o facto de não cobrir todo o domínio, de não existirem bons algorítmos de adaptação e a exigência de mais espaço para armazenamento, são outras das desvantagens associadas à aplicação da técnica de raciocínio baseado em casos.

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4. DESCRIÇÃO DO SISTEMA

4.1 ARQUITETURA DO SISTEMA

Como podemos verificar na Figura 9, o sistema pode ser dividido em duas partes distintas, uma que diz respeito à plataforma web, e outra referente à aplicação mobile. Estas duas componentes distintas, que se completam para a obtenção de um melhor resultado final, foram criadas em constante sintonia entre as duas partes, sendo que toda a parte mobile precisa do website para que possam ser visualizados os dados e se possa localizar o idoso. Por sua vez, o website necessita da aplicação móvel para que possa receber toda a informação necessária acerca da localização do idoso.

Fig. 9: Interacção entre os diferentes módulos que compoem o sistema.

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No que diz respeito à aplicação mobile, desenvolvida para o sistema operativo móvel Android, esta usa primeiramente o sistema GPS para tentar determinar a posição do utilizador, e, em caso de falha do mesmo, que pode acontecer por diversos motivos, sejam climatéricos ou mesmo geográficos, a aplicação vai passar então para o uso do raciocínio baseado em casos. Tal como já foi referido anteriormente, o raciocínio baseado em casos precisa de obter informações das antenas às quais o dispositivo está ligado, seja uma, duas, ou n antenas.

Tal como podemos verificar na Figura 9, a aplicação usa também uma API externa, que contém serviços que são usados pela aplicação, e, contém também, tal como a aplicação, um módulo de raciocínio baseado em casos.

Para que se possa perceber melhor o porquê de existirem dois módulos distintos do raciocínio baseado em casos, pode referir-se que a base de casos local contém apenas dados do próprio utilizador do dispositivo, e será utilizada como um primeiro recurso para estimar a localização, uma vez que o utilizador, com frequência, se vai deslocar pelas mesmas zonas. Já a base de casos externa apenas será utilizada quando, localmente, não existirem dados que permitam dar uma resposta acerca da localização do utilizador. Esta base de dados externa, poderá então fornecer uma quantidade muito maior de dados, pois recebe informações de todos os dispositivos que usarem a aplicação. Importa referir também que a aplicação contém, logicamente, uma base de dados para que as informações possam ser guardadas, para posterior utilização.

Por último, importa salientar ainda que a aplicação móvel é suportada por uma aplicação web, que recolhe todas as informações enviadas pelos dispositivos móveis, a fim de estas poderem ser apresentadas ao utilizador que precisa de obter informações de localização da pessoa em questão, para que este possa interagir de forma mais adequada. Em suma, foram estas as tecnologias e ambientes mais utilizados para o desenvolvimento deste projeto.

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25 4.2 FUNCIONAMENTO

Fig. 10: Funcionamento do sistema.

O anterior cenário representado na Figura 10 serve para esclarecer e representar a importância de um sistema como o que foi desenvolvido, ou seja, retrata, numa primeira fase, o uso de um sistema baseado apenas em GPS, que, por vários fatores, pode falhar, sejam eles físicos, como a cada vez maior existência de prédios altos ou mesmo árvores de grande porte, que em muitos casos impossibilitam a captação de sinal GPS por parte dos dispositivos móveis, sejam eles fatores metereológicos adversos, que podem também causar a frequente perda de sinal GPS por parte dos dispositivos, já que estes dependem, vitalmente, da utilização do sinal GPS para que a aplicação de tracking possa ser utilizada, de forma eficiente.

Então, a fim de se conseguir resolver esta situação, a ideia consiste em criar um sistema híbrido, que possa usar não só as informações recolhidas através do uso do GPS, mas também a informação recolhida através do uso das antenas das operadoras móveis, conseguindo, com isso, aplicar o Raciocínio Baseado em Casos.

4.2.1 VANTAGENS

Este tipo de alteração ao serviço traz-nos diversas vantagens associadas, visto que passa a ser um sistema híbrido, ou seja, agrupando o tracking via GPS com o tracking via raciocínio baseado em casos, com a utilização de técnicas de inteligência artificial, não dependendo, vitalmente, do bom funcionamento do sistema GPS.

Referências

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