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Brazil. J. Polit. Econ. vol.30 número2

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Academic year: 2018

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Revista de Economia Política 30 (2), 2010 357 O livro O Processo de Substituição de

Im-portações, de autoria de Pedro Cezar Dutra Fon-seca, professor titular do departamento de Ciên-cias Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), bolsista de produtivida-de do Conselho Nacional produtivida-de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e renomado pes-quisador de Economia Brasileira, faz parte da co-leção Série Econômica de Bolso da Editora LTC, organizada pelo historiador e professor Luiz Eduardo Simões de Souza.

O objetivo do livro de Fonseca é apresentar, de maneira didática e concisa, o processo de subs-tituição de importações, que teve origem no Brasil com o Governo Vargas. Nesse sentido, o livro está organizado em três capítulos: a controvérsia sobre as origens da substituição de importações; a subs-tituição de importação como modelo de industria-lização e o processo de substituição de importa-ções na era de Vargas.

No capítulo A Controvérsia Sobre as Ori-gens da Substituição de Importações, Fonseca es-boça o que foi o processo de substituição de im-portações que teve início no Brasil com Getulio Vargas, quando o governo começou a comprar o excedente de café do setor cafeeiro, somado com impostos sobre as exportações e destruição do ex-cedente, o que acarretou, gradativamente, a mu-dança do centro dinâmico da Economia Brasileira. O processo de substituição de importações pode ser caracterizado por uma industrialização fecha-da, ou seja, ser voltada para dentro visando prio-ritariamente o mercado interno e dependente de políticas governamentais que protegessem a

indús-tria nacional em relação aos seus concorrentes in-ternacionais. Ainda nesse capítulo, o autor faz al-gumas discussões, alicerçado em vários teóricos da Economia Brasileira, sobre os mecanismos de po-lítica econômica que foram adotados por Vargas.

No segundo capítulo, A Substituição de Im-portação como Modelo de Industrialização, o au-tor discute o modelo de desenvolvimento apre-goado pela Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), ou seja, mostra que a periferia, ao especializar-se na exportação de produtos pri-mários associados à baixa elasticidade-renda nos países do centro, determinava que o crescimento do produto nos últimos não se traduzia em uma paralela elevação da demanda de importações da periferia. Esse fator, aliado à incapacidade em reter os ganhos de produtividade, constitui a base da teoria estruturalista da deterioração dos termos de intercâmbio, na qual fica explícito que o progresso tecnológico na periferia traz, como resultado, uma transferência de renda, via comércio, das regiões subdesenvolvidas em direção ao centro, contra-pondo-se, assim, à teoria tradicional das Vantagens Comparativas. Nesse contexto, a CEPAL propõe um novo modelo de desenvolvimento econômico alicerçado no setor industrial. Inicia-se, assim, o processo de substituição de importações, que é fei-to por fases a saber: bens de consumo não durá-veis; bens de consumos duráveis, bens intermediá-rios e bens de capital. O autor, ainda nesse capítulo, apresenta algumas críticas a esse modelo, merecendo destaque a teoria do bolo, que apre-goava que é preciso aumentar a renda para depois distribuí-la, a qual corroborou para o aumento das

Revista de Economia Política, vol. 30, nº 2 (118), pp. 357-358, abril-junho/2010

Resenha

O processo de substituição de importações

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Revista de Economia Política 30 (2), 2010 358

desigualdades sociais, e a teoria da dependência proposta por Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto, inspirados em Max Weber e Karl Max, que criticaram a teoria da CEPAL por negligencia-rem as variáveis políticas em suas análises.

Por fim, depois de apresentar o modelo e as teses que o defenderam e o criticaram, o capítulo O processo de Substituição de Importações na Era de Vargas volta-se ao processo histórico concreto e centra-se nas políticas e ações governamentais, com Vargas à frente, em seus dois governos, per-sonagem singular para entender o processo do desenvolvimento econômico brasileiro. Neste ca-pítulo, o autor discute, como já tinha feito ante-riormente no já clássico “Vargas: o capitalismo em construção” (1989) e no artigo “Sobre a Intencio-nalidade da Política Industrializante do Brasil na Década de 1930”, Revista de Economia Política, v. 23, n. 1, 2003, que Vargas, ao iniciar a mudan-ça do centro dinâmico do setor cafeeiro para o setor industrial, fez isso intencionalmente, ao con-trário do que argumentavam pensadores como Celso Furtado. Para comprovar isso, o autor des-tacou algumas ações do governo, tais como a re-forma tributária de 1934, de caráter protecionista; o aumento de créditos ao setor industrial; a

cria-ção de diversos órgãos voltados à diversificacria-ção agrícola e ao beneficiamento da agroindústria; e a legislação trabalhista. Outro ponto que merece destaque é que Vargas, para viabilizar o processo de substituição de importações, não isolou o setor primário das atividades econômicas, mas fez com que tivesse novas funções, como produzir maté-rias-primas, ser mercado consumidor aos produtos industrializados, gerador de divisas para compra de máquinas e insumos necessários a indústria, dentre outros. Termina o capítulo com o naciona-lismo exacerbado da última fase do governo Var-gas, até os últimos acontecimentos que acarreta-ram o enlace final de seu governo.

Enfim, o livro de Fonseca deve ser saudado pela academia, pois é mais uma contribuição des-te eminendes-te pesquisador para análise e compreen-são do processo de substituição de importação, tema sempre pertinente para compreender, com acuidade, as origens do desenvolvimentismo bra-sileiro.

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