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J. bras. pneumol. vol.43 número3

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Academic year: 2018

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ISSN 1806-3713 © 2017 Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia

http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37562017000000170

Análise de subgrupos e testes de interação:

por que são importantes e como evitar

erros comuns

Juliana Carvalho Ferreira

1,2

, Cecilia Maria Patino

1,3

1. Methods in Epidemiologic, Clinical, and Operations Research – MECOR – program, American Thoracic Society/Asociación Latinoamericana del Tórax, Montevideo, Uruguay.

2. Divisão de Pneumologia, Instituto do Coração – InCor – Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil. 3. Department of Preventive Medicine, Keck School of Medicine, University of Southern California, Los Angeles, CA, USA.

Um ensaio clínico randomizado foi conduzido para comparar o efeito da vitamina C vs. placebo na melhora da função pulmonar em recém-nascidos de fumantes grávidas; e para testar se esse efeito diferiu pelo genótipo materno.(1) A vitamina C melhorou a função pulmonar em recém-nascidos em comparação com o placebo (relação TPTEF:TE 0,383 vs. 0,345; p = 0,006); e este efeito foi mais forte em recém-nascidos com mães com um genótipo especíico (p-interação < 0,001).(1)

CONTEXTO

Ao realizar ensaios clínicos, os investigadores examinam o efeito das intervenções sobre os desfechos na população estudada e muitas vezes em subgrupos de pacientes deinidos pelas características basais (por ex., dados demográicos, fatores prognósticos). O objetivo é entender se a magnitude do efeito da intervenção difere nas categorias de um subgrupo; em nosso exemplo, os subgrupos de genótipos. Se o efeito for diferente nos subgrupos, chamamos isso de efeito modiicador da intervenção no desfecho, devido à presença adicional da variável do subgrupo. Geralmente realizamos um teste de interação, usando modelos multivariados, para avaliar diferenças de subgrupo estatisticamente signiicantes. Se o valor de p for signiicativo, concluímos que o efeito da intervenção no desfecho difere nos subgrupos, em nosso exemplo, o genótipo materno.

Compreender os efeitos do tratamento em subgrupos de pacientes é importante porque ajuda a identiicar grupos de pacientes que respondem melhor ou pior à intervenção. No entanto, as análises de subgrupos devem ser feitas com cautela para evitar erros comuns que resultam em achados falso-negativos ou positivos, especialmente quando não são pré-especiicados no plano de análise antes de iniciar o estudo. Um erro comum é comparar o efeito do tratamento no desfecho separadamente em cada subgrupo. Por exemplo, comparar o efeito da vitamina C vs. placebo na função pulmonar em recém-nascidos entre mães com um genótipo e, em seguida, separadamente entre as mães com outro genótipo. Esta abordagem é incorreta porque leva a testes múltiplos, o que signiica que, em vez de usar apenas um cálculo para testar as diferenças de efeito entre subgrupos (p para interação em grupos de genótipos em nosso exemplo), usamos dois ou mais cálculos diferentes para cada análise de subgrupos. Toda vez que adicionamos um cálculo, já não podemos usar o nível de signiicância padrão de p < 0,05. Neste caso, uma vez que existem dois

cálculos, precisamos dividir o valor de p por 2 e usar p < 0,025 como o nível de signiicância.(2) Assim, nós iríamos superestimar as diferenças de subgrupos se mantivéssemos o nível de signiicância em 0,05. Outro desaio com a análise de subgrupos é que os resultados podem sugerir que existem diferenças entre subgrupos, mas o valor de p não é estatisticamente signiicativo porque o tamanho da amostra em cada subgrupo é muito pequeno (Figura 1).

DICAS DE ANÁLISE DE SUBGRUPOS

1. Identiique alguns subgrupos que pareçam altamente relevantes para a sua pergunta do estudo a priori e justiique suas escolhas.

2. Não compare os efeitos do tratamento vs. controle em cada subgrupo. Existem testes estatísticos especíicos para determinar se existe uma interação entre o efeito do tratamento e as variáveis que deinem os subgrupos, que são melhor realizados com o auxílio de um estatístico.

3. Antes de fazer mudanças na prática clínica, os resultados em subgrupos devem ser replicados em outros estudos.

Figura 1. Considere um estudo randomizado hipotético com 30 participantes, 15 no grupo de tratamento (9 homens e 6 mulheres) e 15 no grupo controle (7 homens e 8 mulheres). Para testar se o efeito do tratamento difere entre homens e mulheres, a abordagem correta é usar um modelo multivariado incluindo um termo de interação (tratamento vs. sexo), mas com 30 participantes, esse modelo provavelmente não teria poder suiciente para detectar diferenças clinicamente signiicativas. Comparar o efeito do tratamento vs. controle somente em mulheres (6 vs. 8 participantes) e, depois, apenas em homens (7 vs. 8 participantes) também teria poder insuiciente.

Tratamento Controle

REFERÊNCIAS

1. McEvoy CT, Schilling D, Clay N, Jackson K, Go MD, Spitale P, et al. Vitamin C supplementation for pregnant smoking women and pulmonary function in their newborn infants: a randomized clinical trial. JAMA. 2014;311(20):2074-82. https://doi.org/10.1001/jama.2014.5217

2. Wang R, Lagakos SW, Ware JH, Hunter DJ, Drazen JM. Statistics in medicine--reporting of subgroup analyses in clinical trials. N Engl J Med. 2007;357(21):2189-94. https://doi.org/10.1056/NEJMsr077003 J Bras Pneumol. 2017;43(3):162-162

162

Imagem

Figura 1. Considere um estudo randomizado hipotético com  30 participantes, 15 no grupo de tratamento (9 homens e 6  mulheres) e 15 no grupo controle (7 homens e 8 mulheres)

Referências

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