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Segurança espacial: conceitos básicos

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Academic year: 2021

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(1)

Segurança espacial: 

conceitos básicos

José Monserrat Filho

Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA)  Núcleo de Estudos de Direito Espacial (NEDE)

Reunião de 15 de junho de 2012

(2)

Definição comum e corrente  de segurança espacial:

1) Acesso seguro e sustentável  ao espaço;

2) uso seguro e sustentável do  espaço; e

3) Atividade espacial livre de 

ameaças e perigos

(3)

Segurança espacial  para  quem, cara pálida?

Para quem pode ou para 

quem precisa?

(4)

Segurança espacial para um  país ou para um grupo de 

países?

Para uma corporação ou para 

um grupo delas?

(5)

Segurança espacial  sobretudo  para os países e os Conglome‐

rados envolvidos com atividades 

espaciais?

(6)

Ou segurança espacial   para todos os países, 

toda a comunidade 

global, todos os povos,  todas as instituições, 

todas as empresas?

(7)

Mais que nunca, a prática e o desenvol‐

vimento da segurança coletiva não serão  uma necessidade imperiosa ? 

Com o avanço incessante das armas e 

recursos bélicos; com os problemas globais  cada vez mais perigosos e desafiantes; e 

com a absoluta interdependência exis‐

tente entre os países, como imaginar uma 

segurança real que não seja coletiva?

(8)

Frank A. Rose, Subsecretário Assistente  do Bureau de Controle de Armamento,  Inspeção e Cumprimento (de Acordos),  da Secretaria de Estado dos EUA:

“Devemos trabalhar com a comunidade  das nações envolvidas com programas  espaciais (spacefaring), a fim de 

preservar o ambiente espaço para 

todas as nações e as futuras gerações.”

(9)

A responsabilidade de preservar o  ambiente espacial para todos os 

países e as futuras gerações deve ser ser atribuída apenas aos países 

envolvidos com programas espaciais  (spacefaring)?

Ou deve ser direito e dever de toda a 

comunidade internacional de países?

(10)

Há quem defina a segurança  espacial como a habilidade de 

cada país de garantir seu próprio 

acesso ao espaço e seu próprio 

uso do espaço, assim como sua 

própria liberdade de nele atuar 

livre de ameaças e perigos.

(11)

Essa visão é estreita, unilateral, hege‐

mônica e não raro imperial.

O espaço, como província ou incum‐

bência de toda a humanidade, é natu‐

ralmente um recurso natural a ser ex‐

plorado e usado por todos os países.

É, portanto, um bem comum.

(12)

A introdução ao Tratado de Espaço,  de 1967, começa reconhecendo 

“o interesse que apresenta para toda  a humanidade o programa de 

exploração e uso do espaço cósmico 

para fins pacíficos”

(13)

Artigo 1º, § 1, do Tratado do Espaço:

“A exploração e uso do espaço cósmico, inclusive  a Lua e demais corpos celestes, deverão ter em  mira o bem e o interesse de todos os países, 

qualquer que seja o estágio de seu desenvol‐

vimento econômico e científico, e são incum‐

bência (province) de toda a humanidade.”

(14)

Logo, é impróprio e inútil propor 

segurança espacial apenas para um  país ou de um grupo de países, 

ou até de poderosas corporações. 

Não há, nem pode haver, segu‐

rança individual ou de grupos no 

espaço.

(15)

A segurança espacial (como a segurança  nuclear) é de todos ou não é de ninguém.

É sempre e necessariamente coletiva.

Ou não é segurança efetiva.

(16)

Pelo SSI, a definição abrangente de        segurança espacial engloba:

1) o ambiente espacial, único; 

2) a integridade física e operacional dos  objetos espaciais feitos pelos humanos  e suas estações em solo; e 

3) a segurança da Terra contra os 

perigos vindos do espaço.

(17)

O que ameaça a segurança espacial? 

1. O lixão espacial que só faz crescer;

2. a colisão de satélites; 

3. A interferência no funcionamento dos satélites  e das estações de apoio em solo; 

4. Os diferentes ataques cibernéticos;

5. A instalação de armas em órbitas da Terra  e a  conversão do espaço em teatro de guerra; 

6. Os corpos celestes (asteroides) capazes de se 

chocar com o nosso planeta.

(18)

Hoje, os sistemas instalados no 

espaço (satélites, sondas, naves) e  suas infraestruturas de apoio 

(estações terrestres) enfrentam 

ameaças feitas pelos humanos, que  podem sabotar, minar, danificar, 

desativar, degradar, enganar, 

prejudicar, destruir bens espaciais.

(19)

Artigo 4º, § 1, do Tratado do Espaço:

“Os Estados Partes do Tratado se  comprometem a não colocar em 

órbita qualquer objeto portador de  armas nucleares ou de qualquer tipo  de armas de destruição de massa, a  não instalar tais armas nos corpos  celestes e a não colocar tais armas,  de nenhuma maneira, no espaço 

cósmico.”

(20)

São três os tipos conhecidos de armas 

espaciais, não considerados de destruição  em massa:

1. Terra‐espaço

2. Espaço‐espaço (ASATs)

3. Espaço‐Terra

(21)

A alegada dificuldade de formular  uma definição de armas espaciais é

apresentada como razão jurídica que  impede o avanço das discussões sobre  a proibição da instalação e do uso 

dessas armas em órbitas da Terra.

(22)

Pergunta que não quer calar:

Como a comunidade de países está en‐

frentando o desafio de garantir seguran‐

ça e sustentabilidade a longo prazo para  as atividades espaciais – hoje absoluta‐

mente indispensáveis à vida cotidiana 

dos habitantes do nosso Planeta?

(23)

Organizações e entidades mobilizadas:

1) Conferência sobre Desarmamento;

2) Projeto do Stimson Center, EUA – Code of Conduct for responsible space‐faring nations;

3) União Europeia – Code of Conduct for  Space Activities, versões de 2008 e 2010; 

4) Instituto Europeu de Política Espacial 

(ESPI) – debates e publicações;

(24)

5) Comitê das Nações Unidas para o Uso 

Pacífico do Espaço Exterior (COPUOS) e seu  Subcomitê Científico e Técnico, que criaram  o Grupo de Trabalho sobre a Sustentabili‐

dade das Atividades Espaciais a Longo Prazo.

Mas a questão ainda não foi admitida na 

agenda de debates do Subcomitê Jurídico do 

próprio COPUOS;

(25)

6) Grupo de Especialistas Governamentais  sobre Medidas de Transparência e Constru‐

ção de Confiança nas Atividades Espaciais.

O Grupo, criado pela Assembleia Geral 

das Nações Unidas em 2010, deve começar 

seu trabalho agora em julho.

(26)

Proposta construtiva é a criação de um  Sistema Global de Dados e Informações  (Space Situacional Awareness – SSA) 

sobre a situação real existente no espaço  a cada momento, em matéria de satélites,  sondas e naves espaciais, e suas ações.

A questão é saber se esse sistema poderá ser utilizado apenas por alguns países 

ou por todos os países.

(27)

Conferência sobre Desarmamento:

Projeto de Tratado, apresentado em 

2008 pela Rússia e China, para Prevenir  a Instalação de Armas no Espaço Exte‐

rior e o Uso ou Ameaça de Uso da Força 

contra Objetos Espaciais (PPWT, na sigla 

em inglês).

(28)

O projeto russo‐chinês tem o apoio da 

maioria dos países membros da Conferência  sobre Desarmamento, inclusive do Brasil.

Mas seu debate está paralisado há vários  anos neste organismo.

EUA e outros países desenvolvidos se 

opõem a um acordo obrigatório sobre 

segurança espacial. Preferem soft law.

(29)

Os Códigos de Conduta do Stimson Center, EUA, e da União Europeia 

reconhecem o uso no espaço exterior  do “direito inerente de legítima defesa  individual ou coletivo”. 

Esse direito está definido no Artigo 51 

da Carta das Nações Unidas.

(30)

Artigo 51 da Carta das Nações Unidas

Nada na presente Carta prejudicará o direito inerente de legítima defesa individual ou coletiva, no caso de ocorrer um ataque

armado contra um Membro das Nações Unidas, até que o Conselho de Segurança tenha tomado as medidas necessárias para a

manutenção da paz e da segurança internacionais.

As medidas tomadas pelos Membros no exercício desse direito de legítima defesa serão comunicadas imediatamente ao Conselho de Segurança e não deverão,de modo algum, atingir a autoridade e a responsabilidade que a presente Carta atribui ao Conselho para levar a efeito, em qualquer tempo, a ação que julgar necessária à manutenção ou ao restabelecimento da paz e da segurança inter- nacionais.

(31)

O Brasil e muitos outros países consideram  que o direito de legítima defesa é hoje um  modo de manter, fazer e justificar a guerra  como meio de resolver controvérsias.

Essa ação viola Artigo 2º da Carta das  Nações Unidas, que estabelece 

(1) a renúncia dos países à ameaça ou uso  da força nas relações internacionais e 

(2) a solução exclusivamente pacífica das 

controvérsias.

(32)

Os Código de Conduta para Atividades Espaciais  propostos pelo Stimson Center e pela União 

Europeia  são contraditórios.

Ao mesmo tempo em que se dispõem a prevenir  conflitos no espaço, aceitam o recurso ao uso da  força como ação de legítima defesa, que pode 

simplesmente legitimar a instalação de armas em  órbitas da Terra e o uso da força no espaço, 

transformando‐o em mais um campo de batalha 

ou teatro de guerra, como ele nunca foi ainda.

(33)

Os dois projetos de Código de Conduta  para Atividades Espaciais não estão 

pensados para serem debatidos, avaliados  e eventualmente emendados pelo Comitê  das Nações Unidas para o Uso Pacífico do  Espaço Exterior (COPUOS) e pelo seu 

Subcomitê Jurídico.

(34)

Os dois Códigos de Conduta se apresentam  como instrumentos de cumprimento volun‐

tário, não obrigatório, que não criam 

obrigações para os países que o apoiarem. 

O projeto europeu, no entanto, prevê a firma  dos países que aceitarem com seus termos.

Pergunta‐se: se o Código de Conduta é de  caráter voluntário, não vinculante, para que  solicitar a assinatura dos países? 

Será para criar um precedente, um costume?

(35)

A proposta europeia de Código de  Conduta para as Atividades Espa‐

ciais não parece ter o amplo apoio  necessário para se tornar uma 

referência importante no compor‐

tamento dos países.

(36)

A aposta geral hoje está na chance de algum  resultado positivo na adoção de Medidas de  Transparência e Construção de Confiança 

entre os países envolvidos (ou não) com  atividades espaciais.

Não é muito, mas é o que parece haver 

atualmente de perspectiva mais ou menos  concreta a explorar. 

Para que? Para manter a possibilidade de 

conflitos no espaço ou para fechar o espaço a 

qualquer possibilidade de ações bélicas?

(37)

Muitíssimo obrigado 

pela atenção dispensada.

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