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Rev. adm. empres. vol.48 número2

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Academic year: 2018

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1 5 0 • ©RAE • V O L. 4 8 • N º 2

RESENHA • A CONSTRUÇÃO DO CONHECIM ENTO SOBRE INOVAÇÃO EM SERVIÇOS

Há mais de uma década, Bernardes e Andreassi discutem P& D e inovação como fontes de competitividade. Nos últimos anos, contudo, ambos dedi-caram atenção às possibilidades de inovação no Terceiro Setor, tema ne-gligenciado pela maioria dos pesqui-sadores. Nesse aspecto, a contribuição de Inovação em serviços intensivos em conhecimento, obra atual, é justamente discutir a inovação em serviços.

Bernardes e Andreassi foram asser-tivos ao eleger um grupo de colabora-dores bastante multidisciplinar, dentre

os quais alguns com notória dedicação à questão. O grupo foi composto por economistas, administradores, profi s-sionais com formação em geografi a, arquitetura e urbanismo, psicologia, engenharia e ciência da computação, o que permitiu um tratamento do tema a partir de perspectivas variadas e proporcionou ao leitor uma visão abrangente do assunto.

A organização competente da obra preservou a variação de estilos, e sua estrutura permite tanto uma leitura linear, quanto de capítulos isolados.

Por vezes, no entanto, alguns concei-tos resultam repetidos; ponconcei-tos de vista confl itantes expressos por autores de capítulos distintos poderiam ter sido discutidos em um capítulo fi nal para articular as diversas correntes de pen-samento sobre inovação, preconizada como essencial para a sobrevivência das organ izações. Um capítu lo de consolidação aumentaria a aplicabili-dade do livro.

Ao analisar os artigos apresenta-dos no Enanpad de 2007, por exem-plo, nota-se que todas as áreas

dis-A CONSTRUÇÃO DO CONHECIM ENTO SOBRE

INOVAÇÃO EM SERVIÇOS

Por Alexandre Reis Graeml

Professor do Programa de Mestrado e Doutorado em Administração da Universidade Positivo e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná

E-mail: [email protected]

INOVAÇÃO EM SERVIÇOS INTENSIVOS EM CONHECIM ENTO De Roberto Carlos Bernardes e Tales Andreassi (Orgs.)

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A BR. / JUN . 2 0 0 8 • ©RAE • 1 5 1

ALEXANDRE REIS GRAEM L

cutem inovação, palavra mencionada em 36,5% dos artigos ao menos uma vez. Mas, aparentemente, os autores utilizam referenciais teóricos distin-tos. A área que mais estuda o assun-to é Gestão da Ciência, Tecnologia e Inovação (85,1%), mas também está muito presente em Administração da Informação (53,6%) e Estratégia e Or-ganizações (48,5%).

Comparando o referencial biblio-gráfi co adotado pelos autores da obra com o adotado pelos pesquisadores nos artigos publicados no Enanpad, notam-se algumas semelhanças e dis-crepâncias. Os autores mais citados no livro, entre seis e 11 vezes – Gallouj, Barras, Tethe e Sundbo –, não foram citados nos artigos do Enanpad. Em uma verifi cação menos rigorosa, pare-ce jamais terem sido citados em artigos publicados nos anais do evento, apesar de possuírem signifi cativa produção científi ca sobre inovação. Portanto, é bem-vinda a apresentação destes autores à comunidade acadêmica de administração no Brasil.

Autores como Miles, Soete, Pavitt e Kline mereceram mais atenção do li-vro do que da comunidade acadêmica brasileira, embora sejam velhos conhe-cidos dos participantes do Enanpad. Com freqüência semelhante são cita-dos no livro e nos anais do Enanpad autores como Dosi, Freeman, Clark, Cooper e Nelson, talvez pelo fato de tratarem de aspectos mais tradicionais da inovação. Já Lundvall e Tushman, importantes referências na área de Gestão da Tecnologia e da Inovação, parecem ter sido esquecidos pelos co-laboradores de Bernardes e Andreassi, citados apenas duas e uma vez, respec-tivamente, enquanto no Enanpad cada um recebeu sete citações.

No que se refere à estruturação da obra, o livro é dividido em quatro partes. Os primeiros nove capítulos tratam do que os organizadores cha-maram de “fundamentos teóricos da

inovação em serviços”. O capítulo 1 ressalta a importância dos serviços para as economias modernas. O ca-pítulo 2 associa serviços à criação de conhecimento e inovação. O capítulo 3 traça um panorama da evolução do setor de serviços na Europa e relaciona inovação em serviços e desempenho econômico. O capítulo 4 propõe uma agenda de políticas públicas para o desenvolvimento de serviços baseados no conhecimento. O capítulo 5 discu-te o movimento de indiscu-ternacionaliza- internacionaliza-ção. O capítulo 6 trata do mercado de trabalho no setor de serviços nos paí-ses desenvolvidos. Os capítulos 7 e 8 retomam a discussão da questão meto-dológica nos estudos sobre inovação. O capítulo 9 insere o empreendedo-rismo na discussão do terceiro setor, apresentando as estratégias de entrada e de crescimento típicas.

Seguem-se quatro capítulos que apresentam casos de empresas com “novas arquiteturas e trajetórias ins-titucionais” que, na visão dos autores, proporcionam ou estimulam a inova-ção. O capítulo 10 utiliza dois estudos de caso para discutir a intensifi cação da colaboração e aprendizagem in-terorganizacionais, consideradas im-portantes fatores estimuladores da inovação. O capítulo 11 trata de redes colaborativas, na prestação de serviços profi ssionais, uma área muito inten-siva em conhecimento. O capítulo 12 sugere que as redes colaborativas de geração e difusão de conhecimento podem ser virtuais, apoiando-se na in-fra-estrutura tecnológica proporciona-da pelas tecnologias proporciona-da informação e comunicação. O capítulo 13 identifi ca os tipos e níveis de capacidades tecno-lógicas desenvolvidas por empresas de serviços intensivos em conhecimento no Brasil, estudando 18 dos mais im-portantes institutos de pesquisa na área de tecnologia da informação e comunicação no país.

Na terceira parte do livro, são

apre-sentadas “evidências setoriais da ino-vação em serviços”, com especial ên-fase na discussão de casos de empresas de setores intensivos em conhecimen-to: telefonia móvel, software e serviços bancários. O capítulo 14 explora a hi-pótese de que a inovação em serviços é uma forma de as empresas do setor ob-terem vantagem competitiva; o capítu-lo 15 discute a utilização de inovação como alavanca para a internacionali-zação e o capítulo 16 traz o setor de telefonia móvel brasileiro para tratar da relação entre inovação e marketing. O capítulo 17 é dedicado à inovação no setor bancário caracterizado pela regulamentação governamental e uso intensivo de tecnologias da informa-ção e comunicainforma-ção, apresentando o processo de difusão de dois produtos: crédito direto ao consumidor socio-ambiental e operações de crédito de carbono internacionais.

Por fi m, a quarta parte do livro é destinada à inovação em serviços pú-blicos. O capítulo 18 trata do governo eletrônico em São Paulo, considerado um caso de sucesso, principalmente por ter priorizado o processo de cria-ção do conhecimento organizacional, fomentando espaços de criatividade e inovação. O capítulo 19 debate, de forma mais intensa, uma questão que permeou diversos capítulos anterio-res: afi nal, as inovações no setor de serviços são exógenas, ou seja, de-correntes e dependentes de inovações na indústria, ou endógenas, fruto da capacidade das empresas do setor de buscar o novo no desenvolvimen-to, implementação e gestão de suas estratégias?

Referências

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