PROCESSO, E DEFEZA
D EG E R V A Z I O P I R E S F E R R E I R A
P R E Z O W A C A D E I A D A B A H I A
6PEL0S ACONTECIMENTOS DE PERNAMBUCO EM 181?,
I M P R E S S Ã O
L I B E R A L
L I S B O A : A N N O D E 18^3. 0 [D Û mv •
p s l.-^ fA';
A
[7v'' jS.' |rV"^'i IS' P l’’» ’tf\
■Í Vj ;■J
V ^ r j •; : •♦ X ■-*. t ■: , . ,y n - ^
•;ia
A n ^ M H H '? î '7 B d î n I O î ÍC A V A A* A I T : A n A a A l Z il A O A " 'î S 3 iî <î'» 'i - i ï tvt.'î ( O < Cl A i'-,/ÍjÚ Í , ’ >cCi *c/vJ T r r i T/ L i-i i. l ' i i j w> n OUv,i%...\^
JA'i
l;<>'
P ‘
iLj' • ' ■ ' * ' ’ - ' i . ' ' ■ ' * • • ' ' Í .* •* 1 7 ' - : • ■ ' A •> . W : ’ : < i h r ^ . . i ' * i , * ';., i . ■ • -• ‘Í ' -• i - i * ' ‘ * ' k . < ~ î v j ' ^ r i , / i ) - * w . ' '•- ' A ' NÜ
,Cs^?^r : i a ' o / V ' ; :/ J r • ^ J i v A - - H • f - ‘ ’ J-A O L E I T O R .
E ,
filtre os diversos acontecimentos, que este século tem apre sentado á observação do F iloso fo, bçi, sem d ú vid a , hum dosmais dignos^ a revolução de Pernam buco, do dia 6 de M ar ço de 1817. N a verdade, a pequenez: da sua‘ primerra força im p u lsiva, a facilidade da sua ei^eçução na C a p ita l, e a ra pidez do seu progresso em toda u .extejisão d a q ”*fíllú vast a C a pitan ia, sem a menor opposição i hu m C overno de 30Ò annos derribado em lí2 horas , e sobre as suas rui nas estabelecido ou t r o , iiileiramente diverso: este mesmo destruído no fim dp
74 d ia s , por huo.a voluntária resolução dos póvos, e fide lidade ao legitim o M o n a rch a , são, na verdade, objectos dignos da attenção do F ilo so fo ; e a historia dascauzas, que produzirão tão extraordinários, e rápidos successos , e a dos rou lios, assassinos, e devastações perpetradas naquelle des graçado P a iz ,c o m acapa da lealdade ao Soberano , ezelo p ela Magestade offendida, servirão de instructiva lição aosquees- t ã o , destinados pela P ro vid en cia , ao Governo dos póvos. A nuvem de falsidades, em que se tem envolvido os factos an teriores, e os acontecidos naquelle p eriod o, para occultar-se
a verdade a F.l-Kei Nosso Senhor, e a indiciosa tram a, fei ta por alguns m alvad os, paracriminarem na Devassa, a que se procedeo poi aquelle m o tiv o , os Cidadãos mais pacíficos, e assim apartarem de si as testemunhas dos seus crim es, obri- gar-me-hia a fazer de tudo iiuma fie l, e documentada histo ria , se a minha pouca saude correspondesse aos meus desejos. Rezervando por tanto esta tarefa a alguma mão mais habil , contento»me por ora em apresentar ao teu juizo a minha defe- za , ainda antes de ju lg a d a , esperançado, que faças na tua im p«''cbdidade justiça á minha innocencia , ainda quando, por minha desventura, e verificação d o provérbio =
omnes
habent sua sidera liles — ^
ella não seja igualmente[ 4 ]
cida pelo Tribunal de Justiça, que vai ju lga -la . Esta defeza, o depoimento das testemunhas, e Appenso da Devassa, (jue lhe são relativos, e as respostas ás perguntas, que se rnefize- r ã o , que igualmente levo á lua consideração, dar-te-hão as primeiras ideas verdadeiras daquéile fatal successo, e docon - loio formado pelo crime para a perdição de muitos innocen tes. A oppressão destes, e o triunfo da m aldade, faria sus peitar da Providen cia, se a ra zã o , illustrada pela r e lig iã o , não me fizesse ver a verdade do conselho, transcripto pelo Princepe dos Poetas Francezes, nestes versos
Des D ie u x
,comme te sage
,respectons tes desseins
JSie les accusons pas des fautes des humains.
E ia pois, lim item o-nos a lamentar a condição da espe- cie hum ana, entretanto, que não chega o anno S 4 4 0 , em que deve baixar dos Ceos á terra, a ra zã o , e a H um anidade.
Cadêa da Bahia 30 de Dezembro 1818.
V ale. G .
P . F ,
Testemunhas da devassa de Gervazio Pires Ferreira, pre
zo em
Sôde M aio de
1817,a que procedeo o Juixo d' A l
çada.
Testemunha
1 .*folhas
30.Rotnão Lourenço de M edeiros, disse que formarão hum conselho de F . &, F , e o Doutor M o raes, mas, que e^teser vira poucos dias, e larg'àra, e o u v ira d ix er, que lambem G er vazio Fires Ferreira hia aos conselhos quando se tratava de Com m ercio , e JNavios.
f o i.
38.Joze Roberto Pereira da S ilv a , diz que sabe por serfa- ma publica visto estar prezo, quo fizerão hum Conselho de Estado composto de F & F , que servirão ate o fim : Doutor M oraes, que nao servio ate o tin j, e Gervazio Pires Ferreira a quem derào tão bem ainspecção do E rá rio , e também ser v io ate' o fim.
f o i.
97.A n to n io de Moraes feilva, jura que vio nas conferencias do dito G overno ao Re'o incumbido dos Négocies do Erário de que dava as suas relações perante os ditos Governadores!
4 .“
f o i.
ÍOO.Antonio Ferreira M oreira, cabo d ’ Esquadra das Orde nanças, jura por ver, que o R eo foi Conselheiro, eoffereceo o seu N a v io Espada de Ferro para ir a America Ingleza a favor dos rebeldes, as tropas dos quaes ajudava com o seu din h eiro, e fez outros serviços a favor dos rebeldes, e que era indagador das pessoas, que erão a favor d ’ E IR ei.
b.^ f o l.
103João da Silva R e g o , Capitão de Milicias reformado , jura por ser fama publica, havião diveisos ajuntamentos o r - de hia F & F , e que G ervazio Pires Ferreira , e Antonio C ar los frequentavao mais ascasas d e C a b u g á , e Filippe Neri F e i- reira, e tão bem a caza do M o fg a d o do Cabo.
[ G ]
f o l.
104.A
mesma testemmiha ju ra , que o R ê o foi conselheiro, e que aleiii disso oifcreceo o seu N a v io iíspada paia ír buscar mantimentos a A m e rica , para o que o (jo v e n io rebelde lhe inamlou entregar todas as cachas de assucar de todos qs N e gociantes, que tiuhao fu g id o , o o Cjual N a vio nao pode sa- hir por cauza do b loqu eio, que ci)Cgou da Bahia ainda que já estava promplo a sahir, e depois da Restauração seto in a- rãü a restituir asditas cachas aosdonos, ou seus procuiadores, por ordeiii do (Joverno actual.
foi.
Joze Peres Cam peio , Brigadeiro , jura que fizerão vários Conselheiros com o F & F , e G ervazio Pires F erreira , que tão beii) teve a Inspecção do F,rario.
V 7 . ^
fo i.
F M-- C laudino Joze C a rrilh o , denente Coronel de M ilic ia s , disse cue os ditos Governadores nomeárao para seus Conselbei- ros, como íorão F & F , e G ervazio Pires Ft-rreira, que tão bem teve a inspecção do E rarip, e consta a elle íestemunha que por voto delle se impedio asahida dos N a v io s , que aqu i estavão, cujo embargo o m esm o Governo levantou por ordeui que não teve eífeito, e tão bem foi nomeado A ntonio M o raes S ilv a , que qão acceitou — e dá as razoes de ser obrigan
do a vir a o 'R e c ife — ’
8.=*
f o i. 177.
M anoel Joze Martins R ib eiro , C apitão de M ilíc ia s , diz que vio naquelles dias, Cjue elle íoi a Salla d o G o v e rr ió , en- iràr para lá duas vezes a 'G e r v a z io Pires FV reira ; mas não a cue tVm, eo u v io dizdr , que estava incumbido da Inspecção do Erário. r> ao; ■ . - .• , .
, ' •
i^.^ f o l. ^OQ
’ Ottnov:-'í n
.r !-". '; q G oh çàlo Joze da S ilv a -L is b o a , N egociante 1, diz'quGias conferencias se fazião primeiro na caza do Fira rio , depois no C o lle g io , e dcpoispia Soledade, que na occasiào , que se fa zião S tas conferen'eias- vio »entrar muitas vezés-a F & F-, que G ervazio Pires Ferreira áo prm ci[)io ».se hnio com estes ; * mas que Tib fim 'perteiidera escapar-se com seusi fundos para a A m e ri ca In g lezU iC - ** * . ✓ .J • .» ci[ 7 ]
10.^ f o L m i
3
o7Â
A n ton ia Gornes, N egocian te, diz que os G over nadores nomeárao para conselheiros a F & F , que servirão até o lim , e G ervazio Fires Ferreira hia sempre ás sessões dos re beldes; mas que não sabe elie testemunha se era nomeado Conselheiro, posto que lá dava o seu parecer; álem disto foi o primeiro nomeado para a repartiçáo das farinhas e sobre isto punha Edilaes públicos nas esquinas para recor- lerem a elle , que vio eile testemunha, que sempre foi do partido da relxdiiào, e sempre foi unido corn os rebeldes, e do seu systema, até que foi p rezo , e já notado antes de vir de Lisboa para Pernam buco de ser pedreiro livre , assim cd- nio erão os mais" rebeldes.r,
f o i. M 4 ,
Aíanoel Soares de Souza, N egocian te, jura que nomea^ rão para Conselheiro a F . & F , e ao Doutor A n to n io de Moraes S d v a ,' que se fez logo doente, e a G ervazio Pires Ferreira, o qual tambern foi incumbido da Inspecçào sobro o E rário, ^os quaes conselheiros sabe que o foráo porque hu- ma occazião, que elle testemunha fo i chamado ao Governo^ os vio assentados nos seus lugares de conselheiros, e serem assignados nos papéis públicos.
Bernardo Jozé Carneiro M o n teiro, diz que também era apaixonado dos revolucionários o R é o antes niesmo da revo lução , e fazia muitas, e frequentes conferências corn Anton nio C arlos, e com hum que foi Juiz de F'ora em Portuo-nl, cujo nome lhe não lem bra, que de Portugal foi degradado para as partes de A n golla como revolucionário, e veio remet- tido ao R io de Janeiro para ir para lá com effectivaniente f o i , e o aceompanhou sua m ulher, e lá obteve vir acabar o tempo do degredo a Pernambuco, e vindo assistio com sua mulher no Poço da Panella, e acabado o tempo voltou para © R io de Janeiro, e elle testemunha vio por varias vezes, que elles fazião estas conferências, e hmna vez por elle obser var que falia vão de revolução, e depois figurou muito na re vo lu çã o , e serviço dos rebeldes, e outros muitos mais crão do raesrno projecto da revolução; rnas que elle lestemunhí^
f o i.
260.A mesma testem unha. que nomearão para conselheiros de Estado F . & F , Antonio de Moraes S ilv a , que lo go se desculpou, e tingio doente, e Gerva^io Pires P V re ira , que elle testemunha o vio no lugar de conselheiro no dito dia o i t o , e depois por muitas vezes o vio ir para as sesoòes da S al- la do G o v ern o , e voltar d e ila , e algumas vtzes voltava por huma hora e meia da n oite, e algumas vezes o vio voltar de m anhã, e também o nomearão para Inspector, e D irec tor do E rá rio , que também servio te o fíin , c também o nomearão para a compra dos viveres para as Embarcações de G u erra, e sobre isto elle fez afixar vários Editaes por elle assignados, e que elle testemunha v io , e os vendedores dos d it f« viveres, e mantimentos desconfiavão , e diziào mal das suas contas: largou este lu ga r, e foi nomeado para elle B en to Joze da Costa. \
13."
f o i. n b .
Jozé
A n ton io de Lem os G om es, disse que snbe por ver, que o R e o foi conselheiro, e outros, os quaes todos vio elle testemunha por muitas vezes passar para o Conselho, e vol tarem muito depois de meia n oite, tendo ido de rnanhà ce do e quando voltavão vinhão sempre accompanhados de huma patru lh a, que os levava a cada hum para sua casa.U . ’^ fo L tb7.
A n to n io de Castro Vianna, diz que o Re'o foi conselhei r o , e (]ue tarnbem foi nomeado Inspector do E rário, e elle o vio por varias vezes ir tomar contas no E rá rio , e revelas, e foi tainbe»n nomeado para fazer as compras de viveres, e mantimentos para os N avios de G u erra, e fez a compra dos commestiveis de hurna Gallera Am ericana ao Inglez Kronen, rnas largou este lu g a r, e foi nomeado Bento Jozé da Costa,
1 5 " / « ^ ' 314.
Joaquim Jozé V ie ira , N egocian te'disse, que também observou, que nomearão Conselho de E stado, e vio que ião ás Sessões F. & F , e G ervazio Pires Ferreira, que também tinha [nspecçào no E rá rio , e elle testemunha vio FMitaesas signados por elle em que dizia , que estava encarregado de comprar m antim entos, com o hvrinhas para vender ao publi co p ilo mesmo preço. A n ton io Moraes S ilva foi também
no-’ [ 9 ]
tnendo, e escusou-se; pore'm não sabe o nome dos outros conselheiros; mas estes por elle nomeados vio elle assi&tirem com o consellíeiros ao dito Benziinento das Bandeiras.
fo i.
352.Zacarias M aria Bessone, N egocian te, diz que sabe por v e r , que G ervazio Pires Ferreira ia ás Sessòes do Governo.
17. '^ f o i.
367.A n to n io de Albuqtierque e M e llo , Escrivão da Cam e ra do, R e c ife , que he publico, e nolorio, que nomearão con selheiros de Estado á
F.
& F , c Gervazk) Pires Ferreira, que foi o que prestou maiores serviços áquelle Governo por seus conselhos, e Inspecçòes, e que lhe encarregarão o Fira* rio, e mais administrações da Fazenda, como he fama publi ca, e já depois da restauração M anoel Corrêa de Araujo, pa ra mostrar o espirito de reliellião do dito G ervazio Pires Fer reira , disse o referido a elle testemunha.18. *
f o i.
388.Joze' de M e llo Trin d ad e, Cirurgião d iz , que não sabe se G ervazio Pires F’erreira era conselheiro; mas ouvia dizer publicam eiite, que havia ordem dos rebeldes para entrar na sal Ia das Sessões quando quizesse, assim co m o , que havia a dita ordem para Bento Jozé da C osta, e ouvio dizer, que o dito G ervazio Pires Ferreira fôra nomeado para Inspector, ou Presidente do Erário, e vio que elle foi incumbido, eexer- citou a incumbência dos mantimentos dos Navios de G uer
r a , e da P r a ç a , e por islo puzera Editaes, mas passado al gum tem p o, que lhe não lembra, quando pedio a demissão,
e
foi nomeado para este lugar Bento Joze da Costa.19. *
foi.
292A n to n io Leal de B arros, jura que vio o R ê o querendo entrar na Salla das Sessões, foi impedido pela sentinella , e elle dissera que o devião reconhecer como membro daquelle G o v e r n o , e ella então o deixou entrar, e por outras vezes, que foi obrigado ir á dita salla lá o vio no lugar dos conse lheiros revendo, e emendando papeís.
[
10
]
m , ’' f o L
394.Slm ão
ãc
S ou za, N egociante, jura que via passar todos os dias ao K e o para as Sessòes do (jo v e i iio, e conselho, eni quanto as faziào na casa do E rá rio , e no C o lle g io , e via recoÜicr seuipre pela alta noite ao l l e o , e Antoriio Carlos acompanhado do soldados, os quaes ftguraiao muito na re- bellião.21.“ /o^. 432.
F'rancisco Joze de Carvalho e M edeiros, Tenente M i lician o dos nobres, disse, qi.e estando em conversação com © C a p iià » í*ed rozo, e M anoel Corrêa de A ra ú jo , passara G ervazio Pires F erreira, e Manoel Corrêa dissera a Pedrozo, ahi vem o nosso am igo G e r v a z io , e forão recebe-lo.
f o i
434.Pedro P in to de M ir a n d a , jura de v is ta , que elle G e r vazio Pires F erreiia , passados sinco, ou seis dias de^x)Í3 de romper a revolução v i o , e presenciou , que junto da porta do Botequim da Praça fizera aos mais Negociantes, que ahi cstavão esta falia — que he isto, meus Senhores, que assim cstào tristes, não tem de que so temerem, o Ceo mostrou hu» ma facilidade com que isto foi íe ito , que ho a nosso ía v o r , e de que quer a nossa independeiicia, eu sou filho deste P a iz , miuha m ulher, e filhos são Furopeos, e tudo quanto tenho offereço a bem desta causa, e vossas mercês devem fazer o m esm o; a Bahia, e R io de .Janeiro também lazem o mesmOj e p o rtan to estamos seguros : = e mais palavras, que não lem- brão a elle testem unha, o mais não disse.
A P E N S O == A =
Vonsia da Devassa a que rnandou proceder o Desembargador
dos Aggravps Jo%é Jlhano Frago%o ^ deporem as seg uia^
tes testemunhas no R io de Janeiro.
23. * /o/. 10.
Pedro A m érico da G a m a , jura que entre os m uitos, que frequenta vão a casa do C a b u g á , era o li ê o hum delies,
2 4 . * /o/. 16.
[ 11 ]
CO, e n otorio, que o R e p ofíerecêra o seu N a v io para irbus- car fannha á Am erica in g le z a , favor que antes os morado res de Pernambuco ruio Ihe haviao merecido.
S5.^/o/. 18.
Theodore Fernandes G a m a , diz que vio entre os mui to s , que rrequentavão a casa do molato C ab u gà , era o R éo hum délies.
f o l.
S7.D . M aria Venancia de Fontes, disse que os Conselhei ros do G overno intruzo eiào desasseis, que só se lembra do primeiro conselheiro o O u vidor de O lin d a , que rnorava jun to coai o segundo conselheiro G ervazio Pires Ferreira, como consta do traslado da dita Devassas
27.^ f o l.
43.João Venancîo de Castro, diz que o R é o fora con-seîhei- , r o , que tinha parte no G overno Provisorio dos insurgentes, € deo o piano île fardar o Fxercito corn Zuartes, fazenda que tinha m u ila ; e mais não disse.
A P E N S O = B = f o l . S6.
‘ De&rcto do Governo Provisorio dos reheldes de Pernambuco
datado de 11 de Março de
1817.O Patriota G ervazio Pires Ferreira, fica encarregado da ex(‘cução deste nosso Decreto propondo-nos, á vista do es tado da mesma administração, os melhoramentos economicos de que ella he susceptível.
f o L
5^.Tendo os Governadores Provisorios de Estado de Per nambuco pelo Decreto de 11 do corrente determinado o que liie pareceo conveniente sobre a administração dos fundos dá extincta companhia ; ordena aos actuaes administradores da . mésíría fação recolher ao Erário qualquer qu an tia, que tive-• rein cm seu puder, entendendo-sc com o l^atriota G ervazio • Pires Ferreira encarregado de exam inar as contas da referida • com pan hia; os mesmos adniiiiistradores o tenhão assim en tendido, e o fação executar. Casa do Governo 11 de M a rço de 1817 ^ Pessoa = A rau jo = Mendonça — Martins.
f o i.
111.Certidão.
Manoel Pereira Dutra Escrivão do Crim e , e C iv e ld ’esta V illa do R e c ife , e sen Term o Com arca de P e r nambuco por Sua Magestade Fidelissinia , que Deos guar de &c. =C ertifico, que sendo-me apresentado por parte dos Sup- plicantes na Contadoria d ’ adrninistraçào dos fundos da C o m panhia geral exlincta d ’ esta P r a ç a , o livro segundo dos re gistos, principiando no anno de 1815, e que estando conti nuando, nelle a f. 57 vers. se achào registadas a P o rta ria , e Ordem d o (jo v e rn o dos rebeldes do theor seguinte. = Segue
a Portaria acima de 15 de M arço de 1817.
APPEiNSO = F = / . 7.
Patriotas Governadores Provisorios. A ’ vossa presença apresenta o Supplicante G ervasio Pires Ferreira a relação da* pessoas por quem se distribuirão, na conformidade das vossas Ordens de 9 do corrente, Barricas de farin h a, e de B olaxa parte da Carga do Bergantim Am ericano descarre gado no Arm azém do Forte do M a tto , e que por com m odi- (dade do publico em razão da distancia da moradia do Sup- plicante houvestes por bem encarregar ao P atrio ta Bento J o se' da Cosia. Nestes termos incumbe vos ordenar ao Thesou- reiro do Rrario haja de recebi*r a quantia de réis 4 :6 1 4 ^ pro- duelo das vendidas, e ao l^atriola Bento José da C o sta , que receba as existentes, passando nsclarezas necessárias. = 7)es- pac^o. = Hem ellida ao Patriota Bento José da Costa para to m ar conta da mencionada farinha, efazella repartir por ven das com o julgar conveniente á necessidade publica.
Casa do G overno 28 de M arço de 1817. = Pessoa
t
M e llo = . Mendonça z=z Martins
=Correa.
APPExNSO = G = / o / . 10.
L u iz Francisco de Paula C avalcante , disse que o G o verno lamhein adm ittía s'xs suas conferencias, e erâo cham a dos os (.’ hefes das C orporações, e algumas pessoas particula res, corno G ervasio P ires, e ou^ra^; e rpie o m esm o G erva - zio Pires foi encarregado então da inspecção do E rário.
[ 13 ]
A P l ’ ENSO
2."im rle fo i.
10.(>erLifico, que pelo D ou lor Jo5(í Alhnno Fragoso Desetn- bargador da Casa da Suppiicação do Brazil., e Juiz da re ferida Devassa ine foi apresentada iuima Carta de Luiz JVIa- Iheiros de M e llo para o íllm.® Caetano Pin to de M iranda M o n ten egro , datada na Bahia aos 21 de M arço do corrente « n n o , e determ inado, q»jo se trasladasse delia o parrafo do theor seguinte = r Nào se tem dado licença (fa lia do G o ver no insurgente de Pern am bu co) para sabir mais do que hum Bergantim ín glez para a Am erica em que foi Carlos B o iv. Estão aprornptando outros para ali ir buscar cornrnesliveU, entre outros o E spada, e a Begeneração do C atan h o; mas eu ju lg o , que este quer illudir a vigilância do Governo para depois que se achar no mar ir a essa tomar conta da sua G a lera.
O que V . E x .* poder fazer de favor sobre esta G alera creia , que o faz a hum bom am igo, O Governo comprou o Bergantim Carvalho V . e o ficava aprom plando a toda pressa para ir crusar, e recolher todos os Navios. Estes tres, que não entrarão, lhe causarão muito desprazer; en ada mais se continha.
A P P E N S O = A =/o/. 68.
Manoel Pedro G om es, M anoel P in to Coelho derâo hu- ma lista no K io de Janeiro de dos que figurarão mais na revolu ção, entre elles nomeia o R é o .
Certidão das perguntas de Reeulet Francez
,
relativamente a Gerua%io Pires Ferreira., passada pelo Desembargador João Osorio de Castro Sousa Falcão.C ertifico , e dou fe', que vendo os Autos de perguntas feitas a íleculet Francez, em trinta e hum de Janeiro de m ii oito centos e desoito, na V illa do Recife de Pernam buco, e Fortaleza das cinco p o n tas, nelles consta a resposta do theor segiíinle.
Respondeo cbomar-se Pedro R em igio Reeulet natural de T h io n ville , de Nação Francez, de idade <le vinte seis annos, que sua occupação era M ilita r na F ra n ç a , e que foi Alferes,
e lhe acceitárâo sua flem'.sstio eni Janeiro do anno passado, e que depois fora para a Cidade de Nam nr para a casa de huiu seu cuíihado , que era A d v o g a d o , e querendo ap[>licar- 30 á vuia do Conimercio , o uciiando que nesta C idade não está íloreccnte se resolveo ir para a A m e iica íngieza aonde ch egou, o desernhaicou na [Nova Y o rk em M arço de Í8 1 7 , e nao aduuido ali. boa aceornodação de C aixeiro se unio ao C ap itá o A fth o n g , que foi para o R io de J a n eiro, e então <na Am erica eslava uni<lo ao Coroncí L u la p e , e que preten
dia enipregai-se no seu'viço M ilita r aonde o quixesseni , e na niesimi tcnçào , que dies tinbáo ficou d ie respondente, e che gando ahi a noticia por napeis pu hiicos, que linlia chegado a Boston o Bmbaixador da Republica de i^ernambuco clia- mado A n lon io G onçalves da Crioi , e hum C'ommerciantc d o 'la Cidade coirespondente do d ilo Bm baixador , escrevoo a iMr. Chtígare na Fiiadeltia pura Hie noticiar algunsoíficiaes Aiiiitares de nierecim enlo, que o d ilo íím baixm ior pretendia cnviíir para a cbta sua ílep u b lica , e entào e-«leChegare coin- munlcou este projecto ao Coronei l^uía[je, e depois disso che* gou a Filadélfia o dilo C ru z, e so ajustou corn Lutape para vir para Fernainbnco com d ie respondente d ilo A rlh o u g ; e para esse fim tornara a N ova York para ajustarem embarca ção para a passage para Pernambuco , e elle dito respondeu- te foi (piem ajustou huma casa de commercio Americana it a w Robbens para virem na C lialu jia Paragonia dies Ires, e mai$ hum o iilro , sojundo ilie mandou L u la p e , e depois vio eüe respondente, quê esta quarta psssoa era Luiz A d o lfo Conde do Finite (doullant, e.c}ue elle respondente antes não conhe cia ; porem appareceo ahi com huma Carta do M arechal Cruebe para que o dito In ilapê o trouxesse comsigo para Per nambuco por assim o ter ajustado com o dito A n to n io G o n çalves da C ru z, e com o dito Conde veio hnrn filho do dito M arechal Cruche , que elle respondente conhecia de vista, jx)3to que Iho nã.o sabe o n om e, e embarcarão todos a bordo da dita í.lhalupa para Pernambuco á custa do dito Antonio Gonçalves da (.buz em 15 de Junho passado , o qual deo C arias de G ijia , e correspondcncia ao dito Lutapé , o qual á beira da It^rra lançou ao rnsr ven do, que a terra não esta- - va pela R epu blica; e disse elle lespondomte, que na Clialu- pa vinha 4500 Fs[)ingardas, 500 Pistolas, 500 Sabres de .C avullufja ^ jniiito breu , e ia ie a tiã o , -e huma caixa dvxada ,
[ 15 ]
que eiie responclenle não síibc o seu contlicúdo , mns tudo comprado pelo uito A n lo n io Gonçalves da C n ií:, e Imio re- mettido a G ervasio Pires Ferreira, Negociante de ÍN-rnnm- buco, segundo a discripção, que el!e respondenlc vio no L i vro da C a rg a , e nosconhecinientos, que lhe forão mostrados pelo Capitão da Chrdupa, e por saber In g le z , e quem corn- prou tildo isto por ordem do dito Crsiz foi hum Negociante LottS eàm en seu correspondente. E nada mais havia nas ditas perguntas, qije fosse relativo ao Reo Gervasio Pires Ferreira.
Perguntas feitas a Gervaxio Pires Ferreira pelo Juízo da
yjIçada em lò de Dezembro dc
lo ^ d .Pergu ntado seu n om e, naturalidade, m orada, estado, id a d e, occupação?
Kesj)ondeo por escrito, por dizer por acções, que não podia fa lla r, chamar-se G ervazio Pires Ferreira, natural de Pernam buco, e ahi m orad or, casado, idade de 53 annos, N eg o c ia n te, e que a 18 mczes não podia faüar.
Perguntado quando foi preso, e se sabe, ou suppõem qual foi o m otivo da sua prisão?
Pespondeo por escripto, que fora preso a S5 de M aio de 1817, e não lhe aceusando a consciência crime algum , nem o de contrabando tão ordinário nos da sua classe (c s seus Livros de Com m ercio escripturados com o maior rig o r, prescripto no A lva rá de 1756 fará p r o v a ) ignora o motivo porque foi arrancado do seu quarto de ca m a , onde, figuran- do-se mais doente, do que já então andava , para fugir ás O r dens do Governo rebelde , estabelecido naquelle desgraçado P a iz , se havia recolhido logo em 21 de M a rç o , (testemunhas o seu M edico o Doutor C a rv a lh o , e os íres líospedes, que então tinha João G onçalves da S ilv a , Joaqtjim C iria c o , e o Doutor Josc A lex a n d re, Juiz de Fora de (lo ia n n a ) a não ser por ter nascido em Pernam buco, a cujos naturaes alguns perversos para divertirem de seus crimes a altenção dos M a gistrado'^, e inculcarem-se por muito fieis Vossallos, querem attribuir em geral o crime de quatro rnrdvados, e da impro- vidente fraqueza daqudíes, a quem Sua M ageslade
havia
in cumbido a promettida , e Real Protecção.Perguiitr.do em que occupações esteve empregado pelos rebeldes, e que serviços lhes fez neilas?
Itespondeo, que chamado á ordem das bayonetas, a quem tudo c e íle , á Salla do G overno , j^elo C ap itão M anoel de A ze
ve d o , talvez pola desgraçada opiídão de algum c ie d ilo , e intelligencia de couimercio ( testemunhas Joaquim C iry a c o , Joze' Ign acio de t a l, F iel da B alança do Assougue, G on- çalo da Silva Lisboa , e Fuão de tal F a b iã o , Negociantes , hum vizinho guarda da Estiva de sobrenome Lob ato ; e outros, por ler ido de sege em companhia do dito o ffic ia l) foi-llie deler- ininado pelo Chefe M artin s, prim eiro, que extrahisse o ba lanço de todas as rendas Pu blicas, e que organisasse, e e- meadasse os defeitos daquella contabilidade, o que lhe fo i determinado perante o E scrivão, Thesoureiro, e Prim eiro Escriturário do Erário. F eito o balanço com as instrucçòes do mestno Escr i vão , que desagradou pelo d eficit, que prognos ticava , nada mais fizera, ou ordenara naquella , ou outra al gum a repartição dependente, o que álem das testemunhasa- ciina terá apparecidodos exam es, a que elle M in is tro , e Juiz d ’ A Içada procedera: pois que só encontraria o seu nome no enserramento dos Livros da extincta com pan hia, que fora man dado apromptar com o N egociante a esse firn , sendo Juiz des sa deligencia o Corrgedor do R ecife; e na inform ação do re querimento de Joze B ryan sobre as avarias de huina partida de farinhas, de que elle pedia o seu pagamento. S egu n do, que fôra encarregado por hiima P o rta ria d ’ aquelle G overn o de repartir pelos Padeiros as ditas B arricas, e de c o m p ra r, e fazer o mesmo com as que se aprezentassem á ven d a: não confiando porem a subsistência de sua numerosa fam ília de taes bandidos nada com prara, e pretextando incom m ode ao P o v o pela distancia da sua moradia parára mesmo com aquel- la innocente coramissão, não tendo vendido a 3.‘‘ p a rle , cu ja importância fizera entrar lo go no E r a fio , com o deve cons tar dos Documentos em poder de seus filh os; e que então tu do passara para outros Negociantes mais felizes, ainda que não mais fieis Vassalios. T e rc e iro , que fora incumbido por hum chamado decreto de 11 de M arço de apresentar os me lhoramentos de que era susceptível a Adm inistração da sobre dita companhia de Pern am b u co, e que nada fizera a pezar dos defeitos da a c tu a l, e da sua natural e notoria propensão a trabalhos desta especie; o que mostra pelo menos pouca von tade de servir a taes bandidos. Q u a r t o , que fôra igualmen te ch am ado, em concurso com os Negociantes B e n to , M arqu ei
[ 17 ]
S ilva c com pan h ia, J o rg e, e ou tros, para fazer importar man timentos da America^ por conta daquelle G overn o, ou con- tractar sua im portação com os ^ylegocianles americanos ; porem q u e , uao confiando nenhum homem sizudo em tal ordem de couzas , difficultando com os seus companhei ros os termos do co n tra to , nada fizera. Q u in to , cpie fora também chamado a salla do Despacho para exam inar diver sas folhas de despezas da Intendência, 'J’ rtvn , e Ferrariade Sua M agestade; (testemunhas os G overuavores, e Conse lh eiro s) m as, que vendo por hum lado a inutilidade de tal ex a m e, em tal tem po, ao serviço de Sua M agestade, e por n u tro , que era hum m otivo mais para adquirir novos inim i g o s , álem dos que lhe tem grangeado a sua condueta retira d a de toda a sociedade, ainda n mais innocent e , ( testemunhas o ex-C apitão G en era l, O u vidor da C om m arca, Parocho da F regu ezia , e os N egociantes, e OíTiciaes acima apontados ) pelos viziveis roubos da ile a l F azen da, de queestavào semea d as; que ven d o , torna a repetir, taes inconvenientes, pretex- tára para nada fa z e r , mais socegado e x a m e , deixando tudo mo mesmo estado,, com o elle J uiz.d’ A lça d a acharia ; e por ta n t o fin alm en te, que não servira cargo algum daquelle G over- .n o , acabando aquelles poucos dias-, que não pôde deixar de sahir de sua èaza em sim])les N eg o c ia n te, que dantes e ra , com o melhor consta das P o rta ria s, em ais documentos notados.
F] por esta maneira houve elle M inistro estas perguntas por ora por findas, que lidas ao llespondeule por escrito tam- j)cn i declarou estarem conformes., e uccrescentando Que des olei a idade’ de onze annos fora p;^ra Lisboa , onde residira ate
1809 sendo ate' N egociante m atricu lado, letifando-se no d ii to anno para Pernam buco pela invasão dos Francezes, e que íia mesma Cidade de Lisboa se casá\a, do que tudo damos f é , e assignou com elle Juiz da A lçada.
Perguniado se ractificava o que hayia respondido aas .pergu n tas »antecedentes agora, lid a s, ou se tinha, a açcrescen- itaç.j .diínirçuir , ou declarar . : i.
Hespondeo por esçiiptp, pela razão antes d ita , que rac- tifica vá quanto havia re^pfendidot, e responderia ao mais por
que fosse perguntado. >
- j. Perguntado se ia ás .conferencias do G overn o Proviso- r io , é neljas votava compj C onsçiheiro,, e quanto tempo foi
Responcleo, que já dissera, que fora chamado á Saîla do Despacho do expediente, e para o q u e ; e que não tivera cargo algum , nem o contrario járnais constará ; e supposto que debaixo do ju g o da fo rç a , a que fora abandonado pelos Olficiaes de Sua M ageslade , elle figuraria ate de J u d e o , se fosse necessário á conservação de sua existência , e de huma m ulher, e onze filhos, de que a Providencia o en carregou, por achar-se á discripção dos rebeldes, por huma capi.ula- ção feita pelos OíTiciaes de Sua M agestade , unica em seu ge- nero na historia d o s h o m e ir: com tu d o , torna a rep etir, l . ° , que não fòra C onselheiro, e das mesmas Portarias con sta, que não tivera outro titu lo , que o de P a trio ta , comm um ao mais vil negro. S ." , que supposto fosse na occasião de Des pacho seis vezes, desde 8 ate' 20 inclusive de M a r ç o , para o «x a m e das folhas, e requerim entos, que in vo lviã o despezas, e que ficárâo no mesmo estado , com o d ito tem , nunca fòra com tudo aos con ven ticulos, ou Conselhos. 3 .“ , porque se manifesta hum absurdo ter ido á com panhia debaixo das or dens do pol)re Corregedor do R e c ife , se tivesse a dignidade de Conselheiro. 4 . " , fm alin en te, porque os Coribelheiros as- signavão com os G overnadores, com o elle Juiz da A lça d a te rá verificado, e de boam enle dá a vida se o seu nome appa- ïecer com o tal , ainda que a força tira toda a íin p u la ç a o d a i acções humanas. E por esta maneira
iion v«
elle M inistro es tas perguntas por fin dos, e por lidas ao respondenle, que disse por escripto estarem conformes.J^ergiintarlo se na casa delle respondenle se fazião adjun t o s , e se juntavão pessoas para concertar a revolução antes do dia 6 de iM arço, e aC elle antes desse dia tivera n o ticia da mesma revolução?
Respendeo: na sua cosa? G rande D eo s, que nos v e z , e ouves! Desufia ao mais perverso dos m oradores, e infames delatores de P e rn a in b rc o , que diga á face dos Ministros da L e i se na sun cosa havia algum a sociedade, que não fosse
a
c i v i l , e nah r í l de sua m ulher, filh os, e g e n ro , e quem
a
ella ia ; pois f; cilrnente será convencida a sua caliim nia pelo depoitm^nlo rh» todo Pernambuco. Em quanto ásegunda par te (lo quesito, responde, que não tendo relação algu m a com os rebeldes , e felizmcnle não conhecendo mesmo de vista a m oior parte delk-s, e fios 'nnumcraveis presos, que se achão n esta, em
razão do
seu bemnolorio
sys temade v id a
,nada
í 1 9 ]
sabe, a não ser dos seus devedores mercadores , que aliás não sendo pou cos, com o constará do sequestro, por outra igual felicidade nenhum se achava p re zo , e suspeito de infedilida- d e ; e seria precizo, que estivesse maniaco para ter aparelha do a itnj)t>rtante negociação para a A zia do seu N a v io Kspa- d a , prom pto a seguir v ia g e m , cuja interrupção tanto prejuí zo lhe ca u zou , e cuja viagem dependia para a sua con^um- m açào de tão lon go espaço de te m p o ; para ter entrado no B an co Real do R i o , poucos dias antes do fatal dia 6 de M a r ço, com a quantia de trinta tnil cruzados, e ter offerecido maiores fu n dos, e oseu pouco prentimo, ah u m dos Directoies, o Corn- mendador Lu iz deSouza D ia s , para o estabelecimento de h uma cacha (je desconto em Pernam buco, tanto do R eal A gra d o e benefici<i p ú b lico, se tal podosse presumir, e acreditar-se a possibilid.ule de sua existência, se desgraçadamente não fosse hunia triste verdade.
Pergiin tado a cauza porque fora interrompida a viagem do seu N a v io , visto acima d iz e r, que foi in terrom jiida, se foi para ir a A m erica In gleza buscar m antim entos, e o mais necessário para fornecer Pernambuco no tempo dos rebeldes, e auxiliallos do que o Governo Provisorio precizasse, como dos autos consta.
llesp on d eo , que a viagem para a A z ia fora im ter rom pida ou m ilhor dissolvida, com o a do B ergantim do B ello em razão do levante ; visto todos retirarem seus fundos para não correrem o risco de serem tom ados, com o propriedade de insurgentes, independente mesmo do embargo decretado pe lo Provisorio á sahida de todos ps N avios. Era quanto á via gem para a A m e ric a , projectada, e com tantadespeza prom- ptificada , foi igualm ente m alograda pelo em bargo g e r a l, e absoluto do Provisario de 14 de A b r il, em contravenção ao seu Decreto de 11 de M a r ç o ; o que igualmente acontecera a d o Bergantim de A n to n io M a rqu es, e ou tios; esu jjp osto, q u e B P ra ça , se persuadisse ao p rin cip io , que hia buscar man
timentos por ordem daquelle G o v e jiio ; com tudo tinha por m o tivo o sa lva ilo , assim com o duzentos e quarenta e tantos fardos de fazen da, que tinha em ser, e devern constar do se- .qu estro, e asna propria pessoa, e fa m ilia , e o Juiz de Fora
de G oian a das garras de taes facinorosos: tanto assim , q u e, prim o, não podendo, por direito mercantil, serem os N avios ven
didos sem especial m an dato, fizera |ogo em 5 de A b ril a pro-c 2
curaçao necossaria para sua venda no cnrtorîo <To TabeÎiàa iVlagalhiies ; e secundo, que sendo esta pertendida iuga sus p eita d a , e denunciada ao Provisorio , talvez [)o ra lg u tn , que lioje se acredite nm ilo fiel V a s s a lio , elle Resporidente fora ob rigad o, corn esta noticia, a descarregar outra vez os fardos de fazenda , que por sere rn tirados do mercado então mais corn vin h avel, daria lugar a tal suspeita (testemunhas todos os Negociantes moradores ao pe d ’ A lfa n d e g a ).
E por esta maneira houve elle Ministro estas perguntas p o rfin - d a s , que lidas ao Kespondente disse por escrip to estarem con form es, e de que damos fe ', e assigtioii com elle Juiz d ’ A l- çada.
Perguntado se ratificava o que havia respondido mas perguntas antecedentes, que lhe forão lid a s, ou se tinha que accrescentar, dim in u ir, ou declarar algum a couza ?
Respondeo por escripto, que ratificava o que havia res p o n d id o , eaccrescentava. 1 .", que João N ep om u cen od e tal ,
G uarda do Num ero d a p s t iv a , ventura de t a l, B o tic á rio , lam bem o virão quando foi conduzido pelo C apitão A zeved o á caza do Provisorio : que não só nada ordenara no E -r a -r io , com o que sÒ fô-ra diias vezes a co n ta d o -ria , e só folhea ra, para não ser suspeito de pouca vontade, o L iv ro dos D íz i m o s, c apezarda sua irregularidade, nada dissera, cornodepo- rao os mesmos Officiaes. 3 .°, q u e o e p ite lo de pobre, dado ao Corregedor do R e cife, refere-se aos sotYrimeneos porque passara no tempo do 1’ rovisor‘r o , e não a menoscabo em que tenha a sua pessoa edign idade. 4 . ° , quecham ára unica a cajjiluíação, por ser feita com quatro facerozos sem considera ção , força, e outro séquito, que o de poucos soldados, e
a
mais vil jiop u laça, sem ter precedido hum unico t ir o , setn se ressalvar ao menos a différénça de o p in iã o , e a liberdade da retirada do custume, feita, torna rep etir, por conselho
de
quatro Offici.ies Generaes, que na sua fugida não ouvirão da massa geral do P ó v o , e boa gente outro grito mais do que — V iv a E IK ei — V iva PJlRei — com o já constárá ao mesrrro Pobrrano Senhor. 5.” , que da ídea de sociedade suspeita em sua caza, quando não tinha nem a das partidas ordinárias,
se
manifesta o absurdo , quando se considera, que nelia vi vem de hospedagem desde 1809 João G onçalves da S ilv a , hoje g en ro , e seu iim â o Joaquim C y r ia c o , homem d a m ais notoria m oralidade; e que elles,
e
sua fain iliade mulher, e
[ 21 ]
filhos, e o C n p ilã o de M ar e G u erra, João Fells Pereira de C am p o s, e o Negociante Andrd A lves da S ilva, coin quem l i nha algum a rela<,’ào sào todos Furopeos, contra os quacs se fig-urou ao principio ser o levante. G.", quereqoer seracaria- do com o prevcrsoca!uinnia<ior, que tal avan çára, para con vencer pessoalmcnie sua calum nia. 7.'’ , que innlo cjuizcra salvar sua faniilia , e fazenda , que de suas intenções fizera lo g o avizo a seo lilhoJoão em L isb o a , lamentando^a tortura, em que se a ch a va , e a })crda da viagem ilo K sp a d a , como da caita a elle escrita, naturalmcntc oprehendida, e porco- pia n oseu ivivro copiador. 8.®, que assim o havia tratado , como dito te m , com o D outorJoze A lexan d re, Juiz de 1'ora de (jíoyaiia. 9 . ° , que a idea de revolucionário ho imconipa- tivel com a de negociante abastado de bens da hntuna , co m o o Uespondente, pelos prejuízos, <]ue resullão aocom m er- cio do menor transtorno da ürJem pública. A hialoria das Bancas-rôtas em tempos convulsivos faz a mais plena prova a favor da fidelidade de lium N egocian te, quando não por sentimentos, pelos seus proprios interesses, molla real do co ração humano. 1 0 .", que pelo primeiro m o tiv o , nem e lle , nem filho algum seu, ou commensal de sua caza , pegara em armas contra asQuinas Reaes, ou prestara serviço algum hos t i l , e que por ambos não só não fizera donativo a lg u m , co m o que procurava o pagam ento dos mesmos insignificantes artigos de sobrecelentes do N a v io , que por ordem do Inten dente da M arinha entregára. 1 L ° , queem razão dasqienali- dades ern que viveo pela sua desgraça, e de tão bello» P a iz , não assistira a função algum a do P iò v is o rio , e mais corpo rações, com o
Te D e u m .
convocação de C a m a ra , Bênçãos de Bandei.ias &c. com o deporão os seus tres commensaes, e todo Pernambuco. 1 2 .", que a pezar da lei do E m bargo so bre a propriedade dos Vassalíos do S. M agestade, e sua ex cessiva co m m in ação, não só não denunciara áquelle relielde G overn o as quan tias, que em seu poder tinha da caza — M o n ta n o — de Lisboa , e d e A ntonio Rodrigues Ferreira do R io de J an eiro; como que logo avisara a este, que a sua fazenda es tava segura em poder delle Respondenie, qualquer que fosse o suecesso, como da carta aesse fiin , talvez apprehendida, e p o i copia nos seus L ivro s. E nada mais tem que dizer*.Continuação dos artigos addicionaes de Gervasio Pires Per*
reira faitos no Hospital R ea l M ilita r em
^4de De%em*
bro de
1818.13.®, Q u e a não estar de todo m an íaco, torna a repe t ir , não teria dado principio a Imma não pequetia casa de cam po, nositio do Ca Ide i rei ro, para de lodo abandonaUa , co m o abandonou naquelle fa ta ld ia 6, [ testemunhas João Fran cisco Carneiro M onteiro , Joaquim Rodrigues P in h e iro , M a noel José Pereira L im a , Thom as A n to n io N u n es, e outros visin h os) tendo aliás já gaslo perto de (piinze m il crusados, com o dos seus Livros de Com m ercio : e nem teria contractado , cora Joaquim .lose M oreira , então sobre-cafga do E spada, ficar elle em D am ão para fazer hum novo N a v io , pelo ris c o , e dispendiosas fôrm as, que fizera aprom ptar no A rm a zém da Inspecçào (testemunhas o mesmo M oreira , José Se ve ria n o , Joaquim José M en des, Joaquim C y r ia c o , Caeta no José Rodrigue^ M arques, e os guardas do mesmo arm a z é m ); e muito menos teria deixado de segurar os trezentos fardos de fazenda,no valor de cento e quarenta,a cento ecin coen - ta rnil crusados, q u e , por convenção com Bento José da Cos ta, havia mandado carregar era B en galla na G alera A le x a n d r e , dos riscos e tomadias pelas forças de Sua M agestade e indefectível B lo q u eio , á menor convulsão revolucionaria, co m o succedeo, sedella tivesse a menor n o ticia , ou estivesse ao alcance da prudência humana prevenir hum fa c to , q u e , mes m o depois de acontecido, não apresentou indicio algum de ter sido projecfado (testemunhas os documentos originaes seques trados nesta). 1 4 .*, que não menos m aníaco deveria esta r, se de
motu proprio
dissolvesse a interessantíssima viagem do N a v io Espada p a r a G o a , a frete de l ô por cento sv^bre o va lor das fazendas, a 800 réis a rupia de Surrate, (testem u nhas André A lves d a S ilv a e t c . ) para m andar buscar á A m e rica Ingleza barricas de farinha, qu eijos, e m a n te iga , cujo va lor nãocheL»'ava a metade daquelle frete. ( testemunhas qual quer Negociante ainda dosqueassignão d e C r u z ) I5 .® ,q u ea viagem da ín d ia , independente das razões apon tadas, estava dissolvida por direito mercantil pelo facto do levan te; por is so que por esse facto lhe ficava vedado o porto de seu desti n o , com o hunti dos dominios de Sua M a gesta d e, e assim ci
[ ^3 1
dispõe todos os Códigos de Com m erclo. 1 6 .*, que dissera que figuraria até de Ju deo, se necessário fosse a eonservação dc* sua vida ctc.^ por isso que, nuo tendo sido favorecido da graça necessária para merecer a Coroa d o m a rtirio , não faria para fu gir a hum prudente disfarce , que as circunstancial e x ig iã o , hum sacrifício inútil para o E stado, da sua vida, a outros respeitos tão preciosa , com o o fizerão os ,Diogos, S i m ões, M adeiras, e outros assassinados pelos rebeldes por simples palavras.^ 17.® Q u e do facto de ler sido denunciada a sua pro- jectada viag-em no Espada são testemunhas, para evitar a va ga nomeação , que fizera , o Desembargador Jozé A lexan dre, Joaquim C y n a c o G o n ç a lv es , João G onçalves da S ilv a , a quem o dissera o ex-O u vidor de O lin d a , por Ilio ter dito o mesmo rebelde M a rtin s , assim com o a Bento Jozé da Costa segundo a sua^ lem b ran ça; e de ter-se divu lgado esta noticia na P r a ç a , são testemunhas os Negociantes Joaquim Jozé M e n d e s, Francisco Jozé da Costa G u im arães, A n ton io Si- mões R o ç a d o , Joze Bento Fernandes, A n to n io F ab iâo de M e n d o n ç a , A n to n io Ferreira de Faria &. 18 * , que ainda m ais se manifesta o absurdo das sociedades suspeitas ern caza do Respondente, quando se reflecte, que esta he occupada por hurna das mais numerosas fam ílias de Pernam buco, equ e era a unica, que tinha Jampiao a porta para alum iar ps en tradas: circunstancias diam etralm eiile oppostas ao segredo, que acornpanhão taes ajuntamentos ( testemunhas todos” os v i
zinhos , e a sua ocular iiispecçao ). 19.®, que o Bergantim B e l l o , que pelas mesmas razões dadas igualmente dissolveoa sua viagem para G ô a , estando aliás já em fra n q u ia , e com os fundos em barcados, chamava-sc o audaz, e o do Marques ou melhor o da sua con sign ação, cuja viagem para Lisboa fo i igualm ente embaraçada pelo E m b argo absoluto do dia 14 de A b r il, em contravenção a mesma le; dos rebeldes de 11 de M a r ç o , era de nome o lig e iro , te.stem unhas o mesmo B e l l o , e M arques, G regorio da S ilva R e g o , Joaquim A n to n io
G onçalves de O liv e ir a , José A n to n io de O liv e ira , José de O liveira R a m o s , e outros Negociantes carregadores.) ©0.®, qu e tratára de inconsiderada a persuasão da P r a ç a , no p r in cipio, sobre odestino do N a v io , por isso q u e , se ellareflectis- se na aberta, que a Lei do E m b argo dos Provisorios, s«a estupidez, deixava aos fieis vassallos de Sua Magestade p ara salvarem sua» propriedades, quando sujeitava a sua
sa-fel Ic.i
hicia a huma simples fian ça, tao facil de ser illudida , pela asiucia mercantil coin os figurados protestos de arribadas , ina- vegab ilid ad e, embargos etc. ; e que o lie o nao era o menos p ra tic o , nem o mais ignorante dos Negociantes , que a com- pu n h ão, teria lo g o vis to , que o verdadeiro destino daquella v ia g m , era , corno hum delies, cujo nome a honra faz es q u ecer, o dcnunciára aos rebeldes Provisorios. <21." fmalmen- t e , q u e , para sanar o e q u iv o c o , ou rnalicia de algumas testemunhas, he preciso, que se distinga a Sala do G o v e r n o , onde este despachava os requerimentos d ép a rtes, e á q u a l fôra o llespondente, e para o q u e , com o d ito te m , d o sco n - ven licu lo s, ou conselhos, donde sahlao as fataes ordens de prisões, em bargos, arm am entos, apprelienção de escravos e tc .; por isso q u e , áquella assislião os Conselheiros, e assig- navão corn os G overnadores, sem que com tudo fossem os seus votos geralmente o u vid o s, ou seguidos, e só sim para illudirem o povo com a presença de varÕes tâ o d o u to s , com o a filial a experiencia o rnosirou nos muitos requerimentos des pachados, sem que elles os tivessem sobescripto, e melhor coiijta rá dos exames feitos por esta A lç a d a ; e a estes os mesmos Conselheiros raras vezes, e nem todos, com o d iz e m , erào cham ados, sendo feitos em casa do M a rtin s, e Padre JoHO R ibeiro , e principalmente no Q uartel de D om ingos Th eoton io , com o igualmente a experiencia o mostrou no facto dos Escravos , que os Conselheiros só souberào pela publicidade de suas execuções, e que os mesmos rebeldes nào poderão negar á face daquelles , quando o Neg'oeiante Benr to Jose' da Costa representou a violência do procedim ento, (testemunhas M arqu es, S ilv a e C o m p a n h ia , Jorge G o n ç a l ves , R e g o , Lisboa, Belern ,' e todos os que forão cham a dos para subscreverem as suas odiosas prelenções, com o ao Bespondente o dissera o D outor José Joaquim de C ar va « Iho. )
[ f ô ]
£>efe%a de Gerva%io P ires F erreira fe ita na Cadea da B a-
h/a em
6
de O utubro de
1819
,
quando lhe m andurão di-
%er de fa c t o , e d e direito»
N ã o he a primeira v e z, Senhor, que o íiomem de been se ve precisado a defender do fundo de liuma masmorra a sua innoceneia , dos ataquem da infame calurnnia. O homem de bem, que faz da Lei a regra da sua condueta, e severo ern seus costumes, afipnía muito a m aldade, para que esta dei xasse de lançar m ã o , para calum niallo, da opportunidade, que lhe ofierecia o estado convulsivo, e perturbado de Per nam buco, e a natural disposição dos espirites eni íaes tem pos a huma cega creduiidade. Era muito preciso á perversi dade de quatro malvados, para desviarem de seus crimes a altenção dos M agistrados, e fazerern-se acreditar por fieis vassallos, que se engroçasse^ o numero das victimas da des g raça, para na multidão poderem esquecer seus nomes.
Cobertos com o ve'o de hum farisaico zelo pela Mages- tade, cffendida que lhes emprestava a vil Impostura, e predo^ii- nados de huma pueril, edesprezivel rivalidade, não tremerão de manchar com as mais estúpidas calumnias os moradores mais inteiros, e pacíficos claquelle Paiz. E senão fosse o sempre M em orável Decreto de 6 de F evereiro , a povoação de P e r nambuco ficaria nelles reduzida.
Os séculos futuros pasmarão de ver, que em huma re vo lu ção, Jilha de hum motim m ilita r, e este da lemeraria desèsperação de quatro soldarlos, é fraqdeza dos Oíficiaes Ge- neraes , encarregados por V . Magèstade de os repreniir, e òonsummada por huma C apitu lação, em que o Chefe da força armada abandonára ao furor dos facciosos o fiel, e man so P o v o , que este, e mormente a classe dos Negociantes, a cujos interesses tão contrario he o menor transtorno da ordem p ú b lic a , fossem aceusados de cmnplices da R e b e iliã o ; por isso q u e , entregues á sua individual fraqueza, e destituídos de toda á Protecção Real forão obrigados a jnestar ao Pro- vizorio alguns serviços, que por estarem ao alcance das suas possibilidades , não podião recuzar, sem risco de comprome ter as suas existências. Files pasmarão ainda m a h , quando
souberem, que alguns destes mestnos, que arrastados aliás pela,estupidez, e vertigem da novidade, concorrerão na
i '•
[
26
]
te (laqr.elle fatal d i a , com sens escravos armailos , a inj^ros- sar o partido dos facciosos, que entregarão as Fortalezas, e força militar de V. M agestade, sern preceder bum só tiro; que concorrerão a instalar o G overn o rebelde; q u e, abando nando seus postos, correrão de longe a offerecer seus serviços, e prestar juramento de fidelidade; e que sentarão praça a seus filhos, ou animarão com grandes donativos a sustentação do espirito da rebelliâo, forão Juizes no primeiro processo, feito naquelle desgraçado Paiz, e que outros são testemunhas no presente, contra os mais pacíficos Cidadãos.
H u m , que não escapou á mordacidade dos calumniado- res, he o R e o , meu constituinte, Gervazio Pires Ferreira, que pelos soffrimentos, que tem passado, e perda do uzo da v o z , e braço d ir e ito , pelo progressivo incremento do mal , que padece, assás caro tem pago a desgraçada lembrança d e ter-se recolhido a Pernam buco, quando fugira com sua nu
merosa fam ilia á segunda invazão dos Francezes em P o rtu g a l , por escarmentado da p rim eira, que não poderá evi- tar.
Grande Deos! quão impenetráveis são os teus juizos! C om que facilidade fazes ver ao homem a fragilidade de to dos os seus cálculos de co n d u eta , e prudência! Desta verda d e , Senhor, he o R é o huma não pequena prova. E lle he aceusado do crime de Leza M agestade, prezo, carregado de ferros, seus bens sequestrados, e conduzido a esta Cadêa, du zentas legoas distante do seu d o m ic ilio , e lugar do crim e , que se lhe im p u ta , quando seguro em sua consciência se ja c tava de ter salvado, pela segunda v o z, das tormentas revo lucionarias, sua nomeroza farnilia, e subsistência. F'elizmen- t e , para sua defeza, não precizo das armas da eloquência: huma breve exposição da sua condueta antes da revo lu ção , no acto d e lia , e no tempo do Provizorio, e a analize do ca racter das teslemanhas, falsidades dos seus d ito s , e inculpa bilidade do R e o , quando verdadeiros, preencherão de sobe jo o fim , a que me proponho.
O documento N , " ^ . , Senhor, prova a qualidade de Negociante da P ra ça de L is b o a , como o dissera em suas res postas ás perguntas, que lhe fizerão por este J u iz o , e que leva de novo á Consideração de V . M agestade, para evitar repetições supérfluas, como parte deste discurso, assim com o a continuação dos artigos addicionaes sub numero X , q u e »
[ » ]
por não terem sido acabados por sua le tr a , como tinha re querido, não forâo entregues pelo M ajor Alvarenga, Inspec tor do í l o s p i t a l , ao Excelleiitissiaio Conde Governador, e Presidente de A lç a d a , como lhe linha ordenado. Os docu- menlos i\." 3 e 4 pro vão , que a sua conducta civil nunca foi suspeita de crime: os autos de sequestro, e as Certidões N / 5 e 6 dos fardos de fazenda de sua marca, e co nta, des pachada em hum a n n o, provão sua antiga abasLaiicia: e a A pólice N.® 7 prova a entrada, que fizera, poucos dms an tes daquelie fatal dia 6 de Marco , de trinta mil crusados no Banco Real do K io de Janeiro. A Justificação iN.® 8 , que será corroborada, sendo necessário, com a inquirição das testemunhas, que o R e o apontara em suas respostas, e por que protesta, como de direito natural, prova a existcncia f a negociação do N a v io Espada para G ôa, e o projecto da fac- tura de hum novo iNavio em Dainão : a Certidão N.®
d
pro va a existência de trezentos fardos pela G a lle ra , A lex a n d re , sem seguro: e o attestado, N.® 1 0 , prova os offerecimentos feitos para o estabelecimento de huma cacha de descontos em Pernambuco.A Ord. da M ar. de França L.® 3." lit. 1.® art. 7 .° , e a da Hespanha Capitulo 18 n.® 10, ecapitulo 20 n.® 18, que pelo A lv a rá de 18 de Agosto de 1769, e Assento da Casa da Suppiicação de 23 de Novembro do mesmo anuo servem de Lei P a tria , provão a dissolução, por flireilo, da projeo- ta<la viagem do Espada para a ín d ia , independente da Lei do Em bargo dos Provizorios. Esta por copia nos Appeiisos, E , n.® 1 8 , prova a existência deste, e o mais minguado senso commum percebe os prejuizos, que provierão ao Reo d o transtorno de tantos interesses. Udocumento N ." 8 . pro
va, que o Heo não tinha relação alguma com os que se apre sentarão rebeldes, co m o , que era mal visto do Chefe Mar- ■tiin , em razão da circular, ern que o R e o desmascarava sua fiducioza ignorância eni matérias commerciaes, e os mesmos re'os pergitnlados a f. e f. particularmeiite sobre a casa tio R e o , sem que, aliás, testemunha alguma da devassa tives se ouzado m anchala, e apezar do Áureo Decreto de 6 de
Fevereiro, que irnandára suspender todo o procedimento de vasso, provão não sómente quão retirada era u sua coiiduc- 4a de 4oda a sociedade, com o as deligencias feitas para maior iustre da sua imiocencia,
[
^ 8]
O faclo público, e notorio de nunca ter o íl é o servido emprego algum dos relativos á sua qualidade de Cidadáo , N egocian te, e Catholico Koinano , a pezqr das circunstan cias, ern que se achava, prova de sobejo, que o R eo restrin gia Ioda a sua artil>ição em ser hum vassallo honrado, c em segurar a subsistência de seus filhos, para os livrar, ao me nos, dos vicios da metidicidade. O mesmo documento N .* 8 , prova, que, naquelle dia da ira do Senhor contra o P o vo Pernambucano, e ao primeiro successo, o R e o , fugindo du Praça d o C o m rn e rc io , se recolhera na loja de A n ton io Ferreira de Faria, Enropeo, donde se retirara embarcado pa ra sua casa, e nelia se trancára, fratjueanlo assim o bairro amotinado. O mesmo documento p ro v a , que o R e o só sa- hira delia , quando fòra chamado mililarmente pelo P r o v i- zorio, ádescripção do qual tinha sido abandonado, e a quem na sua fraqueza individual não podia resistir.
O mesmo p ro v a , que apezar do ter sido ordenado pelo Governador Martins ao R e o , que organizasse a contadoria do Erário, este nada fizera nelia, entretendo-se nas duas úni cas vezes, que a ella fò ra , para não ser suspeito de má von tade, tão perigosa em taes tempos, com o L iv r o dos Dizi-» inos, sem nada dizer sobre o seu estado, não obstante o máo syslema da sua escripturação.
l^elos e x a m e «, a que procedeo o Illiistrissimo Juiz R e la to r, se tera veriíicado, q u e, sendo o R eo incumbindo de informar diversos requerimentos, relativos a despeza, e de examinar as folha da Intendência, T r e m , e E^erraria peran te elles, nao só não fizera extracto algum dos erros, que es tas tin h ã o , e que apontará em complemento de p r o v a , lo go que lor do serviço de V . Magestade, como, que só informá- Ta o requerimento de Jozé B rayner, por ser relativo ás bar ricas de farinha, de cuja venda estava encarregado, como do documento N . “ 11; e q u e , estendendo-se esta ordem á co m pra de outras partidas, que se offerecessem , como do mestno documento, o Ke'o, não só não cornprára a lg u m a , c o m o , que disistira astuciosa mente desta innocente comrnissão , en tregando logo o produto da parte vendida. Certidão N.®
A menor reflexão fará perceber a todo o mundo a astú cia, que seria preciza ao Reo, para livrar seus filhos, e c o m - mensaes de sentarem praça, e piegarem em armas contra a- Bandeiras R eaes, assim como dc fazer donativo algum, pro»
[ S9 J
^ P®"" havia ven d i d o , Certidões N . 1 3 , e 1 4 ; e sobre tudo, pora ter con se g u id o , ^ qiie sen norne escapasse a todos os iniumes papeis a j j u e forao obrigados a prestar*se alguns fieis vassallos, para nao serein malvistos de hum G o v e r n o , fundado era assassí nios. •
O
documento N . . 15 prova, que a pezar da rigoroza comm inaçao da )ei do Em b argo sobre as propriedades dos Vassallos de V . xMagestade, o R é o , nao só nao denunciara as que tinha ém seu poder, como avisara a hum delles, dasegurança, qualquer que fosse o sticcesso. O documento ■y
lo
prova o acolhim ento, com q u e, naquelles tempos ar riscados o Kco recebera ern sua caza hum digno ÍVHnislro de V. Magèstatk. O facto do vao ter assistido a funccào al guma daquelle Governo, ou dascorporaçòes, como constado documento N . 8 , prova o seu disgosto por talordem decou- zas; este mesmo prova o astuciozo estratagema de doença, com que fugira^ ás ordens daquelle Governo , logo ao 14.* dia da sua instalação, e que tão utilmente foi seguido pelo D ou tor A n to n io de Moraes Silva, liste mesmo M oraes, de quem p l a n t e faltaremos, confirma este estratagema pela altestaçãoO sdocum entosN.* 18, 19, SO, S l , e SS, provão-opara que toi mandado depois, com o pretexte de não prejudicar a sua saude, em o 1 de A b r il, ao Escriptorio da Com pa- n la extincta , sendo Juiz da deligencia o Dezembargador , U u vidor do R e cife, e que, apezar de ter o Reo percebido e huin golpe de vista, que o saldo dos assentos da Cacha nao correspondia corn a quantia, que apparecia em dinhei r o , nada dissera, retirando-se em direitura para sua casa, sem ter mesmo presenciado todos os mais actos anteriores, e posteriores.
O documento N .* S3 mostra o estado afflictivo do R e o , pela perda da boa viagem do Espada, e o acréscimo de ma les, que mais esperava; e indica ao mesmo tempo os seus sentimentos de retirada com toda a fa m ilia, para os evitar, assim como as instrucçòes vocaes, dadas a seu sobrinho, D o mingos Malaquias de A gu iar Pires Ferreira, para os seus arranjos domésticos. O documento N .* 24 da letra, e signal do íIlustríssimo JosíbCorreia da S e n a , Mi nistro de V . M a - gestade iios Estado» U nidos, provando a fidelidade deste seu