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Programa de educação tributária da Bahia: a visão dos atores envolvidos no seu grupo e a implementação do programa

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NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO

ARLINDO AMORIM PEREIRA

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO

TRIBUTÁRIA DA BAHIA:

A VISÃO DOS ATORES ENVOLVIDOS NO SEU GRUPO E A

IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA

Salvador 2005

(2)

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TRIBUTÁRIA DA BAHIA:

A VISÃO DOS ATORES ENVOLVIDOS NO SEU GRUPO E A

IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA

Dissertação de mestrado submetida, como requisito parcial, à aprovação para obtenção do grau de Mestre, na Universidade Federal da Bahia, Escola de Administração, Núcleo de Pós--Graduação em Administração.

Orientador: Prof. Dr. Antônio Virgílio Bittencourt. Bastos

Salvador 2004

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ARLINDO AMORIM PEREIRA

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TRIBUTÁRIA DA BAHIA:

A VISÃO DOS ATORES ENVOLVIDOS NO SEU GRUPO E A

IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA

Dissertação aprovada como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Administração, Universidade Federal da Bahia, pela

seguinte banca examinadora

Antonio Virgílio Bittencourt Bastos _______________________________________

Doutor em Psicologia – UnB Universidade Federal da Bahia

José Célio Silveira Andrade ____________________________________________

Douto em Administração - UFBA Universidade Federal da Bahia

Maria do Carmo Lessa Guimarães ______________________________________

Douto em Administração - UFBA Universidade Federal da Bahia

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Deus, onde deposito toda a minha fé, crença e esperança e a minha família, não só meu núcleo familiar de hoje (esposa e filhos), mas também à família original (pais e irmãs) a quem eu dedico e divido a alegria de mais esta etapa vencida da minha vida.

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A meus pais, Arlindo Émétrio Pereira (in memória) e Carmosina Amorim de Sá Pereira, que, apesar de todas as dificuldades da vida, não mediram esforços para me indicar, orientar e dar o exemplo de uma formação de luta, digna e humana aos quais sou e serei sempre grato pelo apoio e ensinamentos em todos os instantes da vida, onde os fortes vencem e os fracos precisam de auxílio e não, necessariamente, ser eliminados;

À minha família, aos amigos próximos e aqueles que se revelaram mais amigos do que eu percebia, que por vezes calados e até mesmo distantes incentivaram e me ajudaram a não esmorecer e desistir pelo meio do caminho, mesmo nos momentos da saúde fragilizada. Que aceitaram e compreenderam a necessidade da diminuição das horas de lazer e convívio juntos. O que seria sem eles?

Ao Prof. Dr. Antônio Virgílio B. Bastos, que, acompanhou o desenvolvimento desta dissertação. Pela confiança em mim depositada ao me orientar num tema pouco conhecido por mim e que, por conseguinte, lhe demandaria maior esforço no papel de orientador nesta área onde ainda há muito que ser estudado. Pela valiosa, inestimável e inesquecível compreensão ao longo de todo o caminho percorrido, principalmente no período da minha saúde debilitada, ultrapassando os limites de um simples orientador e deixando a marca indelével na minha mente de um profissional preocupado, não só com a produção científica, mas pelo ser humano envolvido e responsável por ela, indicando pessoas que me ajudaram de forma inesquecível. Obrigado pela paciência com que me apoiou e me atendeu, quando se dispôs prontamente a solicitar ao egrégio Colegiado desta renomada instituição a mesma compreensão no meu período de reabilitação da saúde.

Da mesma forma, registro o meu muito obrigado a este Colegiado. Não há palavras que possam descrever toda a importância, intensidade e humanidade na compreensão dos Senhores. Estão marcados para sempre em minha mente: Sois homens, não sois máquinas, nos lembra Chaplin há décadas;

À Profª. Mestre Núbia dos Reis e à Profª Aislane Simões, que apesar de não pertencerem ao quadro de professores do NPGA, se mostraram mais do que ajudadoras e colegas, mas sim grandes amigas. Muito obrigado! Do fundo do coração. Por mais que eu tente, não conseguirei expressar a minha gratidão a vocês;

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DIROP, pela disponibilidade e ajuda que permitiram a execução deste trabalho. Perdoem-me os outros colegas, mas seria injustiça não deixar registrado o meu agradecimento especial à sempre solícita e incentivadora colega Paulides Fernandes;

Ainda um especial agradecimento aos colegas da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, Renato dos Santos de Almeida e Cosme Alves dos Santos pelo incentivo no início deste processo, nas palavras e atitudes de apoio, entusiasmo e aprendizado contínuo de vida que me proporcionaram durante o período de convivência direta;

A todos os professores do NPGA, pelos ensinamentos e preciosos questionamentos durante todo o curso, pelo esforço demonstrado de nos fazer melhores do que antes;

Aos funcionários do NPGA, especialmente Anaélia e Dacy, pela presteza, cuidado, atenção e carinho no atendimento administrativo em todos momentos;

Aos amigos e colegas de outras paragens e do curso de Mestrado, pelas valiosas sugestões e discussões nas aulas e pelo prazer da convivência. Que bom se essa chama da amizade nunca se apagar. Lutemos por isso! Só depende de nós.

(7)

Mais de bondade e ternura que de inteligência.

Sem isso, a vida se tornará violenta e tudo se perderá.”

(8)
(9)

O presente trabalho objetiva através dos projetos SUA NOTA É UM SHOW e SUA NOTA É UM SHOW DE SOLIDARIEDADE, evidenciar as principais perspectivas, implícitas e explícitas, alimentadas por seus dirigentes diretos e idealizadores em relação às motivações semeadas por essas respectivas campanhas, bem como o êxito por elas proporcionado. Foram analisados os dois primeiros projetos do PET-BA: SUA NOTA É UM SHOW e SUA NOTA É UM SHOW DE SOLIDARIEDADE. Buscou-se como base teórica, os aspectos relativos ao estudo da Teoria Cognitiva Organizacional como formação de esquemas, scripts, modelo e mapas mentais individuais e em grupo. O trabalho se restringe à investigação apenas dos dirigentes e implementadores que participaram de alguma forma e ainda participam do PET-BA, não se preocupando em confrontar se as percepções dos entrevistados, em relação ao sucesso e atingimento dos objetivos de cada projeto compactuam com as percepções dos beneficiários diretos de cada projeto ou mesmo de outros grupos, através de perguntas abertas e posterior análise e tratamento desses dados. É apresentado os resultados de uma pesquisa sobre a existência de esquemas mentais semelhantes em um grupo de pessoas que participaram e, ainda, participam da implementação do Programa de Educação Tributária da Bahia (PET-BA), pela Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia. Com essa finalidade, os objetivos iniciais do trabalho foram alcançados revelando a existência de pontos e idéias comuns nas falas dos entrevistados demonstrando a existência de um esquema mental, praticamente, único em relação ao PET-BA.

Palavras-chave: Palavras-Chave: Cognição; Teoria cognitiva organizacional; Mapa mental; Esquema mental; Esquemas interpretativos,

(10)

The present work’s objective is to rise the main implicit and explicit perspectives nurtured by the direct managers and the conceives of the projects “ YOUR INVOICE IS A SHOW” and “YOUR INVOICE IS A SOLIDARITY SHOW”, relative to the motivations spread out by such campaigns as well as the success brought by them. The two first projects of PET-BA (mentioned hereinbefore) were analyzed. The theoretical foundation used included aspects of Organizational Cognitive Theory such as the formation of schemas, scripts, models and mental maps, both relative to individuals and groups. The work is restricted to the investigation of managers and collaborators who implemented or to some extent participated in PET-BA, not concerning to confront if the perception of the interviewed people relative to the success and to whether the objectives of each project were met is actually aligned with the perception of the direct beneficiaries of each project or even of other groups, through open questions, subsequent analyses and treatment of the data. The results of interviews about the existence of similar metal schemes within a group of people that participated and still participants in the implementation of the Fiscal Education Program of Bahia (PET-BA), organized by the Secretary of Finance, Bahia State are presented. The initial objectives of the work were met revealing common points of view and ideas in the reports of the interviewed ones and demonstrating the existence of an almost single mental scheme relative to PET-BA.

Keywods: Cognition; Organizacional cognitiva theory; Mental map; Mental scheme; Interpretives schemes.

(11)

Figura 1 - Hexágono cognitivo 27 Figura 2 - Representação do esquema cognitivo dos entrevistados 98 Figura 3 - Ciclo virtuoso da relação Estado Sociedade 99

Figura 4 - Ciclo de aprendizado organizacional 101

Figura 5 - Ciclo gerencial do conhecimento 102

Figura 6 - Desenho do entrevistado 1 105

Figura 7 - Desenho do entrevistado 2 106

Figura 8 - Desenho do entrevistado 3 107

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Tabela 1 - Evolução da Campanha SUA NOTA É UM SHOW DE SOLIDARIEDADE 84

LISTA DE QUADROS

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1. INTRODUÇÃO 13

2. UM OLHAR SOBRE A TEORIA COGNITIVA 18

2.1. CIÊNCIA COGNITIVA E PROCESSOS ORGANIZACIONAIS 18

2.1.1. Estruturas Cognitivas: Explorando alguns conceitos importantes 46

2.1.1.1 Esquemas Sociais 46

2.1.1.2 Funções dos Esquemas 48

2.1.2 O Surgimento de Esquemas Semelhantes 53

2.1.3 Esquema Interpretativo Versus Mapa Cognitivo 56 3. EDUCAÇÃO TRIBUTÁRIA NO BRASIL: UM BREVE RELATO 61

3.1 O ESTADO COMO ORGANIZAÇÃO 61

3.2 EDUCAÇÃO TRIBUTÁRIA: O ESTADO E SEU PAPEL 64

3.3 ASPECTOS DO SISTEMA TRIBUTÁRIO E PROGRAMAS DE EDUCAÇÃO

FISCAL BRASILEIRO 71

3.4 O PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TRIBUTÁRIA NA BAHIA 79

4 MÉTODOS E PROCEDIMENTOS DE PESQUISA 88

4.1 INTRODUÇÃO 88

4.2 REALIZANDO A PESQUISA 89

4.2.1 Fontes secundárias 89

4.2.2 Fontes primárias 90

4.3 ELABORAÇÃO DO ROTEIRO DA ENTREVISTA 92

4.4 A ESCOLHA DOS ENTREVISTADOS 93

4.5 ATIVIDADE DE CAMPO 94

4.6 TRATAMENTO DOS DADOS 95

5. PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TRIBUTÁRIA DA BAHIA: A VISÃO DOS ATORES ENVOLVIDOS NO SEU GRUPO E A IMPLEMENTAÇÃO DO

PROGRAMA 97

5.1 O ESQUEMA COGNITIVO DE SEUS PRINCIPAIS ATORES 97

5.2 IDÉIAS CENTRAIS 98

5.3 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DO PET-BA A PARTIR DOS DESENHOS

DOS ENTREVISTADOS 100

5.4 NORMAS LEGAIS E EXPECTATIVAS PESSOAIS 111

5.5 OLHANDO PARA O FUTURO 114

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 117

REFERÊNCIAS 120

APÊNDICES 124

(14)

"Não são as espécies mais fortes que sobrevivem, nem as mais inteligentes, mas aquelas mais sensíveis às mudanças” (Charles Darwin)

O Programa de Educação Tributária do Estado da Bahia – PET-BA,

instituído pela Lei n.º 7.438 de 18 de janeiro de 1999, foi o objeto de nosso estudo

que serviu de elemento de subsídio e norteio para esta pesquisa. O presente

trabalho objetiva através dos projetos SUA NOTA É UM SHOW e SUA NOTA É UM

SHOW DE SOLIDARIEDADE, evidenciar as principais perspectivas, implícitas e explícitas, alimentadas por seus dirigentes e idealizadores em relação às motivações

semeadas por essas respectivas campanhas, bem como o êxito por elas

proporcionado.

A análise das expectativas, sentimentos, perspectivas na dimensão

temporal, identificando as alterações ocorridas em relação ao passado, presente e

expectativas futuras, mostrou-se inadequada no decorrer do trabalho, quando da

observação e análise das entrevistas para o objetivo traçado. Assim, optou-se por

não analisar os dados dentro de uma visão temporal, definindo-se o que se fala do

passado, do presente e as expectativas futuras. Em alguns momentos pode-se

observar que os entrevistados falam do passado e do presente e, por vezes, do

futuro como se esse todo estivessem acontecendo em um único momento, sem a

(15)

teórica que se buscou para melhor compreensão, entendimento e análise dos fatos

se fundamentou na Teoria Cognitiva das Organizações, tendo relevância, aspectos

das teorias implícitas, a construção de modelos, scripts e esquemas mentais, tanto

individuais como de grupos.

Projeto que dá início às atividades do Programa de Educação Tributária do

Estado da Bahia, SUA NOTA É UM SHOW firma-se ao utilizar elementos peculiares

da cultura baiana como a música e o futebol, com o objetivo de alcançar grande

participação ativa do consumidor-cidadão e, conseqüentemente, o resultado positivo

no que concerne ao aumento em sua vigilante contribuição e participação para a

arrecadação de imposto pelo Estado. Além de desenvolver a conscientização no que

se refere ao cumprimento das obrigações sociais do Estado e incrementar o

combate à sonegação fiscal, a troca da nota ou cupom fiscal por ingressos para

jogos de futebol e shows musicais incentiva a participação e a valorização de

atividades artístico-culturais, bem como desenvolve o hábito de se exigir o

documento fiscal, prática educativa, até então, pouco desenvolvida. É neste aspecto

que o projeto está envolvido com esta pesquisa. Com o auxílio da Teoria Cognitiva

das Organizações como base teórica, procurou-se observar a existência de alguns

aspectos cognitivos como esquemas, scripts, mapas mentais, sempre tomando

como base a perspectiva dos seus dirigentes e implementadores.

Com a implantação do segundo projeto1, também aqui comentado, continua,

por parte de seus dirigentes, a busca pela concretização de práticas do bem-social

em relação à camada popular. Pois que, por meio deste, além de ser desenvolvida e

alargada a conscientização do cidadão em relação ao Estado, como promotor do

1

(16)

desenvolvimento em bem-estar social de forma solidária, o projeto visa, ainda,

apoiar instituições voltadas para as áreas da saúde e da assistência social.

Desta forma, como já dito, com base na perspectiva cognitivista,

principalmente, centrada nos aspectos das teorias implícitas, e na construção de

modelos e esquemas sociais (enfatizando aqui o aspecto do grupo dirigente

entrevistado), pretende-se avaliar que outras características existem, além da

educação tributária. A visão destas outras características é compartilhada pelo grupo

em referência ou cada dirigente tem uma visão independente? Pretende-se durante

o estudo verificar se há a formação de um modelo mental do grupo, um esquema

cognitivo comum servindo como norteador para as decisões dos seus dirigentes, ou

mesmo decorrente delas, conseqüência de sentimentos e expectativas semelhantes

pertencentes a um modelo mental único (ou semelhante) do grupo.

Não faz parte do objetivo deste trabalho a análise dos atores que não sejam

os dirigentes/implementadores do PET-BAHIA, entrevistados no trabalho de campo.

Nem tão pouco avaliar se o Programa está alcançando os seus objetivos junto à

população, entidades beneficiadas, comerciantes ou mesmo junto ao Governo

(como instituição), apesar de alguns comentários e números aparecerem durante as

entrevistas ou mesmo na análise do Programa.

Espera-se que, no final, tenha-se confirmada a hipótese inicial deste

trabalho: Há a existência de um modelo mental único, ou semelhante, do grupo de

dirigentes/implementadores do PET-BA que direciona as ações e características

para além da educação fiscal em função dos anseios e sentimentos implícitos no

(17)

Neste intuito, é utilizada a contribuição propiciada pela Ciência Cognitiva

para a análise da criação, execução e, conseqüentemente, do buscado êxito em

relação aos projetos em questão, pelo olhar dos seus dirigentes.

Para tanto, tem-se como premissa que este programa (com vários Projetos)

não tem caráter apenas educacional em relação ao imposto. Não é apenas um

Programa de Educação Tributária que tem por objetivo despertar no cidadão a

consciência da importância da emissão da nota fiscal por parte do comerciante na

hora da venda de um produto ou de um bem. Acredita-se, também, que vai além da

simples educação tributária do Programa de Educação Tributária do Estado da

Bahia (PET-BA), na visão dos seus gestores. São características, anseios,

sentimentos pessoais e o desenvolvimento da cidadania, que trazem consigo o

resultado da marca de uma política governamental de auxílio social, a qual é

transmitida com clareza e determinação, ou, ao contrário, é o que caracteriza e

marca a política governamental.

Ao final deste estudo, pelo viés teórico que caminhou o trabalho na análise

dos dados colhidos no campo, espera-se ter confirmada a hipótese de que, além da

educação fiscal, outras características são reconhecidas e marcantes no PET-BA,

influenciadas, validadas e expressas de forma consciente, ou inconsciente, mas, de

certa forma, espontânea (já que não há como excluir totalmente a influência do

entrevistador no entrevistado), na fala e no discurso dos seus dirigentes e gestores,

ao tempo em que se espera ver a inclusão de tais elementos nos seus esquemas

cognitivos.

Nesta perspectiva, este trabalho está estruturado de tal forma que no

capítulo 2 tem-se a base teórica que fundamentou a pesquisa: Faz-se uma rápida

(18)

abordando alguns conceitos como o surgimento de esquemas, scripts, mapas

mentais e outros.

No capítulo 3, é feito um breve histórico da educação tributária no Brasil

servindo de orientação e retratando, de forma simplória, o trajeto deste assunto

percorrido da União (esfera federal) para a Bahia (esfera estadual).

No capítulo 4, é mostrada a rota metodológica utilizada para a obtenção do

objetivo deste trabalho com a descrição dos procedimentos, fontes secundárias e

primárias pesquisadas. Fala-se do roteiro que serviu de orientação para as

entrevistas, do critério de escolha dos entrevistados e tratamento dos dados obtidos

nas entrevistas.

No capítulo 5, tem-se o resultado empírico do trabalho. A análise das

entrevistas com base nos aspectos teóricos cognitivos, onde se representa, através

do Diagrama de Venn-Euler, o esquema cognitivo dos entrevistados percebido pelo

pesquisador.

É realizada, também, a análise dos desenhos feitos pelos entrevistados

durante cada entrevista, onde são pontuados aspectos relevantes para o

entendimento do esquema cognitivo do grupo como um só, sem contudo, o objetivo

ou a pretensão de esgotar a análise dos desenhos.

No capítulo 6, apresentam-se as conclusões desta pesquisa, ressaltando-se

a confirmação da hipótese inicial do trabalho e indicando a possibilidade para

(19)

2. UM OLHAR SOBRE A TEORIA COGNITIVA

2.1. CIÊNCIA COGNITIVA E PROCESSOS ORGANIZACIONAIS

Pelo fato dos estudos cognitivos estarem voltados para o entendimento dos

processos do desenvolvimento e mudanças estruturais na área do conhecimento,

representando e investigando o uso de suas estruturas, em especial o seu impacto

sobre resultados organizacionais em diferentes níveis e proporções; a preocupação

que subsidiou a elaboração deste trabalho constituiu em explicitar, mesmo que de

forma sucinta, a ação humana em suas motivações sociais, centrando-se,

sobretudo, nas transformações decorrentes dos processos organizacionais, no que

tange aos seus aspectos cognitivos. Vários modelos estão sendo desenvolvidos e

com eles não se perde de vista a intenção de integração, cada vez maior, no sentido

de integrar os modelos existentes.

Para tanto, necessário se faz investigar científica e metodologicamente os

processos organizativos sob a luz da interdisciplinaridade no campo epistemológico

do conhecimento, evidenciando a inter-relação entre a Ciência Cognitiva e os

estudos organizacionais.

(20)

os modelos cognitivos estão mais aptos a continuar dominando a prática organizacional por algum tempo [...]. Eles são mais consistentes com a visão holística e com relação ao respeito às pessoas. No entanto a modificação de comportamento também tem alguma utilidade, especialmente em situações estáveis com um mínimo de complexidade, na qual parece haver ligação direta entre o comportamento e suas conseqüências. Em situações mais complexas e dinâmicas, os modelos cognitivos serão usados mais com freqüência. (2002, p. 85)

Preocupada com a significação e o significado do ato de conhecer algo, ter

crenças e pensamentos precisos ou desconhecer, ou seja, ignorar um determinado

fenômeno, a Ciência Cognitiva procura investigar de forma extensiva o

conhecimento. Isto acontece, principalmente, pelo fato das restrições e limites do

conhecimento humano serem freqüentemente questionados.

Segundo Gardner (1996, p. 19), a Ciência Cognitiva é “um esforço

contemporâneo, com fundamentação empírica, para responder questões

epistemológicas de longas datas, principalmente aquelas relativas à natureza do

conhecimento, seu desenvolvimento e sua aplicabilidade”. Aqui, o enfoque será a

articulação dos estudos cognitivos em face aos organizacionais, que de acordo com

a dimensão que tem ganhado, consolidou-se como um campo interdisciplinar. Nosso

olhar se volta exclusivamente para o aspecto de como este movimento tem se

concretizado aproximando a Ciência Cognitiva dos Estudos Organizacionais.

Embora a Ciência da Cognição englobe um movimento que ultrapassa os

limites dos campos científicos específicos – Psicologia, Antropologia, Lingüística,

entre outros, a nossa preocupação se constitui em um olhar desenvolvido a partir do

crescente domínio de uma visão cognitivista no âmbito da Psicologia Social, uma

vez que esta é, talvez, a área que mais se ocupa com os estudos organizacionais.

É patente a constatação de que há um grande fôlego e velocidade no que

tange a evolução da Ciência da Cognição. O campo cognitivo é dividido em duas

grandes vertentes: a cognição social a qual se responsabiliza pela percepção,

(21)

sobre o processo decisório que analisa o comportamento e a tomada de decisão,

isto é, o poder de iniciativa do indivíduo em seu meio natural. Neste trabalho,

cuida-se de ambas vertentes. Por concuida-seguinte, necessário cuida-se torna explanar, mesmo que

de forma concisa, os estudos da Ciência Cognitiva no campo da Organização, os

quais estarão voltados para uma série de impactos da estrutura do conhecimento no

que se refere à vida das pessoas (plano individual) gestores e organizações

(coletividade).

Segundo Bastos (2000b), dois marcos podem ser identificados na transição

que desencadeou na incorporação de um olhar cognitivo do fenômeno

organizacional: O trabalho de Herbert Simon, no final da década de 40, o qual tratou

sobre o caráter seminal da sua eleição dos processos decisórios e das escolhas

humanas, como elementos críticos em uma teoria de organização; e o trabalho

clássico de Karl Weick, o qual traduz a necessidade de entender as organizações

como processos. Para Simon, a organização é vista como um sistema de

processamento de informações e combinações, do qual decorrem as decisões que

as estruturam. As organizações se fazem presentes na mente dos indivíduos e sua

existência se dá por meio de processos cognitivos, os quais são responsáveis pelo

sucesso ou pelo fracasso de planos estratégicos utilizados nas organizações. As

estruturas cognitivas ou epistemológicas flexíveis são geradas pelos participantes a

partir de suas experiências e utilizadas para significar e ressignificar os eventos e as

ações tanto do ponto de vista individual quanto coletivo.

O processo de mudança pelo qual passam as organizações e as transições

conceituais se dá, já que transformações sucessivas se impõem ao comportamento

(22)

abordagem cognitivista e da emergência interdisciplinar dos estudos da Cognição e

Organização.

Apoiada nos avanços, ou melhor, no crescimento desenfreado das

neurociências e da inteligência artificial, a Ciência da Cognição tem conduzido e,

sobretudo, convidado à execução de um exaustivo reordenamento das imagens e

estruturas interpretativas com que se apreende a ação humana, tanto individual

quanto coletiva. A ótica da Ciência Cognitiva vem galgando força e se revelando

como uma contribuição extremamente rica no que concerne à inclusão de um novo

discurso, o qual permite reinterpretar antigas correntes, bem como aprofundar o

entendimento dos processos organizacionais, aglutinando vários conceitos e

campos de estudo da ciência proporcionando, na maioria das vezes, um novo

conceito do que seja organização.

Girin afirma que para a organização se traz e se produzem esquemas de

conhecimento em seu interior. Além destes, também são produzidos instrumentos de

análise e corpos de conhecimento relativamente sistematizados. Estes se localizam

dentro de uma faixa que vai da simples habilidade e da aplicação do conhecimento

prático se estendendo até o saber formal que pode, com tranqüilidade, ser

transmitido por meio de manuais e assemelhados, devido aos vários recursos

tecnológicos hoje existentes em várias organizações e a própria psicologia dos

indivíduos.

Por se tratar de uma atividade interdisciplinar, importante se torna, aqui,

examinar as preocupações da vertente construtivista, assim como a sua

preocupação com a natureza de construção de significados. Pleiteia-se assim, obter

acima de tudo, uma nova linguagem que centralize a atenção em novos fenômenos

(23)

organizações. Deles, resultar-se-á uma nova concepção do comportamento humano,

a qual, conseqüentemente, refletir-se-á na organização.

Assim, busca-se analisar as relações entre indivíduos e organizações, sem

perder de vista as transformações ocorridas, as quais se constituem em

significativas alterações para o estado ontológico dos conceitos de cognição e

organização, já que ambos os campos ocupam-se do conhecimento e da

investigação, por caráter extensivo, dos domínios da fenomenologia que procura

investigar e compreender os seus elementos determinantes. Trata-se, portanto, de

domínios científicos de natureza interdisciplinar, os quais são subsidiados e

norteados pela produção do conhecimento científico, por meio do qual se evidencia

o forte movimento que tem possibilitado a relação de interdisciplinaridade entre a

Ciência Cognitiva e os estudos Organizacionais, gerando perspectivas heurísticas de

apreensão dos complexos fenômenos naturais e sociais.

Encontramos em Girin que quando do estudo das relações entre linguagem

e cognição organizacional, há a uma dinâmica cognitiva entrelaçada às trocas

lingüísticas, o que se revela nos relatórios, manuais, estudos, conversas entre outras

amostras afirmativas deste entrelaçamento. A linguagem passa a ser mais do que

apenas um ‘suporte de representações’, galgando um status de instrumento de

elaboração destas representações.

Tais instrumentos, em geral, podem ser observados coletivamente dentro da

organização. Não se fala de indivíduos solitários expondo suas idéias à prova da

linguagem. Faz-se referência aos grupos de relacionamento, onde no seu interior

são elaborados coletivamente ou não, formulações, interpretações etc., e se

(24)

Os estudos organizacionais vêm sendo impactados ao longo do tempo em

razão da existência da revolução e mudanças concernentes à Ciência da Cognição.

Daí, a necessidade de uma reflexão sobre as implicações por meio de sua ótica no

processo de investigação das relações entre indivíduos singulares e processos

organizacionais coletivos, isto é, ‘um novo olhar’ voltado para a interface desses

campos de conhecimento. Faz-se imprescindível a sua inter-relação mais

nitidamente evidenciada quando chamadas de áreas interdisciplinares. Por esta

razão, parte-se para a escolha do tema abordado, contribuindo, assim, para o

conhecimento científico. O conhecimento é algo que há muito tempo causa

inquietação a muitos filósofos e pesquisadores, despertando a curiosidade e

estimulando o espírito investigativo científico de tantos outros. No século IV antes de

Cristo, Platão, na Grécia Antiga, fundou uma escola de filosofia disseminando as

idéias de Sócrates a respeito das investigações sobre a natureza do conhecimento.

O interesse grego pela natureza do conhecimento repercutiu através da tradição intelectual do Ocidente. Na Idade Média, as idéias de Aristóteles (rejeita a doutrina das idéias inatas substituindo-o pela tábula rasa) influenciaram grandemente as discussões teológicas sobre conhecimento. Em seguida, durante o Renascimento e o Iluminismo, os filósofos continuaram a discussão, recorrendo às ciências empíricas. Pensadores como Descartes, Locke e Kant lidaram com questões teóricas e empíricas a respeito do conhecimento. No final do século XIX, ocorreu uma proliferação de novas ciências e especializações filosóficas que discutiam a natureza da mente humana, como a psicologia, a lingüística, a antropologia, a sociologia e várias neurociências.(CIÊNCIA, 2003)2

Hoje, novas ferramentas, novos conceitos e técnicas de investigação e

pesquisa trazem um novo quadro de pensadores e pesquisadores denominados

cientistas cognitivos, que investigam questões que há aproximadamente 2.500 anos

já eram motivos para preocupação dos gregos.

Tal preocupação e interesse, não ficaram esquecidas no tempo e nem

restrita aos gregos daquela época. Ao contrário, espalhou-se pelo mundo científico.

2

(25)

No mês de setembro de 1948, foi realizado um congresso sobre

Mecanismos Cerebrais do Comportamento, que reuniu alguns cientistas representando diversas áreas do conhecimento, no California Institute of

Technology. Este congresso teve como finalidade discutir a clássica questão de

como o sistema nervoso controla o comportamento. Denominado Simpósio de

Hixon, ele foi um dos vários encontros realizados por cientistas de orientação

cognitiva. Mas este foi especialmente importante por causa de dois fatores: “a

ligação que fez entre o cérebro e o computador e o desafio implacável que lançou ao

behaviorismo.” (CIÊNCIA, 2003)

Alguns pontos teóricos foram muito importantes para o desenvolvimento da

ciência cognitiva:

Na matemática e lógica, foi desenvolvida, por Alan Turing, uma máquina

simples que seria capaz de realizar qualquer cálculo concebível. A demonstração

que Turing fez e o teorema que ele provou teve grande importância para aqueles

pesquisadores que eram interessados em máquinas computadoras.

No modelo neuronal, foi demonstrado por Warren McCulloch e Walter Pitts,

nos inícios dos anos 1940, que podiam ser modeladas em termos da lógica, as

operações realizadas por uma célula nervosa e suas conexões. Devido a essa

demonstração, a idéia da máquina de Turing estava voltada, agora, para duas

direções: “um sistema nervoso composto de inúmeros neurônios tudo-ou-nada e um

computador, capaz de realizar qualquer processo que possa ser descrito de forma

inequívoca.” (CIÊNCIA, 2003)

Em relação às síndromes neuropsicológicas, as tragédias da guerra

permitiram que os perfis das incapacidades cognitivas que resultavam de danos ao

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descobertas de vários pesquisadores, descobriu-se que poderia haver bem mais

regularidades na organização das habilidades cognitivas do sistema nervoso do que

era admitido por explicações inteiramente ambientais dos processos mentais. Tais

estudos ofereceram várias sugestões relevantes sobre como a mente humana pode

ser organizada em indivíduos normais.

Quanto à teoria da informação, Claude Shannon, a quem geralmente se

atribui a criação da teoria da informação, apresentou, na sua dissertação de

mestrado, a sugestão precoce de que circuitos elétricos (do tipo dos do computador)

poderiam conter operações fundamentais de pensamento. Nos dez anos seguintes,

em parceria com Warren Weaver, passou a desenvolver a idéia principal da teoria da

informação – a informação pode ser concebida de uma forma totalmente divorciada

de qualquer conteúdo ou assunto específico, simplesmente com a decisão única

entre duas alternativas igualmente plausíveis. Desta forma, existe um consenso

entre os pesquisadores que, no ano de 1956 por ocasião do Simpósio sobre

Tecnologia da Informação realizado no Massachusetts Institute of Technology, a

ciência cognitiva foi oficialmente reconhecida. A partir da década seguinte, tais idéias

cresceram rapidamente. Jerome Bruner e George Miller criaram, em Havard, o

Centro de Estudos Cognitivos, que seria responsável pela divulgação e estudos das

idéias mais novas nas áreas cognitivas.

Mas, Girin afirma que

os esquemas cognitivos empregados para compreender o que se diz têm evidentemente a ver com o que, retomando o vocabulário dos partidários da etnometodologia, se pode chamar de questão do ‘conhecimento comum’. Trata-se, com efeito, embora não exclusivamente, de sistemas de representações e de crenças sobre todos os setores da vida dos homens em sociedade. (1996, p. 57)

Girin diz: “embora não exclusivamente” pois entende que na estruturação

(27)

Podem-se distinguir três partes no interior de cada contexto: a parte ‘explícita’ (podem-se citar as ‘regras’ contidas no contexto por meio de palavras ou de frases); e a parte que pode ser representada por símbolos (pode-se, por exemplo, representar o contexto por meio de desenhos, como os ‘organogramas’ das empresas); e a parte que não pode ser representada por símbolos (por exemplo, ass razões pouco precisas que permitem julgar se determinado modo de cumprimentar é conveniente). (1996, p.56)

Pelos idos dos anos de 1960, vários livros e outras diversas publicações

disponibilizaram para o público as idéias e pensamentos do Centro e de outros

locais de pesquisa.

Já no final da década de 1970, foi dado início, na Fundação Alfred P. Sloan,

a um programa de cinco a sete anos, que envolvia valores financeiros da ordem de

vinte milhões de dólares. Inicialmente, estes recursos foram oferecidos a várias

instituições de pesquisa, mas, no final, foram concentrados nas principais

universidades. Em 1978, doze dos principais estudiosos do projeto elaboraram, a

pedido da fundação, um desenho que pudesse representar as inter-relações entre

(28)

Figura 1 - Hexágono cognitivo

Fonte:CIÊNCIA Cognitiva. Mestrado de Informática Aplicada à Educação, Rio de Janeiro, 2003.

Conforme Silva, Antonio (2003a), Gardner, em ‘A Nova Ciência da Mente’,

traz à baila a primeira história que foi publicada da ciência cognitiva. Desde os

pioneiros congressos, onde foram tratados tais assuntos – na metade do século XX

– até os trabalhos mais avançados na época de sua publicação, já no ano de 1987,

a característica da interdisciplinaridade deste novo campo de pesquisa é destacada.

Gardner apud Silva, Antonio (2003a), afirma que “uma das atitudes fundamentais do

cientista cognitivo é tentar solucionar os problemas epistemológicos humanos com

apoio empírico, embora em áreas de desenvolvimento teórico acadêmico, como na

filosofia, haja quem conteste isso.”3

De acordo com Gardner apud Silva, Antonio (2003a), pode-se citar cinco

pontos principais da ciência cognitiva:

3

(29)

1) O tratamento de representações mentais e uma análise de uma

perspectiva diferenciada da biologia, da neurologia, da antropologia ou

da sociologia;

2) A importância do computador como modelo do funcionamento mental,

para o bem ou para o mal;

3) Pôr em plano inferior, fatores afetivos, históricos, culturais e o contexto

do comportamento e pensamento singulares a fim de que a ciência

cognitiva não se torne inviável ao tentar explicar tudo e não alcançando

resultado satisfatório, apesar de haver controvérsias;

4) Estudo interdisciplinar e

5) Abordagem de temas da tradição epistemológica ocidental com raízes

em problemas filosóficos clássicos, embora nem todos os cientistas

cognitivos concordem que esse ponto seja relevante.

A ciência, chamada Cognitiva, investiga que coisas ou fatos são passíveis

de ser conhecidos, assim como de analisar quais características de quem tem a

capacidade de conhecer; as fontes do conhecimento e as dificuldades que existem

para a sua obtenção e também do seu processamento. Ainda Gardner apud Silva,

Antonio (2003a,) diz que “como entre os gregos antigos, procura-se definir o que

seja forma, imagem, conceito ou palavra e o modo que se relacionam. O papel dos

sentidos, do senso comum, da linguagem, as motivações para busca do

conhecimento e os seus limites também são alvos de discussão.”

No início do século XX, os cientistas “behavioristas“ descartavam como não

científica qualquer hipótese que buscasse a representação mental e conceitos como

imaginação, planos, crenças e desejos. “Durante o predomínio do behaviorismo das

(30)

interno das informações tinham de ser levantadas às ‘escondidas’ ou eram rejeitadas

como infundadas.” (SILVA, Antonio, 2003b)

Gardner e Richard Rorty (1931 apud SILVA, Antonio, 2003b) em Filosofia e

o Espelho da Natureza (1979) tem uma postura radical contra a filosofia. Ele entende

a filosofia como uma teoria geral da representação que tem como finalidade

conhecer os processos mentais constituintes do entendimento. Contudo, para ele, o

conceito de mente é tão obscuro quanto o conceito de Deus. A manutenção do

interesse sobre ele dar-se-ia apenas por uma função cultural e uma vaga noção de

ciência. A crença em torno dessas questões resultaria de um longo processo

histórico. Processo esse, cheio de desvios quanto à natureza da atividade cognitiva.

(SILVA, Antonio, 2003c).

Segundo Rorty apud Silva, Antônio (2000b), o desenvolvimento da filosofia

ocidental não passaria de uma contingência histórica e nada teria de necessário.

Sem os personagens filosóficos, a história teria sido diferente. Rorty considera que

se chegou ao final de um ciclo. Por esta razão, a epistemologia deveria ser retirada

do rol das ciências humanas. Em vez de se ter grandes construtores de sistemas,

como Kant e Russel, ter-se-ia os ‘edificadores’, como Wittgenstein e o pedagogo

pragmatista John Dewey (1859-1952), que se davam por satisfeito em interagir e

descrever o que viam. Neste sentido, o filósofo não deveria ser uma pessoa com

conhecimento especial ou método bem estabelecido. Deveriam ser encerrados os

debates estéreis como os ocorridos por racionalistas e empiristas. Por sua vez, a

física poderia definir os limites da estrutura do mundo exterior, enquanto a

neurologia seguiria na direção de explicar os processos intelectuais e afetivos.

Enquanto isso, a sociologia e a história descreveriam a forma de constituição das

(31)

suas pesquisas para essas questões humanísticas, a ciência cognitiva não

produziria nenhuma alternativa interessante.”

Vários foram os opositores de Rorty e seu relativismo, como Putnam que

reagiu tenazmente às suas críticas. “A seu ver, o relativismo cultural negava a

possibilidade de pensar. As respostas fáceis, como as de Rorty é que seriam tolas.

O advento da ciência cognitiva é um exemplo de que as questões profundas da

filosofia ainda demandavam explicações razoáveis.” (SILVA, Antonio, 2003d)

Na obra de Jerry Fodor (apud SILVA, Antonio, 2000d), tem-se uma síntese

da nova postura adotada pela filosofia da mente, na qual ele “assume as

postulações básicas do cartesianismo, porém sem comprometer-se com o dualismo

que lhe é inerente.” Fodor é crítico da tradição empirista, defende a “existência de

idéias inatas de que o meio ambiente trata de mobilizar. Em sua concepção da

mente, entretanto, não há espaço para um dualismo do tipo mente-corpo.” (SILVA,

Antonio, 2003d). A posição dele é materialista, admitindo que existem “estados e

causas mentais que interagem uns com os outros.” (SILVA, Antonio, 2003d).

Defende, ainda, que as atividades cognitivas explicam o processamento das

informações pela operação de símbolos.

“Seguindo a linha de raciocínio inaugurada por Descartes e desenvolvida por

Chomsky, a linguagem do pensamento em Fodor é o meio pelo qual as

representações mentais são organizadas em um sistema cognitivo.” (SILVA,

Antonio, 2003d)

Silva continua ressaltando o papel da filosofia cognitiva quando afirma que

“a disputa entre empiristas e racionalistas fez com que a atenção das pesquisas

(32)

racionalista fincou o pé na primazia de um sujeito dotado de uma estrutura cognitiva

inata.” (SILVA, Antonio, 2003d)

Apesar do papel controverso, “a postura crítica e dialética da filosofia faz-se

presente sempre que há a necessidade de uma análise mais apurada dos novos

conceitos apresentados pela ciência cognitiva.” (SILVA, Antonio, 2003d). Para ela, a

percepção tem sido fonte de grandes, intensas e sofisticadas pesquisas numa

tentativa de compreensão sem precedentes.

No período de cinco anos, compreendido entre 1955 e 60, em resposta aos equívocos da primeira metade do século XX, a nova geração de cientistas que surgia passou a denominar o novo campo de estudos por ‘processamento de informação’ e mais tarde por ‘psicologia cognitiva moderna’. (SILVA, Antonio, 2003e)

Pode-se ver que

até o final da década de 90, nenhuma linha de pesquisa obteve um apoio consensual por parte dos cientistas, em relação ao seus métodos e pressupostos, de modo que cada um dos envolvidos procurava impor seus próprios parâmetros como aquele a ser seguido pela ciência Cognitiva. (SILVA, Antonio, 2003e)

Contra a postura dos behavioristas que consideram as representações

mentais prejudiciais ao correto entendimento do comportamento humano, os

cientistas cognitivos mantêm uma postura representacional baseadas em idéias,

esquemas e regras que, para os behavioristas, são incoerentes e enganadoras.

De acordo com Silva, Antonio (2003e), entre os que atuam no nível

representacional, alguns consideram apenas os enunciados e proposições como se

fosse a única forma de representação mental. Outros admitem duas formas: as

imagens e proposições. Ainda há alguns que consideram possíveis muitas formas de

representação, sem que nenhuma seja a única correta. Alguns cientistas

representacionalistas, até a década de 90, consideravam desnecessário o

(33)

provocou o afastamento dos neurologistas das discussões em torno da descrição

representacional, deixando para os psicólogos, lingüistas e cientistas de computação

a fala dominante”. (SILVA, Antonio, 2003e)

Alguns cientistas imaginam uma ciência cognitiva unificada, sem o auxílio de

pesquisas em outras áreas, outros defendem a interdisciplinaridade. Os problemas

filosóficos clássicos são considerados como ponto de partida lógico das

investigações da ciência cognitiva. Alguns cientistas reconhecem a necessidade de

um fundamento filosófico, enquanto outros consideram-no sem relevância ou que

são, até mesmo, prejudicial. Existe a polêmica. É útil a tradição filosófica e seu

conhecimento? Os filósofos procuraram definir o conhecimento humano, a natureza

e o alcance da pesquisa cognitiva desde a Antigüidade?

Silva afirma ainda que, em relação à cognição, a mente humana foi criada:

Para enfrentar os empecilhos impostos pelo meio ambiente e superar a competição com outros animais e plantas pela sobrevivência. Suas representações são constituídas de várias maneiras, seja pela formação de modelos mentais, teorias intuitivas, envolvimento com o mundo, interesses pessoais e pela relação entre emoção e razão.” (SILVA, Antonio, 2003g)

Para o entendimento correto das atividades humanas, não se pode deixar de

se fazer uma interpretação que contemple os aspectos empíricos e psicológicos das

emoções, imagens, narrativas, consciência, do meio ambiente, assim como do

processamento dessas informações. Isto requer que não se deixe de lado a

neurologia e a biologia para o entendimento de como funciona a mente humana. Ao

contrário, exige uma complementaridade, no mínimo, em todos os aspectos citados.

Ainda não se disse tudo a respeito da consciência e influência ambiental nas

tarefas do indivíduo. Thagard apud Silva, Antonio, afirma que:

Os filósofos cognitivistas costumam identificar os estados de consciência sob o conceito de qualia – as qualidades sentidas ou fenomênicas ligadas às experiências, tais como as sensações dos cinco sentidos e das vontades internas. Assim, quando alguém tem consciência sobre suas crenças e desejos, ou sobre uma sensação física (dor ou prazer), se diz que essa

(34)

pessoa possui um quale de cada um desses estados mentais. Todas essas sensações formam uma série de estágios interligados pela história individual, com os qualia constituindo uma unidade própria. A consciência é, portanto, construída por uma grande quantidade de peças que montam um ‘quebra-cabeça’ centrado no sujeito consciente de seus estados mentais e que possui uma história que os integra. (SILVA, Antonio, 2003f)

Psicólogos e antropólogos vêm defendendo a idéia de uma cognição

distribuída, na qual participam não só mentes individuais, mas também “um

programa partilhado por muitos indivíduos cooperadores, que agem tendo em vista

um fim qualquer. Num empreendimento cooperativo, as pessoas precisam

desenvolver uma representação comum da tarefa a ser executada.” (SILVA, Antonio,

2003f). Conceitos sociais, culturais e comunicativos, assim como emoções,

consciência e integração com o meio ambiente não podem ser deixadas de fora em

uma abordagem das representações mentais completa. Tais representações de um

indivíduo são constituídas com o intuito de suprirem as necessidades de cada um e

devem ser, partilhadas e aprendidas socialmente. Thagard (apud SILVA, Antonio

2000f) afirma que:

Só essa integração de esforços cognitivos, aparentemente divergentes, poderá fornecer uma explicação eficiente da vasta gama de acontecimentos mentais. Nesse contexto, a mente e a sociedade são concepções complementares que não precisam necessariamente estar em oposição. As dimensões sociais do raciocínio dependem de uma descrição representacional dos procedimentos mentais individuais para a compreensão adequada da maneira como os problemas são resolvidos, o que ocorre por meio de uma aprendizagem e linguagem próprias dos seres inteligentes.

Pode-se perceber, através do “hexágono cognitivo”, e os demais

argumentos, que se faz necessário considerar a multidisciplinaridade ao se tentar

entender o comportamento organizacional, tanto da organização como um todo,

assim como do indivíduo pertencente a esta organização. Garcia-Marques (2000, p.

152) diz que “um dos aspectos desta interdisciplinaridade advém da sua relação com

(35)

Diferentes tipos de processos ocorrem no contexto do campo organizacional.

A pesquisa, o estudo e o desenvolvimento de teorias explicativas de como o ser

humano se comporta neste contexto é de extrema importância para a delimitação e

o conhecimento dos processos psicológicos ativados em um dado momento e em

uma dada organização. Ao ser definido o campo organizacional como um contexto

específico onde vários tipos de processos diferentes se desenrolam, não se pode

dizer que esta é a única particularidade deste campo de estudo. Não se pretende

questionar o fato das organizações serem uma entidade com vida própria e com

funcionamento para além dos seus membros constituintes. O que se quer e se

pretende é ressaltar uma das suas vertentes, talvez a mais importante: a sua

dependência dos elementos humanos que as constituem. As organizações não se

comportam, na sua totalidade, independentemente das pessoas que as constituem e

que geram o seu funcionamento. Elas são produto de um enorme número de

fatores, entre os quais são merecedoras de grande destaque os pensamentos e as

ações dos seus membros constituintes. A compreensão do modo como o ser

humano funciona, no contexto social específico que é uma organização, sendo

crítica para uma gestão eficaz, passa pela compreensão dos princípios gerais de

funcionamento do ser humano. Estes princípios têm sido definidos pelas abordagens

cognitiva e sociocognitiva da psicologia. Não se separa o indivíduo da organização,

conforme Garcia-Marques (2000).

O esforço para caracterizar o modo como o ser humano processa a

informação partilhada socialmente é a base dos estudos sobre cognição social.

Hamilton, Devine e Ostrom (1994 apud GARCIA -MARQUES, 2000, p. 154) escreve

que “a cognição social refere-se, assim, não a um campo ou área específica de

(36)

que pressupõe a existência de componentes comuns relativamente a diferentes

conteúdos e domínios da atividade humana.”

Vê-se, assim, que tal visão abordada objetiva a identificação e explicação

dos princípios gerais encontrados na base do comportamento desenvolvido em

qualquer contexto social. Mesmo ressaltando os aspectos da regularidade e

generalidade, não desconhece o alto grau de variabilidade que se observa no

pensamento e comportamento humano, procurando, assim, explicações de caráter

gerais que consideram a tradução de como tal variabilidade se torna possível.

(STILLINGS et al, 1987, apud GARCIA -MARQUES, 2000)

As raízes da cognição social estão plantadas na abordagem do

processamento da informação e pressupõe que a informação é representada na

mente por uma analogia simbólica e que os processos mentais são definidos através

da manipulação e transformação desses símbolos em vez de seus significados.

(STILLINGS et al., 1987, apud GARCIA -MARQUES, 2000)

De acordo com Garcia-Marques (2000), os estudos referentes à cognição

social enfatizam o foco na análise de processos em vez da análise de conteúdos.

Resumindo, pode-se afirmar que a abordagem da cognição social tem seu foco,

como objeto de estudo, na representação do conhecimento social.4

Ainda buscando ajuda em Garcia-Marques (2000) para o que aqui se

argumenta, encontra-se a colocação do partilhamento de alguns pressupostos mais

específicos sobre o sistema cognitivo do ser humano quando numa abordagem

cognitiva social, numa visão além da perspectiva de processamento da informação.

Alguns pressupostos são colocados por ela, baseando-se em Simon. Entre eles, é

pertinente citar o que se assenta no fato do ser humano ser um próprio sistema de

4

(37)

processamento de informação com uma capacidade limitada (SIMON, 1981 apud

GARCIA-MARQUES, 2000). Parte-se de um pressuposto básico de que o sistema

tem capacidade de fornecer respostas econômicas, rápidas e adequadas, isto é,

respostas satisfatórias (SIMON, 1981 apud GARCIA -MARQUES, 2000). Pode-se

citar, também, um segundo pressuposto que é na prática adotado universalmente

pelas teorias desenvolvidas e construídas numa abordagem cognitivista social.

Refere-se à importância dos aspectos motivacionais. O ser humano é um sistema de

processamento de informações. Ele dispõe de múltiplas estratégias de

funcionamento e escolhe, dentre as mesmas, com base em vários objetivos, motivos

e necessidades (FISKE; TAYLOR, 1991 apud BASTOS, 2000d). Parte-se do

pressuposto de que os interesses que os indivíduos têm são seletivos e que

determinam a forma como eles constroem ativamente o que experienciam como

realidade. (GOLLWITZER; MOSKOWITZ, 1996 apud GARCIA -MARQUES, 2000)

Nos últimos anos, assiste-se ao desenvolvimento do que se pode considerar

como um novo pressuposto das teorias da cognição social. Ao focar o estudo de

processos, as teorias pressupunham inicialmente que estes se iniciavam com a

apresentação do estímulo e que ‘agiam’ sobre a sua representação, gerando uma

resposta ou output. A informação processada centrava-se sobre o estímulo,

distinguindo-se e caracterizando o papel da informação adquirida e da informação

ativada pelo estímulo da memória.

Pode-se definir como um recente pressuposto da abordagem da cognição

social, que um processo pode integrar, como informação relevante para o seu

estímulo representando as reações afetivas face ao estímulo, a informação de

diferente natureza previamente armazenada na memória, e a informação sobre as

(38)

O último pressuposto, e talvez o primeiro em termos de importância para a

definição da abordagem da cognição social, é o de que toda a informação,

independentemente da sua natureza, é social. O modo como as teorias da cognição social abordam e definem a noção de estímulo, pressupõe que este tem

um significado que advém da relação que o indivíduo estabelece com o seu meio

social.

Tal pressuposto define que, para o olhar da cognição social, um estímulo é

abordado apenas na sua dimensão social. Deste modo, a psicologia cognitiva e a

cognição social definem dois níveis de análise da mesma realidade e não

abordagens verdadeiramente ortogonais. A clarificação dos campos de estudo da

psicologia cognitiva e cognição social torna-se maior e mais definida quando se

afasta o olhar do indivíduo e centra-se na análise do funcionamento, por exemplo,

dos órgãos de percepção (olhos, ouvidos, etc.) e dos processos grupais. Desta

forma, ainda dentro da abordagem da cognição social, fala-se sobre a Teoria

Organizacional dentro de uma visão de esquemas.

Baseando-se em Stefano (2001), pode-se dizer que “a discussão sobre a

cognição social em comportamento micro organizacional, pode ser caracterizada

como a aplicação de métodos de pesquisa cognitiva a contextos sociais, com a

organização sendo um destes contextos.” 5

Além disso, ainda em Stefano:

A perspectiva cognitiva em pesquisa macro organizacional, descreve organizações como ‘corpos que ordenam’ ou ‘sistemas de interpretação’, enfatizando a importância da linguagem e símbolos na construção social da realidade em organizações, traçando paralelos entre conceitos de esquema e estratégia. ( 2001)

5

(39)

No estudo da organização, não há como prescindir dos esquemas

interpretativos, das interpretações mentais, do ambiente social, dos aspectos

cognitivos. Tanto para entender esta organização que se estuda, quanto para a

formação de estratégias. Não há dúvidas sobre a grande importância de

compreensão e prospecção de um problema para que se possa criar alternativas de

resolução do mesmo e se tomar decisões estratégicas, premissa básica desde os

antigos filósofos e teóricos da Administração.

Harris (1994, p. 1) afirma que “a cultura organizacional abarca fenômenos no

nível individual e grupal. [...] A dinâmica da cultura organizacional, no nível individual,

tem permanecido negligenciada”. Ele propõe que a influência da cultura

organizacional nas construções de sentido individuais, “é revelada na operação de

um sistema moldado pelos esquemas organizacionais específicos.” (HARRIS, 1994,

p. 1). Tais esquemas são referências das estruturas cognitivas onde o indivíduo

retém e organiza o conhecimento.

Além de ser uma estrutura que armazena conhecimento, os esquemas dirigem também aquisição e o processamento de informação. Eles guiam as respostas para perguntas centrais, com finalidade de auxiliar na construção de sentido: ‘O que ou quem é ele?’, ‘Quais são as suas implicações; o que significa?', e ‘Como eu deveria responder? (HARRIS, 1994, p. 1)

Mais explicitamente, (FISKE; TAYLOR, 1991; TAYLOR; CROCKER, 1981,

apud AUGOUSTINOS; WALKER, 1995) descreve que “o conceito de esquemas vem

sendo aplicado empiricamente em quatro principais áreas de conteúdo: esquemas

pessoais, auto-esquemas, esquemas de papéis e esquemas de eventos.”6

Todos os tipos de esquema têm funções parecidas. Eles determinam a

codificação (tomada e interpretação) de situações e informações novas, de memória

de informações do passado e ajudam imensamente na complementação de

6

(40)

informações lacunares. Se houver a informação que vai ocorrer uma festa de quinze

anos, por exemplo, os esquemas existentes permitem imaginar detalhes que não

foram ditos, mas que têm grandes possibilidades de ocorrer: valsa, presente,

música, entre outros. Os esquemas ajudam na previsibilidade em situações de

interação sociais. Dá uma sensação de controle em relação a estas situações.

Ainda de acordo com Augoustinos e Walker (1995), os esquemas de traços

ou pessoas permitem dar respostas à questão como: Que tipo de pessoas é ele ou ela? A pesquisa de auto-esquemas tem como finalidade o exame das estruturas

conceituais que as pessoas têm de si mesmas, e em que essas estruturas podem

alterar a velocidade e a eficiência de processar, trabalhar as informações que são

relevantes ou irrelevantes, significativas ou não ao self/eu. Já os esquemas de

papel fazem referência ao conhecimento de estruturas que as pessoas têm sobre as normas, sobre os padrões e comportamentos esperados de algumas posições

específicas de papel na sociedade, na organização, no meio onde as pessoas estão

inseridas. Estas podem referir-se a papéis alcançados e atribuídos. Os primeiros

incluem papéis que são adquiridos através de esforço e treinamento, tal como o

papel de médico ou de psicólogo. Já os papéis atribuídos referem-se a papéis que

se tem pouco, ou nenhum controle, tal como idade, sexo e raça. Há também os

esquemas de eventos que foram conceituados como scripts cognitivos. São estes esquemas que descrevem a organização de seqüência de eventos em atividades

cotidianas. Eles fornecem a base para se tentar antecipar o futuro, estabelecer

metas e fazer planos.

A principal função dos esquemas é organizar as experiências. Entretanto,

não se sabe ao certo como funcionam estes mecanismos internos de cognição.

(41)

Uma característica inerente de estrutura dirigida por teoria ou processamento esquemático é que freqüentemente pode conduzir a juízos parciais. Como estruturas cognitivas existentes, schemas podem ‘preencher as informações que estão faltando’ da informação social recebida. Em tais situações ambíguas, schemas podem tanto dirigir uma procura para a informação pertinente para completar o estímulo mais completamente, ou eles podem preencher os valores perdidos com ‘opções de falta’ ou melhores suposições. (1995)

Em Bastos (2000c), a análise das organizações tem uma perspectiva que

descreve uma interface entre organização e cognição, definindo como campos de

conhecimento e investigação e, por extensão, os domínios fenomênicos que

procuram recortar, explicar ou compreender os seus determinantes.

De acordo com Monteiro (2002), percebe-se dois campos diferentes que

condicionam o comportamento humano, nomeadamente o intrapessoal, caracterizado pelos processos internos relacionados com os processos cognitivos

(atenção, percepção, memória, etc.) e o interpessoal com ênfase nos processos

que decorrem do contato social e das relações com os pares.

A operação de dar sentido a estímulos organizacionais é um processo

consciente e inconsciente destes esquemas cognitivos que “no processo real de dar

sentido a estímulos organizacionais, a cognição é moldada dentro de um esquema

direcionado; intrapsíquico, na perspectiva de diálogo mental na teoria de cognição

social”. (HARRIS, 1994, p. 1)

Bastos (2000c, p. 4) citando Thomas e Thomas (1928 apud Weick, 1993, p.

17), coloca de forma sábia e contundente que “se o homem define situações como

reais, elas são reais nas suas conseqüências.”

O estudo da cognição social tenta entender como se processa a informação

no indivíduo que recebe influência externa da organização, que partilha socialmente

a informação, alimentando e alterando o grupo ao mesmo tempo em que se

(42)

em suas representações e mapas mentais ao tempo que tais representações podem

funcionar como defesa em situações conflituosas e desconhecidas, amenizando

seus efeitos. Por esse olhar, “o sistema de processamento de informação que é o

ser humano, dispõe de múltiplas estratégias de funcionamento e ‘escolhe’ entre

estas com base em objetivos, motivos e necessidades várias.” (STEFANO, 2001)

Bruner (1997, p. 100 apud BASTOS, 2000d, p. 9), afirma que “a nova

Psicologia Cognitiva declarou que a escolha que guia a ação é tão real quanto a

ação que se segue [...] Mas, embora as ações explícitas sejam observáveis e

contáveis, os pensamentos e regras que os guiam não são objetivos nesse sentido.

Eles são mentais.”

As experiências dos indivíduos são compreendidas, dentro do cenário das

organizações, em função do que pensam que seriam resultados de diálogos mentais

inventados por eles mesmos. Harris exemplifica:

Baseando-se principalmente nos resultados de diálogos inventados entre eles (por exemplo, ‘Eu penso que algo significa isto e eu seria inclinado para esta resposta’) e em outros contextualmente pertinentes (passado ou presente; real ou imaginado) indivíduos ou grupos (por exemplo, ‘O que pensaria o meu chefe e o meu colega de trabalho sobre isso? O que eles gostariam que eu fizesse?’). (1994, p. 1)

Desta forma, pode-se ver o esquema do indivíduo ser guiado, alterado,

influenciado pelos argumentos de outros indivíduos. Vários autores e estudiosos

reforçam e ajudam na sustentação deste entendimento. Gärling e Colledge (1993,

apud MONTEIRO), afirmam que:

Uma situação ou informação exterior (input) é percepcionada pelo sujeito, tendo depois um processamento psicológico de acordo com a subjetividade e esquemas passados da pessoa (repertório), que depois permite produzir uma ação (output). Contudo, a ação, devido ao seu impacto no ambiente, afeta-o, o que também vai modificar a sua própria ação e assim sucessivamente.(2002)

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