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Uma análise comparativa entre esquema interpretativo e mapa cognitivo

ajuda a esclarecer e entender a construção de sentido dos membros da

organização.

De acordo com Schwenk (1988), o propósito de um mapa cognitivo não é representar todo o sistema de crenças e de valores de uma pessoa. Pelo contrário, representa as crenças de associação, valor relativo, semelhança ou causalidade com respeito a uma decisão particular ou a um detrminado campo. [...] Os mapas cognitivos são como modelos descritivos que podem explicar os modos pelos quais as pessoas deduzem explicações do passado, fazem predições sobre o futuro e escolhem alternativas no presente. [...] O conceito de mapas cognitivos traz algumas importantes implicações. Em primeiro lugar, sugere que os decisores não se movem diretamente dentro da realidade dos fatos objetivos, mas dentro de uma realidade cognitiva, uma criação da realidade. Antes de ser um dado objetivo, o ambiente é uma representação tida como verdadeira pelos decisores. (FONSECA, 2000, p.7)

Barr, Stimpert e Huff (1992, apud FONSECA, 2000, p. 8) continua em sua

os modelos mentais determinam que informaçãoes receberão atenção. Nesse

sentido, tanto facilitam como limitam a atenção para codificar informações sobre

mudanças no ambiente organizacional.”

Uma terceira implicação do conceito de mapas cognitivos é descrita pelos

mesmos autores como “os estímulos salientes (que) tendem a ser interpretados

segundo o modelo mental corrente.” Barr, Stimpert e Huff (1992, apud FONSECA,

2000, p. 8)

Finalmente, Barr, Stimpert e Huff (1992, apud FONSECA, 2000, p. 9)

“apontam que os modelos mentais dirigem a ação. Da mesma forma que selecionam

as informações salientes e determinam o modo como são interpretadas, os mapas

cognitivos limitam o leque de alternativas para os problemas identificados.”

Nem sempre os pressupostos básicos manifestos pelos mapas cognitivos

são conscientes, mas sustentam crenças e valores organizacionais. Desta forma,

estes pressupostos conferem alguma estabilidade cognitiva e mesmo operacional,

ao tempo em que as organizações se valem de um modo próprio de fazer as coisas.

(FONSECA, 2000) 2000)

Bastos (2000a) dá o entendimento de dois aspectos importantes para que se

possa ter, de forma mais precisa, a compreensão de mapa cognitivo: Ressalta

primeiro, que os mapas cognitivos têm que ser olhados como representações

dinâmicas e não estáticas. Eles se atualizam em função das experiências pelas

quais passam os indivíduos e que causam aprendizagem. Neste processo dinâmico,

as pessoas se adequam ao seu ‘habitat organizacional’ incorporando continuamente

novas informações aos seus modelos construídos de mundo. Um segundo aspecto

que ele destaca diz respeito ao fato dos mapas cognitivos não consistirem em uma

Como nos falam Laszlo et al. (1995:2), ‘... as representações refletirão os limites e possibilidades inerentes ao material usado para mapear o mundo e as regras que governam o uso desses materiais. Um mapeamento, portanto, parece-se com uma tradução de uma linguagem para outra. A tradução nunca é perfeita. Algo do sabor e da substância do original é sempre perdido em uma tradução’ Neste sentido, como uma representação ou modelo da realidade, os mapas cognitivos envolvem sempre uma simplificação e fornecem uma imagem aproximada desta realidade. (BASTOS, 2000a)

Na literatura, encontramos outros autores que adeptos da mesma

conceituação e corrente de pensamento, afirmam que

A consideração da influência desses pressupostos subjacentes na formulação estratégica caracteriza o terceiro estágio da cognição, que corresponde ao conceito de paradigma estratégico ou esquemas interpretativos. O modo próprio de fazer as coisas em uma organização revela-se um fenômeno de natureza distinta à dos mapas cognitivos individuais justapostos. Trata-se de um sistema cognitivo comum, propriamente organizacional, onde se definem e se articulam as grandes questões com que a organização se defronta: as questões estratégicas. (FONSECA, 2000, p. 9)

Conforme Bartunek (1984 apud FONSECA, 2000, p. 9), “são equivalentes os

conceitos de paradigma, esquemas interpretativos e visão de mundo, que procuram

mostrar que o mesmo evento pode ser entendido de diversas maneiras.” Schein

(1991 apud FONSECA, 2000, p. 9), diz que “tais conceitos têm em comum o fato de

atuarem em nível de pressupostos, padrões de natureza inconsciente que

determinam o modo de perceber e sentir os problemas.” Já com base em Hinings e

Greenwood ((1988), Machado da Silva e Fonseca (1993, 1995), apud FONSECA,

2000, p. 9) entende como “esquemas interpretativos o conjunto de idéias, valores e

crenças que dá ordem e coerência às estruturas e sistemas em uma organização.”

Assim, Machado-da-Silva e Fonseca (1993 apud FONSECA, 2000, P. 9 Os

esquemas interpretativos são específicos para cada organização.” Com o intuito de

deixar clara o significado de cada termo. Destaca-se que

A noção de esquemas interpretativos se afasta da noção de mapas cognitivos, em sua relação com valores e crenças. Os mapas cognitivos manifestam valores e crenças, mas estes não pertencem ao conceito de

mapa cognitivo em si: não compõem uma das notas do conceito. Nos esquemas interpretativos, ao contrário, a referência aos valores e às crenças é essencial.” (FONSECA, 2000, p. 10) (grifo nosso)

Esquemas interpretativos têm, na sua essência, maior amplitude. Eles dão a

orientação em uma determinada situação por meio dos mapas cognitivos, incluindo

“valores e crenças, pressupostos básicos que sustentam essa orientação.”. Schwenk

(1988 apud FONSECA, 2000, p. 10) afirma que “os mapas cognitivos podem ser

considerados as formas específicas que assumem os esquemas interpretativos na

análise de uma situação concreta. São vistas, no relato dos entrevistados, que essas

características pululam nas palavras e nos desenhos dos mesmos, expondo

crenças, valores, percepções, pensamentos e emoções individuais/compartilhadas

sobre o tema em questão, pois não se sabe, não fica claro até onde vai o individual

e onde começa o compartilhado.

FONSECA (2000) na continuação do seu trabalho, chama a atenção dos

leitores / estudiosos que os modelos mentais que encontramos nos dirigentes nos

fornecem uma explicação em relação de como as organizações tratam efetivamente

com os aspectos referentes aos seus ambientes em mudança, como identificam

respostas apropriadas e se renovam. Barr, Stimperte Huff (1992 apud FONSECA,

2000, p.11)

sugerem que os esquemas interpretativos dos dirigentes devem se atualizar para que se mantenham em sintonia com mudanças no ambiente. A ausência de mudança no modelo mental pode resultar no declínio da organização, à medida que impede os dirigentes de perceberem problemas, atrasa mudanças na estratégia e conduz à ações ineficazes no novo contexto.

A relação entre valores e crenças não é um processo fechado, inerte e

solitário, mas um processo interativo. Enquanto os valores são sustentados e

amparados pelas crenças, a verdade assumida pelos membros de uma organização

pensamentos, suas crenças, seus valores e suas ´verdades´ As crenças são

vivenciadas como expectativas gerais que são capazes de fornecer possíveis

respostas às diferentes fatos e situações. Estas respostas refletem e incorporam os

valores culturais envolvidos. Valores estes que são constituídos de sentimentos,

percepções e cognições motivados por pressupostos culturais. Por outro lado, as

crenças também podem vir de valores esposados que, enquanto conduzem a

comportamentos bem-sucedidos ou eficazes, se transformam em pressupostos

subjacentes sobre como as coisas realmente são. Tais pressupostos vão sendo

absorvidos como verdade, gradativamente. Eles funcionam como se fossem

escudos de proteção e mesmo com alterações ou inclusões de novos valores, a

mudança de tais pressupostos fica dependente de uma compatibilidade desses

valores, crenças e pressupostos do início do processos ocorrido de formção dos

mesmos. Caso não haja esta compatibiliadade a mudança ou alteraçao acaba não