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Riscos e rabiscos: o desenho na educação infantil

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - UNIJUI

KARINE WEGNER

RISCOS E RABISCOS:

O DESENHO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Santa Rosa 2014

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KARINE WEGNER

RISCOS E RABISCOS:

O DESENHO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Monografia apresentada ao Curso de Pedagogia, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, como requisito parcial à obtenção do título de graduada em Pedagogia.

Orientadora: Ms.Claudia Maria Seger

Santa Rosa 2014

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KARINE WEGNER

RISCOS E RABISCOS: O DESENHO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Monografia apresentada para obtenção do titulo de graduada em Pedagogia na Universidade Regional Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

Banca Examinadora:

... Profa. Ms. Cláudia Maria Seger – UNIJUÍ

... Profa. Dra. Hedi Maria Luft - UNIJUÍ

Nota: ...

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DEDICATÓRIA

À minha família, especialmente minha mãe Verni, meu pai Egon e meu noivo Alexandro, que por muitas vezes privaram-se da minha presença, mas que sempre me incentivaram na não desistir e enfrentar os desafios, apoiando as minhas decisões e dedicando-me muito amor e carinho.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço principalmente a Deus pela força e coragem que tive para enfrentar os desafios de minha Vida.

Sou imensamente grata à minha família, que sempre esteve ao meu lado, que me ensinou a nunca desistir de meu sonho. Agradeço pela compreensão, amor, dedicação, confiança que me ofereceram, pois o caminho foi longo e, se cheguei até aqui, foi porque tive apoio de vocês.

Agradeço de maneira especial a minha orientadora, professora Claudia Maria Seger, por sua paciência, simplicidade, competência e dedicação ao orientar esta pesquisa, mostrando-me o caminho a seguir.

Agradeço à todos os professores da UNIJUÍ, com os quais construí significativas aprendizagens durante os quatro anos e meio do curso.

Agradeço às colegas, pelos bons momentos que passamos juntas, apoiando e incentivando umas às outras, pela amizade e parceria. Ficará a saudade!

Agradeço à escola pela boa recepção e às crianças, foco da minha pesquisa, que me proporcionaram muitas aprendizagens e, sem as quais, não se concretizaria esta pesquisa.

Agradeço às minhas colegas professoras, com as quais troquei muitas ideias durante os quatro anos e meio do curso e muito aprendi. Obrigada pela compreensão, parceria, incentivos e por me ajudar a superar os obstáculos da profissão.

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RESUMO

É primordial para quem atua na área da Educação Infantil, a compreensão e o conhecimento das fases do desenho infantil e sua relação com a evolução do desenvolvimento humano. Da mesma forma, é importante saber que o desenho é a manifestação de necessidades vitais pelas quais a criança terá que passar. O objetivo deste trabalho é refletir sobre a importância do educador nessas etapas de desenvolvimento da criança. Refletindo sobre as informações acima questionadas, partiremos para uma análise da evolução do desenho infantil, através de pesquisas bibliográficas e de comparações da visão de vários estudiosos sobre o assunto. Pretendendo, assim, conscientizar o professor de Educação Infantil sobre a importância de estar fundamentado para entender como se dá o processo do desenvolvimento infantil, na faixa etária de 0 a 06 anos de idade, fase que acredito ser uma das mais importantes do desenvolvimento humano.

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ABSTRACT

It is paramount for those working in the area of Chilhood Education, the understanding and knowledge of child drawing stages and its relation to the evolution of human development. In the same way, it’s important to know that the drawing is the manifestation of vital needs for which the child will have to go. The objective of this work is to reflect about the importance of the educator in these stages of child development. Reflecting on the above information questioned, goes for an analysis of the evolution of children’s drawing, through literature researches and comparing visions of various scholars on the subject. Intending, therefore, conscious the Childhood Education teacher about the importance of being grounded to understand how is the process of child development, in age group 0 to 6 years old, the phase that I believe to be one of the most important in human development.

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SUMÁRIO:

INTRODUÇÃO...9

1. A SIGNIFICAÇÃO DO DESENHO...10

2. A CRIANÇA E O DESENHO INFANTIL...14

3. FASES DO DESENHO INFANTIL...18

4. O OLHAR DO EDUCADOR PARA O DESENHO INFANTIL...26

CONSIDERAÇÕES FINAIS...29

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INTRODUÇÃO

A presente pesquisa aborda o tema desenho infantil, e surge pelo interesse em compreender como o desenho pode contribuir no processo ensino aprendizagem de crianças, estimulando a criatividade e a liberdade de pensar. O desenho pode ser uma ferramenta muito importante neste processo, sendo ele um motivador na aprendizagem. Os sujeitos dessa pesquisa são crianças e professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, de uma escola privada da cidade de Santa Rosa. Deu-se mais ênfase à Educação Infantil, no entanto, também trago referências dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental.

Esta pesquisa tem como objetivo principal, compreender a importância do desenho, a sensibilidade e conhecimento dos professores sobre o desenho. Traz também abordagens sobre o modo que o desenho contribui para a criação e durante a pesquisa, foi voltado intensamente para as crianças, no seu processo de construção do desenho, considerando a inter-relação de vários aspectos de seu desenvolvimento: afetivo, motor, social, emocional e cognitivo.

O texto está organizado em quatro capítulos e, inicia contemplando um resgate histórico sobre o desenho, bem como destaca também, a relação do desenho como linguagem e expressão da criança. Outro ponto também destacado é o desenvolvimento do desenho conforme a idade da criança e a fase do desenho em que a mesma se encontra.

O espaço dedicado ao desenho em sala de aula, o olhar e a sensibilidade que o educador tem para com este assunto, também são contribuições significativas para as práticas pedagógicas nas escolas. Os estereótipos presentes nas grandes maiorias dos desenhos das crianças, é outro importante aspecto abordado. O desenho infantil é uma forma de viajarmos juntos com as crianças no mundo da imaginação, da fantasia em que tudo é possível. Ao entrar no universo infantil, é possível vivenciar as incríveis e encantadoras criações, representadas nos desenhos das crianças. O conhecimento sobre este tema, envolve o desenvolvimento da emoção, imaginação, criatividade e linguagens.

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1. A SIGNIFICAÇÃO DO DESENHO DA CRIANÇA PARA O PROFESSOR DA EDUCAÇÃO INFANTIL

O desenho faz parte da história da humanidade, muito antes de usar símbolos para escrever, o homem usou desenhos para registrar seus sentimentos, ideias, momentos e necessidades. Os primeiros desenhos, aos quais tivemos acesso foram dos homens pré-históricos, que tinham no intuito de desenhar, narrar cenas e caracterizar fatos de sua vida cotidiana. Após essa primeira fase, no Egito, o desenho passou a ser utilizado na decoração de tumbas e templos, o que fez com que o mesmo, começasse a ser visto como arte, pois adquiria ênfase social já que nessa época, utilizar de desenho era uma forma de representar grandes divindades, uma forma de manifestar graficamente a religião do povo e de seus governantes.

O grande salto do desenho na história foi quando os chineses inventaram o papel. Antes disso, os materiais utilizados para desenhar eram blocos de barro ou argila, couro, tecidos, folhas de palmeiras, pedras, ossos de baleias, papiro1 entre outros. Cada cultura possui seus próprios saberes, têm códigos e valores próprios, o desenho de cada período histórico é considerado verdadeiro e digno de importância de acordo com seu determinado momento histórico.

Muitas vezes, um registro em forma de desenho, parte de uma experiência que foi observada em uma realidade. Refletindo sobre o que vê, o homem registra o que compreendeu da realidade e o que julga ser de seu interesse, sendo assim, podemos dizer que o desenho, é a representação de formas sobre uma superfície, por meio de linhas, pontos e até manchas, com um objetivo que pode ser lúdico, artístico, científico ou técnico. Pode-se pensar o desenho como uma linguagem universal que perpetua em diferentes gerações, cada uma com significados próprios de acordo com sua história.

Mesmo na contemporaneidade o caráter do desenho pode variar definindo a capacidade de representação, a sensibilidade, a personalidade e o interesse de cada um, o desenho pode variar, de acordo com o fato que o condiciona a desenhar, como suas experiências, vivências, e até mesmo seu estado de espírito. Atualmente o desenho pode ser trabalhado como linguagem criativa. Os temas e os motivos que as crianças desenham refletem os valores de uma determinada sociedade e as

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experiências pessoais, que não podem ser interpretados de forma geral, sem observar a sua cultura, pois dizem respeito ao mundo da vida infantil conforme a idade de quem os produz.

Junqueira Filho (2005) diz que o desenho é uma linguagem que contém estrutura e regras de funcionamento. Linguagem essa que significa toda e qualquer realização humana para que o desenho se enquadre em um sistema de representações que tenham sentido. Desenhando, a criança deixa seu registro, ou seja, se expressa e se comunica.

A criança aprende ainda sobre sua própria humanidade, na medida em que, ao desenhar, a criança está realizando – reafirmando e atualizando – algo ancestral de sua humanidade: a capacidade e a necessidade dos seres humanos de se deixarem em marcas. Foram os seres humanos que inventaram o desenho e, ao fazê-lo, puderam dizer algo de si por meio de imagens, puderam se ver representados graficamente em aspectos de sua humanidade; deixaram-se em marcas que contribuíram para a produção de sua humanidade, de sua história; que contribuíram para a demarcação, comunicação e significação de sua passagem pela vida, pelo planeta Terra, pelo mundo (JUNQUEIRA FILHO, 2005, p. 54).

O desenho como linguagem, se constitui também como um instrumento do conhecimento, pois leva a criança a percorrer e conhecer novos caminhos e assim, apropriar-se do mundo. A criança que desenha, estabelece relações do seu mundo interior com o mundo exterior, adquirindo e reformulando conceitos, e aprimorando suas capacidades, ela se envolve de modo afetivo e opera mentalmente, revelando seus sentimentos e expressando seus pensamentos.

O desenho infantil estabelece uma relação entre a criança e o que ela quer expressar, pois possui seu próprio estilo de representação gráfica bem como sua própria maneira de expressão. É o que podemos perceber na opinião de Ferraz e Fusari quando dizem:

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A criança se exprime naturalmente, tanto do ponto de vista verbal, como plástico ou corporal, e sempre motivada pelo desejo da descoberta e por suas fantasias. Ao acompanhar o desenvolvimento expressivo da criança percebe-se que ele resulta das elaborações das sensações, sentimentos e percepções vivenciadas intensamente. Por isso, quando ela desenha, pinta, dança e canta, o faz com vivacidade e muita emoção (1993, p. 55).

O desenho comunica e dá sentido a sensações, sentimentos pensamentos e realidade, por meio de linhas, traços, formas e cores sendo que cada traço diz muitas vezes, mais do que palavras. Quando a criança desenha, ela representa situações do mundo adulto, manifestando-se de forma simbólica. "O desenho é uma forma de representação que supõe a construção de uma imagem bem distinta da percepção". (PIAGET, 2001, p. 14). No desenho, é possível perceber indícios do mundo real, que é construído e observado pela imitação e observação do cotidiano e também do imaginário, que é construído a partir da absorção da realidade.

Um exemplo claro disso ocorreu nessa pesquisa, quando os alunos realizaram um desenho a partir de um teatro, o tema abordado era o trafego de órgãos, ao analisar os desenhos, um me chamou mais a atenção, pois o menino havia desenhado um coelho, e em seu interior, havia desenhado um órgão do corpo. Desta forma, é necessário não interferir, direcionar ou dar desenhos prontos para a criança, os desenhos estereotipados prejudicam e desvalorizam o processo criador da criança. Segundo Becker “os estereótipos na arte se constituem em clichês que se multiplicam nos murais das escolas (flores, meninas...), nos livros didáticos, nas folhas mimeografadas que as professoras oferecem às crianças para recortar e colorir” (2001, p.33). Enfim, a escola parece ser o ambiente dos estereótipos, um terreno fértil onde se desenvolvem e se reproduzem, sob o pretexto ou a ilusão de tornar o ambiente ou a aprendizagem mais atraente, agradável, interessante para a criança, todos gostam e as crianças, desde cedo, aprendem a amar os estereótipos. Percebe-se, que as crianças adoram apreciar desenhos esteticamente elaborados, da televisão e dos livros infantis. A pesquisa mostrou que é possível, trabalhar diversas histórias e personagens sem utilizar os desenhos estereotipados, a escola, trabalha com diversos personagens e procura envolvê-los no mundo das crianças, a partir de contação de histórias e apresentação de teatros. E trabalha a partir da ideia, de que, esse ato de colorir desenhos prontos nada mais é do que uma atividade mecânica, que não envolve a fantasia da criança, e acaba se

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tornando uma forma de fixar um conceito do que seja bonito e certo. “O ensinar a desenhar, a pintar, a modelar como a professora, está ainda muito atrelado à formação da professora e das marcas que a arte vem imprimindo no espaço educacional e fora dele”. (BECKER, 2001, p.34). A partir dessa concepção, a criança começa a procurar modelos prontos de desenhos para copiar, muitas vezes, seguindo o exemplo da professora ou dos pais.

Assim, a partir da pesquisa realizada, percebe-se que os demais professores precisam disponibilizar imagens que sejam do cotidiano das crianças, como fotografias, revistas, obras de arte, ou até mesmo sem material algum, ou seja, materiais que estimulem o desenhar de forma espontânea e proposital, como acontece nessa escola. As professoras trabalham, partindo da realidade do aluno, e contam histórias infantis não apenas partindo de livros e mostrando suas imagens, mas sim, fantasiando-se como os personagens, e sempre procurando contar cada história de uma forma variada, para que no momento de realizar o desenho, as crianças usem de sua imaginação, criando seus personagens de acordo como cada uma a vê.

O desenho como forma de comunicação precisa ser feito pela criança de forma espontânea, é necessário que seja a representação da ideia que ela faz sobre o mundo, como compreende e como interage com ele. A pesquisa mostra que se faz necessário superar essa tendência de “desenhos prontos”, sendo que os professores da escola, como um todo, compreendem o papel do desenho como forma de linguagem e, a partir daí, respeitam o individual de seus alunos e suas próprias formas de perceberem o mundo, possibilitando-lhes que desenhem expressando-se, comunicando-se e representando.

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2. A CRIANÇA E O DESENHO INFANTIL

O desenho para a criança é a comunicação entre o objeto e a representação gráfica que ela faz. A criança representa o objeto exatamente como ele é, ou seja, a sua criação é diferente da criação de um adulto. Ela não se prende as aparências e assim, vê o objeto de várias formas enquanto o adulto só o representa de um único ponto de vista. Segundo Luquet (apud MERLEAUPONTY)

“O desenho é uma íntima ligação do psíquico e do moral. A intenção de desenhar tal objeto não é senão o prolongamento e a manifestação da sua representação mental; o objeto representado é o que, neste momento, ocupará no espírito do desenhador um lugar exclusivo ou preponderante”. (1990, p. 130)

Para a criança, o desenho é uma expressão de mundo, e nunca uma simples imitação ou cópia fiel de um objeto ou imagem, porque a criança desenha conforme o seu modelo interior, ou seja, de acordo com a representação mental que ela possui do objeto a ser desenhado. Desta forma, o desenho passa a ser a expressão da visão de mundo que cada criança possui, pois é através do desenho que a criança desenvolve suas potencialidades e manifesta suas reflexões.

Como se percebe na fala da professora Caroline (Infantil II) “Penso que através do desenho a criança pode desenvolver sua habilidade aos poucos, representando a sua maneira, através do desenho o que está vendo e sentindo”. Através do desenho, a criança desenvolve, em maior ou menor intensidade, os seus sentimentos, pois quanto maior o seu envolvimento na obra, maior a possibilidade de estarem ali presente as suas alegrias e tristezas, as experiências vivenciadas que lhe provocaram prazer, desprazer, espanto, temor, entusiasmo e muitas outras emoções. Assim, de acordo com Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (RCNEI -1988) por meio do desenho, a criança cria e recria individualmente formas expressivas, integrando percepção, imaginação, reflexão e sensibilidade, que podem então serem apropriadas pelas leituras simbólicas.

Com os avanços das capacidades de representação, a criança começa a fazer seus desenhos de forma cada vez mais detalhada, assim, a criança só evolui se for dada a ela a oportunidade de desenhar, de usar sua imaginação, sendo que o mesmo envolve o pensar, o idealizar o imaginar situações, possibilitando assim a

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evolução das aprendizagens. Essa ideia, do “oportunizar o desenhar” é vista com muita clareza nessa escola, sendo que antes do inicio da aula, nos intervalos e momentos de pátio, os alunos tem toda a liberdade de desenhar no piso e nas quadras de esporte, e os mesmos sabem que quando chega a hora de ir para o pátio têm a sua disposição giz de quadro para realizarem suas obras.

O ato de desenhar envolve a atividade criadora; é através de atividades criadora que a criança desenvolve sua própria liberdade e iniciativa, e, expressando-se como indivíduo reconhecerá esse mesmo direito nos outros os que lhe permitirá apreciar e reconhecer as diferenças individuais. (LOWENFELD, 1970 p.16)

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Todo desenho é uma criação e pode ser livre ou dirigido. Durante a pesquisa, foi realizado um questionário com a professora Fernanda da Educação Infantil, (Infantil I), sobre qual seria sua opinião sobre o desenho livre, a mesma destacou que: “Através do desenho livre a criança desenvolve sua criatividade, que vai levar para toda vida.” O desenho livre, é aquele em que o tema ou os recursos para sua criação dependem da livre escolha de quem o vai criar. Nesse tipo de atividade, a criança pode se expressar livremente, já que o professor não propõe uma temática específica. Neste trabalho, é possível analisar de forma mais precisa o modo como a criança se percebe e visualiza o mundo à sua volta.

O desenho é uma manifestação, pois constitui expressão de noções individuais ou de impressões externas, interpretadas por um indivíduo, como relata a professora Fernanda (Infantil I) “Com materiais diversos, de acordo com o momento a criança desenha, representando o que sabe, deixando liberdade para sua criação.” No desenho livre, a criança desenha o que lhe vem na imaginação, o desenho como expressão de personalidade é mais do que livre, e não tem, nem pode ter limite de assunto. Tem, portanto, um grande valor não só psicológico, como também pedagógico, podendo orientar o professor no conhecimento dos seus alunos, “[...] sua constituição, sua imaginação, sua memória, sua percepção, sua realidade social e cultural. Desta forma, o desenho será fruto de um conjunto de significações detectadas, construídas e partilhadas entre professora e criança”. (FERREIRA, 1996, p. 16-17).

Já no desenho dirigido os temas ou os materiais para a sua realização são fornecidos antecipadamente, são os desenhos aos quais se propõe um tema, como

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por exemplo, o aluno desenhar uma história contada pela professora. A tendência natural para o desenho pode, sem perder o seu valor criador, corresponder a sugestões exteriores. Assim expressa à educadora, ao ser questionada sobre qual seria sua opinião sobre o desenho dirigido. “Penso que muitas vezes a criança precisa de um estímulo onde vai pensar e reproduzir o que é solicitado no momento. Mesmo sendo um desenho dirigido à criança vai representar a sua maneira, expressando através do desenho seu aprendizado.” (Fernanda – Infantil I).

A educadora também foi questionada sobre se trabalha com o desenho dirigido e de qual forma, a mesma destacou que sim, que realiza as atividades com desenho dirigido contando histórias, após os alunos desenham sobre a mesma, ou, através de uma brincadeira proposta, sendo que às crianças participam e divertem-se. Após, eles desenham a brincadeira.

Este desenho, de tema sugerido, pode atrair a imaginação correspondente a uma concepção pessoal, de algo não visto realmente. Na ilustração de uma história, exemplo dado pela educadora, mesmo sendo recorrente de um tema sugerido pelo adulto, à ilustração do aluno pode ser concebida e criada de uma forma livre, de forma que o mesmo recorra ao modo como “filmou” a história na sua memória. Este é um aspecto muito pessoal, pois, “As criações do desenho livre ou dirigido têm base inegável de realidade, mas o seu influxo é anterior à concepção, envolvendo criação, como o desenho à vista, reprodução. O desenho livre atrai o íntimo, em último extremo a imaginação, base de toda a arte. (MAGALHÃES, 1960, p. 387).”

O desenho tem um papel fundamental na formação do conhecimento da criança, e requer grandes considerações, no sentido de ser valorizado desde o inicio da vida da criança, pelo fato da necessidade que o universo infantil tem em ser estimulado, desafiado, confrontando de forma que venha enriquecer as próprias experiências da criança. È válido esclarecer que o desenho é a primeira forma que a criança se comunica com o mundo, pois é no papel que ela estabelece pontos de comunicação e expressa gosto, medos, anseios e angustias. Lowenfeld (1977) ressalta a importância do desenho para o desenvolvimento da criança, seja como veículo de auto expressão ou como de desenvolvimento da capacidade criativa e representativa.

A imagem visual para a criança é imprescindível, pois é através dela que a mesma estimula sua imaginação e expõe no papel sua leitura de mundo, e os significados que realmente tal acontecimento tem para seu dia a dia. “[...] ao

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desenhar a criança está inter-relacionando seu conhecimento objetivo e seu conhecimento imaginativo”. (PILLAR, 1996, p.51). Assim, expressa sua necessidade de comunicação com o objeto que acabou de conhecer e com o seu imaginário, sendo este importantíssimo para seu desenvolvimento cognitivo.

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3. CONHECENDO AS FASES DO DESENHO INFANTIL

O desenho é uma possibilidade de expressão para a criança, um espaço para mostrar sua intenção e criação, exercitar movimentos com traços que irão ampliar sua capacidade de aprendizagem, estimulando seu raciocínio, percepção e criatividade. Quando a criança encontra esta oportunidade de desenhar com espaços e materiais diversificados, percebe-se um avanço e junto, seu crescimento.

Durante a pesquisa, os professores, quando questionados sobre os desenhos dos alunos e as fases em que se encontravam, as respostas foram unânimes quando relataram que, em cada fase, a criança tem diferentes maneiras de representar os elementos, não tendo relação alguma com a idade da criança nem com a etapa a qual ela precisa alcançar.

Através da pesquisa, constata-se que o desenho da criança varia com a idade, o meio e os estímulos que recebe, e também com as vivências de cada uma, são características comuns que aparecem nas representações de todas as crianças, dando origem aos estágios do grafismo infantil. Lowenfeld (1977), observa que quando a criança está cada vez mais autoconfiante é o momento exato para ela criar e se envolver com a atividade que está desenvolvendo, é quando a criança passa a se concentrar melhor facilitando a aprendizagem. Segundo o autor, aprende-se a desenhar desenhando, sendo que nesta atividade a criança deve se sentir livre para poder expressar tudo ao seu redor no desenho.

A primeira fase do desenho infantil, estabelecida por Lowenfeld (1977), é denominada “garatuja”, e se inicia logo nos primeiros traços da criança e estende-se até os 2 anos de idade, na qual a figura humana é inexistente ou pode aparecer de forma imaginária, a cor tem um papel secundário, surgindo, sobretudo o interesse pelo contraste, sem existir ainda uma intenção consciente. A garatuja revela, desde cedo, as potencialidades expressivas da personalidade infantil, nesta perspectiva, há garatujas violentas ou garatujas mórbidas, agressivas ou calmas, expansivas ou retraídas, sem se esquecer que o tipo de material utilizado influi na expressão do grafismo.

A fase da garatuja se subdivide em duas etapas, a “garatuja desordenada” e a “garatuja ordenada”. Durante a pesquisa, os alunos do Maternal estavam na aula de inglês, estudando a cor “Pink”, em um determinado momento, a professora solicitou que os mesmos fizessem um desenho, nesse momento, percebi que a turma estava

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na fase da garatuja desordenada, sendo que a criança não tem consciência dos gestos e traços, e muitas vezes nem olha ou não reconhece o que faz. Os movimentos são amplos e desordenados, ainda é um exercício de criação, não há preocupação com a preservação dos traços, sendo cobertas com novos rabiscos várias vezes.

A partir do desenho a seguir, é possível observar que nessa fase, a criança apenas sente prazer em explorar o papel riscado por ela, ou risca tudo que vê pela frente (mesa, parede, etc). Estabelece várias formas de segurar o lápis, porque ela ainda não sabe utilizar o dedo ou pulso para controlar o lápis, realiza movimentos de vaivém, predominando os sentidos verticais e o horizontal.

Ana (2 anos) - Garatuja Desordenada.

Já a garatuja ordenada, a criança procura estabelecer relação com os gestos e traços, presta atenção ao que está fazendo de maneira a controlar o tamanho a forma e a localização do desenho no papel. Passa a utilizar mais cores e começa a dar formas geométricas, perto dos três anos de idade ela já começa a segurar o lápis com mais firmeza.

Começam os movimentos circulares, em seguida espiral-novelo, círculos soltos “as bolinhas”. A conquista dos círculos marca uma etapa bastante importante, é o esboço de uma representação. Esboço, porque ainda são acidentais, muitas vezes. (MOREIRA, 1999, p. 31)

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Nessa fase os movimentos são longos e circulares, como é possível ver no desenho a seguir, a figura humana se faz presente de forma imaginária, a criança começa a explorar o seu traçado e começa a demonstrar interesse pelas formas. A criança diz o que vai desenhar, mas não existe relação fixa entre o objeto e sua representação, por isso ela pode dizer que uma linha é uma árvore, e antes de terminar o desenho, pode dizer que é um cachorro.

Laura (3 anos). Garatuja Ordenada.

A partir da pesquisa, foi possível perceber que na fase da garatuja faz-se necessário, deixar que a criança rabisque o papel com o lápis, e que explore diversos materiais e texturas, pois, a organização e o controle do traçado são percebidos aos poucos por ela, havendo uma evolução gradativa que vai dos riscos às formas controladas.

A criança deve ter a todo o momento possibilidade de realizar experiências com tantos materiais diferentes quanto isto for possível. Os materiais diversos, de consistência e contextura diferentes, enriquecem a sensibilidade tátil infantil. (LOWENFELD, 1977, p.102).

Nesse estágio, a criança passa por várias fases de desenvolvimento, explorando seu corpo e espaço, cujo desenvolvimento só facilita a percepção do que produzem livremente, o controle manual e a execução de uma atividade limitada a certo espaço. A riqueza e a variedade de estilos encontrados nesta forma de

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expressão são por si uma forma importante de verificar relações entre o temperamento das crianças e o seu grafismo.

A segunda fase do desenho infantil estabelecida por Lowenfeld (1977) é a “pré-esquemática”, que inicia aos 4 anos e se estende até os 6 anos, a criança passa a desenhar o que sabe do objeto e não uma representação visual absoluta, sendo que seus desenhos apresentam características, não porque tem forma, mais sim, porque está no começo de um processo mental ordenado.

Observando o desenho a seguir, é possível ver que do emaranhado de linhas, curvas e angulosas, ou garatujas, surgem às primeiras formas esquemáticas como, os círculos, quadrados e cruzes. A criança começa a elaborar o seu vocabulário simbólico. A partir das suas marcas e aglomerados de símbolos, podem surgir caras ou pessoas e há a primeira tentativa de representá-los intencionalmente. No desenho a seguir, a criança apresenta as primeiras tentativas de representação do real. A mesma desenvolve a consciência da forma e transmite isso pelas imagens dos seus desenhos, embora as figuras ou objetos apareçam, ainda, de forma desordenada, podendo haver variações consideráveis nos seus tamanhos.

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Nesta fase, a criança quer que o seu desenho seja real, mas ao desenhar não consegue concretizar este objetivo. Começa por representar figuras que parecem flutuar no espaço, de forma desvinculada umas das outras. Após, adquire a noção de vertical e horizontal, oscilando entre a organização própria do espaço cenográfico Por não haver uma consciente relação ainda com a realidade, a utilização das cores apenas depende do emocional da criança.

A terceira fase do desenho infantil é a fase “esquemática”, que se inicia aos 6 anos e se estende até os 9 anos de idade. Nesse estágio, a criança desenvolve o conceito da forma, e seus desenhos simbolizam o que pertence ao seu meio, de maneira descritiva.

[...] é neste período que aparece uma interessante característica dos desenhos infantis: a criança dispõe os objetos que está retratando numa linha reta, em toda a largura da margem inferior da folha de papel. Assim, por exemplo, a casa é seguida de uma árvore, à qual se segue uma flor que fica ao lado da pessoa que poderá ficar antes de um cão, que é a figura final do desenho (LOWENFELD,1977, p. 55).

Observando o desenho a seguir, percebe-se, que essa fase é definida por esboços representativos, a criança ultrapassa o egocentrismo, presente até a data, e desenvolve uma sintonia com os sentimentos e as pessoas que a rodeiam. No espaço, onde é feito o desenho, surge uma linha base que apóia as representações elaboradas pela criança.

Nesta fase, segundo Piaget (2001), existe a descoberta das relações quanto à cor e o objeto representado e a criança, começa a organizar intencionalmente seus desenhos. No desenho abaixo, observa-se que a criança, nesta fase, já elaborou esquemas para representar os objetos, ela representa a realidade assim como ela entende e não como ela vê. Os objetos são desenhados conforme a sua importância.

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Felipe (7 anos). Fase Esquemática.

Como é possível ver no desenho abaixo, nesta fase, a figura humana aparece, porém com exagero, descuido ou omitida do conjunto gráfico, essa figura, passa a ser retratada de forma completa, aparecendo às primeiras formas de vestuários. Observa-se no desenho que o espaço passa a ser organizado: a linha em baixo representa o chão e a linha em cima o céu. O espaço entre a linha de cima e a de baixo é identificada como o ar. Diferentes episódios são reunidos num mesmo desenho. A cor é inicialmente utilizada em função do emocional, passando a um esquema mais rígido, ou seja, relações semelhantes definitivas.

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A última fase do desenho infantil é a fase do “realismo”, se inicia aos nove anos e se estende até os doze. Durante a pesquisa realizada, foi possível perceber que, se antes ela tinha prazer em realizar desenhos livres, mostrá-los e explicá-los aos outros, nesse estágio, prefere ocultá-los da observação dos adultos, justamente pela consciência que tem de si e do seu ambiente natural, gerando uma autocrítica que não se manifestava antes. A criança apresenta mais criticidade em seus desenhos, critica muito sua criação.

Observando o desenho abaixo, constata-se que nesta fase do realismo, os esquemas apresentados na fase esquemática são abandonados. A partir dos acompanhamentos feitos em sala de aula nota-se que no realismo, a figura humana apresenta detalhes em sua constituição, como por exemplo, se procura caracterizar os sexos. A linha de base começa a desaparecer, e é substituída por linhas que recebem a função de simbolizar o horizonte, sendo que acima se localiza o céu e abaixo o solo.

Paula (12 anos). Fase do realismo

A partir do desenho infantil, é possível constatar que é possível chegar a várias conclusões sobre a aprendizagem da criança. Os traços que vão se modificando durante o tempo, permitem descobrir empenhos existentes, bem como, são instrumentos na construção do conhecimento. “(...) a arte pode constituir o equilíbrio necessário entre o intelecto e as emoções. Pode tornar-se como um apoio que as crianças procuram naturalmente ainda que de modo inconsciente cada vez que alguma coisa os aborrece.” (LOWENFELD, 1977, p. 19).

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A partir da pesquisa, é possível perceber que, o desenho é certamente uma das atividades relacionadas com a arte, com a qual a criança mais cedo tem contato e incentivo para desenvolver as suas capacidades, tanto pela família como pela escola ou convivência com outras crianças. Sobre os diferentes estágios do desenvolvimento gráfico, o autor (LOWENFELD, 1977), considera difícil perceber onde uma etapa termina e a outra tem início, já que o desenvolvimento desse processo é contínuo. Também as diferenças individuais da criança devem ser levadas em conta, isto é, nem todas passam de uma fase para outra na mesma época e da mesma forma. A escola trabalha no ideal de que, cada fase que a criança passa, desenvolve mais sua criatividade e consequentemente sua autonomia, tendo assim mais facilidade para se expressar e se comunicar com o mundo.

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4. O OLHAR DO EDUCADOR PARA O DESENHO INFANTIL

Conhecer as etapas evolutivas do desenho infantil fornece ao professor mais um instrumento para compreender as crianças. Durante todo o seu desenvolvimento expressivo, a criança conhece e aprimora saberes, técnicas e sensações, construindo assim, sua criação pessoal. A pesquisa realizada mostra que, na análise constante dos trabalhos das crianças, o educador poderá orientar suas ações pedagógicas, relacionando-as com as atividades de desenho, elaborando propostas de trabalho que incorporem as atividades artísticas, as quais, não precisam ser espontâneas das crianças.

Podemos concordar com Ferraz e Fusari (1999, p. 49) quando explicam que “no encontro que se faz entre cultura e criança situa-se o professor cujo trabalho educativo será o de intermediar os conhecimentos existentes e oferecer condições para novos estudos”. O papel do professor é mediar os conhecimentos, apresentar novos saberes aos que a criança já possui.

A pesquisa mostra que, tudo o que a criança adquire, seja por intermédio do professor ou do seu meio, (família, colegas, sociedade), ajuda no desenvolvimento de suas expressões e percepções. O professor como principal mediador dos conhecimentos, precisa apresentar à criança situações que lhe possibilitem ampliar e enriquecer suas experiências, de modo prazeroso e lúdico.

As professoras destacaram que o desenho infantil poderá ser colocado para a criança através de uma história bem contada, de um passeio, de algo ocorrido em sala, de brincadeiras de faz de conta, de jogos e cantigas, etc. O que faz com que a criança se expresse criativamente é a liberdade física e mental de criar de forma espontânea. De acordo com os PCN – Artes (1997, pp.47 e 48) “aprender com sentido e prazer está associado à compreensão mais clara daquilo que é ensinado”, dessa forma, é função do professor escolher quais os recursos didáticos são mais eficientes para expor os conteúdos.

Segundo Pillar (1996), ao observar o desenho de uma criança, pode-se aprender muito sobre o seu modo de pensar e sobre as habilidades que possui. O papel do educador se faz necessário nesse processo, ele não é apenas um facilitador, é alguém que deverá desafiar, incentivar, procurar ampliar as experiências e os conhecimentos da criança. Assim, os educadores, vão sendo também incentivados por elas a criar, sempre e cada vez mais, novas atividades.

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A partir da pesquisa, observa-se que o professor pode trabalhar estimulando o desenvolvimento de sua criatividade, o que facilitará a construção de sua criatividade pessoal e de sua forma de ver, sentir e se expressar no mundo. O educador precisa entender que o desenho da criança dependerá também do meio em que vive, sendo que a escola, tem grandes oportunidades e acesso a materiais e atividades que permitem e incentivam a expressão artística dos alunos.

A pesquisa também destaca que, a escola tem como prática de trabalho, respeitar o ritmo de cada criança, e a maneira como suas obras estão evoluindo, porque cada criança tem um tempo e uma maneira de incorporar suas experiências e vivências. Os trabalhos realizados pelas crianças são analisados pela professora no momento de sua criação, e assim, arquivado, passado um período de tempo, os trabalhos são todos retirados do arquivo e assim, é feita uma análise do desenvolvimento da criança, do seu primeiro desenho ao último.

Através da pesquisa, compreende-se que questionar os desenhos dos alunos, também é essencial para o acompanhamento dos avanços em relação à construção do pensamento infantil. O trabalho mediador desenvolvido pelo professor ajuda no desenvolvimento da capacidade de criação da criança. Percebe-se que através de suas orientações o professor pode motivar os alunos. Assim, na escola, os professores utilizam-se de perguntas, situações problemas, projetos, partindo sempre das necessidades dos alunos e do que lhes desperta o interesse, ampliando seus conhecimentos e sua visão.

O desenho permite ao professor uma série de pistas sobre a criança, assim como, a sua maneira de ler o mundo. Pillar (1990) aborda que o desenho é um sistema de representação, sendo um trabalho gráfico, construindo e interpretando o objeto conforme o que sente e pensa. A criança não nasce sabendo desenhar, é o meio que propicia este conhecimento a partir das estruturas mentais que possibilitam a criança interpretar o mundo. Dessa forma o conhecimento não resulta da relação da criança como os objetos, mas da sua interpretação e representação. Assim, a partir da pesquisa observa-se que os professores precisam ver a criança como um sujeito que vive num momento em que predominam o sonho, a fantasia, a afetividade, a brincadeira. E que o desenho infantil, é a reconstrução do universo do aluno, a ser interpretado e explorado, dependendo do professor e do processo, pois, o desenho revela o grande desenvolvimento intelectual, social, emocional e perceptivo da criança.

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Quando se propõe um desenho para as crianças, é interessante que o professor esteja ciente que poderá observar os mais diversos tipos de produções gráficas. “É imprescindível que o professor compreenda que a criança possui imaginação, ou seja, aptidão para representar objetos ausentes e combinar imagens”. (NOVAES, 1997, p. 07). Nesse sentido, a pesquisa ressalta que é essencial que o professor perceba que a construção do conhecimento não é decorrente da reprodução de uma padronização, mas que a criança abuse da sua criatividade para representar a sua imaginação. Assim como acontece na escola, é preciso que o professor incentive e elogie o aluno, quando realiza uma produção diferente, ao invés de transmitir a ideia de que o objeto que deseja representar deve seguir um padrão.

É muito significativo, considerar a habilidade que a criança tem de conseguir expressar através do desenho, a visão diferente que ela possui, demonstrando ser autônoma e criativa. Afinal, somos seres únicos, com pensamentos e personalidades diferentes, em constante aprendizagem, capazes de construir e reconstruir.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

No decorrer da pesquisa, compreendi que o desenho realmente é importante para uma prática pedagógica de grande significado, entendendo que as crianças desenham para aprender, conhecer, explorar, contar a sua história, e assim, construir aprendizagens.

Durante a pesquisa realizada na escola, percebi que existem professores que realizam excelentes trabalhos a partir do desenho, incentivando as crianças a terem opinião própria e expressarem o seu pensamento e sentimento nas suas produções gráficas, com muita criatividade.

Dessa forma, é importante mencionar que o conhecimento das fases do desenho infantil é necessário para contribuir na construção do imaginário das crianças, sendo mais um recurso que o educador poderá utilizar para melhor compreendê-las. Somando conhecimento, análise e compreensão da produção infantil, o educador perceberá o significado do ato de criar, expressão das ideias e dos sentimentos das crianças. Através de todo esse processo, poderá orientar suas ações pedagógicas com relevância, mérito e qualidade.

Considerando todos os aspectos destacados sobre o desenho, pode-se concluir que é essencial que ele se faça presente na sala de aula, bem como, que os professores ampliem o conhecimento sobre o assunto. Para isso, compreendi que é a sensibilidade do professor que vai nortear o seu trabalho de interação e mediação na evolução das etapas do desenho e, na exploração da criatividade da criança.

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REFERÊNCIAS

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do ensino fundamental. Ijuí: Ed. Unijuí, 2001.

BRASIL. Secretaria de Ensino Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: arte – Brasília, 1997.

BURNS, Edward MacNall. História da civilização ocidental: do homem das

cavernas até a bomba atômica, o drama da raça humana. Vol.1, 3ª Ed. Porto Alegre: Globo S.A, 1972.

BRASIL: MEC/SEF. Referencial Curricular Nacional Para A Educação Infantil: Conhecimento de Mundo. V.3, 1998.

FERRAZ, Maria Heloísa de Toledo.;FUSARI, Maria F. de Rezende. Metodologia do

ensino da arte. São Paulo: Cortez, 1993.

FERREIRA, Sueli. Figuração e imaginação: Um estudo da constituição social do desenho infantil. Campinas(SP) Unicamp/ FAE, 1996. [Dissertação de Mestrado].

JUNQUEIRA FILHO, Gabriel de Andrade. Linguagens Geradoras: seleção e articulação de conteúdos em educação infantil. Porto Alegre: Mediação, 2005.

LOWENFELD, Viktor. A Criança e sua Arte. 2 ed. São Paulo: Mestre Jou, 1977.

_________________. Desenvolvimento da capacidade criadora. São Paulo, Mestre Jou, 1970.

MOREIRA, Ana Angélica Albano. O espaço do desenho: a educação do educador. 8. Ed. São Paulo: Edições Loyola, 1999.

NOVAES, Carlos Eduardo. O menino sem imaginação. São Paulo: Ática, 1997.

PIAGET, Jean. INHERLDER, Barbel. A Psicologia da Criança. Rio de Janeiro: 17. Ed. Bertrand Brasil, 2001.

PILLAR, Analise Dutra. Fazendo artes na alfabetização. 3. Ed. Porto Alegre: Kuarup, 1990.

__________________. Desenho e Construção do Conhecimento na criança. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.

Referências

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