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Biblioteca Digital do IPG: Relatório de Estágio Curricular – Construções Vimar, Lda. (OTOC)

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Relatório para obtenção do grau de licenciado em Contabilidade, ao abrigo do protocolo celebrado entre a

ESTG-IPG e CTOC

Paulo Jorge Cleto Duarte

Nº 7994

(3)

Paulo Duarte i

A

GRADECIMENTOS

Gostaria de agradecer a todos aqueles que me proporcionaram a possibilidade de estagiar, concluindo deste modo o curso de Contabilidade ministrado na ESTG.

Foi com enorme agrado e satisfação que estagiei na empresa Construções Vimar, Lda., agradecendo desde já ao Sr. Inocêncio Marques pela oportunidade que me foi dada, também um agradecimento em especial, ao Dr. São Pedro coordenador por parte da empresa que sempre demonstrou uma enorme disponibilidade e uma especial compreensão, sem esquecer aqueles com quem mais directamente tive a oportunidade e o prazer de trabalhar.

Ao meu orientador de estágio que terei sempre como uma das minhas grandes referências, sendo um exemplo a seguir, Dr. João Simões, agradeço, pela orientação e disponibilidade.

A todos um Muito Obrigado, pois tenho plena consciência do contributo que tiveram na minha, ainda não terminada, formação.

À minha esposa e aos meus pais, pelo carinho e compreensão dados ao longo do percurso académico;

A todos os professores, colegas e amigos, pelo apoio nos momentos bons e menos bons, em particular à Cila e ao Pedro.

Por último, mas, em primeiro no meu pensamento ao meu filho.

(4)

Paulo Duarte ii IDENTIFICAÇÃO

Estagiário:

Paulo Jorge Cleto Duarte Número:

7994 Licenciatura:

Contabilidade Estabelecimento de Ensino:

Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPG Local de Estágio:

Construções Vimar, Lda. Código de Classificação das Actividades Económicas:

41200 - Construção de edifícios residenciais e não residenciais Supervisor na Empresa:

Dr. Carlos da Graça São Pedro, TOC nº 21086 Orientador da Escola:

Dr. João Simões, TOC nº 17948 Duração do Estágio:

Inicio 2de Dezembro de 2008 Fim 3 de Março de 2009

(5)

Paulo Duarte iii

Í

NDICE

Glossário de Siglas ... vi

Indice de Quadros ... vii

Indice de Figuras ... x

Introdução ... 1

Capítulo 1 – Apresentação da empresa ... 3

1.1 - Identificação da Empresa ... 3

1.2 – Historial ... 4

1.3 – Enquadramento Jurídico ... 4

1.4 – Enquadramento Fiscal ... 4

1.3 – Recursos Humanos e Informáticos ... 5

Capítulo 2. Actividades Desenvolvidas no Período de Estágio ... 7

2.1 – Organização de Documentos ... 7

2.2 – Classificação de Documentos ... 8

2.2.1 – Compras a Fornecedores ... 9

2.2.2 – Fornecimentos e Serviços Externos ... 10

2.2.3 – Vendas Clientes ... 13

2.3 – Processamento Informático ... 14

2.4 – Arquivo de Documentos ... 14

2.5 – Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) ... 15

2.5.1 – Considerações Gerais ... 15

2.5.2 – Principais obrigações dos sujeitos passivos... 16

2.5.3 – Regimes de IVA ... 20

2.5.3.1 – Regime Normal... 21

2.5.3.2 – Regime Especial de Isenção ... 24

2.5.3.3 – Regime dos Pequenos Retalhistas ... 24

(6)

Paulo Duarte iv

2.5.3.5 – Regime de Inversão do Sujeito Passivo ... 26

2.5.3.5 – Regime dos Bens em 2ª mão ... 26

2.5.4 – Apuramento do IVA ... 27

2.6 – Processamento e Contabilização de Salários ... 29

2.6.1 – Considerações Gerais ... 29

2.6.2 – Enquadramento Social e Fiscal... 29

2.6.3 – Prcesso Contabilisticos ... 31

Capítulo 3 – Controlo Interno ... 34

3.1 – Considerações Gerais ... 34 3.2 – Disponibilidades ... 34 3.3 – Pessoal ... 35 3.4 – Fornecedores ... 36 3.5 – Clientes ... 36 3.6 – Existências ... 36 3.7 – Imobilizado ... 37

Capítulo 4 – Encerramento de Contas ... 38

4.1 – Considerações Gerais ... 38

4.2 – Trabalhos de Encerramento de Contas ... 40

4.2.1 – Inventário Geral ou Anual ... 40

4.2.2 – Regularização e Rectificação de Contas ... 41

4.2.3 – Balancete de Rectificação (mês 13)... 51

4.2.4 – Balancete de Apuramento de Resultados (mês 14) ... 52

4.2.5 – Balancete Final (mês 15) ... 55

Capítulo 5 – Documentos de Prestação de Contas ... 56

5.1 – Considerações Gerais ... 56

5.2 – Principais Demonstrações Financeiras ... 56

5.3 – Outros Documentos a Apresentar ... 58

(7)

Paulo Duarte v

6.1 – Considerações Gerais ... 60

6.2 – Declaração Periódica de Rendimentos ... 60

6.3 – Apuramento do Imposto e Preenchimento da Modelo 22... 61

6.4 – Declaração Anual de Informação Contabilística e Fiscal ... 72

Capítulo 7 – Análise Financeira ... 77

7.1 – Considerações Gerais ... 77 7.2 – Capital ... 77 7.3 – Rentabilidade ... 78 7.4 – Produtividade ... 79 7.5 – Financiamente ... 80 7.6 – Liquidez ... 81 7.7 – Estrutura Financeira ... 82 Conclusão ... 84 Bibliografia ... 85 Indice de Anexos ... 87 Anexos ... 88

(8)

Paulo Duarte vi

G

LOSSÁRIO DE

S

IGLAS

ABDR - Anexo ao Balanço e à Demonstração de Resultados

CC - Código Comercial

CIRC - Código de Impostos sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas CIRS - Código de Impostos sobre o Rendimento das Pessoas Singulares CIVA - Código de Imposto sobre o Valor Acrescentado

CMVMC - Custo das Mercadorias Vendidas e Mercadorias Consumidas CRSS - Centro Regional da Segurança Social

CSC - Código das Sociedades Comerciais CTOC - Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas DGI - Direcção Geral de Impostos

DL - Decreto-Lei

DR - Decreto Regulamentar

EIRL - Estabelecimento Individual de Responsabilidade Limitada ESTG - Escola Superior de Tecnologia e Gestão

IES - Informação Empresarial Simplificada

IGFSS - Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social IRC - Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas IRS - Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Singulares IVA - Imposto Sobre o Valor Acrescentado

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Paulo Duarte vii NIPC - Número de Identificação das Pessoas Colectivas

OE - Orçamento de Estado

PC - Pagamento Por Conta

PEC - Pagamento Especial Por Conta POC - Plano Oficial de Contabilidade RAI - Resultado Antes de Impostos

RITI - Regime de IVA nas Transacções Intracomunitárias RLE - Resultado Líquido do Exercício

TOC - Técnico Oficial de Contas

TSU - Taxa Social Única

(10)

Paulo Duarte viii

Índice de Quadros

Quadro 1: Lançamento no Diário de Factura de Compras... 9

Quadro 2: Lançamento no Diário de Factura referente a Prestação de Serviços de Construção ... Erro! Marcador não definido. Quadro 3: Lançamento no Diário de Factura referente a Fornecimentos e Serviços Externos ... Erro! Marcador não definido. Quadro 4: Lançamento no Diário de Factura referente a Fornecimentos e Serviços Externos ... 12

Quadro 5: Lançamento no Diário de Escritura referente a venda de Imóvel ... 13

Quadro 6: Lançamento no Diário de Factura referente a Prestação de Serviços ... 14

Quadro 7: Lançamento no Diário do Apuramento do IVA ... 27

Quadro 8: Lançamento no Diário da transferência da conta de apuramento de IVA ... 28

Quadro 9: Lançamento no Diário do pagamento do IVA ... 28

Quadro 10: Lançamento no Diário do Processamento de Salários Erro! Marcador não definido. Quadro 11: Lançamento no Diário do Processamento dos encargos relativos à Segurança Social... 32

Quadro 12: Lançamento no Diário do Pagamento de Salários ... 33

Quadro 13: Lançamento no Diário da Especificação de Custos com Férias ... 45

(11)

Paulo Duarte ix

Quadro 15: Lançamento no Diário da Contabilização do CMVMC ... 47

Quadro 16: Calculo da Variação da Produção ... 48

Quadro 17: Calculo da amortização do exercício de um veículo ... 51

Quadro 18: Lançamento no Diário do Calculo de Imposto Estimado ... 54

Quadro 19: Cálculo do montante de Tributações Autónomas ... 63

Quadro 20: Cálculo do Lucro Tributável ... 64

Quadro 21: Cálculo do Pagamento Especial por Conta ... 67

Quadro 22: Cálculo do Imposto sobre o Rendimento ... 71

Quadro 23: Cálculo das Variações de Capital ... 77

Quadro 24: Rácios de Rentabilidade ... 78

Quadro 25: Rácios de Produtividade ... 79

Quadro 26: Rácios de Financiamento ... 80

Quadro 27: Rácios de Liquidez ... 81

(12)

Paulo Duarte x

Índice de Figuras

Figura Nº 1 – Print Screen do programa de contabilidade da empresa ………. 6 Figura Nº 2 – Contabilização do Apuramento de Resultados Operacionais ………… 52 Figura Nº 3 – Contabilização do Apuramento de Resultados Financeiros ………….. 53 Figura Nº 4 – Contabilização do Apuramento de Resultados Correntes ………. 53 Figura Nº 5 – Contabilização do Apuramento de Resultados Extraordinários ……... 53 Figura Nº 6 – Contabilização do Apuramento de Resultados Antes de Impostos ….. 54 Figura Nº 7 – Contabilização do Apuramento de Resultado Liquido do Exercicio ... 55 Figura Nº 8 – Anexo ao Dossier Fiscal (Fonte: Portaria 359/2000, de 20 Junho) ….. 59

(13)

Paulo Duarte 1

I

NTRODUÇÃO

O relatório que se segue é o produto final de três meses de estágio na empresa Construções Vimar, Lda. e tem como objectivo dar a conhecer de forma simples e sintética, o trabalho desenvolvido ao longo desse período de 2 de Dezembro de 2008 a 3 de Março de 2009.

O estágio incidiu nas áreas da contabilidade e fiscalidade onde tive a oportunidade de colocar em prática alguns dos conhecimentos adquiridos ao longo do curso e ainda adquirir novos conhecimentos decorrentes do exercício da profissão em contexto real. O presente relatório visa também cumprir o artigo 6º do Regulamento de Estágios da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas (CTOC)1, de acordo com o protocolo celebrado entre a Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) e a Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas (CTOC), segundo o artigo atrás referido as actividades a desenvolver são:

a) “A empresa e o meio envolvente;

b) Aprendizagem relativa à forma como se organiza a contabilidade nos termos dos planos de contas, oficialmente aplicáveis, desde a recepção dos documentos até ao seu arquivo, classificação e registo;

c) Práticas de Controlo Interno;

d) Apuramento de contribuições e impostos e preenchimento das respectivas declarações;

e) Encerramento das contas e preparação das Demonstrações Financeiras e restantes documentos que compõem o “Dossier Fiscal”;

f) Preparação da informação contabilística para relatórios e análise de gestão; g) Identificação e acompanhamento relativo à resolução de questões da organização com o recurso a contactos com os serviços relacionados com a profissão.”

1

Com a entrada em vigor do Decreto-Lei 310/09 de 31/10/09, a denominação da instituição passou a ser Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas.

(14)

Paulo Duarte 2 De modo a sistematizar a informação constante no relatório, o mesmo encontra-se dividido em seis capítulos.

No primeiro capítulo é efectuada a apresentação da empresa receptora de estágio, o seu historial, enquadramento jurídico e fiscal, etc.

No segundo capítulo são descritas as actividades desenvolvidas durante o período de estágio, de acordo com o plano proposto, nomeadamente quanto à forma como se organizam os documentos contabilísticos, desde a sua recepção, classificação, registo informático até ao arquivo, bem como o apuramento de contribuições, impostos, preenchimento e envio das respectivas declarações fiscais. Dentro destas tarefas encontram-se alguns exemplos de documentos classificados, apuramento do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), processamento de salários, entre outros.

O terceiro capítulo diz respeito às medidas de controlo interno adoptadas, desde a Gestão Administrativa e Financeira, até à Gestão de Recursos Humanos.

O quarto capítulo reflecte os procedimentos necessários para o Encerramento do Exercício e preparação das Demonstrações Financeiras.

O quinto capítulo trata das obrigações fiscais. Foi feita uma abordagem à declaração de rendimentos (Modelo 22), através do seu preenchimento, que nos permite apurar o Imposto sobre o Rendimento Colectivo (IRC), referente ao Ano 2008

No sexto capítulo, é apresentada a Informação Empresarial Simplificada (IES) e é feita uma demonstração do seu preenchimento, partindo dos campos preenchidos pela empresa.

No sétimo capítulo apresenta-se uma análise económico-financeira. Na conclusão apresento algumas considerações gerais.

No final foram introduzidos todos os anexos utilizados na realização deste relatório de estágio.

(15)

Paulo Duarte 3

1 – APRESENTAÇÃO DA EMPRESA RECEPTORA DE

ESTÁGIO

1.1 - Identificação da Empresa

Denominação Social: Construções Vimar, Lda.

Morada: Avenida de São Miguel

6300-864 Guarda

Contactos: Telefone: 271 238 299

Telefax: 271 238 107

Natureza Jurídica: Sociedade por Quotas

Capital Social: 299.278,73 €

Número de Identificação das Pessoas

Colectivas (NIPC): 500 708 606

Actividades: Construção Civil, Compra e Venda de

Propriedades.

Código CAE 41200 – Construção de edifícios

residenciais e não residenciais

(16)

Paulo Duarte 4

1.2 – Historial

A empresa Construções Vimar, Lda. iniciou a sua actividade em Outubro de 1977, na Guarda, na rua de França nº 1, tendo mais tarde, em 2000, mudado a sua actividade para a Avenida de São Miguel, Guarda Gare.

Desta forma a empresa procurou melhorar o funcionamento interno, reestruturando as suas instalações, visando proporcionar um melhor atendimento ao público.

A empresa Construções Vimar, Lda. exerce a sua actividade nas áreas seguintes:

 Construção Civil e Obras Públicas, possui um alvará da classe 5, isto significa que a empresa está habilitada a realizar obras até ao valor de 2.656.000 €. (Anexo 1)

 Compra e venda de propriedades, sendo que uma parte usa para construção própria e outra para venda.

1.3 – Enquadramento Jurídico

Presentemente a Construções Vimar, Lda., está constituída sob a forma jurídica de sociedade comercial por quotas de responsabilidade limitada.

O seu capital social está dividido por três sócios em quotas parcialmente distribuídas em que o valor global totaliza o Capital Social da empresa no valor de 299.278,73 €.

1.4 – Enquadramento Fiscal

A empresa Construções Vimar, Lda., possui contabilidade organizada de acordo com o artigo 115º do código do IRC, este enquadramento decorre dos limites impostos no nº 2 do artigo 28º do CIRS cumprindo o estipulado no artigo 117º do mesmo código. Em termos de IVA, enquadra-se no regime normal, com periodicidade trimestral, nos termos da alínea b), do nº 1 doa artigo 41º.

(17)

Paulo Duarte 5

1.5 – Recursos Humanos e Informáticos

A Construções Vimar, Lda. é constituída pela gerência, dois sócios, e dez funcionários, dos quais um é administrativo e os restantes encontram-se ligados à construção.

A Construções Vimar, Lda. é uma empresa “familiar” e para além dos funcionários, conta também com um engenheiro civil e uma empresa de contabilidade como colaboradores externos mais próximos de forma a fazer face às exigências legais.

O escritório está dividido em quatro salas de trabalho. Uma sala onde é feito o atendimento geral aos clientes, fornecedores e publico em geral, outra para a gerência, uma terceira para reuniões, por ultimo a sala onde se realiza a contabilidade e se encontram os arquivos contabilísticos.

O software utilizado pela empresa, para a realização da contabilidade e facturação é o PHC. Para além deste, utiliza também o OFFICE, principalmente o WORD e o EXCEL, respectivamente para a elaboração de cartas ou requerimentos, para a elaboração de reconciliações bancárias ou mapas, entre outros.

Ao nível dos recursos informáticos tive a oportunidade de pôr em prática alguns dos conhecimentos adquiridos durante o curso, nomeadamente a experiência adquirida em Contabilidade Financeira II, onde foi possível simular os lançamentos contabilísticos num programa da ESTG.

O programa PHC revelou-se de baixo grau de dificuldade para trabalhar, isso permitiu que rapidamente fosse possível a movimentação com as suas aplicações desde a introdução de dados até à extracção de mapas ou declarações fiscais.

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Paulo Duarte 6 Figura Nº 1 - Print screen do programa de contabilidade da empresa Construções

(19)

Paulo Duarte 7 2

– ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS NO PERÍODO DE

ESTÁGIO

De forma a salvaguardar o sigilo profissional (artigo 10º do Código Deontológico dos Técnicos Oficiais de Contas), alguns dados e cálculos foram propositadamente alterados.

2.1 - Organização de documentos

Os documentos chegam à empresa por correio, pelos fornecedores, ou ainda pela mão do chefe de obra que os recepciona e confirma a entrega das matérias-primas constantes no mesmo.

Chegados ao escritório da empresa, os documentos são separados de acordo com o diário que lhe está destinado consoante a sua natureza. Posteriormente são ordenados por ordem cronológica.

No sentido de cumprir o estipulado no artigo 48º do CIVA, os documentos, uma vez separados e ordenados são classificados, segundo os pressupostos do POC (Anexo 2) e registados no sistema informático, onde foram criados os seguintes diários:

 Diário de Caixa  Diário de Clientes  Diário de Fornecedores  Diário de Bancos

 Diário de Operações Diversas

No diário de caixa, arquivam-se todas as entradas e saídas em numerário, e ainda entradas de cheques correspondentes aos recibos emitidos pela empresa, das saídas de

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Paulo Duarte 8 caixa fazem parte os depósitos, as vendas a dinheiro relativas a compras, pagamentos a fornecedores, fornecimentos e serviços externos, etc.

No diário de clientes arquivam-se as notas de débito, notas de crédito e as facturas de vendas.

No diário de fornecedores arquivam-se as facturas de compras realizadas, algumas facturas de fornecimentos e serviços externos, notas de débito e de crédito.

No diário de bancos arquivam-se as operações realizadas através dos bancos, como sejam as transferências e os avisos de lançamentos, notas de débito relativas a juros, pagamentos de facturas de leasing.

Finalmente o diário de Operações Diversas onde se arquivam todos os documentos relativos ao processamento de salários, ao apuramento do IVA e também todos os documentos que não se integrem nos outros diários.

2.2 - Classificação de documentos

Depois de ordenados e separados, os documentos são classificados individualmente, as contas a movimentar inserem-se manualmente a débito e a crédito e o respectivo valor, de acordo com princípios contabilísticos e critérios valorimétricos estabelecidos pelo POC.

A classificação é feita pelo sistema digráfico, em que o valor total dos débitos tem que ser igual ao valor total dos créditos.

Como já foi referido anteriormente a empresa dedica-se à execução de obras de construção civil e venda de prédios rústicos e urbanos, pelo que de acordo com o CIVA pratica operações enquadráveis no nº 31 do artigo 9º, no entanto por força do nº 5 do artigo 12º esta pode renunciar à isenção. O nº 6 do mesmo artigo remete-nos para o DL 21/2007 (Anexo 3) que regula as condições para a renúncia do artigo 12º. É também este DL que conjugado com o ofício 30100 (Anexo 4) de 28 de Março de 2007 regula a

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Paulo Duarte 9 inversão do sujeito passivo nos contratos de serviços de construção civil. Assim, da análise da legislação acima referida podemos concluir que estamos na presença de um sujeito passivo misto que pratica operações que conferem o direito à dedução e operações que não conferem esse direito, reunindo as condições para proceder à inversão do sujeito passivo, utilizando para o exercício do direito à dedução, o método da afectação real.

A título de exemplo apresento nos pontos seguintes a classificação contabilística de alguns factos patrimoniais inerentes à actividade da empresa.

2.2.1 - Compras a fornecedores

Factura referente à aquisição de matérias-primas no mercado interno. Regista-se a débito na conta 31611820 - OBRA URBANIZAÇÃO FERREIRINHOS, o custo de aquisição das matérias-primas destinadas à produção, pela contrapartida a crédito na respectiva conta corrente de fornecedores. Dado que a obra é destinada à venda, trata-se de uma operação sujeita a IMT, pelo que fica isenta de IVA, nos termos do nº 31, do artigo 9º do CIVA.

A sua contabilização é feita da seguinte forma:

Factura nº 1081819 (Anexo 5)

Quadro n.º 1 – Lançamento no Diário de Factura de Compras.

Descrição Conta Débito Crédito

Compras de Matérias-Primas 31611820 – Obra Urbanização Ferreirinhos 35,42 € 2211142 - Fornecedor 35,42 €

Fonte: Elaboração própria

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Paulo Duarte 10 Para desenvolver a sua actividade a empresa consome diversos serviços prestados por terceiros, os quais são contabilizadas nas respectivas contas de fornecimentos e serviços externos.

A empresa recorre regularmente à subcontratação na execução das suas obras, ou na prestação de serviços, o tratamento contabilístico das facturas de subcontratos de construção civil, está regulado pelo ofício 30100 de 28 de Março de 2007. De acordo com este ofício a factura que se está a classificar reúne as condições para se proceder à inversão do sujeito passivo, uma vez que:

o adquirente está enquadrado na alínea j) do nº 1 do artigo 2º “ são sujeitos

passivos do IVA “as pessoas singulares ou colectivas referidas na alínea a) que disponham de sede, estabelecimento estável ou domicílio em território nacional e que pratiquem operações que confiram o direito à dedução total ou parcial do imposto, …”,

a factura emitida pelos prestador do serviço contem a expressão “IVA devido pelo adquirente”, como está previsto nos termos do nº 13 do artigo 35º do CIVA,.

trata-se de uma aquisição de serviços de construção civil.

No que diz respeito ao IVA deduzido a empresa tem o direito à dedução, nos termos da alínea c) do nº 1 do artigo 19º, na medida em que neste caso não estamos perante uma obra para venda, mas, um serviço que a empresa está a prestar a outra entidade, subcontratando a empresa responsável pela emissão da factura, não ficando sujeita a IMT, pelo que estamos na presença de uma operação tributável, não isenta.

A contabilização é feita da seguinte forma: Factura Nº 08042 (Anexo 6)

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Paulo Duarte 11 Quadro n.º 2 – Lançamento no Diário de Factura referente a Prestação de Serviços de

Construção.

Descrição Conta Débito Crédito

Factura de Prestação de

Serviços

6211820 – Obra Lote 2 5.000,00 €

2432314 - IVA Devido Adquirente 1.000,00 €

22110208 – Fornecedor 5.000,00 €

2433343 – Serv. Construção Civil Taxa

Normal 1.000,00 €

Fonte: Elaboração própria

Nos serviços, os mais comuns são: electricidade, combustíveis, água, comunicação, seguros entre outros.

A empresa regista a despesa de gastos com água e outras despesas isentas a débito na conta 62213302 -Agua Obras, por contrapartida a crédito de uma conta de depósitos à ordem, não separando as despesas isentas por as considerar materialmente irrelevantes. No que diz respeito a este tipo de gastos, a empresa no seu plano de contas separa os custos referentes às obras, dos custos referentes ao escritório com dois intuitos, por um lado porque a empresa não possui um sistema de contabilidade analítica, este procedimento permite-lhe apurar os gastos gerais de fabrico a imputar ao custo de produção na execução das suas obras. Por outro lado como a empresa pratica operações que conferem o direito à dedução, a separação permite-lhe deduzir o IVA na percentagem correspondente à afectação.

Relativamente a este tipo de custos, é aplicada a taxa reduzida de IVA, conforme nº 1 do artigo 18º do CIVA, e em termos de direito a dedução do imposto o mesmo encontra-se regulado no nº 1 dos artigos 19º e 20º do CIVA. No entanto, pelo facto de como temos vindo a referir a empresa efectuar operações isentas, a empresa não deduz este IVA.

(24)

Paulo Duarte 12 Lançamento Factura do SMAS (Anexo 7)

Quadro n.º 3 – Lançamento no Diário de Factura referente a Fornecimentos e Serviços Externos.

Descrição Conta Débito Crédito

Factura SMAS

62213302 – Agua Obras 128,14 € 12102 – Banco Português do

Atlântico 128,14 €

Fonte: Elaboração própria

No que diz respeito ao direito à dedução de IVA nos combustíveis existem três situações distintas:

 Totalmente dedutível;

 Parcialmente dedutível;

 Sem qualquer direito a dedução.

A empresa receptora de estágio devido aos motivos acima mencionados não faz a dedução, prevista na alínea b) do nº 1 do artigo 21º do CIVA.

Factura Nº – PVF812+0750 (Anexo 8)

Quadro n.º 4 – Lançamento no Diário de Factura referente a Fornecimentos e Serviços Externos.

Descrição Conta Débito Crédito

Factura Gasóleo

622121122 – Gasóleo c/ IVA não

dedutível 47,03 €

22110031 - Fornecedor 47,03 €

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Paulo Duarte 13

2.2.3 - Vendas/Clientes

De acordo com o POC, as vendas, representadas pela facturação, “devem ser deduzidas do IVA e de outros impostos e incidências nos casos em que nelas estejam incluídos”, pelo que devemos relevar a crédito a conta 71 -Vendas, o valor da venda deduzindo o valor do IVA, o qual será relevado a crédito da respectiva conta 243 -Imposto s/o Valor Acrescentado, por contrapartida a débito da conta corrente do cliente ou de uma conta de disponibilidades. No caso da empresa Construções Vimar, Lda., não se verifica esta situação, dado que está isenta nos termos do nº31 do artigo 9º.

Contabilização de uma escritura (Anexo 9):

Quadro n.º 5 – Lançamento no Diário de Escritura referente a venda de Imóvel.

Descrição Conta Débito Crédito

Contabilização de Escritura

111 – Caixa 105.000,00 €

7121409 – Vendas Jardim das

Covas 105.000,00 €

Fonte: Elaboração própria

Na Prestação de Serviços, que se apresenta de seguida, não há lugar à inversão do sujeito passivo, em virtude do adquirente deste serviço ser um sujeito passivo de imposto, que pratica exclusivamente operações isentas, nos termos do nº 31 do artigo 9º.

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Paulo Duarte 14

Quadro n.º 6 – Lançamento no Diário de Factura referente a Prestação de Serviços.

Descrição Conta Débito Crédito

Factura Prestação de

Serviços

21110013 – Cliente conta corrente 13.282,06 €

7211201 – Serviço de empreitadas

obra 11.068,38 €

2433113 – IVA liquidado à taxa

normal 2.213,68 €

Fonte: Elaboração própria

2.3 - Processamento informático

Terminada a classificação dos documentos contabilísticos, procede-se ao tratamento informático dos mesmos, o que permite extrair toda a informação na forma de diários, extractos de contas, contas correntes de terceiros, balancetes, etc.

A cada documento é atribuído um número interno, dentro de cada diário, de forma a possibilitar a sua consulta sempre que seja necessário.

2.4 - Arquivo de documentos

Após o tratamento informático dos documentos que servem de suporte aos factos patrimoniais ocorridos, estes são arquivados em pastas, ordenados por diários e pelos períodos a que respeitem, estando facilmente acessíveis na eventualidade de ser necessário realizar uma consulta.

Estes documentos deverão permanecer no arquivo durante 10 anos, nos termos do nº1 do artigo 52º do CIVA.

(27)

Paulo Duarte 15

“Os sujeitos passivos são obrigados a arquivar e conservar em boa ordem durante os 10 anos civis subsequentes todos os livros, registos e respectivos documentos de suporte, incluindo, quando a contabilidade é estabelecida por meios informáticos, os relativos à análise, programação e execução dos tratamentos.”

2.5 – Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) 2.5.1 – Considerações gerais

A adesão de Portugal à União Europeia, implicou alterações no sistema fiscal português, uma das exigências previstas no Decreto-Lei n.º 394-B/84, de 26 de Dezembro foi a adopção do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA). O Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado (CIVA) foi aprovado pelo n.º 1 deste mesmo Decreto-Lei e entrou em vigor a 1 de Janeiro de 1986, de acordo com o nº 1 da Lei nº 42/85, de 22 de Agosto.

O IVA é um imposto geral enquadrado nos chamados impostos indirectos, incidem sobre o consumo de bens e serviços, embora sejam as empresas que têm de o entregar ao estado, quem o suporta de facto, é o consumidor final. É também considerado de acordo com o artigo 1º do CIVA um imposto plurifásico, visto que tributa o consumo ao longo das fases do circuito económico, desde a produção até ao consumidor final. As operações sujeitas a IVA estão previstas no artigo 1º (Incidência Real) do CIVA, nas alíneas seguintes:

“a) As transmissões de bens e as prestações de serviços efectuadas no território nacional, a título oneroso, por um sujeito passivo agindo como tal;

b) As importações de bens;

c) As operações intracomunitárias efectuadas no território nacional, tal como são definidas e reguladas no Regime do IVA nas Transacções Intracomunitárias.”

Os casos previstos nos artigos 9º ao 15º do CIVA, são excepções a esta sujeição, por se tratarem de operações isentas de imposto.

(28)

Paulo Duarte 16 Os sujeitos passivos de imposto, isto é, aqueles que podem ser considerados sujeitos passivos do imposto, estão definidos no artigo 2º (Incidência pessoal) do CIVA.

No sentido de harmonizar a tributação geral do consumo no espaço europeu, é aprovado pelo Decreto-Lei n.º 290/92, de 28 de Dezembro, o Regime do IVA nas Transacções Intracomunitárias (RITI). Entrando em vigor a 1 de Janeiro de 1993, com vista à abolição das fronteiras fiscais.

As trocas comerciais intracomunitárias de bens, traduzem-se em termos gerais, no seguinte:

– Para o vendedor, que tenha a qualidade de sujeito passivo do imposto, numa transmissão intracomunitária de bens, de acordo com o artigo 14º, alínea a) do RITI, uma operação isenta;

– Para o adquirente, também sujeito passivo do imposto, numa transmissão intracomunitária de bens, sendo tributável no estado membro de destino. No entanto o adquirente deve deduzir e liquidar o imposto suportado de acordo com as regras previstas nos artigos 19º - Direito à dedução e 23º - Obrigações gerais do RITI.

A aquisição de bens a países terceiros, isto é, aqueles que não se encontram inseridos na União Europeia, o IVA é liquidado no país de destino, pelos serviços alfandegários. No país de origem dos bens a transmissão é isenta.

Daqui se conclui que, a determinação do local de tributação assume importância na definição da localização das operações. As regras de localização encontram-se definidas no artigo 6º - Localização das operações tributáveis pelo CIVA e no artigo 8º - Localização das aquisições intracomunitárias de bens, pelo RITI.

2.5.2 – Principais obrigações dos sujeitos passivos

As obrigações dos sujeitos passivos/contribuintes, previstas no CIVA, são as seguintes: i. Obrigações de pagamento

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Paulo Duarte 17 ii. Obrigações declarativas

iii. Obrigação de facturação iv. Obrigações contabilísticas

i. Obrigações de pagamento, encontram-se reguladas pelo CIVA nos artigos 27º e 28º e pelo RITI no artigo 22º. Este prevê dois regimes de tributação, em que o sujeito passivo estará inserido em apenas um deles:

o Regime Mensal: declaração a ser entregue até ao dia 10 do 2º mês seguinte àquele a que respeitam as operações;

o Regime Trimestral: declaração a ser entregue até ao dia 15 do 2º mês seguinte ao trimestre a que respeitam as operações.

ii. Obrigações declarativas, estão previstas pelo CIVA nos artigos 30º a 35º, 40º a 42º e artigo 67º e são elas:

o Declaração de início de actividade, antes de iniciada a actividade;

o Declaração de alterações, sempre que se verifiquem alterações de qualquer dos elementos constantes na declaração de início de actividade. Deve ser entregue no prazo máximo de 15 dias a contar da data de alteração;

o Declaração de cessação de actividade, deverá ser entregue no prazo de 30 dias a contar da data de cessação da actividade;

o Declaração periódica. A periodicidade de envio da declaração depende do Volume de Negócios do exercício económico do ano civil anterior.

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-Paulo Duarte 18 regime de tributação mensal, se o VN for igual ou superior a 650.000,00 €; - regime de tributação trimestral, se o seu VN é inferior a 650.000,00 €. No entanto os sujeitos passivos abrangidos pelo regime trimestral podem optar por serem incluídos no regime mensal, se assim o manifestarem na declaração de inicio de actividade, ou entregando uma declaração de alterações durante o mês de Janeiro. Os sujeitos passivos que exercerem este direito de opção devem manter-se obrigatóriamente neste regime durante 3 anos, podendo após este período regressar ao regime trimestral, apresentando para o efeito uma nova declaração de alterações. Os sujeitos passivos que realizem operações isentas, encontram-se dispensados do envio da declaração periódica.

o Declaração anual, deve ser entregue até ao último dia do mês de Junho do ano seguinte àquele a que respeitam as operações, juntamente com o anexo recapitulativo das transmissões intracomunitárias, se for caso disso.

iii. Obrigação de facturação, estão previstas no CIVA nos artigos 29º e 36º a 40º e no RITI nos artigos 23º 28º e 29º.

A obrigação de emitir factura está regulada na alínea b) do n.1 do artigo 29º do CIVA:

“1- Para além da obrigação do pagamento do imposto, os sujeitos passivos referidos na alínea a) do n.º 1 do artigo 2.º, são obrigados, sem prejuízo do previsto em disposições especiais, a:

b) Emitir uma factura ou documento equivalente por cada transmissão de bens ou prestação de serviços, (…)”

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Paulo Duarte 19 Estão dispensados de emitir factura, como prevê o n.º 1 do artigo 40º do CIVA, sempre que:

“1- (…) o cliente seja um particular que não destine os bens ou serviços adquiridos ao exercício de uma actividade comercial, industrial ou profissional e a transacção seja efectuada a dinheiro:

a) Transmissões de bens efectuadas por retalhistas ou vendedores ambulantes;

b) Transmissões de bens feitas através de aparelhos de distribuição automática;

c) Prestação de serviços em que seja habitual a emissão de talão, bilhete de ingresso ou de transporte, senha ou documento impresso e ao portador, comprovativo de pagamento;

d) Outras prestações de serviços cujo valor seja inferior a € 9.98.”

Os elementos principais que devem constar nas facturas, segundo os artigos 36º n.º 5 do CIVA e artigo 28º n.º 5 do RITI, são os seguintes:

 Data;

 Numeração sequencial;

 Nomes, firmas ou denominação social e a sede ou domicílio do fornecedor de bens ou prestador de serviços e do destinatário ou adquirente;

 Números de identificação fiscal do fornecedor ou prestador de serviços e do destinatário ou adquirente;

 A quantidade e denominação dos bens transmitidos ou serviços prestados;  Preço;

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Paulo Duarte 20  Motivo explicativo da não aplicação do imposto, se for caso disso.

No caso, do contribuinte ser um retalhista as facturas por ele emitidas, segundo o artigo 39º do CIVA, pode indicar apenas o preço com inclusão do imposto e a taxa ou taxas aplicáveis.

Quanto ao prazo de emissão de facturas, o artigo 36º prescreve que as facturas sejam emitidas o mais tardar até ao 5.º dia útil seguinte ao momento em que o imposto é exigível.

iv. Obrigações contabilísticas, os contribuintes são obrigados a dispor de contabilidade adequada ao apuramento e fiscalização do imposto. Devem também possuir os respectivos livros de registo conforme o previsto nos artigos 29º e 44º a 55º do CIVA e 32º do RITI.

2.5.3 – Regimes de IVA

Para fazer o apuramento do IVA, relativo ao período de acordo com o regime mensal ou trimestral de cada empresa é necessário ter em conta o regime de tributação em que a empresa se insere, os regimes de tributação podem ser:

 Regime Normal

 Regime Especial de Isenção  Regime dos Pequenos Retalhistas

 Regime dos Revendedores de combustíveis  Regime de Inversão do Sujeito Passivo

 Regime Especial de Tributação dos Bens em Segunda Mão, Objectos de Arte, de Colecção e Antiguidades

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Paulo Duarte 21 2.5.3.1 – Regime Normal

Estão enquadrados neste regime, todos os sujeitos passivos em IRC não enquadráveis nos regimes especiais de isenção ou de pequenos retalhistas.

Desde 2003 passou a ser obrigatório o envio electrónico da declaração do IVA. Nos prazos previstos pela lei, deve entregar-se a Modelo B. No caso da declaração periódica conter erros de preenchimento, ou for envida fora do prazo legal, deve enviar-se a Modelo C.

Aplicam-se as taxas definidas no artigo 18º do CIVA:

o Taxa reduzida de 5%, referente às importações, transmissão de bens e prestação de serviços incluídas na lista I, anexa ao CIVA;

o Taxa intermédia de 12%, aplicáveis às importações, transmissão de bens e prestação de serviços incluídas na lista II, anexa ao CIVA;

o Taxa normal de 20%, referente a todas as importações, transmissão de bens e prestação de serviços não enquadráveis nas listas I e II.

Nas regiões Autónomas dos Açores e da Madeira aplicam-se as taxas de 4%, 8%, e 15%.

A conta Imposto sobre o Valor Acrescentado, encontra-se subdividida em subcontas segundo as taxas aplicáveis, do qual a empresa Construções Vimar, Lda., fez as adaptações necessárias à especificidade da empresa:

IVA Suportado – esta conta é de uso facultativo, porém pode ser debitada pelo IVA suportado em todas as aquisições de existências, imobilizados e outros bens e serviços, por contrapartida das subcontas da conta 2432-IVA dedutível, ou, quando o IVA não é totalmente dedutível, pela conta 6312-Impostos Indirectos.

IVA Dedutível – utiliza-se quando o imposto suportado nas aquisições de bens e prestação de serviços esteja enquadrado em operações previstas nos artigos 19º a 25º do CIVA, com as excepções referidas no artigo 21º do mesmo código. Contabilisticamente, esta conta é debitada pelos valores de IVA, resultante da aplicação da respectiva taxa,

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Paulo Duarte 22 relativo às aquisições, sendo creditada no final do período de imposto pela transferência do saldo, por débito da conta 2435-IVA – apuramento.

IVA Liquidado – Esta conta reflecte o valor do IVA que a empresa reteve no período, debitado aos clientes nas suas facturas de vendas de bens ou prestação de serviços que não sejam operações isentas e que deverá entregar ao Estado, após o apuramento. No final do período é debitada pela transferência do saldo por crédito da conta 2435-IVA – apuramento.

IVA Regularizações – aqui são registadas rectificações referente a devoluções, descontos ou abatimentos, erros ou omissões etc., de acordo com o previsto no artigo 78º do CIVA.

– Regularizações mensais (ou trimestrais) a favor da empresa – esta conta reflecte os valores do IVA relativo a devoluções de mercadorias efectuadas pelos clientes da empresa, descontos comerciais a clientes quando não incluídos na factura. O saldo desta conta traduz o valor do imposto resultante de operações que reduzam os montantes liquidados ou que aumentem o imposto dedutível.

– Regularizações mensais (ou trimestrais) a favor do Estado – esta conta reflecte os valores do IVA relativo a devoluções de mercadorias efectuadas pela empresa aos seus fornecedores, descontos comerciais de fornecedores não incluídos na factura. O saldo desta conta traduz o valor do imposto resultante de operações que acresçam os montantes liquidados ou que reduzam o imposto suportado e dedutível.

IVA Apuramento – no final do período esta conta vai servir de contrapartida a débito dos saldos das contas 2432-IVA – dedutível, 24341-IVA -Regularizações a favor da Empresa e ainda da conta 2437-IVA a Recuperar, se houver do período de tributação anterior e creditada pelos saldos credores das contas 2433 IVA – Liquidado e 24342- IVA - Regularizações a favor do Estado. O saldo desta conta reflecte o montante do imposto a pagar ou a recuperar.

Apurado o saldo da conta 2435-IVA Apuramento, procede-se ao lançamento do montante do imposto a:

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Paulo Duarte 23 -crédito da conta 2436-IVA a pagar no caso de ser credor resultando em imposto a pagar.

-débito da conta 2437-IVA a recuperar no caso de ser devedor resultando em imposto a recuperar.

Imposto a Pagar – no sentido de fazer a distinção do imposto a pagar resultante de valores apurados ou de liquidações oficiosas a nota explicativa do POC, relativa a esta conta recomenda a utilização de subcontas, debitando a conta 2436-IVA a Pagar e creditando a conta 2439-Liquidações Oficiosas. A empresa Construções Vimar, Lda. adopta as seguintes subcontas:

24361 – Resultante de Apuramento Normal 24362 – Apurado por Liquidações Oficiosas

Imposto a Recuperar – de acordo com o POC, na nota explicativa desta conta, “o

saldo devedor desta conta representa o valor do montante de crédito sobre o Estado no período em referência”, no caso de se efectuar o pedido de reembolso, a conta 2437

-IVA a Recuperar será creditada em contrapartida da conta 2438--IVA reembolsos pedidos a débito. Quando se efectua o recebimento do imposto deve debitar-se a conta 11/12-caixa/D.O. por crédito da conta 2438-IVA reembolsos pedidos. Se não houver pedido de reembolso o saldo da conta 2437-IVA a recuperar será de novo transferido para débito da conta 2435-IVA Apuramento.

Reembolsos pedidos – regista os créditos de imposto que foram alvo de um pedido de reembolso. Debita-se quando se solicita o pedido de reembolso em contrapartida da conta 2437-IVA a recuperar e credita-se após a administração fiscal se pronunciar sobre o pedido de reembolso, em contrapartida da conta 11/12-caixa/D.O.. O reembolso é efectuado pela DSCIVA, se o crédito persistir a favor do contribuinte num período mínimo de 12 meses no caso de esse montante for superior a 249,40 €. O reembolso de IVA está regulamentado pelo artigo 14º do Decreto-Lei n.º 229/95, de 11 de Setembro e

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Paulo Duarte 24 as respectivas obrigações dos contribuintes no Despacho Normativo n.º 53/2005, de 15 de Dezembro.

2.5.3.2 – Regime Especial de Isenção

Os contribuintes, de acordo com as condições em que praticam a sua actividade podem enquadrar-se noutros regimes de IVA, que não o normal, um dos possíveis regimes em que se podem inserir é o regime especial de isenção que está regulamentado nos artigos 53º a 59º do CIVA.

Os sujeitos passivos que não possuam, nem sejam obrigados a possuir contabilidade organizada para efeitos de IRS ou IRC, que no ano civil anterior não tenham atingido um VN superior 10.000,00 €, e que não realizem operações de importação, exportação ou actividades conexas beneficiam deste regime. Porém o n.º 2 do artigo 53º do CIVA, menciona ainda, “…serão ainda isentos do imposto os sujeitos passivos com um volume

de negócios superior a 10.000,00 € mas inferior a 12.500,00 € que, se tributados, preencheriam as condições de inclusão no regime dos pequenos retalhistas.”

Os sujeitos passivos incluídos neste regime, são obrigados a apresentar na Repartição de Finanças a declaração de inicio de actividade, de alterações, de cessação de actividade de acordo com o nº1 do artigo 58º do CIVA.

Estes sujeitos passivos são ainda obrigados a mencionar nas facturas emitidas pelos bens transmitidos ou serviços prestados “IVA -Regime de Isenção” nos termos do Artigo 57º do CIVA, para além das outras obrigações, quando houver alterações no volume de negócios, conforme está previsto no artigo 58º do CIVA, e as dispensas entendidas no artigo 59º do mesmo código.

2.5.3.3 – Regime dos Pequenos Retalhistas

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Paulo Duarte 25 Estão incluídos neste regime, os sujeitos passivos retalhistas, “que sejam pessoas

singulares, não possuam nem sejam obrigados a possuir contabilidade organizada para efeitos de IRS e não tenham tido no ano civil anterior um volume de compras superior a € 50.000,00” nos termos do artigo 60º do CIVA.

O apuramento do imposto devido resulta da aplicação do coeficiente de 25% ao montante de imposto suportado nas aquisições de bens para venda sem transformação, sendo deduzido o valor do imposto suportado nas aquisições de bens de investimento e outros bens para uso da própria empresa, excepto bens excluídos do direito à dedução previstos no nº1 do artigo 21 do CIVA, nos termos do nº 2 do artigo 61º do CIVA. As vendas referidas no nº 9 do artigo 60º do CIVA, ficam excluídas deste regime, estando sujeitas a imposto nos termos gerais, as transmissões de bens do activo imobilizado dos contribuintes sujeitos ao regime previsto no artigo 60º do CIVA, isto é, os retalhistas, ao venderem qualquer bem do seu activo imobilizado, terão de liquidar nessa transmissão o respectivo imposto.

As facturas emitidas pelos sujeitos passivos retalhistas devem mencionar: “IVA – Não confere direito a dedução” nos termos do artigo 62º do CIVA.

Até ao dia 20 do segundo mês seguinte de cada trimestre do ano civil, os retalhistas que estejam nas condições do artigo 60º do CIVA deverão pagar na Tesouraria da Fazenda Pública competente, o imposto devido ao Estado por meio de guia Modelo P2, caso tenha apurado imposto a pagar, ou apresentando a Declaração Modelo 1074, caso haja imposto a reportar, de acordo com o previsto na alínea b) do nº 1 do artigo 67 do CIVA. Até ao último dia do mês de Março de cada ano, os retalhistas deverão também apresentar na Repartição das Finanças competente, em triplicado, a declaração relativa às aquisições efectuadas no ano civil anterior como prescreve a alínea c) do nº 1 do artigo 67 do CIVA.

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Paulo Duarte 26 2.5.3.4 – Regime dos Revendedores de combustíveis

O regime de tributação dos combustíveis líquidos aplicáveis aos revendedores, está regulamentado nos artigos 69º a 75º do CIVA. De acordo com o artigo 70º, deve calcular-se o imposto liquidado pelos revendedores com base na margem efectiva das vendas. Estes contribuintes, nos termos do artigo 71º, têm vedada a possibilidade de deduzir o imposto suportado ou pago nas aquisições, podendo no entanto deduzir o imposto suportado em investimentos e despesas de comercialização no âmbito da sua actividade.

2.5.3.5 – Regime de Inversão do Sujeito Passivo

Este regime entrou em vigor a 1 de Abril de 2007, por força da publicação do Decreto-Lei nº 21/2007 de, 29 de Janeiro de 2007 A aplicação deste regime cinge-se aos serviços de construção civil, não sendo extensível a toda e qualquer operação praticada no sector da construção. Encontra-se regulado no ofício circulado 30100 de 28 de Março de 2007. Os contribuintes que queiram proceder à inversão devem ser sujeitos passivos de IVA em Portugal e pratiquem operações que conferem total ou parcialmente o direito à dedução de IVA.

2.5.3.6 – Regime Especial de Tributação dos Bens em Segunda Mão, Objectos de Arte, de Colecção e Antiguidades.

O Regime Especial de Tributação dos Bens em Segunda Mão, Objectos de Arte, de Colecção e Antiguidades, está regulamentado pelo Decreto-Lei nº 199/96 quando as vendas são efectuadas por sujeitos passivos de IVA, de acordo com o previsto no nº 1 do artigo 3º do presente Decreto-Lei. Sujeita a IVA, segundo o regime especial de tributação da margem, que consiste na diferença entre o preço de compra e do preço de venda, nos termos do artigo 4º do citado D.L, as transmissões de bens realizadas por sujeitos passivos revendedores ou por organizadores de vendas em leilão que actuem em

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Paulo Duarte 27 nome próprio, por conta de um comitente, de acordo com um contrato de comissão de venda.

Os sujeitos passivos que pratiquem este tipo de operações podem também optar pelo regime geral do IVA, de acordo com o artigo 7º do mesmo Decreto.

2.5.4 – Apuramento do IVA

Após a exposição sobre a movimentação das subcontas da conta 243 e dos possíveis regimes do IVA em que o sujeito passivo pode estar inserido, apresento a título de exemplo diário do apuramento e pagamento do IVA na empresa Construções Vimar, Lda.

Quadro n.º 7 – Lançamento no Diário do Apuramento do IVA.

Descrição Debito Credito Valor

Apuramento IVA 24351-Resultante do Apuramento Normal 3.435,20 € 2432314-Iva devido pelo adquirente 3.435,20 € 2433113-Taxa Normal 4.897,75 € 2433343-Taxa Normal 5.375,20 € 24351-Resultante do Apuramento Normal 10.272,95 € Fonte: Elaboração própria

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Paulo Duarte 28

Quadro n.º 8 – Lançamento no Diário da transferência da conta de apuramento de

IVA.

Descrição Debito Credito Valor

Transferência para conta IVA a pagar

24351-Resultante do Apuramento Normal

24361-Resultante do

Apuramento Normal 6.837,75 €

Fonte: Elaboração própria

Quadro n.º 9 – Lançamento no Diário do pagamento do IVA.

Descrição Debito Credito Valor

Pagamento IVA 24361-Resultante do Apuramento Normal

12- D.O. 6.837,75 €

Fonte: Elaboração própria

No Anexo nº 11, junto declaração periódica do IVA da empresa Construções Vimar, Lda.

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Paulo Duarte 29

2.6 – Processamento e Contabilização de Salários 2.6.1 – Considerações Gerais

No desenvolvimento da sua actividade as organizações necessitam de recursos humanos para poderem produzir bens e prestar serviços, é pois graças ao trabalho realizado pelo seu pessoal que as empresas conseguem gerar riqueza servindo os propósitos da sua criação, a este trabalho desenvolvido é atribuído um salário.

Na empresa Construções Vimar, Lda., o processamento de salários é realizado informaticamente através do programa PHC onde são previamente inseridas todas as fórmulas e tabelas de retenção actualizadas assim como as condições do trabalhador.

2.6.2 – Enquadramento Social e Fiscal

Quando admite um trabalhador a empresa deverá imediatamente comunicar ao CRSS a admissão desse novo funcionário, para esse efeito deverá o trabalhador apresentar o seu número de inscrição na segurança social, ou caso não tenha requerê-lo.

A entidade patronal suporta a Taxa Social Única (TSU) que ascende a 23,75% sobre todas as remunerações pagas aos seus empregados. No entanto caso se trate do primeiro emprego do trabalhador a empresa beneficia de uma dispensa de pagamento de TSU durante três anos, se efectuar um contrato sem termo. Ao trabalhador é-lhe retido 11% do seu salário se fizer parte do quadro de pessoal ou 10% se fizer parte dos órgãos sociais da empresa, para outros casos basta consultar as tabelas no sítio da internet da Segurança Social.

Aos rendimentos dos trabalhadores provenientes do seu trabalho incide o Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRS), a retenção mensal que a empresa está obrigada a fazer resulta da aplicação de taxas que vêem publicadas em tabelas pela Administração Fiscal sobre as remunerações ilíquidas mensais dos trabalhadores, para a

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Paulo Duarte 30 determinação dessa taxa o trabalhador deve fornecer à empresa a informação necessária que ficará guardada na sua ficha de cadastro, que deve conter entre outras informações a seguinte:

o Estado Civil (casado/não casado);

o Dados relativos à titularidade de rendimentos (único titular ou não); o Número de dependentes;

o Vencimento base.

Cumpridas estas formalidades a empresa reúne as condições para proceder ao processamento de salários.

O processamento dos salários inicia-se com a recolha da informação das variáveis que podem influenciar o montante a pagar ao trabalhador, assim, deve levar-se em linha de conta para o cálculo das remunerações o seguinte:

o Subsídio de férias; o Subsídio de alimentação; o Baixas médicas;

o Faltas;

o Horas extras, etc.

De acordo com a política da empresa, estes são alguns dos factores principais que influenciam o processamento de salários num determinado mês. Partindo da recolha destas informações no programa informático vão resultar os recibos de vencimento imprimidos em duplicado que no acto do pagamento a entidade tem que entregar ao trabalhador a cópia, guardando para si o original devidamente assinado pelo funcionário. No recibo consta o nome, o número de beneficiário da Segurança Social, o período a que respeita a remuneração, subsídios, os descontos (TSU, IRS) e o total a receber.

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Paulo Duarte 31 A retenção de IRS dos trabalhadores não isentos efectuada pela entidade empregadora, quando for caso disso, que como podemos constatar na empresa Construções Vimar, Lda., não se verifica, deverá ser entregue até ao dia 20 do mês seguinte ao que correspondem os rendimentos, na Tesouraria da Fazenda Pública, ou nos correios, ou em qualquer outro local autorizado, nos termos do nº 3 do artigo 98º do CIRS.

É com base nestes recibos que se preenche a folha de remunerações, sendo posteriormente enviada à segurança social até ao dia 15 do mês seguinte a que as mesmas se referem, de acordo com o previsto no artigo 18º do Decreto-Lei 140 D/86. O Anexo 12 simula um mapa de processamento de salários do mês de Dezembro de 2008.

2.6.3 – Processo Contabilístico

Seguidamente apresenta-se a título de exemplo o processo contabilístico do processamento de salários da empresa Construções Vimar, Lda., de notar que os órgãos sociais neste momento não recebem salário pelo que, não aparecem valores processados na apresentação que se segue, no entanto para o efeito a que se destina o processamento apresentado é suficiente para explicar este capítulo.

Do ponto de vista contabilístico os salários representam um custo para a empresa, sendo contabilizados na conta 64 – Custos com Pessoal. A contabilização destes custos passa por três etapas:

1ª Fase: processamento de ordenados e outras remunerações relativamente ao mês a que respeitam, debitando as subcontas da conta 64 (Custos com Pessoal) e creditando as subcontas da conta 26 (Outros Devedores e Credores) e subcontas da conta 24 (Estado e outros Entes Públicos), para registar os valores do IRS retido e Taxa social única (TSU):

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Paulo Duarte 32

Quadro n.º 10 – Lançamento no Diário do Processamento de Salários.

Descrição Débito Crédito Total

Processamento de ordenados e salários 642101- Pessoal Produção 3.802,40 € 642102- Pessoal Administrativo 531,50 €

642801- Sub. Alim. Produção 695,00 €

642802- Sub. Alim. Administrativo 100,00 € 245- Contribuições para a Segurança Social 476,73 € 2622- Remunerações a pagar ao pessoal 4.652,17 € Fonte: Elaboração própria

2ª Fase: processamento dos encargos sobre remunerações suportado pela entidade patronal:

Quadro n.º 11 – Lançamento no Diário do Processamento dos encargos relativos à Segurança Social.

Descrição Débito Crédito Total

Processamento dos encargos relativos à Segurança Social 64521- Pessoal Produção 245 -Contribuições para a Segurança Social 903,07 € 64522- Pessoal Administrativo 245- Contribuições para a Segurança Social 126,23 €

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Paulo Duarte 33 3ª Fase: pagamento dos salários:

Quadro n.º 12 – Lançamento no Diário do Pagamento de Salários.

Descrição Débito Crédito Total

Pagamento ao pessoal

2622 - Remunerações a

pagar ao pessoal 111 - Caixa 4.652,17 € Fonte: Elaboração própria

O Anexo 13 comporta o mapa de processamento contabilístico dos salários do mês de Dezembro.

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Paulo Duarte 34

3 – CONTROLO INTERNO

3.1 – Considerações gerais

A prática de determinadas técnicas de controlo interno dentro de qualquer organização é extremamente importante, uma vez que pode surgir alguma situação irregular, esquecimento ou equívoco, é através dos procedimentos de controlo interno que se vai poder solucionar estas situações.

Como já foi referido anteriormente, a empresa Construções Vimar, Lda. é, uma empresa “familiar” de reduzida dimensão com poucos recursos humanos, pelo que se procura o máximo de controlo possível, de forma a garantir um bom desempenho. Sem pôr em causa o desenvolvimento normal do trabalho, a empresa procura executar práticas de controlo interno cobrindo diversas áreas como as Disponibilidades, Pessoal, Fornecedores, Clientes, Existências e Imobilizado.

Neste ponto vou expor alguns procedimentos de controlo interno que me foram apresentados durante o estágio.

3.2 – Disponibilidades

Mensalmente, realizam-se reconciliações bancárias, este é um procedimento de controlo interno, que visa confirmar se os saldos do extracto bancário conferem com os saldos da contabilidade. Com esta prática são ajustados os saldos evidenciados pela contabilidade (conta 12 - Depósitos à Ordem) com os extractos bancários. Consiste na análise do extracto do banco em contraposição com o extracto retirado do programa informático da empresa, colocando um “visto” de conferência em cada movimento efectuado, permitindo desta forma detectar rapidamente quaisquer divergências.

As diferenças encontradas podem explicar-se pela ausência de documentos emitidos pelo banco em falta na Contabilidade, tais como, cheques devolvidos, que originam

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Paulo Duarte 35 movimentos no banco mas não na contabilidade, ou documentos emitidos pela empresa que ainda não chegaram ao banco, com por exemplo cheques em trânsito, que já se encontram registados na contabilidade mas ainda não foram apresentados ao banco para pagamento.

As divergências encontradas dão origem a uma Reconciliação Bancária (Anexo 14), aqui ficam registados os cheques pendentes, os movimentos a somar e a subtrair, partindo do saldo do Banco até ao saldo da empresa.

Aos valores encontrados ainda não contabilizados pela empresa, emite-se um documento de controlo interno, este é anexado à fotocópia do extracto bancário e posteriormente arquivado junto aos restantes documentos deste diário.

Relativamente aos valores não registados pelo banco, ficam pendentes na reconciliação bancária para que no mês seguinte se verifique da existência do valor no extracto bancário e é por aqui que se vai começar a próxima reconciliação.

3.3 – Pessoal

No que diz respeito aos recursos humanos da Construções Vimar, Lda., existe um cadastro individual dos trabalhadores actualizado regularmente, permitindo consultas fáceis e minimizando possíveis erros no processamento de salários e ao nível das obrigações declarativas a que a empresa está sujeita.

Mensalmente é recolhida a informação necessária para a empresa responsável pela contabilidade proceder ao processamento de salários. Esta informação inclui as faltas dos trabalhadores justificadas ou injustificadas, horas extra e outras informações relevantes para o processamento das remunerações.

(48)

Paulo Duarte 36

3.4 – Fornecedores

A cada fornecedor é atribuído um código (subdivisão da conta 221 do POC) com o qual são classificadas todas as suas operações. Periodicamente realizam-se conferências às contas correntes de fornecedores, solicitando-se extractos das suas contas correntes, para que em confronto com os registos da empresa, se detectem possíveis erros.

3.5 – Clientes

No que diz respeito a este item a empresa não executa nenhum procedimento de controlo interno em particular, visto que não tem uma lista exaustiva de clientes, basicamente a empresa vende propriedades e estas são pagas no acto da escritura, a sua conta 21 é por este motivo muito reduzida, resultando de um ou outro serviço prestado, sendo facilmente controlada pelo administrativo ao serviço.

3.6 – Existências

As existências são contabilizadas segundo o sistema de Inventário Intermitente, remetendo para o final do exercício económico a determinação do custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas. À semelhança do item anterior, este também não requer um controlo muito exaustivo visto que os stocks da empresa são prédios urbanos e rústicos e um ou outro excedente de matérias-primas vindos das obras em execução. O valor das existências finais é obtido por contagem física dos stocks existentes, valorizadas ao custo de aquisição. Também quanto ao valor da classe 3 Existências, não foi possível explicar os saldos incluídos.

(49)

Paulo Duarte 37

3.7 – Imobilizado

Para cada bem de imobilizado é elaborada uma ficha informática com os dados:

"Data de aquisição", "Descrição", "Custo de Aquisição", "Vida útil esperada", "Taxa de amortização", ”Conta do Imobilizado”, “Conta de Amortizações”, “Código (Tabela DR. 2/90)”.

Utiliza-se o método das quotas constantes para o cálculo das amortizações conforme o previsto no Decreto Regulamentar 2/90 na alínea 1 do artigo 4º. Este critério pressupõe que o desgaste do bem é directamente proporcional à sua vida útil, sendo constante o valor das quotas a amortizar.

Na contabilização das Amortizações é utilizado o Método Indirecto, em que as amortizações anuais são adicionadas às existentes na conta 48 - Amortizações Acumuladas.

(50)

Paulo Duarte 38

4 – ENCERRAMENTO DE CONTAS

4.1 – Considerações Gerais

Terminado o ano civil, que no caso da empresa em estudo coincide com o ano económico, deverá proceder-se à realização dos trabalhos de fim de exercício, revelando-se esta etapa, uma das mais importantes do ciclo contabilístico anual das empresas e deverá respeitar as características da informação financeira: Relevância, Fiabilidade e Comparabilidade. Em causa está a elaboração dos documentos anuais que mostram a situação económico-financeira da empresa e os resultados das operações realizadas. Para que as demonstrações financeiras apresentadas reflictam uma imagem verdadeira e apropriada, estas devem estar de acordo com os princípios contabilísticos presentes no 4º capítulo do POC.

 Da continuidade  Da consistência

 Da especialização (ou do acréscimo)  Do custo histórico

 Da prudência

 Da substância sobre a forma  Da materialidade

Nos termos do nº 1do artigo 65º do Código das Sociedades Comerciais, “Os membros

da administração devem elaborar e submeter aos órgãos competentes da sociedade o relatório de gestão, as contas do exercício e demais documentos de prestação de contas previstos na lei, relativos a cada exercício anual.”

(51)

Paulo Duarte 39 As operações a desenvolver para realizar os trabalhos de final de exercício estão divididas por 2 fases:

Na 1ª Fase, imprime-se o Balancete de Verificação a partir do qual se vai verificar se todas as contas demonstram a veracidade dos seus valores. É com base neste balancete que são efectuados os procedimentos que antecedem a elaboração das Demonstrações Financeiras, que a seguir se descriminam2:

 Inventário Geral

 Regularização e Rectificação de Contas  Balancete de Rectificação

 Apuramento de Resultados  Balancete Final

Na 2ª Fase, elaboram-se as Demonstrações Financeiras que irão constar do Dossier Fiscal com base no Balancete Final obtido, a seguir descriminadas:

 Balanço

 Demonstração de Resultados por Natureza  Demonstração de Resultados por Funções

 Anexo ao Balanço e à Demonstração de Resultados (ABDR)  Demonstração de Fluxos de Caixa

Referências

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