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Academic year: 2021

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Aula 1

1. Para entender o projeto de ciência psicológica de Vygotsky é preciso entender quais eram as demandas de seu tempo e quais eram os seus interlocutores. Cite alguns psicólogos de grande importância seus contemporâneos com quem Vygotsky dialogava? Resp.: Freud, William James, Wertheimer, Kholer, Koffka, Piaget, Bekhterev, etc.

2. Quais eram as preocupações fundamentais da Psicologia vygotskyana e qual a sua relação com o contexto social e histórico em que ele produziu as suas pesquisas?

Resp.: As pesquisas de Vygotsky se iniciaram na época de seus primeiros trabalhos no campo da educação, da pedagogia e da pedologia. De fato, a sua grande preocupação era oferecer contribuições à ciência da criança, ou à pedologia, de que a Psicologia deveria fazer parte. Outros interesses a isso relacionados, portanto, eram a defectologia, isto é, os estudos psicológicos com crianças com necessidades educacionais especiais.

3. Quais as influências epistemológicas e filosóficas mais importantes no pensamento vygotskyano?

Resp.: Para Vygotsky eram particularmente importantes a lógica dialética provinda das filosofias de Hegel e Marx, o materialismo histórico deste último, e a filosofia ética de Espinoza.

4. Quais eram as críticas fundamentais à Psicologia das quais partia Vygotsky para a construção de seu próprio projeto de ciência psicológica?

Resp.: Vygotsky estava principalmente preocupado com a construção de uma Psicologia de orientação materialista, o que se constituía como compromisso de parte da Psicologia científica de sua época, no entanto, esse movimento desconsiderava os fenômenos mais importantes ao conhecimento do psiquismo humano, que eram aqueles relacionados à consciência e, por conseguinte, às funções psicológicas superiores. Por outro lado, o movimento psicológico que dava importância a tais fenômenos freqüentemente abandonava a perspectiva materialista. Seu projeto, portanto, visava à construção de ferramentas teóricas e metodológicas que permitissem a compatibilização do estudo da consciência e dos fenômenos a ela relacionados a uma perspectiva científica materialista. 5. Quais as principais resistências enfrentadas por Vygotsky e o seu grupo de pesquisadores para a implementação de seu projeto de Psicologia científica na academia russa?

Resp.: O movimento reactológico, uma psicologia de orientação comportamentalista, influenciada pelas escolas de Pavlov e Bekhterev, se pretendia a única perspectiva genuinamente materialista em Psicologia, e apontava a Psicologia Sócio-Histórica de Vygotsky, pela importância que dava ao fenômeno da consciência, como uma perspectiva idealista. No contexto da Rússia pós-revolucionária, esta era uma acusação de grande impacto.

Aula 2

1. Sabemos que Vygotsky produziu a sua pesquisa psicológica no contexto de um debate científico acirrado, em que a orientação inatista e ambientalista disputavam hegemonia entre as teorias psicológicas. Sob que orientação a Psicologia de Vygotsky se desenvolveu e qual a sua hipótese de base?

Resp.: A hipótese fundamental de Vygotsky era a de que os fenômenos psicológicos superiores se diferenciavam qualitativamente dos fenômenos elementares da psicologia dos outros animais, e que a sua origem era, não a maturação biológica, tampouco a ação imediata do ambienta, mas a histórica da espécie humana sob a intervenção das relações sociais como mediação fundamental. Assim, sua orientação era interacionista.

2. Em que o estudo da inteligência prática, em Vygotsky, se diferenciava dos estudos desenvolvidos por seus contemporâneos?

Resp.: Para ele, a inteligência prática humana se diferenciava radicalmente da inteligência prática dos outros animais a partir do momento em que o surgimento da linguagem, isto é, a mediação simbólica passava a intervir sobre ela. Assim, no homem, a inteligência prática se transforma em sua relação com o signo.

3. Segundo Vygotsky, qual a natureza da relação entre a inteligência prática humana e o surgimento do signo no psiquismo?

Resp.: Consiste na transformação operada pela linguagem quando intervém sobre o pensamento humano. Os signos lingüísticos oferecem ao pensamento uma mediação semelhante àquela oferecida à ação pelas ferramentas. Essa mediação permite a ampliação das capacidades psicológicas humanas e o controle voluntário do pensamento e da própria ação, e é essa a transformação fundamental da inteligência prática sob influência da linguagem.

4. Considerando o efeito do surgimento da linguagem sobre o desenvolvimento do pensamento humano, segundo Vygotsky, qual o principal incremento que ela torna possível à inteligência prática?

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Resp.: O planejamento da ação.

5. De que modo a linguagem humana, em sua relação com o pensamento, transforma, ao mesmo tempo, o pensamento e a ação e quais as suas principais conseqüências?

Resp.: A linguagem oferece, tanto ao pensamento como à ação, a possibilidade de mediação simbólica, isto é, a possibilidade de representação de objetos, eventos e até comportamentos. Essa representação liberta o homem de sua relação de dependência à percepção imediata e das contingências situacionais de seu comportamento. Com isso, dá oportunidade ao surgimento de novos comportamentos e, ainda pelo poder que a representação oferece, o homem adquire maior liberdade no tempo e espaço, pois pode evocar, com o pensamento, objetos ausentes e lhe permite pensar em situações e ações antes que elas se realizem de fato.

6. Segundo Vygotsky, o surgimento da linguagem nas crianças transforma qualitativamente a sua inteligência prática, diferenciando-a da inteligência prática de outros animais, inclusive antropóides. Considerando essa hipótese, quais seriam as diferenças entre as formas de um antropóide solucionar um problema pelo recurso à sua inteligência prática em relação às formas de uma criança que fala solucionar os mesmos problemas? Resp.: (a) Independência relativa aos elementos imediatos da situação; (b) a antecipação hipotética da ação e de seus possíveis resultados; (c) o controle consciente da ação e, por conseguinte, menos impulsividade na ação; (d) a reflexividade da ação, pelo fato de que a fala é capaz de representar a própria ação e fazer dela objeto da inteligência.

7. Para Vygotsky, qual a evidência fundamental da relação entre pensamento e linguagem na história ontogenética humana?

Resp.: A “fala egocêntrica”.

8. Quais as características fundamentais das funções psicológicas superiores, segundo Vygotsky?

Resp.: (a) Permitem o controle consciente do comportamento; (b) se realizam sob a forma de ação intencional; (c) se realizam sob o efeito da mediação do signo; (d) oferecem, pela possibilidade de representação, liberdade para o homem em relação ao tempo e espaço.

9. Em que sentido o signo, segundo Vygotsky, se assemelha ao instrumento em geral?

Resp.: (a) O instrumento permite ao homem a ampliação de suas capacidades, assim como o signo permite a ampliação das capacidades mentais humanas; (b) o instrumento intervém como um termo médio entre

o homem e o mundo, no processo de mútua transformação de ambos, assim como o signo intervém como termo médio no plano do psiquismo, também entre o homem e o mundo, sendo que sua maior eficácia é a transformação do mundo propriamente social e psíquico; (c) a origem do instrumento é social, na medida em que ele se constitui como um artefato cultural, transmitido de geração em geração no interior das relações sociais, assim como o signo também tem a sua origem no mundo social, pois também se trata de um artefato cultural, transmitido no interior das relações sociais e, só então, internalizado pelo indivíduo; (d) a função do instrumento também atende a interesses e necessidades que são propriamente sociais, assim como o signo está ligado à satisfação e modelagem de interesses e necessidades de origem social e cultura. 10. Em que consiste o processo de internalização, segundo Vygotsky?

Resp.: Trata-se do processo pelo qual uma capacidade ou função psicológica produz efeitos no desenvolvimento ontogenético do indivíduo humano primeiramente como algo que lhe é exterior, isto é, como uma capacidade que intervém no interior das relações sociais, quando faz parte das capacidades interpsíquicas. Então, essas capacidades, aos poucos, são reconstruídas no interior do psiquismo, se tornando capacidades intrapsíquicas.

11. Levando em consideração o esquema estímulo-resposta (S→R) em que Vygotsky também descrevia o comportamento, de que modo o signo intervém como mediação no interior desse esquema?

Resp.: O signo (X) intervém como representante simultaneamente do estímulo e da resposta (X≡S→R), isto é, como representante da relação entre um e outro, para a antecipação e controle do comportamento. 12. Para Vygotsky, a mais importante espécie de signo é o signo lingüístico. Qual a principal característica do signo lingüístico pela qual ele se diferencia dos outros tipos de signo?

Resp.: O fato de que o signo lingüístico está sempre inserido em um sistema simbólico mais amplo, do qual depende o poder de representação de cada uma das unidades sígnicas. Isto implica que um signo lingüístico não representa nada isoladamente, mas somente em relação ao conjunto de outros signos.

13. Se, como afirma Vygotsky, a mediação mais importante entre o homem e o mundo é aquela oferecida pelo signo lingüístico, isto é, pelo sistema simbólico que é a linguagem humana, qual a implicação disso para a esta relação entre o homem e o mundo?

Resp.: O mundo assume, para o homem, os termos que lhe oferece a mediação simbólica da linguagem, isto é, o

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mundo somente pode ser compreendido nos termos que a linguagem oferece para isso. Dessa forma, a percepção, por exemplo, é reorganizada e submetida às possibilidades de significação que a linguagem oferece e, se os signos são transmitidos pela cultura, é a cultura que, no final das contas, oferece os termos de nossa relação com o mundo.

14. Qual a natureza da relação entre o homem a cultura a que pertence?

Resp.: Trata-se de uma relação dialética, em que a cultura se constitui como o fundamento dos processos de constituição de subjetividade, ao mesmo tempo em que o homem, pela sua ação, transforma constantemente a cultura de que faz parte.

Aula 3

1. Segundo a teoria de Vygotsky para a relação entre pensamento e linguagem, qual a unidade básica de análise para o estudo dessa relação? Porquê?

Resp.: O significado, pois nele pensamento e linguagem são indecomponíveis. Se não se leva em consideração o significado de uma palavra, a própria palavra não passa de um som e, do mesmo modo, sendo a essência do significado a generalização, sendo a generalização um conceito, aí mesmo se encontra a essência do fenômeno que é o pensamento. Desse modo, pensamento e linguagem se encontram no significado e não podem ser separados da referência a ele, como sua unidade mais fundamental.

2. Explique o porquê de Vygotsky situar no significado o ponto fulcral de sua análise da relação entre pensamento e linguagem!

Resp.: (a) Segundo ele, o significado é a unidade indecomponível da relação entre pensamento e linguagem, portanto, unidade básica para essa análise; (b) o estudo do significado deve revelar a sua evolução, que é, ao mesmo tempo, a evolução tanto do pensamento como da linguagem, desde o momento em que esses dois fenômenos se encontram na história ontogenética humana.

3. Como Vygotsky descreve a evolução da linguagem e do pensamento na criança?

Resp.: Vygotsky percebe que o aspecto exterior da palavra – como a fonética e a sintaxe, por exemplo – se desenvolve do que é mais elementar para o que é mais complexo (a criança se apropria aos poucos dos sons mais elementares, assim como dos elementos sintáticos mais elementares), enquanto que seu aspecto interior – a semântica, que corresponde ao dimensão do pensamento na palavra – segue o caminho inverso, isto é, do que é mais complexo, o próprio significado, para o entendimento de sua relação com os elementos

constituintes. Evidência desse desencontro entre palavra e pensamento é a conhecida holofrase infantil, quando a criança diz, por exemplo, “bebê água” – muito embora já tenha em mente o significado completo “estou com sede e quero água, por favor me traga água”, ela não compreende que esse significado somente pode ser transmitido pelo encadeamento de diversos elementos morfossintáticos.

4. Vygotsky afirma que pensamento e linguagem são independentes e, mesmo assim, se realizam um no outro. Explique essa afirmação!

Resp.: Segundo essa hipótese, o pensamento se realiza na linguagem porque nela encontra o domínio em que se torna organizado e eficaz; por outro lado, a linguagem se realiza no pensamento, pois encontra no pensamento a sua própria razão de ser, a manipulação e transmissão de significado. No entanto, a linguagem não pode dar completa expressão ao pensamento, assim como a funcionalidade da linguagem depende de elementos que não são propriamente pensamento. De modo que esses fenômenos não se recobrem e, assim, não se podem confundir.

5. De que modo específico Vygotsky interpreta o fenômeno nomeado por Piaget de “fala egocêntrica”? Resp.: Para Vygotsky, a “fala egocêntrica” corresponderia, na verdade, a um momento primitivo do desenvolvimento da linguagem interior, em que a “fala para si” e a “fala para o outro” ainda não se dissociaram completamente na mente infantil.

6. Em que se sustenta a hipótese vygotskyana segundo a qual a “fala egocêntrica” corresponderia a um momento primitivo do desenvolvimento da linguagem interior? Resp.: Na observação da semelhança desses dois fenômenos em três dimensões: genética, funcional, estrutural; e no fato de que uma sucede imediatamente a outra na evolução do psiquismo.

7. Qual fenômeno Vygotsky designa por linguagem interior?

Resp.: Trata-se de uma forma de discurso não exteriorizada, que se realiza somente no interior da mente. Uma forma de discurso com características próprias e que serve, na maior parte das vezes, para o controle e organização do próprio comportamento. 8. O que significa a afirmação de Vygotsky, segundo a qual linguagem interior e “fala egocêntrica” se aproximam genética, funcional e estruturalmente? Resp.: Segundo a hipótese de Vygotsky, a “fala egocêntrica” é idêntica funcional e estruturalmente à linguagem interior, muito embora manifestação interior desta. (a) Funcionalmente porque ambas servem ao

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mesmo propósito, a saber, o controle voluntário da ação; (b) estruturalmente porque a linguagem que serve ao propósito de regulação do próprio comportamento é uma linguagem bem mais simplificada em diversos aspectos (fragmentação, simplificação sintática e redução de elementos), e este é o caso da “fala egocêntrica” e da linguagem interior. Como a “fala egocêntrica” antecede sob tais condições a linguagem interior, Vygotsky deduz que aquela é a origem genética desta.

9. Compare as interpretações piagetiana e vygotskyana da “fala egocêntrica”!

Resp.: Para Piaget, a “fala egocêntrica” corresponde a um momento do desenvolvimento tanto do pensamento como da linguagem em que a criança ainda está em fase de socialização. Por este motivo, porque o outro ainda não tem um papel claro no pensamento e na linguagem infantis, a “fala egocêntrica” ocorre sob a forma do monólogo coletivo e é acompanhada da ilusão de mútuo entendimento. Para Vygotsky, a “fala egocêntrica” corresponde a um momento primitivo do desenvolvimento da linguagem interior, em que a “fala para si”, que é a verdadeira origem genética da linguagem interior, ainda não se diferenciou da “fala para o outro” – que é a fala cuja função é comunicativa. Para Vygotsky, portanto, e diferentemente de Piaget, a socialização produz os seus efeitos sobre o pensamento e a linguagem infantis desde muito cedo, sendo a operação posterior a internalização.

9. Aponte as razões empíricas da crítica de Vygotsky sobre a interpretação de Piaget para a “fala egocêntrica”!

Resp.: A “fala egocêntrica”, segundo Vygotsky, não pode ser fruto de uma socialização incipiente e tal hipótese somente pode ser fruto de uma interpretação que subestima a importância desse fenômeno no desenvolvimento infantil. As razões empíricas dadas por Vygotsky para essa crítica são as seguintes: 1. Segundo a hipótese piagetiana, o coeficiente de “fala egocêntrica” não deveria ser afetado pelo isolamento da criança, nem pela impossibilidade de ilusão de ser compreendido no monólogo coletivo, e no entanto, é isso que Vygotsky observa em seus experimentos; 2. Segundo a hipótese piagetiana, as características estruturais da “fala egocêntrica” (fragmentação, simplificação sintática e redução de elementos) deveriam involuir com o tempo e com a progressiva socialização infantil, no entanto, o que Vygotsky observa é que essas características se mantêm e evoluem.

10. Qual a diferença entre significado e sentido segundo a teoria vygotskyana?

Resp.: A diferença entre sentido e significado é que o sentido, para ele, é a soma dos diversos fatos

psicológicos que estão em relação com uma palavra e são por ela evocados, e o significado corresponde ao conjunto mais restrito de fatos psicológicos, também mais estável e condensado, ligado a uma palavra, o qual se apresenta como predominante em função da intervenção de um certo contexto.

11. Segundo Vygotsky, quais são as características semânticas da linguagem interior?

Resp.: (a) O predomínio do campo do sentido sobre o do significado; (b) a aglutinação de palavras – o que não é tão comum em falantes de língua portuguesa quanto em falantes de outras línguas; (c) a polissemia das palavras na linguagem interior.

12. Explique a afirmação segundo a qual a palavra “é a expressão mais direta da natureza histórica da consciência humana” (Vygotsky, A construção do pensamento e da linguagem, p. 486)!

Resp.: A afirmação de que a consciência é um fenômeno histórico significa que ela não pode ser compreendida como algo essencial à espécie humana, tampouco um fenômeno transcendental, mas um fenômeno de origem material, mais ainda, cuja origem pode ser encontrada não nas determinações biológicas da espécie, mas como resultado das relações sociais. A palavra estaria na origem do fenômeno da consciência e, por conseguinte, a sua evolução, ao longo do desenvolvimento filo e ontogenético humano, deve esclarecer a evolução da própria consciência.

13. Explique a afirmação segundo a qual “A palavra consciente é o microcosmo da consciência humana” (Vygotsky, A construção do pensamento e da linguagem, p. 486)!

Resp.: A palavra, na qualidade de mediação fundamental para todas as funções psicológicas superiores, e porque preside todo tipo de associação entre os diversos fenômenos psíquicos, se constitui como elemento fundamental da consciência. O seu estudo é também a via de acesso privilegiada para a compreensão da consciência. Por esses motivos, é a palavra o microcosmo da consciência.

13. Vygotsky afirma que pensamento e linguagem têm origens genéticas distintas e, somente num momento que é posterior no desenvolvimento ontogenético, esses dois fenômenos se encontram. Quais as características de cada um deles anteriormente a esse encontro? Resp.: Segundo Vygotsky, a fase pré-verbal do pensamento se caracteriza por sua aplicação ao uso de instrumentos e por sua manifestação na inteligência prática. A fase pré-intelectual da linguagem se caracteriza por sua função social, isto é, comunicativa, e por sua função no alívio de emoções.

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Aula 4

1. Vygotsky critica diversas teorias psicológicas por causa de seu modo de pensar a relação entre desenvolvimento e aprendizagem. Dê dois exemplos de teorias desse modo criticadas por ele!

Resp.:

(a) A teoria de Piaget supõe que o desenvolvimento cognitivo é condição anterior para qualquer tipo de aprendizagem, de modo que aprendizagem e desenvolvimento se constituem processos distintos, em que o primeiro depende do segundo.

(b) A teoria de Comportamentalista identifica desenvolvimento e aprendizagem, estabelecendo que a aprendizagem corresponde ao incremento do repertório comportamental de um organismo e, sendo o psiquismo idêntico ao conjunto de comportamentos observáveis, na exata medida em que o organismo aprimora seu repertório ocorre o seu desenvolvimento psicológico. (c) Os teóricos da Gestalt propõem que a maturação biológica é imprescindível ao desenvolvimento psicológico, tendo em conta ser o cérebro a base física do psiquismo. Por outro lado, propõem que a maturação biológica não é condição suficiente para o desenvolvimento, de modo que é necessário ao organismo estar em relação com o meio, para a descoberta dos princípios universais de sua organização. Uma vez descobertos tais princípios numa determinada situação, eles serão transferidos, generalizados para o conjunto de todas as situações posteriores e incrementarão uma ampla variedade de comportamentos. Neste mesma medida, houve aprendizagem e desenvolvimento, que são fenômenos diversos, mas intimamente relacionados.

2. Qual era a orientação metodológica para a medida do desenvolvimento psicológico humano na época em que Vygotsky desenvolvia os seus estudos?

Resp.: Nesta época, media-se o que uma criança, por exemplo, era capaz de fazer, isto é, o tipo, a dificuldade e com que eficiência ela era capaz de resolver um conjunto específico de problemas intelectuais. O seu resultado era comparado ao grupo de que fazia parte (mesmas características sócio-demográficas) e, assim, se tinha uma localização mais ou menos precisa de qual o ponto de desenvolvimento em que ela se encontrava. 3. Qual a inovação metodológica empreendida por Vygotsky para a avaliação do desenvolvimento psicológico humano?

Resp.: Vygotsky propôs que se fizessem não uma, mas duas medidas para a avaliação do desenvolvimento psicológico. A primeira delas idêntica àquela que, à sua época, já se fazia, isto é, a medida do que a criança é

capaz de fazer, e essa medida deveria corresponder ao diagnóstico das funções mentais resultantes de ciclos desenvolvimentais já completados, isto é, o desenvolvimento real. A segunda medida consistia numa avaliação do que a criança seria capaz de realizar com a ajuda de outra pessoa mais apta à resolução dos problemas que se lhe propunham. Essa outra medida, do que a criança era capaz de fazer com ajuda, deveria corresponder ao percurso que o seu desenvolvimento está tomando, portanto, apontando as funções mentais em movimento, correspondentes, dessa forma, a ciclos desenvolvimentais abertos. Assim, essa medida teria as características de um prognóstico do desenvolvimento, uma medida do desenvolvimento potencial.

4. Qual a crítica de Vygotsky aos métodos de avaliação do desenvolvimento psicológico que eram comuns em seu tempo?

Resp.: Para ele, esse métodos que avaliavam o ponto de desenvolvimento em que as crianças se encontravam produziam implicações nocivas sobre às práticas educativas, pois pretendiam estabelecer a medida exata do que se deveria ensinar às crianças pelo conhecimento da medida exata do que elas seriam capazes de aprender e, por isso, não consideravam a relação complexa entre os fenômenos da aprendizagem e do desenvolvimento infantil.

5. O que Vygosky pretendia com a sua inovação metodológica para a avaliação do desenvolvimento do psiquismo humano?

Resp.: Ele pretendia valorizar a dimensão dinâmica do desenvolvimento do psiquismo e sua complexa relação com os fenômenos que lhe põem em movimento – entre eles, a aprendizagem.

6. O que significa, no interior da teoria vygotskyana do desenvolvimento, seu conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP)?

Resp.: Corresponde à diferença entre o que uma criança pode realizar sozinha e o que ela pode realizar com a ajuda de outra pessoa, ou, à diferença entre o desenvolvimento real e o desenvolvimento potencial. A ZDP, na teoria de Vygotsky, corresponde à zona dinâmica do desenvolvimento do psiquismo, aquela das funções psicológicas que estão em real movimento de complexificação e evolução, isto é, justamente aquelas que interessam à intervenção do educador e ao estudo do psicólogo.

7. De que forma o conceito de ZDP revela a especificidade da perspectiva Sócio-Histórica em Psicologia?

Resp.: A ZDP é um conceito que valoriza a natureza social e dinâmica da aprendizagem e, principalmente, do desenvolvimento psicológico. A ZDP é justamente a

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zona em que aquelas capacidades que são, inicialmente, interpsicológicas estão em processo de interiorização. Ela é um fenômeno entre o social e o individual, portanto, mais uma mediação que intervém sobre o conjunto das funções psicológicas superiores.

8. Quais as principais conseqüências do conceito de ZDP para as práticas educativas?

Resp.: A principal implicação é o deslocamento da atenção, nas práticas educativas, sobre funções e habilidades já desenvolvidas pelas crianças para as funções e habilidades ainda em desenvolvimento. Outra conseqüência é a importância assumida, nos processos educativos, por todo tipo de trabalho colaborativo, tendo em conta que a ZDP depende de que a aprendizagem ocorra no interior de relações sociais concretas e de cooperação.

9. Em que consiste a relação entre desenvolvimento e aprendizagem segundo a proposta de Vygotsky? Resp.: Para ele, desenvolvimento e aprendizagem são dois processos dependentes, em que este é o processo que põe aquele em movimento.

10. Compare a teoria vygotskyana sobre a relação entre desenvolvimento e aprendizagem com as teorias piagetiana e comportamentalista!

Resp.: Enquanto a teoria piagetiana estabelece que desenvolvimento e aprendizagem são processos distintos, dependentes, em que o este é precedido por aquele; enquanto a teoria comportamentalista estabelece que desenvolvimento e aprendizagem são processos indiferenciados, isto é, que o sentido deste processo corresponde ao sentido do segundo, havendo, em verdade um só; a proposta de Vygotsky é a de que desenvolvimento e aprendizagem são processos distintos e complexamente relacionados, em que este, quando devidamente organizado, põe em movimento aquele, não sendo exatamente a sua causa, mas a razão de sua dinâmica.

Aula 5a

1. Explique o modo como o surgimento da representação e da ação voluntária, no psiquismo infantil, transforma a relação da criança com a busca pela satisfação de seus desejos, segundo a teoria de Vygotsky!

Resp.: A representação e a ação voluntária oferecem à criança a possibilidade de manejo de objetos no plano puramente mental, inclusive de um modo que a realidade concreta não permitiria. Trata-se aí da imaginação, uma operação mental que permite à criança a satisfação de alguns desejos no plano da representação pura, contornando no plano mental a impossibilidade real de satisfação imediata de certos desejos. Esse

processo permite ainda que a criança se liberte de sua própria impulsividade inicial na tendência à satisfação de seus desejos.

2. Qual a origem, segundo a teoria de Vygotsky, do brincar infantil?

Resp.: A origem do brincar na criança é a ação sobre o mundo, a qual é posteriormente reconstruída no plano mental sob uma nova forma, isto é, internalizada. 3. Segundo Vygotsky, o brincar tem sua origem na ação infantil internalizada, sendo ele mesmo um tipo de atividade. Explique a diferença entre o brincar e outros tipos de atividade!

Resp.: Segundo Vygotsky, o brincar surge em função das possibilidades criadas pela representação da ação infantil no plano mental e sem vínculo imediato à realidade concreta. Tal processo permite à criança manipular os elementos da situação de seu brincar do modo que mais lhe convier, e é essa situação manipulada no plano representacional, isto é, a situação imaginada, em que o brincar ocorre, que o diferencia de outros tipos de atividade.

4. Segundo Vygotsky, o brincar infantil se realiza sob duas condições muito específicas. Quais são elas? Resp.: A situação imaginária e a existências de regras que ordenem a ação no brincar.

5. Em que sentido Vygotsky propõe que o brincar infantil é ordenado por regras?

Resp.: Certamente não são regras no mesmo sentido daquelas que orientam o comportamento adulto, pois, no mundo adulto, essas regras são estabelecidas anteriormente à qualquer atividade. No entanto, o brincar da criança mais jovem é uma atividade que descobre as regras de seu ordenamento no interior da própria ação em que ela consiste. Portanto, são regras que orientam a ação infantil sem que ela se aperceba disso e são regras inerentes à própria ação realizada no brincar, cujo fim, com efeito, é justamente a apropriação dessas mesmas regras.

6. Segundo Vygotsky, de que modo a situação imaginária transforma a atividade infantil?

Resp.: A ação da criança, inicialmente, está completamente submetida ao seu vínculo com a situação imediata, sendo este vínculo a percepção que liga a criança ao mundo. Nesse momento, por exemplo, a relação da criança com os objetos ao seu redor é uma relação determinada, pois a criança está em busca de entender o funcionamento desse objeto para usá-lo como tal. A situação imaginária permite à criança se libertar desse vínculo à realidade concreta e imediata da situação. Uma vez liberta desse vínculo ela poderá, por

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exemplo, usar os objetos de modo inesperado, não necessariamente em acordo com a sua função primeira, mas em acordo com a sua função na nova realidade estabelecida no interior da situação imaginária. A situação imaginária, portanto, transforma a ação infantil libertando-a de seu vínculo à situação concreta imediata, transportando a ação para o plano da imaginação. 7. Segundo Vygotsky, a evolução do brincar envolve uma transformação do modo como os seus elementos se relacionam. Quais são os momentos da evolução do brincar segundo ele e, em cada momento, como os elementos do brincar se relacionam?

Resp.: Num primeiro momento, o brincar da criança mais jovem dá mais evidência à situação imaginária em que se insere e, por isso, as regras que estruturam o brincar permanecem ocultas às próprias crianças. Num segundo momento, o brincar, agora de uma criança um pouco mais velha, põe em evidência as regras que o estruturam, regras conhecidas de antemão e que fazem do brincar uma atividade mais abstrata. Esse processo oculta justamente o fato de que esse brincar também se sustenta sobre a base de uma situação imaginária. 8. Para Vygotsky, o estudo do brincar infantil permite o entendimento de diversos processos que concernem ao desenvolvimento das funções psicológicas superiores. O que o brincar revela acerca do pensamento infantil? Resp.: É fácil observar o fato de que, inicialmente, o pensamento infantil está submetido à sua relação íntima com a percepção e com uma situação concreta imediata. Nesse momento, por exemplo, o significado que um objeto assume para a criança é aquele oferecido pela situação concreta de seu uso. O surgimento do brincar é, para Vygotsky, o momento em que o significado do objeto pode ser transformado pela experiência de uma situação imaginária, isto é, o momento em que o significado se torna independente da situação concreta imediata e da percepção. Esse momento, do surgimento do brincar, é aquele em que o pensamento ganha certa autonomia em relação à realidade concreta e à percepção da criança.

9. Explique a afirmação de Vygotsky segundo a qual o brincar infantil não pode ser classificado rigorosamente como uma atividade simbólica!

Resp.: Para Vygotsky, a atividade simbólica é aquela presidida por signos. A princípio, se poderia pensar que, numa situação de brincadeira infantil, em que uma criança faz de um cabo de vassoura o seu cavalo, o cabo de vassoura assume as características de um signo, por estar representando um cavalo. No entanto, Vygotsky nos lembra que a relação entre um signo e um significado é sempre completamente arbitrária, e este não é o caso. Muito embora os significados do cabo de vassoura e do cavalo tenham sido deslocados, não o foram arbitrariamente, pois um palito de fósforos, por

exemplo, muito dificilmente poderia representar um cavalo nesta brincadeira. Assim, o cabo de vassoura foi escolhido por razões que envolvem suas características, porque essas características se adéquam à necessidade da imaginação. Assim, na brincadeira infantil, não se trata de signos e, por isso, ela não pode ser chamada rigorosamente de simbólica.

10. Qual o lugar ocupado pelo brincar infantil no interior do ciclo desenvolvimental, segundo a teoria de Vygotsky?

Resp.: O brincar representa uma fase intermediária entre o momento em que a ação infantil é completamente situacional e o momento em que a ação adulta é completamente desvinculada de uma relação direta e necessária à situação concreta de sua ação.

11. Segundo Vygotsky, o brincar se desenvolve em três dimensões do psiquismo. Quais são elas?

Resp.: Representacional, motivacional e emocional. 12. Segundo Vygotsky, no momento em que surge o brincar propriamente dito, surge também, na criança, um conjunto de desejos que ela ainda não havia experimentado e cuja origem é o interior das relações sociais. De que modo as relações sociais podem gerar novos desejos nas crianças? Cite um exemplo!

Resp.: Para Vygotsky, os fenômenos mentais mais complexos têm sua origem no mundo social. Este é o caso de alguns desejos. Ora, o mundo adulto, que é o mundo das relações sociais mais complexas, desperta grande interesse na criança, por causa da maior capacidade adulta de transformar o mundo e por causa de suas formas diferenciadas de obtenção de satisfação. Esse interesse da criança pelos adultos dá origem ao desejo de participar de seu mundo, de ocupar papéis no seu mundo. Assim, um exemplo de uma qualidade de desejos que somente é possível no interior das relações sociais entre crianças e adultos é o desejo de ser mãe, ou de ser médico, etc.

13 Qual o significado do brincar para o desenvolvimento da afetividade, segundo a teoria de Vygotsky?

Resp.: Segundo ele, o brincar surge no momento em que a criança se depara com desejos que não podem ser imediatamente satisfeitos (por exemplo, o desejo de ser mãe). A representação permite à criança satisfazer esses desejos no plano mental, isto é, no interior de situações imaginárias (fazendo de conta que é mãe). Ora, a criança somente pode transferir a possibilidade de satisfação desse desejo na medida em que exerce controle voluntário sobre os termos dessa satisfação. Ainda, como sabemos, no brincar, a situação imaginária está associada a regras que ordenam a ação, de modo que a satisfação dos desejos infantil no brincar

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corresponde à renúncia da criança à satisfação impulsiva de seus desejos. A criança satisfaz os seus desejos na brincadeira, portanto, de maneira mais ordenada, isto é, pela intervenção da mediação e o controle voluntário da busca por satisfação.

13. Explique em que sentido as idéias de Vygotsky sobre o brincar infantil se compatibilizam com as hipóteses fundamentais de sua teoria Sócio-Histórica do psiquismo!

Resp.: O processo de desenvolvimento do brincar infantil é descrito por ele nos mesmos termos de sua descrição mais geral para o surgimento das funções psicológicas superiores, isto é, um processo em que essas funções são descobertas no mundo externo, das relações sociais, e, somente depois, são internalizadas. No caso do brincar, trata-se do domínio da ação, que é, primeiramente, situacional e, aos poucos, vai se emancipando da situação imediata na medida em que ganha terreno no plano da representação mental. 14. Explique a comparação feita por Vygotsky entre o brincar e a ZDP!

Resp.: Segundo ele, no brincar a criança sempre parece estar se movendo na direção de compreender um mundo maior e mais complexo que o dela, de modo que essa atividade tem a propriedade de revelar a direção que o próprio desenvolvimento psicológico está tomando. Assim, o brincar acaba oferecendo a base para a transformação das necessidades e dos recursos psicológicos de que a criança dispõe para a sua relação com o mundo. Desse modo, oferece também a estrutura sobre a qual se fundamenta o processo que é, propriamente, de desenvolvimento, assim como a educação. É neste sentido que o brincar pode ser tomado como ZDP.

Aula 5b

1. Segundo Vygotsky, o que marca a especificidade da linguagem escrita em relação com outros sistemas simbólicos?

Resp.: Trata-se de um sistema de segunda ordem, em que marcas visíveis representam os sons que constituem os signos da linguagem falada (sistema de primeira ordem). Mesmo assim, com o tempo o sistema da linguagem escrita ganha autonomia em relação à linguagem falada, se tornando, ele mesmo, um sistema de primeira ordem.

2. Segundo Vygotsky, a aquisição das habilidades técnicas e das capacidades mentais envolvidas na linguagem escrita é um processo complexo que mobiliza o estudo de todo o ciclo desenvolvimental infantil. Que outros processos do desenvolvimento infantil, por exemplo, oferecem contribuições ao processo de aquisição da linguagem escrita?

Resp.: Segundo Vygotsky, o desenvolvimento do brincar contribui para o desenvolvimento de capacidades mentais importantes ao processo de aquisição da linguagem escrita, pois é no brincar que a criança desenvolve a capacidade de deslocamento de significado de um objeto a outro, abrindo caminho a construção de formas de representação indispensáveis a um sistema simbólico de segunda ordem. Também o desenvolvimento do grafismo e do desenho são de grande importância no processo de aquisição da linguagem escrita, pois a capacidade de representação mediada por marcas gráficas (que constitui a capacidade para o desenho) se constitui como o fundamento sobre o qual a consciência infantil será capaz de se apropriar do sistema simbólico que é a linguagem escrita.

3. De que modo o surgimento do grafismo no desenvolvimento infantil se relaciona com o desenvolvimento da linguagem escrita, segundo a proposta vygotskyana?

Resp.: O surgimento do grafismo na criança corresponde a manifestação na ação infantil de uma hipótese que surge em sua consciência, a de que é possível representar com marcas visíveis algum objeto do mundo. A hipótese segundo a qual é possível desenhar objetos precede, no desenvolvimento infantil da linguagem escrita, a hipótese fundamental segundo a qual é possível desenhar sons ou palavras.

4. Como o conhecimento sobre a relação entre o processo de aquisição da linguagem escrita e outros processos desenvolvimentais deve afetar as práticas educativas que visam à aprendizagem da escrita? Resp.: A implicação disso sobre as práticas educativas são as seguintes:

(a) é de grande importância que as práticas educativas favoreçam, num primeiro momento, o surgimento da hipótese segundo a qual se podem representar objetos graficamente;

(b) é preciso centralizar a atenção, num segundo momento, sobre o processo de transição dessa primeira hipótese para a hipótese seguinte, segundo a qual se podem desenhar palavras, fundamento da compreensão da linguagem escrita pela criança;

(c) a educação para a linguagem escrita deve se iniciar, portanto, muito cedo na história da criança, tão logo ela comece a se interessar pela prática do desenho, o que ocorre antes da idade propriamente escolar;

(d) na educação para a linguagem escrita, é preciso que o educador centralize os seus esforços sobre atividades que sejam interessantes para a criança, as quais oferecem motivação e dão impulso ao seu desenvolvimento;

(9)

(e) a educação para a linguagem escrita deve partir das atividades que a criança domina ou das que está descobrindo – o desenho, por exemplo – para que esta linguagem possa ser assimilada de modo natural, não imposto.

Aula 6

1. A teoria vygotskyana da mente, como ele mesmo o afirma, é uma teoria de orientação monista. O que isto significa?

Resp.: Significa que Vygotsky rejeita a dicotomia entre cognição e afetividade, pois, em sua opinião, esses dois fenômenos não pode ser dissociados sem que isso induza ao erro de compreensão do que é o psiquismo. 2. Cite e explique duas evidências do monismo psicológico na teoria vygotskyana!

Resp.:

(a) Em seu estudo do signo, de modo geral, e do signo lingüístico em particular, fenômeno fundamental para o entendimento das funções psicológicas superiores, Vygotsky demonstra que ele não somente serve à ampliação das capacidades propriamente cognitivas, mas que, ao mesmo tempo, produz sempre uma rica diversidade de associações afetivas que compõem a dimensão mais importante do signo lingüístico, que é a dimensão semântica. Isto é, no signo, mais especificamente, no sentido, cognição e afeto são indissociáveis.

(b) Em seu estudo do brincar, Vygotsky demonstra que a representação que está em jogo no processo de imaginação, não somente opera a emancipação cognitiva do indivíduo, isto é, a emancipação do pensamento em relação à situação concreta e à percepção, mas também permite ao indivíduo o controle voluntário sobre a ação na busca de satisfação de seus próprios desejos. Isto é, a imaginação, ao mesmo tempo promove a ampliação das capacidades cognitivas e a organização afetiva no plano da consciência, pelo que cognição e afetos são vistos, mais uma vez, como indissociáveis.

3. Dentro da perspectiva vygotskyana, de que modo as relações sociais transformam o campo da emoção e da afetividade?

Resp.: (a) Assim como outras funções psicológicas superiores, também as emoções, aquelas mais complexas, são primeiramente descobertas e apreendidas no mundo das relações sociais, isto é, no exterior, sendo somente então internalizadas, de modo que há emoções, afetos, desejos, que somente surgem no psiquismo humano por efeito das relações sociais mediadas simbolicamente.

(b) A afetividade humana, inicialmente submetida também à situação concreta e imediata, também se torna objeto do controle voluntário e consciente pela mediação simbólica, isto é, pelo efeito dos instrumentos culturais transmitidos pela sociedade para o exercício desse controle.

Referências

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