O problema dos Universais
O problema dos universais perpassa quase toda a Idade Média, a questão, a saber, é a seguinte:
Que valor tem os conceitos, que são universais em relação às coisas, e como representam as coisas, que são ao invés particulares?
Realismo transcendente - O universal, a idéia de uma realidade em si, não existe apenas fora da mente, mas também fora do objeto. (solução platônica)
Realismo moderado - imanente, o universal tem em si uma realidade objetiva, fora da mente, mas é imanente nos objetos singulares de que é essência, forma, principio ativo (Aristóteles)
Conceptualismo ou nominalismo - o universal não tem nenhuma existência objetiva, mas apenas mental ou até puramente nominal (nominalismo). No mundo clássico esta posição é defendida pelos sofistas, epicuristas e céticos
Guilherme de Ockham, inglês (130 1350)- O nominalismo
Não devemos multiplicar a existência dos entes além do necessário. Ao supor a existência de tais entidades metafísicas não se explica a natureza das coisas. A Navalha de Ockham representa a economia do pensamento que é importante para a construção da ciência moderna
As origens da ciência moderna Idade Moderna - 1453-1789 Antecedentes:
- a imagem que o homem tinha de si próprio e do mundo;
- o surgimento da classe burguesa determinando a produção cultural e científica; - a atividade filosófica se desdobra como uma reflexão de sua possibilidade; - a revolução científica e a quebra do modelo aristotélico.
Principais conseqüências:
- o aparecimento do método como possibilidade de evitar o erro;
- não apenas o problema do ser, mas sim o problema do conhecimento; - inversão da questão filosófica, o problema do objeto pelo sujeito. As grandes indagações: Empirismo e Racionalismo
Se o pensamento que o sujeito tem do objeto concorda com o objeto dá-se o conhecimento. Qual é o critério para se ter certeza de que o pensamento concorda como objeto?
Qual é o método do qual o homem pode se valer para ver se um conhecimento é ou não verdadeiro?
Períodos do Pensamento Moderno
Renascença - Movimento de renovação cultural e artística dos séculos XV e XVI na Europa que se caracterizou pela imitação da antigüidade greco-romana;
Reforma - Movimento religioso do século XVI que se separou da Igreja Católica dando origem a outras igrejas cristãs (Martinho Lutero 1483-1546 contra a indulgência); Racionalismo - século XVII;
Iluminismo - Movimento que caracterizou o pensamento europeu do século XVIII, baseado na crença do poder da razão e do progresso, na liberdade de pensamento e na emancipação política.
As Origens da Ciência
O resultado último do naturalismo do Renascimento é a ciência. Nela confluem: - as pesquisas naturalísticas dos últimos escolásticos que tinham dirigido a sua atenção para a natureza, desviando-a do mundo sobrenatural considerado desde então inacessível à pesquisa humana;
- o aristotelismo renascentista, que elabora o conceito da ordem necessária da natureza; - o platonismo antigo e novo, que insistira na estrutura matemática da natureza;
- a magia que havia patenteado e difundido técnicas operativas destinadas a subordinar a natureza ao homem;
- a doutrina de Bernardino de Telésio (1509-1588) que afirmara a autonomia da natureza, a exigência de explicar a natureza por meio da natureza.
Todos estes elementos são inteiramente integrados pela ciência mediante a redução da natureza à pura objetividade mensurável: a um complexo de coisas constituídas essencialmente por determinações quantitativas e sujeitas por isso a leis matemáticas. E os próprios elementos são purificados pelas conexões metafísico-teológicas, que os caracterizavam nas doutrinas a que originariamente pertenciam, conseqüentemente, a ciência elimina os pressupostos metafísicos do aristotelismo e do platonismo, do animismo da magia e a filosofia de Telésio.
Leonardo da Vinci (1452-1519) Um intuicionista, antecipador da ciência. Arte e Ciência tendem a único escopo:
- a função da pintura é a de representar para os sentidos as obras naturais. Por isso ele estende-se às superfícies, às cores, às figuras daqueles objetos naturais de que a ciência procura conhecer as forças intrínsecas;
- arte e ciência assentam ambas em dois pilares de todo conhecimento verdadeiro da natureza: a experiência sensível e o cálculo matemático, pois a experiência e o cálculo matemático revelam a natureza na sua objetividade, isto é, na simplicidade e na necessidade das suas operações.
- “A sabedoria é filha da experiência”, a experiência jamais engana e os que lamentam dos seus logros deveriam antes lamentar-se da sua ignorância porque pedem à experiência aquilo que esta para além dos seus limites;
- a matemática é o fundamento de toda a certeza. “Quem censura a suma certeza da matemática padece de confusão, e nunca porá termo às contradições das ciências sofísticas com as quais se aprende um eterno estridor”.
FRANCIS Bacon (1561 -1626)-A GRANDE RECONSTRUÇÃO
“As pessoas tendem muito a menosprezar a verdade devido às controvérsias surgidas em torno dela, e a fazer um julgamento errado daqueles que nunca refutam”
O PROGRESSO DA CIÊNCIA:
Conhecer a leis da natureza, tornar-se senhor dela e não ser seus servos como fomos até agora.
Qual o caminho para a ciência?
“fazer o circuito do conhecimento, observando quais as partes que estão sendo desperdiçadas, não foram cultivadas e estão abandonadas pela indústria do homem”.
- a ciência necessita da filosofia que lhe propiciará uma amplitude do olhar;
- seu grande sonho é a socialização da ciência para a conquista da natureza e a ampliação do poder do homem;
- a busca de novos métodos e novos caminhos para a ciência; O NOVO ORGANON
“Nunca homem algum deu mais vida à lógica tornando a indução uma aventura épica uma conquista”
- a filosofia estéril precisa de um novo método para fertilizá-la;
- os gregos e a primazia do pensamento, o abandono das querelas medievais, começar do zero;
Primeiro passo: o expurgo do Intelecto - Destruir os ídolos da mente: Ídolos da Tribo:
- Falácias naturais a humanidade em geral “o homem é a medida de todas as coisas” - os homens se assemelham àqueles espelhos irregulares que dão propriedades suas a diferentes objetos distorcendo e desfigurando-os;
- “nossos pensamentos são retratos mais de nós mesmos do que seus objetos, como exemplo supomos existir uma ordem na natureza além da existente, daí a ficção de que corpos celestes se movem em círculos perfeitos”
- tomamos como verdadeiro apenas aquilo que foi confirmado e esquecemos o que é contrário;
- o nosso desejo, a nossa vontade tende a confirmar, aprisionando nossa experiência; - a imaginação pode ser o maior inimigo do nosso intelecto
Ídolos da Caverna:
“porque todo mundo tem uma caverna ou toca própria, que refrata e descolore a luz da natureza”
- certas mentes são analíticas e vêem diferenças por toda a parte e outras sintéticas vêem semelhanças;
- algumas admiram a antigüidade outra a novidade;
- só umas poucas podem preservar a média justa, sem rasgar o que os antigos estabeleceram de forma correta, nem desprezar as justas inovações dos modernos “a verdade não tem partido”
Ídolos do Mercado:
“Nascidos do comércio e das associações dos homens entre si”
- os filósofos atribuem às palavras significados que estão além das próprias palavras; - fala de primeira causa não causada, primeiro motor não movido;
- toda inteligência clara e honesta sabe que nenhuma causa pode ser sem causa, nem qualquer motor não movido;
- talvez a melhor reconstrução da filosofia devesse ser simplesmente pararmos de mentir;
Ídolos do Teatro:
“migram para as mentes dos homens vindos de várias doutrinas ou dogmas filosóficos” - todos os sistemas filosóficos recebidos não passam de peças teatrais;
- o mundo de Platão é um mundo construído por Platão, retrata Platão e não o mundo; - precisamos de novas formas de raciocínio;
- se um homem começa com certezas irá acabar com dúvidas. O Verdadeiro Método
“O verdadeiro método de experiência acende primeiro, a vela (hipótese) e depois, com a vela, mostra o caminho (arranja e delimita o experimento), começando, como começa, com a experiência devidamente ordenada e resumida, não malfeita nem errática, e dela inferindo axiomas, e de axiomas estabelecidos outra vez novos experimento”
Devemos:
- recorrer à natureza e não aos livros, tradições e autoridades, temos que ter indução; - a indução não é simples enumeração de todos os dados;
- precisamos estreitar nosso campo a fim de capturar nossa presa; - descobrir as leis que regem a natureza (formas)
- conhecimento que não gere empreendimento é uma coisa pálida e anêmica, indigna da humanidade;
- lutamos para aprender as formas das coisas, não as formas em si, mas porque ao conhecer as formas, as leis, poderemos refazer as coisas à imagem do nosso desejo. “a teoria das formas, em Bacon, parece-se muito com a teoria das idéias de Platão: uma metafísica da ciência. “Quando falamos em formas, referimo-nos a nada mais do que as leis e regulamentos da simples ação que arranjam e constituem qualquer natureza simples (...) a forma do calor ou a forma da luz, portanto não significa mais do que a lei do calor ou a lei da luz”
A UTOPIA DA CIÊNCIA A nova Atlântida
- uma sociedade na qual finalmente a ciência tem o seu lugar próprio como a senhora das coisas;
- um governo de cientistas e não de políticos;
- um governo do povo para o povo exercido pelos melhores elementos selecionados; - esses governadores estão mais preocupados em controlar a natureza do que governar os homens;
- tem como objetivo o conhecimento das causas e dos movimentos secretos das coisas e o alargamento das fronteiras do império humano, para executar tudo o que for possível; - a nova Atlântida é um centro cientifico e suas relações com outros povos têm por principio o conhecimento e não o comércio;
Os cientistas ou mercadores da luz vão a outras regiões com o objetivo único do conhecimento, dessa maneira o melhor do mundo inteiro chega há pouco tempo a Atlântida;
- talvez a ciência ainda não tenha merecido o domínio do mundo e talvez vá merecê-lo em breve?
SUA CRÍTICA:
É possível falar de originalidade, se até hoje estamos desenvolvendo idéias pré-socráticas?
“A indução tem sido praticada da manhã à noite por todo ser humano, desde a criação do mundo”?
“todo homem tem as suas fontes, assim como todo organismo tem seu alimento, o que é dele é a maneira de condensá-las e transformá-las em carne e osso”.
“Bacon não desprezava as observações de homem algum, mas acendia a sua tocha na vela de todos os homens”
As idéias
Sua ascensão parecia tornar realidade os sonhos de Platão de um rei-filósofo
- “E difícil dizer se a mistura de contemplações com uma vida ativa ou o retiro inteiramente dedicado a contemplações é o que mais incapacita ou prejudica a mente” -“dedicar-se com demasia aos estudos é insolência, usá-los em demasia como ornamento é afetação, fazer julgamentos seguindo inteiramente suas regras é o capricho de um scholar:
- os homens astutos condenam os estudos; - os homens simples os admiram;
- os sábios se utilizam deles.
O divórcio com a escolástica é o caminho para o pragmatismo O conhecimento é o alimento para a alma:
-condição para a inexistência da dúvida; - caminho para a felicidade;
“certos livros são para serem provados, outros engolidos e alguns poucos mastigados e digeridos”
- o corpo deve estar habituado tantos com os excessos quanto com as restrições, caso contrário um simples momento de liberação pode arruiná-los;
- não obstante variedade de prazeres em vez de excesso, porque a força da natureza na juventude tolera muitos excessos que são cobrados ao homem até o fim de sua vida. “a maturidade do homem paga o preço de sua juventude
Sua filosofia moral:
- somo devedores de Maquiavel, pois com franqueza e sem disfarces mostrou o homem real e não ideal;
- não admira a vida meramente contemplativa como Goethe, despreza o conhecimento que não leva a ação, no teatro da vida só deuses e anjos são espectadores;
- religiosamente é acusado de ateísmo, “um pouco de filosofia leva a mente do homem para o ateísmo, mas a profundidade em filosofia conduz os homens à religião.
A natureza humana e as paixões:
- suas idéias sobre o casamento (ocupação da mente) os grandes espíritos e os grandes empreendimentos mantêm distância da paixão doentia;
- “um amigo é um ouvido”, aqueles que querem amigos com os quais possam se abrir são canibais de seus próprios corações, a amizade tem mais valor do que o amor, pois alarga o pensamento.
Da juventude e da idade: Os jovens são destemidos:
- mais aptos para inventar do que para julgar;
- mais aptos para a execução do para o assessoramento;
- mais aptos para novos projetos do que para atividades já estabelecidas; - abraçam mais do que podem segurar.
Os Adultos são comedidos: - fazem demasiadas objeções;
- demoram demais em consultas;
- arriscam pouco, geralmente não levam um empreendimento até o fim; - contentam-se com uma mediocridade de sucesso.
“è bom forçar o emprego de ambos, pois as virtudes de qualquer um deles poderão corrigir os defeitos dos dois”
A Política:
- Monarquia é a melhor forma de governo, a eficiência de um Estado varia com a concentração do poder.
Deve haver três pontos essências nas atividades do governo: - a preparação
- o debate ou exame - a conclusão ou execução
“Se quiserdes presteza, que só o do meio fique a cargo de muitos, com o primeiro e o ultimo ficando a cargo de uns poucos”
Militarista confesso deplora o desenvolvimento da indústria, pois deixa os homens despreparados para a guerra, uma paz prolongada pode aplacar o guerreiro que existe no homem.
Como evitar as sedições: o meio mais seguro de evitá-las e afastar suas causas A substância das sedições é de dois tipos:
- a pobreza;
- o descontentamento.
- o dinheiro é como esterco só é bom se for espalhado.
As causas: Tudo aquilo que ofender um povo faz com que ele se una em uma causa comum;
- inovações na religião; - aumento de impostos;
- modificações das leis e costumes. Bibliografia
ABAGNANANO, Nicola. História da Filosofia. Lisboa: Presença, 1995. DURANT, Will. História da Filosofia. São Paulo: Abril Cultural, 1998.