Centro de Ciên ias Físi as e Matemáti as
Departamento de Matemáti a
Convergên ia, Estimativas e Apli ações
de Séries Numéri as
Mar os Teixeira Alves
Orientador: Prof. Dr. Al ides Buss
Convergên ia, Estimativas e Apli ações de
Séries Numéri as
Monograa submetida à Comissão de
avaliação do Curso de Espe ialização
em Matemáti a - Formação do
profes-sor em umprimento par ial para o
tí-tulo de Espe ialista em Matemáti a.
Esta monograa só pde ser on luída graças à amizade e ao ompanheirismo
de várias pessoas. Registro aqui meus agrade imentos espe iais a meu orientador prof.
Al ides. Nãoapenas pelaorientação quere ebi,mas sobretudo pelapa iên ia, dedi ação
e pelo exemplo de vida prossional. Agradeço também aos professores: Eliezer e Joel,
pela leituradesta monograa epelas palavrasde in entivo.
Aosamigos quesempre estiveram presentes neste momento, emespe ial: Cinthia,
RodrigoeCarlinha, agradeçopeloapoio,pelahospedagem, pelas alegriasepelos
momen-tosfelizes quepassamos.
Por m, e não menos importante, dedi o este trabalho a meus pais: Jora i e
Shirlei, aos irmãos: Éderson e Mariane e a toda família de Treze de Maio. E laro, à
Introdução 3
1 Sequên ias Numéri as 4
1.1 Limite de uma Sequên ia em
R
. . . 41.2 Limitese Desigualdades . . . 7
1.3 Operações om Limites . . . 9
1.4 LimitesInnitos . . . 11 1.5 Sequên ias de Cau hy . . . 13 2 Séries Numéri as 15 2.1 Deniçãoe Exemplos . . . 15 2.2 Critériosde Convergên ia . . . 17 2.3 Reordenaçãode Séries . . . 31 3 Apli ações de Séries 38 3.1 Representação De imal . . . 38
3.2 Sobrea Série Harmni a . . . 39
3.4 Estimativade Erro noCál ulo de Séries . . . 43
Considerações Finais 51
Nesta monograa de espe ialização, apresentamos o estudo das séries numéri as
dopontodevistada onvergên iaabsolutaein ondi ional. Osassuntosabordadosforam
divididos emtrês apítulos.
No apítulo1,estabele emos os on eitosbási os para ompreensãodo apítulo2.
As sequên ias de números reais são estudadas visando a este objetivo.
O apítulo2é tododedi ado a onvergên ia de sériesnuméri as. Deiní io,
deni-mos onvergên ia de uma sériee estabele emos osprin ipais ritériosusadospara de idir
a respeito de sua onvergên ia. Emseguida, demonstramos a equivalên ia entre
onver-gên iain ondi ionale onvergên ia absolutaparaséries numéri as. Esta demonstração é
tida o pontoáureo deste apítulo.
No apítulo 3, último desta monograa, itamos algumasapli açõesde séries
nu-méri as. E por m, analisamos estimativas de soma para algumas séries onvergentes
estabele idasno apítulo 2.
Otrabalhoé nalizado om algumas onsideraçõesnais easbibliograas
Sequên ias Numéri as
As ferramentas primordiaisde quene essitamos parao desenvolvimentodos
apí-tulos2 e3são apresentadas neste apítulo. Basi amenteexibimos resultadosde interesse
das sequên iasnuméri as. Para umestudo ompletodestes fatosindi amosasreferên ias
[2℄e [5℄.
1.1 Limite de uma Sequên ia em
R
Denição 1.1 Uma sequên iade números reais é umaapli ação
x : N → R
que asso ia a adan ∈ N
um número realx
n
, denominado o enésimo termo da sequên ia.Notação.
(x
1
, x
2
, . . . )
,(x
n
)
n∈N
ousimplesmente(x
n
)
.Denição 1.2 Dadaumasequên ia
x = (x
n
)
n∈N
,uma subsequên iadex
éumarestrição da funçãox
aum sub onjunto innito:N
′
= {n
1
, n
2
, . . . , n
k
, . . . } ⊂ N
om a propriedade:n
1
< n
2
< · · · < n
k
. . .
. Notação.(x
n
)
n∈N
′
,(x
n
k
)
k∈N
ousimplesmente(x
n
k
)
.existe
N ∈ N
talque|x
n
− l| < ε
sempre quen > N
. Nesse aso, es revemoslim
n→+∞
x
n
= l
ou simplesmente
lim x
n
= l
.Uma sequên ia que possui limite é denominada onvergente e dizemos que
(x
n
)
onverge paral
ouquel
éolimitede(x
n
)
. Em aso ontrário,armamosqueasequên ia é divergente (ou diverge).Teorema 1.1 (Uni idadedolimite)Uma sequên ianão pode onvergir para doislimites
distintos, isto é, se
lim
n→+∞
x
n
= a
e
lim
n→+∞
x
n
= b
, então
a = b
.Demonstração: Suponhamos, por absurdo, que
lim
n→+∞
x
n
= a
,lim
n→+∞
x
n
= b
oma 6= b
. Sejaε =
|b − a|
2
> 0
. Comox
n
onverge paraa
ex
n
onverge parab
, garantimos a existên iadeN
1
,N
2
∈ N
taisque|x
n
− a| < ε
paratodon > N
1
e|x
n
− b| < ε
sen > N
2
. Es olhemosN = max{N
1
, N
2
}
. Como onsequên ia, sen > N
, temosn > N
1
,n > N
2
e o orre|b − a| = |b − x
n
+ x
n
− a| ≤ |b − x
n
| + |x
n
− a| < 2ε = |b − a|,
o que é absurdo. Logo,a = b
.Teorema 1.2 Se
lim
n→+∞
x
n
= l
, então qualquer subsequên ia de
(x
n
)
onverge paral
.Demonstração:Seja
(x
n
k
)
uma subsequên iade(x
n
)
. Como(x
n
)
onverge paral
,dadoε > 0
, existeN ∈ N
tal quesen > N
, temos|x
n
− l| < ε
. Tomemosk
0
tal quen
k
0
> N
. Como onsequên ia, sek > k
0
, temosn
k
> n
k
0
> N
e então|x
n
k
− l| < ε
. Logo,(x
n
k
)
onverge para
l
.Em geral, o teorema a ima é bastante usado em sua forma ontra-positiva,
on-formeveremos noExemplo 1.1.
Teorema 1.3 Qualquer sequên ia onvergente é limitada.
Demonstração: Seja
(x
n
)
uma sequên ia talquelim
n→+∞
x
n
= l
. Logo, existe
N ∈ N
tal que|x
n
−l| < 1
semprequen > N
. Seguedaíque|x
n
| = |x
n
−l +l| ≤ |x
n
−l|+|l| < 1+|l|
sempre quen > N
. Es olhemosM = max{|x
1
|, . . . , |x
N
|, 1 + |l|}
. Portanto,|x
n
| ≤ M
para todon ∈ N
, ouseja,(x
n
)
élimitada.Exemplo 1.1 Seja
(x
n
)
umasequên iadadaporx
n
= 1+(−1)
n
= (2, 0, 2, 0, . . . )
.
Obser-vamosque
(x
n
)
élimitada,porémnão onvergeviaTeorema1.2,poispossuisubsequên ias:(x
2n−1
)
e(x
2n
)
que onvergempara limites distintos (2 e 0 respe tivamente).Exemplo 1.2 A sequên ia
(1, 2, 3, 4, . . . )
é divergente, pois não é limitada (devido ao Teorema1.3).Denição 1.4 Umasequên ia
(x
n
)
édenomindamonótonasex
n
≤ x
n+1
paratodon ∈ N
oux
n+1
≤ x
n
qualquer que sejan ∈ N
. No primeiro aso, dizemos que a sequên ia é monótonanão-de res enteenosegundo aso,(x
n
)
é monótonanão- res ente. Setivermosx
n
< x
n+1
para todon ∈ N
(respe tivamentex
n
> x
n+1
) dizemos que a sequên ia émonótona res ente (respe tivamente monótona de res ente).
Teorema 1.4 Toda sequên ia monótona limitada é onvergente.
Demonstração: Seja
(x
n
)
uma sequên ia monótona limitada. Faremos a prova para o aso em que(x
n
)
é não-de res ente, isto é,x
n
≤ x
n+1
para todon ∈ N
. Consideremos o onjunto:X = {x
1
, x
2
, . . . }
. Observamos queX ⊂ R
é um sub onjunto não-vazio e limitadosuperiormente. Logo, existeα = sup X
. Mostraremos quelim
n→+∞
x
n
= α
.
Dado
ε > 0
,existeN ∈ N
talqueα − ε < x
N
,poisα
éamenor ota superiorparaX
. Sen > N
, temosx
N
≤ x
n
e assimα − ε < x
N
≤ x
n
≤ α < α + ε.
Logo,|x
n
− α| < ε
quando
n > N
, istoé,lim
n→+∞
x
n
= α
.
Omitiremos aprovano aso emque
(x
n
)
énão- res ente, poisesta é semelhante a que foi feita.Lema 1.1 Qualquer sequên ia
(x
n
)
ontém uma subsequên ia monótona.Demonstração: Para provarmoseste lema, usaremos a denição: um número natural
n
é denominadoponto de pi o dasequên ia(x
n
)
sex
m
< x
n
para todom > n
.Caso 1. A sequên ia
(x
n
)
possui uma innidadede pontos de pi o.Nesse aso, suponhamos que
n
1
< n
2
< · · · < n
k
< . . .
sejam os pontos de pi o. Então, temosx
n
1
> x
n
2
> · · · > x
n
k
> . . .
. Construímos daí uma subsequên ia(x
n
k
)
monótona de res ente.
Caso 2. A sequên ia
(x
n
)
tem uma quantidade nita de pontosde pi o.Es olhemos
n
1
∈ N
tal quen
1
> m
para todo ponto de pi om
. Comon
1
não é ponto de pi o, existen
2
> n
1
tal quex
n
2
≥ x
n
1
. Tambémn
2
não é ponto de pi o, logo existen
3
> n
2
tal quex
n
3
≥ x
n
2
. Prosseguindo desse modo, obtemos uma subsequên ia monótona não-de res ente.Teorema 1.5 (TeoremadeBolzano-Weiertrass)Qualquersequên ialimitadadenúmeros
reaispossui uma subsequên ia onvergente.
Demonstração:Seja
(x
n
)
umasequên ialimitada. De orredoLema1.1que(x
n
)
possui uma subsequên ia(x
n
k
)
monótona. Observamos que(x
n
k
)
élimitada,visto que(x
n
)
o é. Logo, garantimosvia Teorema 1.4que(x
n
k
)
é onvergente.Exemplo 1.3 A sequên ia
1
n
n∈N
é monótona limitada e portanto onvergente. Além disso,lim
1
n
= inf
1
n
; n ∈ N
= 0
. 1.2 Limites e DesigualdadesTeorema 1.6 Seja
(x
n
)
uma sequên ia de números reais tal quelim
n→+∞
x
n
= l
. Se
b < l
, então existeN ∈ N
tal queb < x
n
sempre quen > N
. Sel < b
, então existeM ∈ N
tal quex
n
< b
qualquer que sejan > M
.Demonstração: Provaremos a primeira armação. Es olhemos
ε = l − b > 0
. Da onvergên ia de(x
n
)
, garantimos a existên ia deN ∈ N
talque|x
n
− l| < ε
sempre quen > N
. Daí,sen > N
, obtemos:|x
n
− l| < ε ⇔ l − ε < x
n
< l + ε ⇔ b < x
n
< 2l − b.
Logo,
b < x
n
todavez quen > N
.Para provarmos asegunda armação, basta tomar
ε = b − l > 0
.Corolário 1.1 Sejam
(x
n
)
e(y
n
)
sequên ias de números reais tais quelim
n→+∞
x
n
= k
e
lim
n→+∞
y
n
= l
. Se existe
N ∈ N
tal que para todon > N
temosx
n
≤ y
n
, entãok ≤ l
.Demonstração: Porabsurdo, suponhamos
k > l
. Es olhac ∈ R
tal quel < c < k
(por exemplo,c = (l + k)/2
). PeloTeorema1.6, existeN ∈ N
talquey
n
< c < x
n
sempre quen > N
, oque ontradiz ahipótese dada. Logo, devemos terk ≤ l
.Observamos que se existe
N ∈ N
tal quex
n
< y
n
para todon > N
, então não podemos on luir quelim x
n
< lim y
n
.De fato, tomemos, por exemplo, as sequên ias
(x
n
)
e(y
n
)
denidas por:x
n
= 0
ey
n
=
1
n
qualquer que sejan ∈ N
. Observamos quex
n
< y
n
para todon ∈ N
, maslim x
n
= lim y
n
. O orreto (usando o Corolário1.1) éinferir quelim x
n
≤ lim y
n
.Teorema 1.7 (Teorema do Confronto) Sejam
(x
n
)
,(y
n
)
e(z
n
)
sequên ias de números reais. Se existeN ∈ N
tal quex
n
≤ z
n
≤ y
n
para todon > N
e selim x
n
= l = lim y
n
, entãolim z
n
= l
.Demonstração: Seja
ε > 0
. De orre da onvergên ia de(x
n
)
e(y
n
)
, aexistên ia deN
1
,N
2
∈ N
taisquen > N
1
⇒ l − ε < x
n
< l + ε
en > N
2
⇒ l − ε < y
n
< l + ε.
Consideremos
N
0
= max{N
1
, N
2
, N}
. Logo, temosl − ε < x
n
≤ z
n
≤ y
n
< l + ε
sempre quen > N
0
. Portanto,lim z
n
= l
.1.3 Operações om Limites
Teorema 1.8 Se
lim x
n
= 0
e(y
n
)
é uma sequên ia limitada, entãolim(x
n
y
n
) = 0
.Demonstração: Como
(y
n
)
éuma sequên ia limitada,existec > 0
talque|y
n
| < c
para todon ∈ N
. Fixemosε > 0
. Uma vez quelim x
n
= 0
, existeN ∈ N
tal que|x
n
| <
ε
c
sempre que
n > N
. Dessa forma, sen > N
, temos|x
n
y
n
− 0| = |x
n
||y
n
| < |x
n
|c < ε
. Logo,lim(x
n
y
n
) = 0.
Exemplo 1.4 Via Teorema1.8, on luímosque asequên ia
sen(n)
n
onverge para 0.
Observação. Nademonstraçãodoteoremaseguinte,uaremosquese
(x
n
)
uma sequên ia de númerosreais, entãolim x
n
= l ⇔ lim(x
n
− l) = 0 ⇔ lim |x
n
− l| = 0.
Teorema 1.9 Se
lim x
n
= a
elim y
n
= b
, então:(i)
lim(x
n
+ y
n
) = a + b;
(ii)
lim(x
n
− y
n
) = a − b;
(iii)
lim(x
n
y
n
) = ab;
(iv)
lim
x
n
y
n
=
a
b
seb 6= 0
ey
n
6= 0
(pelo menosa partir de um ertoN ∈ N
).Demonstração:
(i) Seja
ε > 0
. Logo, por hipótese, existemN
1
,N
2
∈ N
tais quen > N
1
⇒ |x
n
− a| <
ε
2
en > N
2
⇒ |y
n
− b| <
ε
2
.
Denimos
N = max{N
1
, N
2
}
. Logo, para todon > N
,temos:|(x
n
+ y
n
) − (a + b)| ≤ |x
n
− a| + |y
n
− b| <
ε
2
+
ε
2
= ε.
Logo,lim(x
n
+ y
n
) = a + b
.(ii) A demonstração deste item será omitida,visto queé semelhantea doitem (i).
(iii) Para todo
n ∈ N
, observamos quex
n
y
n
− ab = x
n
y
n
− x
n
b + x
n
.b − ab = x
n
(y
n
− b) + b(x
n
− a).
Como
(x
n
)
é onvergente, seguedoTeorema1.3que(x
n
)
élimitada. Alémdisso,do item (ii) a ima,temoslim(y
n
− b) = lim y
n
− b = 0
elim(x
n
− a) = lim x
n
− a = 0
. Usando (i)e o Teorema1.8, on luímosquelim(x
n
y
n
− ab) = lim[x
n
(y
n
− b)] + lim[b(x
n
− a)] = 0.
Logo,
lim(x
n
y
n
) = ab
(via observação anterior).(iv) Para todo
n ∈ N
,x
n
y
n
= x
n
1
y
n
.
Mostraremos quelim
1
y
n
=
1
b
.
Fixemos
ε > 0
. Comolim y
n
= b
, existeN
1
∈ N
talque|y
n
| ≥
|b|
2
. Desta onvergên- ia, tambémgarantimos a existên ia deN
2
∈ N
tal que para todon > N
2
, temos|y
n
− b| <
2
ε
|b|
2
.
Es olhemosM = max{N
1
, N
2
}
. Desse modo,sen > M
,vemos que1
y
n
−
1
b
=
b − y
n
by
n
=
|y
n
− b|
|b||y
n
|
≤
|y
n
− b|
|b|
2
|b|
<
ε
2
|b|
2
|b|
2
|b|
= ε.
Daí, on luímos que
lim
1
y
n
=
1
b
.
Portanto, de orre doitem (iii) que
lim
x
n
y
n
= (lim x
n
)
lim
1
y
n
=
a
b
.
Proposição 1.1 (Teste daRazãopara sequên ias)Seja
(x
n
)
uma sequên iade números reais. Sex
n
> 0
para todon ∈ N
elim
x
n+1
x
n
= l
oml < 1
, entãolim x
n
= 0
.Demonstração: Como
l < 1
, existec ∈ R
talquel < c < 1
. Sejaε = c − l > 0
. Então, existeN ∈ N
talquex
n+1
x
n
− l
< ε
. Daí, segue quen > N ⇒
x
x
n+1
n
Desse modo, para todo
n > N
, temos0 < x
n+1
< cx
n
< c
2
x
n−1
< · · · < c
n−k+1
x
k
, ou seja, sen > N + 1
, temos0 < x
n
< x
k
c
n−k
.
Fixemos
k = N + 1
. Vemos que0 < x
n
< x
N +1
c
n−(N +1)
,paratodon > N + 1
. DenimosM =
x
N +1
c
N +1
. Como onsequên ia, es revemos0 < x
n
< Mc
n
sempre que
n > N + 1
. Visto que0 < c < 1
,lim c
n
= 0
.
Portanto,segue do Teoremado Confronto que
lim x
n
= 0
.Exemplo 1.5 Sejam
a ∈ R
,a > 1
ek ∈ N
. Entãolim
n→+∞
n
k
a
n
= 0
.Para ada
n ∈ N
, denimos a sequên ia:x
n
=
n
k
a
n
. Observamos quex
n+1
x
n
=
(n+1)
k
a
n
+1
n
k
a
n
=
1 +
1
n
k
· a
−1
e entãolim
x
n+1
x
n
= a
−1
< 1.
Via Teste da Razão para sequên ias garantimos que
lim x
n
= 0
.1.4 Limites Innitos
Denição 1.5 Seja
(x
n
)
uma sequên ia de números reais. Dizemos que o limite dex
n
é mais innito quando dadoL > 0
, existeN ∈ N
tal quex
n
> L
sempre quen > N
. Quando isso o orre, es revemoslim x
n
= +∞
.Analogamente, `
lim x
n
= −∞
' signi a quepara todoL > 0
, existeN ∈ N
tal que sen > N
, temosx
n
< −L
.Observação.
(i) Em qualquer um dos asos da Denição 1.5, dizemos que
(x
n
)
não onverge ou diverge.(ii)
lim x
n
= +∞ ⇔ lim(−x
n
) = −∞
(via denição de limites innitos).Are ípro adaarmaçãoem(iii)éfalsa. Paraprovarisso, onsideremosa
sequên- ia
(x
n
)
denidaassimx
n
= n+(−1)
n
.n
. Estaéilimitadasuperiormente,porémnãotemos
lim x
n
= +∞
poisx
2n−1
= 0
para todon ∈ N
.No entanto,se
(x
n
)
énão-de res ente, então(x
n
)
ilimitadasuperiormente impli alim x
n
= +∞
. De fato, dadoL > 0
, existeN ∈ N
tal quex
N
> L
. Para todon > N
,temos
x
n
≥ x
N
> L
. Daí, pordenição, garantimosquelim x
n
= +∞
.Exemplo 1.6 Seja
a > 1
e denimos a sequên ia(a
n
)
n∈N
. Esta sequên ia é ilimitadasuperiormentee res ente. Em de orrên iada observação anterior,
lim
n→+∞
a
n
= +∞
.Teorema 1.10 Sejam
(x
n
)
e(y
n
)
sequên ias de números reais.(i) se
lim x
n
= +∞
e(y
n
)
é limitada inferiormente, entãolim(x
n
+ y
n
) = +∞
;(ii) se
lim x
n
= +∞
e existec > 0
tal quey
n
> c
para todon ∈ N
, então temoslim(x
n
y
n
) = +∞
;(iii) se existe
c > 0
tal quex
n
> c
ey
n
> 0
para todon ∈ N
elim y
n
= 0
, entãolim
x
n
y
n
= +∞
;(iv) se
(x
n
)
é limitada elim y
n
= +∞
, entãolim
x
n
y
n
= 0
.Demonstração:
(i) Como
(y
n
)
é limitada inferiormente, existec ∈ R
tal quey
n
≥ c
qualquer quesejan ∈ N
. Do fato delim x
n
= +∞
, dadoL > 0
existeN ∈ N
tal que sen > N
,veri amos
x
n
> L − c
. Logo, paratodon > N
, obtemosx
n
+ y
n
> (L − c) + c = L
e portantolim(x
n
+ y
n
) = +∞
.(ii) Fixemos
L > 0
. Uma vez quelim x
n
= +∞
, garantimos a existên ia deN ∈ N
tal quex
n
>
L
c
sempre quen > N
. Daí, segue quex
n
y
n
>
L
c
c = L
. Logo,(iii) Seja
L > 0
. Visto quelim y
n
= 0
, existeN ∈ N
tal quey
n
<
c
L
quandon > N
. Então, para todon > N
, amos omx
n
y
n
= x
n
1
y
n
> c
L
c
= L
. Em onsequên ia,lim
x
n
y
n
= +∞
.(iv) Existe
c > 0
tal que|x
n
| ≤ c
para todon ∈ N
, pois(x
n
)
é limitada. Fixemosε > 0
. Comolim y
n
= +∞
, existeN ∈ N
tal que sen > N
, obtemosy
n
>
c
ε
. Assim, qualquer que sejan > N
, temosx
n
y
n
= |x
n
|
1
|y
n
|
< c
ε
c
= ε
, uma vez que|y
n
| ≥ y
n
>
c
ε
sempre quen > N
. Portanto,lim
x
n
y
n
= 0
.1.5 Sequên ias de Cau hy
Denição 1.6 Seja
(x
n
)
uma sequên ia de números reais. Dizemos que(x
n
)
é uma sequên iadeCau hy quando para todoε > 0
, existirN ∈ N
tal que|x
n
− x
m
| < ε
, sempre quem, n > N
.Lema 1.2 Toda sequên ia de Cau hy é limitada.
Demonstração: Seja
(x
n
)
uma sequên ia de Cau hy. Consequentemente, existeN ∈ N
tal que|x
n
− x
m
| < 1
sem, n > N
. Emparti ular,|x
n
− x
N +1
| < 1
. Para todon > N
,|x
n
| ≤ |x
n
− x
N +1
| + |x
N +1
| < 1 + |x
N +1
|
. Sejaβ = max{|x
1
|, |x
2
|, . . . , |x
N
|, 1 + |x
N +1
|}
.Daí, a garantido que
|x
n
| ≤ β
para todon ∈ N
. Portanto,(x
n
)
é limitada.Lema 1.3 Seumasubsequên iadeumasequên iadeCau hy onverge,entãoasequên ia
de Cau hy onverge para o mesmo limite.
Demonstração: Seja
L = lim x
n
k
em que(x
n
k
)
é uma subsequên ia da sequên ia de Cau hy(x
n
)
. Mostraremos quelim x
n
= L
.Fixemos
ε > 0
. ExisteN
1
∈ N
tal que|x
n
− x
m
| <
ε
2
sempre quem, n > N
1
,m, n ∈ N
((x
n
)
é de Cau hy). Segue da onvergên ia de(x
n
n
k
1
> N
1
tal quek > k
1
impli a|x
n
k
− L| <
ε
2
. Desse modo, para todon > N
1
, temos|x
n
− L| ≤ |x
n
− x
n
k
| + |x
n
k
− L| <
ε
2
+
ε
2
= ε.
Portanto,lim x
n
= L.
Teorema 1.11 Seja
(x
n
)
uma sequên ia de números reais. Então,(x
n
)
onverge se e somente se(x
n
)
é de Cau hy.Demonstração:Suponhamos
lim x
n
= L
. Dadoε > 0
,existeN ∈ N
talque|x
n
−L| <
ε
2
se
n > N
. Como onsequên ia, sem > N
en > N
, obtemos|x
n
− x
m
| = |x
n
− L + L − x
m
| ≤ |x
n
− L| + |x
m
− L| <
ε
2
+
ε
2
= ε.
Daí, on luímos que
(x
n
)
é de Cau hy.Re ipro amente,suponhamosque
(x
n
)
édeCau hy. De orredoLema1.2que(x
n
)
élimitada. OTeoremadeBolzano-Weiertrassgaranteque(x
n
)
admiteumasubsequên ia onvergente. Em onsequên ia aoLema 1.3,(x
n
)
é onvergente.Séries Numéri as
Neste apítulo,estudaremos asséries numéri as. Ini iaremos denindo o on eito
de série de números reais e alguns exemplos. Em seguida, estabele emos os prin ipais
ritériosde onvergên ia deséries. Naúltimaseção,demonstraremosaequivalên iaentre
as noçõesde onvergên ia absolutae in ondi ionalde séries numéri as.
2.1 Denição e Exemplos
Denição 2.1 Uma série numéri a é uma sequên ia
(s
n
)
n∈N
dada pors
n
=
n
X
k=1
a
k
, istoé,
(a
1
, a
1
+ a
2
, a
1
+ a
2
+ a
3
, . . . )
, em que(a
n
)
n∈N
é umasequên ia de números reaisdada. Denotaremos esta série por+∞
X
n=1
a
n
. Os elementoss
1
,s
2
, ...,s
n
, ... são hamados desomaspar iaisdasérie. Apar ela
a
n
é hamadoo n-ésimotermoou termogeraldasérie.Denição 2.2 A série numéri a
+∞
X
n=1
a
n
é dita onvergente se a sequên ia das somaspar iais
(s
n
)
n∈N
for onvergente. Dizemos que a série+∞
X
n=1
a
n
é divergente quando suasequên ia das somas par iaisfor divergente. Sea série for onvergente e a sequên iadas
somaspar iais
(s
n
)
n∈N
onvergirparas
, entãos
é hamadaa soma dasérie e es revemos+∞
X
n=1
Proposição 2.1 Se uma série
+∞
X
n=1
a
n
onverge,então sua soma é úni a.Demonstração: Suponhamos que existam
r, s ∈ R
tais que+∞
X
n=1
a
n
= r
e+∞
X
n=1
a
n
= s
.Como onsequên ia:
lim
n→+∞
n
X
k=1
a
k
= r
elim
n→+∞
n
X
k=1
a
k
= s
. Da uni idade do limite desequên ias, garantimos que
r = s
.Proposição 2.2 Sejam
+∞
X
n=1
a
n
e+∞
X
n=1
b
n
séries onvergentes. Então, a série+∞
X
n=1
(a
n
+ b
n
)
onverge e+∞
X
n=1
(a
n
+ b
n
) =
+∞
X
n=1
a
n
+
+∞
X
n=1
b
n
.
Demonstração:Sejam
r, s ∈ R
taisque+∞
X
n=1
a
n
= r
e+∞
X
n=1
b
n
= s
. Assim,lim
n→+∞
n
X
k=1
a
k
= r
,lim
n→+∞
n
X
k=1
b
k
= s
eentãolim
n→+∞
n
X
k=1
(a
k
+ b
k
) = lim
n→+∞
n
X
k=1
a
k
+ lim
n→+∞
n
X
k=1
b
k
= r + s.
Portanto,+∞
X
n=1
(a
n
+ b
n
)
onverge evale+∞
X
n=1
(a
n
+ b
n
) =
+∞
X
n=1
a
n
+
+∞
X
n=1
b
n
.
Proposição 2.3 Seasérie+∞
X
n=1
a
n
onverge,entãoasérie+∞
X
n=1
(ca
n
)
também onvergeparatodo
c ∈ R
e+∞
X
n=1
(ca
n
) = c
+∞
X
n=1
a
n
.
Demonstração:Seja
s ∈ R
talque+∞
X
n=1
a
n
= s
. Logo,lim
n→+∞
n
X
k=1
a
k
= s
. Qualquerquesejac ∈ R
, temoslim
n→+∞
n
X
k=1
(ca
k
) = lim
n→+∞
c
n
X
k=1
a
k
= c lim
n→+∞
n
X
k=1
a
k
= cs
. Consequentemente,+∞
X
n=1
(ca
n
) = c
+∞
X
n=1
a
n
.
Exemplo 2.1 Uma série geométri a é uma série da forma
+∞
X
n=0
a 6= 0
. Observe ques
n
=
n
X
k=0
ar
k
ers
n
=
n
X
k=0
ar
k+1
. Como onsequên ia(1 − r)s
n
=
n
X
k=0
ar
k
−
n
X
k=0
ar
k+1
= a − ar
n+1
.
Considerandor 6= 1
, es revemoss
n
=
a − ar
n+1
1 − r
= a ·
1 − r
n+1
1 − r
.
Se|r| < 1
,lim
n→+∞
r
n+1
= 0
e daílim
n→+∞
s
n
=
a
1 − r
.
Desse modo+∞
X
n=0
ar
n
=
a
1 − r
, se|r| < 1
. Supondo|r| > 1
,(r
n+1
)
tende ao innito (em módulo). Com isso,
(s
n
)
não on-verge. Logo,+∞
X
n=1
ar
n
diverge quando|r| > 1
.Consideremosagora
|r| = 1
. Ser = 1
, temoss
n
= (n+1)a
eentãolim
n→+∞
s
n
= +∞
e a série diverge. Caso
r = −1
,(a, 0, a, 0, a, 0, . . . )
é a sequên ia das somas par iais da série+∞
X
n=0
ar
n
. Esta sequên ia diverge, pois admite duas subsequên ias (a saber,(s
2n
)
e(s
2n−1
)
) onvergindo para limites distintos,visto quea 6= 0
. Logo,a série é divergente, ser = −1
.Portanto, uma série geométri a da forma:
+∞
X
n=0
ar
n
, oma 6= 0
, onverge se esomente se
|r| < 1
. Nesse aso,+∞
X
n=0
ar
n
=
a
1 − r
.
Exemplo 2.2 A série+∞
X
n=1
1
n(n + 1)
é onvergente, uma vez que1
n(n + 1)
=
1
n
−
1
n + 1
para todo
n ∈ N
, temoss
n
=
n
X
k=1
1
k(k + 1)
=
n
X
k=1
1
k
−
1
k + 1
= 1 −
1
n + 1
e valelim
n→+∞
s
n
= lim
n→+∞
1 −
n + 1
1
= 1
. Com isso,+∞
X
n=1
1
n(n + 1)
= 1.
2.2 Critérios de Convergên ia
Teorema 2.1 (Condição de anulamento) Se
+∞
X
n=1
a
n
onverge,entãolim
n→+∞
a
n
= 0
Demonstração: Seja
s ∈ R
tal que+∞
X
n=1
a
n
= s
e onsideremoss
n
=
n
X
k=1
a
k
. Com isso,lim
n→+∞
s
n
= s
e tambémlim
n→+∞
s
n−1
= s
(uma vez que
(s
n−1
)
é subsequên ia de(s
n
)
). Da igualdades
n
= s
n−1
+ a
n
,obtemoslim
n→+∞
a
n
= lim
n→+∞
(s
n
− s
n−1
) = lim
n→+∞
s
n
− lim
n→+∞
s
n−1
= s − s = 0.
Exemplo 2.3 O Teorema2.1 garante que
+∞
X
n=1
n
n + 1
diverge, poislim
n→+∞
n
n + 1
= 1 6= 0
.A ondição de anulamento é uma ondição ne essária, mas não su iente para a
onvergên ia de séries, onforme onstatamosno exemploa seguir:
Exemplo 2.4 A série
+∞
X
n=1
1
n
é denominada série harmni a. Qualquer que sejan ∈ N
,observamos que
s
n
= 1 +
1
2
+ · · · +
1
n
es
2n
= 1 +
1
2
+ · · · +
1
n
+
1
n + 1
+ · · · +
1
2n
. Assim, sen > 1
, podemos es revers
2n
− s
n
=
1
n + 1
+
1
n + 2
+ · · · +
1
2n
>
1
2n
+
1
2n
+ · · · +
1
2n
= n
1
2n
=
1
2
,
ou seja,s
2n
− s
n
>
1
2
para todon ∈ N
,n > 1
. Como onsequên ia,(s
n
)
não é uma sequên ia de Cau hy emR
e assim não onverge. Portanto,+∞
X
n=1
1
n
é divergente.Teorema 2.2 (Critério de Cau hy) A série
+∞
X
n=1
a
n
é onvergente se e somente se paratodo
ε > 0
, existirn
0
∈ N
tal que|a
m+1
+ a
m+2
+ · · · + a
n
| < ε
sempre quen > m > n
0
.Demonstração: (
⇒
) Como+∞
X
n=1
a
n
onverge, a sequên ia(s
n
)
de suas somas par iaisonverge em
R
e assim(s
n
)
é de Cau hy. Por denição, dadoε > 0
qualquer, existen
0
∈ N
talque|s
n
− s
m
| < ε
semprequen > m > n
0
,ouseja,|a
m+1
+ a
m+2
+ · · ·+ a
n
| < ε
para todo
n > m > n
0
.(
⇐
)Suponhamosquepara todoε > 0
, existan
0
∈ N
talque|a
m+1
+ a
m+2
+ · · · + a
n
| < ε
sempre quen > m > n
0
. Isto equivale a armar que(s
n
)
é uma sequên ia de Cau hy.Logo,
(s
n
)
onverge e portanto+∞
X
n=1
a
n
é onvergente.Teorema 2.3 (Critérioda limitação) Seja
(a
n
)
uma sequên ia tal quea
n
≥ 0
para todon ≥ p
,p ∈ N
. A série+∞
X
n=1
a
n
é onvergente se e somente se o onjunto de suas somaspar iais for limitado.
Demonstração: (
⇒
) Seja{s
1
, s
2
, . . . , s
n
, . . . }
o onjunto das somas par iais da série+∞
X
n=1
a
n
. Sendo esta série onvergente (por hipótese),(s
n
)
onverge e portanto, existeM > 0
tal ques
n
≤ |s
n
| < M
para todon ∈ N
,ou seja,{s
1
, s
2
, . . . , s
n
, . . . }
é limitado.(
⇐
)Comoo onjuntodasomaspar iaisde+∞
X
n=1
a
n
élimitado,asequên ia(s
n
)
élimitada.Alémdisso,
a
n
≥ 0
para todon ≥ p
o quegarante ques
n
≤ s
n+1
paratodon ≥ p
, istoé,(s
n
)
n≥p
éumasequên ianão-de res ente. De orredoTeorema1.4que(s
n
)
é onvergente.Logo,
+∞
X
n=1
a
n
onverge.Teorema 2.4 (Critério da omparação) Seja
p ∈ N
e sejam(a
n
)
,(b
n
)
sequên ias tais quea
n
≥ 0
,b
n
≥ 0
ea
n
≤ b
n
para todon ≥ p
.(i) Se
+∞
X
n=1
b
n
onverge, então+∞
X
n=1
a
n
onverge. (ii) Se+∞
X
n=1
a
n
diverge, então+∞
X
n=1
b
n
diverge.Demonstração: Sejam
(s
n
)
e(t
n
)
as sequên ias das somas par iais da séries+∞
X
n=1
a
n
e+∞
X
n=1
b
n
, respe tivamente.(i) Para
n ≥ p
, temoss
n
= a
1
+ a
2
+ · · · + a
p−1
+ a
p
+ · · · + a
n
ouseja,
s
n
≤ s
p−1
+t
n
−t
p−1
paratodon ≥ p
. Como+∞
X
n=1
b
n
onverge,(t
n
)
élimitada.Logo, segue da desigualdade anterior que
(s
n
)
também é limitada. De orre do ritério dalimitaçãoque+∞
X
n=1
a
n
onverge. (ii) Suponhamos+∞
X
n=1
b
n
onvergente. Seguede (i)que+∞
X
n=1
a
n
onverge, oqueéabsurdo.Exemplo 2.5 O Teorema 2.4 garante que a série
+∞
X
n=1
1
(n + 1)
2
é onvergente, uma vezque
0 <
1
(n + 1)
2
<
1
n(n + 1)
para todon ∈ N
e+∞
X
n=1
1
n(n + 1)
é onvergente (Exemplo 2.2).Exemplo 2.6 Seja
p ∈ R
omp ≤ 1
. Temos1
n
p
≥
1
n
> 0
para todon ∈ N
. O ritérioda omparaçãoimpli aa divergên iadasérie+∞
X
n=1
1
n
p
, visto quea sérieharmni a é divergente (Exemplo 2.4).Teorema 2.5 Se
a
n
≥ 0
,b
n
> 0
para todon ∈ N
elim
n→+∞
a
n
b
n
= l
nito,l 6= 0
, então+∞
X
n=1
a
n
onverge se e somente se+∞
X
n=1
b
n
onverge.Demonstração: (
⇐
) Notemos quel = lim
n→+∞
a
n
b
n
> 0
, poisa
n
≥ 0
eb
n
> 0
para todon ∈ N
. Es olhendoε = l > 0
, garantimos a existên ia deN
1
∈ N
tal que sen > N
1
,temos
a
n
b
n
− l
< l
. Logo, para todon > N
1
,a
n
b
n
− l
< l ⇒ −l <
a
n
b
n
− l < l ⇒ 0 <
a
n
b
n
< 2l ⇒ 0 < a
n
< 2lb
n
.
(2.1) Como+∞
X
n=1
b
n
onverge,+∞
X
n=1
2lb
n
também onverge (Proposição 2.3). Do ritério da(
⇒
)Tomemosε =
l
2
> 0
. Logo, existeN
2
∈ N
talquea
n
b
n
− l
<
l
2
semprequen > N
2
, istoé, sen > N
2
,temos0 <
l
2
<
a
n
b
n
⇒ 0 <
b
n
a
n
<
2
l
⇒ 0 < b
n
<
2
l
a
n
.
Como+∞
X
n=1
a
n
onverge,+∞
X
n=1
2
l
a
n
onverge (Proposição 2.3) epelo ritériodaompara-ção, on luímos que
+∞
X
n=1
b
n
é onvergente. Exemplo 2.7 A série+∞
X
n=1
n + 1
n
2
+ 1
diverge. De fato,n + 1
n
2
+ 1
> 0
e1
n
> 0
para todon ∈ N
.Além disso,
lim
n→+∞
n+1
n
2
+1
1
n
= lim
n→+∞
n
2
+ n
n
2
+ 1
= 1 6= 0.
Como+∞
X
n=1
1
n
é divergente, segue do Teorema2.5 que+∞
X
n=1
n + 1
n
2
+ 1
diverge.Exemplo 2.8 O Teorema 2.5 impli a a onvergên ia da série
+∞
X
n=1
1
n
2
, pois1
n
2
> 0
,1
(n + 1)
2
> 0
para todon ∈ N
,+∞
X
n=1
1
(n + 1)
2
é onvergente (Exemplo 2.5) e valelim
n→+∞
1
(n + 1)
2
1
n
2
= lim
n→+∞
n
2
(n + 1)
2
= lim
n→+∞
n
n + 1
2
= 1
2
6= 0
.Denição 2.3 Uma série
+∞
X
n=1
a
n
é denominada absolutamente onvergente quando+∞
X
n=1
|a
n
|
é onvergente. Dizemos que uma série é ondi ionalmente onvergente quandofor onvergente, mas não for absolutamente onvergente.
Teorema 2.6 Toda série absolutamente onvergente é onvergente.
Demonstração: Seja
+∞
X
n=1
a
n
uma série absolutamente onvergente. Logo,+∞
X
n=1
|a
n
|
on-verge. Para todo
n ∈ N
,0 ≤ a
n
+ |a
n
| ≤ 2|a
n
|
. Como+∞
X
n=1
2.3), seguedo ritérioda omparaçãoque
+∞
X
n=1
(a
n
+ |a
n
|)
é onvergente. UsandoaPropo-sição 2.3 om
c = −1
, temos que−
+∞
X
n=1
|a
n
|
onverge. Comoa
n
= (a
n
+ |a
n
|) − |a
n
|
paratodo
n ∈ N
, viaProposição 2.2, garantimosque+∞
X
n=1
a
n
onverge. Exemplo 2.9 A série+∞
X
n=1
sen n
2
n
é onvergente. Ini ialmente, observamos que para todon ∈ N
,0 ≤
sen n
2
n
≤
1
2
n
. Como+∞
X
n=1
1
2
n
onverge (Exemplo 2.1),+∞
X
n=1
sen n
2
n
tambémonverge (devido ao ritério da omparação). Con luímos então que
+∞
X
n=1
sen n
2
n
é absolu-tamente onvergente e portanto onvergente (Teorema2.6).Teorema 2.7 (de Diri hlet) Seja
+∞
X
n=1
a
n
uma série (não ne essariamente onvergente)om a sequên ia das somas par iais
s
n
=
n
X
k=1
a
k
limitada. Se(b
n
)
for uma sequên ianão- res ente tal que
lim
n→+∞
b
n
= 0
, então+∞
X
n=1
a
n
b
n
é onvergente.Demonstração:Observamosqueasequên iadassomaspar iaisdasérie
+∞
X
n=1
a
n
b
n
édadapor
a
1
b
1
+ a
2
b
2
+ · · · + a
n
b
n
. Iremos mostrarquea
1
b
1
+ · · · + a
n
b
n
= s
1
(b
1
− b
2
) + · · · + s
n−1
(b
n−1
− b
n
) + s
n
b
n
, ∀ n ∈ N.
(2.2)Para isso, apli aremos oPrimeiro Prin ípiode Indução sobre
n ∈ N
. Consideremosn = 1
. Logos
1
= a
1
e entãoa
1
b
1
= s
1
b
1
.
Suponhamos que
(2.2)
seja válida para algumn > 1
. Como onsequên iaa
1
b
1
+ · · · + a
n+1
b
n+1
= s
1
(b
1
− b
2
) + · · · + s
n−1
(b
n−1
− b
n
) + s
n
b
n
+ a
n+1
b
n+1
= s
1
(b
1
− b
2
) + · · · + s
n−1
(b
n−1
− b
n
) + s
n
b
n
+ a
n+1
b
n+1
+ s
n
b
n+1
− s
n
b
n+1
= s
1
(b
1
− b
2
) + · · · + s
n−1
(b
n−1
− b
n
) + s
n
(b
n
− b
n+1
) + (s
n
+ a
n+1
)b
n+1
Logo,
(2.2)
é veri ada para todon ∈ N
. Observamos quelim
n→+∞
s
n
b
n
= 0
, pois
(s
n
)
élimitada elim
n→+∞
b
n
= 0
porhipótese.
Armamos quea série
+∞
X
n=1
s
n−1
(b
n−1
− b
n
)
é onvergente.De fato,
(s
n
)
é limitada, logo existeM > 0
tal que|s
n
| ≤ M
qualquer que sejan ∈ N
. Com isso|s
n−1
(b
n−1
− b
n
)| = |s
n−1
||b
n−1
− b
n
| ≤ M|b
n−1
− b
n
|, ∀ n ∈ N, n ≥ 2.
Sendo
(b
n
)
não- res ente, amos om|s
n−1
(b
n−1
− b
n
)| ≤ M(b
n−1
− b
n
)
paratodon ∈ N
,n ≥ 2
. Alémdisso, a série+∞
X
n=1
(b
n−1
− b
n
)
é onvergente poislim
n→+∞
n
X
k=1
(b
k−1
− b
k
) = lim
n→+∞
[(b
1
− b
2
) + · · · + (b
n−1
− b
n
)] = lim
n→+∞
(b
1
− b
n
) = b
1
,
já quelim
n→+∞
b
n
= 0
. Consequentemente,+∞
X
n=1
M(b
n−1
− b
n
)
onverge e pelo Critério daComparação,
+∞
X
n=1
|s
n−1
(b
n−1
− b
n
)|
também onverge. Portanto,+∞
X
n=1
s
n−1
(b
n−1
− b
n
)
on-verge devido aoTeorema 2.6.
De
(2.2)
, temoslim
n→+∞
(a
1
b
1
+ · · · + a
n
b
n
) =
n→+∞
lim
n
X
k=2
s
k−1
(b
k−1
− b
k
) + s
n
b
n
!
=
lim
n→+∞
n
X
k=2
s
k−1
(b
k−1
− b
k
).
Como onsequên iade nossa armação,garantimos queexiste
lim
n→+∞
(a
1
b
1
+ · · · + a
n
b
n
)
e
este é nito. Portanto,
+∞
X
n=1
a
n
b
n
é onvergente.Teorema 2.8 (de Abel) Se
+∞
X
n=1
a
n
é uma série onvergente e(b
n
)
é uma sequên ianão- res ente om
b
n
≥ 0
para todon ∈ N
(não ne essariamente om limite nulo), então+∞
X
n=1
Demonstração: Como
(b
n
)
é uma sequên iamonótona e limitada,existeb ∈ R
tal quelim
n→+∞
b
n
= b
(devidoaoTeorema1.4). Logo,
lim
n→+∞
(b
n
−b) = 0
easequên ia
(b
n
−b)
é não- res ente. Alémdisso,sendo+∞
X
n=1
a
n
onvergente,garantimosqueasequên iadesuassomaspar iais é limitada (Teorema 2.3). Pelo Teorema de Diri hlet,
+∞
X
n=1
a
n
(b
n
− b)
onverge. Como+∞
X
n=1
ba
n
onverge (pois+∞
X
n=1
a
n
onverge), aigualdade:a
n
b
n
= a
n
(b
n
− b) + ba
n
paraada
n ∈ N
, permite-nos on luirque+∞
X
n=1
a
n
b
n
onverge.Teorema 2.9 (de Leibniz) Se
(b
n
)
é uma sequên ia não- res ente elim
n→+∞
b
n
= 0
, então as séries+∞
X
n=1
(−1)
n
b
n
e+∞
X
n=1
(−1)
n+1
b
n
são onvergentes. Demonstração: As séries+∞
X
n=1
(−1)
n
e+∞
X
n=1
(−1)
n+1
possuem suas sequên ias dasso-mas par iais limitadas. Desse modo, segue do Teorema de Diri hlet que
∞
X
n=1
(−1)
n
b
n
e+∞
X
n=1
(−1)
n+1
b
n
onvergem.Denição 2.4 Seja
(a
n
)
uma sequên ia tal quea
n
≥ 0
para todon ∈ N
. As séries+∞
X
n=1
(−1)
n
a
n
e+∞
X
n=1
(−1)
n+1
a
n
são hamadas séries alternadas.O Teorema de Leibniz é bastante usado para estabele er a onvergên ia de séries
alternadas. Umaapli açãosimples é aseguinte
Exemplo 2.10 A sériealternada
+∞
X
n=1
(−1)
n
n
é onvergentepeloTeoremade Leibniz, umavez que
1
n
é uma sequên ia não- res ente om
lim
n→+∞
1
n
= 0
. Também vemos que+∞
X
n=1
(−1)
n
n
=
+∞
X
n=1
1
n
, isto é, esta série não é absolutamente onvergente. Esse exemplo mostra que nem toda série onvergente é absolutamente onvergente (não valendo assimTeorema 2.10 (Comparação de razões) Seja
p ∈ N
e sejam(a
n
)
,(b
n
)
sequên ias tais quea
n
> 0
,b
n
> 0
ea
n+1
a
n
≤
b
n+1
b
n
para todon ≥ p
. (i) Se+∞
X
n=1
b
n
onverge, então+∞
X
n=1
a
n
onverge. (ii) Se+∞
X
n=1
a
n
diverge, então+∞
X
n=1
b
n
diverge.Demonstração: Para todo
n ≥ p
, temosa
n+1
a
n
≤
b
n+1
b
n
, ou seja,a
n+1
b
n+1
≤
a
n
b
n
. Comisso, garantimos que asequên ia
a
n
b
n
é não- res entepara todo
n ≥ p
. Emparti ular,a
n
b
n
≤
a
p
b
p
sen ≥ p
, ou seja,a
n
≤
a
p
b
p
b
n
para adan ≥ p
. Usando o ritério daomparação (Teorema2.4), obtemos(i) e(ii).
Exemplo 2.11 A série
+∞
X
n=1
a
n
, em quea
n
=
1.3.5. . . . .(2n − 1)
2.4.6. . . . .2n
, diverge.De fato, es olhendoa sequên ia
b
n
=
1
n
para todon ∈ N
, veri amos quea
n+1
a
n
=
1.3.5...(2n+1)
2.4.6...(2n+2)
1.3.5...(2n−1)
2.4.6....2n
=
2n + 1
2n + 2
>
2n
2n + 2
=
n
n + 1
=
b
n+1
b
n
.
Como+∞
X
n=1
1
n
diverge, segue do Teorema 2.10 que+∞
X
n=1
1.3.5. . . . .(2n − 1)
2.4.6. . . . .2n
diverge.Teorema 2.11 (Critério da razão) Sejam
(a
n
)
uma sequên ia ep ∈ N
.(i) Se
a
n
> 0
e existirk ∈ R
tal que0 < k < 1
ea
n+1
a
n
≤ k
para todon ≥ p
, então+∞
X
n=1
a
n
é onvergente. (ii) Sea
n
> 0
ea
n+1
a
n
≥ 1
para todo
n ≥ p
, então+∞
X
n=1
a
n
diverge.(i) Seja
k ∈ R
tal que0 < k < 1
. Consideremos a sequên iab
n
= k
n
. Dadon ≥ p
, temosa
n+1
a
n
≤ k =
b
n+1
b
n
. Como+∞
X
n=1
k
n
onverge (Exemplo 2.1), o Teorema 2.10garanteque
+∞
X
n=1
a
n
é onvergente.(ii) Es olhemos a sequên ia
b
n
= 1
para todon ∈ N
. Assim, qualquer que sejan ≥ p
,a
n+1
a
n
≥ 1 =
b
n+1
b
n
. De orre do Teorema 2.10 que a série
+∞
X
n=1
a
n
diverge, visto que+∞
X
n=1
1
é divergente.No Teorema 2.11, item (i), não podemos simplesmente onsiderar que para todo
n ≥ p
,a
n+1
a
n
< 1
,pois asequên ia1
n
satisfaz essa hipótese,porém
+∞
X
n=1
1
n
édivergente.Teorema 2.12 (Critério de D'Alembert) Seja
(a
n
)
uma sequên ia tal quea
n
> 0
ea
n+1
a
n
tem limite
l ∈ R
nito ou innito.(i) Se
l < 1
, então+∞
X
n=1
a
n
onverge. (ii) Sel > 1
, então+∞
X
n=1
a
n
diverge. Demonstração:(i) Como
lim
n→+∞
a
n+1
a
n
= l
, dadoε > 0
qualquer, existeN
1
∈ N
tal quea
n+1
a
n
− l
< ε
sempre que
n > N
1
. Sendol < 1
, es olhemosε =
1 − l
2
> 0
. Assim, sen > N
1
, obtemosa
n+1
a
n
− l ≤
a
n+1
a
n
− l
<
1 − l
2
⇒
a
n+1
a
n
<
1 − l
2
+ l ⇒
a
n+1
a
n
<
1 + l
2
.
Além disso,
l < 1
impli a1 + l
2
< 1
. Logo, sen > N
1
, temosa
n+1
a
n
< l + ε < 1
.Segue do ritério darazão que