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Academic year: 2021

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Intervenção com bebês

na neonatologia

Vera Lucia Vieira de Souza

Terapeuta Ocupacional Professora Assistente do Curso de Terapia Ocupacional da FM/ UFRJ Doutorando em Educação-UERJ Mestre em Educação-UERJ

Faculdade de Medicina Departamento de Clínica Médica Curso de Graduação em Terapia Ocupacional

Bebês

O período neonatal inicia-se com o

nascimento da criança e vai até o 28° dia

de vida.

 A classificação dos recém-nascidos, adotada no Brasil pelo Ministério da Saúde (1994) e preconizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) relaciona parâmetros peso e idade gestacional.

 A classificação do recém-nascido em serviço de neonatologia é muito importante, pois possibilita sua codificação e avaliação quanto ao risco de morbi-mortalidade, possibilitando uma assistência adequada.

Classificação dos recém-nascidos

O comitê de especialistas em Saúde Materno-infantil da

OMS, divide a Idade Gestacional dos recém-nascidos em três (3) categorias básicas (MS,1994):

• Pré-termo: Todas as crianças nascidas vivas abaixo de 37 semanas de idade gestacional;

• A termo: Todas as crianças nascidas vivas entre 38-41 semanas de Idade gestacional;

• Pós-termo: Todas as crianças nascidas vivas com mais de 42 semanas de idade gestacional.

Parâmetros do peso

 PIG: pequeno para a idade gestacional

-Recém-nascidos com menos de 2.500g são considerados baixo peso. -Recém-nascidos de

muito baixo peso são aqueles

com menos de 1.500g -Extremo baixo peso, com menos de 1.000g.  AIG: adequado para idade gestacional

(2)

Idade gestacional

Para diagnóstico de idade gestacional (IG), é necessário (Regra de Naegele): adicionar à data da DUM, sete dias e somar nove meses (ou diminuir 3 meses).

Só poderemos considerar como data da última menstruação (DUM) adequada para cálculo da IG aquela proveniente de ciclos menstruais regulares. Muitas vezes há necessidade de medidas fetais

ultra-sonográficas para diagnóstico correto da IG.

Em determinadas situações é realizada a avaliação de características físicas e neurológicas do recém-nascido através do cálculo da IG pelo método Capurro, Ballard e Ballard modificado.

Idade Gestacional Corrigida

(IGc): Tempo transcorrido em semanas após o

bebê prematuro ter atingido 40 semanas.

Exemplo: RN com idade gestacional de 29

semanas.

Transcorridos 12 semanas, a IGc é de 1

semana (é como se ele tivesse, 7 dias de vida

se não tivesse nascido prematuro).

Causas de parto pré-termo

gestação gemelar,

rotura prematura de membranas,

cérvice incompetente,

malformação fetal,

doença materna,

quando a permanência do feto dentro do útero

põe em risco a vida da mãe ou do concepto,

como por exemplo em Doença Hipertensiva

Específica da Gestação - DHEG.

Riscos do bebê pré-termo:

O Bebê pré-termo está privado: -do útero materno

-da interação afetiva com seus pais -do meio familiar

Alto risco devido a sua imaturidade fisiológica, imaturidade pulmonar, tecido adiposo diminuído, maior

susceptibilidade à infecção em decorrência da fragilidade da pele.

Qual a diferença?

Ambiente

intra-uterino

Ambiente

extra-uterino

Sistema

Tátil

Vestibular

Auditivo

Visual

Térmico

Ritmos circadianos: feto com 20-22 sem

apresentam movimento fetais diurnos, não

estando necessariamente em sincronia

com o ritmo materno.

(3)

Habituação

É o fenômeno de diminuição de respostas

sucessivas diante de um estímulo que

seja idêntico e repetitivo.

Envolve algum tipo de memória e funciona

como “filtro” eliminando respostas

supérfulas.

 Presenteem torno de 13-14 sem de gestação para estímulo táteis; 22 a 23 sem para estímulos auditivos;

Próximo ao termo para estímulos visuais.

Nascimento pré-termo diminui as

experiências intra-útero, que interferem no

desenvolvimento do apego,

reconhecimento materno e maturação do

SNC, impondo experiências adversas num

período de grande evolução cerebral,

podendo levar a diversas alterações no

SNC.

DESENVOLVIMENTO CEREBRAL DO FETO

Neurociências nos diz que

 as interações iniciais afetam diretamente a forma como o cérebro se desenvolve. Acontecimentos estressantes podem elevar o nível de cortisol (hormônio), com repercussão no metabolismo, o sistema imunológico e o cérebro do bebê (Shore, 2000).

 quando o cortisol afeta o cérebro, este se torna mais vulnerável a processos que podem destruir neurônios, bem como reduzir o número de sinapses em algumas regiões cerebrais.

Als, 1986

o bebê pré-termo é um organismo único,

bem equipado e funcionando

adequadamente dentro do seu estágio de

desenvolvimento.

Abordagem síncrono-ativa do

desenvolvimento – Als, 1986

 Processo contínuo de adaptação do sistema interno (a

organização fisiológica e comportamental do bebê) e do sistema externo (ambiente físico e relação pessoal).  O modelo síncrono-ativo do desenvolvimento delineia

caminhos para observar o funcionamento cerebral, via comportamento do bebê. ( Meyerhof, 1997). As capacidades dos sistemas do bebê podem ser

observadas a olho-nu e identificar o limiar do bebê frente ao stress.

(4)

Modelo Síncrono-ativo

Durante cada estágio do desenvolvimento os subsistemas se desenvolvem independentemente e, ao mesmo tempo, interagindo continuamente um com o outro e com o ambiente. (Silva, 2007)

Subsistemas:

autônomo

motor

organização dos estados

Atenção e interação

auto-regulação

Modelo Síncrono-ativo

Subsistema autônomo:

é o centro do funcionamento do organismo

Respiração, bocejos, espirros, suspiros,

tremores, sustos, mudanças de cor da pele,

sinais viscerais, como movimentos

peristálticos, salivação, regurgitar, soluços.

Modelo Síncrono-ativo

 Subsistema motor:

observável na postura, tônus muscular e movimentos do bebê.

Estabilidade: equilíbrio entre flexão e extensão, ausência de hipo ou hipertonia, movimentos sincrônicos e harmoniosos dos membros, estratégias motoras eficazes, como segurar a própria mão, agarrar objetos, levar mão à boca ou face, sugar dedo ou movimentos de boca.

Estresse: período de flacidez motora ou hipertonia não patológica, atividade desordenada de membros.

Modelo Síncrono-ativo

 Subsistema de organização dos estados:

observável na variação dos estados de consciência, variando do sono profundo, passando pelo estado de alerta ao choro.

Estado 1: sono profundo Estado 2: sono leve Estado 3: sonolência Estado 4: alerta inativo Estado 5: alerta com atividade Estado 6: choro

Classificação de Brazelton sobre os estados do Bebê, 1984

-Estado 1: sono profundo: a mudança para outros estados é pouco provável; respiração profunda e regular, não há movimentos oculares

não ocorre atividade espontânea, somente sobressaltos ou movimentos bruscos.

No Pré-termo dura 20 minutos.

È Importante porque ocorre maior nível de oxigenação. Aumenta de duração com a maturação e é o mais afetado pelos

estímulos nocivos da UTIN.

Pode ser necessário para organização e desenvolvimento do sistema nervoso e pode ser aumentado pela estimulação vestibular e cinestésica.

Algumas memórias são armazenadas, é necessário para a

Classificação de Brazelton sobre os estados do Bebê, 1984

- Estado 2: sono leve:

olhos fechados, mas com movimentos oculares; respiração irregular e mais rápida; caretas, sorrisos, movimentos bucais e de sucção.

Ocorre aumento da síntese de proteína nas células cerebrais e reestruturação das sinapses.

A informação é ativamente processada e armazenada na memória, é o estado onde ocorre a maior parte do aprendizado e memória.

(5)

1984

-Estado 3: sonolência: olhos abertos ou fechados, respiração irregular, pálpebras pestanejantes, movimentos geralmente suaves, olhar desorientado quando não está disponível (não está processando informação).

-Estado 4:alerta inativo: olhar vivo, mínima atividade motora, é o estado que mais favorece a interação,

responde a estímulos visuais e auditivos.

1984

-Estado 5: alerta com atividade

olhos abertos, atividade motora razoável, incluindo sobressaltos espontâneos, pode estar

choramingando ou reclamando. -Estado 6: choro

choro forte, difícil de ser interrompido, atividade motora intensa.

Modelo Síncrono-ativo

Subsistema de atenção e interação:

observável pela capacidade do bebê permanecer no estado alerta, usado para apreender informações cognitivas, sociais e emocionais do meio. Surge por volta de 25 a 28 semanas de IG e

geralmente só está bem desenvolvido ao redor de 40 semanas.

Modelo Síncrono-ativo

Subsistema regulador:

observável pelas estratégias usadas pelo bebê para manter ou retornar a uma integração equilibrada, relativamente estável e relaxada dos subsistemas.

Envolve o tipo e a quantidade de facilitação que o bebê precisa receber do meio.

A tarefa do bebê pré-termo é obtenção da

homeostase, apesar da ampla variedade

de estímulos em subsistemas que não

estão prontos para tal estimulação.

 Os estímulos da UTIN sobre os subsistemas que não

estão prontos para tal estimulação, estão alterando para melhor ou para pior, a real estrutura do cérebro.

Inter-relação dos sistemas

Inter-relação dos sistemas

O desequilíbrio em um sistema leva à

sobrecarga nos demais, o bebê se defende

(“desligando-se”), gasta mais energia,

podendo ter mais dificuldade de interagir.

Por outro lado, a organização de um sistema,

(6)

Histórico da Intervenção na UTIN

Estimulação mínima, 1940/1950 – pouca luz, ambientes calmos, acesso restrito a familiares e médicos.

Teoria da privação sensorial, 1960/1970 – pela pouca estimulação, pensou-se que o bebê estaria em risco de desenvolvimento pela privação da estimulação que ocorre naturalmente em casa depois do nascimento.

Programas de estimulação sensorial- programas de

compensação pela falta estimulação percebida – massagem, toque, movimentação passiva, estímulo vestibular e/ou auditivo. Estes estudos não abordavam respostas comportamentais de bebês (individualmente).

Histórico da Intervenção na UTIN

Teoria da sobrecarga sensorial, 1970 – tecnologia e

conhecimento criou um ambiente com estímulos nocivos, maior número de profissionais manipulando o bebê, mais barulho e maior nível de atividade nas UTIN.

Neonatologia ambiental - preocupação com fatores

ambientais físico e humano.

Cuidado centrado no desenvolvimento,

individualizado, baseado no relacionamento e na família – cuidado do desenvolvimento é uma filosofia que reconhece que a interação entre bebê, família e ambiente da UTIN é dinâmico e contínuo.

Na UTI neonatal,

o profissional poderá usar as respostas do

bebê em cada um dos subsistemas,

através da modulação dos estímulos e da

facilitação das respostas do bebê, de

forma a adequar o “gasto energético” e

favorecer o desenvolvimento do bebê,

estando atento aos sinais de estresse.

a estimulação em momento inadequado faz o

bebê se defender. O mesmo ocorre na

estimulação de complexidade ou intensidade

inapropriadas.

se a estimulação for adequada, o bebê busca e

mantém sua atenção enquanto estiver com bom

nível de equilíbrio em seus subsistemas.

Comportamentos de

auto-regulação do pré-termo

Sinais de aproximação:

Sinais de retraimento:

Sinais de aproximação:

sistema autônomo

FC regular

FR regular

Boa oxigenação

Cor de pele estável

Funções digestivas estáveis

(7)

sistema motor

Mantém tônus muscular

Atinge e mantém a flexão de braços, pernas e

tronco.

Aconchega-se

Leva/mantém a mão na face ou na boca

Sorri, faz movimentos de boca

Busca sucção, preensão, segura dedo, seio

Tem movimentos suaves e coordenados

Sinais de aproximação:

sistema de estados comportamentais

Períodos estáveis de sono/vigília

Estados facilmente discerníveis

Olhar interessado para a mãe

Sono profundo

Suave transição de estados

Acalma-se com facilidade

Desliga-se dos estímulos com facilidade

Dirige o rosto para a face da mãe, voz

outros objetos ou eventos

Eleva sobrancelhas, franze a testa

Franze os lábios (“ooh”)

Movimentos de fala: imita expressões

faciais (“coo”)

Sinais de aproximação:

sistema de atenção/interação

Sinais de retraimento

sistema autônomo

 Flutuações de cor: palidez, cianose perioral, pletora (vermelhidão), coloração mais escura, moteamento (alternância de áreas claras e escuras na pele, como um mármore.

 Alterações cardiocirculatórias: bradicardia, respiração irregular, apnéia

 Aumento ou diminuição na frequência respiratória

 Movimentos peristálticos

 Vômitos, engasgos, salivação, soluço, Respiração ofegante, tremores, susto, espirros, bocejos, suspiros.

Sinais de retraimento

sinais de estresse motores

 Flacidez motora (turning-out= desligamento): tronco, extremidades, face (olhar pasmo boca aberta)

 Hipertonia motora: hipertensão de pernas (sentar no ar, abraçar pernas); hipertensão de braços ( asa de avião),

hipertensão de tronco (arqueamento, opistótono) afastamento de dedos, caretas,

extensão de língua,

hiperflexão de tronco e extremidades (postura fetal mãos cerradas)

 Atividade frenética, difusa ou com movimentos de torção

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Sinais de retraimento

sinais de estresse no controle se estados

Sono difuso, estados de alerta com choramingo, movimentos faciais

bruscos

Olhos errantes, movimentos oculares vagos Choro extenuados, inquietação

Choro silencioso Olhar fixo

Desvio ativo do olhar de foram frequente

Alerta preocupado ou com expressão de pânico, hiperalerta Oscilações rápidas de estado, necessidade de muitos estímulos para

acordar

Irritabilidade, acordar prolongado, difuso Choro, inconsolabilidade

Dificuldade para dormir, inquietude

Ante os sinais de estresse

Fazer pausa, aguardar sinal do bebê

Fazer manobras de organização,

observando a respostas do bebê

Suspender a interação ou o procedimento,

caso o bebê não responda

adequadamente e continue com sinais de

estresse.

Avaliação do bebê

Dubowitz, 1998

Amiel-Tison, 1976

Prechtl, 1984

Avaliação

Relação/ interação mãe-bebê

Avaliação motora:

 Tônus e postura Simetria de movimentos

Qualidade, amplitude e variabilidade de movimentos Reflexos primitivos

Presença e frequência de tremores, clônus Qualidade do choro

Capacidade de se autoconsolar Variabilidade dos estados

Intervenção

Ajudar o bebê a auto-organizar-se,

resposta adaptativa ao meio, resultando e

diminuição de apnéias e bradicardias, com

melhor padrão de sono, estabilidade dos

estados de consciência e das posturas

adequadas, favorecendo a estabilidade

fisiológica.

Objetivo da intervenção terapêutica

 Promover input sensorial, ajudar na organização do

bebê

 Proteger o bebê do excesso de estimulação, graduando os estímulos de acordo com o desenvolvimento adaptativo do neonato.

 A proteção e a facilitação de respostas adaptativas pode apresentar um grande impacto no relacionamento pais-bebê.

 Detectar problemas de desenvolvimento, visando a intervenção, tratamento e Seguimento.

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Banho bebês

Referências Bibliográficas

 Brasil. Ministériso da Saúde. SPS, Área de Saúde da Criança. (2002) Atenção Humanizada ao recém-nascido de baixo peso: método mãe-canguru 1ªEd. Brasília: MS

 Hunter, J. Neonatal Intensive Care Unit. Em Jane Case-Smith, Jane O´Brien. Occupational Therapy for children. USA: Elsevier, 2010.

 Monteiro, R.C.S. Neonatologia. Em A. Cavalcanti; Cláudia Galvão. Terapia Ocupacional: fundamentação e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

 SOPERJ. (2007) Manual de Atenção Integral ao Desenvolvimento e Reabilitação. Rio de Janeiro: Ed. Revinter

 Symington A, Pinelli J. (2006)The Developmental care for promoting development and preventing morbidity in preterm infants. Cochrane Library, Issue 2 (see http://www.thecochranelibrary.com)

Referências

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