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Não há 3 sem 2: O Teorema de Sharkovskii

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Academic year: 2021

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(1)

Não há 3 sem 2: O Teorema de

Sharkovskii

Nuno Mestre

Programa Gulbenkian Novos Talentos em Matemática

(2)

ESTRUTURA

1. Introdução

2. Casos

p = 2

e

p = 3

(3)

1

Introdução

Um sistema dinâmico discreto é uma colecção de estados avaliados em tempos discretos, em que um estado é dado em função de um ou mais estados anteriores. Vamos estudar o caso

x

n+1

= f (x

n

),

onde o estado

x

n+1 é obtido a partir de

x

n aplicando uma função

f

,

(4)

Um exemplo particularmente interessante é o sistema logístico, que obtemos tomando a função

f (x) = rx(1 − x).

O sistema é então definido por:

x

n+1

= rx

n

(1 − x

n

),

(5)

Dado um valor

x

no domínio do sistema, chamamos trajectória de

x

à

sucessão

x, f (x), f

2

(x), f

3

(x) . . .

Chamamos órbita de

x

ao conjunto

{x, f (x), f

2

(x), f

3

(x) . . .}

.

Por exemplo, para

r = 3, 5

e

x = 3/7

, temos como trajectória a

sucessão

3

7

, 3 ×

3

7



1 −

3

7



=

6

7

,

3

7

,

6

7

,

3

7

, . . .

e como órbita o conjunto

 3

7

,

6

7



.

(6)

0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1 0.4 0.45 0.5 0.55 0.6 0.65 0.7 0.75 0.8 0.85 0.9

Evolução temporal para r=3.5

0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1 0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1

(7)

Se na trajectória de um ponto

x

0, ao fim de algumas iterações os

pontos se repetem, ou seja se

∃j : f

j

(x

0

) = x

0, então

dizemos que

x

0 é um ponto periódico de período

n

, onde

n

é o

menor natural tal que

f

n

(x

0

) = x

0;

(8)

0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9

Evolução temporal para r=1.83

0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1 0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1

(9)

0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1 0.45 0.5 0.55 0.6 0.65 0.7 0.75 0.8

Evolução temporal para r=2.9

0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1 0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1

(10)

0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1 0 0.2 0.4 0.6 0.8 1

Evolução temporal para r=3.95

0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1 0 0.2 0.4 0.6 0.8 1

(11)

Ordenamento de Sharkovskii:

3 ≺ 5 ≺ 7 ≺ 9 ≺ . . . ≺ 2 · 3 ≺ 2 · 5 ≺ . . . ≺ 2

2

· 3 ≺ 2

2

· 5 ≺

. . . ≺ 2

3

≺ 2

2

≺ 2 ≺ 1

Teorema 1.1 (Sharkovskii) Seja

f

uma função contínua num

intervalo, definindo um sistema com uma órbita

p

-periódica. Se

(12)

2

Casos

p = 2

e

p = 3

Começaremos por provar os seguintes casos particulares:

se

f

tem órbita 2-periódica, tem um ponto fixo

(13)

Teorema 2.1 (Ponto fixo) Seja

f : J → J

contínua e

I = [a, b] ⊆ J

um intervalo tal que

I ⊆ f (I)

. Então

f

tem um ponto fixo em

I

.

(14)

Primeiro caso (

p = 2

):

Suponhamos que

f

tem órbita 2-periódica

{x

1

, x

2

}

, ou seja,

f (x

1

) = x

2 e

f (x

2

) = f (x

1

)

.

Então

{x

1

, x

2

} ⊆ f ([x

1

, x

2

])

, e como a imagem de um intervalo é

ainda um intervalo temos

[x

1

, x

2

] ⊆ f ([x

1

, x

2

])

(15)

Suponhamos que

f

tem uma órbita

p

-periódica, com

p ≥ 3

Sejam

x

1

< . . . < x

p os pontos da órbita.

Estes pontos dividem o intervalo

[x

1

, x

p

]

em

p − 1

subintervalos.

(16)

A cada órbita

p

-periódica de

f

vamos associar um grafo dirigido.

O grafo tem

p − 1

vértices, que são os subintervalos

S

i.

(17)

Segundo Caso (

p = 3

):

Suponhamos que

f

tem órbita 3-periódica,

x

1

< x

2

< x

3.

Seja

y = x

2, e suponhamos

f (y) = x

1, então temos o grafo:

(18)

Resultado auxiliar:

Se

I

1

, I

2

, . . . , I

n são intervalos fechados e tivermos

I

2

⊆ f (I

1

), I

3

⊆ f (I

2

), . . . I

n

⊆ f (I

n−1

),

e ainda

I

1

⊆ f (I

n

),

então temos

I

1

⊆ f

n

(I

1

)

.

Portanto

f

n tem um ponto fixo, e

f

uma órbita periódica, com

(19)

Assim, encontrando no grafo de transição um ciclo de comprimento

n

, podemos garantir a existência de uma órbita

m

-periódica com

m

divide

n

.

Se

m < n

então o ciclo será a repetição sucessiva de um ciclo

(20)

No nosso exemplo encontramos:

O ciclo

S

1

→ S

1.

O ciclo

S

1

→ S

2

→ S

1.

O ciclo

S

1

→ S

2

→ S

1

→ S

1

→ . . . → S

1, de comprimento

n

.

(21)

3

Caso geral

Ordenamento de Sharkovskii:

3 ≺ 5 ≺ 7 ≺ 9 ≺ . . . ≺ 2 · 3 ≺ 2 · 5 ≺ . . . ≺ 2

2

· 3 ≺ 2

2

· 5 ≺

. . . ≺ 2

3

≺ 2

2

≺ 2 ≺ 1

Teorema 3.1 (Sharkovskii) Seja

f

uma função contínua num

intervalo, com uma órbita

p

-periódica. Se

p ≺ q

então

f

tem uma órbita

q

-periódica.

(22)

Sejam

x

1

< x

2

< . . . < x

p os elementos de uma órbita periódica.

Na partição resultante, designamos por

A

1 o intervalo mais à direita

cujo extremo inferior é transformado num ponto maior que ele próprio.

Figura 4: escolha de

A

1

Pela escolha de

A

1, temos

A

1

⊆ f (A

1

)

.

(23)

Lema 3.2 O número de pontos

x

i da órbita que estão contidos em

f

j

(A

1

)

cresce estritamente com

j

, até que todos os

p

pontos da

órbita estão contidos em

f

K

(A

1

)

, para um certo

K

.

K

é o menor inteiro positivo para o qual

f

K

(A

1

)

contém

[x

1

, x

p

]

.

K ≤ p − 2

, pois

A

1 contém 2 pontos da órbita e, com cada

(24)

Assim, a imagem de

A

1 contém não só

A

1 mas pelo menos mais um

subintervalo

S

i.

Traduzindo em termos de grafos de transição isto significa que de

A

1,

para além de uma arco para si próprio sai ainda um outro arco para

(25)

Lema 3.3 Dado um

S

n fixo temos uma de duas hipóteses: 1. Existe um

S

m distinto de

S

n cuja imagem contém

S

n 2.

p

é par e

f

tem uma órbita 2-periódica

(26)

Recordemos:

Pela nossa escolha de

A

1, temos

A

1

→ A

1

Pelo lema 3.2 existe um

S

n, distinto de

A

1 tal que

A

1

→ S

n.

(27)

Lema 3.4 Temos uma das seguintes alternativas:

1.

f

tem uma órbita

(p − 2)

-periódica; 2.

p

é par e

f

tem uma órbita 2-periódica; 3.

K = p − 2

.

(28)

Prova do caso ímpar:

Seja

p

é o maior número ímpar para o qual

f

tem uma órbita

p

-periódica.

Observemos o que se passa se tivermos

p = 7

.

Pelo Lema 3.4,

K = p − 2 = 5

.

Isto significa que em cada passo de iteração de

f

sobre o

subintervalo

A

1, apenas um ponto da órbita é acrescentado ao

(29)

Seja

A

1

= [x

m

, x

m+1

]

então

1. ou

f (x

m

) = x

m+1

, f (x

m+1

) = x

m−1,

(30)

Então temos que

A

1

→ A

2

→ . . . → A

6

→ A

1 e que

A

6

→ A

j,

(31)

Temos então órbitas periódicas de período :

1:

A

1

→ A

1

todos os períodos pares menores do que 7:

2(

A

6

→ A

5

→ A

6), 4(

A

6

→ A

3

→ A

4

→ A

5

→ A

6),

6(

A

1

→ . . . → A

6

→ A

1)

qualquer número

q > 7

:

(32)

Tendo em conta as observações feitas neste caso (

p = 7

), provamos

de seguida o Teorema para qualquer

p

ímpar. Facilmente se constata

(33)

Observando o grafo podemos verificar a existência de órbitas periódicas de período :

1:

A

1

→ A

1

• q < p

, com

q

par:

A

p−1

→ A

p−q

→ A

p−q+1

→ A

p−q+2

→ . . . → A

p−1

• q > p

:

A

1

→ A

2

→ . . . → A

p−1

→ A

1

→ A

1

→ . . . → A

1



(34)

Proposição 3.5 Se

f

tem uma órbita

p

-periódica, com

p

par, tem também uma órbita 2-periódica.

Estaríamos então em condições de provar o Teorema para

p

potência

de

2

:

Proposição 3.6 Se

f

tem órbita

2

k-periódica, tem órbitas de período

2

k−1

, . . . , 4, 2, 1

Usando a validade do Teorema para potências de

2

e ímpares

(35)

2.8 3 3.2 3.4 3.6 3.8 4 −0.1 0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 Taxa de crescimento r

(36)

Referências:

K.T. Alligood, T.D. Sauer e J.A. Yorke, Chaos. An introduction to

Dynamical Systems, Springer-Verlag, New York, 1996.

L.S. Block e W.A. Coppel; Dynamics in One Dimension,

Springer-Verlag Lecture Notes in Mathematics 1513, Berlim, Heidelberg, 1992.

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