f ff _. _.,-
~ ']I`<U> 11118
_ ___ _ _:
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA' CATARINA
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAUDE
DE?ÀRTAmENTo mâmaamo INFANTIL
Q.
D I A G N Ó S T I C O D E G O N O R R E I A
N À M U L H E R
Autores;
¢ Mario Luiz Lanzíani
José María Muohon Filho João Alberto de oliveira
- 119 fase Medicina -
Q e d I' 6 c Í
DIACE
O O\I O I O O O I O O O O I O O O O O Í O OtodosV...
O O O O O Í O Õ O O I O O O Í O I O I O I I I C O O O O O I O O Iiblíográfica
_2..
3 4 6 8 . 14 16 17..3...
R E S U
M
ONum estudo prospectivo, 54 pacientes foram
examinadas clinica e laboratorialmente. À maioria revela
va sintomatologia genito-urinária inespecífica. O exame
clínico mostrou sua importancia para detectar possiveis
complicações, para_levantar a suspeita diagnóstica, no -
diagnóstico diferencial com outras doenças sexualmente -
transmissíveis, na detecção de afecções associadas e, na
indicação de exames laboratoriais, bem como, na necessi-
dade da repetição destes exames em consultas subsequen -
tes. ,
A história clínica tem importancia fundamen
tal na detecção e identificação dos parceiros suspeitos e
na elaboração do esquema terapeutico.` N
Foram diagnosticados 15 casos de gonorréia,
27,7% das pacientes. Destes, apenas 53,5%, 8 casos, foram
positivos pela bacterioscopia pelo Gram da secreção da -
cérvice uterina. A cultura de secreção da cérvice foi po-
sitiva em ll casos, 72,Í% dos casos diagnosticados.
'_ A Óultura em meio de Thayer-Martin da secrg
ção da cérvice, associada-à bacterioscopia e cultura de ~
amostras colhidas no canal uretral s revelaram 46 5% s de ne
_
_ ' AI .
vos casos de Blenorragia, que nao foram diagnosticados -
quando se utilizou somente a bacterioscopia pelo Gram de
secreção da cérvice uterina{ ,
`
A bacterioscopia e cultura de amostras de ~
secreção uretral foram responsaveis, sozinhas, por 26,6 %
dos casos diagnosticados. ~
Í
-1
_4..
INTRODUÇÃO
Verificando a sistemática de atendimento do -
Setor de Venereologia, da Unidade Sanitária de Florianópolis, quanto à triagem de pacientes portadores de doençasêsexual-
mente transmissíveis, principalmente a Blenorragia, preocu-` pamo-nos com um fato: Os pacientes do sexo feminino que prg
curam o setor para exames periódicos ou, por suspeita de tg
rem adquirido gonorréia, são apenas investigados por bactey
rioscopia de esfregaço de secreção da córvice uterina, cora
dos pelo método de Gram.
A
Frente a esse fato, procuramos rever a litera
tura e estruturamos este trabalho, dentro de normas técni - cas e científicas, com a finalidade de verificarmos o número
de casos que seriam diagnosticados a mais, se utilizássemos
também o método de cultura do material cervical, acrescentan
do ainda a coleta de amostras de uretra, para bacterioscopiaa
e cultura.
2
Procuramos também verificar o valor da história
clínica e do exame ginecológico no diagnóstico da blenorragia
nas pacientes que procuram o setor.
Revendo a literatura, Ghipperfield & Catterall
(l), 1976, demonstrou, que 53,5% de tõdas as mulheres infeç
tadas tinham leve sintomatologia, sendo as demais assintomá
ticas. Estas pacientes procuraram o setor por terem tido -
contato suspeito ou por apresentarem sintomas. Num estudo -
retrospectivo de 209 casos, 98% dos diagnósticos foram fei- f
tos em duas séries de exames, com intervalos semanais, uti-
lizando material de cérvice e uretra, sendo 91% no primeiro exame e 7,1% no segundo; Em 58% foram detectados por ambos
os exames: bacterioscopia e cultura; 38% por cultura somente
e, 2,8% por bacterioscopia somente.
Evans (2), 1976, num estudo retrospectivo de 210 casos de gonorréia em mulheres, notou que 57% foram pg sitivos na bacterioscopia. A cultura foi positiva em 93% -
dos casos e, em 8% dos casos o diagnóstico dependeu da amos
tra uretral. Êste autor afirmou ainda, que a rotina repeti
tiva de testes é improdutiva se não for efetuada a identifi
cação dos parceiros sexuais.
Thim & Shaw (4), num estudo retrospectivo de 145 casos de gonorréia na mulher, afirmaram que se somente
-5... cervical, 85% dos casos teriam sido diagnosticados; somente cultura 79,3% e, somente baoterioscopia 55,2%. Os resultados
de uretra foram positivos em 16,5% pela bacterioscopia e, -
_ 5 -
PACIENTES & MÉTODOS
Cincoenta e quatro pacientes do sexo feminino que
procuraram o Setor de Venereologia, da Unidade Sanitária de Flg
rianópolis, foram investigados clinica e laboratorialmente, obg
decendo a uma sistemática científica.A
i
Inicialmente procedemos a uma anamnese dirigida quanto à idade, profissão, número de parceiros, média de rela
ções sexuais por semana, uso ou não de medicamentos profiláti
cos, uso ou não de antibióticos ou quimioterápicos nos 30 dias
que precederam a consulta, patologias venéreas anteriores, con
tatos sexuais suspeitos, hábitos de higiene vaginal e sintomato logia.
«O exame ginecológico foi realizado de maneira _ clás:-
sica. Utilizando espéculo vaginal bivalvo expunhamos o colo ute
rino e fundo de saco vaginal.
A coleta de material para a cultura foi realizada
com swab de algodão envolvido por carvão ativado. O swab era in
troduzido no canal cervical numa profundidade média de 2 cm.
A coleta de material para bacterioscopia de secrg ção de cérvice uterina foi realizada com espátula de Àyre, no
orifício externo do canal cervical, como é feita rotineiramente
no setor.
Documentamos as características da secreção do
fundo de saco e da que fluia através do orifício externo do cg
lo e, procedemos a retirado do espéculo.
A coleta do material da uretra foi realizada após
a expressão bi-digital, através da cavidade vaginal, em todo o
seu trajeto, no sentido postero-anterior.
A seguir, introduzimos um swab identico ao descri
to acima, através do meato uretral, numa profundidade média de
I-Jo l-4 |P°
1,5 cm, procurando não traumatizar a mucosa uretral. Aqui ut
zamos o mesmo swab para fazer o esfregaço e para a cultura.
O material colhido com o swab era introduzido em
tubos de ensaios, individualizados, contendo 0,5 a 1 ml de soro fisiológico e transportados para o laboratórie num tempo máximo
de trinta minutos.
Uma vez no laboratório eram semeados em placas
contendo meio de cultura de Thayer-Martin, incubados a uma tem peratura de 36 a 37 graus centigrados, com uma atmosfera conten
do de 5 a 10% de CO2, num tempo de 24 a 48 horas. _
As colônias suspeitas eram identificadas pela coloração pelo Gram e microscopia. Confirmadas pelo teste da
_ 7 _
oxidase em placa e em papel filtro. -N
A
Identifigaçao da espécie foi feita atravésde provas de fermentação dos açucares: glicose, maltose e
sacarose, com 10% em C.T.A.
Com a fermentação da glicose positiva, maltose
e sacarose negativas, tinhamos a identificação definitiva de
fleisséria gonorrhoeae;
Os esfregaços em laminas foram corados pelo método de Gram e examinados à microscopia, percorrendo uma
média de cem campos à procura de Diplococos Gram negativos
RESULTADOS
_ 3 _
TAB. I - Distribuição por faixa etária, relacionando os casos
, ë de Blenorragia em §§mmulheres,exam1nadas,¬ _,__
Faixa etária NQ pac, ,_
%
_" Bleni w 2% ,Menores de 20a. 19 2i - 25 25 26 - 30 9 31 - 40 3 Acima de 40a. -- I-'Í-"\O-l> 35,1 46,2 16,6 5,5 21,0 3630 i __. 11,1 33,3 OIOO
TAB. II - Distribuição quanto ao local de trabalho, relacio-
_ nando os casos de Blenorragia em 54 mulheres exami
nadas.
*O B1
Lgpaliirab, 1, H,1pac¬ _ 1% ou ñi sen,
2
%
casa de prostituição 35 Motel 1 Do lar 5 9,2 64,8 ll 31,4 - 1,8 O O Vida livre 13 24,0 3 23,0 1 20,0TAB. III -Distribuição segundo o número de parceiros sexuais,
relacionando os casos de filenorragia em 54 mulheres
examinadas.
NB de parceiros í ,À í N9_pac. 0% ,~, Blen, 12% 2
C§z
E
c> o ›J6§Í Dois Três Quatro Cinco 1 Acima de cinco Égä » Ha 16,6 3 1,8 0 0 O OOO 1,8 68,5 12 33,3 0 O_ 0 0 32,4 ¿__...»_ 9 _
Õ
. 1_ ¬
_ »
' Q ú Q ~ u\ tj n .
TÂB. IV - Distribuiçao segundo o uso de profilaxia, relacig
nando os casos de Blenorragia em 54 mulheres exa-
Z minadas. ,_H___ __,,_ __", 4 4
Profilaxia_, z N9 pac, m% Blen,__, jÃ_
SIM 5 9,2 5 1oo,o
Não -
49 90,7 10 20,4
r
TAB; V - Distribuição segundo o uso de antibióticos nos 30
dias que precederam a consulta, relacionando os -
casos de Blenorragia em 54 mulheres examinadas,
Uso de antibióticos Nâipap. 1% Bien.” 4 %
sin 17 _ 31,4
A 5 29,4
Não 37 68,5 io 27,0
TAB. VI - Distribuição segundo a frequencia de coito semanal,
relacionando os casos de Blenorragia em cincoenta
4 e quatro mulheres examinadas.l _ _
C0it0/semahêl N2 pac. %o Blen. H
%
O O DOÍS 3 37,5 Tres Quatro ll 4 , Cinco 4 Acima de cinco - 2o ` 45,0
Nenhum nos 30 dias que
precederam a consulta 3 5,5 l 33,3 C1
B
ao m 4› bd IU l'-J -4 ~a o un-à «J o s›\» u1cn-> «o o na o Ff o CnQ
F1TAB. VII - Distribuição em relaçäo a patologia venérea ante-
'
rior, relacionando os casos de Blenorragia em 54
,pacientes examinadas., › Batologia Venérea ' NQ pac. 4 _% _* fo f Elen, ,_ % Blenorragia 22 40,7 6 27,2 sífilis 9 16,6 _ 1 11,1 Outras 19 35,1 Nenhuma -s ~aÚ -à m 50,5 ow o›H NI U7
_ 10 _
TAB. VIII - Distribuição em relação aos hábitos de higiene
vaginal, relacionando os casos de Blenorragia
,,, em Qd mulheres examinadas,
Produtos utilizados os ÍN9ipaG; _2í_i Blen-
3
7
ÁGUA Após coito Durante o banho ÁGUA + SABONETE Após coito ` Durante o banho ÁGUA + VINAGRE Após coito Durante o banho ÁGUA + ALCOOL Após coito Durante o banhoÁGUA + VINAGRE + ALCOOL
Após coito Durante o banho ÁGUA + MEDICAMENTOS Após coito ' Durante 0 banho 19 15 5 4 2 4 2 1 2 5 35.1 27,7 QKD -F>~I'\) 3,0 7,4 3,0 1,8 \.O\›J \l \I MO ' 4 4 O O 1 3 2 1 O O 21,0 26,6 O O 50,0 I»-4 OQ OU! OO 100,0 O O
TAB. IX - Distribuição segundo a sintomatologia, relacionando
osficasos,de_Blenorragia em §§ mulheres examinadas
Sintomas ,_ ,_ N9 pac.
%
U _ › Blen,%
Disúria Dor supra-púbica Dor pélvica Dispareunia Prurido Leucorréia ll 10 9 10 19 44 20,3 18,5 16,6 18,5 3591 81,4 1 2 -P~\›J\›J 12 9,0 20,0 33,3 30,0 21,0 27,2
TAB. X - Distribuição segundo a ocorrencia de contatos com
parceiros suspeitos de serem portadores de doença
venerea, relacionando os casos de Blenorragia em
1 Z QQ mulheres examinadas. _, ¿, Z
Contatos suspeitos ,_, N9 pac., ,fiz
n_3
,33Blen, 4%
S I
M
25 45,2 10 40,0._ 11 _
TAB. XI - Distribuição segundo a característica da secreçao
vaginal e o tempo de duraçao, relacionando os ca-
, sos de Blenorraaia em 'í4,.P@«¢ie_1í11=e,s_ exarninadaêaiii
Característica/duração 7 7 N9 pac. %, Ellen.
W
%, AQUOSO ESBRÁNQUIÇÀDO 1 semana 2 semanas 4 semanas 2 meses _ Acima de 2 meses Total ESBRÃNQUIÇÀÚO GRU¶O§O ' Acima de 2 meses 7 Total 7 AQUOSO AMÀRELADO 1 semana 2 semanas 4 semanas 2 meses _ Àcíma de 2 meses Total PURULENTO , 2 semanas 1 5 Acima de 2 meses Total 6 I-4!--' 'Qi-'I'-'Í\)l--'l\3 QI-' -F>~`\O|\)I-'I-'I-'P.S.: Êstes dados foram colhidos pela anamnese
\ÀJ|\) |'JO|""\›J|_¡\J0 0 u so u o u -Í>\¡JÉDQCI)C) 12,9 12,9 MI-' U10`\\›.›l--'I-'I-' Ú U U O U O xoomäwtnm F-' I-"\.OI-' O \I Ú l-'IUCD U1\»›i-JO!-JO 1 l U1-$>~O¡»-'OO O 1 1 0 100,0 0 100,0 27,2 29,4 14,2 14,2 0 0 100,0 0 44,4 35,7 0 20,0 16,6
TAB. XII ~ Distribuição segundo a característica da secreção
de fundo de saco vaginal, documentada durante o ~
_
na
1 os 1 exame ,@_;ine,c010g;ico,,1em_15511null1ere§,_,eXam;nadaSz1
Característica da Secreçao 7 N97paÉ} 777
%
Blenfd77%M
Esbranquiçada 6 Esbranquiçada bolhosa 8 Esbranquiçada grumosa ~ 2 Amarelada, aquosa 15 _
10'
Purulenta 6Amarelo esverdeada bolhosa
11,1 14,8 3,0 27,7 18,5 11,1 Í\)U'|bJ(DI\)C) O 325,0 O 20,0 50,9 33,3
TAB. XIII - Distribuição segundo a característica da secreção
da cervice uterina, documentada durante o exame' _,,, “,,gineco1ógico em 55 mulheres
caazzzzzísazaoççogàc síezmçàz Né
pa¢,j
gy
B1éí¬;.0 zm;4
Sem secreção 19
Secreção esbranquiçada 17
Secreção amarelada 4
Secreçäo amarelo-esv. bolhosa 4
Continua \.›J\›.) "'l¬`!l-'U1 Ú Ú Ú \I -P»-P~>I-' 6 I-*O 21,0 35,2 0 25,0 -.
_ 12 _
TAB; XIII - Distribuição segundo a característica da secrg
. ~ ção da cérvioe uterina, documentada durante o
ǰnt;p?%Ê?P?_eXame ginecológico em 5§ mulheres. _
Característica da secreçao_;__NQ_pa§›§ __I%__ Blëfl-_ %_
Secreção muco-purulenta ~ 7 12,9 3 42,8
Esbranquiçada grumosa 1 1,8 0 - 0
Esbranquiçada bolhosa 2 3,0 1 50,0
TÀB; XIV - Distribuição segundo as caracteristicas da Yulva
ao exame gineoologico em 54 mulheres, relacionam
p _ do os casos de Blenorragia; _ _ ___ Caracteristicas
M1
0 0 N9 p8.Cz` 0 Blen.' 0W
Aspecto normal 50 92,5 14 28,0Com lesões máculo eritemato ~
descamativas 4 7,4 l 25,0
TAB. XV - Distribuição segundo as características da uretra
ao exame ginecologico em 54 mulheres, relacionando
___ w_os1casos de Blenorragia.__ __ _ _ _
Características ___ N9_pac, _ 5% Blen. %_
~
Aspecto normal, sem sècreçao 52 96,2 15 z 28,4
Com secreção amarelada 2 _ 3,0 O O
TAB. XVI - Distribuição segundo as caracteristicas da Glãndu
_ la de Bartholin ao exame ginecologico em 54 mulhg
_ ___ _ res,_relacionando os casos de Blenorragia,
_ Q
Caraøterísticas 11 __ N9 pac, _ _%
_ Blšn. _ ___,%
Aspecto normal 53 98,1 15 28,4
Aumento de volume 1 1,8 O O
TAB; XVII - Distribuição segundo'as características dos Ané-
xos ao exame ginecologico
em
54 mulheres, rela -__ _ _cionando os casos de Blenorragia. ,_ __ _
Características H 0 0
D9 pac. %11AB1en.0 0 %7
Impalpáveis, indolores 48 88,8 12 25,0
._ 13
TAB. XVIII - Disfiribuição, segundo as oaracterísticgs da paš
paçao dos parametrios no exame glnecologlco de 54 mulheres, relacionando os casos de Blenorrgf
eia.
Q z zzzz zzzzzzzz z zzzzzzzzzz ._ ,
Cë£@Qterístioae_“L_ _ZN9 pep.WA W % ~_HBlen.H o_o %.
U1 o›s» KO _u¬-e ou-e ›= -> Í\7 «a .> Sem alteraçães Empastados, teneos l 33,3
EABJ XIX 5 Resultados da Bacteriosoonía peleƒco1oraçãoe§rem¿
U R E
m
5A
/I Í ec E R v 51 eco ED.G.N.Intra e D.G.N. Extra- Negativa
~çfl1¿&L_*___*
_NÊ__._._ÂÂ___ _N2______ÁÉ___ _N2__“2L_, D.G.N. Intra e ` extra-celular 2 3,7 O O 1 1,8 D.G.N. Extra- . celular 3 5,5 5 9,2 » 4 7,4 Negativa 3 5,5 13 24,0 23 42,5ÉÀÉ. XX mfíšesulteeos das Culturas em meio de;Theyer-Martin,
U R
EI_T;B
Ao
_e/ I 0 E R VLc
E of g o s i t i v a N e g a t i v a HQ ão 3 5,5 _ ' N9 Z, e 14,8 P 0 s i t i v a 5 N e g a t i v a 3 5,5 40 74,9_14...
COMENTÁRIOS
Consideramos a presente amostra de apenas 54
pacientes, pequena para tirarmos conclusëes taxativas. Vamos nos limitar a comentar os dados encontrados. Planejamos con
tinuar a coleta de dados e apresenta-los numa próxima opor-
tunidade;
A idade das pacientes que procuraram o Setor
de Venereologia foi variável, predominando a faixa das ado-
lescentes e adultas jovens.
A
Blenorragia predominou nestaúltima. _
A maioria das pacientes trabalhavam em casa «
de prostituição 64,8%, com um indice de doença gonocõccica '
de 31,4%. às de vida sexual livre corresponderam a 24%, com
23% de positividade. As mulheres casadas correspondiam a -
apenas 9,2% de todas as pacientes, sendo 20% positivas. ‹
Em
relação ao número de parceiros, a infec-ção gonocóccica foi mais frequente nas que tinham apenas l
companheiro, com 33,3% e nas que tinham mais de cinco, com 32,4% de casos positivos. Apenas duas pacientes não se en-
quadraram neste grupo e, foram negativas. A igual positivi H
dade dos dois primeiros grupos, nos diz que a infidelidade I
conjugal é um fator importante no aumento da incidencia da
doença; ' A Z
Quanto ao n9 de relaçães sexuais, a incidencia da -
gonorréia está diretamente ligada à frequencia de coito, -
pois das pacientes que mantinham 4 ou mais relações sema -
nais, 35,4%foram positivas, representando 74% de tõdos os
casos diagnosticados.
Em tres pacientes que a mais de 30 dias não tinham
relações sexuais, l caso foi positivo. '
Contraditóriamente em 5 pacientes que diziam fazer
profilaxia através de antibióticos orais (EX. Tetrex l com
primido por dia), todas apresentavam a doença.
Em 17 pacientes(3l,4%) que haviam feito uso de algum
produto antibiótico ou quimioterápico nos 30 dias que prece
deram a consulta, foram constatados 5 casos positivos, 29,4%
de casos positivos. Mostrando com isso que os exames não fg
ram sensivelmente prejudicados, pois o indice de positivida
de foi maior que o geral.
Quanto a patologia Vénerea anterior: 40,7% do total já ha -
...15-.
e, 27,2% eram positivas na presente amostragem.
Quanto a influencia dos hábitos de higiene vaginal, os resultados estão na tabela VIII, a grande di-
versidade de meios utilizados e a amostragem relativamente
pequena, dificultaram a sua avaliação. Não parecem ter in
terferido sensivelmente na incidencia da doença.
Contatos suspeitos foram referidos por vip
teve cinco pacientes e confirmada gonorréia em 40,0% delas.
Este dado nos chama a atenção para este item da história
clínica, que se revelou ser o mais fiel e objetivo de to-
dos os outros. `
H
Dos sintomas referidos, os mais frequentes
foram: Leucorréia em 81,4% das pacientes, vide tabela IX,
das quais 27,2% eram positivas. Adiantamos que nem sempre as descrições da paciente conferia com o tipo de corrimen
to encontrado; O maior indice de positividade foi encon-
trado nas pacientes que se queixavam de dores pélvicas, -
com 33,3% de casos positivos."
À
grande maioria das pacientes não apresentaram alterações importantes ao exame físico. A correlação
dos achados com os casos positivos podem ser vistos nas -
Tabelas de Resultados;
Quanto aos resultados laboratoriais: A Bag
terioscopia dos esfregaços uretrais foi positiva em 5,5 % .
dos casos, contribuindo com 33,3% do total de casos diag-
nosticados pela bacterioscopia e, 20% quando combinados -
os exames de bacterioscopia e cultura.
A bacterioscopia pelo Gram de secreção da
cérvice uterina, foi positiva em 14,8% das pacientes, re- presentando 88,8% dos casos diagnosticados pela bacterios
copia e, 53,3% dos casos diagnosticados pela bacteriosco-
pia e cultura associados. ,
Associando-se a bacterioscopia de uretra e
cérvice, foram feitos diagnósticos de Blenorragia em 16,6%
das pacientes, correspondendo a 60,0% dos casos diagnósti
cados;
A cultura foi positiva para Neisséria gonor nhäaae em 25,9% das pacientes examinadas, sendo que em 14,4%
foi concomitante para uretra e cérvice e, 5,5% somente para
uretaa e cérvice respectivamente; Demenstrando ambos os lg
cais iguais indices de positividade pela cultura, mas nem -
sempre simultaneamente;
Associando-se ambos os métodos, em ambos os
locais, obtivemos uma incidencia de Blenorragia da ordem de
27,7% das pacientes examinadas;
_16..
CONCLUSÕES
A
história clínica e o exame ginecológico rgvelaram ter grande importância na triagem de pacientes po; tadoras de doenças sexualmente transmissíveis.
A
Blenorra- gia é apenas uma das patologias venéreas que acometem a mulher e, cabe sempre o diagnóstico diferencial com outras -
afecções, quer sejam sexualmente transmissíveis ou não. É a anamnese que nos permite identificar os- contatos suspeitos, detecção de outras afecçóes associadas,
e, complementada pelo exame ginecológico, a detecção de - _
possiveis complicações e, consequentemente, sendo~fundamen
<L-
3tal na elaboração do esquema terapêutico.
Infelismente, pelas limitações do setor e do
suporte laboratorial, não pudemos seguir as pacientes em -
consultas subsequentes, a curtos intervalos de tempo, como vimos nos trabalhos citados na introdução. As vêzes, duas ou mais séries de consultas e exames laboratoriass eram -
necessárias para firmar o diagnóstico ou afasta-lo defini-
tivamente.
As técnicas laboratoriais acrescentadas tais
‹
^' r . . . '\ .
como a cultura de secreçao da cervice uterina, a bacterios ¿@mwj”\
copia e cudtura de secreção uretral, aumentaram em 46,5
%
mMato»M¿o número de casos que seriam diagnosticados se houvesse si_íLÍ 1 Â
do feita apenas a bacterioscopia pelo Gram da secreção da
cérvice.
Se tão somente a cultura de secreção da cér-
vice fosse acrescentada, teríamos um aumento de 27,3
%
nos casos diagnosticados pela bacterioscopia;A introdução da bacterioscopia e cultura de-
amostras colhidas no canal uretral foi responsável por um
acréscimo de 26,6
%
de novos casos diagnosticados._ 17 _ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 _ 2 ._ 3 .- 4 _ 5 _. 5 ._ 7 _ 3 _ 9 ._ .. 10 -
CHIPPERFIELD, Elizabeth
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publicação em revistas médicas e biológicas; São Paulo,
TCC UFSC TO 0118 Ex.l › N-Chflflh TCC UFSC TO 01}8 Autor: Lanziani, Mario Lu
Título: Diagnóstico de ganorréia na mulh
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