ISSN
0100-7556
Circular
Técnica
Marco,
1991
Número
58
I
ARMAZENAMENTO
DE
SEMENTES
EMPRESA BRASILEIRA
DE
PESQUISA AGROPECUÁRIA
-
EMBRAPA
Vinculada ao MinistBrio da Agricultura e Reforma AgrBria
-
MARA
Centro de Pesquisa Agropecuhria do Trópico Úmido
-
CPATU
BelBm, PA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
Presidente : Fernando Afonso Collor de Melo
Ministro da Agricultura
e Reforma Agrária
Antonio Cabrera Mano Filho
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
-
EMBRAPA
Presidente
:
Murilo Xavier Flores
Diretores
:
Eduardo Paulo de Moraes Sarmento Fuad Gattaz Sobrinho
Manuel Malheiros Tourinho
Chefia do CPATU
:Italo Claudio Falesi
-
ChefeDilson Augusto Capucho Frazão
-
Chefe Adjunto Tdcnico Antonlo Carlos Paula Neves da Rocha-
Chefe Adjunto de ApoloCIRCULAR
TÉCNICANo
58
ISSN 01
0-7556
Março, 1991
ARMAZENAMENTO DE SEMENTES
DE MANGOSTÃO
Carlos Hans Muller
Francisco José Câmara Figueirêdo
Nina Rosária Maradei Muller
EMPRESA BRASILEIRA DE
PESQUISA AGROPECUÁRIA-
EMBRAPA
Vinculada ao Ministério da Agricultura e Reforma Agrária - MARA Centro
de
Pesquisa Agropecuária do Trópico Úmido-
CPATU Belém, PAE x e m p l a r e s d e s t a p u b l i c a ç 3 o podem s e r s o l i c i t a d o s
2
EMBRAPA-CPATU T r a v . D r . Enéas P i n h e i r o s / n T e l e f o n e s : ( 0 9 1 ) 226-6622. 226-6612 T e l e x : ( 0 9 1 ) 1210 Fax: ( 0 9 1 ) 226-6046 C a i x a P o s t a l . 48 66240 Belém, PA T i r a g e m : 1000 e x e m p l a r e s C o m i t ê de P u b l i c a ç s e s F r a n c i s c o J o s é Câmara F i g u e i r ê d o ( p r e s i d e n t e ) A l f r e d o K i n g o Oyama Homma O i l s o n A u g u s t o Capucho F r a z ã o E r n e s t o Maués da S e r r a F r e i r e L u c i a n o C a r l o s T a v a r e s Marques M i g u e l Simão N e t o O l i n t o Gomes da Rocha N e t o ( V i c e - p r e s i d e n t e ) W a l m i r S a l l e s C o u t o Á r e a de P u b l i c a ç õ e s C é l i o F r a n c i s c o Marques de Me10 - C o o r d e n a d o r C é l i a M a r i a L o p e s P e r e i r a-
N o r m a l i z a ç ã o R u t h de F á t i m a R e n d e i r o P a l h e t a - R e v i s ã o g r a m a t i c a l F r a n c i s c o de A s s i s Sarnpaio de F r e i t a s-
D a t i l o g r a f i aMULLER, C.H.; FIGUEIRÊDO, F.J.C.; MULLER, N.R.M. Armazenamento de sementes de mangostão. Belém: EMBRAPA-CPATU, 1991. 15p. (EMBRAPA-CPATU. C i r c u l a r T é c n i c a , 5 8 ) . 1. M a n g o s t ã o - Semente - Armazenamento. I. F i g u e i r ê d o , F.J. C. c o l a b . 11. M ü l l e r , N.R.M. c o l a b . 111. EMBRAPA. C e n t r o de Pes- q u i s a A g r o p e c u á r i a do T r ó p i c o Úmido (Belém, PR). I V . T í t u l o . V. S é r i e . CDD: 634.65521
@
EMBRAPA - 1 9 9 1R e v i s o r e s t é c n i c o s :
.
J o s é Edmar U r a n o de C a r v a l h o-
ERBRAPA-CPATUC a r l o s Hans MLillerl F r a n c i s c o JosC Câmara ~ i ~ u e i r ê d o l
N i n a R o s á r i a M a r a d e i I 4 t i l l e r 2
O mangostãozeiro (Garcinia mangostana
L.),
espécie Guttiferae,
é
uma árvore de porte médio a alto,
que pode atingir até 25 m de altura.
É
nativa da Malá-
sia e tem o cultivo restrito devido a suaexigênciacli-
mática, onde as temperaturas abaixo de 50C ou acima de
380C lhes são letais (Cox 1976). A cultura requer mais
de 1.270
mm
de precipitação anual bemdistribuídos,sen-
do que o ideal seria cultivá-la sob temperatura entre
25OC e 35OC e com umidade relativa acima de
80%
(Cox
1976, Achmad et al. 1983).
As condições climáticas de algumas zonasfi-
siográficas da Amazônia brasileira sãoadequadas
aocres-
cimento do mangostãozeiro. O seu cultivo está distri-
buído em alguns países na África tropical, Ásia, Améri-
ca Central, América do Sul eAustrália(Nationa1
...
1975,
Cox 1976, Achmad et al. 1983, Muller et al. 1989).
O
fruto, devido ao sabor e aroma de sua polpa,
é
conside-
rado como a melhor fruta do mundo, daí a denominação de
"néctar dos deuses".
Agr. H.Sc. EMBRAPA-CPATU. C a i x a P o s t a l 48. CEP 66001. B e l C n , PA. 'Eng. Agr. EMBRAPA-CPATU.
O
c u r t o p e r í o d o de v i a b i l i d a d e d a s sementes
de mangostão
é
c o n s i d e r a d o p r e j u d i c i a l
ã
propagação e
d i s p e r s ã o d e s s a e s p é c i e ( W i n t e r s
&Rodriguez-Colon1953).
Cox (1976) também r e f e r e - s e
à
c u r t a v i a b i l i d a d e d a s se-
mentes de nar.gostão e a f i r m a que a s b a i x a s t a x a s d e g e r -
minação e s t ã o também r e l a c i o n a d a s com
opeso d a s semen-
t e s , sendo que p a r a a propagação por v i a s e m i n í f e r a de-
vem s e r u t i l i z a d a s a q u e l a s com peso s u p e r i o r aumgrama.
De acordo com Vaz ( 1 9 6 3 ) , a s s e m e n t e s deman-
g o s t ã o s ã o de origem apomítica e quando s ã o armazenadas
após e x t r a í d a s dos f r u t o s , mesmo p a r a c u r t o s p e r í o d o s ,
têm a germinação d r a s t i c a m e n t e r e d u z i d a .
Segundo Cox
(19761, a s sementes quando conservadas nos f r u t o s man-
têm-se por t r ê s a c i n c o semanas sob c o n d i ç õ e s de ambl-
e n t e n a t u r a l .
A s
sementes de mangostão, sem a p o l p a ,
s ã o
r e v e s t i d a s por uma membrana que a s preservam do proces-
s o de d e s s e c a ç ã o (Cox 1 9 7 6 ) . A p e r d a de umidade tem
si-
do mencionada como r e s p o n s á v e l p e l a redução
da
v i a b i l i -
dade de sementes de muitas e s p é c i e s de origem t r o p i c a l .
E n t r e e s s a s podem s e r mencionadas a s decastanha-do-bra-
si1 ( F i g u e i r ê d o e t a l . 1 9 9 0 ) ; guaraná (Carvalho e t a l .
1 9 8 2 ) ; cacau (Carvalho
&Nakagawa 1 9 8 8 ) ; c i t r o s , s e r i n -
g u e i r a e dendê (Goedert
&Wetzel 1 9 7 9 ) . Alguns
a u t o r e s
como R o b e r t s (1973) e Roberts
&King (19801, c l a s s i f i -
caram como r e c a l c i t r a n t e s a s sementes que não podem t e r
a s u a umidade r e d u z i d a a n í v e i s t a i s que possam
t o r n á -
- l a s i n v i á v e i s p a r a f i n s de semeadura.
O
o b j e t i v o d e s s e t r a b a l h o f o i o d e v e r i f i c a r
a v i a b i l i d a d e das sementesdemangostão,conservadas den-
t r o e f o r a do f r u t o , sob a s condições t r o p i c a i s úmidas
de Belém-PA.
P a r a a condução d e s s e experimento
s e l e c i o -
naram-se f r u t o s grandes produzidos na quadra c u l t i v a d a
na b a s e f í s i c a do
C e n t r o d e P e s q u i s a A g r o p e c u á r i a d o Tró-
p i c o Úmido
-
CPATU, em Belém, Estado do P a r á ,
seguindo
a s recomendações de Muller e t a l . ( 1 9 8 9 ) .
O
c u l t i v o es-
tá sob condição de clima Afi, com precipitação média
anual de 3.041 mm, temperatura média de 26,50C e umida-
de relativa sempre superior a 70%.
Os frutos selecionados foram divididos
em
dois lotes. Em um deles efetuou-se a extração dassemen-
tes, enquanto o outro foi separado em sublotes que re-
presentaram os tratamentos em que as sementes
foramcon-
servadas nos próprios frutos.
No processo de extração, a polpa das semen-
tes foi removida sob fluxo constantedeáguapotável,
sem
contudo remover a membrana de proteção. Posteriormente,
as sementes foram imersas por dez minutos em solução de
benomyl a 0.1%. seguindo-se de secagem ao sol por qua-
tro horas.
As sementes foram acondicionadas em sacos
plásticos, mantidos sob condições de ambiente natural.
Os frutos também foram Conservados nesse mesmo tipo de
embalagem, só que permaneceu aberta e estocada em local
bem arejado.
O período de estocagem prolongou-se por até
35 dias, sendo que as oito amostragens de sementes
(FF)
ou de frutos(NF) foram realizadas a cada cinco dias, a
partir do início do armazenamento. Quando das amostra-
gens relativas
à
armazenagem de frutos, apreparaçãodas
sementes obedeceu todo o processo descrito anteriormen-
te.
As sementes utilizadas nesse estudo tinham
peso igual ou superior a um grama, conforme recomendam
Cox (1976) e Muller et al. (1980).
Os efeitos dos tratamentos colocados emcom-
petição, FFx e NFx, foram avaliados pela percentagem e
pela velocidade de emergência das sementes, sendo que
representa as amostragens aos zero, cinco, dez, quinze,
20,
25,
30 e 35 dias de armazenamento.
Como emergidas foram consideradas todas as
sementes que pr.oduziram plântulas com todas as suas es-
truturas bem diferenciadas e com desenvolvimentonormal.
A
contagem de emergência foi realizada acadacincodias,
após a data da semeadura, e prolongou-se até
70
dias.
No estabelecimento da velocidade deemergên-
cia considerou-se as mesmas épocas
definidas
paraacon-
tagem de percentagem de emergência. Os valores foramde-
terminados com base na fórmula de Maguire (1962). onde
-IVE
=-
Nx
+
Nx
1
+
....
+
-
N X ~
DY
DY
+
5
D v + n '
sendo Nx igual ao
número de plântulas normais e Dy o inverso do número de
dias após a semeadura.
A
semeadura foi feita em substrato consti-
tuído da mistura volumétrica de areia lavada e de ser-
ragem curtida na proporção de 1:l. As sementeiras foram
mantidas sob condições de viveiro e as regas foram rea-
lizadas de modo a manter o substrato úmido, mas sem en-
ct arcarne~t-.
Foram semeadas 20 sementes por parcela eos
tratamentos foram distribuídos de formainteiramenteca-
sualizada, em esquema fatorial 2 x 8,
com três repeti-
ções. Os riados expressos em percentagem foram transfor-
mados em valores do arco seno V%/100, conforme a tabela
de Bliss (Snedecor 1966). Os resultados foramsubmetidos
à
análise da variância e a comparação de médias foifei-
ta pelo teste de Tukey a5%deprobabilidade (Gomes1970).
Com base na análise da variância,
atravésdo
teste F, observou-se que houve diferença significativa
entre os tratamentos, ao nível de 5% de probabilidade,
para todas as variáveis de respostas consideradas. Os
coeficientes de variação foram de 15,25% e 23,40%, para
percentagem e índice de velocidade de emergência, res-
pectivamente.
Os resultados de percentagem de emergência
de sementes de mangostão, armazenadas sob condições de
ambiente natural, estão discriminadas na Tabela 1.
De acordo
com as
médias obtidas observou-se que
o período de estocagem, bem como as formas de armazena-
mento dentro ou fora do fruto, não provocaram perdas
significativas na percentagem de emergência de sementes
de mangostão. Por outro lado,o~ando
comparou-se0 efeito
TAüELA
1
-
Percentagem de emergência de sementes de mangostão, proveniente de armaze-
namento dentro ou fora do fruto,em Belém-PA.
Período
b a l i a 5 D
m
a
A
69,9
A 83.4
-
*Em cada linha, médias precedidas das mesmas letras maiúsculas, e em cada coluna, mé-
dias seguidas por letras minúsculas iguais, não diferem significativamente entre si
pelo teste de Tukey, ao nível de
5%
de probabilidade.
do período de armazenagem em cada u m a das formas de es-
tocagem das sementes, apenas verificou-se diferença
significativa quando a conservação foi feita no próprio
fruto e à
medida em que foi retardado o beneficiamento.
O período máximo de armazenamento, sob con-
dições tropicais úmidas de Belém-PA, não provocou danos
à
qualidade fisiológica das sementes de mangostão. Es-
ses resultados não estão de acordo com aqueles alcança-
dos por Winters
&Rodriguez-Colon (1953)
quando
foram
registradas perdas de percentagem de germinação em to-
dos os tratamentos de armazenagem considerados.
O armazenamento das sementes no frutooufo-
ra desses, após o beneficiamento, também foi de encon-
tro às observações de Cox (1976). As sementes demangos-
tão são melhor preservadas, por períodos de três a cin-
co semanas, nos próprios frutossecomparadas comaquelas
já extraídas das bagas (Cox 1976).
A
maior média regis-
trada para o armazenamento de sementes, emrelaçãoàque-
las nos frutos, pode ter sido decorrente de um provável
processo de deterioração manifestado pela fermentação
da polpa que envolve a semente.
A melhor performance das sementes armazena-
das e acondicionadas em sacos plásticos, pode ser atri-
buída à
embalagem que impediu perdas de vapord'águapa-
ra o ambiente. Segundo Winters
&
Rodriguez-Colon (1953)
e Cox (1976),
a desidratação das sementes de mangostão
provoca danos expressivos na germinação.
Na Fig. 1 estão representadas as curvas de
emergência de sementes de mangostão conservadas no fru-
to e em sacos plásticos, até 7 0 dias após a semeadura.
Observa-se que o pico máximo de emergência
ocorreu após 35 dias da semeadura, sendo que, para es-
tudos experimentais, pode ser definido o máximo de 50
dias para a duração dos testes, uma vez que os acrésci-
mos de percentagem após aquele período foram de pouca
expressão.
Os dados relativos ao índice de velocidade
de emergência de sementes de mangostão são apresentados
na Tabela
2.
FH6. 1
- C u r v a s de e m e r g ê n c i a d e s e m e n t e s d e m a n g o s t ã o c o n s e r v a d a s d e n t r o d o f r u t o ( N F ) o u f o r a d o f r u t o ( F F ) , em s a c o p l á s t i c o , sob c o n d i ~ ó e s t r o p i c a i s ú m i d a s d e Belém-PA.TABELA
2
-
Índice de velocidade de emergência de sementes de mangostão, provenientes
de armazenamento dentro ou fora do fruto, em Belém-PA.
Média
*
Em cada linha, médias precedidas das mesmas letras maiúsculas, e em cada coluna, m e
dias seguidas por letras minúsculas iguais, não diferiram estatisticamente entre si
pelo teste de Tukey, a
5%
de probabilidade.
O vigor de sementes de mangostão, avaliado
pelo índice de velocidade de emergência, diferentemen-
te do que ocorreu com a percentagem de emergência, foi
afetado pelo período de armazenamento, o que determinou
diferença significativa entre as médias após o décimo
dia de estocagem e aquela observada no início da arma-
zenagem. Fato semelhante ocorreu quando foramcomparadas
as médias relativas às formas de armazenamento, quando
as sementes conservadas nos frutos foramestatisticamen-
te inferiores àquelas acondicionadas em saco plástico.
O
efeito do armazenamento na redução do vi-
gor ficou bem evidenciado quando as sementes de mangos-
tão foram conservadas nos frutos, onde cinco dias dear-
mazenagem foram suficientes para provocar reduções sig-
nificativas na veloctdade de emergência, sendo que essa
tendência não ficou bem caracterizada quando as semen-
tes foram acondicionadas em saco plástico.
O efeito da maneira de armazenamento, den-
tro de cada período de estocagem, ficou bem caracteri-
zado a partir do 2 0 U i a de armazenagem, quando as se-
mentes acondicionadas em saco plástico tiveram índices
de velocidade de emergência que foram significativamen-
te superiores àquelas conservadas dentro dos próprios
frutos.
Essas distorções verificadas na comparação
dos resultados de percentagem de emergência e índice de
velocidade de emergência são explicadas pela afirmativa
de Popinigis
(1977),
em que o teste de vigorpodedetec-
tar as modificações prejudiciais e mais sutis,resultaii-
tes do avanço da deterioração, não reveladas pelotes-
te de germinação.
Os resultados com o armazenamento de frutos
e sementes de mangostão,sob condições tropicais úmidas,
possibilitaram o .estabelecimento das seguintes conclu-
sões:
-
As sementes podem ser armazenadas por pe-
ríodos de até 35 dias, acondicionadas
em
sacos plásti-
cos, sem que ocorram danos
à
qualidade fisiológica,ava-
liada pela emergência e vigor;
-
A
conservaçãodas sementesnos frutos só de-
ve ser adotada por períodos inferiores a
20
dias, prin-
cipalmente devido
à
redução do vigor;
-
A
extração das sementes dos frutos, pre-
ferentemente, deve ser realizada imediatamente após a
colheita, seguindo-se da semeadura.
ACHMAD, S.; MOHAMED, Z.A.; TECK, C.S.; HAMID.
W.;
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