RELATÓRIO FINAL
MESTRADO INTEGRADO EM MEDICINA
FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS – UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
Orientador: Professor José Guimarães
Aluno: Afonso Emídio Morgan Costa Moura Pinheiro Nº de aluno: 2011334
6º Ano I Turma: 5 Ano letivo: 2016/2017
Índice 1 Introdução...3 1.1 Introdução...3 1.2 Objetivos...3 2 Atividades desenvolvidas 2.1 Estágio parcelar de MGF ...4
2.2 Estágio parcelar de Saúde Mental...4
2.3 Estágio parcelar de Pediatria...5
2.4 Estágio parcelar de Ginecologia e Obstetrícia...6
2.5 Estágio parcelar de Medicina Interna...7
2.6 Estágio parcelar de Cirurgia Geral...8
3 Análise crítica ...9
Parte 1 - Introdução 1.1 Introdução
O Estágio Profissionalizante do sexto ano do Mestrado Integrado em Medicina encontra-se organizado em 6 estágios parcelares: Medicina Interna e Cirurgia Geral que cumpri durante 8 semanas em Portugal, bem como estágios de Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Saúde Mental e Medicina Geral Familiar com quatro semanas de duração, os quais completei em Madrid. Em Espanha, cumpri também a UC de Patologia Médica III e Medicina Preventiva com consequente equivalência à UC de PPC e estágio opcional.
Este relatório divide-se em três partes: 1) Introdução e Objetivos, 2) Descrição sumária das atividades desenvolvidas em cada um dos estágios parcelares e 3) Análise critica. Findas estas três partes, encontram-se os elementos valorativos.
1.2. Objetivos
Cada um dos estágios parcelares apresentou desafios específicos. Este ano, defini algumas metas que uniam tanto os objetivos pessoais como específicos:
1. Contactar com patologias médicas e/ou cirúrgicas muito frequentes na criança e/ou adulto;
2. Aperfeiçoar a capacidade de formular e confirmar ou excluir hipóteses de diagnóstico, a partir das quais se pode implementar um plano terapêutico racional e apropriado;
3. Desenvolver a confiança, autonomia, bem como a técnica para realizar os gestos médicos; 4. Aumentar a capacidade de hierarquizar e atuar nas situações emergentes e urgentes no
SU, que requerem tratamento de suporte imediato e/ou transferência para especialidades; 5. Participar no ambiente e na rotina da enfermaria, realizando em equipa e autonomamente
os procedimentos diários de abordagem do doente internado;
6. Aprimorar a comunicação e a relação médico-doente, médico-família e médico-equipa. 7. Dominar o conhecimento dos conceitos de prevenção da doença e promoção de saúde em
Parte 2 - Atividades Desenvolvidas
2.1 Estágio parcelar de Medicina Geral e Familiar
Este foi um estágio de quatro semanas desenvolvido no CS Martínez de La Riva (Madrid) sob a tutoria da Dra. Filomena Buenestado Gañan.
Na consulta externa, atividade mais importante, contactei com uma enorme diversidade de pacientes desde jovens a idosos, de diferentes contextos sociais, biomédicos, pessoais e familiares. O Centro de Saúde estava localizado numa zona carenciada de Madrid, pelo que constatei a importância de adaptar a terapêutica à situação económica do doente.
Assisti à consulta de adultos, consulta de diabetes, de saúde infantil, de saúde materna e de planeamento familiar. Realizei o exame objetivo na maioria das consultas e tive oportunidade de liderar algumas consultas e propor um plano terapêutico.
Acompanhei as consultas de enfermagem e participei nas sessões clinicas semanais que se debruçavam sobre um artigo atual relacionado com os Cuidados de Saúde Primários. A atividade que mais me marcou foi a consulta no domicílio, na qual contactei pela primeira vez com a realidade da hospitalização domiciliária.
Considero que foi também muito importante, para sedimentar alguns conceitos relativos à prevenção de doença e promoção de saúde e ao modelo holístico da doença, assim como para aprender a gerir o doente idoso, polimedicado com multimorbilidade e com poucos recursos financeiros.
2.2 Estágio parcelar de Saúde Mental
Neste estágio, acompanhei o Dr. Carlos de Lacosta no serviço de pedopsiquiatria do Hospital Gregório Marañon (Madrid).
Apesar das características da especialidade não permitirem uma participação ativa, senti que desenvolvi: 1) a capacidade de identificar sintomas de perturbação psiquiátrica aquando da colheita da anamnese; 2) as ferramentas para uma relação médico-doente frutífera e 3) a capacidade para realizar uma correta avaliação biopsicossocial.
Na enfermaria, acompanhei a avaliação diária dos doentes, estive nas refeições dos doentes, bem como em atividades lúdico-formativas. Semanalmente, às terças-feiras de manhã, era apresentado um trabalho sobre uma patologia pedopsiquiátrica.
Além da enfermaria, participei nas consultas externas e no Hospital de Dia onde eram acompanhados doentes no pós-internamento e, por ser a subespecialidade do meu tutor, doentes com patologia do espectro do autismo. Com estes doentes, desenvolvi a capacidade de fazer a avaliação funcional do doente.
Este estágio foi uma enorme oportunidade de contactar pela primeira vez com um grupo de doentes com características muito especiais: o doente pediátrico com patologia psiquiátrica. Acredito que foi, por isso uma experiência de enorme valor na minha formação médica e que me fez passar a olhar de forma diferente, mais curiosa e atenta, de forma a identificar doentes em situações individuais e sociais com risco aumentado de psicopatologia.
2.3 Estágio parcelar de Pediatria
O estágio parcelar de Pediatria durou quatro semanas e decorreu no Hospital Gregório Marañon (Madrid) sob a tutoria da Dra. Jimena Perez Moreno.
Neste período, as atividades da enfermaria foram fundamentais. Colaborei ativamente na visita diária aos doentes, na realização de notas de entrada e de alta e do diário clínico e fiz frequentemente a anamnese e o exame objetivo pediátrico. Semanalmente, participei na
reunião de serviço para discutir os casos mais raros e desafiantes. Aproveitei também a oportunidade de ajudar no ‘Colégio’: local na enfermaria onde os doentes compensavam as faltas escolares e realizavam os trabalhos de casa e/ou sedimentavam conceitos.
Na consulta externa de pediatria geral e de pneumologia pediátrica, eram avaliados casos muito diversificados. A maioria dos pacientes eram avaliados em consulta de rotina, no entanto, por ser a subespecialidade da minha tutora, pude contactar mais de perto com a patologia pneumológica, particularmente asma alérgica.
Ainda neste estágio, estive no SU onde relembrei o diagnóstico diferencial e tratamento das principais patologias agudas pediátricas. O SU foi também muito importante na medida em que discutia com o meu tutor todos os exames complementares de diagnóstico pedidos. Este estágio foi ainda fundamental, pois evidenciou as diferenças entre adultos e crianças em dois aspetos: 1) epidemiologia das patologias na criança e 2) a forma diferente de avaliar, sentir e viver a doença.
2.4 Estágio parcelar de Ginecologia e Obstetrícia
O estágio de Ginecologia e Obstetrícia decorreu durante quatro semanas no Hospital Gregório Marañon (Madrid), onde acompanhei o Dr. Vicandi. Este foi um estágio muito completo, na medida em que passei por muitas vertentes funcionais da especialidade.
Durante a maioria do tempo, colaborei no puerpério e no internamento, onde fiz notas de alta, colheita de história clinica, exame objetivo ginecológico e mamário e deteção de sintomas de alarme. Participei diariamente na reunião de passagem de banco e semanalmente na reunião de serviço. Estas reuniões foram sem dúvida fundamentais para conhecer um grande número de patologias.
Durante as quatro semanas, passei ainda pelo Bloco de Partos onde aprendi a reconhecer sinais e sintomas de trabalho de parto e observei partos eutócicos, bem como partos distócicos e por cesariana.
Tive a oportunidade de estar na consulta externa de ginecologia e de obstetrícia. Nas primeiras observei vários casos de alterações menstruais e infecções ginecológicas e nas de obstetrícia sedimentei os conhecimentos relativos à vigilância da gravidez, bem como com a importância da prevenção de doença neste grupo de pacientes.
O SU foi também um local de enorme aprendizagem onde contactei com diversos casos. Neste serviço, desenvolvi a capacidade de analisar Ecografia.
No último dia de estágio, apresentei um caso clinico: “Caso Clinico – Masa anexial derecha” e um trabalho: “Hemorragias Uterinas Disfuncionales”
2.5 Estágio parcelar de Medicina Interna
Durante as oito semanas do estágio parcelar de Medicina Interna, estive no Hospital de Egas Moniz no serviço de Medicina Ib, onde integrei a equipa da Drª Rita Reis.
Dediquei grande parte do tempo ao trabalho na Enfermaria, que se afirma como um espaço ímpar de aprendizagem e formação. Participei ativamente e com maior autonomia na observação diária de doentes e realização de diário clínico, assim como na tomada de decisões. Foi sem dúvida o estágio no qual me senti mais autónomo e em que desenvolvi mais evidentemente as capacidades de observação e seguimento do doente internado. Além do acompanhamento diário, fiz notas de entrada, notas de alta e pedidos de observação.
Em termos de atividades, o meu plano semanal na enfermaria, para além da atividade com a equipa, foi:
Na última semana, apresentei um trabalho sobre “Doenças Inflamatórias Intestinais” e assisti à apresentação dos restantes trabalhos de alunos do 6º ano. Ainda no Hospital Egas
Quarta-feira - 11h00 Visita médica
Quinta-feira - 11h00 Discussão de caso
Sexta-feira - 9h00 Reunião de notas de alta
Moniz, participei semanalmente nas consultas externas de Medicina Interna e nos Journal Club.
Durante o estágio, estive semanalmente no Serviço de Urgência do Hospital São Francisco Xavier onde passei pelo SO, balcão de consulta e reanimação. Expandi as capacidades de hierarquização e identificação de situações emergente e/ou com necessidade de avaliação por outras especialidades.
Em termos formativos, este estágio teve uma componente teórico-prática, através dos seminários lecionados na FCM.
2.6 Estágio parcelar de Cirurgia Geral
O estágio de oito semanas de Cirurgia Geral ocorre no HBA, HCIS e no CCB.
Na primeira semana, estive presente nas sessões teórico-práticas lecionadas no Hospital Beatriz Ângelo onde se abordaram diferentes temas não só fundamentais do ponto de vista cirúrgica pelo contacto com a linguagem e terminologia cirurgica, como também importantes do ponto de vista médico e pessoal.
Entre a segunda e a oitava semana, estive no Hospital CUF Infante Santo, sob a tutoria do Dr. Nelson Silva. Este estágio tinha como objetivos majores o reconhecimento das patologias cirúrgicas mais comuns e a adequação dos métodos diagnósticos e terapêuticos às mesmas. No hospital, o estágio foi divido entre atividades no Bloco Operatório, Enfermaria, Atendimento Permanente e Consulta Externa. Destaco deste estágio o primeiro contacto com a cirurgia robótica e a participação em algumas cirurgias, principalmente pequenas cirurgias.
Durante parte da sétima semana, estive presente no congresso Leaping Forward On Oncology organizado pelo Grupo Luz Saúde no Centro Cultural de Belém. Uma oportunidade única para reconhecer a importância da inovação e investigação na área da oncologia.
Finalmente, no último dia de estágio, apresentei o trabalho: “Meter o Rossio na rua da Betesga...” e ouvi as restantes apresentações no minicongresso que se realizou no HBA.
Parte 3 - Análise critica
Durante este ano, acredito ter lutado pela concretização dos objetivos altos a que, conscientemente, me propus. A aquisição de autonomia, ainda que maior em alguns estágios como Medicina Interna, foi-se tornando evidente ao longo do ano e senti-me cada vez mais capaz de acompanhar os doentes, de colocar e discutir hipóteses diagnósticas, de propor métodos complementares de diagnóstico e opções terapêuticas. Apesar disso, a aquisição de autonomia não foi tão evidente em todas os estágios, como Cirurgia Geral e Psiquiatria, que acredito estar relacionada com a importância da experiência nestas especialidades.
Procurei em todos os estágios contactar com as patologias mais frequentes e tirar todas as dúvidas sobre estes casos. A disponibilidade para me esclarecer é um ponto positivo do estágio profissionalizante favorecida pela relação tutor/aluno de um para um. Em nenhum dos casos deixava de ponderar outras hipóteses diagnósticas e procurava sempre pensar num plano terapêutico antes de conhecer o conselho do médico.
O constante contacto com o SU em todas as especialidades, exceto MGF, foi um ponto fundamental para mim e ajudou-me a aumentar a capacidade de hierarquizar e atuar nas situações emergentes e urgentes no SU. Avalio como aspeto negativo, o pouco tempo que estive no SU e o facto de a maioria deste tempo ser durante a tarde/noite. Considero que seria uma excelente fonte de aprendizagem, a integração de uma equipa fixa da urgência durante uma semana.
O tempo passado nas enfermarias, principalmente em Medicina Interna, onde o longo período de estágio levou a um maior enraizamento na equipa, permitiu incrementar as capacidades de acompanhamento do doente internado e de despiste de situações frequentes que podem ocorrer neste período como: infeções nosocomiais, síndrome confusional agudo...
A enfermaria e a consulta externa foram os locais onde desenvolvi mais a técnica de exame objetivo e destaco como positiva a possibilidade de ter feito exame objetivo da “cabeça aos pés”. A falta de possibilidade de participar na colheita de história clinica nas consultas foi
um aspeto menos positivo e acredito estar relacionado com o facto de não sentir abertura dos médicos e, por isso, não me sentir confortável em pedir.
Na consulta externa e no internamento, concretizei de forma mais clara o grande objetivo de aumentar as minhas capacidades interpessoais não só com o doente, mas também com a sua família e com a equipa. Tendo em conta que queria aumentar o conhecimento na área da prevenção e promoção de saúde, tenho de destacar positivamente o papel do estágio de MGF neste ano para a minha formação médica.
Cada estágio teve uma importância particular para mim: em medicina interna tive a oportunidade de trabalhar autonomamente, em cirurgia geral fiquei fascinado pelo impacto da inovação nos cuidados de saúde, em psiquiatria contactei pela primeira vez com a pedopsiquiatria, em Ginecologia e Obstetrícia impressionou-me a rapidez com que se tem de tomar decisões no SU nas grávidas, em MGF reconheci o papel terapêutico de uma relação médico-doente estável e duradoura e em pediatria percebi como a forma de viver a doença é completamente diferente das crianças.
Relativamente ao meu período de Erasmus em Madrid, considero-o uma mais-valia ímpar em termos pessoais e profissionais. A possibilidade de ter estagiado fora ofereceu-me a experiência de trabalhar num contexto internacional, noutra língua e num país muito semelhante ao nosso, mas com uma relação entre pares e um método de trabalho diferentes. Esta foi uma oportunidade para desenvolver não só capacidades de trabalho e competências médicas, como também falar outras línguas, conhecer novas culturas e contactar com pessoas dos mais variados contextos, aptidões que certamente me serão úteis no futuro.
Em suma foi um ano fulcral na minha aprendizagem e gostava de terminar agradecendo a todos os médicos e pessoas que me acompanharam ao longo deste e dos restantes 5 anos. Foram seis anos de esforço e dedicação, mas sobretudo seis anos de alegrias e de conquistas que serão a rampa de lançamento para o meu futuro.
4. Elementos Valorativos
Elemento Valorativo 1: Certificado de Participação no Congresso Leaping Forward in Oncology
Elemento Valorativo 2: Certificado de Monitor de Anatomia e Fundamentos de Neurociências Elemento valorativo 3: Trabalhos realizados no contexto do Estágio profissionalizante.
Elemento Valorativo 4: Transcript of records de Erasmus.
Elemento valorativo 5: Certificado de participação no projeto Missão País Elemento valorativo 6: Certificado de chefe nacional da Missão País
Elemento Valorativo 1: Certificado de Participação no Congresso Leaping Forward in Oncology
Elemento Valorativo 2: Certificado de Monitor de Anatomia e Fundamentos de Neurociências
Elemento Valorativo 3: Trabalhos realizados no contexto do Estágio profissionalizante.
Estágio Tema
Ginecologia Caso Clinico – Masa anexial derecha
Ginecologia Hemorragias Uterinas Disfuncionales
Medicina Interna Doença Inflamatório Intestinal
Cirurgia Geral Meter o Rossio na rua da Betesga