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Editorial
O Pensamento do Dr. Wilhelm Ameke e a Homeopatia, nos finais do Séc. XIX.
Herpes-Gastreu
®R68 e Intercostal-Gastreu
®R69 – Teoria e Prática
From Abroad: A Homeopatia no Paquistão
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Revisão bibliográfica
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From Abroad: A Homeopatia no Paquistão 16 Revisão bibliográfica ... 18 News ... 19
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Impressões
Conteúdo
Estimados leitores do Jornal Reckeweg: Na primeira edição do Jornal Re-ckeweg, publicada em 2007, foram apresentadas quatro “ramificações” da homeopatia de Hahnemann. Nesta edição vamos novamente abordar duas delas, ainda que de um modo indirecto.
Uma dessas duas ramificações é da autoria do médi-co Wilhelm Heinrich Schuessler. Neste jornal vamos apresentar um colega de Schuessler, seu contemporâ-neo, que tal como aquele tenta reconciliar o conhe-cimento académico aprendido na universidade com a homeopatia da época. Trata-se do médico Wilhelm Ameke. Tanto Ameke como Schuessler se dedicaram ao estudo das substâncias presentes no corpo huma-no e à pesquisa do potencial terapêutico destas subs-tâncias. Na edição acima referida descrevemos o po-tencial terapêutico atribuído aos sais, por Schuessler, no método bioquímico por ele desenvolvido.
Ameke desenvolveu uma abordagem diferente e pa-rece ter sido bem sucedido após anos de pesquisa. Na definição dos princípios condutores do seu trabalho afirma que procura substâncias endógenas potencial-mente úteis como remédios. Neste sentido, a sua bus-ca é idêntibus-ca à de Schuessler. No entanto, Ameke vai mais além do que Schuessler e sugere que as substân-cias cuja eliminação aumenta durante a doença têm efeitos terapêuticos, influenciando-a positivamente. Esta ideia teve como base a observação empírica de que usando a ureia para tratar condições febris se obtinham resultados positivos. Alguns dos remédios homeopáticos descobertos por Ameke, como por exemplo o Cholesterinum, fazem actualmente parte do inventário farmacêutico homeopático. Nesta edi-ção, vamos apresentar as ideias principais de Ameke sobre as origens e a validação dos seus remédios, pu-blicadas num tratado de 50 páginas.
Para além disto, Ameke está também associado à Ho-meopatia pela recolha de informação, durante anos e anos, sobre a história da Homeopatia e os conflitos de que esta foi alvo. Baseado nesta recolha, Ameke
escreveu um livro que ele próprio qualificou como “uma arma forjada para a defesa da Homeopatia”. No fundo, Ameke limita-se a aplicar um único “truque”. Ele apresenta os argumentos dos opositores da home-opatia, por vezes citando-os literalmente, mostrando que uma boa parte desses argumentos é polémica: na história da homeopatia existiam factos que claramen-te contradiziam os argumentos apresentados pelos opositores da homeopatia.
A segunda “ramificação” da Homeopatia que vamos abordar é representada por Johann Martin Honigber-ger, um “cidadão do mundo” estreitamente relacio-nado com a história da homeopatia na Índia. Essa li-gação é feita pelo Dr. Col. Iqbal Shahin, do Paquistão, num artigo sobre a homeopatia no seu país. Trata-se do primeiro artigo dentro da nova rubrica “Interna-cional” anunciada na edição anterior e é o primeiro passo na evolução do formato tradicional do Jornal Reckeweg.
Mas há ainda uma outra diferença. Nesta edição não vamos apresentar nenhum estudo quantitativo (estatístico) de um medicamento Dr. Reckeweg. Em vez disso apresentamos detalhadamente um “estudo de caso”. Este estudo de caso é da autoria de vários médicos e foi publicado na conceituada revista “Der Schmerz”.
A revisão bibliográfica desta edição centra-se na in-vestigação em homeopatia. Ao longo de nove capí-tulos, vários autores discutem estratégias de pesquisa na medicina complementar. São autores bem conhe-cidos na comunidade científica internacional ligada à medicina complementar e alternativa. Ilustram os fundamentos e as particularidades da medicina base-ada em evidências, na perspectiva da medicina plementar. O livro tem como objectivo tornar com-preensíveis os métodos qualitativos e quantitativos da investigação clínica, com vista à sua aplicação na medicina não convencional.
Editorial
Otto WeingärtnerNome Dr. Otto Weingärtner
Direcção Pharm. Fabrik Dr. Reckeweg & Co. GmbH Berliner Ring 32 - D-64625 Bensheim País Deutschland
Telefone +49 (6251) 1097245 Fax +49 (6251) 1097227 E-Mail [email protected]
Introdução
“... A nossa literatura regista pouca dinâmica no que diz respeito à procura de novos remédios. Pare-ce também que os meus colegas não esperam que a pesquisa relacionada com o princípio da similitude possa conduzir a resultados práticos úteis. Pergunto-me se outras pessoas tiveram a Pergunto-mesma experiência... Schuessler parece ter contribuido mais para o nosso inventário de remédios homeopáticos que todos os estudos sobre os remédios homeopáticos dos últi-mos quarenta anos juntos e nem se preocupava com o S.S.1. Pareceu-me mesmo um pouco arbitrário o
modo como apresenta a sua utilização da R.A.M.L.2
para determinar o âmbito da acção dos seus doze remédios. No entanto, nem mesmo Schuessler com os seus doze remédios preenche as lacunas da nossa A.M.L.3, ainda que as suas descobertas sejam
indubi-tavelmente meritórias e, na minha opinião, ainda não tenham sido adequadamente reconhecidas.”
Assim escreveu o médico Wilhelm Ameke en 1882, isto é, cerca de um século depois da primeira publi-cação de Hahnemann sobre os Fundamentos da Ho-meopatia ([ 6]), num artigo da revista da Associação Berlinense de Médicos Homeopáticos (ver [ 1]). Quem era Wilhelm Ameke? Era ele um reformador da homeopatia pos-Hahnemann? Quereria ele inte-grar na Homeopatia os novos conhecimentos sobre fisiologia, adquiridos ao longo dos cem anos poste-riores à publicação de Hahnemann?
Uma resposta poderá ser surpreendente para muitas pessoas. Ameke é conhecido essencialmente como o autor da primeira história da homeopatia (ver [ 2]). É muito menos conhecido pelo seu contributo para o inventário de substâncias homeopáticas, ou seja, pe-las suas potências homeopáticas de substâncias en-dógenas do corpo humano. As descobertas de Ameke permanecem virtualmente não reconhecidas, mas 1 S.S. = Similia similibus curentur, expressão latina do princípio da simili-tude.
2 R.A.M.L. = Reine Arzneimittellehre (Materia Médica Pura), é o título do trabalho fundamental de Hahnemann.
3 A.M.L. = Arzneimittellehre (Materia Médica).
uma investigação profunda da origem de remédios como a ureia, xantina, ácido hipúrico, colesterol ou ácido láctico, conduz-nos à sua origem que é, efec-tivamente, Ameke.
Biografia
Wilhelm Ameke nasceu em 1847, na localidade de Menden, Vestefália (Alemanha), filho de pai médico (ver [ 8]). A partir de 1865, depois de concluir o liceu, es-tudou medicina nas uni-versidades de Würzburg, Bonn, Marburg e Halle (todas na Alemanha). Foi aluno de Albert von Kölliker4 e de Richard
von Volkmann5.
En 1869, Ameke graduou-se em medicina na univer-sidade de Halle, tendo apresentado a sua tese sobre o tratamento de aneurismas mediante a flexão em ângulo-agudo dos membros («Über Behandlung der Aneurysmen durch spitzwinklige Flexion der Glie-der»). Durante a guerra entre a Alemanha e a França, de 1870 a 1871, prestou serviço militar como médi-co. Depois da guerra, continuou a exercer na clínica do pai, na sua cidade natal Meden e foi eleito director clínico do Hospital Municipal.
Em 1872 escreveu ao seu amigo Sulzer, de Berlin: «já tenho uma prática extensa, mas não me agrada esta prática clínica. Sinto-me muitas vezes envergonhado 4 V. Kölliker foi professor catedrático em Würzburg de 1847 a 1903. Ali fundou a Associação de Médicos (Physikalisch-Medizinische Gesellschaft), na qual Wilhelm Conrad Röntgen apresentou a sua descoberta dos Raios X em 1896. V. Kölliker substituiu o termo obsoleto protoplasma pelo termo ci-toplasma. (ver. página web do Departamento de Patologia da Universidade de Würzburg, http://www.pathologie.uni-wuerzburg.de/Virchow/v2/koelli-ker.htm ).
5 V. Volkmann foi professor catedrático de Cirurgia na Universidade de Hal-le, a partir de 1867. Foi o primeiro médico alemão a aplicar o fenol no tratamento de feridas (ver [ 9]).
Otto Weingärtner
O Pensamento do Dr. Wilhelm Ameke
e a Homeopatia, nos finais do Séc. XIX.
Wilhelm Ameke (1847 – 1886); reprodução autorizada por Homé-opathe International.
quando escrevo uma re-ceita, quando sei desde o iníco que o remédio que estou a prescrever é totalmente inútil para o processo da doença. O que é que pensas da ho-meopatia? Uma vez que o teu pai é homeopata, já deves ter reflectido sobre isto. Gostava de ter uma ideia sobre esta abordagem terapêutica.
Nesse mesmo ano, sem esperar pela resposta de Sul-zer, Ameke foi aprender teoria e práctica da home-opatia, em Köthen, no hospital fundado por Arthur Lutze (ver quadro).
Pouco depois, dirigiu-se a Berlin onde estudou a Ma-téria Médica e literatura homeopática. No Outono de 1872, instalou-se em Würzburg como médico home-opático.
Três nos depois, em 1875, Ameke mudou-se para Berlin. Segundo Haehl (ver. [ 5]), Ameke queria trocar ideias com colegas cujo pensamento estivesse próxi-mo do seu e estar perto de uma livraria bem equipa-da. Nos anos seguintes, até 1883, escreveu o seu livro sobre a origem e os conflitos da Homeopatia («Ents-tehung und Bekämpfung der Homöopathie», em
português: “História da Homeopatia: as suas origens, os seus conflitos”) [ 2]). Este livro é considerado como sendo a primeira história da homeopatia. Ameke foi muito louvado pelos seus colegas de então e também pelas gerações seguintes, por ter «forjado uma arma importante» na defesa da homeopatia (ver, por exem-plo, [10], pp. 682-683, [ 7], [ 5]). Como veremos mais à frente, a arma forjada por Ameke consistiu simple-mente em apresentar de maneira objectiva, os factos nos quais se baseavam os argumentos contra a home-opatia, na altura.
Depois de finalizar a sua obra principal, Ameke, cuja saúde estava já afectada, ficou fisicamente muito de-bilitado. Desde o serviço militar como médico que sofria de indigestão. O aparecimento de febre deu origem à suspeita de tuberculose intestinal. Esta sus-peita foi confirmada pouco antes da sua morte, quan-do começou a ter tosse com expectoração e o exame do respectivo escarro, ao microscópio, revelou uma concentração extremamente alta de bacilos da tuber-culose, como refere Haehl ([ 5]). Ameke faleceu em 1886, com 39 anos de idade.
História da Homeopatia
A principal obra de Ameke é o livro intitulado ”His-tória da Homeopatia: as origens, os conflitos” («Die Entstehung und Bekämpfung der Homöopathie») cuja recente re-edição [ 2]), foi largamente aplaudida. Nes-te livro, Ameke descreve de várias formas os diversos aspectos da homeopatia, desde o seu aparecimento até aos finais do século XIX.
Arthur Lutze (1813 – 1870); repro-dução autorizada por Homéopathe International.
Hospital Lutze-Klinik em Köthen, Alemanha; reprodução autorizada por Ho-méopathe International.
Quadro 1: Sobre Arthur Lutze
Arthur Lutze: Nasceu em Berlin. Trabalhou
inicial-mente como secretário do correio e como home-opata empírico em Potsdam. Mais tarde, estudou medicina e graduou-se como doutor em medicina. Mudou-se para Köthen, tendo sido director de um hospital homeopático. Lutze dedicou-se também ao magnetismo e ao espagirismo. Teve muitos opo-nentes entre os homeopatas e foi mesmo rejeitado por alguns. Lutze é conhecido, entre outras coi-sas, por ter feito a 5ª edição (não autorizada) do Organon, na qual se encontra o parágrafo sobre “o remédio em duplicado”. Isto provocou a ira da viúva de Hahnemann e a hoje actual 6ª edição do Organon somente pode ser publicada em 1921, por Richard Haehl ([10]).
6
O livro de Ameke tem duas partes e um anexo. A pri-meira parte trata das origens da homeopatia e é uma mera contribução para a história da homeopatia. A segunda parte trata dos conflitos da homeopatia, ao passo que no anexo é focada a medicina universitária da época. É justamente com este anexo que Ameke providencia, implicitamente, uma base de compara-ção das mudanças ocorridas na ciência médica, desde o tempo de Hahnemann até à geração de homeopa-tas à qual ele próprio pertencia. Na epígrafe seguinte, o leitor verá que Ameke procurava uma resposta da homeopatia ao considerável aumento dos conheci-mentos médicos de então. Na falta desta, construiu ele próprio a sua
respos-ta, de resto, à semelhan-ça do que fez Wilhelm Heinrich Schuessler, o criador do método bio-químico (ver “Reckeweg Journal” 1/2007)
A primeira parte do livro começa com uma descri-ção dos méritos de Hah-nemann na química e na farmácia («Hahnemann’s
Verdienste in der Chemie und Pharmacie»), com en-foque especial no chamado Teste dos vinhos (ver, por exemplo, Quadro 3 referente a [10]).
Ameke continua com a questão da origem da home-opatia e enaltece Hahnemann como importante mé-dico, como reformador e como pessoa. Seguindo es-treitamente os escritos de Hahnemann e os juízos de contemporâneos importantes, Ameke demonstra que Hahnemann conhecia muito bem a ciência médica daquela época, bem como era um médico diligente e «totalmente formado». Com o mesmo estilo e argu-mentos bem estruturados, Ameke afirma a relevância de Hahnemann para a farmacologia («Bedeutung Quadro 2: Fac simile da capa do livro «Die Entstehung und Bekämpfung der
Homöopathie».
Wilhelm Heinrich Schüßler (1821 – 1898); reprodução autorizada por Homéopathe International.
Quadro 3
Na época de Hahnemann, era uma prática corren-te entre comerciancorren-tes sem escrúpulos, adoçar o vi-nho com “açúcar e chumbo” (acetato de chumbo), o qual provocava obviamente severos problemas de saúde quando consumido durante um perío-do alargaperío-do de tempo. Para verificar se os vinhos continham chumbo adicionado, eram submetidos ao chamado «ensaio de vinhos de Württemberg», um teste reconhecido para o efeito. No entanto, Hahnemann provou que o reagente utilizado no ensaio um «figado sulfurado de arsénico» não indi-cava apenas a presença de chumbo, mas também de ferro. Por consequência, concluiu-se que alguns vinhos contendo ferro, tinham sido erroneamente classificados como adulterados com chumbo, no-meadamente em julgamentos e sentenças. Hahne-mann iniciou então uma pesquisa sistemática para encontrar um reagente que permitisse uma identifi-cação clara e conclusiva do chumbo, para além de outros metais. Finalmente, descobriu que uma so-lução aquosa de ácido sulfídrico, acidificada com ácido clorídrico, precipita o chumbo como sulfu-reto insolúvel, no líquido a examinar, bem como o cobre, estanho, bismuto e arsénico, enquanto que o ferro e outros metais do mesmo grupo, formam sulfuretos solúveis no ácido clorídrico e portanto não dão teste positivo. Hahnemann descreveu de-talhadamente o reagente Hepar sulfuris calcarea, o qual viria eventualmente a ganhar importância no seu inventário farmacológico; chamou-lhe «Aqua hepatica acidulata» (citado segundo [ 4]).
Hahnemanns in der Arzneykunde») e a importância das suas ideias reformadoras. Este capítulo está reche-ado de exemplos e de citações.
A primeira parte pode ser vista como uma história independente da homeopatia, apresentada nos textos originais, à qual se segue uma história autónoma dos conflitos da homeopatia, em contraste. Aqui, Ameke discute especificamente tanto as críticas sobre os es-critos de Hahnemann quanto ideias individuais. Sem dúvida que o mérito principal desta parte da obra consiste em basear-se numa boa bibliografia. Na épo-ca de Ameke e anteriormente, o cidadão médio não era capaz de entender os documentos publicados - para já não falar na possibilidade de análise crítica – no sentido de poder formar a sua própria opinião, relativamente à campanha contra a homeopatia. Por conseguinte, Lorbacher escreveu em 1884 (ver [ 7]), num comentário ao livro de Ameke, que o méri-to deste consistia em ter apresentado os facméri-tos sem triunfalismo, permitindo aos leitores formarem a sua própria opinião sobre a razoabilidade das difamações proferidas pelos opositores de Hahnemann.
Alguns desses ataques não passavam de polémica e eram totalmente infundados, pelo menos pelos nos-sos padrões actuais.
Uma outra fonte, no caso uma publicação de Haehl (ver [ 5]), revela alguns dos obstáculos que Ameke teve de superar, até poder finalmente publicar a sua obra. Nas décadas de 1870 e 1880, Ameke manteve uma correspondência activa com August Zöppritz, fundador da “Hahnemannia”, a Associação Regional de Homeopatia en Württemberg. Haehl apresenta no seu trabalho algumas destas cartas, as quais não tinham sido publicadas até então . Estas cartas mos-tram que Ameke estava convencido de que a alopa-tia não se queria abrir à homeopaalopa-tia, senão mesmo que a queria aniquilar, da forma mais desprezível. A publicação do livro de Ameke passou por muitas dificuldades e acabou por ser publicado pela primei-ra vez na revista da Associação Berlinense de Médi-cos HomeopátiMédi-cos («Zeitschrift des Berliner Vereins homöopathischer Ärzte»). A ideia inicial era fazer uma edição posterior do mesmo texto, como sepa-rata. No entanto, a dita separata foi obstaculizada e atrasada pelo editor. Este, de seu nome Janke,
afirma-va que as livrarias supostamente interessadas não ha-viam pedido o livro. Várias cartas da correspondência com Zöppritz referem a possibilidade da associação, a Hahnemannia, efectuar um pedido de certo núme-ro de cópias para, pelo menos, poder atalhar ao argu-mento de falta de encomendas. De modo igualmente ignominioso, foi obstaculizada a tradução em inglês (ver. [ 2]) e em francês, mas quer uma, quer outra, acabaram por ser conseguidas.
«Uma proposta de terapia baseada na química do corpo humano» de Ameke
No início do seu trabalho [ 1], Ameke luta com a apli-cação do princípio dos similares. Chegou mesmo a afirmar, «inclusivamente sou da opinião, não abaliza-da é certo, de que nem sequer para a quarta parte dos remédios listados por Hahnemann para as doenças crónicas, se pode comprovar a homeopaticidade, no estado actual da ciência».
Ameke refere alguns remédios, que estavam listados nos compêndios de medicamentos homeopáticos para determinados sintomas (por exemplo., Theodor Husemann, Handbuch der gesammten Arzneimittel-lehre, Springer 1874), sem que os seus supostos efei-tos tivessem sido obtidos na prática. Por exemplo, a quinina era conhecida como um remédio que podia causar zumbidos no ouvido e hipoacusia. Ele tinha aplicado a quinina em seis casos de catarro do ou-vido médio e em nenhum caso tinha obtido efeito positivo. No entanto, um artigo sobre as experiências de W. Kirchner, publicado em Berliner klinische Wo-chenschrift de 1881 (pp. 725 ss.), comprovava que a quinina era capaz de suscitar todos os atributos de um catarro do ouvido médio com hiperémia do ou-vido interno.
Ameke tira então a conclusão que o poder do método de Hahnneman não se baseava na similitude mas sim no modo de aplicação. Para além disto, considerava óbvio que a grande maioria dos remédios utilizados na homeopatia tinham sido aplicados alopaticamen-te, para as mesmas doenças, pelos contemporâneos de Hahnemann. Só mais tarde Hahnemann provou que o modo de acção destes remédios se baseava no seu princípio terapêutico.
8
Ameke prossegue elucidando as suas ideias através de vários exemplos. Carbo vegetabilis era adminis-trado para tratar adenomas persistentes: nódulos na cabeça e garganta de crianças, nódulos no peito, ga-lactocelos (cistos de leite), etc. Os remédios Bryonia, Antimonium crudum, Aurum, Ignatia, Calcaria carbo-nica, Phosphorus, Lycopodium, Drosera, Dulcamara, Conium, Acidum nitricum, Mezereum etc. eram tam-bém aplicados em enfermidades quase idênticas na época de Hahnemann e continuavam a ser aplicados da mesma forma na homeopatia actual. O excelente potencial terapêutico destes remédios tornara-se ob-soleto nos meios oficiais, porque não se lhes havia atribuído indicações claras. Hahnemann especificou estas indicações e, consequentemente, salvou estes importantes remédios de serem enterrados pelo es-quecimento. Nos seus boletins clínicos registava mi-nuciosamente as circunstâncias das enfermidades, a melhoria ou não das mesmas após administrar um remédio, etc. Destes registos derivam os quadros far-macológicos homeopáticos.
Ameke escreve: «Esta metodologia permitiu a Hahne-mann descobrir alguns âmbitos de acção, até então totalmente desconhecidos, dos seus remédios, inde-pendentemente do princípio de similitude e penso que este terá sido, mais ou menos, o modo como foram estabelecidas as indicações da maioria dos remédios. Não discuto que testar no corpo humano saudável o possa ter ajudado a determinar o âmbito de acção de alguns remédios.
Ameke tinha a intenção de aplicar a metodologia de Hahnemann na elaboração dos quadros farmacoló-gicos quando começou a estudar as antigas e novas farmacopeias e a administrar as potências C3 e C5 para os supostos âmbitos de acção respectivos. Por consequência, orgulha-se de ter reavivado substân-cias tais como o Antimonium metallicum e o Aurum arsenicosum, que já tinham caído no esquecimento. Um dia, no entanto, encontra o remédio de Baud para a febre, o «Ferro-cyanate de Potasse et d’Urée», na farmacopeia de Waldenburg e Simon. Tratava-se de uma mistura de ferrocianato de potássio com ureia,
classificada como preparação não efectiva pelos con-temporâneos de Ameke. Pesquisas noutras farmaco-peias (Husemann, Posner) revelam que não estava referenciada para a febre. Ameke encontrou mesmo a menção de que a aplicação da ureia seria adequada para a Farmácia “de despejo” de Paulini6.
Por conseguinte, Ameke tratou vários pacientes com doses de ureia nas potências C3 a C5 e concluiu que o remédio era capaz de mitigar, ou pelo menos en-curtar, alguns processos febris, ainda que não todos. Desta observação surgiu-lhe a questão, se e quando, uma substância que ocorre no organismo pode ser usada como remédio. Quanto à experiência com a ureia, Ameke formula outra hipótese: as substâncias endógenas cuja eliminação aumenta durante a doen-ça, são capazes de a melhorar. Isopatia?
Prosseguindo a sua investigação, Ameke administrou neurina7, um remédio usado na difteria em casos de
afecção neural primária, tendo claramente obtido um efeito terapêutico. Realizou então uma série de es-tudos semelhantes sobre toda uma gama de outras substâncias (ver mais à frente).
Nos quatro anos seguintes, Ameke tentou afincada-mente encontrar evidências práticas dos seus três princípios, profundamente consciente de que não se-ria capaz de provar a sua eficácia por indução8. São
eles:
1. Os compostos químicos presentes no organismo podem, em determinadas circunstâncias, ser re-médios activos.
2. Os compostos químicos encontrados em certos ór-gãos ou tecidos, em caso de doença desses órór-gãos ou tecidos, podem ser convertidos em remédios destes.
6 Christian Franz Paulini (1643-1712) antecipou a terapia com nosodos com o seu trabalho principal: «Die Heylsame Dreck-Apotheke: Wie nemlich mit Koth und Urin fast alle, ja auch schwerste, gifftige Kranckheiten und bezau-bernde Schäden vom Haupt biß zun Füßen, inn- und äusserlich glücklich curieret worden» (“A saudável farmácia “de despejo”: como as fezes e a urina podem curar com êxito quase todas as enfermidades tóxicas e os danos da cabeça aos pés, por dentro e por fora”) (ver. [ 3]).
7 A neurina é um líquido tóxico que figura entre as ptomaínas. Forma-se por decomposição bacteriana de proteínas.
8 Cabe mencionar que Ameke fala de compostos químicos do organismo humano em cada um dos três princípios. Esta terminologia é confusa rela-tivamente a saber se Ameke se refere a germes que originam doenças ou a essências própias que se formam no contexto da doença.
3. Os compostos químicos naturalmente presentes ou presentes em quantidades mais elevadas num foco de doença, podem ser usados como remédios nessa mesma doença.
Ameke não estando em condições de provar os seus princípios, pelo menos estabeleceu alguns paralelos com ideias e factos do seu tempo. De seguida, apre-sentamos um resumo das ideias de Ameke, uma vez que, no âmbito deste artigo, não é possivel uma des-crição detalhada.
1. Ameke evoca o facto de que nos mananciais de água mineral se encontram sempre os mesmos in-gredientes activos, para além do iodo, bromo, lítio e arsénico. Sete destes ingredientes, a saber Kalium chloratum, Natrium muriaticum, Natrium sulfuri-cum, Natrium phosphorisulfuri-cum, Natrium carboni-cum, Kalium sulfuricum e Kalium carbonicarboni-cum, en-contram-se também na secreção das membranas mucosas. É evidente que, para as afecções que são acompanhadas de aumento da secreção mucosa e aumento da eliminação das referidas substâncias ou, pelo menos, presença aumentada das mesmas, os médicos prescrevem estas águas minerais. 2. Ameke afirma que os Sais de Schuessler formam
um complexo, confirmando exactamente o segun-do princípio.
3. Afirma que a vacinação e as tentativas de vacina-ção de Pasteur podem ser interpretadas como aná-logas do terceiro princípio.
4. Argumenta igualmente que o ácido carbólico (fe-nol), descoberto por Baumann, é o produto final de um processo de putrefacção, ao mesmo tempo que é considerado o melhor antiséptico, o que está de acordo com o terceiro princípio.
Nas últimas trinta páginas do seu trabalho, Ameke faz uma uma descrição exaustiva das suas experiên-cias relativas à aplicação, de acordo com os seus três princípios, das seguintes substâncias: ureia, xantina, ácido hipúrico, alantonina, mucina, neurina, leucina, colesterol e ácido láctico. A descrição individual de cada uma das substâncias é feita de um modo padro-nizado:
1. Em primeiro lugar é feita uma descrição da fisio-logia respeitante à substância. Em relação à ureia, por exemplo, explica que é o principal componen-te da urina, onde é que se pode encontrar ureia para além da urina, em que circunstâncias aumen-ta ou diminui a eliminação da ureia etc.
2. De seguida, fundamenta a sua relevância para os processos patológicos. Descreve a progressão normal da eliminação da ureia nas doenças febris, menciona que quantidades de ureia são elimina-das e em que circunstâncias, e ainda onde é que a ureia pode ser encontrada em situações patológi-cas.
3. Só depois de fazer esta contextualização é que Ameke relata uma série de casos, acompanhados de uma lista detalhada de sintomas para os quais a substância foi aplicada com bons resultados. A finalizar, indica o número de casos tratados, espe-cificando o número de sucessos e de insucessos terapêuticos.
Conclusões
Indubitavelmente, Ameke pretendia seriamente dedi-car-se de forma activa à homeopatia. Consequente-mente, não seguiu apenas os parágrafos do Organon, como também usou a sua própria mente e capacidade de observação. Praticou a homeopatia de uma forma modificada, tentando integrar as descobertas de um século inteiro de pesquisa médica, como se torna ób-vio no último exemplo de analogia entre o seu tercei-ro princípio e a aplicação do ácido carbólico como anti-séptico. Na sua visita a Volkmann em Halle (ver acima), Ameke tinha tido conhecimento do papel do ácido carbólico (fenol) no tratamento de feridas. Por um lado, todo o seu trabalho está ancorado no conceito de indicação. Por exemplo, ele não mencio-na “complexos de sintomas”, nem chama “muriático” a um paciente com sintomas do quadro farmacológi-co do Natrium muriaticum (cloreto de sódio). Por outro lado, esta metodologia pode tê-lo ajudado a tornar-se consciente do renascimento das substâncias farmacêuticas tradicionais levado a cabo por Hahne-mann. Antes de Hahnemann, estas substâncias eram prescritas para determinadas indicações sem que, po-rém, estas tivessem sido provadas.
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Tal como Schuessler, Ameke visava integrar os conhe-cimentos de fisiologia adquiridos na universidade, na homeopatia enquanto forma terapêutica. No entanto, Ameke não concordou inteiramente com Schuessler. Como referimos já anteriormente, Ameke era de opi-nião de que Schuessler ainda não tinha levado as suas ideias “até ao fim” e que os seus doze remédios ape-nas cobriam uma pequena parte e não a globalidade, da sua própria conceptualização.
Não obstante, numa perspectiva actual, a argumenta-ção de Ameke contém também uma inconsistência, uma vez que praticamente nega a relevância do prin-cípio da similitude - ainda que de uma forma eufemís-tica e muito cuidadosa – apesar de utilizar potências de C3 a C5, as quais só fazem sentido à luz do prin-cípio da similitude, pelo menos para alguns remédios homeopáticos. No parágrafo 128 do Organon e com base nas experiências realizadas, Hahnemann afirma que algumas substâncias que muito dificilmente mos-tram ter qualquer efeito, só desenvolvem o seu poder farmacológico e consequentemente a sua afinidade para os sintomas do respectivo quadro farmacológi-co, quando potencializadas.
Talvez Ameke tivesse corrigido aquela inconsistência, se tivesse vivido um pouco mais.
Alguns dos remédios testados por Ameke são hoje em dia considerados “standard” relativamente ao princí-pios por ele enunciados. Um exemplo é o Choleste-rinum.
Devido ao estilo pessoal de Ameke, o seu livro “His-tória da Homeopatia”, especialmente a descrição da história dos conflitos da Homeopatia nele contida, é muito mais específica e vívida do que as que pode-mos encontrar noutras histórias da homeopatia.
Referências bibliográficas
[ 1]Ameke W: Versuch zu einer Therapie auf der Grundlage der Chemie des Menschen (Uma Proposta de Terapia baseada na Quí-mica do Corpo Humano), Z. Berliner Verein Hom. Ärzte, 1882, 1, 323 – 371.
[ 2] Ameke W: Die Entstehung und Bekämpfung der Homöopa-thie (A Emergência e o Controle da Homeopatia), Berlim, 1883, Nova Edição VDM Verlag Dr. Müller, Edição Clássica, Saarbrücken, 2006.Tradução para Inglês: “History of Homeopathy: Its Origins, Its Conflicts” com um apêndice sobre o estado presente da Medicina
Universitária. Traduzido por A.E. Drysdale, Editado por R.E. Dud-geon, E. Gould & Con, Londres, 1885.
[ 3] Appell R: Christian Friedrich Paulini und die homöopathische Dreckapotheke (Christian Friedrich Paulini e a Farmácia Home-opática do Despejo“, AHZ 2008, em processo de impressão. [ 4] Haas K: Hahnemann, der Chemiker und Apotheker/Zweite Fortsetzung (Hahnemann, os Químicos e os Farmacêuticos/Segun-da Continuação), AHZ 1/ 1956, 26 – 36.
[ 5] Haehl H: Dr. Wilhelm Ameke, Ein Lebensbild mit einigen un-veröffentlichten Briefen an August Zöppritz (Um retrato da vida do Dr. Wilhelm Ameke, com algumas cartas inéditas de August Zöppritz), Dt. Z. f. Hom., 10, 1931, 29 – 38.
[ 6] Hahnemann S: Versuch über ein Prinzip zur Auffindung der Heilkräfte der Arzneisubstanzen, nebst einigen Blicken auf die bis-herigen (Ensaio sobre um Princípio para Encontrar os Poderes Cu-rativos das Substâncias Medicamentosas, juntamente com alguns olhares para o passado), J. d. prakt. Arzneykunde und Wundarz-neykunst, 2, 1796, 391ss. e 465ss.
[ 7] Lorbacher A: Ameke: Entstehung und Bekämpfung der Homöo-pathie etc. (A Emergência e o Controle da Homeopatia, etc.), AHZ 1884, pp. 41 - 42, 57 - 58, 77 - 78, 81 – 83.
[ 8] Schroers FD: Lexikon deutschsprachiger Homöopathen (Encic-lopédia dos Homeopatas Alemães), Haug, Stuttgart, 2006. [ 9] Söll U: Leben und Wirken des Hallenser Chirurgen Richard von Volkmann, Tesis de doctorado (Vida e obra do cirurgião Richard von Volkmann, da Universidade de Halle, Tese de doutoramento, Univ. de Halle, 1996.
[10] Tischner R: Geschichte der Homöopathie (História da Home-opatia), Springer, Viena, 2000.
Nome Dr. Otto Weingärtner
Direcção Pharm. Fabrik Dr. Reckeweg & Co. GmbH Berliner Ring 32 - D-64625 Bensheim País Deutschland
Telefone +49 (6251) 1097245 Fax +49 (6251) 1097227 E-Mail [email protected]
O. Weingärtner, H. Rostek-Gugg
Intercostal-Gastreu
®
R69 – Teoria e Prática
Introdução
Quando falamos de teoria e prática de um medica-mento homeopático combinado referimo-nos, tal como temos feito nas edições anteriores deste boletim, quer à documentação bibliográfica que suporta a com-binação de componentes no que diz respeito à alegada área terapêutica do medicamento homeopático, quer à documentação sobre a sua utilização prática. Relativamente à documentação bibliográfica vamos seguir o formato já anteriormente apresentado no “Re-ckeweg Journal”. No que diz respeito à aplicação prá-tica do medicamento, optámos por uma modalidade ligeiramente diferente, fazendo a descrição de um caso de estudo. Baseamos o nosso caso de estudo num ar-tigo publicado na conceituada revista «Der Schmerz», em 1993. Este artigo faz uma descrição detalhada do caso de um paciente que, após ter vivido uma inten-sa odisseia de tratamentos analgésicos, foi finalmente curado das suas dores crónicas, através dos dois medi-camentos homeopáticos ora apresentados.
Os medicamentos Herpes-Gastreu® R68 e
Intercostal-Gastreu® R69
Os medicamentos homeopáticos combinados Herpes-Gastreu® R68 e Intercostal-Gastreu® R69 são misturas
de diluições líquidas produzidas de acordo com a Far-macopeia Homeopática Alemã. Ambos os remédios são gotas de aplicação oral contendo álcool.
Ambos contêm adicionalmente água e etanol.
O Herpes-Gastreu® R68 está indicado nas alterações
patológicas da pele, resultantes de varicela ou herpes zoster (zona). O Intercostal-Gastreu® R69 é utilizado
no tratamento de nevralgias, ao longo de um ou vá-rios espaços intercostais. A dose recomendada está de acordo com a utilização da homeopatia como terapia de regulação e estimulação. A frequência de aplicação depende do quadro clínico, da sua natureza aguda e da reactividade de cada organismo.
A base terapêutica da aplicação destes medicamentos é a mesma de outros medicamentos da série Gastreu®
e foi já descrita em números anteriores deste boletim. Porém, é necessário considerar aqui duas questões adicionais. Em primeiro lugar, a utilidade do Rhus toxi-codendron em potência D30, no Intercostal-Gastreu®
R69 e em segundo lugar, o problema da administração simultânea dos dois medicamentos, Herpes-Gastreu®
R68 e Intercostal-Gastreu® R69, no caso de estudo
aqui apresentado.
Vamos analisar primeiro o segundo problema, que é mais fácil de resolver. De facto, no caso aqui descri-to, ambas as preparações são administradas ao mesmo tempo, tendo-se constatado que, depois de um mês de tratamento, o paciente “ficou liberto” das dores. A ausência de dor foi confirmada, novamente, oito me-ses mais tarde. Tal como é mostrado nas Tabelas 1 e 2, aqueles dois medicamentos “têm” sintomas essenciais em comum. Não é possível saber no caso aqui exposto que é que teria sido observado, se apenas tivesse sido administrado um dos medicamentos.
Relativamente à questão da significância da utilização da potência D30 de Rhus toxicodendron no medica-mento homeopático Intercostal-Gastreu® R69 fazemos
referência à bibliografia, [ 7] e [11], onde é referido que, em certos casos, doses frequentes de potências altas (por ex. D30) de Rhus toxicodendron, têm resul-tados positivos.
O Herpes-Gastreu® R68 tem os seguintes
componentes:
Croton tiglium D6
Mezereum D4
Natrium chloratum D6 Rhus toxicodendron D4
O Intercostal-Gastreu® R69 tem os seguintes
com-ponentes:
Arsenicum album D12
Colocynthis D12
Ranunculus bulbosus D2 Rhus toxicodendron D30 Nota: em Portugal, o R 69 contém Ranunculus bulbosus em D4. Nota: em Portugal, o R 68 não contém Croton tiglium.
2
Fundamentação bibliográfica
Os componentes individuais dos dois medicamentos homeopáticos Herpes-Gastreu® R68 e
Intercostal-Gas-treu® R69 reflectem os sintomas-chave documentados na literatura “standard”. Componentes e sintomas-chave
são apresentados, de seguida, nas Tabela 1 e 2.
MEZEREUM
Componente/Medicamento: Herpes-Gastreu® R68
Nome Homeopático:
Mezereum / Daphne mezereum.
Nome Botânico: Daphne mezereum L Nome vulgar: Mezereão
Parte utilizada na produção da tintura-mãe:
Casca da rama fresca, apanhada pouco antes da flo-ração.
RHUS TOXICODENDRON
Componente/Medicamento: Herpes-Gastreu® R68
und Intercostal-Gastreu® R69
Nome Homeopático:
Rhus toxicodendron / Toxicodendron quercifolium.
Nome Botânico: Rhus toxicodendron L
Nome vulgar: Sumagre venenoso, Era venenosa Parte utilizada na produção da tintura-mãe:
Rebentos jovens, frescos, ainda não lenhificados, in-cluindo as folhas.
COLOCYNTHIS
Componente/Medicamento: Intercostal-Gastreu® R69
Nome Homeopático:
Colocynthis.
Nome Botânico: Citrullus colocynthis
Nome vulgar: Coloquíntida, Colocíntida, Melancia
silvestre
Parte utilizada na produção da tintura-mãe:
Frutos secos e descascados, sem as sementes.
RANUNCULUS BULBOSUS
Componente/Medicamento: Intercostal-Gastreu® R69
Nome Homeopático:
Ranunculus bulbosus.
Nome Botânico: Ranunculus bulbosus L
Nome vulgar: Ranúnculo-bulboso, Botão de ouro Parte utilizada na produção da tintura-mãe:
Planta inteira, fresca, florida.
Origem da imagem: Beat Ernst, Basel Origem da imagem: Beat Ernst, Basel Origem da imagem: Beat Ernst, Basel Origem da imagem: Beat Ernst, Basel
Monografia da Comissão Técnica
D para:
CROTON TIGLIUM Relação histiotrópica com a pele e as membranas mucosas; comichão intensa; exantemas pustulares; ardor doloroso; dores “tipo rasgar” e persistentes; pústulas confluentes.
Cf. [ 1] - [ 12].
Erupções cutâneas agudas e irritações das membranas mucosas [13]
MEZEREUM Relação histiotrópica com a pele e o sistema nervoso periférico; os exan-temas ulceram e formam crostas grossas; as dores “que ardem” persistem após desaparecimento das erupções cutâneas; prurido, sobretudo durante a noite. Cf. [ 1] - [ -12]. Irritações cutâneas pruriginosas e su-purações cutâneas, nevralgias [13] NATRIUM CHLORATUM
Relação funciotrópica com as membranas mucosas, a pele e o sistema nervoso; exantema pruriginoso com dor “tipo disparos”; exantemas pustu-losos; pequenas vesículas com formação de crostas.
Cf. [ 1] - [ 12].
Afecções cutâneas [13,14]
RHUS
TOXICODENDRON
Relação histiotrópica com a pele e o sistema nervoso; formação de vesículas com prurido intenso; exantemas eczematosos que ardem; inchaço erisipeloso da pele com ardor e sensação “tipo facada”; são par-ticularmente indicadoras as erupções de vesículas; exantema de cor azul grisalho acompanhado de sintomas tifóides. Cf. [ 1] - [ -12].
Afecções cutâneas pruriginosas e nevralgias [13]
Tabela 1: Comprovação das indicações de Herpes-Gastreu® R68
Componente Principais sintomas / Efeito no medicamento Documentado por: Monografia da Comissão Técnica
D para:
ARSENICUM ALBUM
Relação organotrópica com o sistema nervoso e a pele;
dores “que queimam” (ardor) agudas e crónicas; ardor no tórax e nas costas, a dor melhora com o calor; tensão e alfinetadas no peito; sensa-ção “tipo rasgar” nas costas, entre as escápulas; nevralgias intermitentes que ocorrem durante a noite. Ver [ 1] - [ 12].
Inflamações de qualquer grau de severidade em todos os tecidos e órgãos, infecções [13]
COLOCYNTHIS Relação funciotrópica com os nervos periféricos; dores hemilaterais; dor lancinante, “tipo rasgar”, tipo “alfinetada” ao longo dos nervos; dores paroxísticas. Ver [ 1] - [ -12].
Neurites e nevral-gias [13, 14]
RANUNCULUS BULBOSUS
Relação organotrópica com o sistema nervoso periférico; dor semelhante a contusão costal ou intercostal; dor tipo “alfinetada” no peito entre as escápulas; sensibilidade à dor de todas as partes externas do tórax, músculos intercostais e pleura, que ocorre com o movimento, toque e ao espreguiçar o corpo. Ver [ 1] - [ -12].
Nevralgias [13, 14]
RHUS TOXICO-DENDRON
Relação histiotrópica com o sistema nervoso; dor entre os ombros ao engolir; sensação “tipo rasgar” ou “tipo facadas” nas costas; sensação de constrição no tórax; dor torácica lancinante entre os ombros; sensação de formigueiro no tórax e tensão nos músculos peitorais; dor “tipo rasgar”, “tipo arder” e “tipo arrastar”. Ver [ 1] - [ 12].
Nevralgias [13]
Uma Observação Terapêutica
Em [15], é descrito o caso de um homem de 65 anos de idade cuja história clínica inclui 10 anos de do-res radiculado-res. Apdo-resentamos a sinopse dos aspectos essenciais do caso, em forma de tabela. Na medida do possível tentámos adoptar a terminologia original utilizada pelo paciente, no que diz respeito às avalia-ções, quer de diagnóstico, quer terapêuticas.
maligno, mas a cintilografia óssea mostrou re-sultados normais.
Ainda em Novembro de 1990, foi realizada uma rizotomia parcial direita por termocoagu-lação. O paciente referiu melhoras na dor na ordem dos 60%. Ao fim de algumas semanas, uma série de tratamentos e uma segunda série de anestesias paravertebrais não produziram os efeitos desejados.
Em Abril de 1991, suspeitou-se de uma nevral-gia pós-herpética. O exame viral efectuado mostrou os seguintes resultados: reacção de fixação-complemento do virús varicella-zoster 8; teste da IgB para virús varicella-zoster pelo Método ELISA positivo; teste da IgM para vírus varicella-zoster pelo Método ELISA negativo. O paciente afirmou que nunca tinha tido altera-ções de pele, tais como vesículas, na área dos segmentos dolorosos.
Em Julho de 1991, o caso do paciente foi apre-sentado na Conferência Interdisciplinar da Dor, organizada no Hospital. Foi discutida a possi-bilidade de uma cirurgia de “lesão na zona de entrada radicular dorsal” (DREZL)1. O paciente
não autorizou esta cirurgia. Foi-lhe proposto um tratamento por acupunctura.
Naquela altura as crises de dor ocorriam diaria-mente. A terapia medicamentosa consistia em 600-700 mg/d de tramadol, 100 mg de diclo-fenac à noite e 2 mg de flunitrazepam também à noite. O paciente já não podia viver sem os medicamentos. Tornou-se evidente que o pa-ciente tomava os seus medicamentos segundo um esquema meticuloso que ele próprio tinha desenvolvido. Sempre que não cumpria o seu esquema tinha dor.
De Julho a Setembro de 1991, o paciente faz um tratamento semanal de acupunctura. São tratados os pontos HC 7, CO 4, GV 13, 3E 15 dos meridianos internos e externos da Bexiga, bem como pontos locais de acordo com o mé-1 A lesão “DREZL” foi desenvolvida em mé-1976 como conceito terapêutico para o tratamento de dores causadas por dasaferenciação. Esta interven-ção microcirúrgica na espinal medula (aberta) tem como objectivo des-truir os neurónios disinibidos por desaferenciação, no corno posterior da espinal medula, através da aplicação de séries de radiofrequências deletérias. • • • • •
Dores “tipo facada”, no flanco direito. As dores começaram a 8 de Outubro de 1981.
O paciente foi tratado por um médico clínico geral, com analgésicos e por um cirurgião orto-pedista, que fez uma infiltração. Nenhuma das terapias teve sucesso.
Em 1983, o paciente foi examinado por um ci-rurgião abdominal. A vesícula biliar foi identifi-cada como causa dos sintomas e foi feita uma colecistectomia. Em consequência, na zona da cicatriz da operação formou-se uma hérnia ci-catricial, a qual foi removida por uma segunda intervenção cirúrgica.
Em 1984, o paciente foi visto por um neuroci-rurgião. Foram feitas duas mielografias, ambas com resultados normais, tal como o CT (Tumo-grafia Computorizada).
De 1987 a 1989, o paciente fez tratamento uro-lógico. Foi utilizada a técnica de “splint” no uré-ter direito (colocação de cateuré-ter). O CT do rim mostrou resultados normais.
Durante o verão de 1990, recebeu tratamento quiroprático, mas a terapia iniciada não teve sucesso.
Durante todos estes anos, o carácter e a intensi-dade da dor quase não variaram. Devido à dor, o paciente necessitava de tratamento de urgên-cia, um após outro, pelo que foi considerado pelos médicos de família como um caso “psi-cológico”.
Em Novembro de 1990, o paciente foi observa-do no Hospital, na policlínica para o tratamento da dor, para fazer Anestesiologia. Foram feitas anestesias paravertebrais que o mantiveram sem dor durante 18 H. Foi possível repetir este su-cesso terapêutico. Suspeitou-se de um tumor
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todo do Locus dolendi. Durante cada sessão é ainda aplicado um laser de acupunctura na área da superficie dolorosa. Como resultado do tratamento de acupunctura o paciente teve uma melhoria subjectiva das crises de dor major. Depois de 20 sessões de acupunctura, foi reco-mendada ao paciente uma pausa na terapia que estava a ser efectuada. Foram então administra-dos os medicamentos homeopáticos Intercostal-Gastreu® R69 e Herpes-Gastreu® R68 em terapia
oral, tomados de hora a hora em caso de dor e 3 vezes ao dia como terapia permanente, ou seja, na ausência de dor. Com este esquema de tomas pretendia-se imitar o esquema anterior-mente desenvolvido pelo paciente, apoiando-o psicologicamente. Em Novembro de 1991, o paciente estava completamente liberto das do-res.
Em Maio de 1992 e num controlo adicional em Julho de 1992, confirmou-se novamente a au-sência de dores
Na discussão final do caso, os autores enfati-zam a dificuldade de estabelecer o diagnóstico e discutem as várias opções terapêuticas exis-tentes na literatura. A razão pela qual a tera-pia com os dois medicamentos homeopáticos complexos foi bem sucedida pode ser explicada tendo em conta as respectivas composições. O esquema de administração das drogas analgési-cas, desenvolvido e seguido pelo paciente era impressionante. Este esquema foi imitado para a toma dos medicamentos homeopáticos e foi bem sucedido.
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da sua dependêcia aos analgésicos e às benzodiaze-pinas. Esta questão só pode ser respondida através de um estudo elaborado com esse objectivo específico.
Bibliografia
[ 1] Boericke W. e O.E.: Homöopathische Mittel und ihre Wir-kungen, Verlag Grundlagen und Praxis, Leer, 1986.
[ 2] Charette G.: Homöopathische Arzneimittellehre für die Praxis, Hippokrates Verlag, Estugarda, 5a. edição, 1987.
[ 3] Clarke J.-H.: Praktische Materia Medica, Vol. I (A-M) y Vol. II (Mag.-Z), Barthel & Barthel Verlag, Schäflarn 1994.
[ 4] Fellenberg-Ziegler v. A: Homöopathische Arzneimittellehre, Haug Verlag, Heidelberg, 25 a. edição, 1998.
[ 5] Kent J.T.: Kent’s Arzneimittelbilder, Haug Verlag, Heidelberg, 7 a. edição, 1988.
[ 6] Leeser O.: Leeser’s Lehrbuch der Homöopathie, Band I-IV, Haug Verlag, Heidelberg, 2 a. edição revista, 1988.
[ 7] Mezger J: Gesichtete Homöopathische Arzneimittellehre, To-mos I-II, Haug Verlag, Heidelberg, 11 a. edição, 1995.
[ 8] Nash EB.: Leitsymptome in der Homöopathischen Therapie, Haug Verlag, Heidelberg, 19 a. edição, 1996.
[ 9] Phatak SR: Homöopathische Arzneimittellehre, Ulrich Burg-dorf Verlag, Gottingen, 1999.
[10] Stauffer K.: Klinische Homöopathische Arzneimittellehre, Johannes Sonntag Verlagsbuchhandlung GmbH, Estugarda, 13 a. reimpressão, 1998.
[11] Voisin H: Materia medica des homöopathischen Praktikers, Haug Verlag, Heidelberg, 2 a. edição, 1985.
[12] Wiesenauer M. Elies M.: Praxis der Homöopathie, Hippokrates Verlag, Estugarda, 2 a edição revista e ampliada, 1995.
[13] Keller, Greiner, Stockebrand: Homöopathische Arzneimittel, Materialien zur Bewertung, Monographien der Fachkommission D, Loseblattsammlung, Govi Verlag, Pharmazeutischer Verlag GmbH, Frankfurt a.M., 6. publicação, 1995.
[14] Fachkommission D beim Bundesinstitut für Arzneimittel und Medizinprodukte. Monografias revistas, não publicadas.
[15] Zwölfer W, Hartmann T, Spacek A, Grubhofer G, Porges P: Zehn Jahre therapieresitente Interkostalneuralgie – Verdacht auf Postzosterneuralgie nach Herpes zosster sine herpete, Ein Fallbe-richt, Der Schmerz, 7, 1993, 182 – 184.
Conclusão
A descrição teórica dos medicamentos homeopáticos Intercostal-Gastreu® R69 e Herpes-Gastreu® R68, bem
como o caso prático acima referido, mostram a rela-ção entre aqueles dois medicamentos homeopáticos. O caso do paciente com uma história de dez anos de dor, finalmente liberto dela e o carácter mimético da administração da terapia, através do qual o resultado positivo foi alcançado, levanta a questão de sabermos até que ponto o paciente foi curado das suas dores ou
Nome Dr. Otto Weingärtner
Direcção Pharm. Fabrik Dr. Reckeweg & Co. GmbH Berliner Ring 32 - D-64625 Bensheim País Deutschland
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Nome Heidemarie Rostek-Gugg
Direcção Pharm. Fabrik Dr. Reckeweg & Co. GmbH Berliner Ring 32 - D-64625 Bensheim País Deutschland
Telefone +49 (6251) 1097275 Fax +49 (6251) 3342 E-Mail [email protected]
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Iqbal Shahin
Dr. Col. (Retd) Iqbal Shahin
born 1946 in Mardan Master in political sci-ence (diploma 1987), Homoeopathic edu-cation since 1987, Thirty years teaching, Pioneered higher edu-cation in homoeopa-thy in Pakistan,
Authored books in Pharmacy and in Forensic Med-icine,
Editor “Homoeopathic Times”, a monthly paper, Senior member in many important organizations, Humble efforts in National Council for Homoeop-athy, Government of Pakistan as its Vice President. No Paquistão, a homeopatia é um método terapêu-tico popular, com o qual 160 milhões de habitantes já tiveram contacto, de uma forma ou de outra. Com cem mil terapeutas, cento e cinquenta colégios e um incontável número de farmácias homeopáticas, o Pa-quistão tem a segunda maior infra-estrutura da Ho-meopatia a nível mundial.
A história começa em 1839, quando um Marajá Sikh “Ranjeet Singh”, soberano de um território - pratica-mente do tamanho de Inglaterra - que se estendia de Caxemira a Multan e Peshawar, foi tratado com ho-meopatia. O nobre desafio foi levado a cabo pelo Dr. Honigberger, mas tarde presenteado e generosamen-te pago pelos seus serviços. Esgenerosamen-te constitui o primei-ro registo no que diz respeito à Homeopatia, se bem que é bastante provável que esta já fosse praticada no subcontinente há algum tempo. Quando, em 1947, o subcontinente foi reestruturado em termos de territó-rios, alguns homens dedicados à homeopatia deslo-caram-se da Índia britânica para o Paquistão, levando consigo os seus conhecimentos. Foram eles que for-maram a espinha dorsal do que viria a ser a estrutura da homeopatia no Paquistão. Desde o início, porém, as forças contrárias à homeopatia iniciaram e manti-veram a sua cruzada contra este sistema natural. Os
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pioneiros da homeopatia venceram todos os obstácu-los com uma dedicação sem precedentes, sentido de propósito e extremo profissionalismo. Essencialmen-te em Karachi, que seria depois capital, organizaram farmácias, abriram clínicas, os trabalhadores iam de porta em porta, de um sítio para outro, praticando a homeopatia. Assim foram abrindo pequenas e mo-destas clínicas nas cidades e vilas. Nesta altura não havia uma escola formal. O único sistema de trata-mento oficial era a alopatia.
Os bravos esforços dos pioneiros suplantaram as fortes correntes opositoras, levando a armada a bom porto: em 1965 a Ciência Homeopática é reconhecida pelo parlamento paquistanês. A tocha iluminada da home-opatia foi passada à geração seguinte e permanece na senda do sucesso.
Situação actual da Homeopatia
O sistema homeopático deve a sua crescente popu-laridade ao crescimento acelerado da população: o crescimento demográfico, ao ano, no Paquistão, ron-da o meio milhão de pessoas. Com uma analfabetis-mo da ordem dos 80 milhões de habitantes e 35% de pobreza extrema entre a população, um sistema tera-pêutico que não tem efeitos secundários, é económi-co e alcança o êxito quanto outros sistemas falham, encontra aqui um terreno fértil.
O fracasso dos antibióticos milagrosos, na passada década de 50, é outra das razões pelas quais as pesso-as valorizaram os sistempesso-as alternativos. Actualmente, já sabemos que a terceira geração de antibióticos – a mais mortal e tóxica – é incapaz de deter as bactérias que apresentam mutações. Muitas das doenças infec-ciosas dos anos 60 regressaram em força e são agora muito mais difíceis de combater, como são os casos da tuberculose, malária e febres intestinais.
É encorajador o facto de que, desde a sua legislação em 1965, a homeopatia tenha crescido sobretudo no sector privado. Todos os dias, aproximadamente, um milhão de pacientes é tratado numa clínica ou outra.
From Abroad:
É sobretudo nas áreas rurais que as pessoas procuram as clínicas homeopáticas e também nas zonas urba-nas onde o sistema do Governo não chega à popula-ção ou chega de modo insuficiente.
O Conselho Nacional para a Homeopatia – cujos membros são eleitos ou nomeados - é o órgão supre-mo que controla e prosupre-move o sistema homeopático. Existem cento e cinquenta colégios, em diversas par-tes do país, nos quais são ministrados cursos de gra-duação. Cerca de vinte mil estudantes estudam ho-meopatia, neste momento, nestes centros em todo o país. Em Karachi, funciona um bom Hospital Público e vários hospitais privados. Os medicamentos são im-portados essencialmente da Alemanha, França e Ín-dia. Várias empresas farmacêuticas operam no sector privado. Os Ministérios da Planificação Populacional e do Bem-estar Social decidiram incluir também os médicos homeopáticos nos programas governamen-tais. Os Homeopatas estiveram bem representados na Delegação Oficial Haj, enviada à Arábia Saudita na missão Haj.
Em quase todo o país foram abertos dispensários (far-mácias) do sector público, nos hospitais governamen-tais.
O mercado do medicamento
Uma vez que desde o reconhecimento oficial da homeopatia em 1965, o número de alunos de gra-duação nos colégios aumentou muito rapidamente, o número de médicos homeopatas tem também au-mentado substancialmente. Consequentemente, o mercado dos medicamentos homeopáticos continua em crescimento. A Dr. Reckeweg foi introduzida no país, na década de 1980, tendo ganho grande popu-laridade devido à sua ampla gama de produtos de alta qualidade.
O mercado total representa, presentemente, cerca de 33 milhões de dólares. Deste valor, 15 milhões de dólares dizem respeito a medicamentos importa-dos, sendo os restantes produzidos no país. Para além disto, exportam-se para vários países, medicamentos com um valor total de 2 milhões de dólares. É pro-vável que a cota de mercado dos medicamentos ho-meopáticos tenha um crescimento de cerca de 10 % ao ano.
Prevê-se que, no prazo de um ano, haja nova legisla-ção sobre o medicamento. Possivelmente essa legis-lação vai abolir os produtos farmacêuticos de quali-dade reduzida que ainda são comercializados neste momento.
Planos para o futuro
O governo, para ir de encontro às necessidades futuras da população em termos de saúde, deve adoptar políticas vigorosas que integrem com-pletamente a Homeopatia no Sector da Saúde. Pode formar um Conselho para a Investigação e o Desenvolvimento, de modo a enfrentar de-safios como a hepatite, a SIDA, o comprovativo dos medicamentos, etc.
Mais universidades têm de estar envolvidas na graduação e pós-graduação de estudantes de Homeopatia.
O governo deve integrar a Homeopatia nos cui-dados de saúde primários.
Os medicamentos homeopáticos constituem um mercado crescente. Apenas farmácias qua-lificadas devem ser autorizadas a importar
me-•
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dicamentos homeopáticos. Os produtos farma-cêuticos autóctones devem ser cuidadosamente examinados nos laboratórios nacionais de mo-nitorização.
Nos colégios, a formação prática é praticamen-te inexispraticamen-tenpraticamen-te. Os hospitais governamentais de-viam abrir as suas portas aos estudantes de Ho-meopatia, para estudos observacionais.
Espera-se que o Conselho Nacional e o Minis-tério da Saúde sejam capazes de resolver estes problemas imediatos para que possa ser alcan-çado o máximo benefício deste método tera-pêutico progressista.
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Jon Adams, conferencista da Escola de Saúde Po-pular da Universidade de Queensland (Austrália) e co-editor da conceitua-da revista médica Com-plementary Therapies in Medicine (Elsevier), publicou uma antologia sobre metodologias de pesquisa na medicina complementar e alterna-tiva (MCA). Juntamente com outros doze inves-tigadores da Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Estados Unidos, Inglaterra e Noruega, Adams faz uma análise profunda sobre as abordagens científicas da investigação em MCA. A mensagem essencial é a de que os estudos clínicos aleatórios (ECA) representam uma grande oportunida-de para a MCA, caso se consigam ultrapassar alguns desafios metodológicos. Aqui se incluem o uso de modelos quantitativos e a combinação de métodos quantitativos (EAC) com métodos qualitativos, indo ao encontro da complexidade dos sistemas integrais e ainda o conceito de “evidência” em MCA, cuja re-colha e interpretação de dados é claramente diferente da medicina convencional.
Para além disto, a pesquisa em MCA tem de estar apropriadamente ligada à prática, no sentido de estar envolvida com as decisões terapêuticas e a medici-na preventiva. Este é outro aspecto no qual a meto-dologia de pesquisa na MCA é claramente diferente da convencional. Devido às intervenções complexas das terapias em MCA estes aspectos constituem gran-des gran-desafios quando se fazem revisões sistemáticas, meta-análises e estudos cohorte, que só podem ser utilizados cientificamente através de abordagens de pesquisa multi-metodológicas, multi-perspectivais e multi-disciplinares.
Friedrich Dellmour
Adams J. (ed.), Researching Com-plementary and Alternative Medi-cine. Routledge Chapman & Hall, Oxon (Reino Unido) e Nova York 2007.
Conclusões
Estar vinculado, de uma maneira ou outra, ao siste-ma de saúde, torna-nos guardiões da saúde e como economistas médicos temos a responsabilidade de transmitir às gerações futuras um legado que não pre-judique uma ideia de saúde clara e inadulterada. Deixemos o interesse da indústria farmacêutica, da ordem do bilião de dólares, ser secundário, e colo-quemos à frente de tudo a saúde da nação e do pa-ciente.
Este parece ser um tempo próprio para o renascimen-to, em larga escala, do interesse na Homeopatia. Os custos cada vez maiores dos programas de saúde or-todoxos, o aumento das doenças iatrogénicas, a nova epidemia de doenças crónicas, o aumento das doen-ças mentais à escala global e a proliferação invasiva das doenças infecciosas são algumas das razões major para se fazer o reexame da nossa atitude em relação aos cuidados de saúde e procurar outras abordagens mais suaves e mais de acordo com os processos natu-rais de cura do organismo
Parece não existir melhor solução para as políticas de saúde falhadas, nos países em desenvolvimento, do que aderirem à cura natural por meio da Home-opatia.
Nome Dr. Col. (Retd) Iqbal Shahin
Direcção Frontier Homoeopathic Medical College 15-B, Phase V, Hayatabad, Peshawar País Pakistan
Telefone 091-5816613-4/5810175 E-Mail [email protected]
Revisão
Adams demonstra, contudo, que as controvérsias en-tre o modelo biomédico da medicina convencional e a MCA não são inerentes à natureza da CAM, mas sim típicas de qualquer desenvolvimento científico e criação de novas áreas de conhecimento. Isto signifi-ca para a MCA, que as diferenças paradigmátisignifi-cas ac-tuais podem ser resolvidas mediante uma abertura da mente a novos métodos e aos modelos dos sistemas integrais, reflexão auto-crítica, um conceito apropria-do de “evidência” e a integração apropria-dos terapeutas e pa-cientes nos processos de pesquisa.
Nome Dr. med. Ing. Friedrich Dellmour Direcção Sängerhofgasse 19, A-2512 Tribuswinkel País Österreich
Telefone +43 (0)2252 – 25 98 35 E-Mail [email protected]
News
Fotografias dos nossos Congressos
Localidades: Lisboa e Porto, Portugal. Data: 17 e 18 de Novembro de 2007. Organizadores: Dr. Reckeweg Bensheim e DietMed. Participantes: 150 / 120 (aprox.)
Temas: a) 60 Anos do Laboratório Dr. Reckeweg Bensheim. b) 20 Anos da DietMed.
c) Uso e evolução dos medicamentos homeopáticos em Portugal.
Oradores: Dr. med. Benno Wölfel, Dr. Lains Cardoso, Dr. Ricardo Leite.
Localidade: Bogotá, Colômbia. Data: 15-22 de Fevereiro de 2008.
Organizadores: Dr. Reckeweg Bensheim, Dr. Reckeweg Colômbia Ltda. e Universidade de Rosário, Bogotá.
Participantes: 40 (aprox.)
Temas: Cursos Básicos I a III de Terapia Neural, da Sociedade Alemã de Acupunctura e Terapia Neural (DgfAN). Orador: MR Dr. med. Rainer Wander, Dr. med. Henry Krah,
Dr. med. vet. Christiane Demmrich-Wander.
Localidade: Quito, Equador. Data: 23 de Fevereiro de 2008.
Organizadores: Dr. Reckeweg Bensheim e Biohealth International Cia. Ltda.
Participantes: 250 (aprox.)
Tema: 3º Simpósio Internacional de Medicina Biológica. Oradores: MR Dr. med. Rainer Wander, Dr. med. Benno Wölfel,
Augusto Blasi.
Localidade: Cidade de Guatemala, Guatemala. Data: 1-2 de Março de 2008.
Organizadores: Dr. Reckeweg Bensheim e EUPHA Distribuidora de Medicamentos S.A..
Participantes: 150 (aprox.)
Tema: IV Congresso Internacional de Medicina Homeopática e Terapia Neural Dr. Reckeweg Bensheim.
Oradores: Dr. med. Haroldo Cabrera-Mancio, MR Dr. med. Rainer Wander, Dr. med. Benno Wölfel, Dr. med. Henry Krah, Dr. med. vet. Christiane Demmrich-Wander.
Status 01.09.2008 PT
AUSTRALIA / NEW ZEALAND
Brauer Professional Pty. Ltd. 651 Portrush Road Glen Osmond 5064 Phone: 61-881-30 87 00 Fax: 61-883-79 73 34 E-mail : [email protected] www.brauer.com.au AUSTRIA APONOVA PHARMA Handelsges. mbH Niederhart 100 6265 Hart im Zillertal Phone: 43-5288 64 88 5 Fax: 43-5288 64 88 55 E-mail: [email protected] www.eca-aponova.at BANGLADESH
Pabna Homoeo Hall (PVT.) LTD 75, Swamibagh Road Dhaka-1100 Phone: 880-2-955 83 33 Fax: 880-2-712 04 13 E-mail: [email protected] BELGIUM
NUT HOM PHYT Porte des Bâtisseurs 18 Rue de Warlengrie 7730 Estaimpuis Phone: 32-56-86 33 34 Fax: 32-56-48 44 30 E-mail: [email protected] BRAZIL
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Importing & Marketing Ltd. 36 Ostrovsky St. P.O.Box 197 Ra‘anana 43372 Phone: 972-9-748 37 69 Fax: 972-9-748 37 68 E-mail: [email protected] ITALY Dr. Reckeweg Italia s.r.l. Via Firenze 34
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Zymella Pharma Sp. z.o.o. Ul. Kruczkowskiego 39a 41-813 Zabrze Phone: 48-32-275 01 52 Fax: 48-32-272 87 94 E-mail : [email protected] www.zymellapharma.com PORTUGAL
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Rua da Capela, Edificio DietMed Corvos à Nogueira 3505-276 Viseu Phone: 351-23-293 00 20 Fax: 351-23-293 00 29 E-mail: [email protected] www.dietmed.pt RUSSIA 000 „Alliance Dr. Reckeweg“ Dmitrowskoe schosse Dom 29.K1. Kw. 174 127550 Moscow Phone: 7-495-977 40 39 Fax: 7-495-976 43 10 E-mail: [email protected] www.basicin.org SOUTH AFRICA
Dr. Reckeweg & Co. (Pty) Ltd 39 Waterfall Avenue Craighall Johannesburg 2196 Phone: 27-11-886 2555 Fax: 27-11-886 3939 E-mail: [email protected] www.reckeweg.de SPAIN
Dr. Reckeweg & Co. GmbH Sucursal España
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Eastern Harvester Corp. No. 16, Tsun-Chung St. 403, Taichung
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UNITED ARAB EMIRATES
Riyadh Medicine & Medical Equipment Store P. O. Box 3805 Sharjah Phone: 971-6-555 20 56 Fax: 971-6-555 20 57 E-mail: [email protected] www.drriaz.com USA
Dr. Reckeweg America Inc. 132 Lindsay Avenue Dorval QC H9P 2T8 CANADA Phone: 1-514-631-8605 Fax: 1-514-631-0903 E-mail: [email protected] www.reckeweg.com WEST AFRICA
Dr. Reckeweg West Africa Lord ‚J‘ Specialities Ltd. Rev. Prince Kudolo P.O. Box MP 2952 Mamprobi, Accra/GHANA Phone: 233-21-319 598 Fax: 233-21-319 598 E-mail: [email protected]