Rev. Inst. Med. trop. São Pault¡ 26(4) :192-204, j ulho. agosto , 1984
INQUÉR|TO SOROTóGICO DA PREVALÊNC|A DE TNFEGçÃO CHAGÃS|CA
NO BRAStt, 1975/1980
Matio E. CÁ-ÛIARGO (1), Guilherme Rodrigues da SILVA (2), Euclides Ayres de CASTILHO (Z) e Anúônio Carlos SILVEIRA (3)
Para obter subsídios quanto às dimensões clo problerna da infecção chagásica no país, foi
realizado
no
Brasii, de 19?5a
1981, inquérito sorológico de prevalência da doença de Chagas,sob os auspícios do CNPq e com decisiva co. laboração da SUCAM do Ministério da Saúde (c).
O objetivo proposto foi o de se determinar
a
freqtiência de resultados sorológicospositi-vos em cada municÍpio do país, com exceção do
Estado de São Paulo
e
Distrito Federal, paraos quais
já
há dados satisfatórios.Tendo em vista dificuldades operacionais
e
o
objetivo principal da pesquisa, foramex-cluidas as regiões urbanas,
o
estudo restrin-gindo-sea
localidades corn atéo
máximo de500 casas, como adiante referido.
O
inquérito se fazia necessário pois,ape-sar do grande volume de informações existen. tes sobre a distribuição da doença e do grân
de número de estudos sorológicos realizados,
náo se tem um quadro muito preciso da situa,
ção.
Isto
decorre de que os dados são frag-mentários e nem sempre podem ser coligidos ou confrontados, na medida em que foramco-lhidos em diferentes momentos. por métodos e
ùécnicas diversas.
Foi a partir
dos
trabalhosiniciais
de GUERREIRO & MACHADO em 1918 3r, aplican-do a reação de Bordet e Gengou ao diagnósti-co da doença de Chagas,e
das pesquisas sub-seqüentesde
VILLELA&
BICALHO ss, KEL-SEiR 3s, LACORTE 36,:ì7,38, IVIUNIZ & FIIEITAS 41,42, entre outros, que foram possíveis estudos epi-demiológicos através de "reações deimunida-de".
Um primeiro inquérito,
foi o
realizado em hospitais de BeIo Horizonte em 1980, porVIL-CDU 593. 1611 . 13
616.937 .3-092.9
LELA s6. Das amostras de sangue colhidas, pro-cessadas pela reaçáo de fixação
do
comple-mento, 28,40/o foram positivas.A
seguir, sucederam-se investigações como aS de DIAS, LAR,'ANJA&
PELLEGR,INO 19 em Bambuí (1948), onde encontraràrn positividadede 38,40lo nos soros examinados; mais tarde, de 481 reações de soros não selecionados ao
acaso, colhidos também em Bambuí e nos
Mu-nicípios de lguatemi, Córrego Danta e Campos
Altos em Minas Gerais (1948) 219 resultararn
positivos {é5,5%) 20.
Pedreira de Freitas obteve, com mâterial
colhido nos Estados de São Paulo e Minas
Ge-rais, em 1947,5L,30/o de soros reagentes26. Com esses resultados, E. Dias afirmava
en-tão (1948) que "a pesquisa sistemática da
etio-logia chagásica, em todas as zonas de triatoma, quando vier
a
ser empreendida, revelará uma terrÍvel incidência da moléstia"zt.A área de ocorrência da doença de Chagas
foi sendo assim conhecida e delimitada através cle inquéritos sorológicos realizados em dife,
rentes regiões do país, e que vieram, em gran.
de medida, confirmar
o
que fora previsto pclrDIAS.
Em
Goiás. FREITAS8¿
FIGUEIREDO(1951) 27, estudando 148 casos suspeitos de car-diopatia chagásica collr;erarn 52,780
de
resul-tados positivos e, em amostra determinada semcritério seletívo, de populaçáo dos Municípios de HidrolândÍa e Trindade, t3,3,To e 27,5Vo,
res-pectivamente.
BRANT e colaboradores, em quatro muni-cípios
do Rio
Grandedo Sul
obtiveram, em 1957, aproximadamente 23,90/o de infecção en-(1)(2) (3) (¿\
Laboratório de Imunologia e soroepidemiologia, Instituto de Medicina T¡opical de Sáo paulo Departamento de Medicina preventiva, FaculdaCle de Medicina da USp
Diretor de Dlvisão de Doença de Chagas, SUCAM/Ministétio da Saúde
com auxÍlio parcial para o processamento d.e dad.os, do UNDP^vorld BanÏ/lvHo
- Special p¡ogramme for Reseaïch
and Training in Tlopical Diseases
cAMAR'Go, infecção M' E ; sILvA, G' R'. da; CASTILHO, E' A. de & sILvErRA, A. c. - rnquérito sorológico da prevalência de chagásica, no Brasil, 19?5/1980. Rev. Inst. Med. trop. são paulo z6ttgz-204, rgg4.
t,re os 2.172 indivíduos examinados, sem que
te-riham podido demonstrar uma relaçáo estatis ticamente significante entre sorologia positiva
e
alteraçõesde
traçado eletrocardiográfico r3. Ainda no Rio Grande do Sul, SALGADO&
col. (1964) 47 determinaram para vários municípios,um índice médio de positividade de 8,130/o e,
mais recentemente (197?), BARUFFA & ALCÂN_
TARA FILHO 10 para 17 munÍcipios do centro sul do Estado verificaram um índice médio de
1?,6'0lo de infecção humana por doença de
Cha-9as to.
Em
Santa Catarina, pelos dadosapresen-[ados
por
SALGADO&
PELLEGRINO 0968), nãofoi
comprovadâa
transmissáo daenfer-midade em nível endêmÍco, em três municípios estudados +7. Até aqui
foi
descritoum
úrricccaso comprovadamente autóctone,
no
Municí-pio
de Gaspar 43. Alguns d.ados de entomolo-gia, colhidos por FERREIRA NETO & col.,con-firmara.m
no
entantoa
presença, mesmo queem baixa densidade,
de
vetores importantescomo
T.
infestansem
alguns municÍpios dooeste e P. megisúus. Estudos de reservatórios silvestres na ilha c.le Santa Catarina. revelaranr
a
possivel transmissão enzoólica daenfermi-dade na
área.
Foram na ocasiáo encontrados tiês exemplares de Didelphis .àza;rae azara,e in-fectados porT.
crazi2a.No
Paraná, SIMÕES (1943) 52, ALMEIDA (1948) 3, LOBO (1953) 3e e ARAUJO (1954) 6. fa-ziam já" referência à localização de vetoresdo-miciliados da doença de Chagas ao norte do
Estado; para onde PINOTTI¿+, em 1958, refere um índice de infecçáo da ordem de 12,90/0, em
quatro municípios.
Em
São Paulo. muitos foram os estudosfeitos'como referido
por
BARRETTOT, desde ãlqueles de FREITAS (1947) em ltaporanga,en-tre escolares, onde verificou 42,7o/o.de soros po-sitivos, e de SILVA (1964), reportando dados do Serviço de Erradicação da Malária e Profilaxia
da Doença de Chagas, que apresenta uma posi-tividade
de
13,930/o para 34.710 exames, com amostras coletadas em 285 municípios.O Rio de Janeiro e Espírito Santo tem sido
considerados livres de transmissão domicilier da, doença, ou ela se f.az aí em níveÍs muito
pouco expressivos sob o ponto de vista
epide-miológico.
A
existência de triatomíneos é no entanto desde há muito conhecida, mesmo de espécies quase que estritamente domiciliáriascomo é
o
caso de T. infestans nos Municípiosde Rezende
e
ltaverá rae
de Caxiase
Nova Iguaçu s. Nollio
de Janeiro, COURA & col. rs ern19?1, estudando o foco da Baixada Fluminense, determinaram
a
autoctonia cle alguns casos,sendo que nas 110 reações f.eitas, 5,4% de
so-ros foram
positivos.
Antes disso, resultadoscolhidos por DIAS & col., em Araruama e Ma_
gé (1953), como referido por SAL,GADO & pEL.
LEGRINO+7, e por PINOTTI (1958), coino re-ferido
por
BARRETTO ?, pareciamjá
indicarser o problema de alguma relevância no Esra_ do.
No Espírito Santo, em nenhum momento foram detectados lndtces importantes d.e infec.
çâo.
SANTOSe
colaboradores G969) (apuctBARRETTO) 7, em orto municipios, obtiverarn
L,04Vo de amostras positivas em 6.bBB
examina-das por fixação do complernento. BARROS &
col., em 1975 s, verificatãm apenâs dois soros positivos em 3.000 colhidos de crianças de ida. de escolar ß,066Vo); e, em 1980 e, em material do banco de sangue do Hospital da Universida-de FeUniversida-deral do EspÍrito Santo, foram observa-dos apenas 14 casos de sorologia positiva, nos
4.108 doadores exarninados pelas reações de
fi-xação
do
complementoe
imunofluorescênci¿ indireta (0.36Vo).Em
Minas Geraisforam
reiteradamentecomprovados altos índices de infecçáo chagási-ca, em especial na região do Triângulo, nos mu: nicípios
à
margem esquerda do Rio Grande e ao norte do Estado. A ligor, apenas no extremosul e na região limítrofe ao Espírito Santo e
ao Rio de Janeiro não se verificaram tâxas âi.
tas de prevalência. Cr mais extenso dos
inqué-ritos
ai
p,romovidos abrangeu 82 municípios, com 28.615 amostrasde
sangue tomadas em população escolar e, mesmo com gruposetá-rios jovens, a positividade esteve em 6,2Vo.
Afo-ra
esse trabalho de SALGADO&
PELLEGRI. NOs8, realizado em 1963, é a.inda de fazer refe.rência àquele de PORTO
&
PORTO (1962) na região do Triângulo, em que a positividade foi da ordem de 47,320/0+('.PONDÉ, em 1946, foi o prirneiro a faz,er um estudo sorológico na Bahia, em pacientes sus-peitos de doença de Chagas+s. O mesmo Pondé,
em 1960, obteve 25,00/o de soros ,positivos em
8.411 colhidos em Salvador, cor,no referido por
SALGADO
&
PELLEGR,INO4T.CAMARC'O, M. E.; SILVA, G. R. da; C¡{STILHO, E infecçáo chagásica, no Brasil, 1975/1980' Rev.
Nos Estados de Alagoas, Pernambuco,
Pâ-raíba e Rio Grande do Norte, Lucena fez am-plos estudos, no período de 1957 a 1962. Foram
ao todo coletadas 15.??4 amostras, das quais
15.448 foram examinadas pela reação de GUER-REIRO-MACHADO4o. Em Alagoas, o índice de
positividade
foi de
L},I%,em
PernambucoI7,00/o, na Paraíba 20,7,% e no.IÙio Grande do
Norte 72BVo.
É
também de mencionar que, na Pataiba,SILVA, CARVALHO
&
CAR.NEIRO,em
1956,com 1468 amostras colhidas nas quatro diferen-tes regiões fisiográficas do Estado, obtiveram 4,4Vo de reações sorológicas positivassl. E, em Pernambuco, BORBA & col. enconltaram, pãra
o Município de Nazaré da Mata, em L954,20,9Vo de Positividade rz.
No Ceará, JUCÁ em 1949 ¡¡ e JUC,Á
&
CU-NHA em 1950 31, apresentam resultados
suges-tivos da ocorrência da enfermidade na popula-ção humana. Na ocasião, em 200 reações soro-Iógicas,
por
fixaçãodo
complemento, foram pos,itivas 8,5r%. ALENCAR&
col., em 1963 1,ob-tiveram, para as regiões do Cariri e Baturité, 22,63%
de
soros reagentese, em
1977, é descrito inquérito sorológico realizadono
pe-ríodo
de
19?0a
19?4em
11 municípios deáreas irrigadas
do
Estado sendo, das 7.757amostras examinacias por fixação
do
comple-mento, 2,9% positivas, comum
grau de mor-bidade ou "adoecimento" em torno de 39'Vo 2.Os dados disponíveis para as demais re-giões do þaís, inciuind.o a Amazônia, parte do centro-oeste (Mato GiôÊSo e Mato Grosso do Sul), Maranháo e Piauí, sáo muito pobres.
Ape-nas os primeiros casos começam
a
ser relata-dos, comofoi
feito por FIGUEIREDO'&
col.,para o Piauí ã, SHAW ,& col., no Pará s0 e
FER-RARONI, NUNES
&
CAMARGO para aAmazô-nia 23. A domiciliação de triatomÍneos relatada em alguns easos,
é
maciça no PiauÍ, onde os índices de infestação sáo dos mais altos r0.METODOLOGIA
No sentido de fazer os dados comparáveis, foi definido um modelo de operaçáo o mais uni-forme possivel. Este abrangeu desde os
pro-cedimentos
a
serem seguidosna
colheita domaterial e no treinamento do pessoal envolvi-do nas diferentes etapas do trabalho, até a
téc-194
A, de & SILVEIRA, A. C, - Inquérito sorológi.co da prevalência, de
Insú, Med. trop. São Paulo 26:192-204, 1984.
nica de leitura dos testes e ao tratamento es-tatístico das informações.
Amostragem
-
O esquema de amostragem do inquéritofoi
delineado pela equipe técnica da SUCAIVI, sob orientação do Dr. GlaucoCor-rea Leibovitch.
A população aivo constituiu-se de todos os residentes em localidades com
l0
a
b00 casas(com
1 a
200 paraa
regiáo Amazônica) de cada um dos municípios brasÍleiros, excetuan-cio-se o Estado de São Paulo e Distrito Federal. Os municipios foram divididos em b estratos, segundo o número de casas das suas localida-t'lese
de cada estrato sorteavam-se. aleatoria-mente, cerca de L-o% das localidades. Dessasiocalidades sorteadas, selecionavam-se
aproxi-madamente 75% das casas. A coleta de sangue
foi
feita paraa
totalidade dos moradores dascasas selecionadas.
'l'estes sorológicos
Amostras de sangue
-
Diante da previsão ile um total de mais de 1 milhão de amostras rìe sangue, optamos pela colheita de sangue di-gital em papel defiltro
4,s3.A
coleta de sangue venosofoi
descartadanão só pelo custo do material necessário, co-mo também por não se dispor de srrfr,qiente
pes-soal habilitado, nem de condições adequadas para separação de soros e seu
acondicionamen-to
e transporte sob refrigeraçáo.As amostras de sangue; obtidas por punção digital com lancetas descartáveis, foram
colhi-das sobre folhas de papel de fÍitro, de 12,5 cm de comprimento
e 5
cm de largura, suficien-tes para conter B amostras cada,e
dispostas em pequenos cadernos de 5 folhas, bastantes para amostras em duplieatas de 20 pacientes.Intercalavam-se folhas de papel impermeável e o conjunto recebia uma capa de papel comum, para anotações de identificação geográfica.
Por meio de carimbo, assinalavam-se nas
folhas de papel de
filtro
4 colunas de 2,8 cm de largura, destinadas cada uma às amostras de um paciente. Dois cÍrculos de 1,b cm deimpreg-oAMAR'GO, lnfecçáo M' E'; SILV'A', G. R'. da; CASTILHO, E. A. de & SILVEIRA, ¡.. c. - Inquérito sorotógico da prevalência d.e
chagásica, no Brasil,. 19?5/1990. Rev. Insú. Med. trop. são paulo z6t1gz-204. !g84.
nasse de uma só vez toda a espessura d.o 1ra_ pel na área correspondente ao círculo.
As amostras eram identificadas assinalân_
do-se, nas colunas, o número respectivo de ca_ da paciente.
.
O papel defiltro
utilizado foi o ,,Klabin-80"(Cia. Fabricadora cie Papel, São paulo, Brasil), de partida especialmente prodnzida, isenta de
proqutos químicos que representavam
conta-minaçáo freqüente nas partidas co,merciais, e
previamente testada quanto a ausência de
ati-vidacie interferente
na
conservaçã,oe
eluiçãodas amostras.
A cada caderno correspondia urna planilha,
ou "Boletim Diário de Colheita de Sangue", fo-Ihas em que se registravam dados para identifi-car a região geográfica, Estado, MunicÍpio,
Lo-calidade, além das respectivas siglas digitais
pa-ra fins de computaçáo. Seguia-se a lista das
pes-soas incluídas, numeradas em seqüência, e com
dados referentes a idade, sexo e se autóctones ou procedentes de outros municípios, bern como
colunas para anotação dos resultados dos
tes-tes sorológicos, respectivamente positivos,
nega-tivos, duvidosos ou não obtidos.
Após secagem do sangue à temperatura am-biente, os cadernos eram errrbrulhados nas
res-pectivas planilhas, colocados em sacos plásticos
e estocados em caixâs de isopor para proteçáo
contra umidade e acerituadas variações de
tenr-peratura. Transportadas às sedes regionais da SUCAM, as amostras eram aí conferidas quanto
à identificaçáo e encaminhadas por via aérea aos laboratórios, onde chegavam geralmente dentro de 2 a 4 semanas da colheita. Até o processa-rnento ficar¡am conservadas
a
-20"C, geralmente por períodos de até 3 meses. As duplicatas das amostrasjá
p,rocessad.as eram entáo enviadasao laboratório central, para controle de
qualida-de.
Técnica sorológica
Teste sorológico
-
Para o processamentodas amostras escolheu-se o teste de
imunofluo-rescência indireta15, considerando-se não apenas
as suas caracterÍsticas, como também as
limi-tações impostas
a
outros testes possíveis. A coleta em papel defiltro
e a maiorcomplexida-de operacional complexida-descartaram a utilização do tes-te de fixaçáo do complemento. Quanto ao teste de hemaglutinaçäo passiva, verificou-se não
ha-ver, na época, condições para produçáo do rea_ gente em quantidad.e suficiente e de reprodutibi_ lidade satisfatória para sucessivas partidas, Op_ tou-se, entáo, pelo teste de imunofluorescência, tendo-se ern vista a sirnplicidade técnica, baixo custo
e
facilidade de padronização. Esta setradvz especialmente pela possibilidade de pro_ dução de grandes lotes de antígeno, altamenle reprodutíveis e suficientes, cada um, para milha-res de testes. Acresce também que os
conjuga-dos fluorescentes podem ser estandardizados sob
o
aspecto imunoquímico. Além disto osresultados dos testes podem
ser
uniformiza-dos, entre diferentes laboratórios através, de soros padrão de referência.
A
existência,no
país, de laboratórios de Universidades e de Serviços de Saúde pública, aptosa
realizar testes de imunofluorescência,foi
também fator decisivo para sua escolha.Para maior especificidade do teste proclr-ramos afastar reações devidas
a
anticorpos"naturais", IgMs+, pela utilização de
conjuga-do
fluorescente antiglobulínico, reagente ape-nas com anticorpos IgG nas diluições de uso.Por outro lado, a conservação relativamen-te precária de anticorpos IgM em sangue
des-secado em papel de filtro 32, parece minimizar
sua interferência nos testes.
Reagenúes
.-
Parao
preparo do antígenocultivou-se
o
TrX4tanosoma cruzi, cepay,
emmeio lÍquido LIT æ
por ?
dias, com agitaçáoocasional. .A,s formas parasitárias,
predomi-nantemente epirnastigotas, eram recolhidas por
centrifugação e lavadas por três vezes em
gran-des volumes de soluçáo salina tamponada com fosfatos
a
0,01 M, de pH ?,2 (SSTF).O
sedi-mento era entáo ressuspenso em soluçáo de
NaCl 0,15
M
com formalina a 2Vo, à"tempera-tura ambiente, por 24
horas.
Depois de lava-dos, suspendiam-se os parasitas em solução dedextran
a
6%, paraliofilizaçáo.
Partidas ul-teriores forarn liofilizadas em solução de leite desnatado,a
0,9% emSSTF.
Neste caso, oantÍgeno reconstituído com água destilada
de-via ser centrifugado
por
alguns minutose
os parasitas ressuspensos em solução de NaCl 0,15 ìVI, para uso.Com a suspensão de parasitas
prepa,ravam-se lâminas de microscopia para os testes. Uti-Iizaram-se lâminas com
I
mm de espessura eCAMARGO, M. E.; SILV.{, G. R. da; CASTILHO, E. A. de & SILVEIRA, A. C. - Inquérito sorológico da prevalência de inJecçáo chagásica, no Brasil, 1975/1980. Rev. Inst. Med' úrop. São Paulo 26tL92-204, 7984.
apresentando 10 áreas delimitadas
por
traços impressos (Perfecta, Indústriae
Comércio de lâminas de Vidro Ltda, Sáo Paulo, Brasil). Oca-sionalmente, esses traços náo eram suficientespara impedir a confluência e mistura das
amos-tras e precisavam ser previamente reforçados
com esmalte de unhas. O esmalte era
deposi-tado sobre os traços a reforçar, com o auxílio
de agulha sem bisel, adaptada
a
pipetaou
apequeno frasco plástico.
Depois de reconstifuído o antígeno
liofiliza-do, pela adiçáo de água destilada, este era dei.
xado em repouso por cerca de
I
hora, emgela-deira, para rehidratação satisfatória dos
para-sitas.
Se necessário, a suspensão era diluida com solução salina, para se obter de 5 a 20tti-panosomas por oampo microscópico de 400 x,
nos preparados. Para a distribuição do
antíge-no nas lâminas de microssopia, depositavam-se
gotas em oada áÍea, com pipeta e agulha setn bisel. Aspirava-se a gota, de volta para pipeta, d.eixando-se apenas uma película
de
líquido, que devia se estender por todaa
área. Depois de secasa
37"Qpor
t
hora, as lâminas eramembrulhadas individualmente e conservadas a -20"C até utilização.
Para o preparo do conjugado fluorescente,
imunizaram-se carneiros com a fraçáo IgG de soros humanos (fornecida pelo Prof. R.G.
Fer-ri, Centro de Pesquisas Imunoquímicas do
Ins-tituto de Ciências Biomédicas, USP). Os solos
imunes eram adequadamente absorvidos, para apresentarem teaçáo apenas com IgG, nas di-luições de uso nos testes de imunofluorescên-cia.
Procedeu-se à marcaçáo com isotiocianato
de fluoresceína (isornero
I,
cristalino, 99% deplJteza, International Biological Sup,plies, Inc.,
USA) por técnica de diálise t7, com remoçáo de
fluorocromo livre
por
gel-filtração emSepha-dex G-50. Os conjugados resultantes
apresen-taram, em sucessivas partidas, relação
ponde-ral fluoresceína,/proteína de cerca de 6,5. Eram
conservados pela adiçáo de igual volume de gli-cerina (p.a. Merc.k) e mantidos a -20'C. Assim preservados, mostravam títulos de 1:80 a 1:100, nos testes de imunofluorescência 1t.
Soros padrão de referência
-
Foram pre-parados soros padrão, positivoe
negativo e,para esse
fim,
coletaram-se "pools" de soros196
reagentes, de pacientes chagásicos, e de soros não reagentes.
ClarifÍcarram-se 57 os "pools" por
tratamen-to
com Freon, distribuíram-seem
alíquotas de 1,0ml
e liofilizaram-se.Para uso, depois de reconstituído
o
mare-rial
liofilizado pela adição de 1,0ml
de água destilada, acrescentava-se à soluçáo 1 ml degli-cerina p.a. Depois de homogeneizada, esta
mis-tura era conservada no corrgelador da
geladei-ra
e, diariamente, preparavam-se as diluições de uso a serem incluidas como þadráo em cada teste.Processamento das amosúras
-
Para elui-ção das amostras, cortavam-se discos de 12 mmde diâmetro, com auxílio de vazador metáIico,
das áreas de papel impregnadas de sangue. Os
discos eram depositados individualmente em
pequenos batoques
de
plástico, receptáculos côncavos com capacidade para conterI
ml
deIíquido (batoques i1.' 14, Frascolex Ind. e Com.
Ltda, São Paulo, Brasil), dispostos em séries
de 10 em suporte adequado. A cada disco
adicio-navâ-se 0,2
ml
de SSTF (soluçáo salina tam-ponada corn fosfatos de 0,01 M, depH
7,2),deixando-se em geladeira até o dia seguinte, ou pelo prazo mÍnimo de 3 horas.
Parâ
o
teste, transferia-se com tubocapi-lar
1 gota de cada eluato, cerca de 20micro-litros,
para uma área demarcadana
lâmina. I)epois de incubara
37'Cpor
30 minutos,la-vavam-se as lâminas
por
três vezes de 15 mi-nutos em SSTF, secavam-se com papelabsor-vente
e
adicionava-se1
gota de conjugado a cada área, diluido segundoo
título, em SSTFcom azul de Evans
a
2 rngVo. Após nova in-cubaçáopor
30 minutosa
37'C, lavavam-se eenxugavam-se as lâminas como anteriormente,
e montavam-se com lamÍnula
e
glicerinaalca-lina
(1 vol. iampão carbor¡ato de sódio-bicar-bonato de sódio 0,5 M, pH 9,5, e 9 vols.glice-rina).
Em cada teste incluiam-se diluições a 1:20 do soro padrão negativo e de 1:20 a 1:320em razâo dupla, cio soro padrão positivo. Para leitura dos testes, os preparados eram
observados à microscopia de fluorescência, de preferência sob objetivas de 40
x
a 60 x, atri-buindo-se resultado positivo quando os para sitas mostravam evidente coloração fluorescen-te, geralmente mais intensa nas paredesnegati-c¡'MAR'Go, M. E'; SILVA, G. R'. da; oASTILHO, E' A. de & SILVEIRA, A. c. - Inquérito sorológico da prevatência de infecção chagásica, no Brasit, t9?b/1980. Rev. rnst. Med. úrop. são pauto 26:192.204, 1984.
vos os testes com parasitas não corados pelo fluorocromo, ou apresentando apenas colora-ção esverdeada, pouco intensa
e
sem brilho,d.ifusa no citopla.sma.
Tanto eventuais resultados duvidosos,
co-mo ausência de resultados
por
material insu-ficenteou
inadequado eram assinalados nas planilha,s em colunas respectívas. Para finsde computação, os resultados duvidosos foram
tomados corno negativos.
Completados os testes para cada partida de
amostras, as planilhas correspondentes eram
copiadas (xerox), para o arquivo do laborató-rio processador, e os originais e respectivos ca-dernos com as duplicatas das amostras envia-das ao laboratório central. Neste, as planilhas
eram imediatamente enviadas, para computa-çáo dos dados, ao Departamento de Medicina Preventiva, Faculdade de Medicina da Univer-sidade de Sáo Paulo, e as duplÍcatas das
amos-tras utilizadas para
o
controle de qualidade.Rede cle laboratórios
Para o processamento das amostras, foi
ar-ticulada uma rede de laboratórios distribuídos
pelo território nacional, pertencentes a
Univer-sidades
ou
Serviços de Saúde Pública. Esseslaboratórios dispuseram-se
a
cooperar gracio-samente parao
trabalho, colocando instala-ções e pessoal à disposição Ca tarefa a serrea-Tizada. No mais das vezes foi-lhes fornecida
a
complementaçáo de equipatnento que se fi-zesse necessário, como refrigerador, congelador,estufa bacteriológica, e o material de consumo, incluindo reagentes, lâmpadas para microsco-pia de fluorescência, lâminas de vidro etc. Além disso,
o
lalooratório recebia recursos parare-forço de mão de obra, quando necessário.
Os laboratórios participantes
foram
sele-cionados de acordo com localização geográfica, possede
equipamento para microscopia de fluorescênciae
disponibilidade parao
traba-tho.Além do Laboratório de Imunologia e So-Ioepidemiologia do Instituto de Medicina
Tro-pical de Sáo Paulo, Universidade de Sáo Pau-1o, que desempenhou as funçóes de Laboratório Cæntral, outros 14 Laboratórios regionais parti-ciparam dos trabalhos do Inquérito. Segundo
a
localizaçá,o, são os seguintes:1.
BELÉM, PARÁ-
Instituto EvandroCha-gas (Fundaçáo Serviços de Saúde públi_
ca)l
2.
BELO HORIZONTE, lvTINAs GERAIS-Centro de Pesquisas René Rachou (Insti.
tuto
de Endemias Rurais, FundaçãoCs-waldo Cruz);
3.
BRASILI,A, D.F.-
Laboratório de Imuno-pato ogia da Facuidade de Ciências d.a Saúr-de (Universidade de Brasília);4.
CURITIBA, PARAN,Ã-
La,boratório deImunopatologia
do
Hospitalde
Clínicas(Universidade Federal do Paraná);
5.
FORTALEZA, CIIARÁ-
Núcleo deMedi-cina Tropical
do
Centrode
Ciências daSaúde (Universidade Federal do Ceará);
6.
GOIÂNIA, GOIÁS-
Departamento deImunologia do Instituto de Patologia
Tro-pical (Universidade Federal de Goiás);
7.
PORTO ALEGRE, RIO GRANDE DO ST]L-
Laboratorio de Parasitoses Sistêmicas do Instituto de Pesquisas Biológicas "Dr. Jan{yr Maria Faiilace" (Secretaria da Saú-de do Estado do Rio Grande do Sul);B.
RECIFE, PERNAMBUCO-
LaboratórioCentral da Fundação de Saúde "Amaury
de Medeiros" (Secretaria de Saúde do
Es-iado de Pernambuco);
9.
RIO DE JANEIRO, R.J.-
InstitutoOs-'waldo Cruz (Fundaçáo Oswaldo Cruù;
10.
RIODE
JANEIRO,R. J.
-
ClÍnica deDoenças Infecciosas e Parasitárias, Facul-dade de Medicina (Universidade Federal do Rio de Janeiro);
11.
SALVADOR,IIAHIA
-
Laboratório deSaúde Pública "Prof. Gonçalo Moniz"
(Se-cretaria de Saúde do Estado da Bahia);
\2.
TEREZINA, PIAUÍ-
Laboratório dePa-rasitologia do Centro de Ciências da
Saú-de (Universidade Feder'al do Piauí);
13.
UBERABA, MINAS GERAIS-
Departa-mento de Patologia (Faculdade Federal de Medicina do Triângulo Mineiro);
L4.
VITóRIA, ESPIRITO SANTO-
Discipli-na
de Parasifologia do Departamento deBiologia (Universidade Federal do
Espíri-to
Santo).CAMARGO, M. E.i SILVA, G. R,. da; CASTILHO, E. A. de & SILVEIR.A,, A. C. - Inquérito sorológico da prevalência de infecção chagásica, no Brasil, 19?5/1980. Rev. Inst' Meal' trop. São Paulo 262L92-204, L984.
A cada um dos 14 laboratórios integrantes da rede
foi
atribuído o processamento doslo-tes de amostras, progressivamente encaminha-das a partir das sedes regionais da SIICAM. Em seguida
os
laboratórios deveriam encaminhar as planilhas correspondentesjá
com os resul-tados dos testes, ao Laboratório Central, con-servando cópias em seus arquivos, Em anexo,o
Laboratório enviava também duplicatas das amostras processadas, para controle dequali-elade.
Ao Laboratório Central foi atribuida a
dire-ção dos trabalhos da rede, com o treinamento das equipes, preparaçáo e distribuição de
rea-INoUÉÉIÎo SoRoLciGIco NACIoNAL DA PREVALÊNcIA
DA OOENçA OE CHAGAS
coNTFoLE 0E oUALIDADE - íHorcEs oe corcoao¡.¡cla, CO-POSITIVIDADE E CO-NEGATIVIDADE
gentes
e
continuo controle de qualidade dos testes realizados.Controle de qualidade
De cada lote de amostras processadas,
sor-teavam-se de LÙVo
a
20Vo das duplicatas rece-bidas pelo Labor'atório Central, para repetiçáo dos testes. Os resultados comparativos erartr expressos em índices de concordância, de co-positividade e de co-negatividadezs. Os índices de co-positividade só foram calculados quando significativo o número de amostras. A Fig. 1 é apresentada como exemplodo
procedimentopara controle de qualidade efetuada
continua-mente durante o inquérito.
Processamento dos dados
Os dados contidos em cada folha do
"Bo-letim Diário de Colheita de Sangue" (Estado,
muni.cÍpio, Iocalidade, idade
do
indivíduo, seautóctone ou procedente de outro município, sexo
e
resultados da reaçáo sorológica), apóstrabalho manual de verificação de correspon-dência entre localidade, município e Unidade da Federação com seus respectivos códigos, fo-ram transcritos por digitação manual para fi-t4s magnétioas que passavam a constituir
nos-sos arquivos de informações.
A
partir
destes198
3
Fig. I - Gráficos de Índices de confiabilidade dos testes realizados em um dos Laboratórios proces-sâdores, com relação âo ensaio de duplicatas peto
Laboratório Central, para controle de qualidade.
9 I
arquivos, e
já
usando equipamento de proces_samento eletrônico, (Centro
de
Computaçáo Eletrônica da USP) seguiu-se uma fase decon-trole de qualidade de dados. Ao final desta fa-se foram feitas as seguintes tabulações para
ca-da unica-dade federativa: distribuiçáo dos dados amostr'ais
por
localidadesde
cada municÍpio segundo autoctonia, grupo etário, sexoe
por_centagem de indivÍduos positivos; distribuição das observações amostrais por estrato de cada
municÍpio segundo autoctonia, grupo etário,
sexo
e
porcentagem de reações positivas;cAMÂRGo' infecaão M' chagáslca, E'; srlvA, no Brasil, G. R'. da; cASTrLHo,8..4. de & SrLVEIRA,.a. c. - rnquérito sorotögico da prevetência de 19?5/1980. Rev. Inst. MeaI. trop. são paulo 262192-204, 7984.
da município em termos d.e freqüências relati_
vas
de
reações positiva,s segundo autoctonia, grupo etário e sexo; distribuição das observa_ções amostrais segundo
os
mesmos critériosdo
ítem anterior para cada estrato d.e cadamunicípio;
e,
finalmente, a, distribuiçáo por município epor
seus estratos segundoa
fra_ ção amostral, números eÈperados de positivos, tamanho da populaçáo (estimada pela equipe da SUCAM)e a
estimativa por ponto d.e pre-valência de reações sorológicas positivas. Estirnativa de prevalênciaPara o cálculo das estimativas de prevalên_
cias, as reações sorológicas d.uvidosas foram consideradas como negativas. As estimativas ae prevalências foram feitas segundo o
seguin-te
critério:1)
Cálculo da fração de amostragem (estratoÍ):
N." localidades selecionadas
RESULTADOS
De um total de I.626.745 amostras examina_ das,
foi
possível computar dados de 1.8S2.1g? observações provenientes de 8.026 municípiosque, excetuando-se São paulo
e o
DistritoFe-deral, permitem estimar para
a
população al_vo, anteriormente definida, uma prevalência de
reações sorológicas positivas de 4,22%.
A Tabela
I
apresenta as estimativas de pre_ valência segundo as unidades federativas. pelaanálise desta tabela, pod.emos notar que as 5
maiores prevalências foram encontradas no Rio Grande do Sul (8,84%); Minas Gerais (B,BBVo);
Goiás
(7,40vo);sergipe
(s,97,%)e
Bahial5,44Vo). De todas as unidades federativas tra_ balhadas somente no Amapá é que náo se en-controu um só caso de reaçáo de imunofluores_
cência indireta para T. cruzi
positiva.
preva-lências inferiores a LVo fonam encontradas em:
Maranhão (0,72%); Roraima (O,BIVo); EspÍri_
to
Santo (0,32Vo); Rondônia (t,4L%); pará"(0,56Vo)
e
Ceará, (0,84%).Do total dos indivÍduos examinados 46,06%
eram
do
sexo masculino, sendo, portanto, 53,94% do sexo feminino. No sexo masculino,em termos amostrais, encontramos 2,860/o de
reações positivas e, 3,L7Vo no sexo
feminino-As
tabulações detalhadas, anteriormentereferidas, estáo sendo utilizadas pela SUCAM
na programaçáo
do
controle da doençae
no planejamentode
estudos operacionais. AsFigs.
2 e 3
são
exemplos, referentes aosEstados
de
Goiáse
Rio Grande do Sul, do mapeamento das diversas Unidades da Federa-ção, através dos dados do presente inquérito soroepidemiológico referentes às prevalênciaspor município.
DISCUSSÃO
Uma avaliação crítica do trabalho efetuado
é
sugestivade
confiaþilidade dos resultados, pela qualidadee
homogeneidade obtidas no processamento das amostras. porém, os dados sorológicos levantados deverão serconfronta-dos com outros,
de
natureza epidemiológica,199 N." total de localidades
N." casas selecionadas
ri=
N." casas existentes nas local. selecionadas
2)
Cálculo do número esperado de positivos(estrato
i):
fi
3)
Estimativa da prevalência no estrato i:^Ti
Pr=
-i
onde N,:
Tamanho da população\
do estratoi
Ð
Estimativa da prevalência no município o:N." de positivos no estrato
i
p
5
t
i-1
I:
N
t,2,3,
4, 55
i-l
municípioN:
CAMARGO, M. E.; SILVA, G. R. da; CASTILHO, E infecção chagásica, no Brasil, 1975/1980. Rev.
TABELA I
Distribuição das estimativas de prevalência de reações sorológicas positivas segundo Unidades da Federação Unidades da
Federaçáo NORTE Eondônia Acre Amazonas Roraima Pará. Amapá ]\ÎORDESTE Maranhão Piauí Ceará
Rio Grande do Norte ParaÍba
Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia SUDESTE( * )
Minas Gerais
Espírito Santo
Rio de J¿neiro SUL
Patâná
Santa Catarina
Rio crânde do Sul CENTRO OESTE(**)
Mâto Grosso
Mato Grosso do Sul coiás
N.o total de murìicÍpios
A. de & SILVEIRA, ¡,. C. - Inquérito sorológico da prevalência de
Inst. Meal. úrop. São Paulo 26:192-204, 1984.
N.o total de localidades 2 't 44 2 83 130 774 14I 140 1?1 tbó 94 74 aat
N." de municÍpios com esti- Estimativa de preva. mativas de prevalências acima lência (por 100)
de 0%
772 732 767 lÐa 2110 t't1 2136 1191 2224 1009 it003 olq 600 4778 5344 629 58? 1130 1895 IJÐC 2110 \ 36 , 4.6 51 103 93 110 150 r44 70 60 301 674 27 oo 245 130 189 43 ?10 7t'l 52 61 290 t9? 231 50 2.t9
(*) Excluindo (**) Excluindo
distribuiçáo de vetores
etc.
Eventuais falhas podem resultar de problemas acidentais,oca-sionalmente verificados
na
identificação de amostras, em desvios do plano de amostragem, na execução dos testes ou na digitaçã.o de re-sultados. Assim, de um total de 1.626.?45amos-tras
examinadasnos
taboratórios, somente1.352.197 puderam
ser
processadasestatistÍ-camente.
Isto
resultou, principalmente, d.e repetições da soleta de sangue em várias loca-lidades, além de casos de dados originais ilegíveis ou incongruentes,
200
São Paulo
Distrito Federat
0,41 1,88 0,3i 0,56 0,t2 4,04 0,84 t,'t8 3,48 2,48 40? 5,44 8,83 0,32 1,?5 4,00 1,39 8,84 2,82 2,46 7,40
Outras incorreções poderáo resultàr das
Ii-mitações do teste, especialmente quanto
à
es. pecificidade, assinalando-seem
particular asreações cruzadas com leishmanioses. Também não
foi
levado em contao
valor preditivo Coteste
de
imunofluorescênciaindireta
anti-T. cruzi, dadas as variações na sensibilidade e naespecificidade constatadas ao longo do estudo pelos controles
de qualidade. No
entanto,sua tendenciosidade provavelmente náo deve
ser de grande magnitude pois, apesar das va
riações oþservadas, estas se mantiveram
CAMAR'GO, M. E ; SILVA, G. R. da; CASTILHO, E. A. de & SILVEIRA, A. C. - Inquérito sorológico d.a prevatência de infecção chagásica, no Brasil, 19?5/1980. Rev. Inst. MeaI. tÌop. são paulo p6:192-204, 79g4.
ot
i$l
qr¡.zprt i rt
..-'-ì iij,i'
t^
Peia magnitude do trabalho, foram realiza-dos apenas testes qualitativos,
o
que veiotor-nar relativamente constante para todas as
re-giÕes do país
o
grau de reatividadediscrimi-nante entre amostras reagentes e náo reagentes.
Tendo-se em vista
a
grande amplitude de va-riaçáo da prevalência da infecçáo chagásica no país, a utilizaçáo de um teste qualitativo úni-co poderá certamente resultar em incorreções. Pelas variações do valor preditivo do teste se-gundo os índices de prevalência, poderáocor-rer
maior ou menor porcentagem deresulta-¡
t,
,.
r""dt'
L
|-?;¡¿ ,FÌl ¡^ ',
-r->!--/
Fig. 2 - Distribuição dos Índices de prevalência por Municipio .l
'ì;-¡
di-Tf'
..".{¡f,{i
,.
\ff,
I
(
dos
falsos, especialmente dentreos
resulta-dos positivos observados nas populações com baixa Prevalência 28'2e,30.São apresentaclas apenas estimativas de prevalência por poirto porque o procedimento
de coleta de dados náo permitiu identificar os
domicílios selecionados. Assim, não
foi
possí-vel estimar a variância, necessária para
o
cáI.culo das estimativas de prevalência
por
inter-valo.
no Estado de coiás
'åt
Fig. 3 - Distribuição dos Índices de prevalência por MunicÍpio, no Estado do Eio crande do Suì
/i
$t
CAMARGO, M. E'; SILV.A', G. R. da; CASTILHO, E. A. de & SILVEIRA, A. C. - Inquérito sorológico da prevalência de infecção chagásica, no Brasil, 1975/1980. Rev. fnst. Med. trop, São paulo Z6tIg2-204, IgB4.
Mesmo levando-se em conta as diferenças
metodológicas
e
temporais, os resultadosen-contrados
para
determinadas áreas diferem acentuadamente das informações anteriormen-úe disponíveis. Alguns dados merecemcomen-tários particulares. A prevalência estimada
pa-ra
Mato Grosso constituill motivo para aim-plemerrtaçáo, nessa área, de atividades regula-res de controle da doença de Chagas peta
SU-CAM. Tendendo a confirmar os achados soroe-pidemiológicos, os resultados agora colhidos no inquérito triatomínio mostraram a presença na área, de triatomÍneos domiciliados
naturalmen-te
infectados.Para
o
Ceaút", náo se encontrou nenhum. município com as altas prevalências registradaspor ALENCAII ,& col.z. Aparentemente,
a
lon-ga estocagem acidentalmente ocorrida para asamostras dessa área,
no
presente inquérito, poderá ser responsável ao menos em parte,pe-la
loaixa prevalência observada.No
Estado de Santa Catarinaa
elevadaprevalência encontrada em alguns municípios
não
foi
confirmada em verificaçáo posterior (SCHLEMPER&
col., 1983) 4e, e parece devida a equívocos de registro de resultados nas pla-nilhas.Os resultados encontrad.os para o Acre e o
Amazonas não deixam de chamar
a
atenção e estáo merecendo confirmação, em estudo epi-demiológicojá
em andamento.Não
é
necessário insistirno fato
de que,considerando-se a população alvo do estudo e
o
processode
amostragem adotado para seatingir
os
objetivos traçados, náoé
possívelinferir qual a prevalência de infecção
chagási-ca na populaçáo residente no Brasil no
perío-do em estudo.
Considerando-se
a
dinâmica d.e coleta deamostras
e
registro de dados, não parece deboa estratégia
a
"busca" ou "identificação d.e casos" apartir
dos Boletins Ðiários de Colera de Sangue.ûBSl Para sua realizaçáo,
o
Inquérito contoucom recursos do Ministério da Saúde, acres-cidos de auxílios do CNPq. para a fase de
pro-cessamento de dados
foi
recebido auxílio par_cial
do UNDP/lVorld Bank/WHo-special pro-gramme for Research and Trainingin
Tropical Diseases.202
SUMMARY
Chagas'disease serology
in
Brazil,1975
-
1980A nationv;ide seroepidemiologic survey of
human
T.
cruzi infection was carried out in Brazil from 1975 to 1980 as a joint programmeof
the Conselho Nacional de Desenvolvimento Científicoe
Tecnológico (CNPq) andthe
Su-perintendência de Campanhas (SUCAM), Mi-nistry
of
Health, of Brazil.Due
to
the marked heterogeneity of urban populations as result of ,wid.e migratorymove-ments
in
the
countryand
since triatomine transmissionof
the disease occurs mostly inrural
areas,the
survey rvas limitedto
ruralpopulations. The survey was based on a large cluster sampling
of
complete households, fromi.andomly selected localities comprised of 10 to 500 houses, or up to 200 houses in the Amazon
region. Random selection of localities and hou-ses was permitted
by a
detailed mapping of every locality in the country, as performed andcontinuously adjusted, by SUCAM.
In
theselec-ted houses duplicate samples
on
filter
paper were collected from every resistent 1 yeâr or older. Samples were tested in one of 14labora--tóries scattered
in
the country by the indirect anti-IgG immunofluorescence test, rwith rea-gents produced and standardizedby
a centraliaboratory located at the Instituto de Medicina Tropical de Sáo Paulo.
A
continuous qualitycontrol
'was performedat
this
laboratory,which tested duplicates
of
L\Voto
1.50/oof
all sarnples examinedby
the
co laboratinglabo-ratories.
Data regarding number
of
sera collected,patients'age, sex, place
of
residence, place ofbirth and test result 'were computerized at the Department
of
Preventive Medicine, Medical School, University of Sáo Paulo, Sáo Paulo, Bra-zil. Serologic prevalence indices were estimatedfor
eaqh Municipality and mapped accordingto States and Territories
in Brazil.
Since data were already availaþlefor
the
Stateof
SáoPaulo and the Federal Districi, these unities were not included in the survey.
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